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Traída e transformada: Meu novo capítulo da vida

Traída e transformada: Meu novo capítulo da vida

Autor:: Idaline Miele
Gênero: Moderno
No aniversário de casamento, Alicia foi drogada pela amante do marido, passando a noite com um estranho. Ela perdeu a inocência, enquanto a amante ficou grávida. Desolada, Alicia pediu o divórcio, mas Joshua riu com desdém: "Um joguinho para me prender, né?" Finalmente liberta das correntes do casamento, Alicia transformou-se em uma pintora renomada, e a outrora dona de casa comum agora via uma fila de admiradores à sua porta. Incapaz de aceitar a realidade, Joshua a procurou em busca de reconciliação, apenas para vê-la nos braços de um homem, que declarou com frieza: "Cumprimente sua cunhada."

Capítulo 1 Ela ainda era virgem

Na sala de cinema particular, luxuosa e pouco iluminada, o leilão de joias mais exclusivo do mundo estava sendo exibido ao vivo.

A voz grave e imponente do leiloeiro ecoava pela sala. "Um milhão, dou uma, dou duas..."

Alicia Bennett mal conseguia ouvir as palavras, pois sua mente estava completamente consumida pelo homem debaixo dela.

A intensidade do homem a dominava, levando-a a cravar os dentes no ombro dele numa tentativa desesperada de se manter firme contra a investida.

Em resposta, o homem apenas grunhiu, sem parar nem diminuir o ritmo.

"Relaxe, quer?", ele disse com a voz rouca e tensa, enquanto apertava a cintura dela, comandando seu corpo a se curvar à vontade dele.

Ainda mordendo o ombro dele, Alicia parou por um momento.

Lentamente, ela afrouxou a mandíbula, e seus dentes se soltaram.

Quando um pedido de desculpas estava prestes a se formar nos seus lábios, ele soltou uma risada baixa e provocadora. "Não é essa parte que pedi para você relaxar."

Ao ouvir essas palavras, Alicia congelou, e o calor subiu para suas bochechas.

O pedido de desculpas morreu em sua garganta, substituído por um constrangimento tão intenso que a deixou vermelha.

À medida que o tempo passava, a intensidade entre eles só aumentava, seus corpos entrelaçados numa batalha de paixão e controle.

De repente, o martelo do leiloeiro caiu. "Vendido por 10 milhões! Vamos dar uma salva de palmas ao senhor Joshua Yates!"

O nome atingiu Alicia como um raio, e seu corpo se enrijeceu instantaneamente, algo que o homem não pôde deixar de notar. Ele parou, e seus olhos, semicerrados de satisfação, se desviaram preguiçosamente para a tela.

A câmera se aproximou do rosto de Joshua Yates, exibindo cada detalhe de suas feições familiares com perfeita nitidez.

"Joshua Yates, o segundo filho da família Yates... um conhecido, talvez?", ele disse com voz arrastada, com um sorriso malicioso se formando nos lábios enquanto mordiscava de brincadeira o lóbulo da orelha de Alicia.

A carranca de Alicia se aprofundou. A última coisa que ela queria era discutir sobre isso.

"Fofocas também fazem parte dos seus serviços?", ela perguntou com a voz fria e irritada.

Ele riu baixinho da réplica dela, e o som ecoou no espaço entre eles.

Serviços?

Ele nem se deu ao trabalho de negar, apenas apertou a cintura dela com mais força, e seus movimentos se tornaram cada vez mais implacáveis, num ritmo caótico e indomável, como se a desafiasse.

O quarto parecia pulsar com seus desejos apaixonados, o ar carregado de luxúria, suas respirações ofegantes se fundindo numa só. Juntos, eles chegaram a um ápice de tirar o fôlego.

Quando tudo terminou, Alicia aproveitou o momento em que o homem foi tomar banho e escapou silenciosamente.

Após pegar um maço de notas na sua bolsa, ela as deixou sobre a cadeira. Ela se aproximou da porta, silenciosa como um rato, contorcendo-se com a dor na sua região íntima.

Quando Caden Ward saiu do banheiro, seu olhar recaiu sobre o maço de notas de dólar que o aguardava na cadeira. O divertimento brilhou nos seus olhos, e um sorriso se formou no canto dos seus lábios.

Com um movimento casual, ele pegou um cigarro e o acendeu tranquilamente antes de se sentar na cadeira, seus dedos brincando com as notas.

Momentos depois, seu assistente, Hank Ford, entrou no quarto, claramente nervoso.

O cheiro fraco e inconfundível de sexo ainda pairava no ar, fazendo o couro cabeludo de Hank se arrepiar de desconforto. "Er... desculpe, senhor Ward. Baixei a guarda. Me dê um momento que vou trazê-la de volta imediatamente."

Eles haviam acabado de voltar ao país, tomando todas as precauções. No entanto, uma mulher conseguiu escapar pelas brechas da segurança.

Caden soltou uma baforada de fumaça preguiçosamente, suas feições calmas, quase indiferentes.

"Não precisa. Eu fui... um participante disposto."

Os olhos de Hank se arregalaram em choque.

Foi só então que ele notou as fracas marcas vermelhas no peitoral de Caden.

Nesse momento, a visão de Hank começou a ficar turva. Em todo o tempo que conhecia Caden, ele nunca havia dormido com uma mulher, nem mesmo para um caso de uma noite.

Havia até rumores de que Caden poderia sofrer de alguma doença secreta. Era por isso que ele nunca havia ficado com uma mulher.

No entanto, agora esses boatos pareciam ter se dissipado diante dessa reviravolta inesperada.

Antes que Hank pudesse entender o que estava acontecendo, a voz grave de Caden o trouxe de volta à realidade. "Quero que investigue a vida pessoal de Joshua. Deixe o relatório na minha mesa em meia hora."

Naquela noite, Alicia havia entrado cambaleando no quarto dele, febril e desesperada.

Era óbvio que ela havia sido drogada.

E, assim, todos os anos de contenção e abstinência dele desmoronaram no momento em que ele a pegou nos braços.

Foi então que veio a revelação: Alicia ainda era virgem.

Dois anos de casamento com Joshua...

e ela ainda estava intocada?

A lembrança da paixão da noite passada despertou algo nele, e seus lábios se curvaram num sorriso satisfeito.

O inesperado sempre o intrigava.

Mas, ao refletir, uma coisa ficou bem clara: Alicia não fazia ideia de com quem estava devido aos efeitos da droga.

...

Quando Alicia voltou para casa, a primeira luz do amanhecer já entrava pelas janelas.

Foi só então que ela percebeu quanto tempo havia passado fora. Parando na porta, ela cerrou os dentes com raiva.

Mesmo depois de ela ter se levado à beira do colapso, ele se recusou a deixá-la ir, como se a resistência dele fosse infinita.

Quem deveria ser o cliente aqui?

Mas, antes que ela pudesse pensar mais sobre isso, seu celular começou a tocar. Era sua melhor amiga, Monica Flynn.

"Alicia!" Monica praticamente gritou do outro lado da linha, sua voz aguda de preocupação. "Como você está agora?"

Alicia soltou um suspiro profundo, tirando os sapatos descuidadamente. "Já estive melhor", ela murmurou.

A raiva de Monica transbordou, suas palavras afiadas e implacáveis. "Joshua é um merda! Ele é mais do que repugnante! Se ele não quer continuar casado, deveria deixar de ser frouxo e se divorciar de você! Que tipo de homem doente armaria contra a própria esposa?"

A dor aguda da traição atravessou o peito de Alicia.

Ontem foi o segundo aniversário de casamento deles. Joshua havia lhe enviado uma mensagem, sugerindo que eles comemorassem. Ainda com esperança de que ele tivesse mudado, ela se vestiu de forma impecável, apenas para se deparar com a decepção e uma bebida com drogas que a mergulhou numa noite de confusão e caos.

Será que Joshua realmente foi o mentor disso?

Engolindo a amargura que tentava vir à tona, Alicia se forçou a subir as escadas, seus movimentos lentos e cansados. "Está tudo bem, Monica. Vou resolver isso."

Monica, sempre protetora, não se convenceu. "'Vou resolver isso'? Como assim? É só dizer uma palavra que estarei aí num piscar de olhos. Posso até colocar meus saltos mais afiados, pronta para chutá-lo no saco!"

Alicia não pôde evitar o sorriso pequeno e cansado que se formou nos seus lábios, embora seu coração ainda estivesse pesado.

De repente, o tom de Monica mudou, e a curiosidade surgiu em sua voz. "Mas, falando sério, quem era aquele cara com quem você estava ontem à noite?"

Alicia parou no meio do caminho, uma sensação ruim percorrendo sua espinha. "Você não contratou aquele acompanhante para mim?", ela perguntou, apreensiva.

"Eu contratei um", disse Monica, e sua voz ficou séria. "Mas você não apareceu. Ele me mandou uma mensagem esta manhã, dizendo que esperou a noite toda e não te viu. Então... com quem você estava?"

A respiração de Alicia ficou presa na garganta quando a ficha caiu.

Antes que ela pudesse responder, a porta do seu quarto se abriu com um rangido.

Quando ela ergueu o olhar, seu estômago se revirou instantaneamente. Lá estava Joshua, recém-saído do banho, com uma toalha enrolada na cintura. Seus cabelos úmidos estavam grudados na testa enquanto ele a encarava, sua voz baixa e ameaçadora.

"Que acompanhante é esse?"

Capítulo 2 O masoquismo de uma mulher

Alicia despertou de seu torpor ao se deparar com o olhar gélido de Joshua, seu marido de fachada.

A expressão dele continuava a mesma, fria e indiferente como sempre, como se estivesse olhando para uma estranha.

A única coisa fora do comum era o chupão nos lábios dele.

Será que o beijo que ele deu em outra pessoa foi tão intenso?

Uma onda de repulsa a atingiu, e ela só conseguiu não vomitar. Seus dedos se apertaram no celular enquanto ela o desligava com um suspiro leve. "Não é nada."

Sem esperar por uma resposta, ela começou a entrar.

Joshua franziu a testa, estendendo a mão para agarrar o pulso dela. "Alicia, o que há com essa atitude?"

Ele estava bem insatisfeito com ela dessa vez, o que era raro, considerando o quanto ele raramente se dava ao trabalho de ir para casa.

Geralmente, Alicia o receberia de braços abertos, com um brilho de alegria iluminando suas feições cansadas, mas hoje ela parecia exausta, quase sem vida.

Porém, sem resistir ao aperto dele, ela o encarou com uma calma desconcertante. "Por acaso não sempre fui assim? Obediente, sensata, garantindo que a casa esteja em ordem, que você esteja confortável, pronta para dar o seu melhor no trabalho."

Um sorriso amargo surgiu nos lábios dela. "Não é isso que você mais gosta em mim? Isso facilita as coisas para você, não é? Libera tempo para sua outra... 'pessoa especial'."

Os olhos de Joshua se obscureceram diante da acusação disfarçada.

A negação pairava nos lábios dele, mas ele nem se deu ao trabalho de negar. Por que ele deveria? Soltando a mão dela, ele disse rispidamente: "Na verdade, é por isso que estou aqui. Precisamos conversar."

Alicia esfregou o pulso com força, como se estivesse tentando apagar o toque dele.

"Então, está pensando em assumir ela publicamente?"

A expressão de Joshua se distorceu instantaneamente, fazendo sua fachada calma se romper. "O que você sabe? Você contratou um detetive particular para me seguir, ou algo do tipo?"

Alicia soltou uma risada suave e sem humor. "Isso é mesmo necessário? Ontem à noite, você não poupou esforços para fazê-la feliz. Até um cego poderia dizer que você está louco por ela."

Ele a encarou, incomodado com o tom gélido dela.

A voz ainda era dela, ainda era Alicia, mas havia algo diferente... Por alguma razão, ele se sentiu inexplicavelmente magoado, como se um espinho estivesse perfurando seu coração.

Talvez fosse a maneira como ela o olhava agora - os olhos dela, antes calorosos e cheios de amor por ele, agora estavam completamente vazios.

Não havia raiva, nem dor, apenas... nada. Era um contraste gritante com a mulher que costumava olhá-lo como se ele fosse seu mundo inteiro.

Por razões que ele não conseguia explicar, vê-la assim despertou algo nele, uma insatisfação desconhecida. Irritado com a própria reação, Joshua decidiu revidar, com a voz ainda mais dura. "Ela está grávida. É uma gravidez delicada, então comprei um presentinho para animá-la."

Os punhos de Alicia se cerraram antes que ela pudesse impedi-los.

Grávida?

Então, nas noites em que ela ficava acordada esperando ele chegar em casa, ele estava com outra mulher, se esforçando para construir uma nova família?

Vendo Alicia se encolher um pouco, Joshua sentiu um lampejo de satisfação. "Não é que eu não queira dormir com você," disse ele, com a voz cheia de condescendência. "Você é tão emocionante quanto ver a tinta secar. Nenhum homem iria querer isso."

As palavras cruéis dele perfuraram Alicia como uma lâmina afiada, mas ela conseguiu permanecer composta por fora.

Não era que ela evitasse a intimidade, só não era de tomar a iniciativa. Será que isso a tornava tão indesejável assim? Era um pecado não ser sedutora o suficiente?

Respirando fundo e lentamente, Alicia se obrigou a manter a calma.

"Tudo bem," respondeu ela baixinho. "Vamos nos divorciar então. Assim, você poderá dar a ela o título que ela tanto quer."

Ao ouvir a palavra "divórcio", a pálpebra de Joshua se contraiu involuntariamente.

Ele zombou, estreitando os olhos com desconfiança. "Isso é mais um dos seus joguinhos?"

Convencido de que estava certo, ele continuou com a voz mais fria e mordaz: "Alicia, há dois anos você tem feito essas palhaçadas infantis, implorando pela minha atenção. Você não está cansada ainda? Porque eu estou pra caramba."

Após uma pausa, ele deixou seu desdém transparecer. "Você diz que me ama tanto. Será que realmente conseguiria se afastar de mim?"

Alicia não pôde evitar a risada amarga que escapou dela.

Amar ele? Será que ele sequer entendia o que isso significava?

Quando os negócios de Joshua haviam desmoronado, o deixando com nada além de dívidas e sonhos destruídos, foi Alicia quem esvaziou suas economias para tirá-lo do fundo do poço.

Por gratidão - ou talvez por obrigação -, ele se casou com ela.

Por dois longos anos, ela foi a esposa dedicada, o apoiando enquanto ele subia na vida com unhas e dentes.

E o que ela recebeu em troca? Ela foi deixada de lado como uma relíquia inútil, enquanto outra mulher carregava o filho dele.

Seu amor e lealdade foram pisoteados. Continuar cuidando desse homem seria masoquismo.

Com a voz firme, Alicia disse: "Elabore o acordo de divórcio. Aceitarei os termos que você quiser."

Dito isso, ela se virou e saiu pela porta, deixando Joshua sozinho no corredor.

Por um momento, ele a encarou com raiva, mas logo um sorriso frio e zombeteiro surgiu nos lábios dele.

Tudo bem, ela pode bancar a mártir.

Ele duvidava que ela conseguiria manter isso por muito tempo.

Saindo de casa, Joshua foi direto para o apartamento onde sua amante, Lilliana Green, o aguardava.

"Bom, isso foi rápido," ela provocou ao saber que Joshua estava se divorciando, arqueando uma sobrancelha. "Pelo visto, ela não foi tão difícil de lidar quanto você disse."

Joshua a puxou para os braços dele, com os dedos segurando a cintura dela possessivamente. "Ela é esperta. Não sei se ela realmente está aceitando o divórcio ou só está me enganando, " ele murmurou, com um toque de suspeita na sua voz.

Lilliana se sentou no colo dele, com os braços envolvendo o pescoço dele preguiçosamente, enquanto o olhar dela brilhava com uma malícia sedutora. "Relaxe, Joshua. Mesmo que ela mude de ideia, será tarde demais, " ela murmurou, enquanto os lábios dela roçavam a orelha dele.

Joshua franziu a testa. "Como assim?"

Capítulo 3 Deixando o passado para trás

Os olhos de Lilliana brilharam com uma intenção sombria, e seus lábios se curvaram em um leve sorriso.

Ela não era tola a ponto de mostrar suas cartas agora, então desviou do assunto com uma desculpa qualquer: "Durante esses dois anos de casamento, ela viveu como uma mera dona de casa, escondida nas sombras, isolada do mundo dele. Quando você se impõe, ela ousaria dizer uma palavra?"

Joshua comprimiu os lábios em uma linha dura.

Nos últimos dois anos, Alicia realmente fez de tudo por ele, dando-lhe apoio e consolo.

Ela o amava ferozmente, mas no fim das contas, qual era o verdadeiro valor do amor?

Contra todas as probabilidades, ele havia lutado com unhas e dentes até o topo e finalmente conquistado o poder que tanto desejava.

No entanto, esse sucesso não foi nada fácil. Não foi o amor que garantiu sua posição, e sim as alianças com os poderosos.

O prestígio de ser filha da família Green, esse título por si só, valia muito mais do que o amor devotado de Alicia.

Enquanto esses pensamentos atormentavam Joshua, Lilliana inesperadamente encostou seus lábios vermelhos e carnudos contra os dele. "Joshua", ela sussurrou com uma voz suave como veludo. "Parabéns por ter se livrado desse fardo. Vamos comemorar?"

Por um momento, o olhar de Joshua se fixou nela, mas o rosto indiferente de Alicia de repente surgiu diante de seus olhos.

Desde que havia saído de casa mais cedo, Alicia não havia ligado para ele para perguntar onde ele estava.

Antigamente, se ele ficasse chateado com ela, ela ligaria para ele desesperada.

De repente, uma irritação aguda e inexplicável o invadiu. Sem pensar, ele empurrou Lilliana para longe, dizendo num tom ríspido: "Você está grávida de poucas semanas. Tenha cuidado."

Lilliana, perspicaz como sempre, percebeu que ele estava distraído. "Joshua, o que houve? Não quer se divorciar?", ela perguntou gentilmente.

Joshua respondeu imediatamente: "Claro que quero me divorciar dela."

Com os olhos semicerrados, ela o observava. "Então por que não parece muito feliz?"

Joshua deu uma desculpa rápida, sua voz firme, mas distante: "A saúde do meu pai piorou. Ele não tem muito tempo de vida, e Caden voltou ontem à noite. Provavelmente, veio para reivindicar a herança. Preciso descobrir como lidar com ele."

Lilliana piscou, momentaneamente perplexa. "Caden? O irmão que seu pai teve no primeiro casamento? Ele nem usa mais o sobrenome Yates. Que direito ele teria de disputar a herança com você?"

Diante dessas palavras, a expressão de Joshua se fechou.

Era verdade, mas, no fim das contas, ele ainda era filho de uma destruidora de casamentos.

Todo o seu esforço ao longo dos anos não foi apenas para construir um nome para si na família Yates, mas também para empurrar Caden para as sombras, o lugar ao qual ele pertencia.

De uma forma ou de outra, Joshua estava obcecado em vencer.

Enquanto isso, Alicia acordou, com o corpo ainda sobrecarregado pelo peso da fadiga. A escuridão já havia caído, mas ela se sentia ainda mais exausta do que antes.

Isso porque sonhara com aquele desconhecido, e o toque dele ainda permanecia em sua pele.

Ela não sabia dizer se era o efeito persistente da droga ou se o homem era simplesmente bom de cama.

Mesmo agora, totalmente acordada, ela ainda se sentia flutuando nas nuvens, o que a fez corar incontrolavelmente.

Foi só quando o celular vibrou com uma ligação de Monica que ela saiu do transe. "A-alô?", ela gaguejou.

Monica, sempre atenta, logo percebeu que algo estava errado com sua amiga. "Sua voz está tão suave e sonolenta. O que está acontecendo? Por acaso você se acertou com aquele idiota?"

Alicia limpou a garganta, tentando se livrar do nervosismo. "Claro que não!"

A risada de Monica ecoou, calorosa e cheia de malícia.

"Enfim, recebi os resultados do seu exame de sangue. Passei para um amigo meu que tem umas conexões importantes, e ele está investigando para ver quem comprou a substância."

Alicia se endireitou um pouco, a mente subitamente alerta. "Obrigada, Monica. Agradeço muito."

"Se você realmente quer me agradecer, me faça um favor: pare de ficar obcecada por aquele idiota. E depois do divórcio, se concentre na sua carreira. Você me deve isso."

O peito de Alicia se encheu de carinho, e ela abaixou a cabeça, agradecida. "Eu sei, eu sei."

Agora que ela pensava nisso, se deu conta de que seus sentimentos por Joshua nunca foram amor de verdade, mas nasceram de uma dívida, de um senso de obrigação.

As expectativas da sua família sempre pesaram muito sobre ela e, naquela infância solitária e reprimida, foi Joshua quem esteve ao seu lado.

A companhia dele havia cultivado um afeto vago que ela confundiu com amor.

"Sorte a minha que o amor nunca foi algo ao qual me apeguei tanto. Esses dois anos... vou considerar como uma forma de retribuir a gentileza dele", murmurou Alicia.

Monica fez uma pausa, e sua ousadia habitual deu lugar à reflexão. Ela sabia melhor do que ninguém que, um dia, Joshua realmente amou Alicia.

Mas, no fim das contas, o amor podia ser algo passageiro.

"Alicia, espero de verdade que você tenha deixado isso para lá de uma vez por todas", disse Monica com um suspiro convicto.

Nesse momento, uma pontada aguda atingiu o peito de Alicia, seus olhos ardendo enquanto ela lutava contra a vontade de chorar. Rapidamente, ela pressionou a mão contra os olhos, se recusando a deixar as lágrimas caírem.

Foi só então que ela notou algo surpreendente.

Atônita, ela olhou para sua mão.

A aliança de casamento, algo que ela já havia segurado com tanta força, havia sumido.

Ela ficou um dia e uma noite inteiros sem ela, e nem sequer havia percebido.

De repente, seu coração ficou mais leve, e o peso de tudo o que ela vinha carregando começou a se dissipar. Ela sussurrou, mais para si do que para qualquer outra pessoa: "Sim, eu realmente deixei isso para lá."

...

Não demorou muito para Joshua perceber.

Ele havia voltado para pegar algo rapidamente quando seus olhos caíram na mão dela. Ele franziu a testa e perguntou, sem pensar: "Onde está sua aliança?"

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