Nina remexeu na cama, e alguma coisa estava estranha, sua cama estava mais dura, e parecia desconfortável, havia um barulhos de algo como um monitor cardíaco fazendo barulho, ela já tinha ouvido aquele barulho nos filme sua mãe e sua irmã deviam está pregando uma peça nela outra vez.
A última vez que fizeram isso Liene havia colocado uma boneca na beirada de sua cama, por que sabia que ela tinha medo, quando acordou levou um baita susto, estava até com medo de abrir os olhos, mas se Liene tivesse aprontado alguma com ela, dessa vez haveria vinga.
Então foi abrindo o olho bem devagar, e quando pode ver tudo a sua volta ficou muda de choque, ela realmente estava em um quarto de hospital, aquilo não podia ser uma pegadinha de sua irmã caçula, aquilo estava real de mais para ser mentira, e o pior foi quando o homem alto a sua frente se levantou da cadeira em frente a cama que ela estava e foi em sua direção, ele a abraçou e parecia muito feliz em vê-la.
O problema era que Nina não fazia ideia de quem ele era ou o que aquela cena queria dizer, o homem a chamava de meu amor, ele devia ser algum louco, sera que tinha psiquiatria por ali, por que com certeza ele estava confundindo ela com outra pessoa, e o pior era se Noah entrasse ali e visse aquilo, ele ia dar um show.
Pensando nisso ela empurrou o homem, que a olhou com um olhar de ressentimento.
- Quem e você? E o que eu estou fazendo aqui?
- Meu amor você deve está tendo alguma reação pós coma, vou chamar o médico.
AMOR??? que porra era aquela, afinal de contas quem estava doente era ele, em uma onda de pânico começou a arrancar o acesso de seu braço e já ia se levantar, mas aquele monitor começou a apitar e suas vistas ficaram escura, começou a respirar com dificuldade.
Então o desconhecido entrou havia pânico nos olhos dele quando ele veio para perto de mim, meu braço começou a sangrar onde antes estava um soro, e eu respirava com muita dificuldade, ele não me abriu dessa vez, mas ficou alí, pedindo para eu me acalmar, o que não estava funcionando naquele momento.
O médico entrou em seguida, Nina estava sendo examinada, para ela dizer meu nome a data o ano e a última lembrança que tinha.
- meu nome e Nina e hoje e vinte e nove de abril de dois mil e dezenove.
Ao perceber o choque nos olhos do homem ela não prosseguiu, mas o médico disse para que continuasse, então ela fechou os olhos e relatou sua última lembrança.
- Antes de me deitar eu fui no cinema com meu namorado Noah, depois entrei conversei com a minha mãe, e com a minha irmã Liene.
- Bem, Nina nós vamos, te levar para fazermos alguns exames.
- Não quero ir a lugar nem um, quero minha mãe, cadê minha família? Por que não estão aqui, e quem e esse homem ai
Nina já estava em prantos, alguma coisa estava muito errada ali, suas mãos estava diferente de quando se deitou, vendo seu reflexo na janela viu que seu cabelo grande, e ala sempre usava cabelos curtos, o pânico voltou a dominar suas emoções.
- Por favor Nina você tem que se acalmar, vou te explicar tudo.
O homem olhou para o médico meio que pedindo sua permissão pra falar, o médico fez um sinal afirmativo com a cabeça, e o homem se aproximou, na verdade ele estava próximo de mais .
- Nina...
Ele estava emocionado, e havia lágrimas nos olhos dele, eu não queria ouvir, só queria minha família ali, ele viu meu pânico e recuou, e me disse apenas para se acalmar porque ele ia chamar minha irmã.
Eu fechei meus olhos, talvez se eu voltasse a dormir as coisas voltaria ao normal.
Ouvi quando eles deixaram o quarto, e eu chorei, por que não sabia se queria saber o que estava acontecendo, em alguns minutos a porta voltou a se abri, e lá estava o homem.
- Nina, eu vou te contar o que houve, mas você tem que prometer que não vai entrar em pânico.
- Eu já estou em pânico.
- Que bom que você não perdeu seu senso de humor, nos sofremos um acidente e perdeu a memória, nos estamos no ano de dois mil e vinte quatro, hoje e dia vinte e um de março, você estava a dois meses em coma.
- E quem e você?
- Me chamo Rafael...sou seu marido.
- Não isso não pode ser, eu...
- Eu sei Nina que isso e muito confuso para você agora, mas não fica desesperada vai ser pior
Ele tirou um celular do bolso e pois em minhas mãos, minhas mãos tremiam, eu não queria olhar, mas acabei olhando, na proteção de tela estava uma foto minha, ao lado dele, e nos estávamos sorrindo e até estávamos com blusas combinando, azul marinho, minha cor favorita, olhei novamente para ele, e ele estava triste.
Fiquei triste também, não havia uma única lembrança dele, na minha mente, aquilo era frustrante.
- cadê a minha mãe?
O médico chegou, e parecia haver alívio no rosto de Rafael, fomos para a sala de exames, entrei naquela túnel horrível e sufocante, enquanto Rafael e o médico ficaram do outro lado do vidro.
Rafael sempre foi apaixonado por Nina desde o primeiro momento em que a conheceu, ela era alegre divertido e muito inteligente e ele amava isso nela.
Ele se lembra do momento em que se conheceram, foi em uma cafeteria perto do lugar onde ele trabalha, Nina começou a trabalhar em uma editora ali perto, sua mulher era apaixonada por fotos, e era uma fotógrafa maravilhosa.
Um dia em um fim de expediente de trabalho eles se encontram na fila do café, quatro minutos de conversa, e ele já estava encantado pelo sorriso dela, nunca tinha sido um homem de se apaixonar fácil, mas aquela mulher realmente era incrível.
Depois que pegaram seus cafés, ele não quis esperara o destino fazer sua mágica, ele foi até ela e pediu seu número, ficou surpreso e feliz quando ela o deu " Me chamo Rafael a propósito" meu sorriso para ela provavelmente era de um idiota, sem muito repertório de conquista, mas no fim funcionou, por que tempos depois ela me disse" foi o seu sorriso que me conquistou, você fica devastadoramente sexy com esse sorriso, e você só pode sorrir desse jeito para mim", nos dois éramos éramos muito felizes até um mês antes do acidente.
Agora Nina me olhava como se eu fosse um desconhecido, como se o nosso amor tivesse existido só para mim, meu coração deu um pulo no peito, minha mulher me apagou de suas lembranças, e para machucar ainda mais, a última data que ela se lembra era um dia antes de ter ficado noiva do ex namorado.
Talvez ela só quisesse se lembrar dos eventos que não trouxeram dor para ela, e eu estava entre esses eventos.
Quando ela abriu os olhos eu fiquei tão feliz, dois meses ela estava naquele coma, horas depois do acidente a cabeça dela estava tão inchada, seu rosto deformada e machucado, uma lembrança que eu assim como ela queria esquecer na parte de trás da cabeça dela ainda a uma parte rasparam onde estão os pontos que ela levou nove para ser exato, com aquela quantidade de cabeça que ela tem não vai ficar exposto, mas eu sei que aquela marca vai ser para sempre, tanto nela quanto em mim.
Fui em direção a ela queria seu abraço queria que ela disse que estava tudo bem, mas ela agiu como se eu fosse agredi-la, e o pior foi perceber que ela simplesmente não me conhecia.
Olhando agora sua cabeça através de vários monitores a minha frente, eu também queria ver onde estava as lembranças do nosso amor, eu queria apertar o botão que para deletar as lembranças dela com aquele filho da puta do ex dela, e deixar ali só a nossa história, queria que tivesse sido o contrário, queria que ela se lembrasse só de mim, mas nao foi o que aconteceu, ela havia me apagado de sua memória.
O médico estava olhando atentamente as imagens, para mim aquilo era só borrões difusas, uma bola amarelada com cores aleatórias a sua volta, mas aquilo era mais que isso, era o registro de uma sentença, minha mulher estava com amninesia dissociativa, seu cérebro havia aproveitado a pancada para apagar eventos traumáticos .
Puta que pariu, eu era um evento traumático.
Doeu.
Aquile episódio podia durar uma hora, oito horas ou simplesmente anos.
Mas tudo bem, se a memória dela não se lembrava de mim, eu iria fazer ela se apaixonar por mim de novo , nosso amor era mais forte do que aquela pancada na cabeça dela, afinal de contas quem foi capaz de amar uma fez e capaz de amar de novo.
Uma coisa era certa, eu não iria abri mão da minha mulher nem do amor que vivemos, eu simplesmente não conseguia imaginar uma vida sem ela, nos nossos planos, nos dois teríamos no mínimo dois filhos, e nos iríamos viajar, fazer coisas divertidas, ela iria fotografar vários países, cidades, e eu iria construir nossa casa, como já estava acontecendo, do jeito que sonhamos, por que queríamos sempre ter para onde voltar, nosso lar, "nosso ninho de amor" como ela batizou nossa casa.
Como abrir mão de tudo isso? Não, eu não iria, não posso e não vou, ela vai me amar de novo.
Quando retornei a "meu quarto", ele estava cheio, havia flores ursos, e caixas que pareciam ser de chocolate, e um comitê de boas vindas, composto por pessoas que eu não sabia quem eram, mas pareciam muito felizes em me ver, um casal de meia idade que eu pensava ser os pais de Rafael, isso por causa da semelhança física, um casal mais jovem que também pareciam ser da família dele, pois a mulher era a versão dele feminina, parecia que todos da quela família eram bonitos, o que me fez pensar em como eu estava agora entre eles.
Mas eu avistei minha família, um território seguro naquele momento, lá estavam Liene minha irmã caçula, Barbara minha irmã mais velha com sua filha Amanda, minha amada sobrinha, minhas tias Marta e Dora também estavam lá, mas minha mãe não estava, isso era tão estranho, minha mãe e uma mãe tipo " mãe coruja" será que ela tinha ficado tão emocionada com minha volta que possou mal?
- cadê a minha mãe?
Ninguém me respondeu nada, mas as lágrimas mudaram de rota, e os rostos ficaram mais tristes, e minha sobrinha Amanda começou a chorar, dessa vez não era de felicidade, era tristeza, então eu chorei também, por que aquilo não era nada feliz, eu queria minha mãe naquele momento louco, para me dizer que nada daquilo era importante, o que importante era eu está viva...Viva minha mãe...
Olhei desesperada para Liene, ela chorou e balançou a cabeça de forma triste e veio até a cadeira de rodas onde eu estava, foi uma dor muito cortante, meu peito rasgou ao meio, eu desejei ter morrido nesse maldito acidente, mas será que tinha sido isso? Minha mãe morreu nesse acidente que eu estava? Até aquele momento eu só sabia isso, tinha sido um acidente, será que eu matei minha mãe?.
- Minha mãe morreu no acidente? Eu matei ela Liene?
Eu perguntei mais não queria a reposta, não queria viver com aquele peso, como algum vive com a morte de sua mãe nas costas, seria por isso que minha cabeça deletou todos aqueles anos? Meu cérebro criou uma fuga.
- Claro que não Nina, a mamãe morreu a dois anos atrás, ela foi diagnosticada com câncer de mamã, e foi uma morte rápida e sem dor para ela, todas nós ficamos com ela, e demos a ela bons momentos, todos os dias em que ela viveu depois do diagnóstico foram de boas memórias para ela e para nós, fomos muito unidas, como sempre fomos, e ela partiu com todas a sua volta.
Choramos abraçadas como fui parar ali já não importava mais, eu sentia muito por fazer minhas irmãs reviverem aquele momento, não queria vê-las sofrendo outra vez, não daquela forma, mas para mim aquela dor era de algo recente, doeu muito, cada pedacinho de mim doeu, eu queria apagar toda minha memória naquele momento, e não só cinco anos da minha vida.
- Como foi que eu cheguei aqui, que acidente foi esse?
Minhas irmãs não respondeu, mas todas olharam para Rafael, ele também estava chorando, seus braços estavam cruzados, com uma das mãos no queixo, ele tinha um misto de sentimentos no rosto que eu não sabia dizer quais eram, mas ele disse.
- Nos dois discutimos, você ficou brava comigo, você pegou o carro, estava chovendo eu disse para você não ir...você perdeu a direção a pista estava muito molhada, você se chocou contra um caminhão, e o resto você já sabe.
- Por que nós brigamos.
- Por que todo casal briga Nina.
Aquela resposta não me convenceu, mas por hora estava bom, já tinha vivido muitas emoções naquele poucas horas do dia, emoções e dores o suficiente.
- Oi Nina eu me chamo Leda sou sua sogra e estamos muito felizes que você está com a gente outra vez.
- E eu sou o Roberto seu sogro.
O casal de meia idade se apresentou e eles pareciam realmente felizes em me vê, acho que eu tenho uma boa relação com meus sogros afinal de contas, talvez uma relação melhor do que com o meu recém descoberto marido.
- Nina eu sou a Sarah sua cunhada, e eu estou muito, muito feliz de te vêr e essa aqui no forno e sua sobrinha Lis, e ela também está feliz em ouvir sua voz novamente.
- Oi Nina bem vinda de volta eu sou o Toni seu concunhado.
Meu Deus, era muita informação, minha cabeça começou a rodar e a doer, eu queria ficar sozinha, eu precisava de espaço, mas como pedir aquilo naquele momento, se minhas tias começassem a falar aí sim eu iria ter uma enorme dor de cabeça, eu olhei para o médico pedindo socorro, e graças a Deus ele entendeu.
- Bem acho que ela já viveu grandes emoções hoje, então que tal todos vocês deixarem ela descansar um pouco?
Todos concordam, com excessão do meu pseudo marido, eu vi um por um saindo e me desejando melhoras, e no último a sai ele fechou a porta e olhou para mim, seu olhar era intenso, tinha tantas coisas que eu queria perguntar a ele, havia tantas lacunas abertas na minha cabeça, meu olhar para ele era de curiosidade, raiva por talvez ter sido ele o causador do meu infortúnio.
- Eu sei, o que está passando por esse linda cabecinha, eu sei que você quer respostas Nina, eu vou te contar tudo o que você precisa saber, eu prometo, só descansa tá.
Me peguei concordado com ele, afinal de contas o que mais eu poderia fazer?
Ele veio até a mim e me ajudou a sair da cadeira e ir para cama, dessa fez não recuei, embora tenha me sentido muito desconfortada, me deitei, ele me cobriu e foi para a poutrona que estava quando eu acordei, os olhos dele estava em mim, fechei meus olhos e fiquei ali pensando em como Noah e eu terminamos, e como eu me casei com aquele desconhecido ali na minha frente.
Tá que meu namoro com o Noah era marcado por idas e voltas, mas como foi o finitivo entre nós, se eu o visse será que todo o sentimento que eu tinha por ele voltariam? E o que será que ele estava fazendo da vida?
Me senti culpada por pensar em Noah enquanto meu marido estava ali, sentado diante de mim, como aquilo era possível, eu estava casa, eu até dirigia e até quase me matei fazendo isso, era uma loucura atrás da outra, e minha mãe, eu tinha perdido minha mãe duas vezes, meu coração viveu sua morte por duas vezes.
Minhas lágrimas viram soluços altos então Rafael veio até a mim, e me abraçou, e aquilo foi um conforto naquele momento, eu estava perdida, toda minha vida estava bagunçada e confusa, e aquele desconhecido era a única coisa sólida que existia alí, então eu o abracei como se minha vida dependesse daquele abraço, e chorei todo a minha dor.