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Traição no Altar: O Resgate de Laura

Traição no Altar: O Resgate de Laura

Autor:: Shan You Fu Su
Gênero: Máfia
Eu ia destruir Ricardo, no dia mais importante da vida dele. Essa ideia foi se formando por três longos anos, gota a gota, como veneno correndo nas minhas veias. "O que deu em você, Laura?", ele disse, a voz cheia de desdém. "Eu te dou tudo, você só precisa fazer o que eu mando." A frieza dele era comum, mas hoje, algo se quebrou dentro de mim. Ouvi seus homens cochichando: "Ele está cego pela novata. Acha que pode descartar Laura como se ela não fosse nada. Ele esquece que foi ela quem segurou as pontas quando tudo quase desabou." Ricardo não se importou. "Ela já deu o que tinha que dar", ele disse para o bajulador Jonas. "A Júlia tem fogo, tem ambição. A Laura é só uma relíquia do passado." Um diário no chão do meu antigo quarto, agora o quarto da Júlia, me deu o golpe final. Nele, Ricardo descrevia como eu era apenas uma "lealdade entediante", como ele me manipulava e, o pior, como planejava minha "solução permanente" após o casamento. A raiva me consumiu quando descobri que até mesmo a história de como ele me "salvou" de uma explosão era uma farsa; foi Daniel quem me tirou dos escombros. Tudo o que eu acreditei ser verdade, tudo o que eu construí com ele, desmoronou. "Chega", sussurrei para o meu reflexo. "Chega de ser a idiota. Chega de ser o peão. Chega de aguentar." Eu liguei para Daniel. "É agora", eu disse, minha voz trêmula, mas decidida. Ele entendeu. No dia seguinte, no seu casamento, Ricardo me bateu. "Você nunca foi suficiente", ele cuspiu. "Quero que você assista. Quero que veja o que perdeu." A dor não viera. Mas a fúria sim. A dor na minha bochecha desapareceu quando a verdade brutal se impôs. Eu não ia fugir. Eu ia queimar o mundo dele até o chão. Foi então que Daniel, meu verdadeiro salvador, deixou um chocolate e um bilhete para mim: "Para a dor de fora. O chocolate é para a dor de dentro. Fique forte. Falta pouco." Eu joguei junto com as manipulações de Ricardo. Deixei que ele pensasse que me drogou, que estava no controle. Ele não sabia que, enquanto eu fingia estar dopada, eu estava arquitetando sua queda. No dia seguinte, Ricardo e Júlia teriam o casamento que mereciam. Um casamento saído diretamente do inferno.

Introdução

Eu ia destruir Ricardo, no dia mais importante da vida dele.

Essa ideia foi se formando por três longos anos, gota a gota, como veneno correndo nas minhas veias.

"O que deu em você, Laura?", ele disse, a voz cheia de desdém. "Eu te dou tudo, você só precisa fazer o que eu mando."

A frieza dele era comum, mas hoje, algo se quebrou dentro de mim.

Ouvi seus homens cochichando: "Ele está cego pela novata. Acha que pode descartar Laura como se ela não fosse nada. Ele esquece que foi ela quem segurou as pontas quando tudo quase desabou."

Ricardo não se importou. "Ela já deu o que tinha que dar", ele disse para o bajulador Jonas. "A Júlia tem fogo, tem ambição. A Laura é só uma relíquia do passado."

Um diário no chão do meu antigo quarto, agora o quarto da Júlia, me deu o golpe final.

Nele, Ricardo descrevia como eu era apenas uma "lealdade entediante", como ele me manipulava e, o pior, como planejava minha "solução permanente" após o casamento.

A raiva me consumiu quando descobri que até mesmo a história de como ele me "salvou" de uma explosão era uma farsa; foi Daniel quem me tirou dos escombros.

Tudo o que eu acreditei ser verdade, tudo o que eu construí com ele, desmoronou.

"Chega", sussurrei para o meu reflexo. "Chega de ser a idiota. Chega de ser o peão. Chega de aguentar."

Eu liguei para Daniel. "É agora", eu disse, minha voz trêmula, mas decidida.

Ele entendeu. No dia seguinte, no seu casamento, Ricardo me bateu. "Você nunca foi suficiente", ele cuspiu. "Quero que você assista. Quero que veja o que perdeu."

A dor não viera. Mas a fúria sim.

A dor na minha bochecha desapareceu quando a verdade brutal se impôs. Eu não ia fugir. Eu ia queimar o mundo dele até o chão.

Foi então que Daniel, meu verdadeiro salvador, deixou um chocolate e um bilhete para mim: "Para a dor de fora. O chocolate é para a dor de dentro. Fique forte. Falta pouco."

Eu joguei junto com as manipulações de Ricardo. Deixei que ele pensasse que me drogou, que estava no controle.

Ele não sabia que, enquanto eu fingia estar dopada, eu estava arquitetando sua queda.

No dia seguinte, Ricardo e Júlia teriam o casamento que mereciam. Um casamento saído diretamente do inferno.

Capítulo 1

Eu vou destruir o Ricardo, no dia mais importante da vida dele, no dia do seu casamento.

Essa ideia não surgiu de repente, ela foi se formando lentamente, como veneno se acumulando nas minhas veias, gota a gota, durante os últimos três anos.

Hoje, essa ideia finalmente tomou uma forma sólida e clara.

Ricardo me encarou, sua testa franzida em desagrado, a voz carregada de uma impaciência que ele mal se dava ao trabalho de esconder.

"O que deu em você, Laura? Anda estranha o dia todo."

Eu dei de ombros, mantendo meu olhar fixo no copo de uísque na minha mão, o gelo batendo suavemente contra o vidro.

"Nada. Só estou cansada."

"Cansada?", ele bufou, um som de puro desdém. "Você não tem o direito de estar cansada. Eu te dou tudo, você só precisa fazer o que eu mando."

A frieza na sua voz era comum, uma constante na nossa relação, mas hoje ela parecia diferente, mais afiada. Eu não senti a dor de sempre, em vez disso, senti uma calma gélida se espalhar pelo meu peito. Era a calma da decisão, a tranquilidade de quem já escolheu um caminho e não vai mais voltar atrás.

Do outro lado da sala, perto da lareira, ouvi dois dos homens de Ricardo cochichando. Eles tentavam ser discretos, mas a tensão no ar tornava cada sussurro audível.

"O chefe está pegando pesado com ela de novo", disse um deles, um cara chamado Miguel, que sempre me tratou com um respeito relutante.

"Ele está cego pela novata", respondeu o outro, Carlos. "Acha que pode simplesmente descartar a Laura como se ela não fosse nada. Ele esquece que foi ela quem segurou as pontas quando tudo quase desabou."

O comentário deles era um eco dos meus próprios pensamentos, uma validação externa da injustiça que eu sentia na pele. Por anos, eu fui o braço direito de Ricardo, sua estrategista, sua soldado. Eu construí este império ao lado dele, nesta ilha isolada que ele comprou como seu reino particular. Eu lutei por ele, sangrei por ele, e agora... agora eu era apenas um obstáculo.

Ricardo não ouviu seus homens, ou se ouviu, não se importou. Seus olhos estavam fixos em mim, avaliando, calculando. Então, ele se virou para seu assessor mais próximo, um homem liso e bajulador chamado Jonas, e sua voz baixou para um tom conspiratório, mas ainda alto o suficiente para que eu ouvisse.

"Ela já deu o que tinha que dar", disse Ricardo, com uma crueldade casual que me revirou o estômago. "É leal, eficiente, mas está desgastada. A Júlia... a Júlia tem fogo, tem ambição. Ela é o futuro. A Laura é só uma relíquia do passado."

Júlia. O nome dela soou como um insulto. A garota nova, a amante que ele mal tentava esconder, a mulher que ele planejava colocar no meu lugar, em todos os sentidos.

"E o que o senhor vai fazer com ela?", perguntou Jonas.

Ricardo sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos.

"Vou usá-la uma última vez. Depois, ela pode tirar umas férias permanentes."

Aquelas palavras foram a sentença final. O último fragmento de lealdade, de afeto, de esperança que eu ainda nutria por ele se estilhaçou, virando pó. Eu não precisei ouvir mais nada.

Terminei meu uísque em um gole só, o líquido queimando minha garganta, mas a dor era bem-vinda, era real. Coloquei o copo na mesa com um clique suave e me levantei. Meus movimentos eram deliberados, calmos.

Por fora, eu era a imagem da compostura. Por dentro, a guerra já havia sido declarada.

Ricardo e Jonas pararam de falar e me olharam, surpresos pela minha ação súbita.

"Onde você vai?", Ricardo perguntou, a desconfiança manchando sua voz.

Eu me virei para ele, e pela primeira vez em muito tempo, eu o olhei nos olhos sem desviar. Eu deixei que ele visse o vazio ali, o deserto que ele mesmo havia criado.

"Vou para o meu quarto", eu disse, minha voz nivelada, sem emoção. "Estou cansada, como eu disse."

Sem esperar por uma resposta, eu dei as costas a ele e saí da sala. Cada passo era firme, pesado com o peso da minha decisão. Ele não sabia, mas naquele momento, ele não estava apenas olhando sua subordinada sair. Ele estava olhando para a arquiteta de sua ruína se afastar para começar a trabalhar.

A vingança não seria impulsiva. Seria calculada, fria e absoluta. E começaria agora.

Capítulo 2

Na manhã seguinte, Ricardo me chamou ao seu escritório. A sala era grande e imponente, com uma parede de vidro que dava para o mar agitado. Ele estava sentado atrás de sua enorme mesa de mogno, parecendo o rei em seu castelo.

"Tenho um trabalho para você", ele disse sem rodeios, sem nem mesmo um "bom dia". "Há um grupo de contrabandistas operando no setor norte da ilha, estão interferindo nos meus negócios. Quero que você vá até lá e resolva isso. Seja... persuasiva."

"Persuasiva" era o eufemismo de Ricardo para violência. Era uma tarefa perigosa, do tipo que ele costumava me dar no início, para testar minha coragem. Agora, era apenas um recado.

Ele fez uma pausa, seus dedos batendo um ritmo irritante na mesa.

"E mais uma coisa. Quando você voltar, quero que o seu quarto esteja vazio. A Júlia vai se mudar para lá. É maior e tem uma vista melhor."

Aí estava. A ordem direta, a humilhação final. Ele não estava apenas me substituindo em sua cama e em seus negócios, ele estava me apagando fisicamente de sua vida, me expulsando do espaço que eu chamei de lar por anos.

Uma risada amarga borbulhou dentro de mim, mas eu a sufoquei. Que idiota. Que homem cego e arrogante. Ele realmente acreditava que eu era tão dispensável, tão fácil de controlar? Ele estava tão encantado por sua nova conquista, pela "ambição" e pelo "fogo" de Júlia, que não conseguia ver a tempestade se formando bem debaixo de seu nariz.

"Ricardo", eu comecei a dizer, mas ele me interrompeu, levantando uma mão.

Ele se levantou e veio até mim, seu rosto se suavizando em uma máscara de falsa preocupação. Ele colocou as mãos nos meus ombros, um gesto que antes me confortava e agora me causava repulsa.

"Laura, meu amor, eu sei que isso é difícil", ele disse, sua voz um murmúrio sedutor. Era a mesma tática de sempre, a manipulação emocional que ele usava para me manter na linha. "Mas pense nisso como um novo começo. É para o nosso bem, para o bem dos negócios. Você sabe que eu sempre cuido de você, não sabe? Sempre cuidei."

Mentiroso. Ele nunca cuidou de mim. Ele cuidou do ativo valioso que eu representava. A repetição era parte do seu padrão, ele dizia as mesmas frases, as mesmas promessas vazias, como se pudessem apagar a realidade de suas ações. Eu senti um cansaço profundo, não do meu corpo, mas da minha alma. Um cansaço de anos de desculpas e mentiras.

Eu me afastei de seu toque, um movimento pequeno, mas significativo. Fui até minha bolsa, que eu havia colocado em uma cadeira, e tirei uma pasta de dentro.

"Claro, Ricardo", eu disse, minha voz surpreendentemente calma. Eu caminhei de volta para a mesa dele e coloquei a pasta na sua frente. "Eu entendo perfeitamente."

Ele me olhou, confuso.

"O que é isso?"

"O que você me pediu para preparar há algumas semanas", expliquei. "Os documentos para a transferência de alguns ativos para uma nova conta. E também, o meu formulário de saída da ilha. Precisa da sua assinatura final."

Seus olhos se arregalaram ligeiramente quando ele viu o segundo documento, o pedido de desligamento oficial, o formulário para me permitir deixar a ilha, algo que ninguém fazia sem sua permissão explícita. Peguei a caneta de prata de seu porta-canetas e a coloquei em cima dos papéis, oferecendo-a a ele.

Minha caligrafia no formulário era firme, sem um único tremor. Aquele pedaço de papel, aquela simples "guia de retirada" da minha própria vida, era mais poderoso do que qualquer arma que eu já havia empunhado para ele.

Ele olhou do papel para o meu rosto, procurando por algum sinal de hesitação, de blefe. Ele não encontrou nada.

De repente, uma lembrança me atingiu com a força de um soco. Eu me lembrei de uma noite, anos atrás, sentados nesta mesma praia, sob as estrelas. Ele tinha me abraçado e dito: "Um dia, Laura, tudo isso será nosso. Esta ilha, este poder. Nós construímos isso juntos, e vamos governá-la juntos."

Na época, eu acreditei nele. Eu acreditei em cada palavra. Agora, olhando para o rosto dele, para a confusão calculista em seus olhos, eu vi a verdade. Nunca foi "nosso". Sempre foi "dele". E eu era apenas mais uma peça em seu tabuleiro, uma peça que ele estava prestes a sacrificar.

A dor daquela percepção foi avassalaladora, mas também libertadora. O passado era uma mentira, e isso significava que eu não devia mais nada a ele. Minha lealdade estava morta e enterrada.

Ele pegou a caneta, ainda me encarando.

"Você não vai a lugar nenhum", ele disse, sua voz baixa e ameaçadora.

Eu dei um pequeno sorriso, o primeiro sorriso genuíno em muito tempo.

"Vou resolver o problema no setor norte, como você pediu", eu disse. "Depois disso... vamos ver."

Eu me virei e saí de seu escritório, deixando-o ali com a caneta na mão e uma escolha a fazer. Ele achava que ainda estava no controle. Ele não poderia estar mais enganado. O jogo havia mudado, e ele nem sequer havia percebido.

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