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Turn of Fate

Turn of Fate

Autor:: Bruna Barros
Gênero: Romance
Siga em frente e não olhe para trás. Você é dona do seu destino! Esse era o mantra que Alyssa Jones havia acoplado na própria mente de modo a esquecer seu passado doloroso e dedicar-se a sua nova vida. Disposta a usar o ingresso de sua faculdade como ponto inicial para seu futuro, a caloura, dona de uma mente insociável e introvertida, atrai a atenção de Alex, o jovem mulherengo que, como em todo clichê, adora desafios; algo que ele havia visto na garota que andava de forma desengonçada e vestia as roupas mais medonhas que já vira na vida. Aly se viu dentro de um jogo de sedução onde razão e coração andavam completamente separados. Ela sabia o que o garoto mulherengo representava e, ao mesmo tempo, a atraía com seus olhos verdes penetrantes e sardas angelicais. Alex significava tudo o que Alyssa precisava esquecer, tanto quanto tudo o que ela não conseguia deixar para trás. "Um rosto angelical maquiando uma mente diabólica." Mas o que começa com uma brincadeira de gato e rato pode ocasionar em algo muito mais intenso. O que Alex quer, Alex consegue!

Capítulo 1 Prólogo

O tempo passa num piscar de olhos e, quando menos esperamos, estamos contando os segundos para sairmos do trabalho numa sexta-feira qualquer, depois de um dia cansativo, comprar comida congelada, deitar a cabeça no sofá e dormir todo o final de semana sem ter com o que nos preocuparmos.

Sorrio ao me lembrar dos dias em que vivi na faculdade e nas festas onde bebidas eram liberadas "a torto e a direito" enquanto minha bexiga parecia prestes a estourar após encher a cara com tequila, vodka de cereja e garrafinhas de cerveja.

Fecho os olhos, deixando a mente anuviar com minhas responsabilidades atuais, e o ronronar de Bichano, meu gatinho branco, soa estridente ao meu lado.

"Serelepe! " Penso ao sentir seu pelo macio sob meus dedos.

O habitual aroma do meu hidratante preferido alcança minhas narinas e, sem conseguir me conter, deixo escapar um sorrisinho frouxo.

"Morango..."

Suspiro pesado.

Olhos verdes flamejantes, surgem em meus pensamentos, e um sorriso convidativo e malicioso traz-me vívidas lembranças. Seus dedos em torno da minha pele, enquanto deslizava o hidratante pelo meu corpo, e suas íris faiscantes deixando marcas eternas em mim; o morango passando a deixar a sua marca. Algo que transformou minha vida e, consequentemente, meu destino.

Uma verdadeira virada no meu destino.

Capítulo 2 Capitulo 1

Anos antes:

Acordo desorientada com um barulho insuportável em meu ouvido. Estava tendo um sonho bom - algo que há muito tempo não era possível -, porém, agora só consigo escutar o som estridente ao meu lado. Tateio minha escrivaninha, procurando por meus óculos e, enfim, encontro-os. Pisco algumas vezes, e meu guarda-roupas velho aparece aos poucos junto com a claridade que vem do lado de fora do quarto. O som, que reverbera a todo vapor, sai do meu pequeno despertador alertando-me que já é hora de levantar.

Ouço batidas na porta, e a figura de minha mãe aparece no batente encarando-me com a expressão igual à do Jason Voorhees - protagonista do filme Sexta Feira 13 - quando ele está prestes a encurralar mais uma de suas vítimas.

Sim, sou a nerd que ama filmes antigos e de super-heróis.

Minha mãe franze a testa e cruza os braços, prestes a me xingar a julgar pela sua careta.

- Aly, pelo amor de Deus, desligue essa porcaria antes que seu irmão acorde! Mike chegou tarde, ontem do trabalho, e está tentando dormir também. - Dona Jenna fala sonolenta.

Mike é meu padrasto. Ele e minha mãe são casados desde quando eu era bem novinha, meu pai foi embora quando minha mãe se descobriu grávida, ou seja, nem o conheci. Jullian é meu irmão de dois anos, o garoto é uma gracinha, mas quando dana a chorar, sai de baixo, porque ninguém aguenta.

Assinto, ainda atordoada, mas consigo enfim desligar o bendito aparelho.

- Vai se arrumar e depois desce com suas malas. Podemos tomar um último café da manhã juntas, antes de você ir - diz animada fazendo-me dar um sorriso contido.

Se ela soubesse a minha animação...

Hoje, estou indo embora para Cambridge, estudar na conceituada Universidade de Tecnologia de Massachusetts. Pretendo me formar em Gestão de Negócios. Moramos em Worcester, então, em menos de uma hora, devo estar chegando lá - sã e salva -, de carro.

Minha mãe tem me preparado há algum tempo - desde que me entendo por gente - para gerenciar os negócios da família. Temos uma rede de supermercados que ela pretende expandir ainda mais. E isso se estende a mim e ao Jullian.

Com a animação a mil - para não dizer ao contrário -, direciono-me até o banheiro. Tomo um banho morno, colocando posteriormente uma saia comprida verde musgo e uma blusa branca de mangas curtas que ganhei no último natal. Por cima, visto apenas um cardigã liso para me esquentar.

Arrasto o braço direito no espelho embaçado e observo o meu reflexo abatido. Recoloco os meus óculos e prendo os meus cabelos loiros num rabo de cavalo alto. Encaro a pia de mármore clara, observando o pequeno potinho com lentes de contatos novos que minha avó trouxe no início desse ano. Lembro-me da última vez que usei um par e me recordo do passado, nada alegre, que vivenciei na minha antiga escola. Um fio de lágrima desce pelo meu rosto ao lembrar-me dele falando comigo pela primeira vez:

"Seus olhos... - Sua cabeça tombou para o lado direito, de forma graciosa, e o sorriso que já havia reparado diversas vezes mostrou-se, mais uma vez, ávido. - são... lindos! - Os lábios rosados eram o que mais chamavam a minha atenção, mesmo que estivéssemos no meio do corredor da escola, vasto de alunos com testosteronas acima da média.

Sacudo a cabeça para ambos os lados, tentando fazer inutilmente as imagens sumirem da minha mente. Pego o potinho com as lentes de contato e coloco-os no fundo da minha bolsa de mão.

Na cozinha, sento-me em torno da mesa, onde compartilhamos a maioria de nossas refeições, enquanto minha mãe prepara o nosso café da manhã. Ela me olha sorridente e faço o possível para transmitir-lhe o mesmo sentimento. Dona Jenna não sabe o que aconteceu comigo na escola e não faz ideia do medo que estou sentindo agora. Tomamos o nosso café da manhã em silêncio e, ao sairmos de casa, sinto-a me abraçar fortemente.

- Se cuida, minha menina, nos vemos no feriado de ação de graças. Se você não vier, eu vou lá te buscar pelos cabelos. - Ela sorri, e noto seus olhos marejados.

- Cuida de todos, mãe! Fala para o Ju que o amo e que vou sentir muita falta dele. Dele e de vocês, é claro! Manda um grande beijo para o Mike também.

- Você não vai mesmo falar com a Sandy? - Minha mãe refere-se a minha ex melhor amiga. Faço que não com a cabeça, e ela sorri tristemente.

Sandy e eu éramos como unha e carne, até eu descobrir tudo o que armou para mim na escola. Mas eu ainda não estou preparada para compartilhar essa parte da minha vida com vocês, porém, o que posso dizer, com toda certeza, é para não confiar nas pessoas; elas podem ser traiçoeiras e maldosas, quando querem, e te apunhalarem pelas costas.

Respiro fundo e encaminho-me devagar até o carro. Assim que entro, dou um último aceno à minha mãe e, ao virar-me para frente, meu olhar fixa-se na casa que se emparelha com a nossa. Enrugo a testa ao observar as cortinas se mexerem, aleatoriamente, de uma janela que passei a conhecer muito bem.

Começo a suar frio, sentindo minhas mãos tremerem. Observo o molho de chaves balançarem com força entre meus dedos e meu coração palpitar a cada maldito segundo que não consigo posicioná-las no buraco da ignição. Olho para dona Jenna, mais uma vez, e assisto-a abraçar a si própria dando-me mais um "tchauzinho" com as mãos quando, enfim, consigo encaixar a chave.

Entro em meu carro e dou partida, mas algo me chama a atenção: a porta da casa vizinha ser aberta bruscamente.

Não quero vê-lo! Não quero vê-lo! Não quero vê-lo!

Minha visão fica turva devido às lágrimas que preenchem meus olhos. À medida que o carro começa a andar, escuto-o chamar o meu nome.

- Alyssa, não! - Através do retrovisor, vejo-o correr em minha direção: Christopher Carter, o cara que destroçou meu coração em mil pedaços. Ele para aonde está, ajoelha-se no meio da rua e leva as mãos à cabeça. - Me perdoa...

Porém, é tarde demais, saio rumo a minha nova vida!

Capítulo 3 Capitulo 2

Ao chegar na universidade, vasculho a minha bolsa e retiro de lá de dentro o mapa que me ajudará no meu primeiro dia. Preciso achar o meu dormitório e encontrar o prédio C.

Acerto os óculos em meu rosto e saio do carro olhando para todos à minha volta. Noto pessoas alheias ao que está acontecendo no mundo e isso aquece um pouco o meu coração, ninguém me nota aqui, fato que me proporciona mais segurança.

Levanto o meu rosto e encaminho-me para a entrada do prédio onde noto alguns rapazes conversando aleatoriamente. Eles estão vestidos com um casaco de moletom da MIT* com a palavra monitor estampada nas costas. Aproximo-me de um deles, que me informa que o meu dormitório fica no prédio ao lado da universidade. Encaminho-me para lá e, depois de rodar feito uma "barata tonta", encontro enfim o bendito quarto.

Respiro fundo e bato na porta antes de rodar a maçaneta para o lado a fim de entrar, mas noto que está trancada.

Ah, que ótimo! Tudo o que eu precisava.

Dou mais algumas batidinhas e nada. Pego minha bolsa e tateio o fundo dela com a ponta dos dedos, procurando o molho de chaves. Ao encontrá-lo, encaixo a chave na fechadura, porém, fico confusa quando vejo-a se abrir involuntariamente. Arregalo os olhos ao ser puxada para dentro do quarto com força por um par de mãos quentes e dedos ásperos, observando a porta ser fechada logo atrás de mim severamente.

Está um pouco escuro, o que me deixa trêmula, e sinto uma pessoa aproximar-se de mim de forma tão invasiva, que consigo sentir seus cabelos fazerem cócegas em meu pescoço. Noto-a aspirar levemente em torno do meu pescoço e deduzo que está sentindo o aroma do meu perfume. Tateio-o com as pontas dos dedos, sentindo receio até de me mexer e arregalo os olhos ao sentir seu peitoral nu.

Mas o que...?

- Uau, que cheiro bom de morango e... não sei... quem sabe isso seja... chantilly? - Uma voz grave soa em meu ouvido, fato que me deixa envergonhada. Ainda bem que está escuro, pois sinto o meu rosto tão vermelho quanto um tomate.

Realmente estou usando um creme hidratante de morango com chantilly. Aliás, uso essa fragrância desde que me entendo por gente.

- C-com l-licença! - Tento me afastar e, assim que consigo focar em algo, um par de olhos verdes surgem na minha frente e nos entreolhamos automaticamente.

- Alex, para de graça e acenda logo essa luz - ouço a voz suave de uma garota, que parece vir do fundo do quarto, escuto também algumas risadas aleatórias.

Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?

Sinto movimentos involuntários no meu corpo, indicando o quanto estou tremendo, quando vejo-o aproximar-se de mim novamente, porém, antes mesmo dele tentar mais alguma gracinha, aperto minha bolsa em minha mão e desfiro-a várias vezes no cara abusado a minha frente.

- Sai de perto de mim, seu tarado! - berro a plenos pulmões.

- Hey, calma, maluca! - Ele aproxima-se novamente, mas não lhe dou chance, pois volto a acertá-lo com minha bolsa mantendo-o longe. - Eu estou tentando acender a luz, moranguinho... - A última palavra sai tão baixa que penso ter sido a única a escutá-la.

- Ah, é? E agora sou obrigada a acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa? - grito, ainda, armada. - Chega perto de mim para você ver! - Aponto-lhe minha arma: minha bolsa.

- Hey, calma aí, amiga! - Outra silhueta aparece, de repente, e passa na minha frente enquanto noto a criatura indesejável, que me segurava com tanta devoção, afastar-se de mim. Observo a pequena silhueta apertar o interruptor ao meu lado e a luz, enfim, acender.

Assim que o quarto clareia, noto vários olhares direcionados a mim.

- Surpresa! - Todos gritam sorridentes e eu sinto vontade de enterrar minha cara em algum buraco. Como eu gostaria de ser um avestruz nesse momento! Aperto mais a bolsa nas mãos - caso algum deles passe dos limites -, e, assim que faço menção de sair, vejo uma moça entrar em meu campo de visão. Seus cabelos ondulados são negros, assim como seus lindos olhos e pele.

- Hey, não precisa se chatear, ok! Foi uma brincadeira do Alex. - Ao escutá-la, meus olhos de águia vasculham o quarto todo em busca do babaca abusado, porém, paro ao ver dois caras praticamente deitados numa das duas camas existentes no quarto e outro rapaz sentado no colo de uma garota de lindos cabelos ruivos e olhos negros intensos. Ela me olha de cima a baixo e franze o cenho como se estivesse me avaliando.

O garoto que está sentado no colo dela me olha também e vejo que é o único que está sem camisa, o que indica que foi ele o responsável pela brincadeirinha de mal gosto. Respiro fundo e noto seus olhos curiosos me analisarem dos pés à cabeça.

- Bom, sou a Megan... - a garota a minha frente, dona dos belos cabelos negros e ondulados, me estende a mão -, sua colega de quarto. Você é a Alyssa, certo?

- Sim. - Fujo do olhar predador do garoto e estendo a minha mão a fim de cumprimentá-la. - Alyssa Jones, prazer. - digo meio receosa. Não poderia imaginar que as pessoas da faculdade seriam tão imaturas quanto na escola.

- Bom, Aly, posso te chamar assim? - assinto. - Então, vou fazer as apresentações: a única menina sentada na minha cama é Justine. O Alex, o grande palhacinho do grupo, é o que está sentado no colo dela, e aqueles são Owen e Jasper.

Palhaço! Um ótimo adjetivo para ele. Aff!

Os garotos acenam para mim enquanto Justine e Alex continuam me observando, e reviro os olhos quando vejo que estão fazendo caretas de desdém. Owen tem cabelos cortados em estilo militar, ele é bem mais magro do que Alex, que possui músculos demais para o meu gosto, enquanto Jasper possui cabelos despojados e escuros e um corpo bem mais definido, porém, coberto por tatuagens.

- Hum... - Prefiro não dar muito assunto a eles e mudo o rumo da conversa: - Se aquela é sua cama, então, presumo que a outra seja a minha.

- Sim, fique à vontade, já estávamos de saída! - Megan comenta e assinto, com a cabeça, mais aliviada. Como se Megan tivesse dado o veredito, os rapazes levantam-se da cama e se encaminham até a porta, fato que me faz notar um par de olhos, cor de esmeralda, se prenderem aos meus ao desfilar na minha frente. Sustento o olhar de Alex e franzo a testa ao vê-lo piscar para mim.

Olhando mais de perto, percebo seus cabelos loiros levemente despojados e seus olhos semicerrados.

- Até qualquer dia desses, moranguinho... - zomba enquanto desfila na minha frente.

Observo a menina de cabelos ruivos - Justine, senão me engano -, enlaçar os dedos com os dele e guiá-lo para fora.

Sem nem ao menos perceber, consigo soltar o ar que não fazia ideia que estava prendendo e encaminho-me para o lado do quarto que sei que pertence a mim.

++++

As aulas começarão na segunda-feira e, por ser sábado, terei o final de semana livre pela frente. O nosso quarto é bem equipado para um simples dormitório. Temos frigobar, micro-ondas, duas cômodas - não muito grandes -, e uma pequena janela que dá para a entrada do prédio. Daqui de cima, consigo enxergar alguns estudantes sentados na grama verde conforme conversam aleatoriamente e aproveitam o sol que parece trabalhar arduamente para manter seus corpos quentes.

Quero aproveitar este fim de semana para colocar minhas séries favoritas em dia e assistir alguns clássicos. Tais como: Clube dos Cinco, Orgulho e Preconceito, Os Goonies.... Preferi chegar dias antes do início das aulas para me habituar tanto com o dormitório quanto com minha colega de quarto, porém, não vejo-a desde ontem depois da minha entrada triunfal e cheia de brincadeiras maldosas.

Depois de deixar o restante das minhas coisas no quarto, decido procurar algum lugar para comer aqui por perto. Ainda é cedo, e tenho o dia inteiro pela frente. Envio uma mensagem de texto para minha mãe avisando que estou bem e noto algumas ligações que meu celular, automaticamente, rejeitou dele.

Fecho os olhos, e começo a sentir o velho bolo aparecer magicamente em minha garganta ao surgir na minha mente um par de safiras. Eles estão focados em minha direção junto com o sorriso complacente e cabelos escuros bem penteados para o lado. Balanço a cabeça para os lados e decido sair do dormitório rapidamente.

Encontro o refeitório onde um conjunto de pessoas estão comendo e conversando como se já se conhecem há décadas, fato que me faz perceber que sou a única novata existente neste local. Encaminho-me para a fila do "restaurante" e sou empurrada displicentemente por estudantes famintos até chegar a minha vez de pedir. O purê de batatas e o molho de carne não me chamam a atenção por sua textura um tanto grudenta e com cara de "vômito", por isso, peço uma caixinha de leite e uma torta de maçã "que parece recém saída do forno" e paro para escolher um sanduíche entre tantos hambúrgueres e saladas de folhas verdes com molho de queijo.

- Tem geleia com pasta de amendoim? - Eu e uma garota, que possui a mesma estatura que a minha, perguntamos ao mesmo tempo. Nos entreolhamos e observo o sorriso em seu rosto se alargar.

- Só tem um. - A senhora, que está atrás do balcão, diz sem olhar para nenhum ponto em especial e seu rosto sem expressão é apenas um lembrete que precisamos decidir o mais rápido essa questão.

- Tudo bem, pode ficar, eu gosto de queijo também. - A garota ao meu lado fala e eu olho dentro dos seus olhos esverdeados. Sem me dar conta, acabo sorrindo também.

- Não, tranquilo, pode ficar se quiser!

- Querem discutir depois e pegar essa droga logo, a fila está aumentando! - A mulher reclama, fazendo-me pegar o sanduíche enquanto a menina, que possui cabelos castanhos, pega o de queijo.

- Quer dividir? - pergunto-lhe e ela assente.

- Prazer, Emma. - Emma estende a mão e nos cumprimentamos.

- O prazer é meu, eu sou a Alyssa, mas pode me chamar de Aly. - ela sorri e aponto uma direção no refeitório para nos sentarmos. Assim que o faço, sinto o meu sorriso morrer aos poucos depois de perceber que escolhi justamente o lugar onde Megan está sentada com sua turma.

Ao nos ver, minha amiga de quarto nos chama, fazendo-me olhar para Emma e pergunto-me mentalmente se ela gostaria de se juntar a eles. Observo que seu cenho se fecha, porém, noto-a dar de ombros.

- Você já está conhecida entre "os caras"? - Ela levanta uma das sobrancelhas parecendo não acreditar que aquilo seria possível.

- Quem são "os caras"? - Faço aspas com os dedos.

- Alex e seu grupinho. Eles são veteranos e mandam na porra toda! Fazem as melhores festas, e ele pega quem quiser, na hora que quiser. Dizem que ele está querendo chegar no patamar do irmão, que foi uma lenda aqui.

Nos sentamos perto de Megan, que sorri para nós duas. Justine me olha de cima a baixo, parecendo analisar meu jeans largo e meu moletom cinza. Encaro meus all stars encardidos e balanço para frente para trás enquanto coloco as mãos para dentro do bolso da calça.

- Nossa, pensei que não fossem vir! E aí Emma, como vai? - Megan pergunta e Emma a cumprimenta.

- Hey, Aly, está gatinha com esses jeans! - Owen solta fazendo os outros gargalharem debochados.

- Me sinto bem e confortável, obrigada! Nada de fora, e muito menos nada que me faça sentir frio ou me apertando! - rebato enquanto Owen joga os braços para cima em sinal de rendição e ao mesmo tempo em que Alex me avalia com o olhar.

- Ah, eu adoro tudo apertado! Ainda mais com o Alex me apertando gostoso. - Justine solta e se agarra no pescoço dele roubando-lhe um beijo nos lábios.

- Uau! - Os garotos dizem em relação ao beijo que eles protagonizam.

Um beijo cheio de dedos exploradores que deixa até constrangido quem está assistindo, porém, o momento se quebra assim que meu celular começa a tocar. Encaro-o por alguns segundos, que mais parecem horas, e o número de telefone desconhecido é apenas um lembrete de quem está detrás desta ligação. Todos me encaram, até que Megan quebra o silêncio:

- Não vai atender? - olho-a atônita e logo atrás dela vejo Alex me observar com curiosidade. Olho para o aparelho, atendendo-o por fim.

- Er.... Aly, não desliga, ok. - A voz, que já ouvi diversas vezes, volta a me atormentar. - Me perdoa, por favor. Eu não sei mais o que fazer para você me perdoar, eu te amo, loirinha. Juro que estou arrependido. Você tem que acreditar em mim. Me perdoa! - Ele grita em meu ouvido parecendo desesperado. Respiro fundo, engolindo em seco e sinto os meus olhos marejados. Um bolo se forma, mais uma vez, na minha garganta impedindo-me até de respirar. Puxo o ar tentando de alguma forma aliviar a dor que estou sentindo no peito.

- Por favor, me deixa em paz. Não volte a me procurar, eu não quero ter nada a ver com você, ok! Só me esquece! - falo pausadamente e desligo o telefone.

Megan sorri sem graça e Emma me olha atordoada. Justine começa uma conversa com os meninos e Alex continua me observando. O telefone volta a tocar várias vezes, e todos presenciam o momento em que desligo-o, enfim.

- Nossa, garota, isso que eu chamo de insistência! - Megan fala e me faz sorrir, sem graça. - Bom, sai dessa deprê, porque hoje tem festinha na fraternidade onde Alex e Owen moram. Vocês precisam ir.

Ela fala animada e eu olho para Emma, que me encara desconfiada.

- Eu não sei...

- Como não? Acho que depois dessa, você precisa de coragem, beber umas cervejas e mandar esse babaca a merda! - Megan fala e Emma acaba concordando com ela.

- Eu nunca bebi! - Todos olham na minha direção, e isso inclui Emma.

- Isso está na cara, né! - Alex fala, fazendo todos gargalharem. Encaro-o cética, e ele me desafia de volta.

Babaca! O que é uma pena, porque ele parece até um anjo com esse rosto delicado e sardas angelicais.

Um anjo com nuances diabólicas...

- Ah, qual é loirinha, está com medo de ser desvirginada?! - Justine debocha.

- Acho que ela tem medo do bicho papão! Se é que me entendem... - Alex fala e eu semicerro os olhos sentindo o meu sangue ferver.

- Na verdade, eu não me surpreendo com mais nada. Não brinco com fogo justamente para não me queimar... se é que você me entende! - desafio de volta, soltando um sorrisinho amarelo, ouvindo as risadas de Owen, Jasper, Megan e Emma se misturarem.

- Nunca diga nunca, moranguinho. Sempre há uma primeira vez para tudo! - ele fala tomando um gole do seu suco enquanto me esquadrinha com seu olhar penetrante e rosto angelical.

Uma verdadeira tentação.

Mas eu já passei por isso uma vez e não me admito passar novamente. Desvio o meu olhar e deixo escapar um sorrisinho irônico. O que pode dar errado em uma simples festa de fraternidade? Acho que para virar essa página na minha vida, eu preciso me enturmar, e se festas de fraternidades servirem para isso, por que não? Só fico chateada por não poder assistir o senhor Darcy dando uma de badboy enquanto Elizabeth tentava dar uma de descolada numa época diferente da nossa. E mais chateada ainda por não poder assistir o Bocão gritando com o Sloth no filme "Os Goonies".

Fato que me faz lembrar dele, mais uma vez. Adorávamos passar a tarde assistindo filmes antigos e comendo pipoca amanteigada juntos.

- Tudo bem, você quer ir, Emma? - A menina me olha de volta sorrindo e confirma. - Então nós vamos. A que horas começa? - pergunta à Megan.

- Às onze. Podemos ir no seu carro! - Megan responde e assinto. - Então, fechou! - grita animada.

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