Lucas Gudman, o magnata londrino cujo nome ecoava pelos corredores do poder global, encarava o jornal matinal com desdém. Na capa, letras garrafais berravam: "O Magnata Gudman: Solteiro por Escolha ou Desespero?". Ao lado, a foto calculada de sua mãe, a matriarca Imelda Gudman, exibia um sorriso que Lucas conhecia bem – um misto de escárnio e exasperação. O café, antes quente na xícara de porcelana fina, agora esfriava, assim como sua paciência. A pressão de sua família e da imprensa havia se tornado insuportável.
"Lucas, precisamos de uma solução", a voz de Imelda, mesmo distante, ressoava em sua mente. Era a ladainha semanal. "Seu status de solteiro está afetando a imagem da empresa. Acionistas questionando sua estabilidade, a imprensa especulando sobre sua vida pessoal... É inaceitável para um Gudman."
Ele afrouxou a gravata de seda, soltando um suspiro pesado. Lucas era um arquiteto de impérios, um estrategista implacável. Construíra sua fortuna com racionalidade e controle. Para ele, um casamento não passava de um contrato, uma distração. Sua prioridade era o patrimônio Gudman. Relações emocionais eram complicações desnecessárias. Em casa, o casamento de seus pais era um exemplo de frieza; sua mãe, Imelda, lidava com tudo sozinha enquanto o pai, Sebastian, posava para revistas, colhendo todos os louros. Aquela imagem o perseguia.
Foi sua assistente executiva, a eficiente Srta. Sophia, quem trouxe a luz. Em particular, ela sussurrou a ideia: "Uma atriz, senhor. Contratada pela internet, para viver uma vida de noiva de luxo ao seu lado." Parecia absurdo, mas a lógica de Lucas prevaleceu. Era prático. Um ano. Um milhão e duzentos mil dólares, cem mil por mês. Simples e direto. Uma fachada para acalmar os ânimos, afastar os paparazzi e garantir a imagem impecável da Corporação Gudman. A escolhida, uma mulher discreta e sem histórico, assinaria sob um nome falso, sem deixar rastros legais após o término. Perfeito.
Lucas acatou a ideia de Sophia e iniciou a busca secreta por sua "noiva". Dias se passaram, com conversas e testes com diversas atrizes dispostas a assumir o papel. Nenhuma o agradava intelectual ou fisicamente. Quatro dias de busca infrutífera. Sentado em seu escritório na Gudman's Army Indústrias, ele estava à beira da desistência quando o telefone tocou. Era de Londres.
"Como está meu irmão favorito do Texas?!" A voz era inegavelmente provocativa. Lucas, já irritado com a falta de sucesso em sua busca, respondeu num tom mais áspero que o habitual. "O que você quer? Me ligar a essa hora para dizer que ganhou mais um corcel da Espanha?!" Apesar da irritação, mantinha um respeito velado pelo irmão mais velho.
"Não, Sr. Gudman!", a voz do irmão zombou. "O motivo da minha ligação é para lembrar que em um ano é a festa da nossa avó! Você e sua noiva não faltem!" Ele fez uma pausa dramática. "Ah, esqueci, meu irmão saiu no jornal por não ter equilíbrio entre pessoal e profissional! Irmão, não vai ofuscar as esperanças da vovó de te ver casado, hein!" Com essa última provocação, o irmão desligou, deixando Lucas imerso em seus pensamentos sobre a festa da avó materna.
Naquele mesmo instante, uma notificação de seu "Instagnata" - a rede social exclusiva da elite - piscou. Lucas clicou. Uma foto. Uma loira linda, com uma elegância que exalava inteligência e luxo, parecia ideal para o papel. Eles conversaram a noite toda, se conhecendo para otimizar a "atuação". Lucas propôs o casamento por contrato, especificando o valor final e as "tarefas" mensais da atriz. Ela aceitou, com a condição de um adiantamento de 30% como garantia de sigilo. Acordo selado. Em poucos dias, Lucas Gudman anunciava seu casamento.
A notícia, vinda de um magnata tão recluso, eletrizou a mídia. Lucas Gudman se casaria? Seria um noivado verdadeiro ou uma fachada? Quem seria a mulher capaz de dobrar o enigmático Lucas para o matrimônio? Ela estaria à altura da família Gudman? Perguntas pipocavam em manchetes, programas de fofoca e círculos empresariais.
Vinte e um dias depois, em uma linda manhã, Lucas se levantou na suíte de seu apartamento em Paris. O sol tropical já aquecia as ruas lá fora. Hoje era o dia. Seu casamento. Uma farsa que, ele esperava, finalmente traria a tão desejada paz. A mulher que aguardava na igreja deveria ser profissional, pontual e, acima de tudo, discreta após o término do acordo. Não havia espaço para surpresas.
Do outro lado da cidade das luzes, em um pequeno apartamento alugado que dividia com uma colega de faculdade, Lina Santos girava em frente ao espelho. O vestido de noiva, embora simples, realçava sua silhueta com perfeição. Os cabelos negros estavam presos em um coque elegante, e o batom vermelho dava um toque vibrante à sua boca. Seus olhos brilhavam de excitação.
"Eu não acredito que consegui esse papel!", ela murmurou para si mesma, ajustando o véu. "Noiva, logo de cara! Quem diria que um filme de baixo custo teria um figurino tão impecável?"
Ela ainda se lembrava da ligação da produção, há poucos dias. Um teste rápido, uma confirmação quase imediata. O papel era de uma noiva em uma cena de casamento. Não era Hollywood, mas era um começo. Uma chance de mostrar seu talento depois de anos de formação e de incontáveis "nãos". Sua experiência no teatro a preparara para qualquer desafio, e ela estava pronta para mergulhar no papel.
"O roteiro era bem básico, mas o diretor disse que dava espaço para improviso", Lina pensou, enquanto pegava sua pequena bolsa. "Nem me mandaram o roteiro completo, disseram para eu ir lá e atuar. Que confiança! Adorei a ideia."
Lina se apressou. Não podia se atrasar para sua grande chance. O endereço era uma igreja no centro luxuoso da cidade. Estranho para um filme de baixo custo, mas talvez a produtora tivesse conseguido um patrocínio inesperado. A van de produção deveria estar esperando-a na porta. Ela mal podia esperar para começar a filmar e mostrar ao mundo do que Lina Santos era capaz. Mal sabia ela que o diretor do filme havia mudado o local da gravação ao descobrir sobre o casamento particular do magnata, mas o aviso nunca chegou a seus ouvidos. Preocupada com a demora da van, Lina, com seu último saldo na conta, pediu o carro mais luxuoso disponível no aplicativo para o local designado. Ela não queria chegar atrasada ou de qualquer forma, ainda mais para um papel tão importante.
Ao chegar à rua da igreja, Lina avistou algumas câmeras e flashes, além de um aglomerado de pessoas. "Nossa, que profissionalismo para um filme de baixo custo!", ela pensou, impressionada. "O diretor deve ser um economista, mas um excelente diretor e roteirista! Que qualidade!"
Apertando a pequena bolsa contra o corpo, Lina sentiu o frio na barriga. Aquela era sua grande chance. Não iria interromper as "gravações". Iria entrar atuando. No nervosismo diante das câmeras, dos jornalistas e de todos os convidados - que ela acreditava serem "figurantes de um filme" - acabou deixando a bolsa no carro do aplicativo. Ela saiu do veículo e se postou na entrada da igreja.
A noiva contratada por Lucas, seguindo instruções para criar expectativa, atrasava-se propositalmente. Foi nesse instante, enquanto a porta se abria, que Lina, em seu vestido branco e deslumbrante, pisou no tapete vermelho do corredor da igreja. A Marcha Nupcial começou a tocar, alta e clara. Todos os olhos se voltaram para ela. Uma bela mulher, silhueta perfeita, cabelos negros como a noite, a boca vermelha em contraste com o tom corado naturalmente em seu rosto. Uma noiva estava entrando na igreja. Todos se admiraram com a grandiosa beleza daquela que parecia ser a estrela do evento.
Lucas, parado no altar, sentiu um sobressalto. Não esperava aquela visão. Os cabelos negros, a postura impecável. Sua noiva contratada era loira. Por um instante, a confusão nublou seu raciocínio metódico. "Nossa, essa atriz até pintou os cabelos para combinar com o seu papel", pensou ele, enquanto a melodia da marcha nupcial preenchia o ambiente. "Devo admitir que esse cabelo escuro lhe caiu melhor que o anterior. Realmente, um toque de profissionalismo inesperado."
Lina sorriu, atuando. Pensou: "Uau, que real! A produção realmente caprichou nos figurantes. Eles são muito bons!" Ela prosseguiu seu caminho pelo corredor, passo a passo, em direção ao altar, onde um homem alto e elegante, com uma expressão séria, a aguardava. Seus olhares se encontraram por um breve segundo. Ele a viu, e ela o viu.
Ela não sabia que não se tratava de uma cena, mas de um destino novo e certo.
A Marcha Nupcial se intensificou, preenchendo cada canto da suntuosa igreja parisiense. Lina, com o coração vibrando de empolgação e um sorriso leve nos lábios, continuou seu trajeto. Que produção incrível! Os figurantes são muito dedicados, e o cenário... impecável! Ela pensava, sentindo-se a própria estrela de cinema. Seu olhar fixou-se no homem à sua espera no altar: alto, imponente, com um terno escuro impecável que só magnatas podiam ostentar, e uma expressão séria que, para Lina, era puro profissionalismo. Ele é intenso. Com certeza, o diretor sabe escolher seus atores.
Não vejo a hora de ler o roteiro completo dessa cena!
Lucas Gudman observava a noiva se aproximar. Ela é... deslumbrante. Realmente superou minhas expectativas para uma atriz de contrato. Aqueles cabelos negros... Ele ainda estava surpreso pela mudança na cor dos fios, mas não pôde negar o impacto. Talvez Sophia tenha subestimado o talento dessas atrizes de internet. Essa é uma jogada de mestre para a imprensa. Sua postura permaneceu rígida, mas um fragmento de curiosidade brilhou em seus olhos. A mulher se movia com uma graça natural, e a confiança em seu andar era quase palpável.
Ao chegar ao altar, Lina parou ao lado de Lucas. O padre, um homem de semblante sereno, começou a cerimônia.
Senhor Lucas Gudman, aceita Lina Santos como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
Lucas olhou para Lina, que lhe lançou um sorriso quase imperceptível, com um brilho cúmplice nos olhos. Ah, a parte da atuação. É agora. Ele pensou.
Eu aceito, ele respondeu com clareza, a voz firme e controlada, como sempre.
O padre se virou para Lina. Senhorita Lina Santos, aceita Lucas Gudman como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
Lina sentiu um arrepio. Uau, que falas intensas! O padre também é um ator e tanto! Ela olhou para Lucas, que mantinha uma expressão séria, quase desafiadora. Ele está agindo bem. Preciso estar à altura.
Aceito!, ela declarou com entusiasmo contido, a voz límpida e cheia de convicção.
A troca de alianças ocorreu em um silêncio reverente. Lucas, com sua frieza calculista, deslizou o anel no dedo de Lina. Uma formalidade necessária. Lina, por sua vez, deslizou a aliança no dedo de Lucas com um gesto de encenação. Que lindo! Parece até de verdade! Eles realmente pensaram em tudo.
Eu vos declaro marido e mulher, o padre anunciou, com um sorriso caloroso. Podem beijar a noiva.
Lucas sentiu um leve tremor. Beijar? Isso não estava no contrato. Ele lançou um olhar rápido para Lina, que o encarava com uma mistura de expectativa e um toque de travessura. Ela deve estar esperando por isso para a cena. Não posso falhar agora.
Lina estava radiante. A cena do beijo! Perfeito! Ela se inclinou ligeiramente, pronta para a "ação".
Lucas se aproximou. Ele a beijou. Não foi um beijo de paixão avassaladora, mas também não foi completamente frio. Foi um toque de lábios, breve e firme, que durou o suficiente para os flashes da imprensa explodirem. Lina sentiu uma faísca inesperada, uma estranha familiaridade no contato. Nada mal para um ator contratado! Que química!
A cerimônia terminou com aplausos e a agitação dos convidados. Lucas, com sua expressão inabalável, pegou a mão de Lina, guiando-a para fora da igreja. Os paparazzi se aglomeravam, câmeras piscando.
Sr. Gudman! A noiva é deslumbrante! Quem é ela? Qual o segredo para ter conquistado o magnata, Sra. Gudman?
Lucas manteve a calma. Isso faz parte do show. A imprensa devorando a história, exatamente como previsto. Ele apertou levemente a mão de Lina, um sinal discreto para ela manter a compostura.
Lina acenou para as câmeras, sorrindo docemente. Meu primeiro tapete vermelho, mesmo que seja para um filme de baixo orçamento! Estou arrasando! Ela sentia a adrenalina pulsando, absorvendo cada flash, cada grito de pergunta. Eles são muito bons em interpretar os jornalistas!
Chegaram ao carro de luxo de Lucas, estacionado logo à frente, dispensando a limusine que aguardava. Ele abriu a porta para ela. Lina entrou, acomodando-se no banco de couro macio. Lucas contornou o carro e sentou-se ao volante. O motor roncou suavemente quando ele deu a partida, deixando a multidão e o barulho para trás.
O silêncio preencheu o interior do veículo. Lina olhou pela janela, admirando a paisagem parisiense que passava rapidamente. Lucas mantinha os olhos fixos na estrada.
Ela não vai perguntar sobre o dinheiro, Lucas pensava, com uma pontada de curiosidade. Será que ela não está interessada no cachê que eu ofereci? Será que devo lembrá-la do contrato e de nossas condições impostas? Uma pequena irritação começou a borbulhar. A noiva contratada deveria ser transparente em seus objetivos.
Lina, alheia aos dilemas de Lucas, franziu a testa. Será que essa cena é tão silenciosa mesmo?! Ela olhou para Lucas, que parecia concentrado na direção. Ahh, por que não fui ler o roteiro ontem à noite? Um pingo de arrependimento se instalou.
Ao chegarem à mansão Gudman, uma propriedade exclusiva para a suposta "lua de mel falsa", Lucas desceu do carro e começou a caminhar em direção à entrada. Mas ele parou. Lina não se mexia, sentada no banco do passageiro, aguardando.
Essa atriz realmente vale o que cobra, pensou Lucas, voltando para abrir a porta. Um furo desses para recém-casados é um ato terrível que a imprensa adoraria cobrir. Ela está me ensinando a tratar uma "esposa falsa" em público. Impressionante!
Lucas abriu a porta para ela. Lina saiu, ainda sem saber o que faria na cena seguinte. O choque do grande mal-entendido estava a apenas alguns passos de se revelar em algo que já não tinha como ser desfeito.
Lucas abriu a porta do carro para Lina, uma cortesia que ele nunca imaginou que faria para a "noiva" que havia contratado, muito menos para a mulher que acreditava estar ali por conta de um filme. Ele a observava sair, uma elegância natural mesmo em meio ao que seria, para ele, um teatro bem encenado. A fachada imponente da mansão Gudman se erguia à frente, iluminada pelo crepúsculo parisiense. Este era o cenário da farsa, o palco onde eles deveriam convencer o mundo de seu amor forjado.
Lina pisou no chão, sentindo o ar fresco da noite no rosto. A mansão era grandiosa, muito mais do que qualquer cenário que ela já vira. Ela engoliu em seco, um frio na barriga que não era de empolgação, mas de nervosismo. Ok, Lina. Essa é a cena da lua de mel. Eles realmente não economizaram no luxo para este filme de baixo custo. Mas... por que não me deram o roteiro dessa parte? Ela sentia um arrepio estranho na nuca, uma sensação de que algo estava errado.
Lucas, sem esperar, começou a caminhar em direção à porta principal. Lina hesitou. Ela não sabia o que fazer. Seus instintos de atriz gritavam por um roteiro, uma direção. Ele está indo direto? Não tem marcação, não tem fala? Ela se lembrou das aulas de improviso, mas aquilo parecia um salto no escuro. Permaneceu parada, esperando, uma estátua vestida de noiva na entrada da mansão.
Lucas, já a alguns passos, percebeu que Lina não o seguia. Ele parou, virando-se com uma leve irritação. Ela estava ali, imóvel. Um leve sorriso, quase imperceptível, surgiu em seus lábios. Ele se lembrou do que pensara no carro. Essa atriz é realmente boa. Está me dando uma lição de como um marido recém-casado deveria tratar sua esposa, mesmo que falsa, em público. Um furo desses seria um prato cheio para a imprensa. Ela sabe o que faz.
Ele voltou alguns passos, a passos calculados, até estar novamente ao lado dela. Estendeu a mão para ela, um gesto que, para ele, era parte da encenação dela. Pronto, Sra. Lina, lição aprendida. Ou, pelo menos, atuando que aprendi.
Lina olhou para a mão estendida de Lucas. Ela a pegou, a pele dele fria ao toque. Seus dedos se entrelaçaram de forma estranhamente natural. Ah, ele voltou para me guiar. Ele é um bom ator, realmente se importa com os detalhes da cena. Que profissional! Ela sorriu, um sorriso de alívio por ter uma direção, mesmo que não verbalizada.
Juntos, eles entraram na mansão. O interior era ainda mais opulento que o exterior. Luzes suaves, tetos altos, obras de arte pelas paredes. Lina se sentiu minúscula naquele ambiente grandioso.
Lucas a levou para uma sala de estar luxuosa, com lareira acesa e sofás de veludo. Ele se virou para ela, os olhos fixos nos dela, esperando a deixa para o próximo passo do "contrato". Lucas então diz a Lina se referindo a primeira cláusula do contrato. "Aqui podemos tirar as fotos íntimas de casal em lua de mel, no qual devemos fazer para o mundo!"
Lina, porém, sentia um pavor crescente. A realidade da cena "íntima" que ela imaginava se aproximando a atingiu em cheio. Seus olhos se arregalaram. Espera. Lua de mel? Fotos íntimas? Eu... eu não me lembro dessa parte no roteiro! O desespero começou a tomar conta.
O-onde está o diretor? Lina perguntou, a voz trêmula. Lucas franziu a testa, um sinal de confusão que Lina interpretou como parte da atuação. Essa cena íntima de lua de mel... ela não estava programada no roteiro! Não tem como eu fazer isso!
Lucas a observou por um instante, a sobrancelha arqueada. Finalmente ela citou o contrato. Achei que nunca ia quebrar o personagem para falar de negócios. Essa mulher é... imprevisível.
Lina, ele começou, a voz calma, mas com um tom de autoridade que não dava margem para dúvidas. Lembre-se do que conversamos. Não faremos nada além do estritamente necessário. No contrato, está explícito que apenas tiraríamos fotos um pouco íntimas de casais. Você, com camisolas sensuais, e eu, com a roupa desabotoada, parecendo apaixonados, para servir de provas de um casal feliz pelo resto do ano.
Lina sentiu o sangue gelar. "Resto do ano"? Aquela frase atingiu-a como um raio. O contrato. O dinheiro. O "filme" era para ser um trabalho rápido, uma participação especial, não um compromisso de longo prazo.
Resto do ano?! ela exclamou, a voz agora carregada de pânico, esquecendo completamente a atuação. Não tem como eu gravar a novela por um ano inteiro! O dinheiro que me pagariam era para uma figurante, não para uma personagem principal! Eu tenho outros compromissos!
Lucas a encarou, confuso. Seus olhos perfuraram os dela, buscando uma explicação para aquela explosão inesperada. Novela? Figurante?
Nessa história, Lina, ele disse, a voz subindo um tom, com uma mistura de incredulidade e aborrecimento, deixando o disfarce de lado. Você é a principal. Você é minha esposa. Minha esposa por contrato. Por um ano.
Lina balançou a cabeça vigorosamente, os olhos marejados de confusão e medo. A realidade começava a se infiltrar, gelada e cortante. Esposa? Contrato? Quando os editores do filme me chamaram, eles não citaram que eu seria a principal ou que seria um contrato de um ano! Onde está meu agente?! Onde está o diretor?!
Que filme? Lucas perguntou, a voz agora um sussurro de pura perplexidade. A peça do quebra-cabeça que faltava em sua mente, a loira que deveria estar ali, e a morena que estava, de repente se encaixaram de forma distorcida. A ficha começou a cair.
Um silêncio pesado preencheu a sala, denso e revelador. Os olhos de Lucas e Lina se encontraram. O brilho da compreensão, primeiro lento e depois avassalador, surgiu em ambos. Um flash de pânico. Um lampejo de reconhecimento da catástrofe. A verdade, cruel e inegável, se impôs.
Eles estavam casados de verdade. Ele não era um ator de filme, e ela não era a noiva contratada. Pior: na hora do contrato original, foi acordado que a noiva "real", por não ser conhecida pela imprensa, assinaria com um nome falso para que o contrato de fachada não tivesse validade legal. Mas Lina... ela assinou com seu nome verídico. Não havia mais volta.
Eles estavam oficialmente casados. E agora precisariam se ajustar à sua nova vida.