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Um Amor do Passado

Um Amor do Passado

Autor:: Witchgi
Gênero: Romance
Ele, um CEO de uma rede de joalherias, ela uma designer conceituada. Ambos, vítimas de uma armação no passado que os fizeram se separar. Com a dor do divórcio e separação abrupta, ela se descobre grávida. Resolve não contar e seguir adiante. Sem o apoio da família que não concorda em ter ninguém da família divorciado, ela resolve ir embora aceitando uma proposta para se especializar, o que a faz ser mundialmente famosa. Anos depois ela retorna com seu pequeno anjo de luz ao lado chamado Henry um garotinho de cabelos com pequenos cachos e olhos claros e cristalinos. Ele, que ao ouvir uma conversa de sua mãe e tia a única que não lhe virou as costas no passado sobre seu pai, não quer ve-lo e nem conhecê-lo e resolve procurar um outro pai para ele e um bom marido para sua mãe. Só que o destino é traiçoeiro quando quer corrigir os erros causados por outras pessoas e o inevitável acontece. Será que dessa vez Rose e Peter irão se acertar e viver esse amor ou irá ser deixado no passado sem ao menos ser resgatado? Venha conferir você também e quem sabe o final e a história não te surpreenda e te resgate a viver "Um amor do passado"!

Capítulo 1 O Retorno

O som do alto falante anuncia.

- Atenção senhores passageiros, sentem-se em seus assentos, apertem os cintos que vamos pousar em instantes em Londres.

Rose suspira profundamente. Após tantos anos, ela está de volta no país. Olha para seu lado, e seu bem mais precioso está ali dormindo tranquilamente. Quem diria que há anos atrás, ela sairia da sua cidade humilhada, destruída e de coração partido grávida da pessoa que mais a fez sofrer antes de ir embora e o que mais dizia ama-la.

Seu anjinho de cabelos loiros de apenas 5 anos é o seu mundo. Seu mundo azul e em todas as cores do arco-íris. Seu anjinho Kevin.

Ele nunca soube da existência daquele menino. E por ela, nunca há de saber. O menino porém, deseja com todo coração ter um pai. Ele quer muito o seu pai verdadeiro, mas pela tristeza que vê nos olhos de sua mãe cada vez que fala com a única pessoa da família que não lhe virou as costas depois de tudo o que passou, sua tia Amélia, ele não faz a menor questão em conhecê-lo. Ele quer um novo papai. Um pai que não só o ame como filho, mas que também ame sua mãe como uma rainha.

Assim que o avião aterrissa, Rose, retira o cinto do seu pequenino e o pega no colo depois de estar pronta para sair com ele dali. Não imaginava que depois de anos estaria ali de volta. Ela suspira e sussurra no ouvido do seu lindo menino.

- Chegamos meu pequeno. Só esse trabalho mesmo para me fazer voltar para cá.

Abraçado em sua mãe, ele ajeita um pouco mais seu rostinho entre sua clavícula. O aconchego deles é tão bom.

Rose não esperava que alguém a esperava naquela hora da madrugada. Nem imaginava que iria ter o desprazer de ver novamente quem mais a magoou. Mas ela o viu. No momento em que suas mãos se tocaram ao pegarem a bagagem. Ele estava também por lá. O choque entre eles era inevitável.

Ele a olha parecendo que ela é uma assombração. Tantos anos e ela estava ainda mais linda do que ele podia lembrar. Ela parecia um anjo. Sua pele morena, cabelos pretos cacheados, olhos de jabuticaba penetrantes e o corpo com curvas jamais vistas antes. Ele balbucia as palavras ao vê-la pelo choque.

- Ro-Rose.

Ela totalmente imponente. Sentiu o amargor no coração quando o viu e lembrou de tudo o que houve anos atrás antes dela partir. Nem a família abastada dela admitiu que ela ficasse ali. Era inadmissível para a família dela ter uma divorciada. Seus anos longe, era como se ela estivesse em um exílio.

- Olá senhor Stevens.

Foi somente isso que ela falou. O coração deles estava em uma batida frenética. Eles não sabiam como agir. Mas o coração de Peter Stevens tinha um quê a mais. O amargor das lembranças do passado, com a tristeza de ser tratado com uma certa frieza por ela, o fez ficar um pouco decepcionado nesse coincidente encontro.

"Como ela está linda. E como é possível sentir isso aqui dentro", esse era o seu pensamento. Peter sorriu. Ela continuou neutra em sua carranca. Pegando sua mala, com um simples aceno de cabeça, ela sai sem nem olhar para trás.

Ao vê-la de costas partindo, ele suspira e seus olhos marejam, mas não porque ela o desprezou e saiu o cumprimentando como se fossem estranhos, mas sim porque ele a viu com aquele garotinho nos braços e sentiu seu coração despedaçar imaginando que ela já havia se casado novamente. Que se não fosse pelo que aconteceu anos atrás, aquele lindo garotinho seria deles.

O amargor e a tristeza eram sua companhia agora. Seu telefone toca. Ele atende sem a menor vontade.

- Para me ligar a essa hora, espero que seja algo bem importante Jamile. – O tom de Peter é áspero.

Mesmo que seja assim, Jamile não perde a pose ao falar com ele. Mesmo que em seu coração ela sinta uma enorme tristeza em pensar que ele jamais esquecerá de Rose, ela ainda insiste em ter aquele homem que sempre amou ao seu lado a todo custo.

- Nossa Peter, só liguei para saber se você já havia chegado em Londres e se estava tudo bem. – Sua voz sai chorosa.

Sem a menor paciência, ele fala de forma exasperada e fria.

- Se era só isso, agora sabe que cheguei. Mais tarde irei a sede e precisamos conversar.

- Tudo bem querido. Estarei na sede mais tarde. Ah, tenho algumas coisas que quero também falar a respeito do casamento.

- É sobre isso mesmo que quero falar com você. – Ele fala friamente.

Ela sorri e fica logo empolgada, mas apreensiva pois, há tantos anos ele adia o casamento deles, sempre arrastando tudo para frente como se ele esperasse por algo, ou melhor dizendo alguém.

- Não me diga que você quer adiar ainda mais Peter?

Ele revira os olhos e enfim, seus olhos brilham em uma intensidade sombria e maléfica ao observar Rose com aquele garotinho pegando um táxi.

- Não é nada disso Jamile. Quero anunciar logo nosso casamento. Mais tarde conversamos sobre isso. Até logo.

Peter não a ama. Nunca amou e nunca amará Jamile. Há anos atrás se ele não tivesse sido vítima das artimanhas dela, ele ainda estaria casado com Rose. Ele acredita fielmente que ela o traiu anos atrás. Com certeza com quem ela o traiu, que seria o pai daquele lindo garotinho que mesmo dormindo e ele tendo o olhado de relance, via o quanto ele era bonito. Parecia um anjo.

Peter Stevens, um CEO de uma empresa de joias, talentoso e muito perspicaz. Não imagina que anos atrás perdeu o grande amor da sua vida por uma armação de sua mãe que sempre cobrou de sua nora um neto e por acreditar fielmente em quem apoiou que a mesma não podia gerar filhos aliou-se com quem ele está noivo agora.

Jamile assim que encerraram a ligação, ficou radiante. Mas algo dentro dela apitava que havia algo errado. Imediatamente, ela ligou para sua mãe, aquela a quem sempre a ajudou e que também no seu passado foi capaz de destruir o casamento dos pais de Rose para ficar com o marido rico da que se dizia amiga.

- Alô filha, aconteceu algo?

- Aconteceu mãe. Finalmente serei a senhora Stevens. Peter me pediu em casamento. – Sua voz é sombria e triste.

Sua mãe logo percebe pelo seu tom de voz que há algo errado. Ela então indaga sua filha.

- O que foi Mile, porque sinto que não está bem, afinal é uma coisa boa que finalmente vão se casar depois de tudo e esse tempo todo esperando. O que te aflige afinal?

- Mãe, eu sei que ele não me ama, se não fosse o que fizemos no passado, ele jamais estaria comigo. Mas eu sinto que há algo errado.

Seu instinto feminino fala mais alto. Sua intuição aguçada lhe diz bem no fundo do seu coração que tem a ver com sua ex amiga Rose. Aquela de quem sempre teve inveja e que sempre quis tudo o que ela tinha, até mesmo seu marido Peter na época em que eram casados e uma aliada excepcional no plano que teve como ajuda a mãe do próprio de quem sempre colocou ficar.

- Mãe será que eles se viram? Será que nessa viagem eles se encontraram. Ela nunca mais voltou e nem deu notícias, então...

A mãe a interrompe irritada.

- Jamile Prescot, você não ouse ficar desse jeito por causa daquela mulherzinha de quinta. Ela está bem longe de todos nós e com tudo o que aconteceu, tenho certeza que continuará onde está.

- Mas mãe...

- Chega filha! Você sabe mais do que ninguém que Peter não queria casar e nem marcar a data antes, se ele tomou essa decisão agarre com unhas e dentes. Não pense muito nisso agora.

- Está bem mãe. – Ela suspira profundamente e resolve desligar o telefone e tentar dormir o resto da madrugada.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

À caminho do novo lar em que ela e seu filho morariam nos próximos meses até a conclusão do seu projeto que havia sido selecionado, seu celular toca no táxi. Rose, perdida em seus pensamentos nem percebe ou escuta os toques, até que o taxista a interrompe de seu devaneio, a avisando que seu aparelho está a ser chamado insistentemente.

- Senhora, seu celular.

- Ah sim, obrigada.

Ao olhar no visor brilhando o nome de sua mais que amiga Amélia, sim a quem sempre teve como irmã, quem está a ligar insistentemente, ela sorri.

- Sim. Já chegamos.

- E só agora você resolve ligar avisando mocinha. Onde está?

- No táxi a caminho do apartamento que providenciou.

- Meu pequeno anjinho como está?

- Ele está dormindo no meu colo, mas está morrendo de saudades da tia preferida dele.

Ela gargalha, e Rose não resiste ouvir a risada da amiga que ri juntamente com ela.

- Claro que sou a preferida, afinal também sou a única.

- Engraçadinha você não é. Ahhhh.

- O que foi esse suspiro. Te conheço.

- Eu o vi no aeroporto.

- Viu quem? (pausa) – Peraí, não vai me dizer que?

- Isso mesmo que está pensando. O próprio.

- Rose me conta tudo. O que você sentiu e aí ele sabe do anjinho?

- Não aconteceu nada demais. Ele realmente está lindo como sempre. Quanto ao meu amor, se depender de mim ele nunca saberá.

- Já passou muito tempo Rose, mas acho que ele por mais cachorro que seja, e ter feito o que fez, ele tem direito e principalmente o anjinho de ter o pai perto.

- Eu sei Amélia, mas não dá. Ele não merece ter essa dádiva na vida.

Amélia bufa e seu lufar de ar, mostra total descontentamento pelo egoísmo da amiga. Mas afinal, tinha uma criança que precisava dessa figura paterna, ter a presença de um pai. Não era justo com ele isso que ela fazia. Mas, não adiantava tentar convence-la que Rose jamais aceitaria mudar de opinião ou decisão, ela era muito teimosa.

- Está bem, eu te entendo. Assim que chegar no apartamento me avisa está bem?

- Tudo bem querida. Um beijo.

Assim que encerram a ligação, Rose recosta sua cabeça na janela do carro e lembra da última noite em que se viram antes dela partir.

Capítulo 2 O Passado Dói

Fechando seus olhos após um suspiro profundo, em seus pensamentos, vem toda aquela cena fatídica do dia em que descobriu da pior forma, o que é amar e odiar alguém.

Flashback Ok

Era uma grande festa, havíamos tido uma discussão e mais uma vez era sobre a sogra estar atormentando-me de lhe dar um neto. Peter estava enraivecido por ter discutido com sua mãe e consequentemente, discutido comigo por isso e também na possibilidade de engravidar uma mulher e ela ser nossa barriga de aluguel, aquilo me enojava.

Um longo vestido de paetê verde com uma fenda na coxa direita estava vestida. Modelação meu corpo como ninguém. Estava bebendo champanhe e ao longe vi, meu digníssimo marido com Jamile a tirar colo como sempre. Ele sabia o quanto aquilo me feria. Sua mãe, não se importava em demonstrar o quanto está feliz em poder mostrar a todos que era ela quem tinha apreço como nora.

Um belo homem ao meu lado no bar, sorri para mim. Eu fecho meu semblante pois não sou de dar corda assim para ninguém, principalmente porque sou casada. Ele insiste em puxar assunto.

- Dia difícil madame?

- Quem se importa não é.

Ele sorri e continua.

- Ele não parece se importar com você, afinal, se fosse minha esposa faria questão de estar ao seu lado, mas parece que ele preza mais quem está ao redor do que você.

Aquilo foi como uma facada em meu peito. Um homem que jamais vi antes viu o quanto estava sendo deixada de lado por uma discussão boba. Em um só gole tomo o champanhe e peço outro ao garçom. Não demora muito e já tomei três taças em um só gole.

Conversava animadamente com aquele homem ao meu lado e nem me dava conta de que ele estava me enredando por um plano sórdido. Nem me dei conta de que meu marido estava ali e nem tão pouco minha sogra e Jamile.

Pedi licença e fui ao banheiro e lá dentro não havia ninguém. Fiz o que precisava e retornei para onde estava e continuei conversando com aquele homem.

Meu digníssimo marido já não se encontrava no salão de festas e nem tão pouco a que se dizia minha amiga Jamile. Continuei a conversa e nem havia percebido que tinha uma nova taça de champanhe em minha frente. Bebi conversando com aquele homem que se apresentou a mim como Rick.

Me senti estranha e com isso, resolvi ir embora. Procurei por meu marido, ao ouvir uma discussão, me aproximei pois, reconheci a voz de Peter e o que vejo logo ao fim do corredor, ele aos beijos com Jamile e aquilo foi um golpe fatal. Ela me olha com aquele olhar de vitoriosa enquanto o beija e sinto o chão se abrir.

Percebendo que havia algo errado, ele se vira na direção de onde estava e o choque ao me ver foi maior. Maior mesmo, foi ver que meu marido estava em choque quando me viu ali, ele tenta se aproximar e argumentar que não era nada daquilo que via, mas não conseguia ouvir nada. Minha cabeça zunia de um jeito que não conseguia ouvir o que ele falava.

Vomitei enojada do que via e girei meus calcanhares e corri em direção a saída daquele lugar. Me sentia suja, queria sair dali. Estava tonta, até que antes de apagar, fui amparada por aquele homem que antes estava conversando.

Antes de ser amparada por ele, eu ouvia ao longe os gritos do meu marido me pedindo para o esperar. Após isso, não ouvi mais nada. Estava em desespero e com isso, fiquei tonta devido a bebida não sei, mas com certeza depois saberia que era pelo meu pequeno anjinho que já estava em meu ventre.

Desperto com gritos e murros em uma porta. Em um baque alto a porta se abre e eu zona, não reconheço onde estou. Só vejo meu marido e Jamile além da minha sogra me olhando em um quarto que era de um hotel. Estava envolta em um lençol branco e com isso, estava totalmente nua. Um homem dormia ao meu lado. Peter gritava.

- Eu aqui me sentindo culpado por você pensar que havia algo entre eu e Jamile, mas agora vejo que estava enganado com você. Não passa de uma prostituta mesmo.

Tento falar algo mas não consigo. Minha cabeça dói. Nem sei como fui parar ali e nem o que aconteceu. Rick acorda com os gritos e com isso, olha furioso para Peter e o mesmo retribui o olhar, os dois trocam socos e os seguranças logo aparecem separando-os e para meu desespero maior, minha até então sogra me lança um olhar que me deixa ainda mais envergonhada. Ironicamente, minha sogra o olhar que me lança e de puro desprezo. O mesmo olhar com o qual durante três anos de casado com seu filho não havia engravidado e com isso, me desprezava por me achar infértil.

- Não vai falar nada Rose, o gato comeu sua língua afinal. Meu filho, vou sair daqui pois já vi o que precisava ver e faça o favor Rose, não se aproximar mais do meu filho, não tolero sem vergonhice na minha família e achava que era decente, mas vejo que não passa de uma rameira.

Não conseguia falar tamanho atordoamento estava em minha mente. Totalmente confusa em não saber o que estava acontecendo ali.

- Vamos Jamile, você sim é a nora ideal para ficar com meu filho.

As duas saem e logo, Rick levanta -se da cama depois de ser contido pelos seguranças e os dois se entreolhando, ele zomba do meu marido.

- Você ofende sua mulher, se acha ofendido, mas estava trepando com a amiga dela nesse tempo todo em que estavam juntos, ou vai dizer que é mentira por acaso. Só mostra que você não passa de um macho escroto.

- Olha aqui seu verme, pode ficar com essa prostituta, eu nunca me envolvi com a Jamile e nem com mulher nenhuma além dessa daí, mas sua amiga estava disposta a nos ajudar a termos um filho, já que nem para isso ela serve. Jamais teria algo com qualquer mulher se ela me desse um herdeiro.

As palavras doem em meu coração, sinto tudo dilacerar. Finalmente consigo me pronunciar.

- Posso ser uma prostituta e ser até infértil, mas não preciso usar desculpas para sair comendo quem quer que seja. Você que é somente um infiel. Se fiz isso que você está dizendo, saiba que chumbo trocado não dói, mas chifre quando aperta na cabeça de um homem é pior que reconhecer o próprio erro.

- Vagabunda é isso que você é. Não quero te ver mais. Só nos veremos para assinar o divórcio.

Girando os calcanhares, ele olha para Rick antes de sair e ambos mais uma vez trocam socos, pois Peter não deixaria barato o que havia acontecido ali.

Lágrimas rolam por meu rosto, os seguranças do hotel apartam a briga. Eu nem forças tenho para levantar e tentar fazer o que eles fizeram em segundos. Assim que tudo se acalma, olho incrédula para Rick que vai ao banheiro e em seguida retorna vestido e conversa comigo me falando que não havia acontecido nada e que eu havia vomitado no vestido e com isso, uma camareira havia me despido.

Mais tarde depois de tudo o que aconteceu, me divorciei de Peter, ele assumiu relacionamento com Jamile e eu, descobri estar grávida dele. Mas por medo de ser ofendida e também por orgulho ferido, não falei nada. Também com o divórcio oficializado, recebi uma proposta para me especializar na área do meu trabalho e aceitei de imediato já que minha família nunca me apoiou e com isso, fui praticamente expulsa de Londres.

A única que me estendeu a mão foi minha irmã mais velha que é minha amiga e tia do meu filho. A única que sabe de tudo o que descobri do plano sórdido da minha ex sogra com a minha querida ex amiga Jamile e sua mãe, já que um tempo depois, encontrei com o tal Rick que me contou todo o plano delas, o que me deixou ainda mais enojada mas decepcionada por Peter ter se deixado levar por tudo aquilo. Fora que descobri mais tarde que ela estava grávida, e só restava saber se realmente era dele.

Flashback Off

Rose é interrompida das suas lembranças, quando o motorista a chama avisando que chegaram ao destino solicitado. Ela paga pela corrida, ele a ajuda com as malas e ela com seu filho em seu colo adormecido, eles seguem até o apartamento em que sua irmã comprou para ela.

O Passado dói, mas a dor maior de todas para ela é justamente o fato de seu filho não ter uma figura paterna na sua vida. Mas se falasse, com certeza poderia até ter perdido seu filho e assim, não conviver com seu pequeno anjo.

Ao adentrar no apartamento, tudo estava limpo e organizado. Ela colocou seu filho no seu quarto decorado no tema de motos e carros como ele sempre gostou. Foi para seu quarto e finalmente tomou um banho relaxante e ao deitar em sua imensa cama, ela fitou o teto pensando em como tudo seria após seu retorno ao país.

Nessa noite, nem ela e nem Peter adormeceram. Ambos pensaram um no outro. Ele enterrado em seu escritório bebendo várias doses de uísque e ela rolando de um lado ao outro na cama.

Aos primeiros raios de sol, sua porta foi aberta, um lindo menino de olhos azuis como o pai adentra correndo e pulando em sua cama para a acordar. Mal ele imaginava, que sua mãe não havia dormido na noite passada.

Ela sorri genuinamente para seu filho que a olha curioso por ver uma cor escura abaixo dos seus olhos.

- Mamãe, o que é isso?

Apontando para seu olho com seus dedinhos miúdos, ela sorri e o responde gentilmente dando um leve aperto em seu pequeno nariz.

- É algo que adultos tem quando não consegue dormir.

- Hum, a senhora não dormiu?

- Estou bem querido. Vamos tomar café? – Ela desconversa levantando-se e estendendo seus braços para ele.

Ele abre seus bracinhos e se enlaça no corpo de Rose, ela o pega no colo e caminham até a cozinha onde lá, está uma figura que faziam anos que não se viam. Era Loren Hills a antiga governanta da mansão da sua família.

Ela estava a preparar o café da manhã de sua menina. Quando soube que ela estava de volta, logo tratou de se dedicar somente a ela não pensando duas vezes antes de abandonar aquela imensa casa e família que lhe virou as costas quando ela mais precisou, mas que não admitiam que na família houvesse uma divorciada e muito menos promíscua.

- Lolo, bom dia!

À senhora de cabelos grisalhos, quadris largos, corpo robusto, veja-se ao ouvir sua voz. As duas estavam emocionadas. Os olhos daquela senhora de um verde escuro, estava translúcido por suas lágrimas que se formavam. Ela sorriu. Ao solta e seu pequeno de seu colo, o colocando sentado na cadeira, ela caminha até sua adorável governanta que após a morte da sua mãe, foi quem teve como a própria com sua ausência e um abraço é dado após tantos anos longe uma da outra.

- Minha menina, que saudades. Está uma mulher ainda mais linda.

- Oh Lolo que saudades também minha adorada. Amélia não me disse que estaria aqui.

Elas vão em direção a mesa abraçadas e sorrindo, e os olhos de Loren vão de encontro ao garotinho sentado à mesa olhando para elas.

- Venha Lolo, conheça meu anjinho.

Ela assente.

- Lolo, esse é o Kevin. Kevin, essa é a pessoa que mamãe a tem como uma segunda mãe Loren. Lembra que falava dela?

Ele acena sua cabecinha confirmando e sorri para Loren e a mesma com uma mão em seus lábios, olha ternamente para ele.

- Olá pequeno eu sou Loren Hill, mas pode me chamar de Lolo.

- Olá vovó Lolo.

Lágrimas de felicidade escorrem pelo rosto de Lolo. Ela jamais podia esperar que um pequeno menino de cabelos loiros e olhos azuis fosse chama-las de vovó. Logo ela, que nunca havia tido filhos perdendo sua juventude se dedicando a família de Rose por anos.

Ela abraça o garotinho, se afasta voltando para a cozinha e retorna com o café da manhã deles, ao qual Rose faz questão de que ela se sente com eles. Ali conversam sobre várias coisas e após Kevin sair da mesa e ir para seu quarto assistir desenhos, as duas conversam sobre várias coisas. Coisas essas, que ele não poderia ouvir ou saber.

- Minha menina, depois de tudo o que me contou porque voltou afinal?

- Lolo, para você eu posso contar. Eu voltei pela proposta da empresa de Peter. Ele não sabe que sou eu a designer de joias famosa Lena Brooks. E voltei para me vingar de sua mãe, minha madrasta e da queridinha amiga Jamile. Vim limpar meu nome. E com isso, voltar para Nova York sem nem olhar para trás.

Loren suspira. Pousa sua mão sobre as mãos de Rose que estão sob a mesa. Dá um leve tapinha com um aperto. Ela a alerta sobre Peter e o seu filho.

- Você não pensa em Kevin e Peter se conhecerem?

- Não. Ele não merece essa dádiva.

- Minha menina, ele não teve culpa de nada dessa armação. Ele foi tão vítima quanto você. Quem é culpado nessa história são aquelas cobras. Até sua sogra foi enganada por Jamile e aquela ordinária da sua mãe. Não faça seu filho sofrer com a ausência do pai. Eu vejo em seu olhar que ainda o ama.

Ela nega com uma tristeza profunda.

- Lolo por favor. Ele por mim jamais vai saber da existência do Kevin. Ele teve a oportunidade de acreditar em mim, mas preferiu me jogar na sarjeta sem olhar para trás. Fora que por mais que o ame, o ressentimento e mágoa é maior que qualquer outro sentimento. Não consigo perdoa-lo.

Ela suspira se sentindo derrotada. Sabe bem que sua menina é muito teimosa.

- Está bem. Vamos mudar de assunto então. Porque colocou o nome da sua avó e sobrenome de solteira da sua mãe?

- Porque já tinha isso como objetivo. Voltar e limpar meu nome e retornar a minha vida de antes em Nova York. E você poderá ir conosco Lolo quando tudo acabar.

Ela suspira e sorri.

- Ah minha menina bem que queria. Mas não irei com você. Já estou velha demais. Agora, vá. Precisa se arrumar para encontrar sua irmã. Ela me pediu para te lembrar de se encontrarem naquele café que sempre iam.

Ela vai até sua Lolo dando um beijo em sua bochecha e sorri assentindo por saber que vai encontrar com sua irmã.

- Lolo vou me arrumar. Deixarei o Kevin aqui pois preciso conversar com ela seriamente sobre algumas coisas que ele não pode saber. Mas não pensa que esqueci de te convencer a ir conosco para Nova York, pois não me darei por vencida.

- Está bem querida. Sei bem como é teimosa, mas algo me diz que você não irá voltar para lá.

Ela balança sua cabeça em negação rindo e vai para o seu quarto. Loren suspira pois sabe que sua menina não irá embora dali. Ela havia voltado e com isso, seu verdadeiro lugar era o local em que ela não sairia mais.

Capítulo 3 A Vida dá voltas

Assim que ela se arruma, Lolo a olha embasbacada. Aquela moça ingênua e totalmente recatada, deu lugar a uma nova mulher. Imponente, destemida, sexy e ainda mais linda por estar empoderada e dona de si.

Vestida em um tubinho preto com detalhes de fios dourados na cintura, Rose está com um rabo de cavalo, maquiagem discreta somente realçando sua verdadeira beleza e um sapato de salto agulha da mesma cor do vestido.

- Minha menina como está linda.

- Obrigada Lolo. Bem, tenho que ir encontrar com minha irmã e não exite em me ligar caso haja algo com o Kevin.

- Não se preocupe minha querida, vá tranquila que estarei de olho e qualquer coisa eu ligo.

Rose abraça sua adorável Lolo, pega sua bolsa e vai se encontrar com sua irmã perto do seu apartamento.

Ao chegar ao café que tanto adoravam vir na juventude, sua irmã já estava a esperando numa mesa que parecia ter o nome delas gravado ali sempre que apareciam naquele café.

Sua irmã ao vê-la se aproximar abre um imenso sorriso se levantando de onde estava e caminhando na direção dela. As duas se abraçam.

- Como você está mais linda minha irmã. Realmente, a maternidade te fez muito bem. Vem, vamos sentar.

Pegando na mão da sua irmã, Amélia conduz Rose até a mesa e lá se sentam e começam a conversar. Falam sobre muitas coisas, como foi realmente esse tempo todo longe dali, cuidar do Kevin sozinha e também como foi a vida da sua irmã na sua ausência. Após fazerem os pedidos e logo estarem com os mesmos saboreando com aquele gosto de saudade e nostalgia, Amélia resolve indagar sua irmã a respeito do Peter e do pai delas.

- Rose, eu sei que esse assunto é delicado, mas quando falará para o Peter que tem um filho juntos e que ele precisa dele?

- Por mim ele nunca saberá disso. Mas de fato irei seduzir o Peter e conseguir o que preciso dele. Nada mais que isso. Depois disso, voltaremos para onde nunca devíamos ter saído.

- Irmã, me escute...

Rose a interrompe abruptamente.

- Para Amélia. Você sabe tudo o que passei, tudo o que sofri. E além do mais, o Kevin não quer saber do pai. Pelo menos não o pai biológico.

Rose faz uma careta pelo seu filho querer tanto arrumar um marido para ela. No fundo ela sabe que seu filho precisa do pai, mas diante de tudo o que aconteceu nos últimos anos, ela não sente confortável em trazê-lo para a vida deles novamente. Não quer ver seu filho sofrer.

Amélia por outro lado, revira os olhos em frustração por não conseguir convencer a teimosa da sua irmã. Mas resolve falar sobre outro ponto que afeta e muito não só a vida de Rose, como a vida dela por ver a família a menosprezar tanto.

- Por hora, esquecerei esse assunto do pai do meu sobrinho, mas agora preciso saber, você irá falar com nosso pai?

Rose engole em seco e seus olhos enchem de lágrimas. Ela respira findo tentando acalmar suas emoções quando se trata de falar sobre seu pai.

- Porque deveria falar com ele, a filha desonrosa que ele sentia nojo e repulsa, não foi assim que ele falou quando disse que se eu ficasse na cidade, que e4a para esquecer da sua existência e que éramos estranhos depois de toda a farsa criada por Jamile e a cobra da sua mãe? Não mesmo.

Massageando a testa, Amélia a olha com um semblante sério, pois precisa revelar a ela o que houve com o pai delas.

- Nosso pai o senhor Astolf nunca superou tudo o que houve no passado. Ele mandou investigar sobre o ocorrido e teve uma briga feia com Peter o deixando com alguns problemas financeiros. Ro, minha irmã, ele nunca se perdoou pelo que fez com você. Na época ele se deixou levar pelas infâmias criadas por aquela mulher. Nosso pai está doente irmã. E é grave.

Rose arregala os olhos ao ouvir que seu pai está com problemas graves de saúde. Seu orgulho fala mais alto e ela tenta não demonstrar como aquilo tudo a abalou. Ela resolve argumentar com sua irmã o que acabava de ouvir.

- Amy, ele pode até estar arrependido, mas continua com aquela mulher e sua filha com ele. Se ele está gravemente doente, com certeza está colhendo o que plantou. Descobriu a verdade, mas só fez brigar com Peter que obviamente não acreditou em nada do que ele lhe revelou da sua descoberta. Aposto que deve ter achado que eram provas forjadas. Prefiro continuar como estamos. Não voltei por ele e nem por Peter, eu retornei pelo meu anjinho e pelo emprego que me foi oferecido.

Amélia abre a boca para tentar falar algo mas não consegue. Vê o quanto sua irmã ainda está magoada por tudo o que aconteceu em seu passado. Ela suspira desapontada por não ter conseguido persuadi-la nem que fosse para que ela visse o pai. Mas ela não se dá por vencida. Mesmo que custe uma briga entre elas, ela resolve arriscar.

- Ro, eu sei que você está magoada, mas é nosso pai e ele está realmente arrependido. Vá vê-lo por favor.

Seus olhos suplicante quase fazem Rose aceitar ir ver o pai delas, mas ela suspira e com a mágoa ainda latente em seu coração, ela dispara com uma voz e sorriso amargo.

- Está tão arrependido que mesmo sabendo a verdade continua com aquela cobra. Está tão arrependido que nunca procurou por mim ou tentar se aproximar. Agora que estou aqui, você quer que eu simplesmente ignore tudo o que houve para falar com ele só porque está doente? Acho que enlouqueceu só pode.

Por mais durona que Rose estivesse tentando ser, sua irmã sabia que ela estava com seu coração sangrando. Amélia, resolve dar uma cartada final deixando sua irmã atordoada e pensativa.

- Tudo bem. Eu desisto. Você é mais teimosa que uma mula. Mas não diga que não avisei quando for tarde demais. Nessa vida minha irmã, não devemos sempre levar as coisas a ferro e fogo. Tome.

Ela estende sobre a mesa um pedaço de papel e nele está escrito o endereço, número do quarto do hospital em que o pai delas está internado. Rose a olha em interrogativa e Amélia dá de ombros por sua expressão. Ela pega o papel e pensa em amassar, mas sua mão parece queimar por estar segurando-o. Ela, resolve então colocar em sua bolsa.

Amélia dá um sorriso pois sabe que cedo ou tarde, sua irmã acabará cedendo. Ela, então resolve esclarecer a respeito de Jamile e sua mãe ainda estarem morando na casa da família delas.

- É nosso pai não está mais com a cobra e a filha dela. Quando a confrontou, ele as colocou para fora de casa e para não perder a boa vida, ela argumentou que sabia onde você estava. Mas ela nunca falou sobre seu paradeiro a ele. Depois, Peter o ameaçou tirar a fábrica de exportação e outras coisas da gente, e Jamile como boa samaritana, ganhou pontos com nosso pai e com isso elas ficaram na família ainda.

Rose a olha pensativa. Depois de tomar um gole do seu café, ela declara.

- Vejo que devemos então, entrar em ação por isso também.

Amélia batendo palmas e rindo fica em êxtase por sua revelação.

- Agora sim. Você ter ido para longe e virado mãe, não seria de um todo o mal.

As duas riem e conversam sobre várias coisas, inclusive em colocar o plano em prática contra Jamile, sua mãe e Peter.

Do outro lado da rua, um homem em um carro luxuoso preto observa a animada conversa das duas irmãs ao longe.

Seu coração está a mil. Ele tem a certeza de que ama aquela mulher desesperadamente. Desviando o olhar, ele olha para uma pasta preta em que desde o seu retorno, ordenou que investigassem ela.

O sorriso logo se desfez ao ver a foto do belo menino ao seu lado. Os olhos dele chamavam sua atenção. Ele murmura consigo mesmo.

- Não pode ser. Me disseram que ela não poderia ter filho e no entanto, ele é parecido com ela tirando os olhos que é igual, não, não, ela jamais me escondera isso. Deve ser de algum amante novo ou daquele merda do passado que os peguei na cama.

Ele soca o volante com raiva. Dá a partida depois de uma última olhada em direção a mulher que sempre esteve em seu coração por mais que ele quisesse odiá-la.

Ele retorna para sua empresa sem ao menos se atentar as demais informações obtidas daquele relatório e com isso, guarda a pasta em seu cofre na sua sala e segue até a sala de reuniões.

Depois da conversa que teve com sua irmã, elas resolvem ir ao apartamento para que Amélia pudesse ver seu sobrinho e afilhado amado.

Ao adentraram, são recebidas por um garotinho com um imenso sorriso que vinha correndo em suas direções. Ele para antes de chegar mais perto.

Olhando para Amélia curioso, ele coloca seu indicador em sua pequena boca analisando a linda mulher ao lado da sua mãe. Ele então pergunta curioso.

- Mãe, quem é ela?

Abaixando-se frente ao seu filho, Rose coloca suas mãos em seus pequenos ombros e olhando fixamente em seus olhos, ela os apresenta.

- Filho, essa é tia e madrinha Amélia. Irmã da mamãe. Aquela que sempre falava com você por chamada de vida o lembra?

Ele acena em afirmação. Estende seus bracinhos para sua tia com um sorriso que logo, Amélia se abaixa abrindo os braços para ele que logo se joga de encontro a ela e se abraçam.

Lágrimas de emoção caem pelo rosto de Rose e Amélia. Era uma cena linda de se ver.

Amélia levanta-se erguendo o pequeno Kevin em seu colo e caminham juntos até o sofá. Lá, eles se sentam e passam o restante da tarde conversando, rindo e brincando.

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