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Um CEO na minha vida

Um CEO na minha vida

Autor:: Taisa Morais
Gênero: Romance
Sophie, uma mulher madura e dedicada, se vê diante de uma reviravolta inesperada em sua vida. Após um trágico acidente que tira a vida de seu marido, Vittorio, ela se vê sozinha e desamparada, tendo que lidar com a dor da perda e a difícil tarefa de cuidar de seus dois filhos. Em "Um CEO na Minha Vida", somos levados a acompanhar a jornada de superação e auto descoberta de Sophie. Uma história emocionante e inspiradora sobre recomeços, amor e resiliência. Sophie descobre em si mesma uma força que não sabia possuir, e enfrenta os desafios com coragem e determinação, provando que é capaz de superar qualquer obstáculo que a vida coloque em seu caminho. Uma história que nos ensina que mesmo nos momentos mais difíceis, é possível encontrar a luz no fim do túnel e voltar a sorrir.

Capítulo 1 Acidente

Era mais uma tarde linda de verão em Joanesburgo. O céu estava azul, o sol brilhava intensamente, e as ondas batiam suavemente na praia. O vento, fresco e suave, trazia consigo o cheiro do mar, criando a atmosfera perfeita para o último dia de férias da família.

Benício

_Corre, mamãe!_

Sophie olhou para o filho, um menino cheio de energia, de pés descalços, correndo em direção à água.

Sophie

_Benício, não corra muito, cuidado com o mar!_

Ela sabia que ele amava o oceano, mas, como mãe, sempre estava preocupada com sua segurança. Seus olhos seguiam o movimento de Benício quando, de repente, ela foi tirada do chão por mãos familiares.

Narração

Você está distraída olhando seu filho, quando seu marido, Vittorio, te pega no colo de forma divertida.

Vittorio

_Corre, mamãe! É o nosso último dia de férias!_

Ele riu enquanto a girava no ar. Sophie soltou uma risada surpresa, segurando-se em seu pescoço. A brincadeira leve e cheia de carinho era uma de suas marcas. Luna, sua filha mais velha, correu logo atrás.

Luna

_Olha, mamãe! Eu pareço uma sereia!_

Ela se atirava no mar com graça, tentando imitar uma sereia. Suas risadas enchiam o ar de alegria.

Benício

_Eu sou um tritãozinho!_

O pequeno Benício gritava, seguindo a irmã na água, enquanto Sophie olhava para eles, seus dois filhos, sentindo o coração cheio de amor. O dia na praia foi marcado por brincadeiras, construções de castelos de areia, e muitas risadas.

Quando o sol começou a se pôr, era hora de voltar para a casa de praia. A despedida daquele cenário paradisíaco era sempre difícil, mas a promessa de voltar no próximo verão suavizava a tristeza.

Benício

_Já acabou? Eu queria ficar mais._

Luna

_Eu também, mamãe! Podemos voltar?_

Sophie sorriu ao ver o brilho nos olhos dos filhos. Eles sempre amaram aquele lugar.

Sophie

_Vamos voltar no próximo verão, meus amores. Agora vão dormir, pois sairemos amanhã bem cedinho._

Ela beijou cada um na testa, os cobriu com o lençol leve e, silenciosamente, saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

No quarto de casal, Vittorio já estava deitado, apenas de cueca boxer, com um livro nas mãos. Ao ouvir Sophie entrar, ele colocou o livro no criado-mudo e tirou os óculos.

Vittorio

_Eles já dormiram?_

Sophie

_Já sim, estavam exaustos._

Vittorio abriu as pernas e fez sinal para que ela se sentasse entre elas. Sophie se aconchegou, sentindo o calor familiar de seu corpo. Ele afastou seus cabelos e começou a massagear seus ombros com carinho, depositando beijinhos leves em sua nuca.

Vittorio

_E você? Também está exausta?_

Sophie

_Muito! As crianças estavam agitadas._

Vittorio

_Elas estavam animadas. É o nosso último dia de férias... vou sentir falta disso._

Sophie

_Querido, nas próximas férias voltamos, como sempre fazemos._

Vittorio

_Você tem razão..._

Sophie percebeu uma leve mudança no tom de Vittorio, um ar de preocupação pairava sobre ele.

Sophie

_O que foi, Vittorio? Por que ficou triste?_

Vittorio

_Nada... é bobagem. Só estava pensando que espero sempre ter condições de manter essa tradição, de voltarmos aqui onde nos noivamos. Isso é especial para mim._

Sophie

_Claro que vamos voltar! Quem sabe com mais um filho..._

Os olhos de Vittorio se iluminaram ao ouvir aquilo. Ele já vinha pensando nisso, mas não sabia se Sophie estava pronta para mais um bebê.

Vittorio

_Sério? Eu adoraria! Já estava pensando nisso, mas não sabia se você ia querer._

Sophie

_Claro que quero, por isso me casei com você. Somos uma equipe._

Vittorio

_Então está decidido. Vamos aumentar nossa família._

Sophie

_Vou parar de tomar a pílula._

Vittorio sorriu e, sem dizer nada, abraçou Sophie, a envolvendo em um carinho silencioso e significativo. Eles passaram o restante da noite trocando carícias, conversando sobre o futuro, e aproveitando os últimos momentos de suas férias.

Na manhã seguinte, Sophie acordou primeiro. O sol ainda estava começando a iluminar o horizonte. Ela se levantou cuidadosamente, tentando não acordar Vittorio, e começou a se arrumar para a viagem de volta. Enquanto se olhava no espelho, Vittorio se levantou, sorrindo ao vê-la.

Vittorio

_Bom dia, querida! Você está radiante._

Sophie

_Obrigada!_

Antes que pudessem continuar, as crianças entraram correndo no quarto e se jogaram na cama.

Benício

_Estamos prontos!_

Sophie

_Bom, então é isso, pessoal. De volta à rotina._

Luna

_Prometem que vamos voltar no próximo verão?_

Vittorio pegou as crianças no colo, sentindo o peso leve deles, e sorriu.

Vittorio

_O papai promete que vamos voltar. Aqui sempre vai ser o nosso refúgio, foi onde eu pedi a mamãe em casamento._

Ele fez uma pausa, observando os rostos atentos dos filhos.

Vittorio

_Quero que vocês continuem essa tradição, mesmo depois de grandes. Certo?_

Luna

_Certo, papai._

Benício

_Combinado, capitão!_

Sophie não resistiu e se jogou no meio deles.

Sophie

_Agora, abraço de ursooo!_

Todos riram e se abraçaram, sentindo o calor da família. Após esse momento de união, eles começaram a organizar as malas no carro, se preparando para pegar a estrada de volta.

A viagem começou tranquila. As crianças cantavam no banco de trás, animadas e felizes, enquanto Sophie e Vittorio conversavam sobre as memórias das férias. O clima no carro era de leveza, até que, de repente, em uma curva perigosa, Vittorio perdeu o controle do veículo. O carro capotou.

Tudo aconteceu em questão de segundos. Sophie sentiu o mundo girar ao seu redor. Seu coração disparou, seus ouvidos zuniram, e seu corpo ficou completamente fraco. Ela ouvia gritos, mas não conseguia reagir. Seu corpo parecia cair em um abismo escuro e profundo.

Quando finalmente abriu os olhos, Sophie estava em um quarto de hospital. A luz fraca da manhã entrava pela janela, e sua mãe, Luzia, estava ao seu lado, segurando sua mão.

Sophie

_Mamãe? E as crianças?_

Luzia

_Estão bem, querida. Não se machucaram._

Sophie suspirou aliviada, mas algo ainda a perturbava.

Sophie

_E o Vittorio?_

Sua mãe ficou em silêncio por um instante. O coração de Sophie apertou.

Sophie

_Mamãe, onde está o Vittorio?_

Luzia

_Sinto muito, querida..._

E naquele momento, Sophie soube. O vazio se instalou em seu peito, e as lágrimas rolaram silenciosamente por seu rosto.

Capítulo 2 A vida é um sopro

Luzia

- Vittorio não resistiu!

Sophie

- Não, não... Isso não pode ser verdade, ele estava do meu lado! - Minhas palavras saem sufocadas, e sinto o mundo desabar sobre mim.

Narração

Minha mãe se aproxima e me envolve em um abraço apertado, tentando me consolar. O calor familiar dela deveria me acalmar, mas o vazio que sinto é imenso, e nenhuma palavra parece suficiente para preencher o buraco que a morte de Vittorio deixou.

Luzia

- Você precisa ser forte pelas crianças, Sophie. Elas vão precisar de você agora mais do que nunca.

Sophie

- E quem vai ser forte por mim? - Sinto minha voz tremer, como se cada palavra pesasse toneladas, carregada de desespero e solidão.

Luzia

- Oh, meu bem... - Ela faz uma pausa, seus olhos brilham de tristeza, mas ela se mantém firme. - Você não faz ideia do quanto isso dói em mim também. Perder um genro que amava como um filho...

Sophie

- Eu só tinha ele, mãe... e ele só tinha a mim. Como vou fazer agora? - As palavras mal conseguem sair. A ideia de enfrentar o futuro sem Vittorio me parece impossível, um pesadelo do qual não consigo acordar.

Luzia

- Nós vamos dar um jeito, filha. Mas você precisa reagir, por eles. Seus filhos precisam de você agora mais do que nunca.

Sophie

- Você tem razão... - Tento respirar fundo, mas o ar parece não entrar. - Me dê alguns minutos.

Narração

Enxugo as lágrimas com a manga da blusa, tentando me recompor. Minha mãe me olha com compreensão, acenando com a cabeça, e sai do quarto em silêncio, me deixando sozinha com minha dor.

Sophie

- Minha mãe está certa... - sussurro, sentindo o peso das palavras sobre mim. - Preciso ser forte... Meus filhos precisam de mim.

Sophie

- Mas como vou fazer isso? Eu não trabalho... A herança de Vittorio vai demorar para ser liberada. Como vou sustentar as crianças? - Me sinto sufocada. O peso da responsabilidade, a ausência dele, tudo parece me esmagar de uma vez só.

Narração

Minha mente vagueia, perdida em pensamentos sobre como as coisas chegaram a esse ponto. De repente, a porta se abre e Luna e Benício entram no quarto, interrompendo minha espiral de pensamentos.

Luna

- Mamãe!

Narração

Meu coração se aperta ainda mais. Não posso deixar que eles vejam minha dor. Coloco o melhor sorriso que consigo forçar no rosto.

Sophie

- Oi, meus amores... Vem aqui, a mamãe quer dar muitos beijos.

Narração

As crianças correm até mim e pulam na cama, enchendo-me de abraços e beijos. Tento por um instante acreditar que tudo está bem, que nada mudou, mas a verdade é como um soco no estômago.

Benício

- Mamãe, você está bem?

Sophie

- Estou, sim, meu amor. Logo vamos para casa.

Sophie

- E o papai? - Luna me pergunta com aqueles olhos grandes, cheios de inocência, sem entender o que está acontecendo.

Narração

Sinto meu corpo travar. Não sei como responder. Olho para minha mãe, que me observa da porta, esperando que eu diga alguma coisa. O ar parece faltar, e por um segundo acho que vou desmoronar.

Sophie

- Seu papai? Lembra quando contávamos as estrelas no céu?

Benício

- Sim, mamãe.

Sophie

- Então... - Respiro fundo, tentando manter a calma. - Seu papai virou uma linda estrelinha agora.

Luna

- Mas ele foi embora sem a gente?

Narração

Minha garganta se fecha. Tento segurar o choro, mas as lágrimas ameaçam escapar. Não posso fraquejar.

Sophie

- Sim, meu amor, ele foi embora... Mas sempre que você sentir saudades, basta olhar para o céu. A estrela mais brilhante será ele, cuidando de nós.

Luna

- E como vai ser sem o papai agora?

Sophie

- Nós vamos seguir em frente, como ele gostaria. - Sinto uma mistura de tristeza e esperança enquanto digo isso, como se tentar acreditar nas minhas próprias palavras pudesse de alguma forma torná-las verdadeiras.

Luzia

- Fiquem lá em casa por um tempo, Sophie. Vai ser melhor para todos.

Sophie

- Não, mãe... Eu preciso ficar aqui e organizar tudo. - Faço uma pausa, tentando encontrar forças. - Chegou a hora da Dra. Sophie entrar em ação.

Narração

Como advogada, sei que preciso lidar com toda a parte burocrática, apesar de a dor parecer me paralisar. Eu preciso reagir. Preciso cuidar das crianças, da casa, do futuro.

Narração

O dia do funeral chega e, com ele, uma onda de realidade se instala sobre mim. As crianças estão cabisbaixas, segurando minhas mãos, e eu já chorei até sentir que não havia mais lágrimas em mim. A casa está cheia de amigos e familiares, mas nada parece aliviar o peso da perda.

Sophie

- Alguns amigos da faculdade vieram... - murmuro, observando rostos conhecidos. - Não entendo como isso tudo aconteceu tão rápido.

Narração

Antes que eu consiga me perder nos pensamentos novamente, uma batida suave na porta me tira do transe. Jessica, minha amiga de longa data, aparece.

Jessica

- Está pronta?

Sophie

- Só um minuto, já vou descer. - Tento respirar fundo, mas tudo dentro de mim parece pesado demais para se mover.

Jessica

- Jack acabou de chegar. - Ela me observa com cautela, sabendo o que esse reencontro pode significar.

Sophie

- Jack? Ele veio? - Minha mente automaticamente volta para o passado. Eu e Jack... Faz tanto tempo.

Jessica

- Achei melhor te preparar para esse encontro.

Narração

Jessica dá um leve aceno e se afasta. Tento me recompor, ajustando o vestido, respirando fundo. Preciso parecer forte, mesmo quando tudo dentro de mim está desmoronando.

Sophie

- Jack veio... Depois de tudo, ele realmente veio. - A memória dos dias com Jack me invade. Eu estava com ele quando conheci Vittorio. Jack foi um bom namorado, mas nunca foi o amor da minha vida.

Narração

Desço as escadas, me sentindo observada por todos na sala. Minha mãe é a primeira a se aproximar.

Luzia

- Querida? - A preocupação está clara em seu rosto.

Sophie

- Estou bem. Vamos acabar logo com isso.

Narração

Em seguida, minha meia-irmã, Ester, se aproxima.

Ester

- Irmãzinha... Meus pêsames.

Sophie

- Obrigada.

Narração

Ela me abraça, de maneira breve e formal, com um tapinha nas costas que me parece frio. Há tanto entre nós que nunca foi dito.

Ester

- Papai não pôde vir, ele...

Sophie

- É melhor assim. Eu teria que expulsá-lo.

Narração

Jessica, percebendo a tensão, tenta aliviar o clima com seu jeito animado.

Jessica

- Agora é a vez da melhor amiga. Vem cá, minha linda.

Narração

Ela me puxa para um abraço caloroso. Me permito um sorriso, mas logo ouço alguém pigarrear atrás de mim. Viro-me e vejo Jack.

Jack

- Sophie... Meus pêsames.

Sophie

- Jack... - Tento manter a compostura. - Obrigada.

Jack

- Posso te dar um abraço?

Sophie

- Claro.

Narração

O abraço dele é firme, mas carrega memórias que eu achava ter deixado para trás. Jack foi importante, mas nunca foi o que Vittorio foi para mim.

Jack

- Sabe, Sophie, é difícil admitir, mas Vittorio era um homem bom. Acho que é por isso que eu o odiava.

Narração

Benício, ao ouvir isso, reage imediatamente, chutando a canela de Jack.

Jack

- Ai! Garoto!

Sophie

- Benício?

Benício

- Ninguém fala mal do meu pai!

Sophie

- Meu amor, ele não falou mal. Ele estava elogiando seu pai.

Benício

- Mas ele disse que odiava o papai!

Jack

- Está tudo bem, Sophie. Desculpa, garotão.

Narração

Benício ainda olha para Jack com raiva, mas obedece a mim, mesmo sem querer.

Sophie

- Benício... peça desculpas.

Benício

- Desculpa.

Luzia

- Ótimo. Vamos logo, já está na hora.

Narração

O velório e o enterro são insuportavelmente dolorosos. Me ajoelho diante do túmulo de Vittorio, as crianças ao meu lado, e sinto que meu coração está se partindo em mil pedaços.

Sophie

- Por que, meu amor? Por que isso aconteceu? Estávamos tão felizes...

Narração

As lágrimas finalmente caem livres, e me permito dizer adeus. Seguro um punhado de terra nas mãos e o deixo cair sobre o caixão. Vittorio agora é parte do universo, como as estrelas que prometi às crianças que representariam ele. Cada grão de terra que esfarela entre meus dedos me lembra de que ele se foi, que sua presença agora é apenas memória e saudade.

Fico ali ajoelhada, segurando a terra, enquanto as lágrimas finalmente caem livres. As crianças, sem compreender completamente, estão perto de mim, olhando para baixo. Sinto o vento passar levemente por nós, como se fosse um último sussurro de Vittorio. É difícil acreditar que nunca mais ouvirei sua voz, seu riso. Nunca mais o sentirei ao meu lado.

Depois de alguns minutos, sinto uma presença ao meu lado. Levanto o olhar e vejo Jack, que não disse uma palavra durante o funeral, mas agora está ali, em pé, ao lado do túmulo de Vittorio.

Sophie

- Jack... O que você faz aqui? O funeral já acabou, todos já foram embora.

Jack

- Precisamos conversar, Sophie.

Capítulo 3 Uma oportunidade.

Sophie

Aqui, agora?

Jack

Tem uma lanchonete aqui em frente.

Sophie

Vamos então...

Sophie

Jack, o que você quer comigo?

Jack

Primeiro, deixa eu te pagar um lanche. Aposto que não comeu nada, Sophie.

Sophie

Você me chamou para conversar ou para comer?

Jack

Nossa... não precisa me responder assim.

Sophie

Você quer que eu te responda como?

Sophie

Acabei de perder o meu marido, tenho dois filhos para sustentar e você desperdiçando o meu tempo.

Jack

É exatamente por isso que quero conversar...

Jack

Estou me mudando para cá, quero estar perto de você nesse momento. Quero te ajudar no que for preciso.

Sophie

Eu agradeço, mas não precisa. Eu me viro sozinha.

Narração

Jack pega na sua mão e acaricia por cima da mesa.

Jack

Eu sei que você é forte e consegue se virar, mas é bom ter um amigo por perto.

Sophie

Se você quiser ficar perto, não vou te impedir, mas é somente como amigo.

Jack

Eu sei. Você acabou de perder seu marido; seria muita canalhice da minha parte.

Sophie

Se já disse tudo, tenho que ir. Preciso pegar as crianças com a Jessica.

Jack

Manda um abraço para ela.

Sophie

Você sabe que ela te odeia, né?

Jack

Pelo menos te fiz sorrir.

Narração

Mesmo Jack sendo gentil, as palavras dele fazem você se sentir culpada. Culpa por estar sorrindo nesse momento de tanta dor.

Sophie

Adeus, Jack, e boa sorte na mudança.

Jack

Sophie, Sophie... você mal sabe o que te espera.

Narração

Sophie volta para casa, onde Jessica e sua mãe estão.

Cheguei.

Jessica

Grr... o que Jack queria? Eu vi ele se aproximando quando estávamos vindo embora.

Sophie

Nada demais, ele vai voltar a morar no bairro. Onde estão as crianças?

Luzia

No quarto, querida.

Narração

Você sobe até o quarto para ver seus filhos, que estão brincando.

Benicio

Mamãe!

Sophie

Oie, meus amores, como vocês estão?

Luna

Sinto falta do papai.

Sophie

Eu também sinto...

Sophie

Mas, vocês lembram que o papai gostava de ver a gente sorrindo e brincando? Vamos continuar sendo assim.

Benicio

Sim, mamãe, pelo papai.

Narração

Alguns dias depois...

Narração

Depois do funeral e alguns dias de luto, você decide visitar sua mãe.

Sophie

Vou vestir algo confortável...

Narração

Você escolhe uma blusa leve de algodão em tom pastel e uma calça jeans escura que valoriza sua silhueta. Para completar, um par de sapatilhas confortáveis que te permitem caminhar com facilidade. Ao olhar no espelho, você se sente um pouco mais confiante, mesmo que a tristeza ainda te acompanhe.

Narração

Ao chegar na casa de sua mãe, ela lhe puxa para uma conversa agradável no final da tarde, tomando um delicioso chá.

Luzia

Como as crianças estão lidando com tudo isso?

Sophie

Até que estão lidando bem. Vão voltar às aulas amanhã.

Luzia

E você?

Sophie

Não sei se vou conseguir superar. Tudo me faz lembrar dele.

Sophie

As coisas estão ficando complicadas. Estou tentando agilizar a papelada do testamento.

Sophie

Mas até hoje não saiu nada. Preciso voltar a trabalhar.

Luzia

É uma ótima ideia. Nunca entendi você ter largado sua carreira.

Sophie

Eu já disse que minha prioridade era os meus filhos. Não queria deixar eles com babá ou em escola; eu queria cuidar deles.

Luzia

Eu priorizei minhas filhas e onde eu acabei?

Sophie

É diferente, mamãe. O traste do seu marido não se compara ao Vittorio.

Sophie

Vittorio me deu todo apoio e nunca nos deixou faltar nada. Ele nunca me proibiu de trabalhar; foi uma decisão minha.

Luzia

Você não foi inteligente. A pior coisa que tem é depender de homem.

Sophie

É? Porque você não se ouve então... e vai trabalhar?

Luzia

Quem vai dar emprego para uma velha? Eu só não quero que você termine como eu.

Sophie

Eu vou voltar a trabalhar, não se preocupe.

Sophie

Apesar de não ter muito o que colocar no currículo.

Sophie

Além de ser formada com honras e ter trabalhado em um escritório de advocacia por pouco tempo.

Ester

Eu ouvi que você precisa de emprego?

Narração

Sua meia-irmã beija sua mãe e senta ao lado dela.

Ester

Onde eu trabalho tem uma vaga. Posso tentar algo para você.

Sophie

Você faria isso por mim? Nossa... muito obrigado.

Ester

Vou ligar para o Mariano.

Narração

Sua irmã sai para fazer a ligação.

Luzia

Ela fala desse Mariano há dias.

Sophie

Quem sabe ela não sossega de vez.

Luzia

Seu pai gostou dele. Mariano é o CEO da empresa. Você sabe como seu pai tem tendência a gostar de gente que tem dinheiro.

Sophie

Ele não é meu pai!

Luzia

Foi ele que te criou. Você deveria ser pelo menos agradecida e em troca tentar se dar bem com ele.

Sophie

Desculpa, mamãe, eu te amo muito, mas o seu marido não presta. Não me pedi algo impossível.

Luzia

Essa vai ser minha maior tristeza: meu marido e minha filha não se dão bem.

Narração

Antes mesmo de responder, Ester retorna com um sorriso triunfal.

Ester

Consegui! Mariano aceitou! Você pode ir fazer a entrevista amanhã mesmo.

Luzia

As coisas estão começando a dar certo. Tenho certeza que vai conseguir o emprego.

Sophie

Eu espero. Então amanhã eu vou procurar por quem?

Ester

Ah, sim, procura a Olivia do RH.

Sophie

Obrigada, maninha.

Narração

Você corre e abraça Ester.

Ester

Calma, vamos comemorar depois que você conseguir o emprego.

Luzia

Ela vai conseguir.

Ester

Mudando de assunto... Sabe do Jack?

Sophie

Não, por que?

Ester

Por nada. Encontrei com Jessica hoje. Ela me disse que ele vai voltar.

Sophie

Vai sim, mas não tive mais contato com ele desde o funeral.

Sophie

Bom... o papo está bom, mas é melhor eu ir. Tenho que arrumar uma roupa para a entrevista.

Ester

Eu sei que está correndo, para não encontrar com o meu pai.

Sophie

Inclua isso na lista também.

Narração

Você levanta rindo da situação e vai pegar as crianças.

Sophie

Benicio, Luna? Vamos...

Narração

Quando está pronta para sair, seu padrasto abre a porta.

Antenor

Olha só quem está aqui?

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