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Um CEO Fora Do Comum

Um CEO Fora Do Comum

Autor:: AutoraAngelinna
Gênero: Romance
O Homem mais Lindo do Mundo! Duncan Patrick: CEO e avarento. Objetivo: Perder o mau-humor. Plano: Encontrar a amante (temporária) certa. Duncan não gostava de ser cobrado, pois era ele quem deveria cobrar das pessoas. Entretanto, o conselho de diretores de sua empresa fizera uma exigência definitiva: ele deveria mudar sua imagem pública. Ao conhecer Annie McCoy, uma doce e inocente professora de jardim de infância, Duncan soube que ela iria lhe proporcionar a aura de um perfeito anjo, mesmo que para isso fossem necessárias artimanhas diabólicas. Convencer Annie a assumir o papel de amante não tinha sido um grande problema, mas agora ele precisava torná-la sua esposa na vida real. Poderia um executivo rabugento cultivar o encanto necessário para conquistar o coração da mulher que ele quase destruiu?

Capítulo 1 Sinopse Prólogo

O Homem mais Lindo do Mundo!

Duncan Patrick: CEO e avarento.

Objetivo: Perder o mau-humor.

Plano: Encontrar a amante (temporária) certa.

Duncan não gostava de ser cobrado, pois era ele quem deveria cobrar das pessoas. Entretanto, o conselho de diretores de sua empresa fizera uma exigência definitiva: ele deveria mudar sua imagem pública. Ao conhecer Annie McCoy, uma doce e inocente professora de jardim de infância, Duncan soube que ela iria lhe proporcionar a aura de um perfeito anjo, mesmo que para isso fossem necessárias artimanhas diabólicas. Convencer Annie a assumir o papel de amante não tinha sido um grande problema, mas agora ele precisava torná-la sua esposa na vida real. Poderia um executivo rabugento cultivar o encanto necessário para conquistar o coração da mulher que ele quase destruiu?

PRÓLOGO

Diretor-geral vence a concorrência.

O diretor-geral Duncan Patrick mais uma vez vence a concor¬rência. O bilionário de transportadoras marítimas acaba o ano com mais duas aquisições, incluindo uma pequena companhia de transportes por caminhões e uma linha ferroviária muito lucrati¬va na América do Sul. Com a Patrick Industries dominando o mercado de transporte mundial, todos pensavam que o bilionário deveria ser generoso, mas aparentemente esse não é o caso. Pelo segundo ano consecutivo, Duncan foi nomeado o diretor-executivo mais avarento do país. Não é de admirar que o bilionário soli¬tário recusou-se a ser entrevistado para este artigo.

- Isso é inescrupuloso - disse Lawrence Patrick, batendo o jornal sobre a mesa da sala de reuniões.

Duncan recostou-se em sua cadeira e reprimiu um bocejo.

- Você quer que eu dê a entrevista?

- Essa não é a questão e você sabe disso.

- Qual é a questão? - perguntou Duncan, desviando a atenção de seu tio e voltando-a para os outros homens que faziam parte do quadro de diretores. - Há muito dinheiro entran¬do? Os investidores estão infelizes com todos os rendimentos?

- A questão é que a imprensa adora odiar você - replicou Lawrence. - Você comprou uma área para estacionamento de trailers habitados, então despejou os residentes, a maioria dos quais eram idosos e pobres.

- A área para estacionamento de trailers era ao lado de uma das maiores transportadoras que possuímos. Eu precisava do terreno para expansão. O quadro de diretores aprovou a com¬pra.

- Nós não aprovamos ver senhoras idosas na televisão, cho¬rando porque não tinham um lugar para ir.

Duncan fez uma careta.

- Oh, por favor. Parte do acordo era proporcionar aos resi¬dentes um novo estacionamento para trailers. Os lotes de terra deles são maiores e a área é residencial, em vez de industrial. Eles têm serviço de ônibus bem do lado de fora do portão prin¬cipal. Nós pagamos todos os custos. Ninguém perdeu nada. Isso foi a mídia tentando criar uma história.

Um dos outros membros do quadro de diretores o olhou.

- Você está negando que levou seu competidor à falência?

- De jeito nenhum. Se quero comprar uma companhia, mas a pessoa que a possui não quer vender, eu encontro outra manei¬ra. - Ele endireitou o corpo. - Uma maneira legal, cavalhei¬ros. Todos vocês investiram em minha companhia e viram lu¬cros extraordinários. Eu não me importo nem um pouco com o que a imprensa pensa sobre mim ou sobre minha companhia.

- É aí que está o problema - observou o tio. - Nós nos importamos. Patrick Industries têm uma reputação horrível, as¬sim como você.

- Ambas não são merecidas.

- Mesmo assim. Essa companhia não é somente sua, Dun¬can. Você nos trouxe para dentro dela quando necessitou de di¬nheiro para comprar um sócio. Parte do acordo é responder a nós.

Duncan não gostou do que ouviu. Era ele quem tinha trans¬formado a Patrick Industries de um pequeno empreendimento num império de classe mundial. Não eles... Ele.

- Se vocês estão me ameaçando... - começou ele.

- Não ameaçando - outro membro do quadro falou. - Duncan, nós entendemos que existe uma diferença entre uma pessoa implacável e uma cruel. Mas o público não entende. Es¬tamos lhe pedindo que se comporte como um homem bom e generoso pelos próximos meses.

- Mude essa sua imagem - disse seu tio, balançando o jornal para ele. - Estamos quase no Natal. Dê dinheiro aos órfãos, encontre uma causa. Resgate um cachorrinho perdido. Namore uma boa garota, pelo menos uma vez. Ora, nós nem nos importamos se você vai realmente mudar. Imagem é tudo. Sabe disso.

Duncan meneou a cabeça.

- Então, você não se importa se eu for o maior patife do mundo, contanto que ninguém saiba disso?

- Exatamente.

- Sem problemas - disse ele, colocando-se em pé. Poderia bancar o bonzinho por alguns meses enquanto levantava dinhei¬ro suficiente para comprar as ações de seu quadro de diretores. Então não precisaria se importar com o que os outros pensavam a seu respeito. Que era como preferia as coisas.

Capítulo 2 Um

Annie McCoy podia aceitar o pneu furado. O carro estava velho e os pneus deveriam ter sido substituídos na última primavera. Tam¬bém podia entender que o pequeno Cody tinha comido terra no playground, depois vomitado em sua saia favorita. Ela não reclamaria sobre o aviso que havia recebido da companhia de eletricidade, apontando, embora de uma maneira muito educada, que sua conta estava atrasada... Novamente... E que eles aumentariam os valores. O problema era que tudo aquilo acontecera no mesmo dia. O universo não poderia lhe dar um pingo de descanso?

Ela parou diante de sua varanda da frente propensa a ceder e folheou o resto da correspondência. Mais nenhuma conta, a me¬nos que aquela carta de aparência oficial da UCLA, Universidade da Califórnia em Los Angeles, fosse, na verdade, uma prestação mensal. A boa notícia era que sua prima Julie estava em seu primeiro ano na prestigiada faculdade. A notícia ruim era pagar por isso. Mesmo morando em casa, os custos eram enormes, e Annie estava fazendo o possível para ajudar.

- Um problema para outra hora - disse a si mesma enquanto se dirigia para a porta da frente e a abria.

Uma vez do lado de dentro, colocou sua bolsa sobre a peque¬na mesa perto da porta e guardou a correspondência dentro de uma caixa de macarrão pintada com spray dourado, que sua classe de jardim da infância lhe fizera no ano anterior. Então foi para a cozinha a fim de verificar o quadro de avisos com pincel atômico pendurado na parede.

Era quarta-feira. Julie tinha uma aula noturna. Jenny, a irmã gêmea de Julie, iria para seu trabalho usual num restaurante em Westwood. Kami, a estudante estrangeira de Guam, havia ido ao shopping center com amigos. Annie tinha a casa para si mesma... pelo menos durante as próximas horas. Graças a Deus.

Ela andou até a geladeira e removeu a garrafa de vinho branco. Depois de se servir de um copo, tirou os sapatos e foi des¬calça para o quintal.

A grama era fria sob seus pés. Ao redor de toda a cerca, plantas exuberantes cresciam e florescem. Aquilo era Los Angeles. Cultivar qualquer coisa era muito fácil, contanto que você não se importasse em pagar a conta de água. Annie se importava, contudo, amava demais as plantas, que a lembravam de sua mãe, que sempre fora uma jardineira ávida.

Annie havia acabado de se sentar no velho balanço de ma¬deira ao lado da buganvília quando ouviu a campainha da porta. Pensou em ignorar quem quer que lá estivesse, mas não conse¬guiu fazer isso. Voltou para dentro, abriu a porta e olhou para o homem parado na varanda.

Ele era alto e possuía uma constituição física poderosa. O terno bem-cortado não disfarçava os músculos nos braços e pei¬to. Parecia do tipo que poderia ter enriquecido trabalhando como atleta nas horas vagas. Ele tinha cabelos escuros e os olhos acinzentados mais frios que ela já vira na vida. E parecia seriamente irritado.

- Quem é você? - ele exigiu saber como uma forma de cumprimento. - A namorada? Tim está aqui?

Annie começou a erguer as mãos no formato de um "T". Falando sobre precisar de um tempo. Felizmente, lembrou-se que estava segurando um copo de vinho e conseguiu não derra¬mar o líquido.

- Olá - disse ela, desejando que tivesse pensado em dar um gole antes de atender a porta. - Tenho certeza que foi assim que você pretendeu começar.

- O quê?

- Dizendo "olá".

A expressão do homem se tornou mais mal-humorada.

- Eu não tenho tempo para conversa fiada. Tim McCoy está?

O tom de voz não era amigável, e as palavras não fizeram com que Annie se sentisse melhor. Ela pôs o copo sobre a mi¬núscula mesa ao lado da porta e se preparou para o pior.

- Tim é meu irmão. Quem é você?

- O chefe dele.

- Oh.

Aquilo não podia ser bom, pensou ela, dando um passo atrás a fim de convidá-lo a entrar. Tim não havia contado muita coisa sobre seu emprego relativamente novo, e Annie tivera medo de perguntar. Tim era... problemático. Não, isso não era verdade. Ele podia ser doce e amoroso, mas possuía um aspecto demoníaco.

O homem entrou e olhou ao redor da sala de estar. Era peque¬na e um pouco velha, mas confortável, pensou Annie. Pelo me¬nos era isso que dizia a si mesma. Havia alguns perus de papel na parede, e um par de castiçais de peregrinos sobre a mesinha de centro. Tudo aquilo sairia de lá naquele fim de semana, quando ela começasse a decoração de Natal.

- Eu sou Annie McCoy - disse ela, estendendo uma das mãos. - Irmã de Tim.

- Duncan Patrick.

Eles apertaram as mãos. Annie tentou não se encolher quan¬do dedos grandes envolveram os seus. Felizmente, o homem não os esmagou. Pela aparência das coisas, ele poderia ter feito seus ossos virarem pó.

- Ou os moído para fazer pão - murmurou ela.

- O quê?

- Oh, desculpe. Nada. Um antigo conto de fadas. A bruxa em Joãozinho e Maria. Ela não quer moer os ossos deles para fazer pão? Não, isso é na história dos gigantes. Eu não me lem¬bro. Agora terei de procurar essa informação.

Duncan franziu o cenho e deu um passo atrás. Ela não conseguiu evitar uma risada.

- Não se preocupe. Isso não é contagioso. Eu penso coisas estranhas de vez em quando. Você não vai pegar por estar no mesmo cômodo. - Annie parou de tagarelar e pigarreou. - Quanto ao meu irmão, ele não mora aqui.

Duncan arqueou as sobrancelhas.

- Mas esta é a casa dele.

O problema era com ela, ou Duncan não era muito brilhante?

- Ele não mora aqui - repetiu Annie, falando mais deva¬gar. Talvez fossem todos aqueles músculos. Muito sangue nos bíceps e não o suficiente no cérebro.

- Eu entendi isso, sra. McCoy. Seu irmão é o proprietário desta casa? Foi o que ele me falou.

Annie não gostou daquilo. Ela atravessou para a poltrona perto da porta e fechou ambas as mãos no encosto.

- Não. Esta casa é minha. - Ela sentiu mais do que um pequeno pânico, e seu estômago se revolveu. - Por que você está perguntando?

- Você sabe onde seu irmão está?

- Não no momento.

Aquilo era ruim, pensou Annie freneticamente. Podia dizer que era realmente péssimo. Duncan Patrick não parecia o tipo de homem que ia à casa de um funcionário por um capricho. O que significava que Tim tinha feito alguma coisa muito estúpi¬da dessa vez.

- Apenas me fale - disse ela rapidamente. - O que ele fez?

- Ele usurpou minha companhia.

A sala inclinou-se de leve. O estômago de Annie embrulhou enquanto ela se perguntava se iria se juntar ao pequeno Cody e vomitar em sua saia.

Tim havia roubado o empregador. Ela queria perguntar como aquilo era possível, mas já sabia a resposta. Tim tinha um pro¬blema. Adorava jogar. Adorava demais. O fato de ele morar a somente cinco horas de carro de Las Vegas tornava o problema ainda mais complicado.

- Quanto? - perguntou Annie num sussurro.

- Duzentos e cinqüenta mil dólares.

Ela arfou. Poderia também ser um milhão. Ou dez. Era muito dinheiro. Um valor impossível de devolver. Tim estava arruina¬do para sempre.

- Pela expressão no seu rosto, posso ver que você não sabia sobre as atividades de seu irmão.

Ela balançou a cabeça.

- A última coisa que eu soube foi que ele estava adorando o emprego.

- Um pouco demais - disse Duncan secamente. - Essa é a primeira vez que ele roubou?

Annie hesitou.

- Ele... já teve alguns problemas antes.

- Com jogos?

- Você sabe?

- Tim mencionou isso quando eu falei com ele hoje mais cedo. Também disse que possuía uma casa, e que o valor exce¬dia a quantidade que ele roubou.

Os olhos de Annie se arregalaram.

- De jeito nenhum. Ele não disse isso.

- Lamento, mas disse, sra. McCoy. É esta a casa a qual ele se referiu?

Agora Annie realmente estava passando mal. Tim tinha ofe¬recido a casa? A sua casa? A casa era tudo que ela possuía.

Quando a mãe deles falecera, deixara a casa e um seguro de vida para que os dois dividissem. Annie usara sua metade do dinheiro do seguro para comprar a casa de Tim. Ele deveria usar o dinheiro para pagar os empréstimos da faculdade e investir o restante em algum lugar para morar. Em vez disso, tinha ido para Las Vegas. Aquilo acontecera quase cinco anos atrás.

- Esta casa é minha - declarou Annie com firmeza. - O meu nome é o único que consta na escritura.

Nada na expressão fria de Duncan mudou.

- Seu irmão possui outra propriedade? Ela meneou a cabeça.

- Obrigada pelo seu tempo. - Ele se virou para ir embora.

- Espere. - Annie colocou-se na frente da porta. Tim podia ser um completo irresponsável, mas era seu irmão. - O que acontece agora?

- Seu irmão vai para a cadeia.

- Tim precisa de ajuda, não de prisão. Sua companhia não tem um plano de saúde? Não pode conseguir para ele algum tipo de tratamento psicológico?

- Eu poderia ter feito isso antes que ele me roubasse o dinhei¬ro. Se ele não pode me pagar de volta, irei entregá-lo para a polícia. Duzentos e cinqüenta mil dólares é muito dinheiro, sra. McCoy.

- Annie - murmurou ela distraidamente. Era mais dinhei¬ro do que ele imaginava.. - Tim não pode pagá-lo aos poucos?

- Não. - Duncan olhou ao redor da sala de estar novamen¬te. - Mas se você estiver disposta a hipotecar sua casa, talvez eu considere não prestar queixa.

Hipotecar sua...

- Abrir mão de onde eu moro? Esta casa é tudo que tenho na vida. Não posso arriscá-la.

- Nem mesmo por seu irmão? Agora ele não estava jogando limpo.

- Você não perderia sua casa se pagasse prestações regulares ao banco - apontou ele. - Ou também tem problema com jogos?

O desprezo na voz de Duncan era muito irritante, pensou Annie enquanto o estudava. Notou o terno impecável, o relógio brilhante de ouro que provavelmente custava mais do que ela ganhava em três meses, e teve a impressão de que se olhasse para o lado de fora da casa veria um carro importado bonito, novo e sofisticado. Com bons pneus.

Aquilo era demais. Ela estava cansada, com fome, e esse era o último problema com o qual queria lidar no momento.

Annie pegou a conta de luz da caixa de correspondência e balançou-a na frente dele.

- Você sabe o que é isso?

- Não.

- É uma conta. Uma conta atrasada. Sabe por quê?

- Sra. McCoy...

- Responda a pergunta - gritou ela. - Você sabe por quê?

Duncan pareceu mais divertido do que com medo, o que re¬almente a enfureceu.

- Não. Por quê?

- Porque atualmente estou ajudando a sustentar minhas duas primas. Elas estão na faculdade e possuem bolsa de estudo parcial, e a mãe delas, minha tia, é cabeleireira e tem seus pró¬prios problemas. Você já viu o que garotas na idade da faculda¬de comem? Eu não sei como elas conseguem comer tanto e permanecerem magérrimas, mas conseguem. Siga-me.

Ela andou para a cozinha. Surpreendentemente, Duncan a seguiu. Annie apontou seu quadro de avisos.

- Está vendo isto? Nossa agenda familiar. Kami é uma es¬tudante estrangeira do sistema de intercâmbio. Bem, não real¬mente. Ela é de Guam e fez intercâmbio no ensino médio. Ago¬ra faz faculdade aqui. É amiga de minhas primas e não tem condições de pagar seu próprio lugar. Então mora aqui também. E apesar de todas ajudarem o máximo que podem, ainda não é o bastante.

Annie respirou fundo.

- Eu estou alimentando três garotas em idade universitária, pagando aproximada-mente metade do valor das faculdades, pela maior parte dos livros, e mantendo um teto sobre suas ca¬beças. Eu também tenho um carro velho, uma casa em constan¬te necessidade de reparos e muitos empréstimos para minha própria educação. Faço tudo isso com o salário de uma professora de jardim da infância. Portanto, não. Hipotecar minha casa, o único bem que tenho no mundo, não é uma opção.

Ela olhou para o homem alto e musculoso em sua cozinha e rezou para que o tivesse tocado.

Isso não aconteceu.

- Embora isso tudo seja interessante - disse ele - , não me devolve os 250 mil dólares. Se você sabe onde seu irmão está, sugiro que lhe diga para aparecer. Será melhor para ele dessa forma do que se for encontrado e preso.

Annie sentia como se o peso do mundo tivesse descido sobre seus ombros.

- Não. Eu lhe pagarei em prestações. Cem dólares por mês. Duzentos. Posso fazer isso, juro. - Talvez ela pudesse arranjar um segundo emprego. - Faltam menos de quatro semanas para o Natal. Você não pode jogar Tim na cadeia agora. Ele precisa de ajuda. Precisa se curar do vício. Enviá-lo para a pri¬são não vai mudar nada. E não é como se você precisasse do dinheiro.

O gelo retornou aos olhos acinzentados.

- E esse fato torna roubar uma atitude certa? Annie estremeceu.

- É claro que não. É somente que... Por favor. Eu trabalha¬rei com você. É de minha família que está falando.

- Então hipoteque sua casa, sra. McCoy.

Havia uma determinação no tom de voz de Duncan. Uma promessa de que ele falava sério sobre pôr Tim na cadeia.

Como ela deveria decidir? A casa ou a liberdade de Tim. O problema era que não acreditava que ajudaria seu irmão se hi¬potecasse a casa, mas como poderia deixá-lo ser preso?

- Isso é impossível - disse ela.

- Na verdade, é muito fácil.

- Para você - retrucou Annie. - O que você é? O homem mais cruel do planeta? Dê-me um segundo aqui.

Ele enrijeceu de leve. Se ela não o estivesse olhando fixa¬mente, não teria notado a súbita tensão nos ombros largos ou o estreitar dos olhos acinzentados.

- O que você disse? - perguntou ele, a voz baixa e controlada.

- Pedi que você me desse um minuto. Talvez haja outra opção. Um acordo. Eu sou boa em negociar. - O que ela real¬mente queria dizer é que era boa em negociar com crianças ir¬racionais, mas duvidava que Duncan apreciasse a comparação.

- Você é casada, sra. McCoy?

- O quê? - Annie olhou ao redor cautelosamente. - Não. Mas todos os meus vizinhos me conhecem, e se eu gritar, eles virão correndo.

A expressão divertida voltou ao rosto dele.

- Eu não estou aqui para ameaçá-la.

- Sorte minha. Você está aqui para ameaçar meu irmão. Praticamente a mesma coisa.

- Você falou que é professora de jardim da infância. Por quanto tempo?

- Esse é o meu quinto ano. - Ela nomeou a escola. - Por quê?

- Você gosta de crianças?

- Bem, é claro.

- Algum uso de drogas? Problemas com bebida alcoólica? Outros vícios?

Uma paixão exagerada por chocolate, mas aquela era real¬mente uma característica feminina.

- Não, mas eu não...

- Algum de seus ex-namorados já está na prisão?

Agora era a vez de Annie ficar furiosa.

- Ei, é da minha vida que você está falando.

- Você não respondeu a pergunta.

Annie lembrou-se de que não precisava responder. Aquilo não era problema dele. Entretanto, pegou-se dizendo:

- Não. É claro que não.

Duncan inclinou-se contra o balcão lascado e a estudou.

- E se houver uma terceira opção? Outro jeito de salvar seu irmão?

- E qual seria?

- Temos quatro semanas até o Natal. Quero contratá-la pelo período que vai de agora até o Natal. Eu pagarei você esquecen¬do metade do débito de Tim, enviando-o para uma clínica de reabilitação e estabelecendo um plano de pagamento para o res-tante do dinheiro. Para ser pago por ele quando sair da clínica.

Aquilo parecia bom demais para ser verdade.

- O que eu tenho que vale mais do que cem mil dólares?

Pela primeira vez desde que entrara na casa dela, Duncan Patrick sorriu. O movimento rápido transformou o rosto dele, fazendo-o parecer infantil e bonito. Também deixou Annie mui¬to, muito nervosa.

Ela deu um passo atrás.

- Nós não estamos falando de sexo, estamos? - perguntou com desespero.

- Não, sra. McCoy. Eu não quero fazer sexo com você.

Ela enrubesceu imediatamente.

- Eu sei que não sou realmente do tipo sexual.

Duncan arqueou uma sobrancelha.

- Eu sou mais a melhor amiga - continuou Annie, sentin¬do o buraco ficar cada vez mais profundo. - A garota com quem você conversa, não a garota com quem você dorme. Aquela que você leva para casa e apresenta à sua mãe quando quer convencê-la de que está namorando uma boa moça.

- Exatamente - disse ele.

- O quê? Você quer me apresentar para sua mãe?

- Não. Eu quero apresentá-la para todas as outras pessoas. Quero que você seja minha namorada para todos os eventos sociais que tenho de comparecer nesse período de feriados. Você mostrará ao mundo que eu não sou um imbecil completo.

- Eu não entendo. - Ele a queria contratar para ser sua namorada? - Você poderia sair com qualquer mulher que quisesse.

- Verdade, mas as mulheres com quem eu quero sair não resolvem o meu problema. Você resolve.

- Como?

- Você ensina crianças pequenas, cuida de sua família. É uma boa garota. Eu preciso de uma boa moça. Em retorno, seu irmão não vai para a cadeia. - Ele cruzou os braços sobre o peito. - Annie, se você aceitar, seu irmão consegue a ajuda que necessita. Se negar, ele vai preso.

Como se ela já não tivesse entendido isso.

- Você não joga limpo, verdade?

- Eu jogo para vencer. Então, qual é a resposta?

Capítulo 3 Dois

Enquanto Duncan esperava por sua resposta, Annie pegou uma cadeira da cozinha e arrastou-a para perto da geladeira. Alcan¬çou o armário acima de sua cabeça e retirou uma caixa de cere¬ais de lá. Depois de abri-la, removeu um saco plástico com cho-colate M&M'S de laranja e marrom.

- O que você está fazendo? - perguntou ele, imaginando se o estresse a desequilibrara totalmente.

- Pegando meu estoque secreto. Eu moro com outras três mulheres. Se você acha que chocolate duraria mais do que 15 segundos nesta casa, está muito enganado. - Ela encheu uma das mãos de confetes de chocolate, devolveu o saco plástico para dentro da caixa e guardou na prateleira novamente.

- Por que eles são dessa cor?

Annie o fitou como se ele fosse mentalmente atrasado, então desceu da cadeira.

- Eles são de Halloween. Eu os comprei em primeiro de novembro, quando estão pela metade do preço. É um ótimo dia para comprar doces com motivos comemorativos. Eles têm o mesmo gosto dos outros. M&M'S são minha fraqueza. - Ela jogou dois confetes na boca e suspirou. - Sinto-me melhor.

Certo, aquilo era estranho, pensou Duncan.

- Você estava tomando um copo de vinho antes - disse ele. - Não quer mais?

- Em vez do chocolate? Não.

Ela estava parada ali num suéter azul sem forma, que combi¬nava com a cor dos olhos, e numa saia estampada que batia na altura dos joelhos. Os pés estavam descalços e ele podia ver que ela pintara pequenas margaridas nas unhas. Fora isso, Annie McCoy era estritamente básica. Sem maquiagem e sem jóias. Apenas um relógio inexpressivo no pulso esquerdo. Os cabelos tinham uma cor atraente. Mechas douradas caíam em cachos desalinhados abaixo dos ombros. Ela não era uma mulher que desperdiçava muito tempo com aparência.

O que era bom para ele. O exterior podia ser consertado fa¬cilmente. Estava mais preocupado com o caráter de Annie. Pelo que tinha visto nos últimos dez minutos, ela possuía compaixão e era uma pessoa carinhosa, conduzida pelo coração. No momento, ele necessitava de uma mulher de bom coração para que seu quadro de diretores parasse de pressioná-lo tempo o bastan¬te para que Duncan tirasse o controle deles.

- Você não respondeu a minha pergunta - ele a relembrou.

Annie suspirou.

- Eu sei. Principalmente porque ainda não sei o que você quer de mim.

Ele apontou para as cadeiras frágeis contra a mesa.

- Por que não nos sentamos?

Era a casa de Annie... ela deveria ter feito o convite. Entre¬tanto, pegou-se arrastando a cadeira da mesa e se sentando.

A educação ditava que ela lhe oferecesse um pouco de seu pre¬cioso estoque de M&M'S, mas tinha a impressão de que iria precisar deles mais tarde.

Duncan se sentou do lado oposto e descansou os braços grandes sobre a mesa.

- Eu dirijo uma companhia - começou ele. - Patrick In¬dustries.

- Diga-me que é uma empresa familiar - murmurou ela, sem pensar. - Você a herdou, certo? Não é tão egomaníaco que deu seu próprio nome à companhia.

O canto da boca dele se curvou num sorriso.

- Vejo que chocolate lhe dá coragem.

- Um pouco.

- Eu herdei a companhia enquanto estava na faculdade. Transformei-a do nada num império bilionário em 15 anos.

Sorte dele, pensou Annie, refletindo que não possuía nenhum tipo de reconhecimento. Ter se classificado entre os melhores alunos do país no teste de aptidão para entrar num curso supe¬rior era pouco impressionante quando comparado com bilhões.

- Para chegar tão longe e com tanta rapidez, fui implacável - continuou ele. - Comprei companhias, fundi-as com a mi¬nha e as reergui para torná-las muito lucrativas.

Annie contou os últimos M&M'S. Oito pequenos círculos de paraíso.

- Essa é uma maneira educada de dizer que você demitiu pessoas?

Ele assentiu.

- O mundo dos negócios adora uma história de sucesso, mas apenas até certo ponto. Eles me consideram cruel. A imprensa está falando mal de mim. Eu preciso mudar minha imagem.

- Por que você se importa com o que as pessoas falam a seu respeito?

- Eu não me importo, mas meu quadro de diretores se im¬porta. Preciso enganar as pessoas, fazendo-as pensar que eu te¬nho um coração. Preciso parecer - ele hesitou - bom.

Agora foi a vez de Annie sorrir.

- Não é a sua melhor qualidade?

- Não.

Ele tinha olhos incomuns, pensou ela distraidamente. O tom de cinza era um pouco assustador, mas atraente. Se não fossem tão frios...

- Você é exatamente o que parece ser - disse Duncan. - Uma professora jovem e bonita, com mais compaixão do que bom senso. As pessoas gostam disso. A imprensa vai gostar disso.

Ela o estava acompanhando até aquela última sentença.

- Imprensa?

- Não a mídia televisiva ou repórteres de coluna de fofocas. Estou falando sobre repórteres do mundo dos negócios. Entre agora e o Natal, eu tenho uma série de eventos sociais aos quais necessito comparecer e quero que você me acompanhe. Fingi-remos para todos que estamos namorando, e que você é louca por mim. Eles a considerarão uma boa pessoa e, por associação, mudarão a opinião que têm sobre mim.

Aquilo tudo parecia fácil o bastante, pensou Annie.

- Não seria mais fácil simplesmente agir de maneira boa? Isso me lembra do ensino médio, quando algumas pessoas tentavam arduamente criar estratégias para colar nas provas. Elas poderiam ter passado a mesma quantidade de tempo estudando e tirando uma nota mais alta sem nenhum risco. Mas preferiam colar.

As sobrancelhas escuras de Duncan se uniram.

- Meus motivos não estão abertos para debate. Ela pegou outro confete.

- Foi só um comentário.

- Se você concordar, então providenciarei para que seu irmão vá para o centro de reabilitação imediatamente, sob as condições que nós discutimos. Tim receberá a segunda chance que você pare¬ce acreditar que ele merece. Todavia, se você contar para alguém que o nosso relacionamento não é verdadeiro, se falar qualquer coisa ruim ao meu respeito, então Tim vai direto para a cadeia.

- Sem coletar duzentos dólares.

- Exatamente.

Um acordo com o demônio, pensou Annie, perguntando-se como uma boa garota como ela se metera numa situação daque¬la. É claro, o fato de ser uma boa garota era aparentemente o ponto principal. Ela suspirou.

A sensação de estar presa numa armadilha era muito real. Assim como era o conhecimento de que, enquanto era esperado que cuidasse de suas primas, ninguém se preocupava em cuidar dela... Nem Tim e, aparentemente, nem Duncan Patrick. Ou se preocupar com ela.

- Eu não vou mentir para minha família - disse Annie. - Minhas primas e Kami precisam saber.

Duncan pareceu considerar aquilo.

- Somente elas, então. E se contarem para alguém... Annie assentiu com um gesto de cabeça.

- Eu sei. Elas terão as cabeças cortadas. Você já participou de algum seminário sobre trabalho em equipe ou comunicações? Se incentivasse as habilidades de seus funcionários, poderia...

Os olhos acinzentados se transformaram em gelo. Annie comprimiu os lábios e parou de falar.

- Você concorda? - perguntou ele.

Ela tinha escolha? Tim precisava de ajuda. Annie tentara convencê-lo a procurar ajuda antes, mas ele sempre se recusa¬va. Talvez o fato de seu irmão ser forçado a passar algum tempo num lugar seguro fizesse diferença. Uma vez que a alternativa era a sentença de prisão para Tim, ela não tinha escolha.

- Farei isso - começou ela. - Eu irei agir como sua na¬morada apaixonada entre agora e o Natal. Direi a todos que quiserem ouvir que você é doce e amável e tem coração de manteiga. - Annie franziu a testa. - Eu não sei nada a seu respei¬to. Como poderei fingir estar em um relacionamento?

- Eu lhe providenciarei material.

- Essa não será uma leitura feliz? Ele ignorou o comentário.

- Em retorno, Tim irá receber a ajuda que necessita, cin¬qüenta por cento do débito será esquecido, e ele terá um plano de pagamento razoável para saldar o restante da dívida. Você tem um guarda-roupa apropriado?

Annie comeu o último confete.

- Defina apropriado.

Duncan a estudou com tanta intensidade que a fez perder o fô¬lego. Antes que ela pudesse reagir, ele olhou ao redor da cozinha velha, seu olhar se demorando sobre o piso sintético deformado.

- Alguém irá entrar em contato para combinar uma sessão com um estilista - disse ele. - Quando o mês acabar, você pode ficar com as roupas. - Duncan se levantou.

Ela fez o mesmo e o seguiu.

- Que tipo de roupas?

- Roupas sociais e vestidos de noite. - Ele parou perto da porta da frente e a encarou.

- Eu tenho o vestido do meu baile de formatura.

- Tenho certeza que você não se sentiria à vontade usan¬do-o em um destes eventos.

- Isso está realmente acontecendo? - perguntou ela. - Nós estamos tendo essa conversa?

- Está e estamos. A primeira festa é no sábado à noite. Mi¬nha assistente irá lhe telefonar com as informações. Por favor, esteja pronta no horário.

Ele fez sua sala de estar diminuir de tamanho, parecendo muito másculo para o sofá com estampa de flores e para as cor¬tinas de renda. Annie nunca teria imaginado um homem como ele na sua vida, mesmo temporariamente.

- Sinto muito que meu irmão tenha lhe roubado - disse ela.

- Ele não é sua responsabilidade.

- É claro que é. Ele é da família.

Por um segundo, Duncan deu a impressão de que ia falar al¬guma coisa, mas em vez disso foi embora. Annie fechou a porta e perguntou-se como ia contar para suas primas e para Kami no que tinha se metido.

No sábado de manhã, Jenny e Julie olharam para Annie com expressões idênticas de choque, seus olhos verdes arregalados, as bocas parcialmente abertas. Kami parecia tão surpresa quan¬to as primas de Annie.

- O quê? - perguntou Julie. - Você fez o quê?

Annie adiara contar a elas o máximo de tempo que tinha sido capaz. Escondera o fichário que chegara na quinta-feira, empurrando-o para debaixo da cama, então fingindo que não existia. Seu primeiro "encontro" com Duncan era naquela noite, então teria de ler as informações contidas no fichário.

- Eu concordei em sair com o chefe de Tim por um mês. Nós não estamos realmente namorando - adicionou ela, apres¬sadamente. - Vamos fingir até o Natal. Eu vou ajudar a cons¬truir uma nova imagem para ele.

Mas Annie ainda não sabia bem como isso deveria aconte¬cer. Duncan esperava que ela desse entrevistas? Ela não seria muito boa nisso. Podia facilmente ficar em pé diante de uma sala de crianças de 5 anos, mas uma multidão de adultos a dei¬xaria nervosa.

- Eu não entendo - murmurou Kami, piscando-lhe. - Por quê?

Jenny e Julie trocaram um olhar.

- Isso é tudo por causa de Tim, não é? - questionou Jenny. - Ele está encrencado.

- Um pouco - admitiu Annie. - Ele... Ah, usurpou algum dinheiro. Mas Duncan o mandará para um centro de reabilita¬ção e isso vai ajudar.

- Ajudar Tim, não você. - Julie pôs urna mecha de cabelos castanho-claros atrás da orelha. - Deixe-me adivinhar. Tim a envolveu nisto de alguma forma. O que ele falou ao chefe sobre você?

- Ele não falou sobre mim, especificamente. Foi... - Ela pigarreou. Apesar de não querer contar às primas o que tinha acontecido, acreditava em falar a verdade. Bem, exceto quando se tratava de seu estoque secreto de M&M'S.

Ela rapidamente explicou sobre os 250 mil dólares, como Duncan perdoaria metade da dívida e permitiria que Tim pagas¬se a outra metade depois que saísse do centro de reabilitação e estivesse trabalhando novamente.

Julie se levantou.

- Eu juro, Annie, você é impossível.

- Eu? O que eu fiz?

- Cedeu. Deixou Tim fazer isso com você novamente. Está sempre tirando seu irmão de encrencas. Quando ele tinha 7 anos e roubou o minimercado perto de casa, você assumiu a culpa e pa¬gou pelas barras de chocolate. Quando Tim estava no ensino mé¬dio e cabulava aulas, você convenceu o diretor a não suspendê-lo. Ele precisa enfrentar as conseqüências dos seus atos.

- Ele não precisa ir para a cadeia. Como isso vai ajudar?

- Se o sofrimento for grande o bastante, então talvez ele aprenda uma lição.

Jenny assentiu, enquanto Kami parecia desconfortável.

- Ele precisa de ajuda - insistiu Annie com teimosia. - E é meu irmão.

- Mais um motivo para você querer que ele cresça e seja responsável - argumentou Julie.

Annie suspirou.

- Eu prometi.

Quando sua mãe estava morrendo, fizera Annie jurar que cuidaria de Tim, independentemente de qualquer coisa. As gêmeas trocaram outro olhar.

- Não tem jeito - Kami falou para as irmãs. - Vocês co¬nhecem Annie. Ela sempre vê o melhor nas pessoas.

Annie levantou-se e tocou o braço de Julie.

- O acordo não é tão ruim assim. Eu vou sair com um sujei¬to rico por um mês, ir á festas chiques. Nada mais.

As três garotas a olharam. Annie sentiu que começava a enrubescer.

- Nada mais - repetiu ela. - Sem sexo, então nem mes¬mo pensem sobre isso. - Annie sorriu. - Eu não teria contado a ninguém, exceto que vou sair muito, e vocês acabariam notando. Enquanto isso, preciso da ajuda de todas. Duncan está enviando um estilista para me levar às compras e adquirir al¬guns trajes sociais e vestidos de noite. Eu não precisarei das roupas depois desse mês, mas poderei ficar com elas. Então pensei que talvez vocês três quisessem ir junto e me dar opini¬ões. Poderão pegar qualquer traje emprestado depois que eu acabar o trabalho.

Como ela esperava, houve uma excitação geral, enquanto as três saltavam e gritavam.

- Verdade? - perguntou Jenny.

- Hã-hã. O estilista deve chegar a qualquer segundo, e nós iremos às compras. Então, vocês querem ir comigo?

Elas mal tiveram tempo de concordar quando a campainha tocou. Jenny e Julíe correram para abrir a porta.

- Meu Deus! - exclamou um homem. - Digam-me que Duncan não está namorando gêmeas. Embora vocês duas sejam maravilhosas. Já pensaram em trabalhar como modelo?

As gêmeas riram em resposta.

Annie entrou na sala, onde um homem loiro, alto e magro estava olhando para suas primas.

- Amei os cabelos - disse ele, mexendo nas pontas dos cabelos de Julie. - Talvez mais algumas camadas para abrir seu rosto e dar volume aos seus cabelos. Tente um olho esfumaçado. Você ficará deliciosa. - Ele olhou para Annie então e arqueou as sobrancelhas. - Agora, você parece exatamente o estereótipo da professora de jardim da infância, portanto deve ser Annie. No que estava pensando para ajudar alguém como Duncan? O homem é um completo imbecil cruel. Sexy, é claro, não que ele me notaria algum dia. - Ele sorriu. - Eu sou Cameron, a propósito. E, sim, sei que é um nome feminino. Falo para minha mãe que é por isso que eu sou gay.

Ele olhou por sobre o ombro quando Kami entrou na sala e suspirou.

- Eu não sei quem você é, querida, mas oferece uma con¬corrência dura para essas duas belezas. Gostosa.

Kami riu.

- Seja realista.

- Eu sou realista. O mais realista.

Annie apresentou as garotas. Cameron sentou-se no sofá gasto da sala e tirou alguns envelopes de uma pasta.

- Venha aqui, professorinha - disse ele, batendo na almofada ao seu lado. - Nós temos de estudar a programação. Duncan tem 15 eventos sociais até o Natal, e você estará com ele em todos.

Ele lhe passou um dos envelopes finos.

- Você recebeu as informações sobre a origem de Duncan, certo?

Ela assentiu, embora só tivesse lido a biografia básica.

- Impressionante. Ele entrou na faculdade com uma bolsa de estudos, lutando boxe.

Os olhos castanhos de Cameron se arregalaram de leve.

- Você parece surpresa.

- Eu fiquei. Isso não é tradicional.

- O tio de Duncan é Lawrence Patrick. O boxeador.

- Eu já ouvi falar dele - disse Julie. - Ele é meio... velho, mas muito famoso.

Annie também já tinha ouvido falar do homem.

- Família interessante - comentou ela.

- Duncan foi criado pelo tio. É uma história fascinante, uma que deixarei que ele lhe conte pessoalmente. Vocês irão passar muito tempo juntos.

Não era alguma coisa na qual Annie quisesse pensar enquan¬to pegava a segunda pasta que Cameron oferecia. Aquela conti¬nha um questionário que ela deveria preencher, de modo que Duncan pudesse fingir que sabia tudo a seu respeito.

O que estivera pensando quando havia concordado com essa loucura? Mas antes que até mesmo pudesse considerar voltar atrás, não que fosse fazer isso, Cameron conduzira todas elas para a longa Iimusine que os aguardava, a fim de levá-los para fazer compras.

Cinco horas depois, Annie estava exausta. Tinha experimen¬tado dúzias e dúzias de vestidos, blusas, calças e casacos. Cal¬çara e tirara inúmeros sapatos, pusera pequenas bolsas brilhan¬tes nos ombros, e suportara ajustes em sutiãs feitos por uma mulher mais velha de aparência carrancuda.

Agora, estava sentada com papel alumínio na cabeça, olhan¬do para esmalte cor-de-rosa que secava em suas unhas. Quando eles tinham saído das compras para um salão de beleza, Annie ficara aliviada ao saber que poderia finalmente se sentar.

Cameron apareceu com um copo de água com limão e um prato com frutas e queijos.

- Cansada? - perguntou ele de modo compassivo.

- Totalmente exausta. Eu nunca fiz tantas compras na vida.

- As pessoas subestimam a energia requerida para fazer compras. - Cameron acomodou-se na cadeira vazia ao seu lado. - Realizar isso de maneira adequada exige esforço.

- Aparentemente. - Embora na opinião de Annie todos os trajes houvessem servido, ele insistira que as costureiras da loja dobrassem e alfinetassem até que estivessem perfeitos.

Cameron entregou-lhe uma folha de papel, constando uma lista de trajes, seguidos pelos sapatos e bolsas que combinavam com cada um. Ela riu.

- Você deve pensar que eu sou totalmente inapta, embora eu admita que talvez não fosse capaz de me lembrar de tudo.

- Eu não poderia arriscar que você se confundisse. Comple¬tar um visual requer diversas habilidades. Por isso os bons esti¬listas ganham muito dinheiro.

- Então você é famoso? - perguntou ela. Ele sorriu modestamente.

- No meu mundo. Eu tenho algumas celebridades como clientes, que mantenho felizes. Diversos tipos empresariais, como Duncan, que me querem para conservar seus guarda-rou¬pas atualizados sem estarem na moda. Não que Duncan real¬mente se importe com o que veste. Ele é um homem tão típico.

- Como vocês se conheceram?

Cameron arqueou as sobrancelhas.

- Nós fomos colegas de quarto na faculdade.

Se Annie estivesse bebendo sua água com limão, teria en¬gasgado.

- Sério?

- Eu sei. Difícil de imaginar. Pelo menos nós nunca quise¬mos namorar a mesma pessoa. Eu estava estudando História da Arte na época. Fiz um ano de faculdade antes de perceber que moda era minha verdadeira paixão. Mudei-me para Nova York e tentei me tornar designer. - Cameron suspirou. - Eu não tenho paciência para criar. Todas aquelas costuras. Não era para mim. Então arrumei um emprego como comprador numa loja de de¬partamento luxuosa. Depois comecei a trabalhar com os clientes realmente exclusivos da loja. O resto, como dizem, é história.

Annie tentou imaginar Duncan e Cameron compartilhando um dormitório num campus universitário, mas não foi capaz.

- E quanto a você? - perguntou ele. - Como se envolveu com o lobo mau?

- É assim que você o chama?

- Não na frente dele. Duncan poderia me bater. - Mas Cameron estava sorrindo enquanto falava, e havia afeição no seu tom de voz. - Então, o que aconteceu?

Annie lhe contou sobre Tim e o dinheiro.

- Eu não poderia deixar meu irmão ir para a cadeia - disse ela. - Não quando havia uma chance de salvá-lo.

- Querida, você é uma pessoa boa demais. Cuidado para que Duncan não a mastigue e depois a cuspa.

- Você não precisa se preocupar. Isso é um negócio. Eu não estou interessada nele pessoalmente.

- Hã-hã. Você diz isso agora, mas Duncan é muito carismático. Conselho de amigo. Não se deixe enganar pelo exterior educado. Duncan é um lutador, você, não. Se houver uma bata¬lha, ele vai vencer.

- É amabilidade da sua parte se preocupar, mas não há necessidade disso. Mesmo se eu me apaixonasse por ele - algo que ela nem podia começar a imaginar -, ele não corresponde¬ria. Seriamente. Não posso imaginar que sou o tipo de Duncan.

- Você não é Valentina.

- Quem?

- Valentina. A ex-esposa dele. Deslumbrante, porém fria. Lembra-se da fala do filme Uma linda mulher? Sobre ser capaz de congelar o traseiro de alguém? Essa é Valentina.

Annie ficou surpresa ao descobrir que Duncan tinha sido ca¬sado, embora provavelmente não devesse ter ficado. Ele era um homem bem-sucedido com seus trinta e poucos anos. Fazia sen¬tido que tivesse encontrado alguém.

- Há quanto tempo eles estão divorciados?

- Alguns anos. Ela me assusta. - Ele tremeu. - Então, basta sobre Duncan. E você? Por que uma boa garota como você não está casada e feliz no casamento?

Annie pegou um morango. Uma questão eterna, pensou com tristeza.

- Eu tive dois relacionamentos sérios. Nas duas vezes, eles terminaram tudo, ambos alegando que me viam mais como amiga do que como o amor de suas vidas.

Ela falou em tom de voz leve, como se as palavras não im¬portassem, como se não estivesse mais machucada. Não que sentisse falta de algum deles. Não mais. Todavia, começava a se perguntar se havia algo errado com ela. Se lhe faltava alguma coisa. Os dois relacionamentos tinham durado um total de qua¬tro anos e meio. Ela se apaixonara, ou assim acreditara. Havia sido capaz de imaginar um futuro, casamento, filhos. Aqueles eram os dois únicos homens com quem dormira, e para Annie o sexo fora bom. Talvez não tão mágico quanto descrito por suas amigas ou nos livros, mas ainda assim muito bom.

Todavia, isso não tinha sido o bastante. Não o sexo ou o seu coração. Os dois homens haviam partido. E o fato de ambos falarem praticamente a mesma coisa a deixara intrigada.

- Eu não quero ser a melhor amiga - sussurrou Annie com firmeza.

Cameron deu-lhe um tapinha na mão.

- Conte-me sobre isso.

* * *

Annie estava imensamente grata que Hector, o gênio do salão de beleza, penteara seus cabelos para a noite. Ele transformara seus cachos numa cascata de ondas sedosas que passavam de seus ombros. A assistente de Hector havia aplicado sua maquia¬gem também, então tudo que Annie precisava fazer era colocar o vestido e calçar os sapatos certos. Cameron sugerira um ves¬tido formal para o evento. Agora ela olhava para a roupa e ima¬ginava se teria coragem.

O vestido era elegante, porém simples... Sem manga com um decote redondo. Reto, embora não justo, e caindo até o meio das coxas. Era o comprimento que a fazia querer se contorcer enquanto se olhava no espelho acima da penteadeira. Se mantivesse o espelho reto, parecia bem. É claro, só podia se ver da cintura para cima. Se inclinasse o espelho para baixo, conseguia ver seus tornozelos, e uma extensão muito longa de pernas à mostra.

Dizer a si mesma que para muitos padrões o vestido nem era considerado curto não ajudou. Annie estava acostumada com saias que batiam na altura dos tornozelos. É claro, isso era na sala de aula, onde constantemente tinha de se abaixar sobre car¬teiras pequenas ou sentar-se no chão. Aquilo era diferente.

Infelizmente, as garotas não estavam por perto para que An¬nie lhes pedisse opinião. Elas haviam ido ao cinema, deixan¬do-a sozinha para decidir. Ela poderia trocar de roupa, mas não sabia o que mais seria apropriado para a festa.

Antes que fosse capaz de decidir o que fazer, a campainha tocou. Annie olhou para o rádio-relógio sobre o criado-mudo. Duncan estava aproximadamente dez minutos adiantado. Fica¬ria com aquele vestido mesmo.

Calçou sapatos de salto alto, balançou-se por um segundo, então foi para a sala de estar. Incerta do que Duncan diria ou do que esperar da noite, respirou fundo e abriu a poíta.

Mas o homem parado ali não era Duncan, e não parecia feliz.

- Que diabos você fez? - Tim exigiu saber, enquanto pas¬sava por ela e entrava na casa. - Droga, Annie, você não tem o direito de me forçar a ir para uma daquelas clínicas.

- Vejo que você finalmente decidiu falar comigo - disse ela, friamente. - Eu venho deixando recados por três dias. - Desde que fizera o acordo com Duncan.

Seu irmão a encarou, os olhos azuis fuzilando de raiva.

- Você não tinha o direito.

- De fazer o quê? - questionou ela, sentindo seu próprio temperamento se alterar. - De ajudar? Você se meteu nisso, Tim. Roubou dinheiro do seu chefe. Como foi capaz?

Ele se movimentou desconfortavelmente e abaixou o olhar para o chão.

- Você não entenderia.

- Com certeza isso é verdade. Você tem um problema. É reabilitação ou cadeia.

- Graças a você - acusou Tim amargamente. Annie pôs as mãos no quadril.

- Isso não é culpa minha. Não fui eu quem jogou e não fui eu quem falou para Duncan Patrick que esta casa era sua. Você roubou e mentiu, Tim. Estava disposto a arriscar tudo no giro de um dado.

- Eu jogo cartas.

- Tanto faz. Ele a olhou.

- Você é minha irmã, Annie. Deveria me ajudar, não me jogar em alguma instituição. O que mamãe diria?

Um golpe baixo, pensou Annie, mais resignada do que furiosa.

- Ela pensaria que você é uma grande decepção. Diria que está na hora de você crescer e assumir responsabilidades.

Tim nem sequer piscou.

- Não precisa ser assim - argumentou ele. - Você poderia ter hipotecado a casa. É metade minha, de qualquer forma.

- Era metade sua. Eu comprei sua parte, lembra? Estou cansada disso, Tim. Cansada de você esperar que eu o salve. Sempre cuidei de você, que nunca foi grato ou tentou mudar.

- Você me deve isso. - Tim moveu-se para mais perto. Ele era muito maior e mais alto. - Vai hipotecar a casa, Annie. De um jeito ou de outro. Está me ouvindo?

Ela estava muito surpresa para sentir medo. Antes que pu¬desse decidir o que fazer em seguida, Duncan entrou pela porta entreaberta.

- McCoy - disse ele.

Tim virou-se para encarar seu chefe.

- O que você está fazendo aqui?

- Eu tenho um encontro com sua irmã.

Tim voltou-se para Annie, então a olhou de cima a baixo.

- Você vai sair com ele? Ela assentiu.

A boca de Tim se torceu num sorriso amargo.

- Inacreditável. Eu estou na pior situação possível e você vai ter um encontro romântico. Maravilha. E depois diz que não ignora a família.

A acusação a irritou.

- Você não sabe do que está falando - sussurrou ela. - Isso se trata de salvar a família, algo com o que você não se importa.

Duncan agarrou o braço de Tim.

- Ela está certa. Como nós discutimos, você irá se apresen¬tar na clínica de reabilitação amanhã por volta das 9h, ou rece¬berá um mandado de prisão.

Tim olhou entre eles.

- Vocês estão nisso juntos. Está me vendendo juntamente com este imbecil? Droga, Annie.

Duncan se posicionou entre os irmãos.

- Basta, McCoy. É hora de você ir embora. Lembre-se, por volta das 9h amanhã.

- Por que esperar? - perguntou Tim amargamente. - Eu irei agora.

- Isso é provavelmente melhor ainda.

Tim livrou-se da mão de Duncan, então andou para a porta. Pausou, virou-se e olhou para Annie.

- Você pelo menos se importa?

Annie pressionou os lábios e recusou-se a responder. Tim a manipularia se ela lhe desse a chance. Annie nunca tinha sido capaz de enfrentá-lo, mas talvez fosse hora de começar a apren¬der a fazer isso.

Ela endireitou os ombros.

- Boa sorte, Tim. Espero que você supere seu vício. Ele a encarou fixamente.

- Não importa se eu superar ou não, Annie. De qualquer maneira, nunca irei perdoar você.

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