Ximena Griffin não sabia quantas vezes havia ligado para Ramon Mitchell na última hora, mas nenhuma de suas tentativas foi frutífera. Ela tinha acabado de dar à luz o bebê deles, então como ele poderia estar agindo com tanta insensibilidade?
Ao sentir sua visão ficar embaçada, ela amassou o cobertor branco do hospital em suas mãos e mordeu o lábio inferior com tanta força e irritação que seus dentes se mancharam de sangue.
Ela podia ouvir vagamente alguém do lado de fora, exigindo que o médico mantivesse o bebê vivo. Nesse momento, ela se lembrou de que hoje Ramon se casaria com outra mulher. Ximena sabia que ele só queria ficar com o bebê, sem manter nenhuma ligação com ela. A criança já tinha até um nome e uma nova mãe para substituí-la. Que absurdo!
Lutando para conter as lágrimas e sentindo uma dor insuportável por todo o corpo, Ximena segurou o bebê nos braços com força.
De repente, a porta da sala de parto se abriu e um monte de gente invadiu o local, incluindo Melanie Griffin.
Ximena empalideceu e segurou o bebê com mais força enquanto encarava as pessoas à sua frente com raiva.
Melanie olhou para ela com desdém e disse incisivamente: "O entregue para mim, Ximena. É isso o que você deve à minha irmã. Se alguma coisa acontecer com o bebê, Ramon vai matar você."
"Mas não fiz nada para ofender Lyla!", retrucou Ximena com firmeza.
Imperturbável, Melanie zombou dizendo: "Isso não importa mais, mas se Ramon acredita que a culpa é sua, então ela é! Agora, o entregue para mim porque ele vai ajudar Lyla a entrar para a família Mitchell e a se tornar a esposa de Ramon. Isso vai ser uma grande felicidade para minha família. Quanto a você, seu destino é apodrecer na prisão por causa do que fez com ela!"
"Não tenho nada a ver com o que aconteceu com ela! Você não pode simplesmente levar meu bebê!"
Ximena se recusava a entregar a criança. Além disso, ela era inocente! Por que Ramon acreditou nessa bobagem e estava fazendo com que ela fosse punida? Isso era muito injusto! Ela carregou o bebê no ventre por nove meses e o amava de todo o coração. Ela nunca deixaria que ninguém o levasse para longe dela.
Com as mãos trêmulas, Ximena pegou o celular para ligar para Ramon. Assim como tinha acontecido, ela tentou repetidas vezes, mas sem sucesso. Por fim, o celular dele foi desligado.
Melanie zombou: "Você realmente acha que ele vai atender? Pare de sonhar porque não passa de uma ferramenta para ele. Agora que já deu à luz o bebê, você não serve para mais nada. Ele se divorciou de você porque você o fazia se sentir muito enojado, preferindo até se casar com Lyla enquanto ela ainda está em estado vegetativo a ter que ficar com você. Abra os olhos, Ximena! Ramon nunca amou você."
Ximena sentiu como se seu coração se despedaçasse quando ouviu as palavras de Melanie. Não dava para acreditar que Ramon pudesse ser tão cruel. O casamento de dois anos não significou nada para ele. Ela foi meramente um trampolim para que Lyla conseguisse se casar com um membro da família Mitchell!
De repente, uma dor aguda se espalhou pela parte inferior do abdômen de Ximena, ela gemeu de horror e choque, pois parecia que todo o seu corpo estava sendo dilacerado. O sangue escorreu por suas coxas e caiu no chão branco. Em seguida, ela começou a ter dificuldade para respirar e sentiu como se fosse desmaiar.
A enfermeira engasgou e gritou em pânico: "Ela está tendo uma hemorragia!"
Melanie observou Ximena cair lentamente no chão enquanto perguntava: "Por que vocês estão parados? Peguem o bebê! Sejam rápidos ou vão se arrepender!"
Em instantes, pegaram a criança dos braços da mãe e a levaram embora. Ximena desmaiou e caiu no chão, com o sangue se acumulando ao seu redor. Ninguém do grupo de pessoas que invadiu a sala de parto parecia se importar com isso.
Ao saber do estado da paciente, a equipe cirúrgica do hospital emitiu um termo de consentimento para operá-la às pressas, mas ninguém se dispôs a assiná-lo. Afinal de contas, todos sabiam que Ramon não amava Ximena. Tanto ela quanto o bebê não passavam de peões para ajudar Lyla Griffin, a amada mulher de Ramon, a se casar com ele.
Ninguém se importava com o bem-estar de Ximena porque Ramon havia terminado o relacionamento deles. Aliás, a morte dela seria um resultado muito melhor para essas pessoas.
Pouco depois de Ximena ter sido levada para a sala de emergência, o médico saiu e relatou com desânimo que os sinais vitais dela haviam parado. Melanie não se espantou e saiu imediatamente com o bebê.
As luzes fortes do local acentuavam a vermelhidão do sangue de Ximena no chão. O formulário de consentimento ignorado estava ali perto, manchado de sangue.
Assim que Melanie e as outras pessoas saíram, um auxiliar saiu correndo da sala de emergência e relatou ao médico: "Temos um problema, doutor! A paciente... tem mais dois bebês em seu ventre..."
Quatro anos depois daquele dia fatídico, um adorável garotinho estava sentado em silêncio em seu quarto na residência da família Griffin. O menino tinha um olhar profundo e uma expressão fria, fazendo com que ele parecesse mais maduro do que sua idade. Tudo parecia perfeito, exceto a leve marca de um tapa em sua bochecha.
De repente, alguém abriu a porta do quarto. Era Melanie, usando um vestido vermelho de alta costura e sapatos de salto agulha. A maquiagem extravagante dela não escondeu a irritação que ela sentiu ao ver que o menino ainda não estava pronto para o evento. "Os convidados já estão aqui, Neil. Coloque suas roupas agora mesmo e venha comigo."
"Não vou sair daqui", respondeu Neil Mitchell friamente.
Melanie fez uma careta e caminhou até o garoto com passos pesados de fúria. "Falei para você se vestir!"
"Não quero!" Neil a encarou com sua bochecha ainda inchada.
Ela fumegou de raiva. Então, seus olhos brilhantes avistaram o castelo de Lego que Neil havia construído e, sem hesitar, ela se aproximou para derrubá-lo com um estrondo.
Neil assistiu ao conjunto de Lego se espatifar no chão com incredulidade. Lágrimas brotaram instantaneamente de seus olhos, mas ele logo as limpou enquanto gritava: "Tia Melanie! Passei a noite inteira construindo esse castelo! Por que você o derrubou?"
Melanie ficou ainda mais irritada por ter sido chamada de tia. Isso era um lembrete constante de que ela havia conseguido tudo o que tinha só por causa de Neil. Nesse momento, ela disse, olhando para o menino com frieza: "Isso é o que você ganha por ser teimoso. Agora, se vista logo e desça comigo."
"Eu odeio você!", exclamou o menino antes de pegar as roupas formais no chão e as jogar na direção de Melanie.
Melanie imediatamente agarrou o pulso dele e o encarou nos olhos. "Preste atenção, Neil. Se não fosse por mim, você teria sido abandonado em um orfanato. Não me importo com seu ódio, mas você vai ter que aguentar até o final da festa e esperar todos os convidados irem embora. Caso contrário, é para lá que você vai!"
O menino já tinha quatro anos, mas essa foi a primeira vez que Ramon organizou uma grande festa de aniversário para ele. Para Melanie, isso era uma oportunidade preciosa de se aproximar de Ramon depois de tanto tempo. Ela nunca iria deixar esse garoto teimoso arruinar seu futuro.
"Se não quer descer, fique aqui dentro para sempre!" Melanie saiu do quarto furiosa e trancou a porta por fora.
O medo imediatamente contorceu o rosto de Neil. A última vez que ele foi preso, ficou com muito medo porque era um lugar escuro e assustador, onde só os ratos lhe faziam companhia. Foi uma situação tão traumatizante que ele desenvolveu uma fobia de ficar sozinho no escuro.
Então, o pobre menino correu em direção à porta e bateu nela com as mãozinhas, chorando e implorando: "Tia Melanie, me desculpe! Por favor, abra a porta porque não quero ficar sozinho! Estou assustado! Prometo me comportar! Tia, por favor!"
Os gritos tristes de Neil ecoaram por toda a casa e deixaram os Griffins extremamente irritados.
"Quando aquele pirralho vai parar de chorar?", perguntou Tracy Griffin, claramente impaciente. "Ele é um lixo inútil, como a mãe morta dele. Isso é muito irritante."
Melanie franziu a testa e retrucou: "Mãe, não se lembra de que Neil é filho de Lyla? O que ele teria a ver com Ximena? Aquela mulher era desprezível!"
Tracy arregalou os olhos e cobriu a boca ao perceber o erro. Ela olhou ao redor e e se sentiu aliviada ao ver que, felizmente, não havia mais ninguém ali. "Quando Ramon vai chegar para buscar você e o pirralho?"
"Ele já está a caminho, mas Neil não quer ir", respondeu Melanie.
Tracy disse com os dentes cerrados: "Bem, ele não para de chorar, então acho que você deveria levá-lo para fora do quarto e dar uma surra nele para que aprenda a se comportar."
"De jeito nenhum! Se alguém me vir espancando uma criança assim, quem sabe o que pode acontecer? Mesmo que Ramon não goste de Ximena, Neil é filho dele."
Apesar de Melanie não gostar de Neil, ela entendia que ele era o único filho de Ramon e a família dela contava com o menino para conseguir se beneficiar da família Mitchell. Se quisesse ficar com Ramon, ela precisava usar Neil como isca. Sendo assim, ela tinha que poupar o menino por enquanto. Se ele não se comportasse bem na festa de aniversário, ela teria que lidar com ele mais tarde.
Enquanto Melanie e Tracy conversavam, Neil conseguiu sair pela janela do quarto, que ficava no andar superior...
De repente, todos na casa ouviram um estrondo e se espantaram.
"Que barulho foi esse?", Melanie perguntou ansiosamente.
De repente, os seguranças do lado de fora começaram a gritar, dizendo: "Neil caiu do andar de cima!"
Melanie empalideceu. "O quê? Neil caiu lá de cima?!"
Ela saiu correndo e a primeira coisa que chamou sua atenção do lado de fora da casa foi um menino caído em uma poça de sangue. Neil tinha mesmo caído do andar superior!
"Ramon está chegando para buscá-lo! O que faço agora?!", Melanie gritou em pânico.
Nesse momento, faróis brilhantes surgiram à distância. Era o comboio da família Mitchell se aproximando da residência dos Griffins.
Todos olharam para Neil, que estava caído na poça de seu próprio sangue. Era uma situação assustadora e ninguém sabia o que fazer.
Melanie podia sentir o suor frio escorrendo de sua testa e suas mãos tremiam. Mesmo assim, ela juntou coragem para avançar e entrar na frente do comboio para pará-lo.
"Ramon, aconteceu um acidente! Neil caiu da janela do andar superior!"
Todos ficaram em pânico, e lágrimas surgiram nos olhos de Melanie enquanto ela observava a reação de Ramon.
"Não sei como isso aconteceu. Ele insistiu em se trancar no quarto, mas eu não esperava que ele fosse tão descuidado a ponto de cair da janela. Sinto muito, Ramon. Isso foi minha culpa, pois não cuidei bem dele e..."
"Onde o menino está?", perguntou Ramon, interrompendo Melanie, sem nem mesmo dar a chance de ela terminar a explicação. Seu tom de voz demonstrava pura raiva.
Com as mãos ainda trêmulas, Melanie apontou para Neil, que estava coberto de sangue e imóvel.
Quando viu aquela cena, Ramon a agarrou pelo colarinho com os olhos vermelhos e gritou: "Se alguma coisa acontecer com o garoto, você vai pagar caro!"
Ela ficou em choque e tão assustada que as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto.
Ramon ignorou a reação dela e levou Neil às pressas para o hospital. O diretor da instituição se certificou de que Ramon levasse o filho para o atendimento imediatamente. Afinal, Neil estava gravemente ferido e precisava de uma cirurgia de emergência.
Felizmente, muitos médicos estavam de plantão esta noite. Porém, por influência da família Mitchell, o diretor decidiu que uma médica renomada realizasse pessoalmente a cirurgia do menino. Essa profissional tinha sido contratada do exterior por um valor muito alto.
"Doutora Griffin, seu paciente hoje é um menino de três anos. Ele é o único filho do senhor Mitchell, então você precisa dar uma atenção muito especial a esse procedimento cirúrgico. Não importa o que aconteça, é preciso dar tudo certo", falou o diretor. "Se o menino não sobreviver, o hospital vai sofrer grandes problemas."
Ximena amarrou o cabelo com indiferença antes de olhar as imagens do raio-X. "É claro que farei o meu melhor, pois sempre tento salvar todos os pacientes, independentemente de quem sejam. Mas espere... você disse senhor Mitchell? Qual deles?"
"Ramon Mitchell, o homem mais poderoso de Fairedge. Você conhece a família Mitchell, certo?"
Ela instintivamente cerrou os punhos e, embora estivesse usando uma máscara, dava para notar uma expressão de espanto bem evidente em seu rosto. Ela não esperava se encontrar com Ramon assim que começasse a trabalhar neste hospital. O mais interessante dessa situação era entender como ele poderia ter um filho.
"Ramon tem um filho?", Ximena perguntou com um tom de surpresa.
"Sim. É um menino de três anos", respondeu o diretor. "Não acabei de passar as informações sobre a criança?"
"A ex-esposa de Ramon faleceu, então de onde veio essa criança?", perguntou Ximena, erguendo uma sobrancelha. "Se o menino fosse dela, ele já deveria ter quatro anos."
"O menino é filho de Lyla Griffin. Pouco tempo depois do falecimento da esposa, há quatro anos, Lyla recuperou a consciência. Um ano depois, ela deu à luz um filho, Neil Mitchell. O menino acabou de completar três anos."
Ximena sentiu uma dor aguda no peito e o brilho dos seus olhos desapareceu no instante em que ela ouviu que o menino era filho de Lyla. Nesse momento, ela largou a bata cirúrgica e olhou para o diretor. "Senhor, sinto muito, mas não posso realizar essa cirurgia."
Ele arregalou os olhos e falou: "Por que não? Você disse agora há pouco que daria o seu melhor! O que fez você mudar de ideia?"
"Acabei de chegar do exterior e não me sinto bem. Você pode pedir ao doutor Young para realizar a cirurgia", respondeu Ximena, tentando se acalmar. Ela poderia realizar cirurgias em qualquer pessoa, desde que não fosse alguém relacionado com Lyla, porque ela não era uma pessoa tolerante.
Em seguida, ela se virou e saiu, mas o diretor foi atrás dela.
Enquanto isso, Ramon esperava o médico ansiosamente do lado de fora da sala de cirurgia. Sua raiva atingiu o limite pela demora.
Instantes depois, ele soube que a cirurgiã chefe queria desistir de ser responsável pelo procedimento e não conseguiu mais se conter. Então, ele ordenou que os seguranças o seguissem para confrontar a médica.
Ximena estava imóvel em um corredor silencioso enquanto a tensão pairava no ar. De repente, ela sentiu o olhar frio de alguém atrás dela, apunhalando-a como se fosse uma lâmina afiada. Ela tinha a impressão de que o homem atrás dela não hesitaria em puni-la se ela fosse embora naquele momento.
Mas e daí? Quatro anos atrás, ela havia ligado várias vezes para Ramon, mas ele se recusou a falar com ela pela última vez. Agora, ele queria que ela salvasse o filho dele? Mesmo depois de tudo o que aconteceu?
Que ridículo!
O corpo de Ximena tremeu ligeiramente, pois ela fervia de raiva. Por fim, ela se virou e se deparou com o olhar feroz de Ramon. Ele ainda era exatamente o mesmo: altivo e insensível. Ela já tinha se esquecido do quanto amava esse homem. Nesse momento, tudo o que ela sentia por ele era puro ódio.
"Senhor Mitchell, não estou me sentindo bem hoje, então não posso fazer a cirurgia do seu filho. Mas não se preocupe porque o doutor Young é um cirurgião muito experiente. Vou procurá-lo agora mesmo", ela falou com frieza.
O coração de Ramon quase parou. Uma pitada de surpresa transpareceu de uma forma bem evidente em seus olhos enquanto ele caminhava lentamente em direção àquela mulher sem hesitar. Ela estava usando uma máscara que cobria quase todo o rosto. Apesar do cheiro de desinfetante flutuando no ar, dava para sentir um aroma leve e familiar vindo dela.
"E se eu insistir para que você faça a cirurgia hoje?", Ramon perguntou. "O que vai fazer?"
Nesse momento, os seguranças dele cercaram Ximena.
A respiração de Ximena ficou mais rápida, então, ela franziu a testa e cerrou os punhos, dizendo: "Não farei a cirurgia, não importa o que você diga. Pode até me matar, pois não fará diferença."
O diretor quase perdeu a paciência porque não conseguia acreditar que estava pagando um salário considerável para uma médica que ousava dizer tal coisa.
Melanie, por sua vez, jamais imaginou se deparar com alguém tão audaciosa quanto a falecida Ximena. Ela observou a médica à sua frente com uma expressão carrancuda e com os braços cruzados sobre o peito. "Quem você pensa que é, afinal de contas? Realizar uma operação no filho de Ramon é um privilégio! Desça do seu pedestal agora mesmo. Se você se atrever a colocar a condição dele em risco de qualquer maneira, passará a vida inteira pagando caro por isso."
"Se é tão privilegiado, então você mesma deveria operá-lo", respondeu Ximena prontamente.
Melanie não conseguia acreditar no que tinha ouvido, por isso agarrou a mão de Ramon e falou: "Ramon, ouviu o que ela acabou de dizer? Se alguma coisa acontecer com Neil, vai ser culpa dela."
Ximena caiu na gargalhada ao dizer: "Que ridículo! Por acaso fui eu que empurrei o menino do andar superior da casa? Como a culpa poderia ser minha?"
Melanie ficou pálida porque essas palavras tocavam em uma questão sensível em relação a essa situação. Então, ela disse às pressas: "Pare de falar bobagens porque Neil caiu de lá sozinho! Ninguém o empurrou. Você é médica ou não? Não fez o Juramento de Hipócrates? Como pode ficar aqui perdendo tempo enquanto um paciente morre dentro da sala de cirurgia? Que rancor você tem contra esse garotinho?" Nesse momento, ela se virou para o diretor do hospital e continuou: "Você não tem um sistema de triagem adequado para contratar médicos? Como essa mulher conseguiu se tornar uma médica dessa instituição? Se alguma coisa acontecer com Neil, vou processar você!"
Tremendo de medo, o diretor pediu desculpas a Melanie e Ramon repetidamente. Em seguida, ele rapidamente providenciou para que o doutor Young realizasse a cirurgia.
No entanto, quando esse médico estava prestes a entrar na sala de cirurgia, Ramon o deteve e olhou de um jeito feroz para Ximena. "É você que deve realizar essa cirurgia", ele falou em um tom baixo, mas ameaçador.
Bufando com desdém, Ximena se virou para ir embora, fazendo com que Ramon chegasse no limite. Com passos rápidos, ele ficou na frente dela e a agarrou pelo pescoço.
"Ramon Mitchell, seu cretino maldito, solte-me agora mesmo!", Ximena amaldiçoou ao agarrar a mão dele.
Um brilho de frieza surgiu nos olhos de Ramon. Havia poucas pessoas no mundo que ousariam falar com ele dessa maneira e uma delas era sua esposa morta. Ele observou a mulher lutando à sua frente e viu a fúria brilhando nos olhos dela. Nesse momento, ele fez uma pausa e se lembrou da aparência da falecida. Em sua mente, ainda era bem nítido que Ximena tinha olhos lindos e marcantes, assim como essa médica feroz diante dele agora.
Os lábios de Ramon se curvaram em um sorriso malicioso, o qual não demonstrava nenhuma alegria. "Se algo acontecer com o meu filho, você será a única responsável pela punição que este hospital vai sofrer!" Como se quisesse deixar claro seu ponto de vista, ele empurrou a médica para o chão ao soltar a garganta dela.
Caída no chão, Ximena tossiu algumas vezes, pois ainda podia sentir a pressão dolorosa em seu pescoço. Era como se fosse um aviso persistente. Então, lágrimas de ressentimento brotaram de seus olhos quando ela encarou Ramon. Usando a parede como apoio, ela, com voz rouca, disse: "Você vai se arrepender disso!"
O coração dela estava repleto de pura aversão por esse homem e, como resultado, ela também não tinha nenhum sentimento positivo pelo menino na sala de cirurgia. No entanto, assim que ela entrou lá, seu profissionalismo falou mais alto, forçando-a a neutralizar seus sentimentos pessoais. Além disso, ela não queria direcionar todo o seu ódio para uma criança inocente.
Depois de respirar fundo para se acalmar, ela olhou para o menino inconsciente na mesa de operação. Seu rostinho estava inchado e ensanguentado por causa do impacto da queda, mas, mesmo desfigurado, ele parecia estranhamente familiar.
Ximena não tinha tempo para pensar nessas coisas, pois o menino teve diversas fraturas que tinham que ser tratadas imediatamente.
Três horas depois, a operação terminou e foi um sucesso. Todos da equipe médica estavam muito animados com o resultado, exceto Ximena.
O menino era filho do poderoso Ramon, portanto não era apropriado deixá-lo coberto de manchas imundas de sangue. Sendo assim, a equipe insistiu em limpá-lo antes de tirá-lo da sala de cirurgia.
Ximena ficou responsável pelo rostinho dele. Ela pegou um algodão úmido com relutância e removeu toda a sujeira. Seus dentes estavam cerrados, mas ela nem se deu conta. Afinal, isso era reflexo do quanto ela odiava Ramon e, por extensão, Neil.
Enquanto limpava as manchas de sangue do rosto do menino, ela congelou de repente. Ela teve que se esforçar para conseguir terminar de limpar o resto do rosto pálido dele com as mãos trêmulas. Ao final, ela ficou entorpecida e totalmente descrente. Como isso poderia ser possível?
"Quem é esse garoto?", Ximena perguntou sem fôlego ao agarrar a assistente ao seu lado.
"O nome dele é Neil, filho de Ramon e herdeiro da família Mitchell", respondeu a assistente.
"Neil Mitchell... mas isso é impossível!" Ximena ficou mortalmente pálida porque esse menino na mesa de operação parecia exatamente com o filho dela! Como era possível duas crianças serem tão parecidas?
O irmão de Ximena havia dito claramente que ela estava grávida de gêmeos, Shawn Griffin e Alina Griffin. Essas duas crianças estavam sendo criadas por ela. Porém... como era possível existir um menino que se parecia com o filho dela? Se eles não fossem gêmeos, como poderiam ter uma semelhança tão impressionante?
Ximena sentiu como se não conseguisse respirar. Tudo que se lembrava era que seu primeiro filho era um menino, Shawn, e depois veio Alina. Mas será que ela deu à luz um bebê antes deles? O herdeiro da família Mitchell seria realmente seu filho? Seu irmão poderia ter mentido sobre os bebês? Mas por que ele faria isso?
Ximena olhou para o menino na mesa de operação, sabendo que ele estava gravemente ferido. Era insuportável ver o garotinho naquelas condições.
Ramon sentia muito ódio por ela, então como ele poderia tratar Neil com gentileza se o menino fosse de fato filho dela?
Ximena apertou o bisturi em sua mão com força, sentindo-se incapaz de conter a raiva em seu coração. Então, ela saiu correndo da sala de cirurgia, com os olhos vermelhos.
"Doutora, como Neil está?", Melanie gritou ao correr para bloquear o caminho de Ximena.
"Saia do meu caminho imediatamente", Ximena rosnou em voz baixa.
Nesse momento, Melanie notou o bisturi manchado de sangue e gritou, recuando de medo instantaneamente.
Ximena se virou para Ramon. Parecia que ele já não a reconhecia, já que fazia quatro anos desde a última vez que eles se encontraram.
Bem, isso não era nenhuma surpresa. Afinal, dois anos de casamento não podiam ser comparados a um único dia com Lyla. Se aquela mulher quisesse alguma coisa, mesmo que fosse o filho de Ximena, Ramon iria conseguir sem hesitação. Ele estava tratando o menino como se fosse um objeto que podia ser arrancado da própria mãe. Esse homem realmente não tinha coração!
Ximena era uma mulher esperta, então, ao olhar ao redor, ela percebeu que havia seguranças de Ramon por todos os lados e reprimiu sua indignação antes de dizer: "A cirurgia foi um sucesso, mas o menino está com febre. Se ela diminuir em 24 horas, ele estará fora de perigo. Até isso acontecer, ele ficará internado na UTI e não tem permissão de receber visitantes, nem mesmo familiares próximos!"
Em seguida, Ximena pediu para uma enfermeira levar Neil para a UTI.
O diretor acenou com a cabeça em aprovação. "Bom trabalho! Enquanto você estiver aqui, não preciso me preocupar com nada."
"Sou médica e estou apenas fazendo meu trabalho." Depois dessa resposta seca, Ximena se virou e saiu.
Os olhos penetrantes de Ramon a seguiram enquanto ela se distanciava. Por alguma razão, a maneira como a enorme bata cirúrgica modelava o corpo daquela médica o fez pensar na mulher em sua memória...
Melanie olhou na direção do olhar dele e franziu a testa. "Há algo errado com aquela médica?"
"Quem é ela?", Ramon perguntou, ainda observando a mulher fixamente.
Melanie encolheu os ombros e disse: "O diretor disse que a contratou no exterior. Por que você está olhando para ela desse jeito, Ramon? Por acaso está interessado nela? Você se esqueceu da minha irmã?"
"Já chega de falar besteira." Ramon finalmente desviou o olhar da mulher e seu rosto escureceu.
Melanie fechou a boca de imediato, sentindo-se como se tivesse levado um banho de água fria.
"É melhor você rezar para que Neil fique bem logo. Agora, saia da minha frente!", rosnou Ramon.
Melanie começou a chorar. "Ramon, não foi minha culpa! Eu juro. Você sabe que Neil é um garoto travesso e sempre eu quis o melhor para ele. Cuidei do menino com todo o meu amor durante todos esses anos. Por Lyla, dei a Neil todo o amor que pude, tratando-o como meu próprio filho, então não tem como eu desejar que algo ruim aconteça com ele."
"Você pode ir embora agora." Sem sequer olhar para ela nem dar alguma importância ao discurso dela, Ramon se afastou.
Vendo uma enfermeira no corredor, ele a abordou e perguntou: "Onde é o consultório médico?"
A enfermeira sorriu educadamente. "Senhor Mitchell, você está procurando a médica que fez a operação em seu filho?"
"Exato."
"Basta seguir em frente e virar no outro corredor. O escritório dela fica logo ali."
Ramon caminhou rapidamente em direção ao consultório médico, sem nem perceber que estava muito afobado.