Ponto de vista de Riley
"Sinto muito... mas seu filho não resistiu." As palavras do médico ecoavam na minha cabeça enquanto eu segurava o volante com mais força e dirigia cada vez mais rápido.
Ainda conseguia ver o rosto do médico, a tristeza que havia nos seus olhos e a forma calma como ele falou, como se nem ele conseguisse encontrar as palavras certas para amenizar o impacto do que havia acabado de dizer.
No entanto, não existe uma forma amena de dizer a uma mãe que seu bebê se foi.
Ele tinha oito meses.
Oito meses de luta.
Oito meses de esperança.
Meu bebê...
Meu pequeno guerreiro que veio ao mundo com pulmões debilitados e mãozinhas pequeninas, mas com um batimento cardíaco que roubou o meu na primeira vez que o segurei.
Ele estava doente desde o primeiro dia.
Uma infecção atrás da outra.
Visitas ao hospital.
Remédios.
Noites sem dormir.
Uma vida entre a empresa e a UTIN...
A noite passada foi a pior. Ele teve dificuldade para respirar novamente, e seus níveis de oxigênio caíram perigosamente. Levei-o às pressas para o hospital de pijama, segurando seu corpinho febril contra o meu, enquanto sussurrava para ele que tudo ficaria bem.
Mas não ficou...
Os médicos disseram que ele precisava de uma cirurgia de emergência.
Passei a noite inteira sozinha no corredor do hospital, rezando e implorando para que tudo desse certo, me agarrando à esperança como se fosse a única coisa que me mantinha de pé.
Liguei para Ethan, meu marido, e contei para ele o que estava acontecendo. Contei que a situação era grave e parecia diferente desta vez, confessando que estava com medo.
Eu precisava dele. Nosso filho precisava dele.
Porém, ele não veio.
Na segunda vez que liguei, ele não atendeu, e nem na terceira.
Horas depois, ele atendeu a ligação... mas qual foi a resposta dele?
"Estou ocupado. Só resolva isso e garanta que nada aconteça com ele."
Mas agora, algo realmente aconteceu com ele.
E agora... aqui estava eu, vestida de preto. Não só porque enterrei meu filho esta manhã, mas também porque algo dentro de mim morreu com ele.
Eu deveria ter ficado em casa, na cama, ou encolhida em algum canto segurando o último macacão que ele usou, chorando até não conseguir mais respirar, mas não tive direito a esse tipo de paz - não nesta vida, não quando eu tinha uma empresa para administrar e uma reputação a manter.
Então, eu apareci.
Porque hoje não era apenas o dia em que enterrei meu filho, mas também o dia em que alguns investidores "importantes", segundo Ethan, deveriam se reunir conosco.
Eles eram amigos dele, homens com quem ele vinha conversando há anos para tentar convencê-los a investir na empresa. Ele disse que era crucial que eu estivesse lá, que não podíamos nos dar ao luxo de estragar tudo.
E nem mesmo o luto era uma desculpa boa o suficiente.
Nossa empresa fica na periferia de Vale Crescente, uma cidade onde humanos vivem ao lado de alcateias, na maioria das vezes numa trégua instável. É um lugar onde a dominância pode ser sentida no ar, e a hierarquia importa mais do que as leis.
Você pode sentir isso na maneira como as pessoas se movem, nos acenos sutis trocados entre as pessoas, nas regras silenciosas que separam humanos de lobos.
O carro parou lentamente em frente ao prédio da nossa empresa, que construímos juntos, embora apenas um de nós a mantivesse de pé. Eu a administrava todos os dias, enquanto ele... fazia o que bem entendia.
Respirando fundo, limpei os cantos dos meus olhos e saí do carro. A cidade não pararia por causa da minha dor, o sol continuava a brilhar, e a rua estava barulhenta, cheia de humanos e metamorfos cuidando dos seus afazeres.
Um par de lobos em forma humana passou de moto, deixando seus cheiros para trás: fortes, selvagens e inconfundíveis.
E eu? Estava fingindo viver.
Quando entrei pela porta principal, senti os olhares sobre mim e, imediatamente, as conversas cessaram no meio da frase.
A mão da recepcionista congelou sobre o teclado, seus olhos marejados e os lábios entreabertos, como se ela quisesse dar os pêsames, mas não soubesse se tinha permissão para isso. Ninguém falou nada, talvez por medo, talvez por respeito, ou talvez porque ninguém sabia o que dizer a uma mulher que acabara de enterrar seu filho, mas mesmo assim veio trabalhar.
Todos já sabiam. Em Vale Crescente, as notícias se espalhavam mais rápido que fogo em palha seca. Provavelmente, já havia se espalhado que Riley Grayson, CEO, humana e companheira de um lobo de alto escalão, havia perdido seu bebê e mesmo assim apareceu para trabalhar horas depois do funeral.
Eu não me importava.
Meus saltos ecoavam no chão de azulejo enquanto caminhava em direção aos elevadores, cada passo mais pesado que o anterior. A tristeza pesava no meu peito e pressionava minhas costelas, mas mantinha o queixo erguido e as costas retas.
Ninguém me veria desmoronar. Nunca! Pelo menos, não ainda.
Eu deveria ir direto para a sala de reuniões agora, já que sabia que eles estariam esperando. Eu sabia que todos provavelmente estavam cochichando a portas fechadas, se perguntando qual versão de Riley apareceria hoje.
No entanto, ao invés disso, me virei para o setor executivo, porque precisava ver Ethan, mesmo que por um momento.
Eu nem sabia o motivo. Talvez estivesse procurando algo no rosto dele, algum sinal de que ele se importava, um lampejo de culpa.
Ou talvez eu só quisesse ouvi-lo dizer algo, qualquer coisa que provasse que eu não era a única afundando nisso e que talvez me desse coragem para enfrentar o conselho, apesar da tristeza que me consumia.
Ponto de vista de Riley
Empurrei a porta devagar, minha mão tremendo na maçaneta. Por um segundo, achei que minha mente estava pregando peças em mim. Talvez eu estivesse alucinando de exaustão e coração partido.
Mas não!
No momento em que a porta se abriu o suficiente para eu ver o interior, a realidade me acertou com uma clareza brutal.
Etha, meu marido, estava lá dentro - dentro de Wendy, em cima da mesa dele.
O corpo de Wendy estava arqueado, a blusa empurrada até os ombros, a saia amontoada nos quadris.
As mãos de Ethan apertavam a cintura dela, puxando-a de volta contra si, penetrando-a como se não tivesse vergonha, hesitação ou medo de ser pego. Como se já tivesse feito isso centenas de vezes.
Os gemidos de Wendy eram altos, ecoando pelas paredes do escritório, ofegantes e sem controle. Ela nem sequer fingia estar quieta, sem medo de alguém ouvir, nem medo de alguém entrar.
E por que teria?
Ninguém entrava no escritório do Alfa sem bater.
Ninguém, exceto eu.
Eles me notaram imediatamente.
Wendy virou a cabeça na minha direção tão rápido que o cabelo chicoteou sua bochecha. Seu rosto empalideceu, os lábios ainda entreabertos em torno de um gemido que morreu na garganta.
Ethan não congelou, mas também não se afastou e nem se deu ao trabalho de pegar a calça.
Ele apenas virou a cabeça devagar na minha direção, ainda enterrado dentro dela, e me encarou como se eu tivesse interrompido algo importante.
Em vez de culpa, sua expressão estava cheia de pura irritação, como se eu fosse um incômodo.
Meu coração parou, minha mente ficou em branco e minha visão se estreitou.
Por um momento, tudo o que consegui ouvir foi meu próprio coração batendo contra as costelas.
Tum.
Tum.
Tum.
Abri a boca, mas as palavras lutaram contra a dor que sufocava minha garganta.
"Nosso filho...", sussurrei, quase inaudível. "Ele morreu, Ethan."
Lágrimas encheram meus olhos instantaneamente, escorrendo pelo rosto em filetes silenciosos e desesperados enquanto Wendy tentava, desajeitada, juntar a blusa, cobrindo-se com os dedos trêmulos.
Ethan finalmente saiu dela devagar e puxou a calça como se tivesse todo o tempo do mundo. Como se eu estivesse ali perguntando o que ele queria para o almoço! Ele se moveu com a mesma confiança preguiçosa de sempre, pois sabia que era intocável - o jeito da maioria dos Alfas.
Engoli em seco, mas senti como se tivesse vidro na garganta.
"E você está aqui", continuei, a voz mal se sustentando. "Com Wendy? Sua própria meia-irmã?"
Wendy balançou a cabeça, tropeçando para longe da mesa. "Riley... Riley, desculpe... eu não... eu juro que pensei..."
Sua palavras se embolaram, tropeçando umas nas outras, mas eu ainda não conseguia olhar para ela, a mulher que estivera ao lado da cama do hospital na noite anterior e só saíra bem cedo nessa manhã, a mulher que me abraçara quando levaram meu bebê para a cirurgia, a mulher que me abraçara toda vez que meu bebê passava por alguma doença.
Ela era família.
Minha melhor amiga.
Minha confidente.
A pessoa em quem eu confiava com tudo o que me restava.
A traição doeu mais que qualquer faca, mas então, Ethan zombou, e minha atenção voltou para ele.
"Você acha que me importo com seu filho morto, Riley?", disse ele, a irritação cortando cada sílaba.
Ele deu um passo à frente como se o problema fosse eu. "É só isso que você tem sido nos últimos meses - uma tragédia ambulante. Estou cansado disso. Cansado do seu choro. Cansado dos hospitais. Cansado de fingir que me importo. Você é muito chata, Riley!"
Wendy ofegou, cobrindo a boca, horrorizada.
No entanto, ele ainda não tinha terminado. "Você queria simpatia? Queria que eu desabasse junto com você por causa de uma criança que você conseguiu ter, mas nem soube cuidar? Desculpe."
Ele deu de ombros. "Tenho coisas melhores para fazer."
O frio na sua voz penetrou meus ossos como água gelada e congelou o pouco de calor que ainda restava em mim. Fiquei ali, olhando para ele, mal respirando, cada célula do meu corpo tremendo de choque, raiva e devastação.
"Você...", engasguei nas palavras. "Você é nojento..."
Ele sorriu - o mesmo sorriso arrogante de Alfa que usava quando menosprezava funcionários ou descartava problemas que não queria lidar. "Você sempre odiou o fato de eu ser preguiçoso, de eu não agir como o marido perfeito dos seus sonhos. Pois bem, adivinhe? Cansei de fingir."
Minhas unhas cravaram tão fundo nas palmas até que senti algo úmido - sangue, suor ou os dois.
"Porque é isso que você é, Ethan", disse eu, a voz se partindo a cada palavra. "Mantive tudo em ordem. Tudo! Nosso filho. Nossa empresa. Nossa casa. Enquanto você..."
"Enquanto eu o quê?", interrompeu ele, rispidamente. "Não fiz nada? É. Isso mesmo. E você ainda ficou. Então o que isso diz sobre você?"
Respirei fundo, trêmula, sem dizer nada.
"Sinceramente..." Ele se encostou na mesa, cruzando os braços, o olhar cruel. "Você sempre foi a patética, Riley. Todo mundo sabia. Todo mundo sentia pena de mim por causa disso. Talvez por isso ele tenha morrido. Talvez a criança simplesmente não fosse destinada a sobreviver com você."
O mundo girou dentro da minha cabeça de uma vez, e o ar foi sugado dos meus pulmões. Meus joelhos quase cederam, e um som escapou de mim - algo cru, ferido, desumano, algo que eu nunca tinha ouvido sair de mim antes.
"Ethan..." Wendy sussurrou, horrorizada. "Pare. Pare com isso..."
No entanto, ele não se importava.
Ele não se importava com meu peito despedaçado nem com as manchas de leite ainda no meu vestido da última vez que segurei meu bebê.
Ele não se importava de ter acabado de usar a morte do nosso filho, um filho que mal reconhecia, para me machucar mais do que qualquer homem deveria.
Algo se quebrou dentro de mim de uma vez, minhas mãos se moveram antes que eu pudesse pensar, e dei nele um tapa forte!
O tapa ecoou pelo cômodo como um trovão - um estalo agudo e violento.
Sua cabeça virou para o lado com puro choque.
"Você está louca?", rosnou ele, tocando a bochecha.
"Não, Ethan", respondi, dando um passo à frente, minha voz firme pela primeira vez desde que entrei. "Desta vez, cansei de ser louca."
Ele zombou, como se eu fosse desmoronar de novo, do jeito que sempre fazia para manter a paz, para manter o casamento funcionando, para manter as aparências.
A voz de Wendy tremeu. "Riley, me desculpa... eu não quis... achei que você e ele... ele disse que vocês dois não..."
Levantei a mão bruscamente e ela parou de falar na hora.
"Você deveria ser minha amiga", disse eu, baixinho. "Você deveria estar ao meu lado... mas mostrou que não é nada."
Virei-me de volta para Ethan. "Acha que ganhou, né?"
Ele revirou os olhos. "Você já terminou? Temos investidores esperando. Pode gritar depois."
Que audácia! Apertei os punhos, tentando parar o tremor das mãos. Minha dor não desapareceu, mas se rearranjou, solidificando-se em algo resoluto.
Olhei direto nos olhos dele e falei com calma, clareza e determinação: "Você sempre quis um casamento aberto, não é, Ethan?"
Ele piscou, confuso com a mudança repentina.
"Pois bem", continuei. "Agora você pode ter."
O silêncio que se seguiu foi sufocante.
Wendy ofegou baixinho.
Ethan se endireitou, as sobrancelhas se erguendo, mas eu não desviei o olhar.
As palavras tinham gosto de vitória - vitória amarga, fria, mas vitória mesmo assim.
Ethan abriu a boca, pronto para discutir, para zombar, para dizer algo cruel, mas eu não lhe dei chance.
"Pela primeira vez desde que me casei com você", disse eu, passando por ele em direção à porta. "Você vai ver exatamente no que me transformou."
Alcancei a maçaneta, abri a porta e olhei para trás uma última vez.
"Você não vai mais me machucar, Ethan."
Ponto de vista de Riley
Não fazia a menor ideia de como saí daquele prédio e vim parar aqui.
Em um momento, eu estava olhando para Ethan como se nunca o tivesse conhecido.
No instante seguinte, meus pés me levaram pelo saguão, passando pelas portas de vidro e saindo para o frio da rua, sem nem olhar para ninguém. Não me importava se os investidores importantes estavam esperando, nem me importava com os boatos que iriam se espalhar.
Então, que eles falassem o que quisessem, que dissessem que "Riley Grayson perdeu a cabeça". E eles estariam certos.
Entrei no meu carro, bati a porta e comecei a dirigir. Sem saber para onde estava indo e sem ter um plano, só mantive o pé no acelerador e a mão apertada no volante, com a visão turva pelo peso da traição.
Meu bebê...
Meu lindo menino...
Ele se foi.
E Ethan... meu Deus, ele me traiu?!
"Você é chata, Riley."
Essas palavras não paravam de ecoar na minha cabeça, junto com o mesmo homem que tirou minha virgindade, com quem me casei aos vinte anos, quando achava que o amor era suficiente para construir um futuro.
Dei a ele três anos da minha vida, três anos da minha juventude, do meu corpo, do meu tempo, da minha alma, e agora ele estava num escritório de vidro, enterrado na minha melhor amiga, me dizendo que eu era chata.
Enxuguei as lágrimas para conseguir enxergar direito o caminho e vi um clube, no centro de Vale Crescente.
Contudo, não era um clube qualquer, nem do tipo que se pode entrar sem um bom motivo. Esse lugar não foi feito para humanos como eu, já que era administrado e governado por metamorfos, principalmente lobisomens de alto escalão, como os Betas e Gamas, elites perigosas, poderosas e intocáveis.
Que eles me expulsassem, que me despedaçassem se quisessem. Eu só precisava de ar, de barulho, de esquecer.
Estacionei o carro em um estacionamento lateral, saí, bati a porta atrás de mim e fui direto para a entrada, sem hesitar. Meu vestido preto estava colado no meu corpo, amassado pelas horas de uso e manchado de lágrimas na gola, mas mantive a cabeça erguida ao entrar.
O cheiro forte de almíscar me atingiu primeiro, misturado com suor, couro, álcool e algo proibido. O som da música pulsava nos meus ossos, e o lugar estava cheio de movimento, com dançarinos se esfregando uns nos outros.
Os lobos de baixo escalão - ômegas em formas sedutoras com sorrisos brilhantes - riam, flertavam e brigavam. A princípio, ninguém me notou. Talvez ninguém esperasse que uma humana entrasse sozinha, muito menos uma que estava de luto.
Sem pensar duas vezes, fui até o bar.
O barman, um metamorfo alto com argolas de prata nas duas orelhas e tatuagens subindo pelo pescoço, piscou para mim como se eu fosse uma alucinação.
"Tequila", pedi.
Ele arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada e me serviu uma dose. Quando a virei de uma só vez, ele piscou confuso e serviu outra, que também virei.
Depois, a terceira, a quarta, e a quinta...
A voz de Ethan ainda ecoava na minha cabeça como uma maldição da qual eu não conseguia me livrar.
Depois de tudo... depois de todas as noites em que apoiei os negócios desse homem... depois de cada momento em que cuidei do nosso filho enquanto ele "não podia ser incomodado".
Após sete doses, bati o copo vazio no balcão e abri a boca para pedir outra, mas o barman hesitou.
"Sinto muito, senhorita", ele disse, me olhando com os olhos semicerrados. "Não posso te dar mais. Você está bêbada."
"O quê?" Franzi a testa. "É você quem vai me dizer o quanto quero beber? Você ao menos sabe como estou me sentindo agora?"
Eu não estava gritando, mas minha voz estava alta por causa da música que tocava no clube. As luzes pareciam estar girando, e meu pulso zumbia nos meus ouvidos.
"Me sirva outra."
"Estou falando sério", ele disse. "Vou me meter em problemas se te der mais uma. Não sairei daqui inteiro."
"Quem disse?", perguntei com um bufo amargo.
Seus olhos se desviaram de mim e passaram por cima do meu ombro. "Eles disseram."
Virei-me lentamente, e meus olhos pousaram neles.
Três homens.
Três homens incrivelmente grandes e bonitos estavam sentados no canto mais distante do clube, em uma cabine que ninguém mais ousava se aproximar.
Eu não os havia notado quando entrei, mas como pude não tê-los visto? Era como se a aura ao redor deles tivesse mudado, como se o ambiente se transformasse na presença deles.
Agora, seus olhos estavam em mim, me observando atentamente. Todos os três.
Um deles tinha um maxilar esculpido em pedra e o cabelo preso em um coque frouxo na nuca.
Outro estava recostado preguiçosamente, seus dedos batucando no copo, seus olhos dourados como ouro mesmo à distância.
O terceiro parecia mais sombrio - o perigo o envolvia como fumaça, sua expressão indecifrável fixada em mim.
De alguma forma, eles pareciam familiares, familiares até demais.
Esfreguei os olhos, os semicerrando. A tequila definitivamente havia me atingido, mas algo me dizia que eu já os tinha visto antes em algum lugar, de alguma forma.
Eles continuavam me encarando, e de repente um calor intenso percorreu minha pele.
O que diabos eles queriam? Por que estavam me olhando assim? E que tipo de piada doentia era essa que eu tinha que obedecer a eles?
Eles eram os donos deste clube ou o quê?
Bati as mãos no balcão, fazendo o barman se assustar enquanto eu me endireitava, cambaleando ligeiramente.
"Eles terão que me dizer quem são para me dizer para não beber mais", eu disse, cerrando os punhos e indo até eles.