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Todo o amor que habita em nós

Todo o amor que habita em nós

Autor:: Lissy Santos
Gênero: Romance
Algumas pessoas nascem com o dom de iluminar, trazendo luz à vida de todos os que encontram pelo caminho. Assim é Marcos, a sensatez e a calmaria para os seus dois melhores amigos, sempre disposto a tudo para ver as pessoas que ama felizes. E é em uma dessas tentativas de proteger sua amiga Elis, que ele irá conhecer Aline, uma mulher forte e decidida, mas que possui culpas e medos escondidos que só ele será capaz de desvendar. Marcos e Aline vivem o drama da infertilidade, e da adoção tardia de três crianças totalmente fora dos padrões de adoção comum no nosso país, eles serão capazes de amar e proteger seus filhos de tudo, inclusive das investidas perigosas dos seus pais biológicos. Eles são fortes. Eles são os melhores amigos que alguém poderia ter. Eles irão nos mostrar que o amor vence, o amor supera, e acima de tudo, eles irão nos mostrar que o amor transborda!

Capítulo 1 Prólogo

Aline.

Algumas ligações simplesmente acontecem.

Não tem explicação, apenas o destino agindo como um maestro nas nossas vidas, e ele me preparou com a mais linda das músicas.

Marcos, meu bem, lembro-me até hoje, onde exatamente a minha admiração por ele começou, quando ainda adolescentes ele defendeu e protegeu a minha melhor amiga Elis, por um acaso também melhor amiga dele, e, sem saber que as palavras proferidas tem poder, o pedi em casamento sem imaginar que uma brincadeira pudesse se tornar algo tão verdadeiro:

Elis chega aqui em casa com os olhos inchados, e soluçando de tanto chorar, e depois de acalmá-la eu ligo pra o Júlio do meu celular, já que o dela está com a megera da dona Ana. Após falar com ele, Elis me entrega o celular que está aberto no grupo da cidade, assim que eu vejo a foto, eu começo a gritar feito uma louca e ela não entende nada:

- Que foi Aline, eu que apanho e tu que perde a cabeça? – Elis fala confusa

- AMIGA, OLHA ISSO AQUI, já que você grudou no Júlio, deixa o Marcos pra mim, pq esses dois são foda. – Mostro a tela do celular pra Elis que fica tão boquiaberta quanto eu - Tô falando sério amiga, fala pra ele que vou casar com ele

- Ele falou que aceita.

Naquele dia, Marcos aceitou meu pedido de casamento e eu só sabia rir da situação já que, obviamente ele no auge dos seus 21 anos não iria querer nada com uma garota de 17, mas ai, o destino começou a agir:

Estou em casa vendo algo aleatório na tv, já que Elis mudou pra casa do avô e não passa mais as tardes comigo, quando o meu celular notifica uma mensagem no whatsapp:

Desconhecido: Só gostaria de saber qual o seu modelo favorito de alianças

Eu: Acho que você errou o número.

Desconhecido: Não errei não, você me pediu em casamento e eu aceitei.

Eu: Marcos?

Desconhecido: Eu mesmo, seu futuro marido e pai dos seus quatro filhos.

Eu: só quatro? (emoji triste)

Eu: sempre quis cinco (emoji de coração partido)

Marcos: Combinado então. Cinco filhos e a Aliança de ouro. Será que minha noiva aceitaria sair pra tomar um sorvete comigo?

Eu: Claro, querido Noivo. (emoji rindo) é só marcar.

E então eu que sempre fui desprendida, que ria das minhas amigas que sofriam por amor e achava que nunca iria ser presa a ninguém, me vi envolvida e entregue a pessoa mais cativante que eu já tive o prazer de conhecer.

O destino jogou a rede, e eu deliberadamente me enrolei nela sem ter a menor noção do quanto a minha vida mudaria desde então.

Marcos.

Eu vim de uma família bem estruturada, minha mãe, a mulher mais incrível que eu já tive o prazer de conhecer, sempre me ensinou a importância de ser honesto com os meus sentimentos principalmente com os sentimentos alheios.

Na minha casa, ninguém gritava, ninguém falava coisas que pudessem magoar e era inadmissível, à exemplo da calma e da educação do meu pai, que nós, como homens, machucássemos deliberadamente qualquer pessoa, principalmente se essa pessoa fosse uma mulher.

Foi por isso que quando eu conheci, ainda no colégio, minha amiga Elis, a vontade de proteger foi instantânea, assim como a vontade de bater muito no irmão dela contrariando os ensinamentos não violentos de mamãe. Falando em mamãe, ela sempre achou que eu tivesse uma queda pela Elis quando ela era, na verdade, a irmã que eu não tive.

E foi justamente enquanto buscava proteger Elis de mais uma confusão familiar, que eu a conheci... Aline...

Ela estava ali, linda com seus cabelos loiros esvoaçantes, tentando controlar o choro da Elis que não cessava após mais uma briga com seus pais. E ela estava lá igual um anjo, eu não sei exatamente em que ponto da nossa vida comecei a amá-la, mas sei em que ponto da vida comecei a investir nela, e foi logo após ela, em uma feliz brincadeira, me pedir em casamento via whatsapp.

Era uma brincadeira, eu aceitei também como uma brincadeira, e resolvi convidá-la para tomar um sorvete. Eu só não imaginava que uma brincadeira boba de uma adolescente e eu não tão adolescente assim iria tão longe.

Aline tal qual o anjo que sempre foi, me deu a mão e me levou em direção ao paraíso, vivemos juntos os dias mais incríveis da minha vida, e, como prometido por mim ainda no dia em que fomos tomar sorvete, faço o possível e o impossível até a última gota do meu sangue, até a última batida do meu coração, para vê-la feliz.

Chego de moto na casa da Aline – onde sua mãe nos olha atenta - para irmos até a sorveteria, aceno para a senhora que é bem parecida com a filha e ela retribui com um sorriso. Aline me cumprimenta com um beijo no rosto:

- Boa tarde, noiva !

Aline solta uma gargalhada tão linda, que aqui já quero beijá-la

- Boa tarde, pai dos meus futuros cinco filhos ! – Agora é minha vez de gargalhar

- Vamos? – Falo e ela assente subindo na moto em seguida

Chegamos na sorveteria, um self-service onde nós mesmos escolhemos a quantidade e os sabores dos sorvetes e acompanhamentos, e assim que ela acaba o seu pedido, eu percebo por que ela e Elis, minha amiga, se dão tão bem:

- Que foi? – Ela pergunta com um sorriso de canto - Quer um pouco do meu sorvete?

- Não não, só acho que vamos ter que repensar a quantidade de filhos, porque se eles comerem igual você, eu vou à falência! – Ela finge estar brava, depois ri

- Tá achando isso aqui muito? – Assinto e ela gargalha - O próximo passeio vai ser no rodízio de churrasco, aí você vai desistir até das alianças.

- Sua boca está suja aqui – Falo limpando o canto dos seus lábios com o guardanapo e vejo suas bochechas ficarem vermelhas

- Obrigada. – Fala abaixando a cabeça

Apesar de toda a brincadeira acerca do nosso casamento, nossa relação evoluiu aos poucos já que tanto ela quanto eu estávamos focados em resolver a vida da Elis que estava um verdadeiro furacão, e foi justamente em uma das nossas tentativas de salvação, que nós começamos a conectar e salvar as nossas próprias vidas:

Estou na pousada conversando com o avô da Elis, que está me mostrando o procedimento referente a "compra" de parte da pousada por mim, quando meu telefone toca, sorrio ao ver o contato da Aline, salvo como "noiva" no visor, então peço licença ao seu zé e atendo:

- Boa tarde, Aline, aconteceu algo?

- Tô tentando falar com Elis e não consigo, aí liguei pra ver se ela está com você, atrapalhei?

- De maneira alguma, mas ela está com Júlio, por isso não te responde. – Ouço-a suspirar do outro lado da linha - Aconteceu alguma coisa, Aline? Quer conversar?

- Só alguns problemas pessoais que Elis está cansada de ouvir, depois converso com ela, mas obrigada.

- Não sou Elis, mas sou ótimo ouvinte. Que tal um sorvete?

- Não sei, Marcos...

- Não precisa contar nada se não quiser, mas aquele monte de sorvete com certeza vai melhorar seu humor.

- Tá bom então

- Passo na sua casa em meia hora.

Busquei Aline naquele dia recebendo o mesmo olhar curioso da sua mãe e dessa vez resolvi descer da moto e cumprimentá-la com um abraço, e não me passou despercebido o sorriso de canto da Aline pela minha atitude.

Ela estava bem menos tagarela que o normal, mas eu não queria ser invasivo, já que ela aparentemente não queria falar, então fomos até a mesma sorveteria do nosso primeiro encontro, escolhemos nosso sorvete e nos sentamos em uma mesa à frente dela, que tem uma vista linda do lago artificial da cidade.

Eu juro por tudo o que há de mais sagrado que eu tentei não ter nenhuma outra intenção naquele momento, mas Aline já era uma mulher linda, mesmo quando estava com o cabelo preso em um coque bagunçado, e vestida com short jeans, cropped e chinelos. Só que ela, como a bela desastrada que era, não conseguia sequer comer um sorvete sem se sujar inteira, ali eu vi a minha oportunidade e pedi a deus pra ela não me achar maníaco depois do que eu fiz:

Estamos sentados olhando o lago enquanto Aline se delicia com seu sorvete de menta, quando olho seus lábios agora bem mais vermelhos pelo contato com o gelo, estão sujos de sorvete. Respiro fundo tentando tirar o foco dos seus lábios extremamente convidativos, mas eu não consigo mais:

- Sabe que o sorvete de menta também é um dos meus favoritos? – Ela me olha sorrindo

-Quer um pouco?

-Quero, quero muito.

Falo e em seguida a beijo, ela mostra surpresa no primeiro momento, depois retribui abrindo espaço para a minha língua sedenta. seguro sua nuca com as mãos e aprofundo o beijo, ela coloca o sorvete na mesa e entrelaça os braços no meu pescoço ficando mais próxima a mim.

- Viu? Uma delícia – Falo assim que paramos o beijo, deixando ela corada

- Concordo – Ela me olha ainda sorrindo – É mesmo uma delícia.

Depois daquele dia, nós não nos largamos mais, mas também mantinhamos tudo apenas entre nós, não pela minha vontade, já que o que eu mais queria era gritar pra o mundo o quanto aquela deusa de cabelos de anjo era linda, e era minha, mas Aline sempre dizia que não estava preparada pra assumir nada, e eu respeitava.

Nós não tínhamos rótulo, não éramos namorados, também não éramos amigos, a única coisa que eu tinha certeza, antes mesmo do primeiro beijo, é que eu a amava, e por ela eu faria absolutamente qualquer coisa, eu só não conseguia, por mais que eu tentasse, saber porque ela tinha tanto medo de dar um passo à frente na nossa relação.

Capítulo 2 Um

Aline.

- Vai amiga, a gente nunca teve segredos, conta logo! – Elis fala pela milésima vez

- Já falei que não tem nada, você que enxerga coisa onde não tem – Falo irritada

- Vou perguntar pra ele então – Ela fala e eu reviro os olhos

- Fica a vontade, santa casamenteira – Gargalhamos juntas

- Você que pediu o garoto em casamento, agora aguenta.

- Pelo amor de Deus, Elis, foi uma B R I N C A D E I R A – Soletro - Sabe o que é isso?

- Sei, mas ainda vou ver vocês casados e com quatro filhos.

- Eu queria cinco, mas pelo visto não vou ter nenhum - Respondo triste e ela me abraça

- Amiga, você só tem 17 anos, muita coisa pode acontecer até lá, então relaxa. – Elis me oferece seu costumeiro sorriso cumplice

Desde a minha primeira menstruação eu senti cólica a ponto de quase desmaiar de dor, isso durou uns dois ciclos, aí minha mãe me levou ao ginecologista e descobrimos que eu tenho SOP, além de uma má formação no útero, que tem um formato que dificulta a gravidez, então ainda que a SOP não existisse ainda seria difícil, com os dois problemas aliados é quase impossível.

Deve parecer estranho uma menina de 17 anos pensar em gravidez, e sinceramente eu queria ser desprendida igual a Elis, que fala abertamente que não nasceu pra ser mãe, mas eu não, eu fui filha única e sempre fomos apenas mamãe e eu. Várias e várias vezes eu a sentia triste pelos cantos porque não havia ninguém além de mim pra dividir com ela as preocupações, e eu sei que se eu tivesse mais irmãos as coisas seriam mais fáceis, então eu sempre falei que quando eu crescesse, casaria e teria cinco filhos, era realmente isso que eu queria, mas pelo visto não é o que o destino quer pra mim.

Marcos é incrível, sensível, responsável, de uma família muito boa, e seria o marido perfeito pra mim, mas eu não seria a esposa perfeita pra ele. Por isso, apesar de gostar muito dele, aliás, muito mais do que eu deveria gostar, não quero assumir uma relação com ele porque não é justo que ele não tenha o direito de ter a família que ele já me falou que deseja, por um problema que é só meu.

Todas as vezes que estamos juntos ele me pergunta porque não podemos assumir pra os nossos amigos e família que estamos juntos, e me parte o coração saber que ele acha que eu não gosto tanto assim dele, quando o que eu mais queria nessa vida era gritar o quanto ele é incrível e o quanto eu o amo.

Mas eu não posso.

Deus sabe como eu queria assumir o meu amor, e é em nome desse amor que eu vou abrindo mão dele aos poucos, e ao mesmo tempo vou orando pra que ele nunca desista de mim, como eu mesmo várias vezes já desisti.

- Terra chamando Aline – Elis estala os dedos na minha frente

- Falou comigo amiga? – Ela ri

- Várias vezes, mas você está aí pensando em um certo moreno que anda te arrancando suspiros – Sorrio triste

- Tá bom Elis, eu reconheço, eu gosto dele – Vejo os olhos dela brilharem

- Eu sabia! – Ela fala dando pulos de Alegria - Vocês estão juntos?

- Não, apesar dos vários pedidos dele – Bufo irritada - Nem sei como ele ainda tenta.

- Aline, o Marcos é incrível e não falo isso porque ele é meu amigo, qualquer pessoa vai te falar a mesma coisa, eu entendo de verdade o seu receio, mas você precisa deixar as coisas claras com ele.

- Eu sei, Elis, mas eu não consigo. – Suspiro tentando conter as lágrimas - Ele vive falando que um dia vai ter uma família grande, e eu não posso dar isso a ele – Elis nega com a cabeça - não é justo tirar isso dele por um problema que é só meu.

- E é justo deixar ele achar que você não gosta dele, quando você só tem medo de falar como se sente? Amiga, você precisa se abrir com ele antes que seja tarde.

- Não sei, vou pensar um pouco e decidir o que fazer.

- Só espero que você tome a decisão correta. – Ela finaliza - Agora eu preciso ir, tô enlouquecendo com o vestibular.

- Tá bom, boa sorte – Nos abraçamos - Te amo, amiga.

- Também te amo – Ela sai do abraço e me olha nos olhos - E é por isso que quero ver você feliz, então pensa bem e toma a decisão correta.

Elis é aquela amiga que tem a vida toda enrolada, mas sai do olho do próprio furacão pra resgatar a gente, no nosso caos particular, ela tem o melhor abraço e os melhores conselhos. Ela se tornou a irmã que eu não tive, e eu a amo como se nós tivéssemos o mesmo sangue.

Quando o assunto é o Marcos eu me sinto estranha conversando com ela porque eu sei que eles têm o mesmo tipo de ligação que ela e eu, então eu acabo sempre achando que estou induzindo ela a "trair" a confiança do amigo dela, então muito do peso que eu carrego nessa situação fica só pra mim, o que torna tudo mais difícil.

Marcos e eu ficamos algumas vezes, mas não passaram de beijos, apesar de ele deixar claro que queria passar disso, mas sempre respeitando os meus limites. Eu não vou ser hipócrita, tudo o que eu mais quero é me jogar nos braços dele, só que se eu fizer isso ele vai querer oficializar as coisas e isso vai me obrigar a contar a verdade pra ele, e o medo de ele se afastar de uma vez me faz aceitar ter ele só aos poucos.

Dizem que amor é ao mesmo tempo responsável por nos matar e nos permitir reviver. Eu morro todos os dias quando nego o quanto amo aquele homem de olhos cor de mel. Eu renasço todas as vezes que ele me abraça e fala que eu sou especial pra ele.

Eu morreria mil vezes, se em todas elas ele estivesse aguardando pra me dar novamente a vida.

Marcos é a pessoa mais incrível e doce que eu já conheci, e eu daria tudo para ficar inteira pra ele, sem medos, sem culpas, e sem me sentir insuficiente.

Mas eu não posso.

Não é justo comigo.

Não é justo com ele.

Não é justo com o nosso amor.

Capítulo 3 Dois

Marcos.

Aline é uma menina, ainda tem 17 anos e eu estou beirando os 22, não consigo entender o que me prende tanto a uma garota que quando está comigo faz com que eu me sinta completo, mas todas as vezes que eu falo em relacionamento ela sai pela tangente e me deixa sem respostas.

É cômico eu já adulto ser enrolado por uma garota, quando o que acontece normalmente é exatamente o contrário. A minha única certeza nessa história é que quando ela diz gostar de mim ela é sincera, disso eu não tenho dúvidas. E eu, filho de mãe professora e pai coordenador, cresci extremamente observador, portanto não pude deixar de notar o medo dela quando eu falo em assumir a relação.

Porquê?

Aline planta uma interrogação bem no meio da minha testa a cada negativa, a cada palavra não dita, a cada suspiro amedrontado.

Medo.

Medo do quê?

Aqueles cabelos loiros e aqueles olhos claros ainda vão me levar à loucura! Ela é tão linda, tão angelical, e a única coisa que eu queria é que ela confiasse em mim o suficiente pra me contar do que ela tem medo e me deixar protegê-la desse medo.

- Pensando na Aline? – Júlio, meu melhor amigo fala me fazendo dar um pulo da cadeira

- Porra Júlio, vai assustar sua mãe – Falo irritado e ele gargalha

- Ela ainda tá te enrolando né? – Fala segurando a risada

- Juro que eu não entendo – Suspiro - Ela gosta de mim e isso é nítido, mas se eu falo em assumir ela trava, se eu tento ir além dos beijos ela começa a retribuir mas do nada trava também. - Esfrego as mãos no cabelo irritado

- Algum trauma talvez? – Júlio sugere e eu paro um pouco pra pensar

- Trauma eu acho que não, até porque Elis teria me avisado sobre – Ele assente - Mas tem alguma coisa e Elis sabe o que é.

- Pergunta pra ela então – Ele dá de ombros

- Você acha que Elis contaria pra Aline algum segredo meu? – Júlio nega - Então ela não contaria um da Aline pra mim.

- Faz sentido. – Ele para e me encara - Mas você não ficou com mais ninguém nesse meio tempo? Tipo, só beijinhos e mãos dadas? – Assinto - Sinto te desanimar, meu amigo, mas você tá fodido com essa garota!

- Nem me fala, nem me fala.

Fico ainda ali um tempo conversando com Júlio que no final da tarde resolve ir buscar Elis pra dormir na nossa casa, então eu resolvo mandar mensagem pra Aline enquanto aguardo os bonitos chegarem com a minha vela:

Eu: Olá meu bem, ocupada?

Meu bem: Pelo contrário, estou tão desocupada que estou entediada. (Emoji rindo)

Eu: Quer sair comigo?

Meu bem: Quero. Mas não posso. Fiz faxina em casa hoje, minha mãe viajou cedo e só volta amanhã à noite, aí ainda vou acabar a louça e depois vou descansar.

Eu: Sei guardar louça, e levo pizza se quiser (emoji de olhinhos)

Meu bem: De frango com catupiry? (Emoji de coração)

Meu bem: Se for, nem precisa me ajudar com a louça (emoji de olhinhos)

Eu: Sim, de frango com catupiry, e coca bem gelada que eu sei que você adora.

Meu bem: (Emoji apaixonado)

Eu: Chego aí em 40 minutos, deixa o portão aberto.

E lá vou eu mais uma vez mudar todo o meu planejamento pra atender as vontades da Aline, e depois voltar pra casa frustrado, e com tesão acumulado já que apesar de nitidamente sentir tanta vontade quanto eu, ela por algum maldito motivo desconhecido não me deixa passar dos beijos.

Escrevo um bilhete pedindo desculpas a Elis e ao Júlio por não ficar em casa com eles, pego minha carteira e sigo até a pizzaria favorita da Aline, peço a pizza que ela quer e aproveito pra comprar alguns chocolates e um pote de sorvete de menta, já que como boa esfomeada que ela é, a pizza não vai ser o suficiente.

Pago tudo e subo na moto em direção à casa dela que conforme o combinado está com o portão aberto. Buzino pra avisar que cheguei e coloco a moto na garagem, logo em seguida ela abre a porta sorrindo.

Esse sorriso.

Tem algo diferente nesse sorriso, ainda é ela, ainda é o meu bem, mas algo mudou, eu sei que mudou.

- Boa noite, meu bem –Cumprimento

-Boa noite – Fala beijando minha bochecha

Em seguida seus olhos descem pra sacola com o sorvete e ela sorri ainda mais:

- Não era só pizza e coca? – Ela fala com a testa franzida

- Era, mas você é esfomeada e não seria o suficiente – Ela ri

– Ainda bem que você me conhece – Fala pegando a sacola da minha mão – Entra.

- Tô me sentindo um adolescente visitando a namorada enquanto os pais viajam – Falo e ela gargalha

- Dona Marisa sabe que você está aqui – Arregalo os olhos e ela ri - Você já viu os meus vizinhos? – Ela se justifica - Ela ia saber de qualquer maneira, preferi falar primeiro.

Ajudo Aline a guardar as sacolas e em seguida arrumamos a mesa e jantamos enquanto engatamos uma conversa animada, incrivelmente Aline parece leve e feliz, mesmo estando sozinha comigo dentro da casa dela.

Enquanto jantamos, ela me fala sobre sua indecisão a respeito de fazer ou não faculdade, já que o que gostaria mesmo é de fazer doces profissionalmente, o que eu super apoio já que eles são maravilhosos.

Ela também pergunta qual a minha formação, já que ela sempre me vê com seu Zé, avô da Elis, e nesse ponto eu omito alguns detalhes da minha relação com ele, já que envolve a vida da amiga dela, e conto apenas que eu sou administrador, e me formei aos 20 graças a minha mãe que me fez entrar na faculdade aos 16. Explico que trabalho também com o avô da Elis, de onde aliás vem 90% da minha renda, mas que ajudo meus pais a administrarem a escola que eles abriram a alguns anos.

Depois do jantar, e sob protestos dela, lavo a louça enquanto ela escolhe um filme qualquer na TV do seu quarto, o que já me deixa um pouco nervoso dada a situação. Acabo de arrumar tudo, e a sigo até o quarto onde ela já colocou uma daquelas comédias românticas que ela ama, e me aguarda sorridente com o pote de sorvete e duas colheres na mão. Encosto no batente da porta e sorrio vendo a cena dela devorando o pote de sorvete antes mesmo de chegar perto:

- Deixa um pouco pra mim, esfomeada.

- Vem logo se não eu não garanto nada.

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