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Um Bilionario em apuros

Um Bilionario em apuros

Autor:: Ana Elói
Gênero: Bilionários
Christopher Brewer tem 37 anos é proprietário de uma empresa multimilionária com objetivo de dar o melhor para seus filhos. Após dois anos que sua esposa morreu, Christopher vem tendo dificuldade de encontrar uma babá para os seus filhos. Danielle de 13 anos, Pedro de 8 anos e Lilia de 5 anos, Christopher não nega o amor que sente pelos seus filhos, mas o trabalho acaba cegando Christopher e não ver que seus filhos querem ele e não seu dinheiro. Uma nova babá entra na vida dessa família, Bianca Vieira é uma brasileira que precisa do emprego e quando sua amiga não consegue ir à entrevista de emprego ver uma oportunidade ótima para conseguir pagar as contas. Bianca com seus 27 anos não sabia que o simples emprego de babá a levaria a uma grande aventura, e encrencas. Bianca só não sabia que o simples emprego de babá a levaria a uma grande aventura, e encrencas.

Capítulo 1 C1

A vida é uma caixinha de surpresa com uma grande reviravolta. Nunca imaginei que a minha vida em Nova York fosse se tornar essa grande bola de neve de uma hora para outra, ou as coisas estavam tão explícitas que preferi simplesmente ignorar? O fato é que preciso de emprego o mais rápido possível, não estou feliz em estar endividada e podendo ser deportada para o Brasil. Quando fui demitida, achei que encontrar um emprego fosse mais fácil do que eu esperava. Calma, não fui demitida. A empresa faliu.

Faz dois anos que estou em Nova York e assim que cheguei conseguir um emprego em uma lanchonete no centro.

O lugar era bem movimentado e nunca passou pela cabeça de ninguém que um dia aquela lanchonete fosse falir, também não imaginávamos que um dos sócios roubaria toda a grana e iria embora para Bahamas com a sua amante. Como havia falado, a vida é uma caixinha de surpresa.

- Olha, eu estou cansada de ouvir as suas amarguras. - Claire diz do outro lado da linha. - Vamos lá! A vida é bela e você precisa curtir mais.

A vontade de revirar os olhos era tão grande e mesmo assim não fiz. Claire Benítez, uma linda mulher loira, com corpo esbelto e olhos azuis, conseguia sempre ver a vida da melhor maneira possível. Ela também não é dos Estados Unidos, uma Argentina que largou tudo que tinha para correr atrás dos seus sonhos e eu só queria um lugar novo e uma vida nova longe de todos que um dia conheci. Eu com o passado triste e ela irradiando felicidade por onde passa.

- Claire, você está voltando para casa? - Vou até a geladeira e pego a garrafa d'água. - Precisamos passar no mercado e pelo que eu me lembre você tem uma entrevista...

- Ah, sobre isso... - Ouço som de buzina e gritarias no fundo. - Estou nesse exato momento em um táxi seguindo o caminho para Broadway. - Claire cantarolou a palavra Broadway.

Parei no meio da cozinha com a garrafa em mãos. E a chamada está no viva voz, estou praticamente gritando na casa para poder me ouvir. Dividimos um pequeno apartamento, então acredito que facilmente esteja me ouvindo. Uma cozinha compartilhada com a sala e dois quartos com um banheiro no final do corredor que constantemente é uma briga entre nós duas para quem vai usá-lo primeiro.

- Como assim, Claire?! - Apreensiva vou até o balcão deixando a garrafa de água de lado e pego o meu celular. - Você tem uma entrevista de emprego daqui a uma hora.

Sim, ela também está desempregada.

- Calma, Bianca. - choramingou. Sou eu que começarei a chorar daqui a pouco! - Está ficando estressadinha novamente. Ganhei um teste para participar de uma peça da Broadway é a minha chance e estou confiante quanto a isso. - Podia sentir confiança em suas palavras.

O sonho da Claire Cooper é se tornar uma grande celebridade, não duvido da sua capacidade e tenho certeza que um dia conseguirá. Porém, estamos precisando de dinheiro quanto antes e ela fez inúmeros testes e nada. Essa pode ser "A" chance, mas...

- E quanto à entrevista...

- Você se dá melhor com as crianças. Vá em meu lugar. - diz como se fosse a coisa mais simples do mundo. - Pensa, você indo no meu lugar, Bella não ficará brava comigo e poderia pedir outros favores futuramente.

Bella Watanabe foi a primeira amizade que Claire fez ao chegar em Nova York, é uma asiática com os contatos certos. Ela trabalha com eventos e é bem comunicativa. Poderia ter pedido para ela uma ajuda com um emprego, mas não somos tão próximas assim.

- Claire...

- Não pense, vá! Mais tarde te ligo e boa sorte. - sem esperar minha resposta, a ligação é finalizada.

Olhei para a tela do celular e superei. Bem, não há muita coisa a se fazer. Após comer, fui me arrumar e enfrentar o trânsito de Nova York que hoje está mais intenso do que o normal. Por tão pouco não cheguei atrasada na casa do Sr. Brewer, um dos bilionários mais cobiçados da atualidade. Sua fama não é uma das melhores, não é por conta de mulheres, a sua má fama é pelo jeito grosseiro de ser. Christopher Brewer é dono da empresa multimilionária da área alimentícia, sua esposa morreu há dois anos e as imagens dos seus filhos não são permitidas em meio a mídia.

Parei com táxi em frente aquele casarão que me deu arrepios, nunca entrei em uma casa tão grande assim e com certeza não teria condições de morar em uma, exceto se fosse uma funcionária. Ao passar pelos grandes portões, uma mulher passa por mim chorando. Uma tosse fingida chama minha atenção. Uma mulher com uma roupa bem formal como uniforme militar na cor preta, o cabelo em um coque perfeito me olha me fazendo sentir calafrios.

- Siga-me. - Ordenou.

Fiquei um pouco sem reação, mas logo tratei de segui-la. Não fui tão rápida e acabei me perdendo da mulher terrorizante. Parando para decidir qual lado iria seguir, fechei os olhos e respirei fundo, virando rapidamente para o lado esquerdo.

- Ai! - Cai de bunda no chão.

Coloquei a mão no nariz, sentindo dor.

- Você não olha por onde anda mulher?! - A voz grossa e nada gentil, me faz encolher.

Ainda com a mão no nariz, olhei para cima. Meu Deus! Que homem lindo. Seu cabelo com fios negros caíram sobre seu rosto que fez seu maxilar travar mais, ele passou uma mão pelo cabelo colocando a mexa no lugar. O olhar de cima para baixo era como se pegasse fogo.

- Vai ficar no chão? Como um tapete?! - O homem que vi diversas vezes pela televisão, arrumou o terno em seu corpo e passou por mim. - Que perda de tempo!

Os passos são firmes enquanto se distanciam.

Segui Christopher Brewer com o olhar, indo à saída.

- Você é sempre um cretino assim ou ganhou um diploma para isso. - Me levantei arrumando a roupa em meu corpo.

Quando levanto meu olhar, arregalo os olhos. Christopher está me olhando. Droga, droga e droga. Nem fiz a entrevista ainda e já serei manda embora?

- Cuidado com suas palavras... - Sua voz foi assustadoramente baixa. - Posso não está de bom humor na próxima. - Um sorrisinho rápido surge em seus lábios e vai embora.

Bom humor? Da vontade de rir, se esse é o bom humor dele, não quero vê-lo quando estiver de mal humor. Bianca, respira! Você precisa desse emprego, pensei. E aquele sorriso? Deve ter sido coisa da minha cabeça.

- Senhorita Benítez, o que houve com seu cabelo? - A mulher assustadora aparece novamente me olhando abismada.

Dou um sorriso sem graça, passando a mão no cabelo, percebendo estar realmente bagunçado. Abaixei um pouco a cabeça, agora entendo o sorriso daquele arrogante. Olhei para a mulher na minha frente.

- Então... hum... Não sou a senhorita Benítez. - Dou de ombros, me desculpando. - Sou Bianca Almeida. - Endireitei meu corpo. - Estou aqui para a entrevista de emprego para ser babá dos filhos do Sr. Brewer.

E pela primeira vez a pronúncia desse sobrenome fez o meu corpo esquentar ao lembrar do olhar daquele homem em mim. Com certeza já fui tratada melhor e não gostei de como falou comigo. Mas Christopher é de tirar o fôlego de qualquer uma. Ah, mas meus planos não são abaixar a cabeça para ele, devido à sua beleza. A senhora aterrorizante não parece se preocupar ao saber o meu nome, sigo ela a uma sala privada onde fala um pouco sobre mim e mostre os meus documentos. Percebi quanto estava cansada, lembro da mulher passando por mim chorando. Será que aquela mulher estava tentando uma vaga de babá?

- Que seja! - A mulher levanta do sofá. - Faremos um teste de uma semana com você. Sobreviva e pode ser que até aumente o seu salário. - senti um leve deboche na sua voz com essa última informação.

Sobreviva? O que de ruim pode acontecer? São crianças! Quem não ama crianças? Além de saber que posso ter um aumento, seria uma motivação a mais. Estou sendo babá dos filhos de um grande bilionário, é óbvio que não ganharia pouca coisa. A mulher aterrorizante, conhecida como Sra. Molloy me entregou alguns papéis. Neles diziam que eu receberia pelos dias que ficasse e após uma semana assinariam minha carteira, além de ter alguns papéis dos quais não poderia tirar foto dos filhos de Christopher e muito menos compartilhar com outras pessoas e informações dessa casa. Confidencialidade, havia umas 10 folhas para assinar sobre isso.

- Hum... quando começo? - perguntei, entregando aquelas folhas para a senhora Molloy.

Meu pulso doía de tantas folhas que precisei assinar e a minha carteira nem foi assinada ainda.

A mulher me dá um olhar superior.

- Hoje! - com um aceno de cabeça, ela pede que eu a siga. - Irá conhecer as crianças agora mesmo. Temos empregados disponíveis 24 horas por dia, qualquer coisa que precise não deixe de falar conosco. Procure falar com alguém a cada uma hora.

Estranhei o seu pedido, mas nada falei. Estou tão empolgada, não esperava que começaria hoje mesmo. Mas não estou me importando, farei o meu trabalho e serei a melhor babá do mundo. Entramos em um longo corredor e fico imaginando como seria essa casa à noite, me dá medo só de imaginar. Caminhamos em uma em direção a uma porta enorme e quando aberta nos damos em um grande salão onde tinha três crianças no meio dela.

- Aqui é onde acontecem os eventos na casa. - Sra. Molloy me informa enquanto caminhamos até as crianças. Ela suspirou. - Esses são os herdeiros Brewer. Danielle de 13 anos, Pedro de 8 anos e Lilia de 5 anos. - ela se vira para mim e me entrega um punhado de folhas novamente. De onde ela tirou tudo isso? Sra. Molloy olha para as crianças. - Sejam gentis! Essa é a última chance.

Um olhar rigoroso a Sra. Molloy se retira me deixando sozinha com as crianças. Os três me olhavam com atenção, todos com as mãos para trás.

- Oi, como vocês estão? - Não me respondem. Fico completamente sem graça.

Começa a olhar os papéis, a Sra. Molloy entrou e fiquei assustada ao ver que era um dossiê de cada criança. Danielle com seus 13 anos tem cabelo e um tom castanho, sua pele é branca diferente do seu pai que é um moreno bronzeado. Pedro com seus 8 anos é uma cópia do Christopher, tem o mesmo olhar que o pai e espero que quando abrir a boca não seja tão grosseiro. O cabelo preto caído em sua testa o deixava com um olhar mais rígido, sem nenhum sorriso. Lilia quais são os cinco anos é uma lindinha e muito fofa, tem um olhar mais meigo comparado aos seus irmãos e seu cabelo em um tom preto faz parecer mais com seu pai diferente da Danielle que parecia mais com a sua mãe. Nunca vi o rosto da Sra. Brewer, mas Danielle com certeza é uma mistura dos dois. Lilia tem a bochecha mais gordinha, sendo mais clarinha que Pedro, sua bochecha estava rosada. Sinal que alguém apertou muito suas bochechas recentemente.

- Então...

Antes que pudesse terminar a frase, os três finalmente mostraram as suas mãos onde tinha armas de brinquedos, agora com sorrisos sapecas em seu rosto, tinta das cores branca, azul e amarelo foi jogada em mim repetidas vezes. Gritei sendo pega de surpresa e deixei o dossiê cair no chão tentando me proteger dos tiros de tinta.

- Seus pestinhas! - Gritei.

Capítulo 2 C2

Christopher Brewer

Sentei minha cadeira massageando as têmporas. Problema e mais problemas, nunca pedi que a vida fosse um morango, mas custa muito ter um pouco de paz e esses funcionários fazerem o que são pagos para fazer? Paciência é uma virtude que não tenho. Se querem testar minha paciência, sinto que ela não existe. Minha secretária se atrapalha na minha frente ao colocar os papéis em cima da minha mesa, ajeitando óculos em seu rosto, ela se afasta da mesa esperando rapidamente as minhas próximas ordens.

- Quero que o chefe do RH apareça na minha sala quanto antes. - Aviso, enquanto olha alguns papéis. - Vou fazer uma varredura nessa empresa. Perdemos mais de um milhão por conta da demora da entrega dos alimentos, tenho que fazer tudo para que essa empresa dê certo?! - Ela dá um pulo e coloca a mão com teu peito, se assustando. - Quero que revise a minha agenda e converse com meu assistente pessoal, teremos um evento beneficente organizado pela minha mãe. Cuide para a nossa empresa ser maior patrocinadora da festa, quero a lista de todos os patrocinadores.

Minha secretária concorda com a cabeça repetidamente, solto ar pela boca. Que patética! Ela sente tanto medo de mim que com um simples olhar só falta mijar nas calças ela tem sorte por fazer um trabalho bem feito.

- Hum... Sr. Brewer. - Respira fundo. - A senhorita Margot Zakema, avisou que estaria vindo te ver agora na parte da tarde.

- Ela marcou horário? Ah, esquece. - Agito a mão no ar. - Vá, depois aviso quando poderá vir buscar os papéis.

Minha secretária sai sem pensar duas vezes. Não queria me encontrar com Margot hoje, tenho muito trabalho para fazer e seria perda de tempo essa visita. Porém, não devo afastar a melhor amiga da minha falecida esposa. Conhecei Margot na faculdade , nos dávamos muito bem, mas quando casei Amanda e Margot se tornaram melhores amigas. Margot vem me ajudando muito com as crianças desde que Amanda faleceu, não posso afastar todas as pessoas que teve vínculo com a minha família há tantos anos. Por mais que já tenha descartado muita gente na minha vida com a morte da minha esposa, meus filhos não merecem isso. Então por eles mantêm poucas pessoas em contato direto conosco.

As horas vão se passando aproveito o máximo para adiantar o meu trabalho, Margot se preocupa comigo e não quero ser rude com ela ao me preocupar com o trabalho enquanto ela perde algum tempo de sua vida vindo ver como eu estou. Ela havia acabado de chegar de viagem a trabalho e sempre que passava um tempo longe, vinha me ver e os meus filhos.

- Não me imponto com o que você pense ou deixa de pensar. - Digo ao diretor do RH. - Essas pessoas vêm dando trabalho e não é de hoje. Só esse cara faltou metade do mês e você não fez nada! Acredita mesmo que pode favorecer os seus?!

- Sr. Brewer... eu.. hum... - Outro que morre de medo de mim.

- Talvez eu devesse te demite em vez deles. - Ele arregala os olhos e por dentro sorri. - Comece a fazer o seu trabalho direto ou não apenas vou te demitir por justa causa como cuidarei para precisar mudar de cidade para ter um novo emprego. Agora saia da minha sala!

Tropeçando em seus próprios pés, ele sai correndo da minha sala quase caindo em cima da Margot ao abrir a porta, Margot olha assustada para ele ao entrar na minha sala. Quando me olhar ergue uma sobrancelha.

- Aterrorizando seus funcionários de novo, Chris? - Fecha a porta atrás dela.

Massageio as têmporas.

- Que culpa tenho se não fazem o trabalho direito? - Me sentia esgotado.

Margot suspira, preocupada. Ela dá a volta na minha mesa vindo para trás da minha cadeira, mesmo sabendo suas intenções deixo com que me faça encostar no encosto da minha cadeira e Margot começa a sua massagem em meus ombros.

- Por Deus, Christopher! - Margot diz, levemente irritada. - Você está tenso demais.

Me segura para não revelar os olhos com seu comentário, Margot é massagista por hobby. Houve um tempo que ela dedicou o seu tempo a essa área.

- Não me culpe, mas o trabalho vem levantar um tempo e tem sido estressante. - Suspirei.

Consegui relaxar quase instantaneamente quando ela apertou com mais força o meu ombro.

- Precisa descansar, Chris. Cadê Joseph que não te ajuda...

- Joseph não está preparado.

- Então deveria começa a prepará-lo, Chris. - Margot para massagem e senta na minha mesa de frente para mim, sua perna roça na minha. - Daqui a um mês você estará fazendo trinta e sete anos, não vou deixar que passe trabalhando. Joseph tem trinta anos, está mais do que na hora de ganhar responsabilidades a mais. Talvez ser o vice-presidente.

- Margot, ele não consegue parar com uma mulher. - A risada no fundo da minha garganta sai involuntária. - Imagina cuidar da empresa da família? Tenho três filhos que seriam mais responsáveis do que ele.

Margot encolhe seus ombros cruzando seus braços.

- Depois que Joseph falou que perdeu um grande amor, ele nunca mais se recuperou.

- Exato! - Me levanto, vestindo o casaco do meu terno. - Amor esse que nunca soubemos que existia. Até que me mostre ser um homem maduro, não deixarei que tenha tamanha responsabilidade aqui dentro.

Fecho meu notebook e Margot me acompanha ao sair da sala. Decidi ir embora mais cedo hoje, minha cabeça doía e ficar sentado atrás daquela mesa não me ajuda em nada. Magort segura na minha mão depois que chamo o elevador.

- Você precisa descansar, Christopher. - Com o polegar acaricia minha mão. - Estou preocupada com você, principalmente com as crianças. Você sabe que eles são muito apegados a você.

Deixo um pequeno sorriso surgi em meu rosto, pensa nos meus filhos é algo que me traz uma paz profunda. Hoje Sra. Molloy contratou uma nova babá. Pedro e Danielle destruiu o cabelo da pobre mulher enquanto dormia, Lilia, que me contou na manhã seguinte. Meus filhos são uma benção, mas são terríveis quando querem também. Mas é apenas uma fase.

- Não tem porque se preocupar. - O elevador chega. - E deveria ir vê-los, sentem a sua falta.

Margot sorri alegremente ao solta minha mão, entramos no elevador.

- Ah, nem me fale. Estou com uma saudade imensa deles. - Seu sorriso diminui. - Infelizmente não vou agora, porque tenho que passar na casa dos meus pais. Depois de uma longa viagem preciso organizar minha vida deixada aqui.

Sorri, entendendo pelo que está passando. Nos despedimos no elevador e cada um seguiu para seu carro, meu motorista dirigia tranquilamente pelas ruas de Nova York. Durante o caminho precisei fazer uma reunião online, o que fez meu estresse ser maior. No meu condomínio, saio do carro pisando tão firme no chão que meus dedos doem. Não dou chances de falar com Sra. Molloy que vinha atrás de mim, dizendo alguma coisa que não faço questão de ouvir.

Paro.

Olho ao redor.

- Sr. Brewer...

- Saia daqui Molloy!

A senhora sai sem pensar duas vezes. No meio da sala só tinha a mulher que esbarrei hoje mais cedo. Seu cabelo está úmido e preso em um coque baixo, também trocou de roupa. O seu banho foi recente. Ela tinha um pequeno sorriso no rosto, mas podia ver o quanto estava nervosa na minha presença. Olho mais uma vez ao redor percebendo que minha casa está arrumada e que não tem nenhum empregado pedindo demissão. O que aconteceu tantas vezes que até sai em um site de fofoca questionando se não estava escravizando os meus funcionários.

Estreito meus olhos em sua direção.

- Como você fez meus filhos obedecerem?

Capítulo 3 C3

Bianca Almeida

Respirei fundo vendo que estou toda ensopada de tinta, minhas roupas não teriam salvação. Pelo cheiro forte da tinta é um sinal nítido que não sairiam facilmente na água. Levanto o meu olhar lentamente para aqueles pestinhas, todos me olhavam com um sorrisinho no rosto e a risadinha que seria a coisa mais fofa se não tivesse acabado comigo com essa tinta. Rapidamente surge a lembrança daquela mulher de quando cheguei na mansão e ela passou por mim correndo e chorando.

- Cerca de uma hora atrás, uma mulher saiu daqui chorando. - Olho para cada um com atenção. - Você tem alguma coisa a ver com isso?

Parando para pensar e analisar toda a situação, é muito provável que aquela mulher tenha tido as mesmas chances que eu. Essas três lindas criaturas que estão na minha frente aprontou com ela a ponto de fazê-la chorar, pobre coitada preferiu não arriscar passar uma semana hoje. Danielle deu de ombros e olhou para os irmãos rindo.

- Tem algumas que são mais fáceis. - Ela me olha. - Algumas palavrinhas e tchau, tchau.

Pedro ri de como a irmã mais velha falou.

- Essas nem tem graça, mas assim que te vimos... - Pedro me analisa. - Sabíamos que você seria osso duro de roer, então tivemos que apelar.

A pequena deu uma risadinha. Ok, as coisas não serão fáceis. Olho para a mais velha, Danielle é a mandante, o que ela faz os outros fazem. Aposto que no dossiê contém informações que usasse ao meu favor para lidar com essas crianças, agora seria impossível de usar porque a tinta tomou conta. Ok! O que essas crianças não sabem é que a adulta que precisa de um emprego, sorri e o sorriso deles diminui.

- Sou Bianca Almeida, a nova babá de vocês. - Endireitei meu corpo tirando o excesso da tinta da minha roupa. - A partir de hoje terão que me aturar e eu terei que atuar com vocês, as coisas podem ser do jeito fáceis ou do jeito difícil.

Danielle me olha com um olhar superior, aposto que aprendeu esse olhar com o seu pai.

- Não vamos facilitar nada para você...

- Bem, o problema é de vocês então. - Sem sorriso, olhei para eles. - Vocês são crianças e não vão entender a minha situação, mas preciso do emprego. Eu ficarei!

- É o que veremos! - Pedro fica sério. Ele é uma versão de 8 anos de Christopher.

- É! - Lilia cruzou os seus bracinhos e me olhou séria.

Ela é muito fofa! Mas não deixo me enganar pela sua fofura. Danielle é meu alvo.

- Aposto que você tem trabalho da escola assim como seu irmão Pedro.

- Você...

- Sobe agora para fazer seus trabalhos e ajuda o seu irmão também. - Não dou chance para ela me rebater e continuo. - Caso contrário, seu pai iria adorar ter acesso ao seu celular ou ao seu notebook.

Danielle engole em seco. Binho! Danielle está entrando na fase da adolescência e deve ser chata como qualquer um da sua idade. Privacidade é algo que ela luta com unhas e dentes para ter, e é nessa idade que não devemos dar essa privacidade.

- Você não pode falar assim, sabe quem sou...

- Aposto que nenhuma babá teve tamanha ousadia para falar como realmente deve com vocês. - Cruzo os meus braços. - Como crianças! Porque é isso que vocês são. Agora está na hora de se comportar como uma e parar de atazanar a vida dos outros.

Pedro e Lilia arregalaram os olhos, olharam para sua irmã mais velha querendo descobrir o que iria fazer agora. Danielle tinha um olhar desafiador e tenho certeza que guardará o seu tempo livre para atazanar minha vida depois. Por fim ela dá de ombros e chama Pedro, ambos saíram por uma das portas que tem nesse lugar. Lilia continua parada no mesmo lugar olhando para onde seus irmãos foram.

- Ei, se quiser pode ir com eles. - Suavizei o meu olhar ao falar com ela. Lilia abaixou a cabeça indecisa do que faria. - Hum, que tal comer pipoca e assistir um desenho?

O sorriso lentamente foi surgindo em seu rosto.

- Sim! - a menina grita animada. - Você vem comigo?

Ela com certeza é mais fácil de lidar. Olhei para minha roupa e abri os meus braços.

- Vai na frente, depois eu vou.

Ela concorda com a cabeça repetidamente e sai correndo.

Gemi frustrada com o estado que me encontrava. Comecei a ouvir cochichos atrás de mim. Olho para trás vendo uns três funcionários e a Sra. Molloy, eles quase caíram para dentro do salão ao me ver olhando para eles. Molloy arruma o terninho em seu corpo e ergue a cabeça.

- Parece que sobreviveu a apresentação. - Ela faz um joinha com a mão direita de um jeito discreto. - Vamos ver até quando durará. Arrumem roupas novas para ela e mostre o toalhete.

Os outros funcionários que assistiram toda a cena com as crianças rapidamente vieram me ajudar. O resto da caixa não foi tão agradável quanto eu queria, precisei trocar de roupa duas vezes. Quando fui até o quarto da Danielle para ver como estava indo no dever, abrindo a porta, caiu um balde de água na minha cabeça. Pedro só faltava mijar nas calças, Danielle tinha um sorriso vitorioso nos lábios. Fingir estar com raiva e fechei a porta com força deixando eles no quarto. Mas sorri. Danielle estava com um caderno e livros sobre a mesa em seu quarto, Pedro estava fazendo o mesmo em cima da cama da irmã. É, Danielle não sai perdendo nessa.

Depois de outro banho, assisti desenho com a pequena Lilia, ela ama assistir Frozen e assistir duas vezes. A menina ficou apegada a mim quando me viu cantando as músicas do filme, seus olhinhos chegaram a brilhar e recebi um abraço bem apertado. Por que seus irmãos não podem ser assim?! Um dos empregados vem rapidamente até a sala de cinema me chamando. O temido Christopher Brewer chegou em casa mais cedo do que o esperado, eles me alertaram que se ele chega cedo é porque está muito irritado. Sra. Molloy colocou na linha de fogo, tive que ficar na sala à espera da entrada do Sr. Brewer.

Engoli em seco vendo aquele homem caminhar lentamente e parar a poucos metros de distância de mim. Christopher é um homem com presença, seu cabelo perfeitamente alinhado para trás e o maxilar travado deixando exposto um rosto sem uma mancha qualquer. Sem uma espinha! Ok, ele tem seus 37 anos de pura gostosura. Bianca, ele é seu chefe! E é um cretino, arrogante.

- Sr. Brewer... - Molloy vinha logo atrás do Christopher.

- Saia daqui Molloy!

Tremi ao ouvir aquela voz grave, espero que ele não tenha notado. Christopher olhava tudo ao redor com atenção, ele tinha uma pasta em mãos. O silêncio me deixava cada segundo nervosa.

- Como você fez meus filhos te obedecerem? - Seu olhar para em meu rosto.

- Eu...

Sou interrompida por três minis furacões.

- Papai! - Um grito sonoro.

As crianças correm em direção ao Christopher. O Sr. Brewer se abaixa para poder abraçar todos ao mesmo tempo. E algo que não imaginava ver aconteceu, Christopher sorriu. Um sorriso largo e grande. No momento entre eles é curto e logo o Christopher se levanta com Lilia em seu colo e me olha curioso.

- Ainda não respondeu a minha pergunta.

Danielle olha para mim e depois para seu pai.

- Que pergunta, pai? - Ela perguntou.

Com as mãos em frente ao corpo, sorri.

- Conversamos. - Respondi. - Eu e seus filhos conversamos, acredito que vamos nos dar muito bem.

Danielle e Pedro ficaram emburrados rapidamente, Lilia continuou sorrindo. Christopher percebe a mudança de humor dos seus filhos mais velhos, assim como vê a reação da filha mais nova. Seu olhar fica intrigado e tenho certeza que ele não imaginava que alguma babá teria sido contratada hoje.

Agora vamos ser claros? Preciso de dinheiro! Não deixo esses três fazer, eu perder meu emprego. Olho para Danielle e pisquei, deixando ela mais irritadinha.

Na hora de ir embora, os pestinhas não fizeram questão de se despedir. Seria surpresa para mim se fizesse. Em casa cheguei esgotada e não pensei duas vezes ao tomar um banho e ir para cama. Claire não dormiria em casa eu, espero que minha amiga não esteja se metendo em confusão. Deitando na cama, não demorei para dormi.

De manhã recebi uma mensagem da Sra. Molloy, dizendo que Christopher levaria as crianças para escola hoje e eu deveria buscá-los mais tarde e segui com a programação. Então aproveito para ir ao mercado comprar algumas coisas para casa, estamos quase zeradas. Graças a Deus que de fome Claire e eu não passamos necessidade.

Desço as escadas do meu prédio tranquilamente e cumprimento uma senhora em seu andar. Vou em direção à entrada, e aperto o botão para a porta abrir. Um pé para fora, quase volto para dentro. Tem um carro preto muito chique parado em frente ao meu prédio, algumas pessoas olhavam curiosas e com razão estamos em um bairro pobre, nenhum riquinho entraria aqui.

O vidro da janela desce, arregalei os olhos. Christopher tira seus óculos escuros e me olhar, seu maxilar marcado e o olhar severo faz parecer que está sempre bravo. Seu motorista sai do carro e dar a volta no mesmo, abrindo a porta. Christopher se movimenta em seu acento, indo mais a fundo. O motorista continua ali parado me olhando, sem dizer uma única palavra.

Ignorando os olhares curiosos, caminho em direção o carro. Está tão medonho essa situação, será que ele quer me matar? Não fiz nada com seus filhos. Ocupei o lugar que Christopher estava antes, a divisória está erguida fazendo com que tivéssemos privacidades.

- Algum compromisso agora de manhã? - Sua voz grave é baixa.

- Hum... é... não, eu estava indo no mercado.

- Há quanto tempo está em Nova York?

Alguma coisa me dizia que ele sabia a resposta.

- Quatro... - Ele ergue um dedo pedindo o meu silêncio quando seu celular toca. Christopher passas os próximos cinco minutos digitando em seu celular, quando termina me olha. - Quatro anos, sou brasileira.

Christopher é um homem grande e chama a atenção de todos facilmente, me sentia está sentada ao lado de Henry Cavill. Ele me olha de cima a baixo e em sentia exposta com o seu olhar, estou vestindo uma legging e uma camisa larga.

- Acreditava que as brasileiras fossem mais... canudas.

Olhei para ele com os olhos arregalados, um pequeno sorriso surge em seus lábios. Christopher teve a reação que esperava.

- Pensava que Christopher Brewer fosse mais... grande. - Dou de ombros, olhando para a janela.

Não poderia olhar para ele, é meu chefe e eu deveria calar minha boca!

- Grande?! - Exige saber. - Em qual sentido?

Christopher parecia ofendido, sorri. Parece que atingir sua masculinidade. Continuei olhando para a janela.

- Sr. Brewer, qual seria o motivo da sua visita?

Volto para uma conversa formal. Não quero perder meu emprego. Sinto o homem ao meu lado se mexer e volto lentamente a olhar para ele. Christopher está sério, muito sério.

- Meus filhos. - Obvio! - Estranhamente no primeiro dia você conseguiu fazer com que eles te obedecem. E não estavam machucados...

- Nunca machucaria uma criança. - Fiz careta. - Gosto de crianças.

Christopher me olhou por alguns segundos em silêncio.

- Bem, seu trabalho pé cuidar de três. Então é bom que goste. - Seu jeito ogro se faz presente. Me seguro para não revirar os olhos. Ele apertou um botão ao lado de sua cadeira. - Vamos voltar.

Era só isso, essa conversa foi tão sem nexo. Christopher poderia ter falado comigo em sua casa quando chegasse do trabalho. A volta foi em silêncio. Nossa conversa não deve ter durado mais de quinze minutos, sendo cinco minutos apenas com a atenção em seu celular. Quando o carro parou em frente ao meu prédio, fiquei assustada ao ver duas homens gigantes com bolsas de mercados em mãos. Olhei para Christopher.

- Tomei o seu tempo, eles vão te ajudar a subir com as compras. - diz, sem me olhar.

O seu celular já tinha tomado todo o seu tempo.

- Hum, obrigada. Pode descontar...

- Tchau, senhorita Almeida.

Suspiro.

- Tchau, Sr. Brewer.

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