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Um Caminho Longe Dela

Um Caminho Longe Dela

Autor:: You Ran Qian Wu
Gênero: Moderno
Quando casei com Isabella Ferreira, uma rica herdeira, achei que tinha encontrado o amor. No civil, uma cerimônia simples. No mesmo dia, ela me disse, chorando, ter perdido tudo, abandonada por Ricardo. Eu, João Pedro, um humilde motoboy, jurei protegê-la. Por cinco longos anos, trabalhei exaustivamente como motoboy, palhaço de festas, até catando latinhas. Tudo para sustentar Isabella, que vivia reclusa em sua "falência", e nossa pequena Sofia. Até o aniversário de Sofia. Enquanto eu e ela, vestidos de palhaços, trabalhávamos, a vi em uma mansão luxuosa. Radiante, com joias caríssimas, rindo ao lado do tal Ricardo. Ela pegou o microfone e anunciou que todo o seu império sempre foi dele. Meu mundo desabou. Fui humilhado publicamente, minha filha chorava assustada. Aquilo era uma farsa cruel. Ela me usou, abusou do meu amor cego para me afundar na miséria. Como ela pôde ser tão perversa? Por que fingiu por tanto tempo? Não bastava a traição: ela tentou forçar Sofia a doar medula, e a mim, sangue. E, em um ato final de maldade, nos abandonou à morte nas mãos de sequestradores. Mas Sofia e eu, por um milagre, sobrevivemos. Chega! Minha paixão cega por Isabella morreu ali. Vou me divorciar. Minha filha merece felicidade, e uma mãe que a ame de verdade.

Introdução

Quando casei com Isabella Ferreira, uma rica herdeira, achei que tinha encontrado o amor.

No civil, uma cerimônia simples.

No mesmo dia, ela me disse, chorando, ter perdido tudo, abandonada por Ricardo.

Eu, João Pedro, um humilde motoboy, jurei protegê-la.

Por cinco longos anos, trabalhei exaustivamente como motoboy, palhaço de festas, até catando latinhas.

Tudo para sustentar Isabella, que vivia reclusa em sua "falência", e nossa pequena Sofia.

Até o aniversário de Sofia.

Enquanto eu e ela, vestidos de palhaços, trabalhávamos, a vi em uma mansão luxuosa.

Radiante, com joias caríssimas, rindo ao lado do tal Ricardo.

Ela pegou o microfone e anunciou que todo o seu império sempre foi dele.

Meu mundo desabou. Fui humilhado publicamente, minha filha chorava assustada.

Aquilo era uma farsa cruel. Ela me usou, abusou do meu amor cego para me afundar na miséria.

Como ela pôde ser tão perversa? Por que fingiu por tanto tempo?

Não bastava a traição: ela tentou forçar Sofia a doar medula, e a mim, sangue.

E, em um ato final de maldade, nos abandonou à morte nas mãos de sequestradores.

Mas Sofia e eu, por um milagre, sobrevivemos.

Chega! Minha paixão cega por Isabella morreu ali.

Vou me divorciar. Minha filha merece felicidade, e uma mãe que a ame de verdade.

Capítulo 1

João Pedro Silva casou com Isabella Ferreira no civil, numa cerimônia simples. Ele, um motoboy esforçado, ela, a herdeira de um império cafeicultor. No mesmo dia, Isabella anunciou com lágrimas nos olhos: "Perdi tudo, João. Ricardo me abandonou e levou cada centavo." João Pedro abraçou a esposa, o coração apertado. Ele a amava, e a fortuna dela nunca importou. Agora, importava menos ainda. Prometeu cuidar dela.

Durante cinco longos anos, a vida de João Pedro foi uma maratona. Acordava antes do sol para as entregas de aplicativo, a moto velha tossindo fumaça. Nos fins de semana, vestia fantasias de Galinha Pintadinha ou super-heróis genéricos em festas infantis, o suor escorrendo por baixo da máscara. À noite, muitas vezes, catava latinhas na rua, o barulho metálico ecoando na madrugada. Tudo para sustentar Isabella e a pequena Sofia, a filha que chegou um ano depois do casamento. Isabella vivia reclusa, lamentando a "falência", enquanto João Pedro se desdobrava.

No aniversário de cinco anos de Sofia, o dinheiro estava mais curto do que nunca. João Pedro conseguiu um bico extra: ele e Sofia, vestidos de palhaços desbotados, distribuiriam panfletos de um evento de luxo na orla do Rio. O sol da tarde era impiedoso, as fantasias, pesadas e quentes. Sofia, apesar de pequena, aguentava firme, sorrindo para o pai. "Vamos conseguir o bolo, papai?" ela perguntou, a vozinha abafada pela maquiagem.

De repente, uma mulher elegante se aproximou. "Que dupla adorável! Gostariam de fazer uma apresentação especial na festa do meu afilhado? Pago bem." João Pedro viu uma luz no fim do túnel. Era a chance de dar um presente de verdade para Sofia.

A mulher os levou para uma mansão espetacular. A festa era suntuosa, crianças ricas correndo por um jardim impecável. E então, João Pedro viu. Isabella, radiante, usando joias que valiam mais que a vida inteira dele, ria ao lado de Ricardo Almeida, o homem que supostamente a abandonara. Um menino mimado, Tiago, filho de Ricardo, agarrava-se à perna de Isabella. João Pedro sentiu o chão sumir. Sofia, ao lado dele, olhou confusa para a mãe que mal via.

Isabella pegou um microfone. Sua voz, antes chorosa, agora era firme e apaixonada. "Ricardo, meu amor, como prometi há tantos anos, antes mesmo de conhecer outras pessoas, todo o meu dinheiro, todo o meu império, sempre foi e sempre será apenas seu. E do nosso Tiago." Ela beijou Ricardo, os convidados aplaudiram. João Pedro e Sofia eram invisíveis.

A "apresentação especial" foi um pesadelo. Tiago, incentivado por Ricardo, jogava notas de dinheiro em João Pedro e Sofia, mandando-os "dançar mais, palhaços pobres". Isabella assistia, um sorriso satisfeito nos lábios. Sofia começou a chorar baixinho. João Pedro a abraçou, o coração em pedaços.

A farsa de cinco anos desmoronou. A promessa a Ricardo. O engano. A humilhação. Tudo ficou claro como o sol impiedoso daquele dia.

Lembrou-se da juventude, quando era apenas o filho do caseiro na fazenda dos Ferreira. Isabella era a princesa inatingível, sempre apaixonada por Ricardo, o playboy da cidade vizinha. Quando Ricardo a dispensou pela primeira vez, Isabella, desesperada e talvez por despeito, voltou os olhos para o humilde João Pedro, que a amava em silêncio. O casamento foi um impulso dela, uma forma de preencher um vazio ou, quem sabe, parte de um plano maior com Ricardo.

Todos os seus sacrifícios, as noites mal dormidas, o corpo exausto, as mãos calejadas de catar latinhas, tudo para que Isabella vivesse confortavelmente sua mentira. E ela, indiferente, exibia sua riqueza ao lado do amante.

Não havia mais futuro ali. A dor era insuportável, mas a decisão era clara. O divórcio era o único caminho.

Sofia, agarrada à sua perna, soluçou: "Papai, a mamãe não gosta mais da gente?" As palavras da menina, tão pequenas e tão sábias, confirmaram o que ele já sabia.

"Não, meu amor," João Pedro disse, engolindo o nó na garganta. "Mas o papai te ama mais que tudo. E eu vou te dar uma mamãe que te ame de verdade, que cuide de você."

Naquela mesma noite, enquanto Sofia dormia, João Pedro redigiu o pedido de divórcio. Imprimiu em uma lan house barata.

Isabella apareceu no barraco alugado dias depois, não para ver Sofia, mas trazida por uma intimação do oficial de justiça. Leu os papéis com desdém, assinou sem uma palavra, sem um olhar para a filha que brincava no chão de cimento. "Tenho um almoço com Ricardo," disse, e saiu, o barulho dos saltos caros ecoando na pobreza que ela mesma criara para ele.

João Pedro olhou para a assinatura dela. "Acabou," murmurou para si mesmo. Mas, no fundo, sabia que a parte mais difícil ainda estava por vir.

Capítulo 2

"Papai, a gente não vai mais ver a mamãe?" Sofia perguntou na manhã seguinte, os olhinhos ainda inchados de chorar na noite anterior. O divórcio tinha um prazo de reflexão, um mês, antes de ser finalizado.

"Vamos sim, filha," João Pedro mentiu, abraçando-a. "Mas depois desse tempo, vamos para bem longe, para um lugar onde o papai vai poder te dar tudo que você merece." Ele precisava aguentar mais um pouco.

Nos dias que se seguiram, João Pedro via Isabella nas colunas sociais online, em fotos de jantares caros e viagens luxuosas com Ricardo e Tiago. Cada imagem era uma facada. Ele, comendo pão com margarina, ela, bebendo champanhe.

Lembrou-se das vezes que deixou de comer para que Isabella e Sofia tivessem um pouco mais. Das roupas que usava até rasgarem para poder comprar um remédio para a filha. A ironia era cruel.

Uma semana antes do prazo final do divórcio, Isabella apareceu de surpresa no barraco. "Vim buscar a Sofia para um passeio," disse, um sorriso forçado nos lábios. João Pedro estranhou. Ela nunca fazia isso.

Nesse momento, o Seu Nonato, dono do barraco, chegou. "João, vim falar sobre a rescisão do contrato. Já arrumou outro lugar?"

João Pedro tentou disfarçar. "Ainda estou vendo, Seu Nonato."

Assim que Isabella saiu com Sofia, prometendo voltar em duas horas, João Pedro desabafou com Seu Nonato. "Vou me divorciar, Seu Nonato. Vou levar Sofia para Minas, para perto dos meus pais. Não aguento mais essa cidade, essa mulher."

Seu Nonato, um senhor bondoso, apertou seu ombro. "Você é um bom homem, João. Vai dar tudo certo."

As duas horas se transformaram em três, quatro. João Pedro começou a entrar em pânico. Ligava para Isabella, mas o celular só dava caixa postal. Correu para a delegacia mais próxima, mas disseram que precisava esperar 24 horas para registrar o desaparecimento. Desesperado, lembrou-se de um cartão de motorista particular que Isabella usava às vezes. Ligou, e o motorista, com pena, informou: "Deixei Dona Isabella e a menina no Hospital Particular Estrela Dourada."

Correu para o hospital. Na recepção, ninguém dava informação. Desesperado, começou a andar pelos corredores, até que ouviu a voz de Isabella vindo de uma sala. A porta estava entreaberta.

"Doutor, o procedimento é seguro para a Sofia? A compatibilidade é realmente alta? Tiago precisa dessa medula, a vida dele depende disso."

A voz do médico respondeu: "Absolutamente, Dona Isabella. Ricardo já cuidou de todos os 'detalhes' para atestar a compatibilidade. Sofia é jovem, se recupera rápido. Tiago é a prioridade."

João Pedro sentiu o sangue gelar. Isabella estava usando a própria filha.

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