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Um Bebê Inesperado para o Subchefe

Um Bebê Inesperado para o Subchefe

Autor:: J.C. Rodrigues Alves
Gênero: Romance
Um mafioso mal-humorado, uma mulher com um pato... e um casamento que não estava nos planos de ninguém. Matteo Corleone é o cérebro da Famiglia Corleone - sério, calculista e com mais afinidade por contratos do que por sentimentos. O problema? Seu irmão caçula resolve se casar em Las Vegas com uma desconhecida... e rompe um acordo com a poderosa Família Romano. Para evitar um banho de sangue em Roma, Matteo se vê obrigado a ocupar o lugar do irmão e se casar com Bianca Romano - herdeira mimada, viciada em flamingos e absolutamente obcecada por um casamento de contos de fadas. Determinando que merece pelo menos UMA última noite de liberdade, Matteo vai à própria despedida de solteiro... e abandona a festa no meio, entediado. No caminho de volta, uma tempestade o deixa preso na estrada. É aí que ele conhece Cecília: uma mulher encharcada, esbravejando no meio da chuva e... tentando resgatar um pato fugitivo chamado Frederico. Uma carona forçada... um motel com apenas um quarto... e uma certa tensão no ar fazem a história tomar rumos completamente inesperados. Quando um testezinho de farmácia aparece na equação, Matteo vai descobrir que controlar um império do crie é muito mais fácil do que controlar o próprio destino.

Capítulo 1 1

Aurora

A primeira coisa que percebi ao acordar foi o cheiro.

Um cheiro bom. Um cheiro absurdamente bom. Uma mistura de couro caro, uísque envelhecido e... algo que só podia ser descrito como decadência sexy.

A segunda coisa que senti foi o calor.

Havia um braço pesado jogado sobre a minha cintura, o corpo quente e sólido de alguém colado às minhas costas. E não era qualquer braço. Era um braço masculino, firme, com uma mão grande que parecia ter vida própria, repousada perigosamente perto da minha barriga nua.

Nua.

Essa palavra piscou como um letreiro de néon na minha mente. Eu estava nua.

O choque me atingiu como um balde de água fria. Meu coração disparou. Engoli em seco.

Devagar, Aurora. Talvez esteja sonhando.

Com muito, muito cuidado, virei a cabeça.

E então o vi.

O homem mais bonito que já tinha visto na vida.

Cabelos com cachos largos bagunçados, uma barba por fazer que dava vontade de passar a mão só para sentir a textura, cílios longos que seriam considerados um crime em algumas partes do mundo e lábios cheios, entreabertos num suspiro tranquilo.

Se Adônis existisse de verdade, ele estava deitado na minha cama.

Não é minha cama, meu cérebro gritou. Olhei ao redor.

O quarto era imenso, decorado em tons de bege e dourado, com cortinas pesadas e uma varanda aberta que deixava a brisa quente da manhã entrar. Um lustre de cristal brilhava sobre nós.

Definitivamente não era o meu apertamento minúsculo.

Definitivamente não era minha vida.

Meu estômago deu um nó.

- Ok, Aurora - murmurei baixinho, tentando não surtar -... respira. Respira. Talvez... talvez só seja um sonho.

Nesse exato momento, o Adônis se mexeu, resmungando algo em italiano - uma palavra arrastada e gutural que soou terrivelmente sexy - e me puxou ainda mais contra ele.

Senti.

Senti cada músculo duro dele, cada centímetro quente e... oh, céus, aquilo definitivamente não era um sonho.

Me encolhi como um gato assustado, tentando sair de fininho debaixo do braço dele.

Foi quando ele abriu um dos olhos.

Um olho escuro, profundo, perigoso.

E sorriu.

- Buongiorno, mogliettina - disse com a voz rouca, ainda carregada de sono.

Mogli-quem?

Pisquei, tentando traduzir.

- Hein?

Ele deu uma risadinha preguiçosa, como se estivesse se divertindo com a minha expressão de pânico.

- Bom dia... esposinha.

Esposinha... Esposinha?!

Sentei tão rápido que quase desloquei a coluna, agarrando o lençol para cobrir meu corpo nu. O movimento arrancou um gemido de protesto dele, que rolou para o lado com preguiça felina.

- Ah, não - murmurei, encarando o teto como se fosse desabar sobre mim - Isso não está acontecendo. Isso não está acontecendo!

- Está acontecendo - ele disse, esticando-se todo, braços para trás da cabeça, exibindo um abdômen de revista de academia. - E aconteceu bem gostoso, se você quer saber.

Eu quis morrer. Ou matar alguém. Ainda não tinha decidido.

- O quê... O que a gente fez? - minha voz saiu aguda de puro desespero.

Ele me olhou com um sorriso malicioso.

- Acho que o termo técnico é: consumação matrimonial.

Abri a boca. Fechei. Abri de novo.

Nada saiu.

Calma, Aurora. Você é adulta. Já viu coisas piores. Tipo aquele coworking de freelancers onde serviam café com gosto de detergente. Você sobreviveu aquilo. Você sobrevive a isso também.

- Quem é você? - perguntei, estreitando os olhos.

Ele piscou devagar, com aquele ar irritantemente autoconfiante.

- Giovanni Corleone. Subchefe da família Corleone. - Sorriu como se estivesse me dando boas notícias. - Prazer, cara mia.

Subchefe.

Família.

Eu podia não ser especialista em máfia, mas até eu sabia o que "família" significava nesse contexto.

Senti meu rosto perder toda a cor.

- Mafioso?! - gritei.

Ele deu de ombros, como quem diz: ninguém é perfeito.

- Só de leve.

Minhas mãos começaram a tremer.

- Nós... nós nos casamos?!

Ele assentiu, com aquela calma irritante de quem não dava a mínima para o apocalipse que estava se desenrolando.

- Ontem à noite. Depois de algumas tequilas... e talvez umas apostas.

Apostas.

TEQUILAS.

A imagem de um Elvis gordo com um microfone na mão piscou na minha mente.

- Ah, meu Deus. - Tapei o rosto com as mãos. - Eu me casei com um mafioso bêbado em Las Vegas.

Ele deu uma risadinha divertida.

- Tecnicamente, você também estava bêbada.

Levantei a cabeça, os olhos ardendo.

- Isso é péssimo. É horrível! Temos que anular! Imediatamente!

Giovanni se espreguiçou de novo, como se tivesse todo o tempo do mundo.

- Anular? - repetiu, com uma sobrancelha erguida. - Que feio, cara mia. Nosso matrimônio merece um pouco mais de respeito.

- Respeito? - esganiçei. - Eu nem lembro de ter dito "sim"!

Ele deu de ombros.

- Disse "porra, vamos nessa", se quiser ser precisa.

Eu quis me enfiar debaixo da cama.

- Isso é um pesadelo - murmurei.

Olhei em volta, procurando minha roupa. Vi minha calcinha pendurada no abajur. Meu vestido estava amassado em cima de uma poltrona. Meu salto estava na varanda. Meu outro salto... bem, desaparecido em combate.

Suspirei fundo.

Foi quando vi o envelope dourado no chão. Me abaixei, tentando não derrubar o lençol, e peguei.

Certificado de Casamento – Elvis Chapel, Las Vegas.

Ali, em letras garrafais, estavam nossos nomes:

Aurora Isabella Martin e Giovanni Antonio Corleone.

Assinados.

Carimbados.

Oficialmente casados.

- Você assinou isso?! - gritei, mostrando o papel.

- Você também - ele respondeu, casual, apoiado nos cotovelos.

Eu fechei os olhos, respirando fundo.

- Certo - disse, tentando recuperar a dignidade. - Ok. Vamos resolver isso. Vamos cancelar, anular, destruir, apagar!

Ele bocejou.

- Depois do café.

- Café?! - Minha voz subiu duas oitavas. - Você acha que café vai resolver isso?!

Ele se levantou.

Nu.

Completamente.

Não tive nem tempo de desviar o olhar. Meu cérebro deu tela azul.

Meu Deus. Como é possível alguém ser tão... estruturado?

- Onde você vai?! - perguntei, com a voz esganiçada.

- Banho. - Ele sorriu de lado. - Se quiser se juntar...

- NUNCA!

Ele riu, desaparecendo dentro do banheiro.

Fiquei parada ali, tremendo, enrolada no lençol e agarrando o certificado de casamento como se fosse uma bomba relógio.

Foi quando um flash da noite anterior explodiu na minha mente.

A despedida de solteiro de Megan. Nós dois, rindo alto no bar do cassino. Ele apostando que eu não teria coragem de cantar no karaokê. Eu subindo no palco para cantar "Like a Virgin". Ele apostando que eu não teria coragem de me casar. Eu dizendo que casaria agora.

E depois, o Elvis gordo.

As alianças de plástico.

O beijo.

Meu estômago embrulhou.

Ele saiu do banheiro alguns minutos depois, de calça jeans e nada mais, secando o cabelo com uma toalha.

- Você lembra de tudo? - perguntei, incrédula.

- De quase tudo - ele respondeu, piscando. - Lembro que você jurou me amar e honrar... e depois tentou enfiar a língua no meu ouvido no altar.

Afundei o rosto no travesseiro e gemi de vergonha.

Ele riu de novo, aquela risada rouca e quente que fazia coisas perigosas com meu sistema nervoso.

- Vai ser divertido ser seu marido - disse, se jogando de volta na cama.

- Não vai ser meu marido! - rebati, me levantando com dificuldade, tentando agarrar minha calcinha do abajur. - Eu vou anular isso hoje mesmo!

Ele cruzou os braços atrás da cabeça, me observando com olhos semicerrados.

- Difícil.

- Por quê?

Ele deu um sorriso malicioso.

- Vegas só anula se não consumar.

Meu cérebro travou.

- Consum... o quê?

- Consumação. Sexo. Você sabe, aquela atividade que fizemos repetidamente ontem à noite.

Senti minhas bochechas pegarem fogo.

Ele se inclinou um pouco, a voz baixa e provocante.

- Posso até desenhar, se precisar.

- Idiota - rosnei, pegando minha roupa e correndo para o banheiro.

Antes de fechar a porta, ouvi sua última provocação:

- Mas se quiser tentar anular, cara mia... - sua voz era puro veneno doce -... podemos fingir que é a primeira vez. Só pra garantir.

Bati a porta com força, ouvindo sua risada ecoar.

Eu estava tão ferrada.

E foi aí que tomei a única decisão lógica: fugir.

Saí do banheiro já vestida - ou tão vestida quanto consegui - com o vestido amarrotado, os sapatos nas mãos e o cabelo parecendo um ninho de pássaro. Nem olhei para Giovanni, que estava largado na cama como um deus grego satisfeito.

Peguei minha bolsa, enfiei o certificado de casamento dentro dela e marchei até a porta.

- Vai aonde, mogliettina? - ele perguntou com aquela voz lenta e divertida.

- Para longe de você! - rosnei, abrindo a porta.

- Vai voltar, cara mia. Vai sentir saudades.

- Não vai acontecer! - gritei por cima do ombro, já atravessando o corredor em disparada.

Atrás de mim, ouvi a risada grave dele ecoando no quarto.

Sim, eu definitivamente estava muito, muito ferrada.

Capítulo 2 2

Aurora

Uma semana.

Uma semana desde o caos de Las Vegas e, até agora, eu ainda estava tentando entender o que diabos aconteceu. Como é que eu, Aurora Martin, uma mulher responsável, focada e com grandes planos para a minha vida, acabei casada com um mafioso? E não só isso, casada em Las Vegas, com um cara chamado Giovanni Corleone, que provavelmente era mais perigoso que o leite derramado de manhã.

Sim, eu sabia que a vida de Las Vegas era cheia de excessos, mas quem imaginaria que eu fosse acordar com um mafioso na cama e um papel dizendo "casados, para todo o sempre"?

Deus, eu ainda não sei como foi parar ali. Talvez um buraco negro, talvez uma sequência de decisões horríveis. Talvez uma combinação fatal de tequila e apostas...

Fato é que eu estava de volta à minha rotina normal, ou pelo menos estava tentando.

Naquela manhã, como todos os outros dias, fui acordada pelo meu despertador gritando em meu ouvido, a voz irritante da Alexa dizendo: "Bom dia, Aurora! Lembre-se de ser maravilhosa hoje!"

Eu me arrastei da cama, sentindo a cabeça pesando mais do que o normal, e fiz o que toda pessoa razoável faria: fui até o espelho do banheiro e dei de cara com meu cabelo revoltado e o olhar de quem ainda estava casada.

Depois de uma breve batalha com o espelho (porque não sei como meu cabelo tem vida própria), consegui finalmente me vestir, colocando uma saia preta básica e uma blusa que, pelo menos, disfarçava um pouco o pânico que eu sentia por dentro.

Enquanto eu tentava mascarar o fato de que, por dentro, meu cérebro ainda estava correndo em círculos tentando processar o tal casamento, um pensamento surgiu na minha mente:

Eu tenho que anular isso. Eu preciso.

Com uma nova determinação, coloquei minha bolsa e saí de casa.

Cheguei ao meu trabalho, que era em uma agência de publicidade. Nada de novo, nada fora do normal. Mas o clima de tensão que eu sentia com a situação do casamento me acompanhava como uma sombra.

Entrei no escritório e fui direto ao meu cubículo, tentando evitar qualquer interação social mais intensa. Eu só queria que o dia passasse rápido, que a semana passasse rápido e que, de alguma forma, a realidade do casamento desaparecesse.

Foi quando vi minha amiga Megan chegar, uma visão bem-vinda no meu dia infernal.

Megan era a personificação da palavra "relaxada". Ela tinha um sorriso largo, cabelos loiros platinados e uma energia que sempre me fazia sentir um pouco mais leve, como se as coisas estivessem, de fato, sob controle.

- E aí, Aurora! Como você está? - ela me cumprimentou com aquele sorriso que me fez esquecer por um segundo da bagunça mental que eu estava vivendo.

Ela parece tão feliz. Como ela consegue ser feliz enquanto eu... eu sou casada com um mafioso?!

- Ah, você sabe... - respondi com a minha voz de "tô tudo bem", mas que claramente estava mentindo para o mundo. - Sobrevivendo.

Megan me olhou desconfiada, cruzando os braços.

- Sobrevivendo? Isso não soa muito convincente. O que aconteceu? Você está com cara de quem viu um dragão no café da manhã.

Ela se sentou na minha frente, seus olhos brilhando de curiosidade.

Eu suspirei, mordendo o lábio.

- Megan, acho que estou encrencada.

Ela arregalou os olhos.

- O quê? Não me diz que você... sei lá... percebeu que está perdendo tempo e decidiu voltar para Vegas e morar com o Elvis.

Eu podia estar mentindo, mas a verdade foi mais estranha que a mentira que ela contara naquele momento.

- Não, pior. Eu... eu me casei.

Megan ficou em silêncio por um segundo, como se tivesse processado o que eu disse.

- Casada? Casada com quem? - ela perguntou, a voz cheia de incredulidade.

- Com um mafioso, Megan.

Ela estalou a língua.

- Ai, Aurora, sempre fui fã de uma história de amor improvável, mas com mafioss? Isso é muito filme de ação, amiga.

Eu não sabia se ria ou chorava.

- Não, você não entende... ele é tipo muito mafioso. Tipo, muito, muito. Ele é um subchefe de uma família criminosa. E eu não lembro de nada direito! Eu só sei que... eu e ele estávamos bêbados, apostamos no bar do cassino e... olha onde estamos.

Megan me olhou com uma mistura de compaixão e divertimento.

- Eu até admiro sua capacidade de entrar em situações absurdas, mas, sinceramente, isso aqui... eu não sei nem o que dizer.

Eu passei a mão no rosto e fiquei um momento em silêncio.

- O que eu faço? Eu não sei nem por onde começar. Eu só quero... desfazer tudo isso.

Megan riu.

- A solução, minha amiga, é simples: ignore o mafioso. Ignore e aja como se nunca tivesse acontecido. Afinal, você não se lembra de nada, certo?

Eu fiquei olhando para ela, perplexa.

- Ignorar? Eu estou casada, Megan! Como vou ignorar uma coisa dessas?

Megan rolou os olhos e soltou uma risada, claramente achando graça da minha agonia.

- Você é uma piada, sabia disso? Mas tudo bem, eu tenho uma solução para você. Quando ele vier atrás de você, você apenas... manda ele tomar um café e curtir sua vida sem fazer você entrar nessa enrascada.

Eu suspirei, a cabeça girando.

- Acho que meu cérebro vai explodir de tanto tentar ignorar isso.

Ela deu de ombros.

- Bem, amiga, no fim das contas, você se casou com um mafioso. Não tem mais volta. Então, talvez seja melhor deixar de ser dura com você mesma e deixar ele te perseguir por um tempo. Vai ser divertido. Quem sabe você não descobre que, no fundo, você gosta disso?

Eu encarei Megan, exausta.

- Eu não gosto. Eu não gosto dele. Eu nem conheço ele!.

- Tá bom. Só não se esqueça de me chamar para o casamento de anulação que você vai organizar. Porque, com certeza vou ser sua madrinha.

Eu olhei para ela com um sorriso cansado, tentando digerir tudo aquilo.

- Vou te manter informada, Megan.

Ela piscou para mim e deu uma risada.

- Ah, eu aposto que vou ser convidada para uma despedida de solteira à moda antiga. Vegas vai me chamar de volta!

Eu a observei enquanto ela se afastava e pensei sobre o que ela disse. Eu não tinha escolha, era isso. Estava casada com Giovanni Corleone. Talvez fosse hora de encarar a situação com humor.

Eu só tinha que me lembrar de não fazer nenhuma aposta com ele tão cedo.

Capítulo 3 3

Giovanni

Eu não sou do tipo que gosta de perder tempo. O tempo é uma moeda valiosa, e eu sempre soube como usá-lo a meu favor. Mas, quando se trata de Aurora Martin, parece que o universo gosta de me pregar peças.

Fazia uma semana desde aquele maldito casamento em Las Vegas, e, mesmo após uma noite que eu preferiria esquecer (mas não conseguia), o fato é que a situação estava longe de ser resolvida. Aurora, com seus olhos e cabelos revoltos, ainda estava na minha mente, o que não me deixava em paz. Ela devia ser um problema, mas, maldita seja, eu gostava da ideia de tê-la no meu radar. Quem ela pensava que era, achando que iria me ignorar? Se tem algo que eu não sou, é ignorado.

Estava em meu escritório, revendo relatórios e relatórios sobre os negócios da família, quando o advogado da família, entrou com uma expressão que eu não consegui decifrar de imediato. Era como se ele estivesse lidando com algo complicado - e ele não era de fazer isso sem razão. Francesco sempre foi um homem pragmático, com a mente afiada e o coração no lugar certo, mas algo me dizia que ele estava prestes a me dar uma notícia que eu não estava esperando.

- Giovanni, precisamos conversar - ele disse, com uma leveza que me deu um calafrio.

Eu ergui uma sobrancelha, largando o documento que estava segurando e observando-o mais atentamente.

- Claro, Francesco, o que houve? - perguntei, já preparando-me para algo que provavelmente me faria perder um tempo precioso.

Ele puxou uma cadeira, sentando-se com uma calma que contrastava com a sensação crescente de que algo estava prestes a dar errado.

- Sobre a anulação do seu casamento - ele disse finalmente, com uma voz baixa, como se estivesse falando sobre algo delicado. - Fui ao cartório, investiguei as possibilidades e... temos um problema. A anulação só pode ser feita em três meses, Giovanni.

Três meses?

Eu dei uma risada curta, mais pelo absurdo da situação do que por qualquer outra coisa.

- Como assim, três meses? Quer dizer que estou preso a isso por três malditos meses? - Perguntei, minha paciência começando a se esgotar. - Ela quer se livrar de mim e eu dela, e você me diz que a única solução é esperar mais tempo? Você está me dizendo que o tempo é meu inimigo agora?

Francesco permaneceu calmo, mas sua expressão me disse que ele estava tentando encontrar as palavras certas para a situação.

- Eu entendo sua frustração, mas as leis são claras. O casamento foi legalmente registrado, e, para que a anulação aconteça, é preciso um período de três meses. Isso é o padrão.

Eu esfreguei o rosto, exasperado. Não podia acreditar que estava nessa situação. Fui para Las Vegas, apostei em uma diversão passageira, e agora estava preso a esse jogo que ninguém mais jogava. Aurora Martin. Maldita garota. Ela não fazia ideia do buraco em que estava se metendo.

E, no entanto... algo dentro de mim gostava disso.

Eu podia sentir o cheiro da rebeldia que ela exalava. Podia ouvir o sarcasmo em suas palavras e ver a resistência nos olhos dela. Isso me dava uma sensação de controle, e ao mesmo tempo me tirava a paz. Eu sabia que ela tentaria fugir de mim, ignorar o casamento. Mas esse jogo, por mais frustrante que fosse, já estava começando a ficar interessante.

Olhei para Francesco, o rosto grave.

- Então, eu fico casado com ela por três meses? Eu, Giovanni Corleone, casado com a Srta. Aurora Martin? - perguntei, e a ideia de ver meu nome estampado como "marido" dela me fez soltar uma gargalhada baixa. - O que, você acha que ela vai simplesmente me aceitar como marido? Porque, com certeza, isso não vai acontecer.

Francesco hesitou por um momento, antes de responder.

- Eu não sei como ela reagirá, mas, legalmente, você está preso a isso até que a anulação seja formalizada. O que posso garantir é que você terá que viver com isso por um tempo.

Eu o observei, os pensamentos rápidos em minha mente. A situação parecia uma prisão, mas era também uma oportunidade. Eu sabia como lidar com mulheres difíceis - e Aurora Martin definitivamente não era fácil. Ela era uma mulher com personalidade, com um jeito que me provocava de uma maneira que nenhuma outra já havia feito. A ideia de vê-la resistindo a mim, tentando escapar de algo que não podia entender, me fazia querer brincar com a situação. Eu estava acostumado a manipular as coisas a meu favor, mas Aurora... ela tinha uma qualidade única. Algo me dizia que ela não se entregaria sem lutar. E essa luta? Bem, eu adorava uma boa batalha.

Uma parte de mim não queria esperar três meses. Não queria ser paciente. Não queria que ela tivesse essa vantagem. Mas outra parte de mim... estava mais intrigado do que deveria estar. Eu queria ver até onde ela iria para tentar sair desse casamento, e mais do que isso, queria ver o que ela faria quando a vida a colocasse de frente comigo.

- Três meses, hein? - murmurei, levantando-me e caminhando até a janela do escritório. O sol batia suavemente na minha pele, e eu deixei que a sensação me acalmasse um pouco. - Vou aproveitar esse tempo, Francesco. Se a situação vai ser assim, então que seja. Ela vai aprender que fugir de mim não é uma opção.

Francesco, como sempre, sabia que eu não estava falando apenas sobre o casamento. Ele não disse mais nada, mas sua expressão dizia tudo: ele sabia que isso não acabaria bem para ninguém.

A conversa terminou ali, e eu passei a tarde lidando com outras questões da família. Mas, em algum lugar do fundo da minha mente, a imagem de Aurora ainda estava lá. Eu gostava do mistério que ela representava, da dificuldade que ela tinha em me entender, e, principalmente, da forma como ela se rebelava contra o inevitável.

Por três meses, o tempo seria nosso adversário. E eu adorava quando as coisas estavam no meu controle. Isto significava, que iria atrás da minha esposa.

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