Celeste passou pelas grades do grande prédio cinzento e triste. Os guardas da entrada cumprimentaram-na com um aceno de cabeça, não precisavam de lhe pedir identificação, todos os funcionários da prisão estavam habituados a ver a jovem às vezes mais do que uma vez por mês.
-Olá, linda!- cumprimentou uma das funcionárias mais antigas do local.
"Mari..." a jovem sorriu resplandecente, trazendo um grande tupperware de plástico para o balcão "Desta vez são de limão, eu sei que os de chocolate da última vez não caíram muito bem com você."
-Você é um anjo querido, entre, seu pai já está esperando ansioso na sala de visitas.
A jovem passou pelo segundo portão, deixou-se verificar conforme o protocolo pelos guardas que sorriram para ela e entraram na sala de visitas. Havia muitas mesas pequenas com uma cadeira de cada lado. Muitas famílias visitavam os prisioneiros. Esposas, mães, famílias inteiras com seus filhos.
Celeste olhou com seus grandes olhos pintados como o céu para o pai, sorriu ainda mais ao vê-lo sentado perto da janela, com os cabelos grisalhos penteados cuidadosamente para trás e a camisa bem passada.
-Pai!- ele gritou correndo em sua direção e o abraçou forte. Os guardas não impediram o contato físico que era proibido. Todos sabiam que só tinham um ao outro e tinham gostado da jovem, tinham-na visto crescer e tornar-se mulher.
-Minha pequena. Como você tem estado?.
Embora tenha doído, os dois largaram o abraço e sentaram-se frente a frente.
-Bom! "Olha, eu trouxe alguns dos seus favoritos", ele exclamou, deslizando sobre a mesa uma embalagem de papel de madeira com massas de baunilha e chocolate.
O homem sorriu com ternura ao sentir o aroma requintado. Ele pegou nas mãos velhas a massa que a filha sempre lhe trazia em todas as visitas. Ele a observou em silêncio, sua filha havia crescido muito e ele sentia falta de tudo, seu sorriso desapareceu de repente.
-O que aconteceu, pai? Você não gosta mais deles?
"Eu amo tudo que você cozinha, pequena" ele sorriu melancólico "Você sabe que não precisa vir me visitar todo mês, certo?"
"Mas eu quero fazer isso", protestou ele. "Já conversamos sobre isso, pai."
-Não quero que você use seu dinheiro comigo, ok? prometa-me isso.
Celeste cruzou os braços com raiva.
"Lá está de novo", pensou ele com aborrecimento.
-Um bom advogado pode tirar você daqui! Deixe-me pagar por isso!
-Quero que você use esse dinheiro para você, para o que você quiser, sei lá, estudar alguma coisa, ter um apartamento melhor, uma vida melhor que a do seu pai.
Celeste levantou-se de repente da cadeira, engolindo as lágrimas de desamparo.
"Você vai sair daqui custe o que custar, não foi culpa sua. Você está preso pelo crime que outra pessoa cometeu!", protestou ele, incapaz de conter as lágrimas.
Seu pai queria continuar discutindo, mas era sempre a mesma coisa e dessa vez ele não queria que a visita terminasse com a raiva dos dois. Sua amada filha era igual a sua falecida esposa, quando uma ideia lhe passava pela cabeça, ela lutava até conseguir, não importava o que acontecesse. O homem só queria que essa mesma energia fosse usada por ela e não ficar presa a ele em algo que não era culpa dele.
O homem suspirou pesadamente - Prometa-me que você vai se cuidar melhor, pequeno, que vai estudar ou talvez até encontrar alguém com quem compartilhar sua vida. Sonho que um dia você apareça com um homem para me visitar!
Celeste riu mais relaxada. "Eles são todos iguais, pai, quando falo com eles sobre namoro ou convivência, eles sempre fogem assustados", fez beicinho.
"Está chegando, querida, você tem que ter paciência", exclamou ele, acariciando sua bochecha, "agora vá," Você não deveria ir trabalhar?
A jovem beijou a bochecha do pai como sempre fazia antes de partir - eu te amo pai, se cuida, sim?
-Você também, diga olá aos seus amigos e agradeça a eles por cuidar de você-
"Eu sempre digo a você", ele exclamou, piscando.
---
Celeste caminhou apressadamente pelo corredor estreito do vestiário, observou com um largo sorriso a porta velha e desgastada que tinha uma placa cor de céu com brilho prateado que dizia "Anjo" em letras douradas.
Ela entrou em seu pequeno camarim, aquele que era dela desde os 18 anos, todos os cantos gritavam seu nome, o espelho cheio de fotos com as amigas e o pai, e apenas uma com a mãe quando ela era apenas um bebê. Suas plantas de interior, seu cabideiro com centenas de fantasias brancas com glitter e penas e sua mesinha com centenas de itens de maquiagem que ela acumulou nos últimos 10 anos. Muitos estavam vencidos, quebrados ou velhos, mas ele não podia jogá-los fora, todos lhe lembravam alguma coisa.
-Como estava seu pai?
"Tati!" a jovem gritou, agarrando a camisa na altura do coração "Você me assustou." Eu disse para você não se esconder no meu vestiário.
Um menino de 19 anos saiu da roupa com uma boa branca no pescoço e um chapéu da mesma cor, fazendo um ato teatral que fez rir sua tia adotiva.
"Desculpe", disse ele com tristeza, tirando a fantasia "Eu estava me escondendo da minha irmã, hoje ela se levantou com o pé esquerdo."
Celeste começou a tirar a roupa sem ter vergonha do menino. Ele simplesmente lhe deu as costas para lhe dar privacidade.
-É que essas são as datas dos exames finais e Kristal quer que você mostre as notas para ela. "Ela só quer ver se seu dinheiro valeu a pena", disse ela, divertida.
O menino bufou- Ele me trata como filho. Ela é...- Ele não conseguiu terminar de falar porque uma tosse rouca e dolorosa o invadiu.
Celeste se virou alarmada, pegou o sobrinho falso pelos ombros e o sentou no banquinho, massageando suas costas em círculos. A tosse não parou e os olhos do menino começaram a lacrimejar e sua pele ficou vermelha.
Celeste começou a verificar os bolsos do moletom do menor. - E o inalador? –Ele perguntou quando não conseguiu encontrar. O jovem balançou a cabeça enquanto tossia.
Celeste tirou uma garrafa de água da pequena geladeira e levou para ele. Aos poucos foi bebendo todo o conteúdo até conseguir se acalmar e respirar profundamente, enchendo novamente os pulmões de ar.
-Você está bem Tati? - Ela perguntou preocupada, já fazia meses que ela não tossia daquele jeito e ela passou a acreditar que a doença nunca mais iria voltar.
"Sim, melhor", disse ele com uma voz rouca.
-E sua medicação? Por que você não está com isso? Você sabe que para qualquer emergência...
"Não consegui comprar um novo", exclamou ele, envergonhado, mordendo o lábio inferior.
-Mas e o dinheiro que te dei do meu último salário?
-Não conte para minha irmã, mas aumentaram minha mensalidade universitária e também tive que comprar algumas notas novas.
Celeste penteou o cabelo escuro com carinho. "Por que você não me contou?" Você sabe que eu poderia ter comprado para você, se algo tivesse acontecido com você...
-Eu não queria que você gastasse mais comigo, você já me ajuda demais com os outros medicamentos.
-Você sabe que eu daria um rim por você, idiota. - disse ele, batendo carinhosamente no nariz - Não se preocupe, vou pegar o dinheiro para o seu remédio, ok - O jovem assentiu envergonhado - Só não conte para Kristal, você sabe que ela não gosta de mim? para pagar pelas coisas. É o nosso segredo, ok? - Disse ele, estendendo o dedinho em uma trama.
O menino entrelaçou o dedo mínimo com o da falsa tia, selando a promessa.
-Nosso segredo-
Celeste sorriu amplamente. Para ela, o menino era como um irmão mais novo. Eu troquei suas fraldas, ouvi suas primeiras palavras e estive presente no dia de sua formatura. Se algo acontecesse com ele, ele nunca se perdoaria.
-Ok, agora vá até sua irmã e mostre as anotações para ela.
-Mas...
"Faz parte do acordo", exclamou, empurrando-o em direção à porta e batendo-lhe na nádega.
O menino revirou os olhos e saiu de cabeça baixa, sabendo que sua irmã não aceitaria bem a reprovação no exame que ele vinha tentando esconder.
Celeste riu do beicinho do jovem, mas quando a porta se fechou seu sorriso desapareceu e ela caiu pesadamente no banco, cobrindo o rosto com as mãos.
Como eu iria conseguir esse dinheiro?
Seu salário não era ruim, mas com o aluguel do pequeno apartamento, os gatos da vida, a ajuda mensal para Tati e as economias do advogado do pai, ele não tinha quase nada para emergências. Às vezes, as gorjetas que ela ganhava em uma noite de trabalho eram o que a salvava de ter que pedir dinheiro emprestado ao chefe ou ao amigo se precisasse de dinheiro extra.
Terminou de se vestir sem muito entusiasmo e saiu para o corredor. Ela cumprimentou os demais dançarinos que já haviam finalizado seus shows e atravessou a seção privada que em seus 10 anos ela nunca havia pisado do outro lado das portas.
Aquela área exclusiva onde os homens mais ricos podiam se deliciar com uma dança privada das mulheres mais bonitas do bar ou melhor, de toda a cidade.
Claro que ela não foi uma das sortudas. Todo sábado à noite ela esperava que desta vez fosse sua noite de sorte, um homem a veria e a apontaria. Mas isso nunca aconteceu. Os olhos desenhados com cifrões daqueles velhos empresários sempre pousavam nos belos corpos dos colegas. Celeste se sentia como uma sombra sem graça que envelhecia cada vez mais e a chance de ser selecionada parecia cada vez mais impossível.
Uma risada doentia e pegajosa a tirou de seus pensamentos. A jovem viu como a nova dançarina ria de alguma piada sem graça do homem que estava ao seu lado e em quem ela estava pendurada como um coala.
Escarlate? Rubi? Diamante? Ele não se lembrava do apelido dela, mas se lembrava de sua beleza juvenil, de suas maçãs do rosto salientes, de sua aparência felina e de seus longos cabelos avermelhados até a cintura, que faziam de seu cabelo loiro opaco uma piada. A ruiva abriu a porta de um dos quartos privados e deixou o homem de terno entrar. Não era preciso ser muito esperto para saber que ele estava cheio de dinheiro.
A ruiva lançou um sorriso vitorioso para Celeste e fechou a porta atrás dela.
A loira sentiu como a inveja e o ciúme deixavam seu rosto esbranquiçado vermelho.
-É uma...-
Ela não conseguiu terminar de insultá-la quando a voz de seu chefe atrás dela a fez pular de medo.
-Você está pronto ainda?
-Pelo amor de Deus, Dany, se mais alguém me assustar hoje...
"Você está bem?" ele perguntou preocupado, notando seu rosto tenso. Ele sempre se importou com ela e a conhecia perfeitamente.
"Você sabe, problemas de dinheiro", ele exclamou enquanto caminhava com seu chefe pelo corredor.
-Você sabe que se precisar de dinheiro eu posso te dar sem que você precise devolver.
-Eu conheço Dany, mas e se você me arranjar um baile particular? Você sabe... de algum novo cliente, você poderia convencê-lo de que eu...
"Não", ele a interrompeu secamente.
-Mas Dani....
"Se precisar do dinheiro, minha oferta está disponível", disse ele, irritado, encerrando a conversa.
Antes que Celeste pudesse protestar, ela se virou e desapareceu no corredor. A jovem suspirou pesadamente, discutir com Dany era como conversar com uma parede, ele estava tão fechado que era difícil mudar de ideia e convencê-lo de que estava errado.
"Se alguém me visse..." Ele sussurrou para si mesmo, sabendo que seus problemas acabariam se ele conseguisse ganhar algumas centenas de dólares por uma noite com algum velho necessitado.
Os cabelos negros de Thomas de Anchorena mal se viam sobre a pilha de arquivos que se acumulavam sobre sua mesa. Ele passou o dia inteiro até o pôr do sol revendo os lucros do mês da nova filial automotiva que inaugurou na Argentina de sua empresa "AM" e que seus pais lhe confiaram 100 por cento para que ele pudesse assumir o comando e demonstrar quem era um líder nato. Portanto, tudo tinha que fechar perfeitamente.
Ouvir batidas em sua porta só aumentou seu nervosismo e sua vontade de mandar tudo para o inferno.
Ele ignorou a ligação, talvez a pessoa do outro lado entendesse a dica e fosse embora sem insistir.
A porta se abriu arruinando a paz deles.
-Sinto muito, Sr. Anchorena! "Tente detê-lo!", gritou sua secretária.
Thomas não precisou olhar os papéis para saber que Bruno era o desavergonhado que entrara em seu escritório sem permissão.
"Ok Nancy, não se preocupe, mas chame a segurança da próxima vez", disse ele calmamente e sem tirar os olhos dos papéis.
"Sim, senhor", exclamou, olhando furioso para Bruno, que ergueu as mãos inocentemente.
"Querido amigo..." ele exclamou, aproximando-se de Thomas, cercando cuidadosamente a pilha de papéis.
"Eu já lhe disse mil vezes que não sou seu amigo, Sr. De Anchorena", disse ele sem erguer os olhos.
-Desculpe chefe- Bruno franziu a testa em aborrecimento- Você vai parar de olhar esses papéis chatos e me prestar um pouco de atenção?
-Aposto minha empresa que o que você vai dizer não é tão relevante a ponto de eu parar de ler esses jornais.
-Você é tão cruel.
-Obrigado...
-Tomás...
-O horário de trabalho não acabou? - Exclamou irritado, finalmente erguendo os olhos esverdeados para seu funcionário e segundo Bruno, seu amigo - Por que você não vai fazer o que faz depois do trabalho?
-Foi por isso que vim!- gritou exasperado, sentando-se descuidadamente sobre alguns papéis.
-Cuidado com isso! "É importante", rosnou ele, retirando os papéis da bunda de Bruno.
"Você não vai perguntar por que eu vim?" ele disse, fazendo beicinho.
-Se eu te perguntar, você vai embora?
-Não sem você, querido.
Thomás revirava os olhos, às vezes se perguntando quando fora tão maluco a ponto de contratar alguém tão descarado quanto Bruno e por que ainda não o havia expulsado.
-Você, eu, álcool, pessoas desesperadas pela nossa atenção. Como você está?
-Saia imediatamente.
-Thomas!- Ele gritou como uma criança, bastava se jogar no chão e chutar.
-Tenho que terminar o fechamento do mês para ter certeza de que os lucros são superiores aos da CC Motors.
-De novo, por que não medem o pênis e pronto? Estou cansado de ouvir CC Motors isso... CC motors aquilo.
-Eles são a competição- Ele rosnou.
"Bem, já chega", exclamou Bruno, fechando o Caderno de seu chefe sobre os dedos.
-Ei!
-Ou você vem comigo ou eu entrego seus arquivos para a competição!
-Você não seria capaz. ..
"Querida, você não tem ideia", disse ele, piscando atrevidamente.
Thomas estava prestes a lhe dar um bom soco no rosto zombeteiro, mas ele respirou três vezes pelo nariz e finalmente se levantou da cadeira. Talvez beber um pouco e descansar os olhos não fizesse mal, então ele voltaria ao trabalho pela manhã.
--
"Não acredito que você me levou a um clube de stripper", reclamou Thomas pela enésima vez naquela noite.
-Por favor, é o que está na moda! É óbvio que você não sai há anos. Além disso, é um lugar muito exclusivo, você deveria estar grato por eu ter uma mesa disponível no sábado à noite.
Thomas revirou os olhos, irritado. Seus ouvidos zumbiam, o barulho da música era insuportável e todos gritavam mais alto para serem ouvidos acima da música. Eu tinha parado de ouvir o Bruno há meia hora, ele também não parecia se importar, apenas falava e falava dele como se nada mais importasse e ele fosse o centro do mundo.
Ele estava prestes a se levantar e sair quando as luzes se apagaram, a música parou e todos mantiveram um silêncio expectante.
"O que está acontecendo?" ele sussurrou curioso.
-O show começa- Bruno sorriu entusiasmado.
Thomas recostou-se na cadeira, não querendo sair sem saber o que queria dizer com "o espetáculo", embora pudesse imaginar o que poderia ser. Algum espetáculo grotesco, mulheres nuas ou coisas assim. Não é que ele não gostasse de mulher, mas na sua cabeça só havia espaço para números, estatísticas e vencer o maldito César Cáceres, dono da CC Motors. Cada segundo que ele passava dentro daquele bar decadente e de péssimo gosto na decoração era uma vantagem para seu inimigo.
A escuridão do bar foi substituída por uma tênue luz azulada que iluminava um pequeno palco que atravessava o bar. No meio havia um cachimbo de prata que esperava ansiosamente para ser usado e que eu não tinha notado até aquele momento.
Os ouvidos de Thomas estavam cheios de música suave que poderia ser descrita como clássica, doce e de estilo fantástico. As cortinas escuras que ficavam no final do longo palco chamavam sua atenção quando se moviam como se estivessem dançando e por entre as dobras do tecido uma perna branca como a lua vestida com uma meia macia e transparente incrustada como diamantes dançava delicadamente.
O homem negro nunca se sentiu tão ansioso para saber a identidade de uma mulher como naquele momento. Queria ver o corpo inteiro do dono daquela perna delicada e fina. Ele olhou atentamente para aquela coxa carnuda e suculenta, sem perceber que Bruno o olhava com uma expressão divertida. Ele estava morrendo de vontade de tirar uma foto de seu chefe para salvar para sempre sua expressão de choque, mas sabia que o mataria se o fizesse. fez.
A música aumentava o ritmo, invadindo e imotizando seus sentidos, mas nem a música nem o álcool no sangue eram tão afrodisíacos quanto a mulher dona daquelas pernas. Por trás da cortina veio um anjo caído do céu.
Não se surpreendeu quando os palestrantes pediram que aplaudissem "Ángel", a jovem de cabelos loiros como ouro, sorriso largo, dentes perolados e olhos azuis como o próprio céu que caminhava em direção ao cachimbo como se estivesse deslizando por ele. nuvens macias e fofas.
Ela pegou o cachimbo grosso com suas mãos delicadas e pequenas e Thomás sentiu seu corpo tenso. Ele não pôde deixar de se perguntar como seriam aqueles dedos macios em seu corpo e sentiu inveja daquele cachimbo.
Eu nunca tinha visto alguém dançar assim, era como se ele estivesse voando e as asas brancas que se abriam atrás de suas costas se moviam graciosamente enquanto ele girava em torno do mastro em posições complicadas, mas delicadas e provocantes.
Ela ouviu suspiros masculinos ao seu redor, embora pensasse ter sentido sua boca também soltar uma exclamação faminta e desejosa.
"Olhe para mim", disse ele interiormente, fixando seus olhos negros com pupilas dilatadas no rostinho do anjo. Ele implorou repetidamente para que ela olhasse para ele, e como se a jovem dançarina tivesse sentido seu olhar faminto, suas safiras cruzaram-se com seu ônix em um encontro explosivo.
Foi apenas um milésimo de segundo, mas para Thomas foi o suficiente para fazer seu coração bater forte, voltando à vida depois de anos dormindo, opaco e frio como um cubo de gelo. Agora em seu peito havia calor e até medo pelo que aquele anjo poderia fazer com sua vida perfeita e controlada.
De repente a música parou tão rápido? Ele precisava de mais, o show não poderia ser só isso, tinha sido muito curto e ele não se sentia satisfeito.
Ele viu pelo canto do olho que seu companheiro de bebida estava cumprimentando alguns amigos que ele não tinha interesse em conhecer, e viu isso como sua oportunidade de escapar.
-Thomas, isso te incomoda se...
"Vá com eles," ela exclamou com desinteresse enquanto se levantava enquanto ainda fixava seus olhos verdes no Anjo que se curvava agradecido pelos aplausos dos homens que a observavam assim como ele. Ele sentiu ciúmes, porque Angel tinha que ser dele e de mais ninguém.
Thomas avançou pelas mesas sem parar de observá-la como um animal faminto, ela ainda não tinha percebido, mas ele a obrigaria a fazer isso e garantiria que aqueles olhos não olhassem para mais ninguém.
Bruno assistiu a cena com curiosidade, nunca tinha visto seu chefe tão focado em outra coisa que não fosse o trabalho.
"Não posso perder isso" Ele pensou enquanto ainda o observava de longe.
O Anjo cumprimentou seu público de longe, dando beijos e piscando, muitos deles eram rostos conhecidos, homens solteiros ou com problemas no paraíso que compareciam sem falta todos os sábados para assistir sua dança com os olhos cheios de desejos ou perversões. Mas não o suficiente para escolhê-la para um baile particular!
Ela estava prestes a se virar e deixar o palco para o próximo dançarino quando seus olhos se moveram por vontade própria com magnetismo incontrolável para a frente, encontrando um homem que ela nunca tinha visto antes no bar e que parecia decidido a ir até o bar. Onde ela estava.
Celeste ficou congelada no lugar, incapaz de evitar aqueles olhos amendoados que a faziam tremer da cabeça aos pés, como se fosse uma estudante prestes a ter seu primeiro encontro sexual.
Aquele homem não era como aqueles que costumam ir ao bar, geralmente eram homens com muito dinheiro mas pouco atraentes, e a maioria tinha mais de 60 anos. Celeste tinha certeza de que aquele homem não tinha mais de quarenta anos e não entendia o que fazia ali, poderia fazer qualquer mulher dançar para ele e de graça.
Quando o jovem misterioso e bonito se aproximou da beira do palco como se o anjo fosse a coisa mais linda de se admirar na sala, a jovem agachou-se delicadamente, erguendo suas asas artificiais até os recortes de seu corpo com a luz azulada brilhando ao seu redor como uma aura mística e idílica.
Para Thomas, aquela imagem era como um sonho, não poderia ser real, aquela mulher não poderia ser deste mundo.
-Anjo... Quanto custa uma mensagem privada com você?
A respiração da jovem ficou presa e seus olhos azuis claros tremeram. Finalmente, o que ele tanto desejava havia chegado.
"Quanto custa um particular?"
"Eu realmente não tinha pensado nisso, nunca pensei que chegaria tão longe." A loira pensou.
"Que tal 500 dólares, boneca?" perguntou baixinho o homem misterioso, que não havia tirado os olhos de jade do anjo.
A jovem não conseguiu evitar que seu rosto se contorcesse numa expressão de descrença ao ouvir aquela quantia; ela tinha certeza de que seus colegas não cobravam tanto por uma hora de dança particular;
Ela sentiu como se o estivesse traindo se aceitasse aquela oferta, talvez ele fosse ingênuo ou até mesmo desesperado, mas o rosto do homem demonstrava segurança, como se para ele fosse apenas uma mudança e talvez ela fosse a ingênua.
"O que você está dizendo?" Thomas insistiu, estendendo a mão em direção à loira, querendo agarrá-la e não soltá-la novamente, temendo receber um "não" como resposta.
Celeste olhou para a palma estendida em sua direção e só conseguiu pensar em Tati e seus medicamentos. Aproximou lentamente sua pequena mão em direção à de quem seria seu primeiro cliente, mas seus dedos não a tocaram, pois um aperto inesperado em seu pulso impediu. ela de fazer isso.
-Você não vai fazer isso-
Os dois jovens se voltaram para a voz rouca e cheia de raiva do intruso.
"Dany..." Celeste exclamou ao ver seu chefe olhando para o homem como se quisesse comê-lo vivo.
"Ela não irá com você", disse ele, colocando-a atrás dele, mas sem soltar seu pulso.
Thomas sentiu que iria perder todo o controle de suas emoções naquele exato momento. Ele sempre foi um homem sensato, que preferiu a diplomacia à violência, mas naquele momento sentiu que havia perdido as palavras e que a única maneira de vencer era esmagando aquele verme que o separava do seu Anjo.
Ele estava prestes a chutá-la e fugir com a jovem, mas quando viu o rosto dela cheio de surpresa e os olhos azuis claros tão suaves e amorosos, ele se conteve e engoliu a raiva. Ela conhecia o idiota, ela o chamava pelo nome, então virar-se contra ele só seria pior.
Ela apenas rezou para que não fosse o namorado dela, ela não suportava que essa mulher já fosse de outra pessoa.
"Com licença..." ele começou a dizer, escondendo sua raiva, "Mas a senhora pode decidir por si mesma."
-Eu sou seu chefe e dono deste lugar e posso te expulsar com um estalar de dedos, então por que você não sai sozinho? Antes que meus homens façam isso. Eles não são muito afetuosos.
Thomas estava prestes a responder com sua língua afiada, quando Celeste saiu de trás de seu chefe e se libertou de seu aperto com um puxão rápido.
"Vamos", exclamou, pegando o desconhecido pelo pulso e arrastando-o por uma cortina dourada que dava para os quartos privados.
Dany ficou atordoado e paralisado com o que acabara de acontecer, mas não foi o único, Bruno presenciou toda a cena de longe com curiosidade, o tiro o deixou com o queixo no chão, ele não reconheceu seu chefe, ele estava fora de si mesmo. Sem perder mais tempo pegou o celular e discou um número.
"Olá..." ele sussurrou, olhando para todos os lados, "O que você acha?" Tenho novidades sobre seu querido rival. Se eu for para lá.
-
Thomas ficou atordoado e ainda mais quando o anjo o colocou dentro de uma sala privada e ele tropeçou em direção a uma das poltronas macias, deixando as pernas abertas e olhando para a loira que pairava à sua frente como se fosse sua dona e amante. Naquele momento ele sentiu que seria capaz de dizer "sim" a qualquer coisa que ela lhe pedisse.
A jovem estendeu a mão aberta e ele olhou para ela confuso.
"O dinheiro que você prometeu", ele exclamou sério. "Caso contrário, não há dança."
Celeste podia ser ingênua em muitas coisas, mas quando se tratava de negócios ela era o oposto, até que viu os US$ 500 na mão dele e sentiu o cheiro para saber que era real, ela não podia confiar nele. Talvez ele fosse apenas um golpista que estava brincando com seu desespero.
Thomás deu tapinhas desesperados nas calças até tirar a carteira e entregar-lhe várias notas de 100 que Celeste examinou com desconfiança. Sim, eram genuínos, ganhei 500 dólares em apenas uma hora.
Eu não podia acreditar!
Ela os colocou dentro do vestido e se afastou do homem sem parar para olhar para ele.
Por um momento Thomás pensou que ela iria embora e o deixaria como uma idiota necessitada, mas a jovem deslizou graciosamente em direção ao cachimbo que estava no meio de uma plataforma que atravessava a sala e começou a realizar seus truques ao ritmo do música que estava saindo de um alto-falante em um canto do teto.
Thomás se acomodou na cadeira, encostando as costas largas no encosto, mas não se sentia confortável, a coceira nas mãos era insuportável, todo o seu corpo queria estar perto daquele loiro que parecia voar como um pardal escapando de suas amarras . A dança deles era mágica, exótica e eu não conseguia acreditar que foi desperdiçada naquele lugar horrível. Ela merecia mais do que isso.
Incapaz de resistir por mais tempo, o homem corvo levantou-se da cadeira sem parar para olhar para ela.
Os olhos azuis claros da jovem nunca tiravam os olhos dela, nem mesmo quando ela girava em torno do cano. Ela não disse para ele se afastar, ela o deixou se aproximar como um carnívoro deslizando cuidadosamente em direção à sua presa, mas diferentemente de um animal assustado com a morte, ela queria ser devorada, como se seu corpo tivesse assumido o controle de sua mente.
"Foda-se tudo", ele pensou consigo mesmo.
...
Kristel estava limpando o bar depois de um cliente desajeitado que derramou sua cerveja quando viu seu chefe passar pela cortina dourada furioso e isso não foi nada bom.
-Você pode me cobrir por um momento? "Tenho que ir ao banheiro", disse ela ao colega de bar e seguiu apressadamente o chefe.
"Ei, Dany", ele exclamou, passando pela cortina, "O que está acontecendo?"
O nomeado parou de repente e se virou para Kristel, seu rosto estava vermelho e sua mandíbula cerrada. A mulher não precisou perguntar mais nada para deduzir que era algo que tinha a ver com Celeste, ela sempre ficava assim quando acontecia alguma coisa com a loira.
"Algum idiota a levou para a sala privada", ele exclamou com os dentes cerrados.
Kristel ergueu uma sobrancelha e colocou os braços na cintura dele.
-E o que há com isso, Dany? Isso é bom para Celeste, ela está precisando de dinheiro e....
-Você sabe muito bem que eu poderia te dar!
-Mas ela quer ganhar sozinha e você sabe bem disso- ele disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, mas sabia que seu chefe não concordaria com ele- Dany... deixe-a.- Ele implorou.
Por um momento o homem pareceu recuperar o juízo, mas ainda assim se virou e caminhou em direção à sala privada onde aquele idiota que apareceu do nada havia levado seu Anjo.
Kristel suspirou exausta e se virou, sabendo que pular não seria uma boa ideia. Além de ser sua chefe, Dany e Dany eram grandes amigas há anos, mas ela sempre foi como uma terceira roda no relacionamento, mesmo sendo uma grande família mesclada junto com seu irmão mais novo, Celeste sempre foi a prioridade de Dany A última coisa que ela queria era ficar sem emprego por causa de uma discussão estúpida com o dono do bar, embora ela fingisse que estava tudo bem na sua vida e que ela tinha tudo resolvido, a verdade é que as dívidas eram esmagadoras. ela por meses. Caso perdesse o emprego, tinha certeza de que Tati insistiria em encontrar um emprego para ajudá-la. Kristel nunca se perdoaria se seu irmão tivesse a mesma vida miserável que ela, ele queria mais.
"Continue trabalhando", ele murmurou enquanto voltava para o bar.
-
Celeste girou graciosamente em torno do cano, envolvendo-o com uma das pernas e uma das mãos enquanto estendia todo o corpo graciosamente. Um sorriso tímido, mas pecaminoso, apareceu em seu rosto ao ver Thomas se aproximando cada vez mais. Ele se virou e se esfregou com classe mas erotismo como nunca havia feito antes e quando quis perceber, o corpo daquele homem pressionou contra o seu quando ele terminou de se virar.
Thomas a segurou pela cintura como se tivesse medo que ela caísse, mas quando o loiro colocou os dois pés no chão firme, ele não a soltou, em vez disso começou a recuar, levando seu anjo consigo em direção à cadeira estofada e vendo que seu anjo não estava Não fez nada para evitá-lo, com um giro rápido a deixou de costas para os móveis, com ele em cima.
Ele não fez mais nada, seu aperto firme ainda estava na cintura estreita do Anjo, como se ele tivesse congelado, ele podia sentir o peito da jovem subindo e descendo contra o seu e as pernas dela roçando as laterais das dele com modéstia, mas desejo. Ele estava prestes a comer a boca dela ali mesmo, provar aqueles lábios carnudos que certamente tinham gosto de cereja, quando uma força maligna o puxou abruptamente para longe do anjo como se seu coração estivesse sendo arrancado pela raiz.
Do chão viu o seu Anjo levantar-se da cadeira com uma expressão entre a indignação e o terror.
-Não é permitido tocar!- rosnou aquele homem que começava a ser uma pedra no sapato.
-Dany!- protestou a jovem, tentando se aproximar de seu cliente. Se ele se ofendesse, perderia o dinheiro e, pior ainda, nunca mais a escolheria - Você enlouqueceu?!
"Você conhece muito bem as regras", ele exclamou furiosamente, observando os movimentos de Thomas, esperando a oportunidade de acertá-lo caso ele tentasse se aproximar da jovem. -Dê o fora antes que eu mesmo leve você para sair.
Celeste ia dizer alguma coisa, mas Thomás se adiantou, levantando-se do chão sacudindo calmamente as roupas, então tirou a carteira e a loira ficou com medo que ele pedisse $ 500 de volta, mas em vez disso ele tirou um cartão branco da carteira.
Com cuidado, o homem corvo caminhou em direção a Celeste, mas não tanto a ponto de o chefe o atacar pela jugular e estender a mão.
Antes que Dany tirasse o papel dos dedos, Celeste pegou-o e segurou-o contra o peito.
"Vou voltar para terminar o que começamos", exclamou com um meio sorriso e saiu da sala com a cabeça erguida, mas não antes de bater o ombro no do outro homem.