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Um Contrato com o Sr. Dietrich - série CEOs Apaixonados

Um Contrato com o Sr. Dietrich - série CEOs Apaixonados

Autor:: Zana Kheiron
Gênero: Romance
Alissa Sutton jamais imaginou que um simples encontro por acaso a colocaria no centro das manchetes - e na mira de Leopold Dietrich, o herdeiro mais cobiçado e arrogante de Los Angeles. O que deveria ser apenas uma campanha de marketing para a rede de hotéis dele rapidamente se transforma em noites intensas, propostas indecentes e um contrato absurdo: ser a namorada oficial do magnata. Entre paparazzi, escândalos e segredos que a alta sociedade prefere esconder, Alissa precisa decidir se mergulha de vez nesse jogo perigoso ou se foge antes de perder o que resta de sua liberdade. Mas como fugir de um homem que parece conhecer todos os seus pontos fracos... e que sabe exatamente como dominá-la?

Capítulo 1 Primeiro Encontro

CAPÍTULO 01

- Poderemos nos divertir. E, em troca, claro, você poderá me pedir qualquer coisa.

- Qualquer coisa? - Alissa ergueu as sobrancelhas. Ela não tinha intenção de aceitar o

que Leopold Dietrich estava propondo. Por mais que o CEO na frente dela fosse um pedaço

de mau caminho, ela não estava disposta. Aquilo era se vender, não era? Se ele oferecia

um "pagamento".

- Qualquer coisa. Você só precisa dizer o que quer, e será seu. Se nos dermos bem,

senhorita Sutton, nosso relacionamento pode ficar mais sério. Minha família quer que eu me

case. O que você me diz?

- Senhor Dietrich, eu...

- Sou um homem de negócios e lhe garanto que não quero perder tempo. Nem fazer você

perder o seu. Prometo que serei fiel. Sempre fui e não é porque estaremos em um

relacionamento diferente que eu vou me portar de outra maneira. Mas... Antes de qualquer

coisa, senhorita Sutton, eu preciso de algo.

Pela expressão no rosto de Leopold, Alissa imaginou que seria algo "imoral".

- E o que seria?

- Eu preciso provar você.

Como as coisas tinham chegado àquele ponto? Leopold Dietrich era um cliente da empresa!

***

(DIAS ANTES)

- Ei, onde você está indo? - uma mulher estava gritando, bem como chorando, pelo tom

de voz.

Alissa estava voltando para o estacionamento, pois havia esquecido o laptop dentro do

carro, quando viu a cena.

- Me responde! - a mulher de cabelos vermelhos insistiu.

Alissa viu as costas de um homem alto, de ombros largos e cabelos loiro-escuro, andando

sem nem mesmo uma olhada para trás, enquanto a mulher desesperada o seguia,

ajoelhando-se no chão sujo do estacionamento. Pelas roupas, ela era alguma madame.

- Espero que suas coisas estejam fora da minha casa quando eu voltar. Caso contrário,

irão direto para o lixo. - Foi tudo o que ele respondeu, sem parar de andar. Ela não disse

nada, apenas chorou, de cabeça baixa.

Alissa se aproximou da mulher, preocupada. Ela não os conhecia, mas a pobre mulher

estava em uma situação muito triste, chorando como se a vida dela dependesse daquilo.

Seria um relacionamento abusivo?

- Ei, posso te ajudar? - Alissa perguntou, gentilmente, estendendo a mão, porém, para

sua surpresa, a mulher se virou e a encarou, os olhos cheios de lágrimas. Mas a raiva

ecoava ali.

- Fique longe de mim! - Os olhos vermelhos brilhavam.

Alissa levantou as mãos, em sinal de paz.

- Eu só quero te ajudar, senhorita. Venha, deixa eu te ajudar a se levantar. - Ao tentar

segurar no braço da mulher, Alissa quase apanhou, quando a mesma se moveu

bruscamente, a fim de não ser tocada.

- Não! Eu não preciso da sua ajuda! Quem você pensa que é para me tocar, ou mesmo

chegar perto de mim, hein!? - A mulher a olhou de cima a baixo com o que Alissa

reconheceu sendo nojo.

"Mas que... Ingrata!", Alissa estava ali parada, sem acreditar na forma como estava sendo

tratada pela mulher, apenas por oferecer ajuda! "Vai ver a abusiva é ela mesma!"

- Não perca seu tempo. Ela não merece. - O homem disse. Ambas as mulheres olharam

para ele. Alissa engoliu em seco.

- Querido, espere! Eu ando tão estressada esses dias, e aí...

- Então, você está sempre estressada? - Ele soltou uma risadinha de deboche. - Você

não passa de uma ingrata! Além de, claro, uma traidora! Não acredito que perdi meu tempo

com você! Dois malditos anos com uma...

Ele apenas a olhou por inteiro, os lábios agora apertados, mas o tom dele tinha sido severo

e implacável. Alissa tremeu, como se as palavras fossem direcionadas para ela mesma,

tamanha a intensidade do homem. O fato de ele ser grande ajudava para criar aquela aura

intimidadora.

A mulher levantou-se e caminhou na direção do homem, que estava encostado na porta do

carro, com o queixo erguido.

- Você vai se arrepender disso, Leopold Klemens Dietrich! - ela disse, quase cuspindo as

palavras, com ódio.

Alissa observou enquanto a mulher se afastava, segurando a bolsa como se fosse um saco

de plástico qualquer, e não uma edição limitada da Prada. Alissa não notou quando o

homem se aproximou dela, por trás.

- Ouvir a conversa alheia é muito feio, sabia disso? - Sua voz rouca ecoou nos ouvidos

dela, que levou um susto e franziu a testa.

Alissa inspirou fundo, antes de se virar. Ele a encarava com interesse, além de um leve

sorriso nos lábios.

"Ah, não!" Ele era lindo, realmente, com olhos azuis acinzentados, porém, Alissa já estava

acostumada a lidar com esse tipo de homem rico.

- Eu não tenho que me explicar. Agora, com licença. - Ela respondeu, mal-humorada.

Ele tinha um sorriso malicioso nos lábios.

- Você não está sendo muito educada, não é? Nem parece a mesma boa moça,

oferecendo ajuda a uma estranha.

- Sou uma pessoa muito educada; mas quando alguém não merece. - Ela o olhou de

cima a baixo. - Não sou obrigada a me fazer de sonsa, só para ser agradável.

A mão dele agarrou o pulso de Alissa.

- Você sabe quem eu sou? - O olhar de Leopold endureceu ao encará-la. .

Ela olhou para a mão dele, subindo pelo braço, até chegar ao rosto.

- Se não me soltar agora, vai saber quem EU SOU! - Sua voz saiu mais desafiadora do

que ela pretendia.

Por um momento, Leopold manteve o rosto sério, então, ele riu. Alto! Isto é, até a bolsa que

Alissa levava consigo fez contato com o rosto dele. Com um grunhido, Leopold

automaticamente a soltou, levando a mão ao local machucado.

- Você... Você ficou louca, mulher? Essa sua bolsa é pesada! - Ele massageou a

bochecha. - O que você carrega aí, tijolo?

- Você estava me segurando contra a minha vontade. Apenas me defendi. - Alissa o

olhou de cima a baixo. - Agora, tenho coisas mais importantes para fazer do que perder

mais meu precioso tempo, aqui, com você! Mais uma vez, com licença!

Ela virou as costas para o homem e foi em direção ao próprio carro. Alissa não notou como

o homem a seguiu com o olhar, o olhar de um predador. Ela pegou a maleta com o laptop e

saiu do estacionamento, porém, Leopold tinha um sorriso nos lábios enquanto encarava a

placa do carro dela.

"Mas que descuidada!" Agora, ele só precisava fazer uma busca e logo saberia tudo o que

poderia sobre aquela misteriosa mulher!

- Vamos ver por quanto tempo você consegue resistir a mim, lindeza. - Ele sussurrou

para si mesmo, passando o polegar pelos lábios.

Alissa chegou ao escritório, bufando, não de cansaço, mas ainda de raiva. Ela foi tentar

ajudar, e acabou sendo maltratada por duas pessoas!

- Argh! - ela enfiou a cabeça entre os dedos. Que porcaria tinha acontecido? Por que

aquele maldito homem não saia da mente dela? - Não passa de um homem rico achando

que pode ter tudo o que quer!

Alissa Sutton trabalhava em uma agência de marketing que atendia grandes empresas,

sendo assim, ela estava acostumada a lidar com "aquele tipo" de gente.

Ela tentou se concentrar melhor no trabalho e, quando olhou no relógio, era hora de comer

a se arrumar para ir embora.

"Finalmente, hora de ir para casa!", ela sorriu, desligando o computador e arrumando seus

pertences.

- Senhorita Sutton! Um novo e-mail foi enviado para a senhorita. É um assunto urgente. O

Sr. Wright pediu que você o olhasse agora mesmo. - Kate Fraser, a secretária, apareceu

na porta. Ela apertou os lábios, como se pedisse desculpas.

Alissa fechou os olhos, incrédula, e conteve um grito. Ela agradeceu a Kate, dispensando-a.

- Inacreditável! Ele teve o dia inteirinho para pedir qualquer coisa, mas resolveu só agora,

no meu horário de saída! - Alissa odiava fazer hora extra. Não é que ela tivesse muito o

que fazer depois dali, mas ela preferia chegar em casa, tomar banho com tempo suficiente

para lavar os cabelos e relaxar lendo alguma coisa antes de dormir. E, quem sabe, assistir

uma série.

Ela sentou-se na cadeira e abriu o laptop, novamente. Um novo e-mail estava em sua caixa

de entrada, como esperado.

"Alissa, me desculpe. Acabei de receber. É de um novo cliente. Muito importante. O

patrão disse que não podemos perder essa chance, já que o cara é um peixão. Eu sei que é

seu horário de saída, me desculpa, de verdade! Só que... É relacionado a hotéis, e como

essa é a sua área...

Boa noite e sinto muito novamente.

L.M.Wright".

Alissa respondeu com um simples "ok" e começou a trabalhar.. Ela odiava levar trabalho

para casa, então preferia ficar no escritório o tempo que fosse necessário, mas sair dali com

tudo resolvido.

Uma hora se passou e ela respondeu ao e-mail do Sr. Wright com algumas ideias. Quando

já estava arrumando sua pasta novamente, o celular dela vibrou com uma mensagem de

texto.

Senhor Wright: Alissa, o cliente quer algumas mudanças. Ele chegará aí em breve. Eu só

queria te avisar. Ele é alguém importante, ok? Tenha um pouquinho de paciência. Boa sorte

e desculpa, mesmo!

Liam Manfred Wright era um cara legal, mas Alissa não estava nem um pouco inclinada a

deixar um estranho entrar ali no escritório, com ela já sozinha! Ele ser um "peixe grande na

lagoa" não queria dizer nada para ela.

Alissa: Liam, não! Diga a ele para vir amanhã. Estou sozinha aqui! A Kate já foi embora!

Senhor Wright: Desculpe. Tarde demais.

Uma batida na porta.

"Merda!", ela amaldiçoou e se levantou, pronta para dizer ao homem que eles poderiam

remarcar para o dia seguinte. Porém, ao abrir a porta, os olhos de Alissa se arregalaram.

- Você?!

Aquele sorriso cínico era inesquecível. Aqueles olhos eram inesquecíveis.

Capítulo 2 Bons sonhos

Capítulo 02

- Olá, senhorita Alissa Sutton. Meu nome é Leopold Dietrich. - Ele ofereceu a mão para

ela. - Precisamos discutir algumas coisas.

Ele fingiu não conhecê-la. Alissa estava prestes a perguntar por que ele estava agindo

assim, mas ele moveu a boca em um "não" e apontou com os olhos para uma câmera que

captava o som na entrada.

Mesmo sem entender o motivo, Alissa sentiu que deveria entrar no jogo.

- Ah... Prazer, senhor Dietrich. Por favor, venha comigo.

"A minha curiosidade ainda vai me meter em encrencas!", ela não conseguiu deixar de

pensar.

Leopold entrou no escritório e deu uma olhada ao redor.

"Um escritório tão pequeno...", ele fez um leve bico.

Achar o proprietário do carro e informações a respeito de Alissa, através da placa do

veículo, foi fácil. Leopold precisou apenas "molhar a mão" de algumas pessoas.

Leopold sentiu que o local estava mais quente do que nunca e ele precisou se concentrar

para afastar as lembranças de Lydia e do motivo que o levou a expulsá-la de casa, naquele

estacionamento. Ele sentou-se na cadeira em frente à mesa de Alissa, cruzou as pernas e

sorriu para ela.

Leopold havia ido todo o plano de Alissa e ficou impressionado com o quão boa ela era.

Não, ele não tinha qualquer mudança para acrescentar, porém, como ele poderia deixar

passar a oportunidade de irritá-la? Algo naquela mulher o incitava a provocá-la.

"Gostosa pra cacete!" Leopold ficou embasbacado com Alissa. Os cabelos levemente

ondulados, os lábios levemente carnudos e os olhos castanhos atrevidos. Para completar,

ela usava uma roupa de escritório que acentuava todas as curvas dela, ainda que não fosse

de forma alguma vulgar.

- Seu plano é aceitável - ele falou, calmamente. Alissa ficou aliviada ao ouvir aquilo.

Quando um cliente difícil já chegava reclamando e chamando tudo de "porcaria", ela ficou

tensa imediatamente. Mas esse alívio não durou muito -, mas eu não trabalho com

"aceitável". Trabalho apenas com excelente. Você pode me dar o que eu quero, senhorita

Sutton?

Alissa olhou para ele. Aqueles lindos e sensuais olhos cinzentos que a encaravam.

- Sim. - Ela respondeu num tom que não conseguia reconhecer como sendo o seu.

Leopold sorriu e se levantou da cadeira, aproximando-se dela.

- Ótimo. Tenho algumas idéias sobre o que você deve fazer. - A voz de Leopold fazia

Alissa se sentir "estranha". - Amanhã, pela manhã, quero você na minha casa.

Ele disse, muito perto dela. Em seguida, ele puxou o telefone do bolso do paletó e enviou

uma mensagem para o Senhor Wright, pedindo ao homem que desse seu endereço a

Alissa.

- Na sua... Casa? - ela perguntou, confusa.

- Você deve estar lá às oito da manhã. - Leopold sorriu, piscou um dos olhos e fez uma

leve reverência, antes de sair.

Alissa, que estava atordoada, sentiu seu telefone vibrar. Ela nem teve uma reação

apropriada na frente daquele homem!

Senhor Wright: Tenha cuidado, ok? Ele meio que tem reputação de mulherengo, Alissa.

Você sabe como são alguns desses ricaços. Pensam que tem o rei na barriga! Qualquer

coisa, me liga e eu te tiro de lá, nem que seja com a polícia!

Alissa: Obrigada pelo conselho, Liam. Vou manter meus olhos abertos. Agora, posso ir para

casa? Tenho que estar na casa desse senhor às oito. Me manda o endereço dele, por favor.

O cretino simplesmente meteu o pé depois de jogar a bomba.

Senhor Wright: Claro, vá! E sinto muito por não ir com você amanhã. Perguntei aqui ao

chefe se eu poderia te acompanhar, mas ele disse que, se não fui convidado, eu devo ficar

de fora.

Alissa pegou sua bolsa e foi para o estacionamento. Quando ela estava abrindo a porta do

carro, ela ouviu um barulho vindo de trás dela. Ela se virou para ver o que era e, para sua

surpresa, Leopold estava lá.

- Eu só queria ter certeza de que você não dormiria aqui e esqueceria nosso encontro

amanhã. - Ele disse, com as mãos dentro dos bolsos.

"Esse cara é muito estranho! Lindo, mas estranho!"

- Não é um encontro, Senhor Dietrich. É uma reunião profissional. - Alissa tentou manter

o controle de sua voz para não demonstrar o quão afetada ela estava por ele. Então, as

palavras de Liam sobre aquele homem ser um mulherengo surgiram na mente dela.

Leopold caminhou em sua direção, com um sorriso malicioso no rosto. Ele era bonito,

charmoso e sexy, sem dúvida, mas também muito intimidante.

- Chame como preferir. - Ele a olhou de cima a baixo. - Vermelho combina com você.

Ele não olhou para ela novamente, apenas se virou e entrou no próprio carro. Suas palavras

a pegaram desprevenida, deixando-a muda, novamente.

Alissa apertou os lábios e balançou a cabeça. Ela entrou no carro e dirigiu.

Ela tomou um banho quente e gostoso. Enquanto estava na banheira, ela se lembrou dos

olhos e do sorriso de Leopold. Alissa não era do tipo que ficava olhando o corpo das

pessoas, menos ainda de um homem que ela não conhecia e, para piorar, um cliente. Mas

quando ele se sentou, os olhos dela acabaram repousando sobre...

- Que desgraçado mais bonito! - Ela mordeu o lábio, lembrando como ele a olhou.

Deixando a culpa de lado, por pensar naquelas coisas quando se referia ao trabalho, Alissa

desceu a mão pelo corpo, até chegar ao meio das pernas e se deixou acariciar e dar prazer.

Naquela noite, ela teve bons sonhos.

O despertador começou a tocar às seis e, com um grunhido, Alissa se levantou, os olhos

ainda fechados. Por mais que não conseguisse lembrar, ela estava tendo um sonho muito

bom e não queria ter que acordar para lidar com um pesadelo em forma de gente.

Após o banho, ela abriu o guarda-roupa e pegou um vestido preto, tubinho e seus olhos

acabaram por recair sobre um lindo vestido vermelho, lembrando-a das palavras do loiro

sedutor.

"Nem pensar!", ela se recriminou e terminou de se arrumar.

Liam mandou uma mensagem com o endereço e ela chamou um táxi. Alissa não estava

com vontade de dirigir naquela manhã, pois estava levemente sonolenta e preferiu não

arriscar.

- Chegamos, senhorita. - Disse o motorista. Ela virou a cabeça para o lado e olhou pela

janela do carro.

"Cacete! Olha só essa casa!", Alissa pagou a corrida e saiu do carro, ainda encarando a

casa que podia ser vista pelos portões de entrada.

Com paredes de pedra escura, Alissa só conseguia pensar que aquela casa se parecia com

um castelo.

- Para combinar com um rei. - Ela zombou, baixinho.

Os portões se abriram após ela se identificar no monitor e nem precisou bater à porta de

entrada, onde um mordomo com cabelos grisalhos a esperava.

- Bom dia, senhorita Sutton. O patrão a está esperando. Venha comigo, por favor. Vou lhe

mostrar o escritório dele. - O homem tinha aquela atitude que muitos mordomos daqueles

filmes antigos tinham: cheio de si, como se fosse o dono do lugar.

- Obrigada. - Alissa manteve um sorriso simpático, ainda que não tenha recebido nada

mais do que um olhar duro, do mordomo.

No caminho, ela notou que o teto era alto; todas as paredes eram em tons de cinza, Tudo

era elegante e, algo que a deixou curiosa: não havia qualquer foto ou quadro de pessoas.

- Só um momento. - O mordomo bateu em uma porta de madeira escura e esperou pela

resposta do outro lado.

- Pode entrar! - O mordomo abriu a porta e esperou Alissa entrar. Assim que ela o fez, o

homem fechou a porta atrás dela.

- Senhorita Sutton! Quanto tempo! - Leopold estava sentado em sua mesa, passando

uma caneta entre os dedos, enquanto a olhava.

- Sim, aproximadamente dez horas desde a última vez que nos vimos. Então, o que o

senhor gostaria de compartilhar comigo, que não podia ser feito no escritório da empresa,

senhor Dietrich?

- Sente-se. - Ele olhou para a cadeira em frente à mesa dele e Alissa percebeu que ele

não usou o "por favor". Na verdade, o tom dele foi um tanto frio. - Você sabe que estou na

indústria hoteleira, certo? Preciso do melhor marketing. Meus hotéis são 5 estrelas, o que,

claro, não é algo que todos possam pagar. Para cobrar tanto dinheiro, devo oferecer o

melhor serviço. No entanto, como posso convencer as pessoas a experimentarem as

nossas acomodações?

Ela pensou por um momento.

- Bem, você precisa de pessoas influentes que tenham utilizado seus serviços para

espalhar a palavra. Não digo para pagá-las a fim de fazerem propaganda, mas sim,

deixá-las de fato utilizarem os seus serviços.

- Utilizarem meus serviços... Interessante escolha de palavras, não acha? - Ele sorriu de

lado e a encarou diretamente nos olhos. - Você usaria meus serviços, senhorita Sutton?

Capítulo 3 Entendeu

Capítulo 03

A maneira como ele pronunciou essas palavras deu a Alissa a sensação de que ele queria dizer outra coisa. Parecia que ele estava oferecendo um tipo de serviço muito diferente. Só então, ela percebeu a mancada que tinha dado.

- Se eu pudesse pagar os serviços de um de seus Hotéis, sim, eu os utilizaria. Por que não?

Leopold olhou para ela, divertido.

- Bom, quero que você faça com que meu novo hotel, El Dourado, tenha muita visibilidade, já que fica em outro país.

- Mas isso não vai ser problema. As pessoas mais abastadas costumam se hospedar na sua rede hoteleira. Não é como se precisasse de fato de muito esforço para que o seu novo hotel se tornasse conhecido.

- É verdade, mas quero que as pessoas da classe média conheçam meus hotéis e queiram se hospedar neles. - Leopold se empertigou na cadeira. - Quero vender sonhos, senhorita Sutton. Você entende o que quero dizer?

Ela concordou com a cabeça. Havia dois tipos de pessoas que utilizavam aqueles hotéis: pessoas famosas/ricas da alta sociedade ou aquelas que queriam pertencer a este mundo "maravilhoso".

- Ok. E qual é a sua ideia de marketing para o seu novo hotel? - Ela segurou o tablet aberto para fazer anotações.

- Você não pode falar direito sobre algo, a menos que experimente. Concorda? - Ele olhou intensamente para ela e Alissa baixou de leve a cabeça, deixando que os fios castanhos caíssem para frente.

Leopold a achava lindíssima, com cabelos longos o suficiente para ele enrola-lo na mão, enquanto a fodia por trás. Ele conseguia imaginar os seus dela se movendo, pedindo para serem beijados e apertados.

Alissa se sentiu desconfortável, mas não de uma forma ruim, apenas... Diferente. Pela expressão de Leopold, ficou claro que ele estava pensando algo safado.

- Sim, concordo. Mas nem todo mundo pode pagar só para experimentar. Às vezes, esse é o dinheiro que alguém economizou durante uma vida inteira.

Leopold coçou o queixo, pensativo.

- Encontre-me aqui, em quatro horas. Isso deve lhe dar tempo suficiente para preparar uma mala. Quero que você tenha a experiência de se hospedar em um dos meus hotéis, o Atlantis. Ele compartilha a mesma premissa do El Dorado, então, você pode ter uma ideia de como é o El Dorado e ter material para escrever sobre isso. Então, poderemos discutir ideias sobre o plano de marketing escolhido pela sua empresa.

Alissa olhou para Leopold, como se uma outra cabeça houvesse crescido nele.

"Não é como se eu tivesse concordado com isso!", ela pensou, irritada. "E nem sou uma serviçal dele, pela qual ele não tem respeito, ainda por cima!".

- Obrigada, senhor Dietrich, mas receio que isso não seja possível.

- Por qual motivo? - Ele a olhou, com descrença. - Por que você não pode ir? Você não precisará ir ao escritório amanhã, já que é sábado. Corrija-me se eu estiver errado, mas você não é casada, não tem nem filhos e nem um animal de estimação esperando por você em casa, para que você não possa ficar fora por pelo menos vinte e quatro horas.

Alissa soltou uma risada baixa.

- Não se trata de alguém me esperando! Não vou dormir fora de casa, em hotel, sem me planejar! - Ela estava com os olhos fechados como se tentasse manter a compostura.

Leopold se aproximou de Alissa lentamente, enquanto ela falava. Ela só percebeu a presença dele quando ele estava muito perto, e a mão dele segurava seus cabelos, na nuca, mas sem força. Ela abriu os olhos, assustada, e viu o rosto dele descendo em direção ao seu.

- Você aprenderá, senhorita Sutton, que não aceito um "não" como resposta. - Ele estava quase encostando os lábios deles, mantendo o contato visual. - Você estará aqui em três horas e cinquenta e três minutos. Meu motorista irá levá-la para casa e esperar por você lá fora. Entendeu?

Alissa estava sem palavras.

- Entendeu? - ele perguntou novamente, puxando um pouco o cabelo dela. Não foi o suficiente para machucar, mas o suficiente para ela se sentir esquisita. Ao mesmo tempo em que se sentia afrontada, Alissa se sentiu estranhamente excitada.

- Sim. - Ela murmurou, e, quando percebeu que seu tom saiu quase como um gemido, Alissa quis se estapear.

Leopold tinha um sorriso quase imperceptível nos lábios. Ele inspirou o perfume dela e a soltou com delicadeza, indo para trás da mesa e sentando-se na cadeira. Alissa entendeu que estava sendo liberada.

Como diabos ela tinha concordado com aquilo?

"Eu deixei que ele levasse a melhor!", ela brigou consigo mesma, minutos depois, lembrando da sensação do aperto dele em seus cabelos, o olhar intenso, a voz grossa num sussurro, o cheiro delicioso... "Aaargh! Eu só posso ter perdido a cabeça!".

- Esse homem é um maldito mandão! Mas se eu cancelar a minha ida, o Liam vai ficar fulo da vida, porque o patrão vai cair em cima dele e de mim. No fim, quem perde sou eu e não tô em condições de ficar desempregada!

Alissa pensava em tudo isso enquanto arrumava a pequena e única mala que possuía.

Ela havia perdido os pais quando tinha apenas sete anos e, como ninguém a reivindicou, Alissa ficou em um orfanato. Ter sido alvo dos valentões a fez ter mais certeza do que precisava ser feito: estudar muito e conseguir um bom emprego. Só assim ela poderia dar conta de si e não ficaria à mercê de mais ninguém.

Mas nem todos foram ruins com ela. A simpática Senhora Smith, diretora do orfanato, sempre fez o que podia por ela, incluindo oferecendo um emprego de meio período, quando Alissa entrou para a faculdade. Assim, ela pode pagar seu curso de Analista de Marketing na California State University Long Beach. Infelizmente, a boa senhora faleceu e Alissa perdeu uma amiga.

Ela enxugou as lágrimas causadas por aquelas lembranças, pegou sua bagagem e desceu. O motorista de Leopold chegou exatamente no horário estipulado. Nem um minutos antes, nenhum minuto depois.

- Chegamos, senhorita. - O motorista disse, chamando a atenção de Alissa, que estava perdida em pensamentos. O homem tinha a porta aberta e a mão estendida para ela.

- Obrigado, Louis. Eu assumo daqui. - Leopold apareceu ao lado do motorista, que deu um passo para o lado, permitindo que o patrão pudesse oferecer a mão para Alissa.

Ela aceitou a ajuda e gostou do calor da mão de Leopold, percebendo que naquele momento, ele estava sendo gentil. Não havia vestígio de brincadeira ou zombaria na expressão dele.

- Obrigada, senhor Dietrich. E obrigada, senhor Louis.

O motorista sorriu e assentiu. Após o movimento da cabeça de Leopold, ele se afastou.

- Bem-vinda ao Atlantis, senhorita Sutton. Hoje, você é minha convidada de honra.

Ainda segurando a mão dela, ele a conduziu até o hall do hotel. Nenhum deles percebeu que um paparazzo estava lá fora, tirando fotos deles.

"O calor dele é tão... Gostoso! Como ele...", Alissa mordeu o lábio. "Ai, qual o seu problema, garota? Tá carente? Ele é um babaca de marca maior. E você tá aqui pra trabalho!"

- Uma moeda pelos seus pensamentos. - Leopold sussurrou e quando Alissa olhou para cima, percebeu que o homem tinha ideia do que se passava na cabeça dela.

- Nada importante. Estou apenas hipnotizada com esse hotel maravilhoso. nunca havia entrado em um local tão lindo. - Ela não estava mentindo, olhando para a construção. Era como estar prestes a entrar em um mundo completamente diferente.

- Oras, muito obrigado! Um elogio ao meu hotel é como um elogio para mim mesmo. - Leopold falou, orgulhoso. - Eu mesmo irei lhe mostrar a sua suíte e tudo o que pode ser oferecido para o seu deleite, aqui.

Alissa engoliu em seco. Aquele homem era perigoso. Parecia que cada palavra dele levava consigo um significado diferente. E o pior, é que ela não podia dizer que não gostava.

- Ah, obrigada.

- Por favor, o cartão-chave da suíte presidencial. - Leopold pediu ao recepcionista. O homem, claro, olhou para Alissa e pensou que ela devia ser uma mulher muito importante. Por mais que o patrão fosse atencioso com tudo relacionado ao hotel, ele nunca havia levado um hóspede, pessoalmente, a nenhum quarto.

- Claro, Senhor Dietrich. - O homem se virou e pegou o cartão-chave. - Poderia me fornecer um documento, por favor, senhorita?

- Não, senhor Hansen, use o meu nome. Ela é uma convidada muito especial do nosso hotel, então é por minha conta. - Leopold estendeu a mão para receber o cartão-chave e olhou para Alissa com um largo sorriso.

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