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UM AMOR ARDENTE

UM AMOR ARDENTE

Autor: Anilma Xavier
Gênero: Bilionários
Rodolfo Vasconcelos é um bilionário de 55 anos, dono de uma rede de hotéis de luxo e um dos homens mais poderosos e influentes do país. Viúvo, reservado e de personalidade dominadora, ele viveu anos fechado em si mesmo - até que conhece Cassandra Fonseca, uma jovem de 22 anos, linda, independente, astuta e que sabe muito bem o que quer: prazer, luxo e segurança. Apesar da diferença de idade, os dois iniciam uma relação intensa e apaixonada, marcada por um desejo avassalador e um amor possessivo - especialmente por parte de Rodolfo, que é ciumento e não hesita em mostrar a todos que Cassandra é sua. Mas nem todos aceitam essa união. Luciana Vasconcelos, filha de Rodolfo, vê em Cassandra uma intrusa que tomou o lugar que acredita ser de sua mãe e que, segundo ela, só está interessada na fortuna do pai. Ao lado de Laura, uma mulher que sempre amou Rodolfo e sonha conquistá-lo, Luciana começa a tramar para afastar Cassandra da vida da família.
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Capítulo 1 O Entardecer e a Tigresa

O sol começava a se pôr sobre a capital, tingindo o céu de tons dourados, alaranjados e um violeta suave que se espalhava ao longe. O trânsito ainda fluía devagar pelas avenidas principais, os prédios de vidro e aço brilhavam sob os últimos raios de luz, e a cidade parecia respirar uma mistura de agitação diária e a chegada tranquila da noite. Em frente à entrada mais luxuosa do centro comercial da cidade, as luzes se acendiam pouco a pouco, convidando os visitantes para um universo de elegância e requinte.

E foi por ali que Cassandra Fonseca surgiu.

Ela caminhava com uma leveza que parecia não tocar o chão, mas com um brilho nos olhos que prendia todos os olhares. Tinha os cabelos castanhos-claros, soltos em ondas que desciam até os ombros, e aqueles olhos - azuis como as águas mais profundas e calmas do oceano - que pareciam guardar um mundo inteiro dentro deles. Era uma beleza rara, daquelas que fazem as pessoas pararem por um instante, sem querer ser indelicadas, mas incapazes de não admirar. Usava um vestido fluido de cor creme, que valorizava seus traços sem exageros, sandálias brancas de salto delicado e um colar simples, mas de valor incalculável, que brilhava suavemente em seu pescoço.

Ao seu lado, dois seguranças bem postos carregavam não uma, mas várias sacolas de lojas de grife - caixas elegantes com logotipos famosos, fitas de cetim e embalagens que custavam mais do que muitas pessoas ganhavam em meses. Cassandra parecia leve, satisfeita, com um sorriso nos lábios que misturava alegria e uma certa malícia doce. Ela não escondia que gostava das coisas boas da vida; não via motivo para fingir. E enquanto as pessoas olhavam, algumas com admiração, outras com julgamento, ela apenas ajustava os óculos escuros e seguia em frente, com a certeza de que era amada, cuidada e feliz.

A quilômetros dali, no último andar de um dos mais altos edifícios da cidade, Rodolfo Vasconcelos estava sentado em sua poltrona de couro escuro, atrás de uma ampla mesa de madeira nobre. Sua sala era imponente: janelas do chão ao teto com vista para toda a capital, prateleiras com livros e peças de arte, e um ar de autoridade que acompanhava o homem por onde quer que fosse. Aos cinquenta e cinco anos, ele mantinha a postura ereta, os cabelos escuros com poucos fios grisalhos nas têmporas, o rosto com linhas marcadas que contavam uma vida de trabalho, decisões difíceis e um luto que ele acreditava que jamais deixaria para trás - até conhecer Cassandra.

Em sua mão, o celular vibrou levemente. Ele olhou para a tela, leu a notificação e, de repente, um sorriso verdadeiro, amplo e espontâneo se formou em seus lábios. Um sorriso que poucas pessoas tinham o privilégio de ver.

- O que você está vendo de tão engraçado que está rindo desse jeito? - perguntou Vítor Ferreira, que estava sentado na poltrona em frente à mesa, observando o amigo com uma expressão divertida e curiosa.

Rodolfo não desviou o olhar do celular, mas seu sorriso se tornou ainda mais terno.

- A minha tigresa está bastante irritada comigo. Dá para ver pela notificação do cartão - respondeu ele com a voz suave, mas cheia de carinho. - Ela foi fazer compras porque eu não pude ir buscá-la hoje, e agora está gastando como se quisesse me dar uma lição. Coitada. Não faz ideia de que cada centavo gasto só me faz amá-la mais.

Vítor balançou a cabeça, soltando um riso leve.

- Rodolfo, sinceramente, às vezes eu acho que você é um homem louco. Cara, você sempre foi um homem frio, reservado e distante com todos. Durante anos, eu vi você comandando esse império sem deixar ninguém perceber o que sentia. E só bastou você conhecer uma menina mais nova e começar a namorar para estar assim, todo bobo, todo apaixonado. Nunca na minha vida imaginei que você seria o tipo de homem que mima a namorada assim.

Rodolfo finalmente largou o celular sobre a mesa e olhou para o amigo, com um brilho de satisfação nos olhos.

- Todo mimo que eu possa dar para Cassandra é ainda pouco, Vítor. A minha namorada é simplesmente extraordinária. Ela é jovem, sim. E tem um jeito dela, independente, desaforado às vezes, mas autêntica. Ela não finge ser o que não é. Se ela gosta de gastar o meu dinheiro, eu não me importo nem um pouco. Até mesmo porque duvido muito que ela tenha a capacidade de me deixar falido - disse ele, com um sorriso confiante e doce ao mesmo tempo. - Além disso... essa juventude, essa alegria dela... fazem eu me sentir vivo de novo. Como se eu tivesse esquecido como era sorrir e ser feliz, e ela chegou para me lembrar. Que mal há nisso?

Vítor suspirou, mas havia um tom de aprovação em seu olhar. Ele conhecia Rodolfo havia muitos anos e sabia que aquele amor, embora incomum para muitos, fazia bem ao amigo. Mesmo que nem todos compartilhassem dessa visão.

- O mal é que nem todo mundo vê assim, Rodolfo. E você sabe disso melhor do que ninguém - disse Vítor, suavizando a voz. - Adrian não aceita essa relação. E Luciana... bom, ela faz questão de deixar claro o que pensa em cada oportunidade que tem.

Rodolfo assentiu lentamente, o sorriso desaparecendo um pouco, mas sem se abalar.

- Eles precisam entender que não é a vida deles. É a minha. E eu não vou abrir mão de Cassandra por causa da opinião de ninguém - afirmou ele, com firmeza, aquela mesma determinação que o havia transformado em um dos homens mais poderosos do país. - Ela me faz bem. E isso é o que importa.

Ele pegou o celular novamente, digitou uma mensagem rápida para a namorada, e sorriu de novo. Lá fora, a noite já havia tomado conta da cidade, e em algum lugar entre aquelas luzes, Cassandra segurava o próprio celular, lendo a mensagem dele, com um sorriso teimoso nos lábios e um coração que sabia que, apesar de tudo, tinha encontrado um lugar onde era amada - mesmo que o preço para estar ali fosse mais alto do que qualquer etiqueta de preço das sacolas que carregava.

O bairro era um dos mais exclusivos e tranquilos da capital, ruas arborizadas, prédios baixos e elegantes, sem o barulho excesso do centro, onde cada residência respirava sofisticação e discrição. A cobertura ficava no último andar de um edifício moderno de apenas oito andares, com fachada de pedra clara e vidros escuros que refletiam o céu noturno. Era um presente que Rodolfo havia dado a Cassandra meses antes: espaçosa, luminosa, projetada com bom gosto e conforto em cada detalhe, mas sem ostentação exagerada - apenas requinte silencioso. Duas suítes, ampla sala de estar com piso de madeira clara, cozinha planejada em tons brancos e dourados, e uma imensa varanda envidraçada com vista panorâmica de toda a cidade. Uma empregada discreta e educada cuidava do espaço e estava sempre à disposição, sem invadir a privacidade da jovem.

Ao entrar, Rodolfo foi recebido pela mulher que trabalhava ali. Ela fez uma pequena reverência e sorriu com respeito.

- Boa noite, senhor Rodolfo. A senhorita Cassandra está no quarto, descansando um pouco - informou ela em voz baixa.

- Obrigado, Marta - respondeu ele, com um aceno suave, e seguiu pelo corredor amplo e iluminado até a suíte principal.

Quando abriu a porta, não foi recebido por um ambiente comum. A suíte de Cassandra era como um mundo à parte, extraordinário e diferente de tudo que se poderia imaginar. As paredes eram revestidas em tom de marfim suave, com detalhes em tecido de seda cor de champanhe que brilhava suavemente sob a luz indireta. O teto era abobadado, com um lustre delicado de cristais que não ofuscava, apenas aquecia o ambiente. Mas o que mais impressionava era a grande parede inteira de vidro que dava para uma varanda privada, emoldurada por cortinas leves de linho branco, e diante dela uma banheira redonda de mármore branco, com vista para as luzes da cidade lá embaixo. O quarto não tinha apenas uma cama: havia uma área de leitura com poltronas de veludo cor de vinho, uma penteadeira com espelhos iluminados e tampo de vidro, e a cama - imensa, baixa, coberta por lençóis de algodão egípcio da mais alta qualidade, em tons que mudavam do branco ao dourado conforme a luz caía. No centro do quarto, um tapete espesso de lã branca convidava ao silêncio e ao descanso. Tudo ali respirava leveza, beleza e uma paz que parecia exclusiva dela.

Mal ele fechou a porta atrás de si, uma figura se moveu na penumbra e, antes que ele pudesse dar um passo à frente, duas mãos envolveram seu pescoço e ele foi puxado para dentro. Cassandra saltou sobre ele, envolvendo sua cintura com as pernas, e seus lábios colaram-se aos dele com urgência, com uma saudade que não cabia em palavras. Ele não hesitou: segurou-a firme pelas coxas e pela cintura, puxando-a ainda mais contra si, e correspondeu ao beijo com toda a paixão que havia reprimido durante todo o dia. Seus lábios se moviam com intensidade, famintos, como se estivessem tentando compensar cada hora afastados.

Quando finalmente se separaram, ambos respiravam ofegantes. A testa dela encostou-se à dele, os olhos azuis brilhando na penumbra.

- Você não merece esses beijos... - sussurrou ela, a voz trêmula mas cheia de ternura sob o fingimento de raiva - ... mas eu senti tanto a sua falta.

Rodolfo sorriu, um sorriso que só ela conseguia arrancar dele. Sem afastá-la de si, caminhou lentamente até a cama, deitou-se com ela ainda em seus braços, e não parou de beijá-la - na bochecha, no queixo, na têmpora, voltando sempre aos lábios dela, com calma, mas sem perder a intensidade.

- Minha tigresa ainda está zangada comigo? - perguntou ele, a voz rouca e suave ao mesmo tempo. Sua mão deslizou devagar pelo pescoço dela, descendo com delicadeza, percorrendo a curva suave até encontrar o início do colo dos seios.

Ao sentir o toque dele, Cassandra arqueou o corpo para trás, entregando-se inteiramente àquele contato, oferecendo-lhe livre acesso, os olhos fechados e os lábios entreabertos.

- Sim... estou sim... - sussurrou ela, toda manhosa, com um sorriso brincando nos lábios - ... então é melhor você me recompensar bem.

Rodolfo sorriu contra a pele dela. Beijou-a mais uma vez, profundamente, com calma deliberada, despindo-se devagar, sem pressa, mantendo os olhos fixos nos dela. E quando finalmente se uniram, foi com uma intensidade que os tomou por inteiro - ele, firme e dominante, mostrando toda a sua força e o quanto ela era dele; ela, entregue e sensível, soltando um gemido abafado contra seu ombro, sentindo-se protegida e amada naquele abraço que era ao mesmo tempo suave e poderoso. Ali, naquela suíte que era um universo só deles, não existiam críticas, não existiam filhos desaprovadores, não existia o mundo exterior. Existiam apenas ele, ela, e a certeza de que pertenciam um ao outro.

Capítulo 2 Amanhecer entre Nós

A luz do sol ainda era suave, dourada e difusa, filtrando-se pelas cortinas leves de linho branco daquela suíte extraordinária. O quarto estava em silêncio, apenas interrompido pela respiração calma e ritmada que preenchia o espaço. O amanhecer chegava devagar, pintando o céu de tons perolados e rosa pálido, como se o mundo inteiro ainda estivesse despertando com delicadeza.

Rodolfo abriu os olhos primeiro. Ficou imóvel por um instante, apenas admirando a cena diante de si: Cassandra dormia serenamente aninhada contra seu peito, nua em seus braços, sua pele macia aquecida pelo contato dele, os cabelos espalhados sobre o travesseiro como fios de ouro, e aqueles olhos azuis fechados, descansados e tranquilos. Ela parecia uma obra de arte, algo precioso e raro que ele havia tido a sorte de encontrar. Ele sentiu o coração se encher de uma ternura que jamais imaginara ser capaz de sentir.

Com extremo cuidado, aproximou os lábios e beijou-lhe a têmpora, depois a bochecha, descendo devagar até o pescoço, provocando-a com carinhos leves e insistentes, até que ela começou a se mexer levemente, despertando.

- Tigresa... acorda. Vamos tomar banho juntos - sussurrou ele, beijando-lhe os ombros nus.

Ela abriu os olhos devagar, ainda pesados de sono, olhou para ele com um ar sonolento e manhoso, e virou o corpo de costas para ele, enroscando-se nos lençóis como se fosse se esconder.

- Não quero... Você sabe que odeio acordar cedo - murmurou ela, a voz abafada contra o travesseiro.

Rodolfo sorriu, deslizando a mão sobre a curva do quadril dela, subindo lentamente pela cintura, com um toque que fazia arrepiar a pele.

- Se você não acordar agora, juro que irei entrar em você... e não vou parar, mesmo que você implore - sussurrou ele, a voz rouca e grave bem ao ouvido dela, enquanto seus dedos traçavam caminhos que faziam seu corpo reagir antes mesmo que sua mente decidisse.

Cassandra soltou um suspiro entre resignação e diversão, virando o rosto para ele com um sorriso preguiçoso e provocador.

- Rodolfo, você é um homem muito, muito tarado... Você acabou comigo a noite toda - queixou-se ela, toda manhosa, mas sem afastar-se nem um centímetro.

Ele riu alto, um riso quente e satisfeito, e a puxou de encontro ao seu peito, envolvendo-a completamente em seus braços.

- Eu te avisei - sussurrou ele contra a orelha dela, mordiscando-a com suavidade mas com intenção clara.

Ela soltou um gemido baixinho, involuntário, e nesse instante ele a penetrou devagar, fazendo-a arquear as costas e soltar um gemido abafado contra seu ombro.

- Rodolfo... seu cachorro no cio... - sussurrou ela, a voz abafada mas com um brilho de desejo nos olhos, enquanto ele aprofundava o movimento, forte e preenchendo-a por inteiro.

- Me chame de amor - pediu ele, parando por um instante, olhando nos olhos dela com um brilho de pura luxúria e intensidade.

- Amor... - sussurrou ela, e ele balançou a cabeça levemente, sem se mover ainda, esperando. - Amor... mais forte... amor - disse ela, com a voz mais sedutora, mais firme, chamando-o por aquilo que ele era para ela.

Foi o suficiente para ele perder qualquer resquício de contenção. O movimento tornou-se mais intenso, mais rápido, mais possessivo - cada toque, cada impulso dizendo claramente: você é minha.

- Porra... caralho, tigresa... você sabe exatamente como me deixar louco - rosnou ele, perdido naquele momento.

Cassandra soltou um gemido longo e agudo, afundando as unhas nas costas dele, deixando ali marcas vermelhas, arranhões que o fizeram gemer alto, misturando prazer e uma intensidade que os consumia. Ele aprofundou o beijo, suas línguas se encontrando e se entrelaçando ofegantes, cada respiração curta, cada toque queimando a pele. O mundo lá fora deixou de existir; só restavam os dois, num ritmo que os levou juntos, crescente e inevitável, até finalmente chegarem ao ápice, gozando juntos, ofegantes, corações batendo descompassados, colados um ao outro, exaustos e profundamente conectados.

Minutos depois, quando a respiração voltou a se acalmar, Rodolfo a envolveu nos braços e levantou-se com ela nos braços, como se ela não pesasse nada. Ela apoiou a cabeça em seu ombro, ainda sentindo o eco daquele momento em cada nervo do corpo.

Ele caminhou até o banheiro da suíte, onde a banheira redonda de mármore branco já estava pronta, com água morna e um leve vapor subindo dela, perfumada com óleos suaves que encheram o ar com um aroma suave e acolhedor.

- Vamos continuar na banheira - propôs ele, com um sorriso que prometia muito mais do que apenas limpeza, beijando-lhe a testa com carinho.

Cassandra sorriu, correspondendo ao beijo, e envolveu sua cintura com as pernas, descendo lentamente para dentro da água junto com ele, sabendo que aquele amanhecer estava longe de terminar.

Depois de mais um momento só deles, entre beijos e carinhos na água morna da banheira, Cassandra saiu primeiro e foi até seu closet - um cômodo tão grande que parecia uma loja inteira de grife, inteiramente dela. As paredes eram revestidas de madeira clara com portas de vidro iluminadas por dentro, mostrando cada peça com elegância. No centro, um amplo balcão de mármore branco exibia joias em suportes de veludo escuro: colares com pérolas naturais e diamantes brilhantes, pulseiras de ouro branco, brincos que captavam a luz com um brilho suave e anéis de pedras preciosas de todos os tons, cada um em seu próprio espaço, como tesouros cuidadosamente guardados.

De um lado, fileiras e mais fileiras de sapatos: sapatilhas delicadas, scarpins de salto alto em verniz e couro, sandálias com detalhes em strass e fivelas de ouro, todos organizados por cor e estilo, em prateleiras que iam do chão ao teto. Do outro lado, bolsas de todas as formas e tamanhos: modelos clássicos em couro legítimo, outras mais chamativas com pedrarias e bordados, pequenas bolsas de festa e malas de viagem de marca famosa, alinhadas com perfeição. E no fundo, cabideiros recheados de vestidos: seda, algodão egípcio, renda francesa, tecidos leves e fluidos ao lado de peças estruturadas e sofisticadas - cada um deles escolhido para fazer Cassandra se sentir linda, única e confiante. O chão era de um carpete macio que afagava os pés, e um espelho inteiro, com moldura simples e elegante, cobria uma das paredes, refletindo tudo com clareza. Era um espaço que respirava luxo, mas também cuidado - um mundo inteiro feito só para ela.

Rodolfo apareceu na porta alguns minutos depois, já vestido com uma calça social e uma camisa branca de algodão de alta qualidade, os botões fechados com precisão. Ele se aproximou e a abraçou por trás, pousando os lábios na curva delicada do pescoço dela.

- Vamos tomar café da manhã juntos? Depois preciso ir para a empresa, tenho algumas reuniões importantes hoje - sussurrou ele, com a voz suave contra sua pele.

Cassandra sorriu para o espelho e pegou um vestido leve, de tecido macio com um estampado floral suave, cores claras e alegres que combinavam com a luz da manhã que entrava pela janela. Virou-se para ele, estendendo a peça.

- Me veste - pediu ela, simplesmente, com um brilho brincalhão nos olhos azuis.

Rodolfo soltou uma risada baixa e calorosa. Pegou o vestido com cuidado, ajudou-a a vestir, passando as mãos com calma pelo corpo dela ao acomodar o tecido sobre os ombros, na cintura, deixando seus toques serem sentidos mesmo através do tecido. Depois escolheu um colar delicado com uma pequena safira azul que brilhava perfeitamente no pescoço dela, e ajoelhou-se para calçar-lhe os sapatos - um par de sapatilhas brancas com um pequeno laço. Ao se levantar, não a soltou: simplesmente a pegou nos braços como se ela não pesasse absolutamente nada.

- Assim vamos mais rápido - disse ele, diante do olhar divertido dela.

Ele a levou até a sala de jantar, onde a mesa já estava posta com louça branca de porcelana fina, copos de vidro cristalino e uma variedade de frutas frescas, pães quentes, sucos naturais, café recém-passado e geleias em potes de vidro. Marta e a outra empregada estavam organizando os últimos detalhes e cumprimentaram os dois com um sorriso respeitoso. Já não se surpreendiam em ver Rodolfo carregando Cassandra nos braços ao invés de deixá-la andar - era assim que ele gostava de estar perto dela, e para eles, aquilo era simplesmente natural.

Rodolfo a sentou com cuidado em uma das cadeiras, mas permaneceu de pé ao seu lado por um instante, virando-se para Marta com uma expressão séria, embora não ríspida.

- Marta, por favor, reforce a alimentação da senhorita Cassandra. Garanta que ela esteja comendo bem durante o dia - pediu ele, com firmeza.

- A minha alimentação está ótima, Rodolfo - protestou Cassandra, com um tom entre divertido e resignado, mas ele simplesmente ignorou seu comentário e continuou olhando para Marta, esperando a confirmação.

- Pode deixar, senhor Rodolfo, vou cuidar pessoalmente disso - garantiu Marta com um aceno discreto e se afastou um pouco, deixando os dois a sós na mesa.

Rodolfo finalmente sentou-se ao lado dela, apoiou o queixo na mão e a observou com um sorriso terno e atento.

- Percebi que está mais magra - disse ele, avaliando-a com aquela atenção que só ele parecia ter.

Cassandra revirou os olhos, mas sorriu, pegando uma fatia de melão.

- Amor, você é exagerado. Aliás, sabe que vou viajar daqui a uma semana? Semana de Moda em Milão - lembrou ela, olhando-o com cuidado, sabendo exatamente qual seria a reação dele.

Rodolfo franziu a testa imediatamente, o semblante mudando de doce para uma pontinha de possessividade evidente.

- Cassandra Fonseca, você sabe muito bem que odeio quando você quer viajar sozinha - disse ele, a voz mais baixa, com aquele tom de quem não gosta nem um pouco da ideia.

- Só que não vou viajar sozinha - corrigiu ela, suave mas firme. - Vou estar com minha amiga Yasmin, você conhece ela. E além disso... seus homens vão estar de olho em mim vinte e quatro horas por dia, não vão? - lembrou ela com um sorriso doce, sabendo que ele jamais a deixaria desacompanhada sem proteção. Afinal, ela era sua namorada, e ele era um dos homens mais poderosos e conhecidos do país. Segurança nunca era demais, para alívio dele e para o desconforto ocasional dela.

Rodolfo suspirou, estendeu a mão e entrelaçou seus dedos nos dela sobre a mesa, apertando com carinho mas também com firmeza, como se estivesse marcando seu território mesmo ali, entre pães e frutas, na tranquilidade daquela manhã.

- Vinte e quatro horas - repetiu ele, olhando fundo nos olhos azuis dela. - E se precisar de qualquer coisa... qualquer coisa mesmo... eu estou a um telefonema de distância. Não importa a hora, não importa o lugar. Você me entende?

- Perfeitamente, meu amor - sussurrou ela, levando a mão dele aos lábios e beijando-lhe os dedos um por um, sabendo que aquela viagem seria um teste para ambos - para ela, de independência; para ele, de confiança e de aprender a soltar as rédeas, nem que fosse por alguns dias.

Mas nenhum dos dois sabia ainda que, enquanto eles tomavam café tranquilamente naquela cobertura ensolarada, outras pessoas já falavam sobre aquela viagem - e sobre ela - em salas muito diferentes dali.

Capítulo 3 O Encontro no Restaurante

O sol já estava alto quando Rodolfo Vasconcelos entrou no saguão principal da sede do Grupo Vasconcelos. O prédio, um arranha-céu de vidro e aço no coração financeiro da capital, era um símbolo de poder e solidez. Assim que ele passou pelas portas automáticas, a recepção inteira se movimentou com respeito discreto. Os seguranças postados nas laterais endireitaram a postura imediatamente, acenando com a cabeça em sinal de reverência que ele retribuiu com um aceno suave, mas sem parar.

Ele caminhava com passos firmes e decididos, terno perfeitamente ajustado, a presença imponente que fazia todos saberem: o patriarca havia chegado.

No andar executivo, duas secretárias estavam de prontidão em suas mesas amplas, organizando agendas e documentos. Ao vê-lo, ambas se levantaram educadamente.

- Bom dia, senhor Rodolfo - disseram em uníssono.

- Bom dia - respondeu ele, breve mas cortês, sem reduzir o ritmo.

- Pai... - chamou uma voz feminina, suave mas cheia de expectativa.

Ele parou no meio do caminho, virando-se lentamente. Luciana vinha ao seu encontro, vestida com elegância profissional, os cabelos bem arrumados, o olhar brilhante. Ela parou diante dele com um sorriso confiante.

- Já finalizamos a campanha de promoção para a rede de hotéis - informou ela, com orgulho na voz, assumindo seu papel de Diretora de Publicidade com naturalidade.

Rodolfo assentiu, avaliando-a com aprovação.

- Ótimo. Mande para minha secretária. Vou dar uma olhada e vejo se será aprovada ou não - disse ele, e já ia seguindo em direção ao elevador exclusivo que ficava no fundo do corredor, com acesso direto apenas ao seu escritório na cobertura.

- Pai... - chamou ela de novo, um pouco mais alto, indo atrás dele. Ele parou virado de lado, uma mão já sobre o painel do elevador. - Será que podemos jantar juntos hoje? Só nós dois?

Ele hesitou por um instante, e a resposta saiu mais curta do que pretendia:

- Eu já tenho um compromisso hoje.

O sorriso de Luciana esmaeceu um pouco.

- Será que o senhor não pode nem jantar com sua própria filha uma vez ou outra? Sempre tem que estar grudado naquela... - ela cortou a frase de repente, mordendo o lábio inferior. Sabia muito bem que seu pai não tolerava que falassem mal de Cassandra. O silêncio pesou por um segundo.

Rodolfo suspirou, fechando os olhos brevemente, e quando os abriu, havia resignação mas também um claro aborrecimento em seu semblante.

- Está bem. Podemos ir jantar - disse ele.

- Obrigada, pai! - respondeu ela, radiante novamente, ignorando completamente o tom de cansaço na voz dele. - Até mais tarde então!

Ele apenas acenou e entrou no elevador. As portas se fecharam e ele fechou os olhos por um instante, apoiando a cabeça no revestimento de madeira escura. Sentia que estava sendo puxado para dois lados, e não gostava daquela sensação.

Enquanto isso, já no seu escritório amplo e moderno, Luciana digitava rapidamente no celular, com um sorriso satisfeito nos lábios:

Consegui! Ele vai jantar comigo hoje. Vai ser perfeito, Laura. Você tem que estar lá. Aquela garota não tem a menor ideia do que significa estar ao lado de um homem como meu pai. Vocês pertencem ao mesmo mundo - classe, tradição, família. Ela? Não passa de uma menina sem raízes que só quer gastar o dinheiro dele. Uma oportunista, e ele vai acabar vendo isso. Eu vou fazer ele ver.

No escritório da cobertura, imerso em silêncio e com vista para toda a cidade, Rodolfo mal havia se acomodado em sua poltrona quando o telefone tocou. Ele sorriu ao ver o nome na tela: Adrian - Filho.

- Alô, filho! Quais são as novidades da construtora lá fora? - perguntou ele, atendendo com entusiasmo. A voz do outro lado era firme, controlada, inconfundivelmente seu filho mais velho.

- Tudo correndo conforme o planejado, pai. Fechamos mais dois contratos importantes na Europa. A filial está sólida e lucrativa - respondeu Adrian, direto ao ponto, sem floreios. Era assim que sempre haviam sido: negócios primeiro, depois tudo o mais.

- Excelente. Sempre soube que podia confiar em você - elogiou Rodolfo, com genuína satisfação. - Você fez um trabalho extraordinário lá.

- Obrigado. Mas tenho notícias: estarei de volta ao país em três semanas - anunciou Adrian.

Rodolfo sorriu de verdade, recostando-se confortavelmente na cadeira.

- Finalmente você vai estar de volta. Não vejo a hora de deixar todo esse peso nos seus ombros. Pretendo passar a presidência do Grupo para você em breve, assim você assume tudo de uma vez - revelou ele, algo que já vinha planejando há tempos.

- Estou pronto - foi a resposta simples e confiante de Adrian. - E... pai? Espero que quando eu estivermos frente a frente, possamos conversar sobre algumas mudanças. A empresa precisa de uma direção mais firme, mais moderna em alguns aspectos. Mas isso discutimos pessoalmente.

- Combinado. Estou esperando por você - disse Rodolfo.

A conversa seguiu por mais quinze minutos: números, projeções, estratégias de expansão, contratos futuros. Tudo profissional, preciso, eficiente. Adrian sabia sobre o relacionamento do pai - não era segredo para ninguém -, e embora não aprovasse, não mencionou Cassandra uma única vez. Para ele, aquilo era um desvio temporário, um capricho passageiro de um homem solitário. E quando voltasse, as coisas voltariam aos seus devidos lugares. Ele garantiria isso.

Quando a ligação terminou, Rodolfo ficou olhando pela janela, os olhos perdidos nas luzes da cidade lá embaixo. Três semanas. Em três semanas Adrian estaria de volta, e tudo mudaria. Ele sabia disso. Mas o que ele ainda não imaginava era que a presença do filho mais velho não significaria apenas uma nova fase nos negócios - mas também o início de um turbilhão que ninguém ali estava preparado para enfrentar.

O restaurante escolhido por Luciana era um dos mais exclusivos e sofisticados da cidade, escondido em uma rua arborizada e tranquila do bairro nobre. A fachada era discreta, em pedra clara com pouca iluminação externa, e ao entrar, o ambiente envolvia os visitantes em uma atmosfera de elegância acolhedora: paredes revestidas de madeira escura polida, luzes suaves em tons dourados que vinham de arandelas de latão, mesas cobertas com toalhas brancas impecáveis e arranjos simples de flores frescas em cada canto. O piso era de madeira escura brilhante, e o silêncio era interrompido apenas por uma suave música clássica ao fundo e o som discreto de taças sendo manuseadas. Era um lugar tradicional, frequentado pela alta sociedade, onde discrição e requinte caminhavam lado a lado.

Rodolfo chegou pontualmente. Estava vestido com um terno de linho italiano cor azul-marinho, cortado sob medida, que realçava sua postura imponente e elegante. A camisa branca por baixo era de algodão de fio longo, com os dois primeiros botões abertos, dando um ar refinado sem ser excessivamente formal. No pulso esquerdo, um relógio clássico de ouro branco com mostrador em tom de pérola - uma peça herdada de seu pai - e nos dedos, apenas uma aliança simples de ouro, que ele ainda usava por respeito à esposa falecida. Os sapatos de couro marinho eram polidos até brilharem suavemente, e seu perfume, uma fragrância amadeirada e sofisticada, deixava um rastro sutil e inesquecível por onde passava. Aos cinquenta e cinco anos, ele comandava todos os olhares com sua presença serena e poderosa.

Ao vê-lo se aproximar da mesa, Luciana sorriu abertamente e se levantou.

- Pai, você está muito bonito e elegante, como sempre - elogiou ela, com genuína admiração.

Rodolfo sorriu, um sorriso educado e afetuoso, e puxou a cadeira para ela se sentar, fazendo-o com a cortina de um verdadeiro cavalheiro.

- Você também está muito bonita, minha filha - respondeu ele, tomando seu lugar à sua frente.

O garçom aproximou-se logo em seguida, trazendo os cardápios encadernados em couro marinho. Rodolfo nem precisou ler o seu; conhecia o local tão bem quanto os próprios gostos de sua filha.

- Para mim, um filé mignon ao molho de vinho tinto, com purê de batata com trufas e legumes salteados - pediu ele com tranquilidade. - E para a senhorita, salmão grelhado com ervas finas, acompanhado de arroz de amêndoas e salada verde com molho de limão siciliano. Ela não gosta de molhos muito encorpados e prefere peixes às carnes vermelhas - explicou ao garçom, olhando para Luciana com um brilho carinhoso nos olhos. - E uma garrafa de água mineral com gás e um suco de laranja natural para ela, por favor.

- Perfeito, senhor Vasconcelos. Em instante os pedidos chegam - disse o garçom, recolhendo os cardápios.

Naquele momento, uma voz suave e bem-posicionada soou ao lado da mesa:

- Que coincidência encontrar vocês aqui.

Rodolfo levantou o olhar. Laura Valente estava ali, com um sorriso doce e educado nos lábios. Tinha trinta e cinco anos, postura elegante e porte de quem nasceu em um berço de ouro. Era uma mulher bonita: traços suaves, cabelos castanhos bem cuidados que caiam em ondas leves até os ombros, olhos castanhos claros e um jeito sereno que inspirava confiança. Usava um vestido midi de tom bege-claro, de tecido fluido e corte clássico, com brincos pequenos de pérolas e sapatos de salto baixo e elegantes. Era, sem dúvida, uma mulher atraente e refinada - mas não havia como negar: faltava-lhe aquele brilho magnético, aquela intensidade rara que Cassandra possuía. A beleza de Laura era agradável e segura, mas não extraordinária; não prendia o fôlego da mesma forma arrebatadora. Ela era exatamente o que a sociedade esperava: correta, discreta, bem-educada.

- Como tem passado, Laura? - perguntou Rodolfo, levantando-se com cortesia para cumprimentá-la com um leve aperto de mão, tratando-a com a mesma gentileza que usaria com uma velha amiga da família.

- Muito bem, obrigada - respondeu ela, retribuindo o sorriso.

- Laura, você está sozinha? Se quiser, pode se juntar a nós - convidou Luciana, lançando um olhar rápido e quase imperceptível para Laura, antes de virar o rosto para o pai. Rodolfo não dissera nada, mas percebeu de imediato: aquela coincidência não era coincidência nenhuma. Era um arranjo cuidadosamente planejado. Ele suspirou internamente, mas manteve a compostura.

- Tem certeza? Não vou atrapalhar? - perguntou Laura, com uma pontinha de timidez fingida, olhando diretamente para Rodolfo.

- Para mim está tudo bem - disse ele, direto e honesto, sem muito entusiasmo mas sem ser rudo. - Sente-se, por favor.

Ele pegou o cardápio que o garçom havia deixado e entregou a ela. Laura pediu uma salada de folhas nobres com queijo de cabra e um copo de água sem gás.

Quando os pratos chegaram, os três conversaram com tranquilidade: trabalho, eventos sociais, projetos da família. Luciana falou animadamente sobre a nova campanha publicitária, Laura fez observações inteligentes e elogiosas, e Rodolfo participou da conversa com educação, embora sua mente estivesse em outro lugar - em uma certa jovem de olhos azuis que provavelmente estaria reclamando de ter que esperar ele chegar em casa.

Foi quando ele levantou a cabeça para pegar seu copo de água que o mundo pareceu parar por um instante.

Ali, na entrada do restaurante, acabara de entrar Cassandra.

Ela estava deslumbrante: um vestido justo de alças finas, cor azul-marinho que fazia seus olhos brilharem ainda mais intensos, cabelos soltos e brilhantes, e um brinco longo de safira que captava a luz a cada movimento. Ao seu lado, Yasmin, sua melhor amiga, também vestida com elegância, mas era Cassandra quem atraía todos os olhares - exceto os de Rodolfo, que já estavam nela desde o segundo em que ela pisara no salão.

Cassandra o viu imediatamente. E então, seus olhos percorreram a mesa e pararam em Laura, que sorria para algo que Luciana havia dito, sentada ao lado de Rodolfo. O sorriso de Cassandra desapareceu por completo. Seus olhos azuis escureceram como o mar antes de uma tempestade, e seus lábios se apertaram em uma linha firme.

- Cachorro desgraçado... - sussurrou ela, tão baixo que apenas Yasmin conseguiu ouvir, com uma raiva contida que fazia tremer a ponta de seus dedos.

Sem hesitar, ela passou direto pelo corredor principal, ignorando os olhares dos outros clientes, e foi até uma mesa reservada e mais afastada, próxima à janela mas ainda assim com uma visão perfeita da mesa onde Rodolfo estava. Ela se sentou de costas para eles, mas com o pescoço levemente virado - de modo que podia ver tudo, cada gesto, cada sorriso, cada vez que Laura se inclinava um pouco mais perto dele do que deveria.

Rodolfo não comeu mais uma garfada sequer. Ele sabia que ela estava ali. Sentia o olhar queimando em suas costas, intenso e furioso. E ao mesmo tempo que queria rir daquela possessividade deliciosa, sabia que aquela noite estava longe de ter terminado tranquilamente.

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