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Traição em Dose Dupla

Traição em Dose Dupla

Autor:: Hamid Bawdekar
Gênero: Romance
O cheiro do aeroporto me deixava ansioso, mas hoje era diferente. Finalmente, depois de dois longos anos, minha amada Ana voltaria para casa. Mas meu sorriso congelou no instante em que a vi empurrando um carrinho de bebê duplo. Dentro, dois bebês, em mantas azuis. \"São nossos filhos\", ela disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo, ignorando nosso acordo de \"dupla renda, sem filhos\" e as fortunas gastas em tratamentos de fertilidade. Levei-a para casa em torpor, e lá, a bomba explodiu: \"Eles não são biologicamente nossos. São filhos do Pedro. Você precisa largar seu emprego para cuidar deles.\" Pedro, o ex-namorado moribundo que Ana \"ajudou\" em sua \"viagem de negócios\". Minha mente girava, mas o estômago despencou quando uma notificação bancária surgiu: duzentos mil reais da nossa conta conjunta, transferidos para Pedro Almeida. A traição não era só emocional e física; era financeira. Ana, sem remorso, tentou me manipular: \"Ele precisava do dinheiro para o tratamento. Eu ia te contar.\" Mas eu sabia que não ia. Eu, o marido ingênuo, o caixa eletrônico. Naquele momento, mais do que a dor, um vazio gelado preencheu o espaço onde antes havia amor. Minha vida, como eu a conhecia, acabara.

Introdução

O cheiro do aeroporto me deixava ansioso, mas hoje era diferente.

Finalmente, depois de dois longos anos, minha amada Ana voltaria para casa.

Mas meu sorriso congelou no instante em que a vi empurrando um carrinho de bebê duplo.

Dentro, dois bebês, em mantas azuis.

\"São nossos filhos\", ela disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo, ignorando nosso acordo de \"dupla renda, sem filhos\" e as fortunas gastas em tratamentos de fertilidade.

Levei-a para casa em torpor, e lá, a bomba explodiu: \"Eles não são biologicamente nossos. São filhos do Pedro. Você precisa largar seu emprego para cuidar deles.\"

Pedro, o ex-namorado moribundo que Ana \"ajudou\" em sua \"viagem de negócios\".

Minha mente girava, mas o estômago despencou quando uma notificação bancária surgiu: duzentos mil reais da nossa conta conjunta, transferidos para Pedro Almeida.

A traição não era só emocional e física; era financeira.

Ana, sem remorso, tentou me manipular: \"Ele precisava do dinheiro para o tratamento. Eu ia te contar.\"

Mas eu sabia que não ia.

Eu, o marido ingênuo, o caixa eletrônico.

Naquele momento, mais do que a dor, um vazio gelado preencheu o espaço onde antes havia amor.

Minha vida, como eu a conhecia, acabara.

Capítulo 1

O cheiro do aeroporto, uma mistura de café requentado e desinfetante, sempre deixava Miguel ansioso. Mas hoje era uma ansiedade boa, o tipo que faz o coração bater um pouco mais rápido na expectativa de algo maravilhoso. Ele olhava para o portão de desembarque, esperando ver Ana a qualquer momento. Dois anos. Dois longos anos ela passou fora, em uma viagem de negócios que se estendeu muito além do previsto. Ele sentia falta dela, da sua risada, do seu toque. O acordo deles de serem de dupla renda e sem filhos funcionou bem por oito anos, permitindo que ambos focassem em suas carreiras.

Miguel apoiou a viagem dela, mesmo que isso significasse viver sozinho em um apartamento que parecia grande demais para um.

Finalmente, ele a viu. O cabelo castanho estava um pouco mais comprido, mas era ela. Um sorriso enorme se abriu no rosto de Miguel, mas congelou no mesmo instante. Ana não estava sozinha. Ela empurrava um carrinho de bebê duplo. Dentro do carrinho, duas pequenas criaturas, embrulhadas em mantas azuis, dormiam pacificamente. Miguel ficou parado, a mente em branco. Ele piscou, pensando que talvez o cansaço estivesse pregando uma peça. Mas não, era real. Ana caminhava em sua direção com um sorriso cansado e um casal de gêmeos.

"Miguel, querido."

Ela o abraçou, um abraço rápido e sem a profundidade que ele esperava. Ele mal conseguiu retribuir, seus olhos fixos nas crianças.

"Ana... o que é isso? Quem são eles?"

O barulho do aeroporto pareceu desaparecer. Tudo o que Miguel ouvia era o zumbido em seus próprios ouvidos.

"São nossos filhos," Ana disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

O choque inicial deu lugar a uma confusão profunda. Ele a levou para o carro em silêncio, ajudando com as malas e o carrinho de bebê com movimentos robóticos. Em casa, a atmosfera era tensa. As crianças acordaram e começaram a chorar. Ana os pegou, um em cada braço, tentando acalmá-los com uma habilidade que surpreendeu Miguel. Ele se sentia um estranho em sua própria casa.

Depois que os bebês finalmente adormeceram em um berço de viagem que Ana montou na sala, ela se sentou no sofá, de frente para ele. A expressão dela era séria.

"Precisamos conversar, Miguel."

Ele esperou, o coração martelando contra as costelas.

"Eles não são biologicamente nossos," ela começou, a voz baixa. "São filhos do Pedro."

Pedro. O nome atingiu Miguel como um soco no estômago. Pedro era o primeiro amor de Ana, uma história do passado que ele pensava estar enterrada.

"Pedro está morrendo," Ana continuou, sem olhar para ele. "Ele tem uma doença incurável, poucos meses de vida. O último desejo dele era ter herdeiros, alguém para levar o nome dele adiante."

Miguel não conseguia formular uma frase. A traição era tão óbvia, tão descarada, que paralisava.

"Eu o ajudei," ela disse. "Foi um ato de compaixão. E agora, as crianças precisam de um pai. Você precisa largar o seu emprego, Miguel. Eles precisam de cuidados em tempo integral, e meu trabalho é muito importante para ser interrompido agora. Você pode cuidar deles."

A exigência era tão absurda, tão egoísta, que Miguel sentiu uma onda de raiva quebrar a paralisia. Largar o emprego? O emprego que sustentava o estilo de vida deles, que pagou pela viagem de "negócios" dela por dois anos? O emprego que ele amava?

"Você está me pedindo para largar meu emprego para cuidar dos filhos do seu ex-namorado?" a voz dele saiu rouca, incrédula.

"Não fale assim!" ela retrucou, a irritação aparecendo em seu rosto. "É uma situação delicada. Eu fiz um sacrifício por um amigo moribundo. Achei que você entenderia, que me apoiaria."

Miguel se levantou e começou a andar pela sala. Memórias dos últimos anos inundaram sua mente. Ele lembrou de todas as vezes que a consolou quando ela chorava, dizendo que estava frustrada por não conseguir engravidar, mesmo depois de inúmeras consultas e tratamentos caríssimos. Ele lembrou de como ele a tranquilizou, dizendo que o amor deles era suficiente, que eles não precisavam de filhos para serem felizes. Ele sacrificou seu próprio desejo, que um dia teve, de ser pai, por ela, por causa da "dor" dela.

"Você mentiu para mim," ele disse, a voz baixa e perigosa. "Você me disse que não podia ter filhos. Nós gastamos uma fortuna em médicos. Foi tudo uma mentira?"

Ana desviou o olhar.

"Era complicado. Eu não queria te magoar."

A desculpa era tão fraca, tão patética. Ela não só o traiu fisicamente, mas construiu o casamento deles sobre uma fundação de mentiras. Ele a amou, a apoiou, cuidou dela. E ela o usou.

"Você teve um caso com ele durante esses dois anos," ele afirmou, não era uma pergunta.

"Não foi um caso!" ela protestou, quase ofendida. "Foi um ato de generosidade! Pedro precisava disso. Ele estava sozinho e doente. O que você queria que eu fizesse? Deixasse ele morrer infeliz e sem ninguém?"

A forma como ela tentava se pintar como uma santa, uma mártir, encheu Miguel de nojo. Ela não sentia remorso. Ela sentia que tinha o direito de fazer o que fez.

No meio da discussão, o celular de Miguel vibrou no bolso. Era uma notificação do banco. Ele abriu por hábito, sem realmente prestar atenção. Mas os números na tela o fizeram parar. Uma transferência de duzentos mil reais havia sido feita da conta conjunta deles, há três dias. A conta de destino era desconhecida para ele. O nome do beneficiário era Pedro Almeida.

Ele olhou para a tela do celular e depois para Ana. O sangue sumiu de seu rosto. A traição não era apenas emocional e física. Era financeira. Ela estava esvaziando a conta deles para financiar a vida do amante e dos filhos deles.

Ele estendeu o celular para ela, a mão tremendo de raiva.

"O que é isso, Ana?"

Ela olhou para a tela e empalideceu. Por um segundo, ele viu pânico em seus olhos, antes que a máscara de indiferença voltasse.

"Pedro precisava de dinheiro para o tratamento. É um tratamento experimental, muito caro. Eu ia te contar."

Mas Miguel sabia que ela não ia. Ele era o plano B, o idiota que ficaria em casa cuidando dos filhos enquanto ela vivia sua vida dupla. Ele era o caixa eletrônico. Naquele momento, o amor que ele sentiu por ela por uma década se desfez em pó. Restou apenas um vazio gelado e a certeza de que sua vida, como ele a conhecia, tinha acabado.

Capítulo 2

A noite foi um borrão de insônia e pensamentos torturantes. Miguel não dormiu. Ele ficou sentado na poltrona da sala, ouvindo a respiração dos bebês no berço e o som suave de Ana dormindo no quarto, como se nada tivesse acontecido. Cada som era uma tortura. A casa, que antes era seu refúgio, agora parecia uma prisão. A mulher que ele amava era uma estranha, uma mentirosa.

Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela, uma clareza fria e dura se instalou na mente de Miguel. Ele não podia continuar assim. Não podia viver naquela casa, não podia olhar para o rosto de Ana, não podia aceitar aquela situação humilhante. A decisão se formou, sólida e inabalável: ele ia pedir o divórcio. Não haveria discussão, não haveria terapia de casal. Havia uma linha que tinha sido cruzada, e não havia como voltar.

Levantou-se e foi para o escritório. Sentou-se em sua cadeira, a mesma onde passara tantas noites trabalhando em projetos, ganhando o dinheiro que Ana agora desviava para seu amante. Ele olhou para as fotos na sua mesa. Uma foto do casamento deles, ambos sorrindo, parecendo felizes. Parecia uma vida atrás. Ele se lembrou de como era permissivo, como sempre cedia aos caprichos dela, pensando que isso era amor. Ele pagou pelas roupas caras dela, pelas viagens com as "amigas", pelas "emergências" constantes da mãe dela. Ele era o provedor, o porto seguro. E ela o via apenas como um recurso.

Ele pensou em como ele sempre a colocou em primeiro lugar. O sonho dele de abrir uma pequena consultoria de arquitetura foi adiado para que ela pudesse fazer seu MBA no exterior. A promoção que ele recusou porque exigiria que se mudassem para outra cidade, e ela não queria deixar a família. Ele sacrificou partes de si mesmo, pedaço por pedaço, em nome do casamento. E para quê? Para ser traído da forma mais cruel possível. A raiva deu lugar a um profundo sentimento de auto-crítica. Como ele pôde ser tão cego?

Com as mãos firmes, ele pegou o telefone e ligou para seu melhor amigo, João.

"João? Sou eu, Miguel. Preciso de um favor. Você ainda tem o contato daquele advogado de divórcio que seu primo usou?"

Houve um silêncio do outro lado da linha. João era seu amigo desde a faculdade, o padrinho de seu casamento.

"Miguel? O que aconteceu? Sua voz está estranha."

"Ana voltou," Miguel disse, a voz vazia de emoção. "E ela não voltou sozinha."

Ele contou a João a história toda, de forma sucinta e direta. A viagem de negócios, os gêmeos, Pedro, o dinheiro. Cada palavra parecia deixar um gosto amargo em sua boca. João ouviu em silêncio, soltando apenas um palavrão baixo quando Miguel mencionou a transferência bancária.

"Eu te envio o contato agora mesmo. Miguel... eu sinto muito. Se precisar de qualquer coisa, um lugar para ficar, qualquer coisa, me ligue. Estou com você."

O apoio incondicional de seu amigo foi a primeira coisa boa que Miguel sentiu em vinte e quatro horas. Ele desligou e, minutos depois, recebeu a mensagem com o nome e o número do advogado. Ele salvou o contato e sentiu uma pequena faísca de controle sobre sua própria vida retornar. Era o primeiro passo.

Enquanto ele estava no escritório, ouviu a voz de Ana vinda da sala. Ela estava no telefone. E o tom dela era completamente diferente. Era doce, suave, quase submisso.

"Sim, meu amor... Eu sei... Ele reagiu mal, como eu esperava... Não, não, não se preocupe com isso. Eu vou resolver. Vou convencê-lo. Ele sempre faz o que eu quero no final... Sim, eu também te amo. Cuide-se."

Miguel sentiu o estômago revirar. "Ele sempre faz o que eu quero no final." Era assim que ela o via. Um fantoche, um tolo fácil de manipular. A confirmação de sua conversa com Pedro foi a última pá de cal em qualquer dúvida que ele pudesse ter. Ele se levantou, a determinação queimando dentro dele.

Ele saiu do escritório. Ana estava de costas para ele, guardando o celular. Quando se virou e o viu, seu rosto mudou. A doçura desapareceu, substituída por uma expressão de impaciência.

"Ah, você está aí," ela disse, o tom frio. "Estava falando com o Pedro. Ele não está bem hoje. O médico disse que ele precisa de mais exames, e o tratamento não está funcionando como deveria."

Ela fez uma pausa, olhando para ele como se estivesse avaliando sua reação.

"Precisamos de mais dinheiro, Miguel. Para o tratamento dele. Use suas economias. As que você guarda para sua 'consultoria dos sonhos'."

A audácia dela era inacreditável. Ela não estava apenas pedindo, estava exigindo. Exigindo que ele usasse o dinheiro que economizou por anos, o dinheiro para seu futuro, para o futuro que ela destruiu, para salvar o homem com quem ela o traiu. Ela já não o via como um marido, mas como um obstáculo a ser superado, uma fonte de recursos a ser explorada até secar. Naquele momento, Miguel não sentia mais dor ou tristeza. Apenas uma raiva fria e uma determinação de aço. A guerra havia começado.

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