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Traição na Noite de Núpcias: Um Coração que se Apaga

Traição na Noite de Núpcias: Um Coração que se Apaga

Autor:: Ramona Raimondo
Gênero: Romance
Os médicos me deram três anos de vida. Usei até a última gota da minha força para me casar com Caio Montenegro, o homem que eu amava. Na nossa noite de núpcias, ele me abandonou por outra mulher. Ele a trouxe para nossa casa, me forçando a servi-la. Ele me fez pedir desculpas por crimes que não cometi. A família dele me desprezava, mas a adorava. Então veio o sequestro forjado. Para salvá-la, Caio me trocou - sua esposa grávida - pelo homem que segurava uma faca. Enquanto a lâmina pressionava minha garganta, ouvi a voz do meu marido gritar para a polícia. "Atirem!"

Capítulo 1

Os médicos me deram três anos de vida. Usei até a última gota da minha força para me casar com Caio Montenegro, o homem que eu amava.

Na nossa noite de núpcias, ele me abandonou por outra mulher.

Ele a trouxe para nossa casa, me forçando a servi-la. Ele me fez pedir desculpas por crimes que não cometi. A família dele me desprezava, mas a adorava.

Então veio o sequestro forjado. Para salvá-la, Caio me trocou - sua esposa grávida - pelo homem que segurava uma faca.

Enquanto a lâmina pressionava minha garganta, ouvi a voz do meu marido gritar para a polícia.

"Atirem!"

Capítulo 1

O relógio na parede marcava quase meia-noite. Catarina Oliveira estava sentada sozinha na imensa suíte nupcial. O quarto estava cheio de rosas brancas, as favoritas de Caio, mas o perfume delas parecia sufocante.

Esta era a sua noite de núpcias.

A porta finalmente se abriu e Caio Montenegro entrou. Ele pareceu surpreso ao vê-la acordada, ainda com o vestido de noiva.

"Catarina? Por que não está dormindo?"

Sua voz era calma, sem um pingo de culpa. Isso fez o vazio em seu peito doer ainda mais.

Ela não respondeu. Sua mente voltou para a tarde. Eles estavam na recepção, prestes a ter sua primeira dança como marido e mulher. Então o celular dele tocou. Ele olhou para a tela, sua expressão mudando instantaneamente.

"Preciso ir", ele disse, a voz tensa.

"O que foi, Caio?", ela perguntou, a mão ainda em seu braço.

"É a Jade. Ela sofreu um acidente."

Ele não esperou por sua resposta. Apenas se virou e foi embora, deixando-a parada sozinha no meio da pista de dança, enquanto os sussurros dos convidados cresciam ao seu redor. Ele deixou sua noiva por outra mulher no dia do casamento.

Agora, horas depois, a lembrança era uma dor física, aguda. Seu coração, já fraco, parecia estar sendo esmagado. Os médicos lhe deram três anos. Três anos para viver, para encontrar o amor, para sentir algo real antes que seu tempo acabasse. Ela pensou que tinha encontrado isso com Caio.

"O carro da Jade foi atingido", disse Caio agora, puxando-a de volta para o presente. Ele se aproximou e começou a desabotoar a camisa. "Não foi grave, só alguns arranhões, mas ela ficou assustada. Você sabe como ela é."

Catarina sabia. Sabia bem demais.

"Preciso que você entenda, Catarina. Eu tenho uma responsabilidade com ela." Ele olhou para ela, seus olhos pedindo sua complacência, que ela fosse a esposa compreensiva.

Mas tudo o que ela sentia era uma exaustão profunda. Sua condição cardíaca, cardiomiopatia, tornava cada dia uma luta. Foi por isso que ela o perseguiu tão implacavelmente. Quando viu Caio Montenegro pela primeira vez, o brilhante CEO de tecnologia, na capa da *Forbes Brasil*, sentiu uma atração que não conseguia explicar. Ela sabia que tinha pouco tempo e queria uma grande e avassaladora história de amor.

Ela fez de tudo para chamar sua atenção. Aprendeu suas rotinas, sua cafeteria favorita nos Jardins, o Parque Ibirapuera onde ele corria. Ela arquitetou uma dúzia de encontros "acidentais".

No início, ele foi indiferente, frio. As pessoas em seu círculo riam dela, a mulher desconhecida perseguindo tão obviamente o inalcançável Caio Montenegro. A humilhação não era nada comparada à contagem regressiva em seu peito.

Então veio a gala da empresa. Ele foi drogado por um rival de negócios, e foi ela quem o encontrou, desorientado e vulnerável. Ela o levou para o quarto de hotel dele, e uma coisa levou à outra. Foi uma noite confusa e não planejada.

Na manhã seguinte, ela esperava que ele ficasse furioso, que a expulsasse. Em vez disso, ele a olhou com uma expressão estranha e disse: "Eu assumo a responsabilidade."

Foi assim que começou. Ele a aceitou oficialmente e eles começaram a namorar. E para seu choque, ele era um bom namorado. Surpreendentemente gentil e atencioso.

Ele se lembrava que ela não gostava de cebola. Aprendeu a cozinhar sua sopa favorita porque dizia que a comida de restaurantes não era saudável o suficiente. Ele a abraçava quando ela se sentia fraca, sua presença uma âncora quente em seu mundo incerto.

Uma noite, seu coração falhou. Ela desmaiou em casa, lutando para respirar. Ele a encontrou, o rosto pálido com um terror que ela nunca tinha visto antes. Ele a levou às pressas para o Hospital Sírio-Libanês e, enquanto ela estava na cama, ele segurou sua mão e disse: "Case-se comigo, Catarina. Deixe-me cuidar de você."

Ela chorou, acreditando que sua busca desesperada finalmente havia terminado. Ela tinha vencido.

Ela recebeu alta uma semana depois. Enquanto saíam do quarto, uma bela jovem apareceu.

"Caio, você está aqui!", disse a mulher, com a voz brilhante. Ela entrelaçou o braço no dele. "Vim assim que soube. Você está bem?" Ela ignorou Catarina completamente.

Caio gentilmente removeu o braço dela. "Jade, esta é Catarina, minha noiva." Ele então se virou para Catarina. "Catarina, esta é Jade Moura. Ela é como uma irmãzinha para mim."

Jade era filha do falecido mentor de Caio. Ele sentia um profundo senso de dever para com ela, uma promessa feita a um homem moribundo. Seus pais, Beto e Carolina Montenegro, adoravam Jade. Eles a viam como a nora perfeita, uma combinação de status e origem. Eles viam Catarina como uma intrusa, uma perturbação indesejada.

O conflito começou sutilmente. Em um retiro da empresa, Jade torceu o tornozelo. Foi uma entorse leve, mas ela gritou como se tivesse levado um tiro. Caio imediatamente a pegou nos braços, o rosto uma máscara de preocupação, e a levou correndo para o médico, deixando Catarina parada com seus colegas.

Ele se preocupou com Jade, sua voz suave de inquietação, suas mãos gentis enquanto examinava o tornozelo dela. Ele demonstrou um nível de pânico e cuidado que Catarina só tinha visto uma vez antes - quando ele pensou que ela estava morrendo.

Esse foi o momento em que um pavor gelado se instalou em seu coração. A ternura dele não era só para ela.

Uma semana depois, Jade foi transferida do departamento de marketing para se tornar a secretária pessoal de Caio. Ela estava sempre lá, uma presença constante na vida dele e, por extensão, na dela.

Na noite anterior ao casamento, Catarina foi ao escritório dele para procurá-lo. A porta estava entreaberta. Ela viu Jade sentada na mesa dele, inclinada, a mão em seu peito. Caio olhava para ela, a expressão indecifrável.

Catarina abriu a porta.

Jade não pareceu surpresa. Ela apenas sorriu, um sorriso lento e conhecedor. "Ah, Catarina. Caio estava apenas me ajudando com um cisco no meu olho." Sua voz era doce, mas seus olhos estavam cheios de vitória.

Agora, de pé na suíte nupcial, Catarina olhou para o marido. O homem que acabara de abandoná-la por aquela mesma mulher. A esperança à qual ela se agarrou por tanto tempo estava finalmente começando a desmoronar.

Capítulo 2

Catarina respirou fundo, o cheiro de rosas a deixando enjoada. Ela caminhou até Caio, seus movimentos rígidos. Ajudou-o a tirar o paletó, seus dedos roçando a pele dele. Ele cheirava fortemente a álcool. Ele nunca bebia tanto. Fazia mal à saúde dele, um fato que ela sabia que ele conhecia bem. Ele devia estar bebendo para fechar um negócio para a empresa da família de Jade. Outro sacrifício por ela.

Ele estava mais bêbado do que ela pensava. Enquanto cambaleava, sua cabeça pendeu para o lado e ele murmurou um nome.

"Jade..."

Foi um som suave e arrastado, mas atingiu Catarina com a força de um golpe físico.

Do corredor, a voz de Jade chamou: "Caio? Você está bem? Vou pegar um pouco de água para você." Ela ainda estava aqui. Claro que estava.

Catarina a ignorou e guiou Caio em direção ao quarto. Ela o ajudou a deitar na cama e depois escapou para o banheiro, apoiando-se no mármore frio da bancada, tentando recuperar o fôlego.

De repente, braços fortes a envolveram por trás. Caio pressionou o rosto em seu pescoço, sua respiração quente contra sua pele.

"Catarina", ele murmurou, seus lábios encontrando os dela. O beijo foi desajeitado, com gosto de uísque e arrependimento. "Minha esposa."

A palavra, que deveria ser um conforto, pareceu outra mentira. Mas uma parte desesperada e tola dela ainda queria acreditar.

Seu corpo tremeu. "Você ainda quer se casar comigo, Caio?" A pergunta foi um sussurro, frágil e cheio de medo.

Ele se afastou o suficiente para olhá-la. Ele segurou o rosto dela entre as mãos, seus polegares enxugando lágrimas que ela não percebeu que estavam caindo. Ele beijou suas pálpebras, suas bochechas, sua boca.

"Sim", disse ele, a voz embargada de emoção. "Claro que quero. Quero te dar o casamento mais grandioso. Quero que tenhamos um filho. Uma menininha que se pareça com você."

A represa dentro dela se rompeu. Ela envolveu os braços em volta do pescoço dele, agarrando-se a ele. Ela era uma trepadeira, e ele era a árvore em torno da qual ela havia enrolado toda a sua vida frágil. Se ele caísse, ela se despedaçaria.

Ela se permitiu acreditar nele. Ela se permitiu ter esperança.

No dia seguinte, essa esperança pareceu uma piada cruel. Suas promessas da noite anterior se dissolveram com a luz da manhã. Ela se lembrou da voz fria e eletrônica que soou em sua cabeça no momento em que ele saiu correndo da recepção do casamento ontem. Era a voz de seu relógio interno, a dura realidade de seu diagnóstico. Três anos, Catarina. Seu tempo está se esgotando.

"Caio", disse ela, a voz cuidadosamente neutra enquanto se sentavam para o café da manhã. "Acho que seria melhor se a Jade fosse transferida para outro departamento."

Ele nem hesitou. "Não."

"Por que não?"

"Ela é minha assistente. Ela faz um bom trabalho. Não há motivo para transferi-la."

"Ela não é apenas uma assistente, e você sabe disso. Todos na empresa sussurram sobre vocês dois. Seus pais a tratam como se fosse filha deles. Ela não é apenas uma funcionária, Caio."

Ele franziu a testa, um sinal familiar de sua impaciência. "Não seja irracional, Catarina."

Ele se levantou, pegou o pijama e foi para o banheiro, fechando a porta atrás de si. A discussão havia terminado. Ele havia decidido.

Catarina sentiu um aperto familiar no peito. Era uma pressão que não tinha nada a ver com sua condição cardíaca e tudo a ver com ele.

Naquela noite, quando ela foi para a cama, as luzes estavam apagadas. Mas o teto acima dela brilhava com uma luz suave e bonita. Ele havia ligado o projetor que instalara, e a Nebulosa Roseta floresceu no teto. Era de tirar o fôlego.

Ele deslizou para a cama ao lado dela, puxando-a para seu peito. "Desculpe por ontem", ele sussurrou. "O casamento foi uma bagunça. Prometo que vou te compensar. Teremos outro, maior e melhor que o de ontem."

Ela olhou em seus olhos, viu as estrelas da nebulosa refletidas ali, e sua determinação se abrandou. Ela estava tão cansada de lutar. Ela só queria ser amada.

"Ok", ela sussurrou.

Ele se inclinou para beijá-la, mas assim que seus lábios estavam prestes a tocar os dela, seu telefone tocou. O som foi áspero no quarto silencioso.

Ele se afastou para atender. Catarina ouviu a voz de Jade do outro lado, engasgada com soluços.

"Caio... acabei de comprar um voo de volta para casa."

Ele se sentou imediatamente, a voz afiada de alarme. "O quê? Por quê? O que aconteceu?"

"Alguém postou online... sobre você ter deixado o casamento por mim", chorou Jade. "Estão dizendo coisas horríveis, me chamando de destruidora de lares. Não aguento, Caio. Tenho que ir embora."

Catarina sentiu o olhar dele sobre ela, frio e avaliador. O calor de um momento atrás desapareceu, substituído por um arrepio gelado.

Ela encontrou seus olhos. "Você acha que fui eu?"

Ele não respondeu. Falou ao telefone, a voz gentil novamente. "Não chore, Jade. Fique onde está. Eu vou resolver isso."

Ele desligou e se virou para Catarina, o rosto uma máscara de decepção. "Por que você faria algo tão mesquinho?"

A acusação a atingiu com mais força do que ela esperava. "Não fui eu."

"Então quem foi?"

"Eu não sei, mas não fui eu!"

Ele não acreditou nela. Ela podia ver em seus olhos. Ele se levantou e a puxou da cama. "Vista-se. Vamos para o hospital."

"Para quê?"

"Você vai pedir desculpas para a Jade. E vamos transmitir ao vivo para limpar o nome dela."

"Não", disse ela, puxando o braço. "Não tenho nada pelo que me desculpar."

Ele agarrou o braço dela novamente, o aperto firme. "Você vai fazer isso, Catarina. Você deve isso a ela."

Ele a arrastou para fora de casa e para o carro. Durante todo o caminho até o hospital, ela ficou em silêncio, o coração uma pedra fria e pesada no peito.

Quando chegaram, um cinegrafista já esperava no quarto de hospital de Jade. A própria Jade estava sentada na cama, usando um vestido bonito, a maquiagem perfeita, parecendo pálida e frágil.

No momento em que viu Caio, seus olhos se encheram de lágrimas. "Caio", ela sussurrou, então seu olhar se voltou para Catarina, e ela se encolheu como se estivesse com medo.

"Catarina, não a assuste", disse Caio, a voz ríspida. Ele se moveu para ficar entre elas, seu corpo um escudo protegendo Jade dela.

A ação foi tão automática, tão instintiva. Ele estava protegendo outra mulher de sua própria esposa. A amargura era tão forte que Catarina podia senti-la. Ela nunca o tinha visto proteger ninguém daquela forma antes. Nem mesmo ela.

Capítulo 3

"Comece a transmissão", disse Caio ao cinegrafista.

Jade encarou a câmera, lágrimas rolando por suas bochechas perfeitas. "Eu só quero dizer... Caio e eu somos como irmão e irmã. Ele deixou o casamento porque ouviu que eu sofri um acidente de carro. Ele só estava preocupado comigo. Por favor, não entendam mal."

Catarina assistiu à performance, sentindo-se entorpecida. "Um acidente de carro? Você não tem um único arranhão."

A compostura de Jade vacilou por um segundo. Ela olhou desamparada para Caio.

Ele interveio imediatamente. "Ela foi liberada pelos médicos, mas está sofrendo de estresse emocional. É por isso que ela está aqui." Ele olhou diretamente para a câmera. "Estou avisando a todos para pararem com esses boatos infundados. Se isso continuar, minha equipe jurídica tomará medidas."

Ele sinalizou para o cinegrafista parar a transmissão. A performance havia acabado.

Jade se virou para Catarina, pegando sua mão. O toque dela parecia gelo. "Catarina, sinto muito que isso tenha acontecido. É tudo culpa minha."

Catarina puxou a mão e soltou uma risada seca e sem humor. "Não. A culpa é minha."

Ela olhou para Caio. "Eu estava errada. Errada em confiar em você. Errada em acreditar que eu poderia ser suficiente para você."

"Vou para casa", disse ela, a voz monótona.

"Eu te levo", ofereceu Caio, um lampejo de culpa em seus olhos.

Nesse momento, uma enfermeira entrou. "Senhorita Moura, está na hora do seu exame de sangue."

Jade imediatamente se encolheu contra os travesseiros. "Ah, não. Caio, você sabe que eu não posso... Tenho fobia de agulhas."

Caio hesitou, olhando entre Catarina e Jade. A escolha estava clara em seu rosto antes mesmo de ele a fazer.

Catarina não esperou por sua decisão. "Tudo bem. Eu vou sozinha."

Ela se virou e saiu do quarto. Enquanto a porta se fechava atrás dela, ela teve um último vislumbre de Caio, sentado na beirada da cama, segurando a mão de Jade, confortando-a.

Seu coração estava dormente. Ela não sabia mais se era dor ou apenas decepção. Uma resignação final e esmagadora.

Ela tinha que ir embora. Não apenas deste hospital, mas desta vida pela qual lutou tanto. Ela desapareceria. Completamente. Sem corpo, sem vestígios. Apenas sumiria.

Aquela noite foi o primeiro jantar em família desde o casamento. Deveria ser uma celebração. Para Catarina, parecia um funeral.

Ela entrou e os viu todos na sala de estar. Beto e Carolina Montenegro riam com Jade, que estava sentada entre eles no sofá. Caio estava ajoelhado no chão na frente de Jade, massageando sua panturrilha.

"Ah, você está aqui", disse Carolina quando viu Catarina. Seu sorriso desapareceu. O calor na sala caiu vários graus.

"Jade passou o dia todo no hospital para exames", explicou Caio, sem levantar o olhar. "A perna dela está dolorida." Ele olhou para Catarina. "Os mais velhos estão aqui. Não faça uma cena."

"Não vou", disse Catarina em voz baixa.

Na mesa de jantar, ela era invisível. Toda a atenção, toda a conversa, todo o afeto era direcionado a Jade. Caio descascou camarões e quebrou patas de caranguejo para Jade, colocando a carne cuidadosamente em seu prato. Era um ato de cuidado que ele costumava reservar para Catarina.

Ela se lembrou da primeira vez que veio a esta casa para jantar. Os Montenegro foram educados, mas frios, sua desaprovação uma coisa tangível no ar. Ela pensou que eles eram apenas pessoas formais e reservadas. Agora ela entendia. Eles não eram frios. Eram apenas frios com ela.

Ela comeu em silêncio, a comida sem gosto em sua boca, cada mordida uma luta. A dor em seu peito era uma pontada surda e constante.

"Caio, você se importaria de pegar um pouco de sopa para todos?", perguntou Carolina, sorrindo para o filho.

Catarina se lembrou de uma vez em que Caio cozinhou sopa de peixe só para ela, dizendo que era a receita secreta de sua família.

Jade fez um biquinho brincalhão. "Mas Caio, você prometeu que sua famosa sopa de peixe era só para mim."

"Esta é sopa de galinha, boba", disse Caio pacientemente, a voz impossivelmente gentil. "A sopa de peixe ainda é só para você."

Era isso. Essa era a verdade que ela vinha evitando. A intimidade casual e impensada, o tom gentil, as promessas exclusivas. Esse era o amor verdadeiro dele. A ternura que ele mostrava a Catarina era apenas uma imitação pálida.

"Eu pego a sopa para você, Catarina!", disse Jade, levantando-se com um sorriso brilhante e falso.

"Eu posso pegar", disse Catarina, tentando impedi-la.

"Não é problema nenhum. Conheço esta casa melhor do que ninguém", disse Jade, uma clara declaração de seu lugar aqui.

Ela foi para a cozinha. O cheiro forte de caldo de peixe flutuou para fora, revirando o estômago de Catarina.

Jade voltou, carregando uma única tigela. "Você sabia", disse ela, a voz baixa e destinada apenas a Catarina, "que Caio e eu tínhamos um noivado de infância? Nossos pais arranjaram quando éramos crianças."

As palavras atingiram o coração já machucado de Catarina.

"Promessas de homens", acrescentou Jade com um sorriso de escárnio, "não valem muito, não é?"

Uma dor aguda atravessou o peito de Catarina. O ácido subiu por sua garganta.

"Você está bem, Catarina?", perguntou Jade, sua expressão de falsa preocupação. "Você deveria pegar a sopa. Caio está esperando."

Catarina tentou recusar, empurrar a tigela, mas suas mãos tremiam. A sopa quente transbordou, derramando sobre a frente de seu vestido. Mas não foi Catarina quem gritou.

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