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Traída Pelo Amor, Salva Pelo Sacrifício

Traída Pelo Amor, Salva Pelo Sacrifício

Autor:: San Cailing
Gênero: Bilionários
Meu marido, Júlio Monteiro, o queridinho de São Paulo e herdeiro de uma dinastia poderosa, um dia foi completamente apaixonado por mim. Ele desafiou seus pais elitistas pelo nosso amor, me prometendo a eternidade. Então, Kátia Franco apareceu. Encontrei uma pasta secreta em seu notebook, cheia de centenas de fotos dela e análises detalhadas de sua vida. Era uma obsessão nua e crua. Ele prometeu que não era nada, apenas "curiosidade", e eu, agarrada à memória do homem que me adorava, escolhi acreditar nele. O "jeito dele de resolver" foi começar um caso, levando-a para eventos públicos e me humilhando. Quando descobri que estava grávida, tive a esperança de que nosso bebê nos salvaria. Por algumas semanas, ele pareceu feliz. Então Kátia ligou, dizendo que Júlio também queria um bebê com ela, e que minha "pontuação" no afeto dele estava caindo. Em um momento de pura frustração, eu dei um tapa nela. A punição dele foi rápida e brutal. Ele me mandou prender, grávida de três meses, me deixando em uma cela fria. Ele até se inclinou para a minha barriga e sussurrou: "Sua mãe foi desobediente. Este é o castigo dela." O homem que um dia moveu céus e terras por mim agora me abandonava em uma cela, priorizando sua amante. Meu conto de fadas tinha se tornado um pesadelo, e eu não conseguia entender como chegamos a esse ponto.

Capítulo 1

Meu marido, Júlio Monteiro, o queridinho de São Paulo e herdeiro de uma dinastia poderosa, um dia foi completamente apaixonado por mim. Ele desafiou seus pais elitistas pelo nosso amor, me prometendo a eternidade.

Então, Kátia Franco apareceu. Encontrei uma pasta secreta em seu notebook, cheia de centenas de fotos dela e análises detalhadas de sua vida. Era uma obsessão nua e crua.

Ele prometeu que não era nada, apenas "curiosidade", e eu, agarrada à memória do homem que me adorava, escolhi acreditar nele.

O "jeito dele de resolver" foi começar um caso, levando-a para eventos públicos e me humilhando.

Quando descobri que estava grávida, tive a esperança de que nosso bebê nos salvaria. Por algumas semanas, ele pareceu feliz.

Então Kátia ligou, dizendo que Júlio também queria um bebê com ela, e que minha "pontuação" no afeto dele estava caindo.

Em um momento de pura frustração, eu dei um tapa nela. A punição dele foi rápida e brutal.

Ele me mandou prender, grávida de três meses, me deixando em uma cela fria.

Ele até se inclinou para a minha barriga e sussurrou: "Sua mãe foi desobediente. Este é o castigo dela."

O homem que um dia moveu céus e terras por mim agora me abandonava em uma cela, priorizando sua amante. Meu conto de fadas tinha se tornado um pesadelo, e eu não conseguia entender como chegamos a esse ponto.

Capítulo 1

O metal frio das algemas cortava os pulsos de Estela. Ela encarou seu marido, Júlio Monteiro, o rosto dele uma máscara de frieza glacial. Ao lado dele, Kátia Franco se agarrava ao seu braço, um sorriso fraco e triunfante nos lábios.

"Júlio, por favor", Estela implorou, a voz falhando. "Eu não toquei nela. Ela caiu sozinha."

O olhar de Júlio era como gelo. Ele era um prodígio do direito, o herdeiro de uma dinastia paulistana, o homem que deveria amá-la para sempre. Agora, ele a olhava como se ela fosse uma estranha, um lixo a ser descartado.

"Levem-na daqui", ele disse aos policiais que ele mesmo chamou. "Ela precisa aprender uma lição."

Ele fez isso para agradar Kátia, sua nova obsessão. Ele fez isso enquanto Estela estava grávida de três meses do filho deles.

Os policiais hesitaram, seus olhos passando rapidamente pela barriga de Estela. "Senhor, ela está grávida."

"É só uma noite na cela", disse Júlio, a voz desprovida de qualquer calor. "Um tempinho para refletir sobre suas ações."

Ele então se inclinou, o rosto perto da barriga de Estela, e falou em um tom assustadoramente suave. "Está ouvindo, pequeno? Sua mãe foi má. Este é o castigo dela. Você tem que ser bonzinho e não dar trabalho para ela."

Uma onda de puro terror tomou conta de Estela. Este não era o homem com quem ela se casou. Era um monstro usando o rosto dele.

"Júlio, é o seu bebê", ela sussurrou, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Nosso bebê."

Ele zombou, um som cruel e feio. "Então por que você tentou machucar a Kátia? Você pensou no nosso bebê naquela hora?"

Ele não esperou por uma resposta. Virou-se, guiando uma Kátia "abalada" para longe, deixando Estela ser levada para uma viatura. O mundo tinha virado de cabeça para baixo, e Estela estava em queda livre. Seu conto de fadas tinha se tornado um pesadelo.

Ela não conseguia entender como chegamos a esse ponto.

Júlio Monteiro era o queridinho da elite de São Paulo, o brilhante herdeiro do império corporativo Monteiro. E ele havia escolhido ela, Estela Bastos, uma simples artista têxtil de uma família de classe média.

Eles estavam casados há cinco anos, juntos há oito.

Ele era o homem que havia desafiado seus pais poderosos e elitistas, Beto e Célia Monteiro, para ficar com ela. Eles a viam como uma plebeia, uma adição indigna à sua dinastia.

Mas Júlio já tinha sido seu campeão, totalmente devotado. Ele voltava de viagens internacionais só para jantar, comprava galerias inteiras por uma única peça de sua arte e até ameaçou cortar os laços com a família por causa de um casamento arranjado, declarando: "Estela é a única mulher com quem eu vou me casar. Sem ela, o império Monteiro pode desmoronar por mim."

Ele havia construído para ela um ateliê particular em sua cobertura com vista para o Parque Ibirapuera, buscando os melhores materiais de todo o mundo. Ele ficava sentado por horas apenas observando-a trabalhar, seus olhos cheios de um amor tão profundo que parecia palpável.

Quando ele a pediu em casamento, alugou o MASP inteiro por uma noite. Ele se ajoelhou no vão livre, e sua voz tremeu ao pedi-la para ser sua esposa.

Todos diziam que ela era a mulher mais sortuda do mundo.

Ela também acreditava nisso.

Então, seis meses atrás, Kátia Franco apareceu.

Estela ouviu o nome pela primeira vez de uma amiga, uma colunista social que cobria a alta sociedade da cidade.

"Tem essa nova 'artista performática' na cidade, Kátia Franco", disse sua amiga durante o almoço. "Ela está causando. Apareceu num evento beneficente e declarou publicamente que ia conquistar o homem mais inatingível de São Paulo: o seu Júlio."

A história virou assunto no círculo deles. Kátia era uma influenciadora de redes sociais, uma autoproclamada artista cuja mídia era a manipulação psicológica. Ela era astuta e mirava em homens poderosos e ricos.

Amigos avisaram Estela. "Cuidado. Essa mulher é uma predadora."

Estela tinha rido.

"Júlio me ama", ela dizia, completamente confiante.

Sua confiança não era infundada. Foi construída em oito anos de devoção inabalável. Foi construída na memória dele a protegendo do desprezo de sua família. Foi construída nas noites tranquilas e nas declarações apaixonadas. Ela era o mundo dele. Nenhuma influenciadora boba poderia mudar isso.

Então ela encontrou a pasta secreta em seu notebook.

Era tarde da noite. Júlio estava dormindo, e ela estava usando o computador dele para procurar uma receita. A pasta se chamava "Projeto K.F.". Dentro havia centenas de fotos de Kátia Franco. Algumas eram profissionais, outras eram fotos espontâneas tiradas à distância. Havia anotações, análises detalhadas das postagens de Kátia nas redes sociais, seus gostos, seus desgostos. Era uma obsessão nua e crua.

Uma dor aguda atravessou o estômago de Estela. Ela se sentiu mal.

Ela o acordou, as mãos tremendo enquanto segurava o notebook. "O que é isso, Júlio?"

Ele olhou para a tela e, por um momento, um brilho de algo indecifrável passou por seu rosto antes que ele se recompusesse. Ele a puxou para seus braços, a voz suave e tranquilizadora.

"Estela, meu amor, não é nada. Ela é... interessante. Um objeto de... curiosidade, só isso."

"Uma curiosidade?", ela perguntou, a voz tensa.

"A 'marca' dela é fascinante do ponto de vista de marketing", ele explicou, a desculpa soando fraca até para seus próprios ouvidos. "É uma nova fronteira de influência. Eu estou apenas... estudando os métodos dela. Você sabe como eu sou."

Ele prometeu que nunca a trairia. Prometeu resolver a situação.

E ela, agarrada à memória do homem que a adorava, escolheu acreditar nele.

O jeito dele de "resolver" foi começar um caso com Kátia.

Ele começou a levar Kátia para eventos públicos, apresentando-a como uma "sócia de negócios". A primeira vez, em um leilão de caridade, ele sentou Kátia à mesa deles. A humilhação foi um golpe físico. Estela sentiu os olhos de todos na sala sobre ela.

Ela o confrontou quando chegaram em casa, sua voz subindo a cada palavra de traição que ela jogava nele.

"Eu quero o divórcio, Júlio."

A postura dele mudou instantaneamente. A fachada encantadora caiu, substituída por uma frieza arrepiante. "Não."

"Você não pode fazer isso comigo!"

"Não seja dramática, Estela", ele disse, a voz baixa e perigosa. "Você é minha esposa. E vai continuar sendo. Nunca mais diga essa palavra para mim."

Suas palavras foram como um tapa, deixando-a em silêncio.

No dia seguinte, Kátia ligou para ela.

"Oi, Estela. Só queria saber como você está." A voz dela era doce e enjoativa. "Júlio se sente tão mal por você ter ficado chateada ontem à noite."

"O que você quer?", Estela perguntou, a voz sem expressão.

"Só estou ligando para te dizer qual é o seu lugar. Eu tenho um sisteminha que uso para medir o afeto das pessoas. Uma pontuação de afinidade, digamos. No momento, a pontuação dele para mim está em 75%. A sua, bem... tem caído bastante."

Estela desligou.

Alguns dias depois, ela descobriu que estava grávida. Era a única coisa que ela achava que poderia salvá-los. Um bebê. O bebê deles. Tinha que trazer o antigo Júlio de volta.

Quando ela contou a ele, ele pareceu feliz. Por algumas semanas, as coisas estavam quase normais. Ele era atencioso, carinhoso. Falava sobre nomes e quartos de bebê. A esperança, frágil e desesperada, começou a florescer no peito de Estela.

Então Kátia ligou novamente.

"Parabéns", disse Kátia, a voz escorrendo falsa sinceridade. "Mas um bebê não vai mudar nada. Na verdade, Júlio acabou de me dizer que quer que eu tenha um filho dele também. Ele acha que nosso filho seria uma verdadeira obra de arte. Minha pontuação para ele está em 85% agora. Logo ele será completamente meu. Você, sua casa, seu bebê... tudo será meu."

Algo dentro de Estela quebrou. Os meses de manipulação, humilhação e dor explodiram. Naquela tarde, quando Kátia apareceu na cobertura deles sem ser convidada, Estela deu um tapa nela.

Não foi um tapa forte, mais uma liberação de frustração. Mas Kátia viu sua oportunidade.

A punição de Júlio foi rápida e brutal.

Ele a mandou prender.

Agora, sentada na cela fria e estéril, a única lâmpada zumbindo acima, Estela sentiu os últimos resquícios de seu amor por ele morrerem.

A humilhação, as ameaças, o caso público - ela havia suportado tudo. Mas mandá-la prender enquanto carregava o filho dele... isso era um novo nível de crueldade.

Ela tocou a barriga. A pequena vida lá dentro era a única coisa que a conectava ao homem que um dia amou.

E ela percebeu, com uma clareza que era ao mesmo tempo aterrorizante e libertadora, que precisava cortar essa conexão também.

Ela olhou para as paredes sujas da cela. Viu os rostos das outras mulheres, suas expressões variando do desespero à resignação.

Ela ficou presa por algumas horas. O ar da cidade parecia pesado e poluído. O porteiro do prédio olhou para ela com pena.

Ela entrou no apartamento silencioso. Júlio não estava lá. Claro que não. Provavelmente estava com Kátia.

Uma mensagem apitou em seu celular. Era uma foto de um número desconhecido. Júlio e Kátia, abraçados em um jato particular. Eles estavam rindo. A legenda dizia: "Ele está me levando para Paris no fim de semana. Uma verdadeira artista precisa de inspiração."

Outra mensagem se seguiu. "Apenas desista, Estela. Você já perdeu. Assine os papéis do divórcio que ele deixar para você e saia com alguma dignidade."

Estela encarou o rosto de Júlio na foto. Os olhos que um dia a olharam com tanto amor agora tinham um brilho frio e possessivo por outra mulher.

O amor se foi. Todo ele. Substituído por uma determinação fria e dura.

Ela não iria simplesmente ir embora. Ela deixaria sua marca.

Ela enviou um único e-mail para seu advogado, anexando uma cópia digitalizada de um pedido de divórcio. "Dê entrada nisso imediatamente."

Ela enviou outra mensagem, desta vez para Kátia. "Você quer a fortuna dos Monteiro? Me ajude a finalizar este divórcio, e ela estará um passo mais perto de ser sua."

Então, ela comprou uma passagem só de ida para Lisboa, um lugar onde ela tinha uma história, um amigo. Um lugar para desaparecer.

Sua última parada foi uma clínica particular em uma parte discreta da cidade.

Ela sentou-se em frente à médica, as mãos cruzadas no colo.

"Eu quero um aborto", ela disse, a voz firme. "E quero que o feto seja preservado."

Capítulo 2

A médica, uma mulher de rosto gentil na casa dos cinquenta, olhou para Estela com uma mistura de choque e preocupação. "Sra. Bastos... Estela. Você tem certeza? Este é um passo extremo."

Estela não vacilou. O homem que havia prometido tratá-la como uma rainha quando ela estivesse grávida, o homem que segurou sua mão durante os ultrassons e massageou suas costas doloridas, era agora a razão pela qual ela estava ali. O contraste era uma lâmina se torcendo em suas entranhas.

Agora, toda aquela ternura era dirigida a outra mulher. Aquela devoção era uma arma usada contra ela.

Seu rosto era uma máscara de luto, mas seu coração estava se endurecendo em algo frio e afiado.

"Tenho certeza", disse ela à médica, a voz firme. "Eu não quero a criança."

O procedimento foi uma violação fria e clínica. Ela sentiu o raspar e o puxar, um esvaziamento por dentro. Era uma manifestação física do que Júlio havia feito à sua alma.

Ela sentiu uma parte de si ser arrancada, uma parte que havia sido preenchida com esperança e amor. Agora, era apenas um vazio dolorido.

Quando acabou, uma enfermeira perguntou gentilmente: "Você gostaria de ver... ele?"

A compostura de Estela finalmente se quebrou. Um soluço cru e gutural escapou de seus lábios. "Não! Leve isso para longe de mim!"

Ela se encolheu em uma bola na cama, lágrimas e sangue se misturando nos lençóis brancos. Ela sussurrou o nome dele, repetidamente, como uma maldição.

"Júlio. Júlio. Acabou, Júlio."

Ela caiu em um sono agitado e exausto. Quando acordou, estava escuro lá fora. O quarto estava silencioso. Ela checou o celular. Nenhuma chamada perdida. Nenhuma mensagem dele.

Claro que não. Ele estava em Paris com Kátia.

Ela abriu o Instagram. Kátia havia postado uma nova foto. Um close dela e de Júlio, se beijando em frente à Torre Eiffel, as luzes da cidade brilhando atrás deles. A legenda dizia: "A cidade do amor, com o meu amor. Ele me faz sentir como a única mulher do mundo. ❤️"

O rosto de Estela estava em branco. Ela não sentia nada. A dor era tão imensa que se tornou dormência.

Ela chamou a enfermeira. Sua voz estava desprovida de emoção. "O... espécime. Eu preciso dele. Preservado, como eu pedi."

A enfermeira voltou com um pequeno recipiente selado. Estela o pegou com a mão firme.

Ela o faria pagar. Ela o faria ver o monstro que ele havia se tornado.

Ela tinha uma semana antes de seu voo para Lisboa. Uma semana para desmontar sua vida antiga e garantir a segurança de seus pais.

De volta à cobertura, o silêncio era ensurdecedor. Ela caminhou até a grande geladeira de aço inoxidável, aquela que Júlio havia encomendado sob medida da Alemanha.

Ela abriu a porta e colocou o pequeno recipiente dentro, escondido atrás de uma caixa de leite orgânico. Um caixão minúsculo e perfeito em um lugar frio e escuro.

Assim que fechou a porta, ouviu uma chave na fechadura.

Júlio estava de volta.

Ele entrou na cozinha, parecendo cansado, mas satisfeito consigo mesmo. Ele ainda usava o terno caro da foto, mas estava um pouco amassado. O cheiro fraco do perfume de Kátia, um aroma doce e enjoativo, pairava sobre ele.

"Estela", ele disse, a voz casual.

Ela não olhou para ele.

Ele notou a caixa na geladeira quando foi pegar uma garrafa de água. "O que é isso?"

"Sobras", ela disse rapidamente, fechando a porta. Sua voz era plana, vazia.

Ele franziu a testa, sentindo a mudança nela. Estava acostumado com suas lágrimas, sua raiva, seus apelos. Esse vazio frio era novo. Isso o perturbou.

Ele tirou uma pequena caixa de veludo do bolso. Um colar de diamantes. Um suborno. Um presente de desculpas que não eram sinceras.

"Eu trouxe algo para você", ele disse, em tom conciliador. "Vamos apenas esquecer o que aconteceu. Você me levou ao limite, Estela. Mas podemos superar isso."

Esquecer? Ele queria que ela esquecesse de ser presa? Esquecesse da humilhação pública?

Ela não disse nada, apenas encarou a parede atrás dele.

Ele suspirou, um lampejo de irritação em seus olhos. "Por que você está agindo assim? Ainda está com raiva? Pense no bebê."

Ele estendeu a mão, movendo-a em direção à sua barriga ainda lisa.

Capítulo 3

Estela se encolheu ao toque dele, um movimento reflexo e brusco.

A mão de Júlio congelou no ar. Sua testa se franziu em confusão, depois endureceu em aborrecimento.

"O que há de errado com você?", ele exigiu. "Ainda está fazendo birra? Eu já te disse, o castigo acabou."

Ele deu um passo mais perto, sua voz baixando para uma ameaça. "Não me faça fazer algo pior. Você não gostaria de machucar o bebê, gostaria?"

A menção do bebê foi um golpe físico. A respiração de Estela ficou presa na garganta. A dor, aguda e real, perfurou a dormência.

"O bebê...", ela começou, a voz um sussurro rouco e cru. "Júlio, o bebê está..."

Suas palavras foram interrompidas pelo toque do celular dele. Ele olhou para a tela. Kátia.

Ele atendeu imediatamente, sua voz suavizando instantaneamente, todos os traços de sua raiva por Estela desaparecendo.

"Kátia? O que foi?"

Estela podia ouvir a voz suave e chorosa de Kátia pelo telefone. "Júlio... estou com medo. Tem uma tempestade, e a luz acabou. Você pode vir aqui?"

"Estou a caminho", ele disse sem hesitar. Ele desligou e pegou as chaves, já se movendo em direção à porta.

Ele parou na soleira, virando-se para Estela. "O que você estava dizendo?"

Ela olhou para as costas dele se afastando, para o homem que corria para confortar sua amante enquanto sua esposa estava despedaçada em sua casa. As palavras morreram em sua garganta.

"Nada", disse ela. "Não é nada."

Ele se foi.

Um momento depois, um forte trovão sacudiu as janelas.

Estela pulou, um pequeno grito involuntário escapando de seus lábios. Ela odiava tempestades. Desde criança, elas a aterrorizavam.

A governanta, Maria, correu para a sala, o rosto cheio de preocupação. "Dona Estela, a senhora está bem? O Sr. Júlio acabou de sair com tanta pressa."

Estela se abraçou, o rosto pálido.

Ela se lembrou de uma época em que ele teria movido céus e terras para confortá-la durante uma tempestade.

Agora, esse mesmo conforto, essa mesma proteção, estava sendo dado a outra mulher.

Outro trovão ecoou pela cobertura, e Estela caiu no chão, encolhendo-se em uma bola apertada.

Ela ficou lá a noite toda, sem dormir e oca por dentro.

Na manhã seguinte, Maria a acordou gentilmente de onde ela finalmente havia adormecido no sofá. "Dona Estela, o Sr. Júlio voltou. Ele pediu para a senhora descer para o café da manhã."

Estela desceu a grande escadaria como um fantasma.

E lá, na mesa de jantar deles, estava sentada Kátia Franco.

"Bom dia, Estela", disse Kátia com um sorriso brilhante e falso.

Júlio, que estava colocando um prato de panquecas na frente de Kátia, lançou a Estela um olhar de desaprovação. "Não seja rude, Estela. Kátia foi gentil o suficiente para vir aqui esclarecer as coisas depois que você a chateou."

Kátia passou o braço pelo de Júlio. "Está tudo bem, Júlio. Eu estou bem. Sei que ela não fez por mal."

Ele acariciou a bochecha de Kátia, os olhos cheios de adoração. "Você é gentil demais com ela."

Estela sentou-se, observando-os. Era uma performance de amor e devoção, uma paródia distorcida do que ela e Júlio um dia tiveram. Ela mal tocou na comida, o gosto de cinzas na boca.

O celular de Júlio vibrou. Uma ligação de trabalho.

Ele beijou Kátia na testa antes de entrar em seu escritório. "Volto já."

Estela não aguentava mais. Ela se levantou para sair.

"Espere", disse Kátia atrás dela. Sua voz havia perdido o tom doce, agora era afiada e fria. "Júlio assinou algo para mim ontem à noite."

Ela ergueu um documento. Os olhos de Estela se concentraram na assinatura na parte inferior. A caligrafia ousada e familiar de Júlio. Seu coração parou.

Era um acordo de divórcio. Aquele que seu advogado havia redigido. Aquele que ela havia dito a Kátia para fazê-lo assinar.

"Ele estava distraído", Kátia ronronou. "Eu apenas o coloquei em uma pilha de papéis de investimento que ele tinha que assinar antes de dormir. Ele nem olhou."

Ele havia prometido. Jurado.

Mas ele havia assinado o fim do casamento deles com a mesma facilidade com que assinava um contrato de negócios, enganado pela mulher que agora se sentava na cadeira de sua esposa.

Kátia sorriu, um olhar venenoso e triunfante em seus olhos. "Ele fará qualquer coisa que eu pedir. Qualquer coisa. Minha pontuação para ele está em 90% agora. Está quase no fim para você."

Estela apenas a encarou, o rosto uma tela em branco.

"Parabéns", disse ela, a voz plana.

O sorriso de Kátia vacilou. Ela esperava lágrimas, raiva, um colapso. Essa calma fria e morta a perturbou. Ela precisava de uma reação. Precisava ser a vítima para cimentar sua vitória.

Assim que Júlio voltou para a sala, a expressão de Kátia mudou. Seus olhos brilharam com uma ideia súbita e cruel. Ela agarrou a mão de Estela.

"Estela, por favor, não fique com raiva de mim!", ela gritou, a voz cheia de falso terror.

Então, com uma força que surpreendeu Estela, Kátia a empurrou. Com força.

Em direção ao topo da grande escadaria.

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