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Um Dia, Duas Perdas

Um Dia, Duas Perdas

Autor:: Hui Hui Xiao Gu Liang
Gênero: Moderno
Aqui estava eu, Clara, grávida de oito meses, no corredor frio de um hospital, a enfrentar a decisão mais terrível da minha vida. Minha mãe, Sofia, jazia inconsciente após um acidente de carro, a precisar desesperadamente de uma transfusão de sangue. Ao lado, pálida, estava a minha cunhada Laura, com apenas alguns arranhões. A enfermeira informou que só havia uma bolsa de sangue compatível. Meu marido, Pedro, o pai do meu filho ainda por nascer, virou-se para mim e para o médico. "Se só há uma bolsa, que seja para a Laura. A Laura só me tem a mim." Fiquei sem palavras. Ele me abandonou ali, à beira da vida ou da morte da minha mãe. Minha sogra então chegou, cuspindo veneno. "A culpa é tua! A tua mãe já viveu o suficiente! O sangue é para a Laura!" Ninguém me defendeu. Pedro permaneceu em silêncio, o seu silêncio uma concordância gélida. De repente, uma dor lancinante tomou conta de mim. O stresse, a humilhação, a traição do homem que amava... "O bebé... acho que algo está errado", sussurrei. Pedro, em vez de me ajudar, acusou-me de drama e voltou-se para a irmã, deixando-me ali, sozinha, a gritar por uma maca. Naquele dia, perdi tudo. Meu filho, Tiago, nasceu prematuro e não resistiu. Minha mãe morreu por não ter recebido o sangue de que precisava. Meu marido escolheu. E não fui eu. Nem o nosso filho. Eu não era família. Eu era uma estranha. A dor, a fúria e o vazio eram avassaladores. Como puderam fazer isso? Como pude ter sido tão cega? Eu sabia que não merecia aquilo. O divórcio era a única saída. Mas esta história estava longe de acabar. Eu iria desenterrar a terrível verdade por trás daquele acidente e da manipulação que destruiu a minha vida. E depois, eu construiria a minha própria vingança.

Introdução

Aqui estava eu, Clara, grávida de oito meses, no corredor frio de um hospital, a enfrentar a decisão mais terrível da minha vida.

Minha mãe, Sofia, jazia inconsciente após um acidente de carro, a precisar desesperadamente de uma transfusão de sangue.

Ao lado, pálida, estava a minha cunhada Laura, com apenas alguns arranhões.

A enfermeira informou que só havia uma bolsa de sangue compatível.

Meu marido, Pedro, o pai do meu filho ainda por nascer, virou-se para mim e para o médico.

"Se só há uma bolsa, que seja para a Laura. A Laura só me tem a mim."

Fiquei sem palavras. Ele me abandonou ali, à beira da vida ou da morte da minha mãe.

Minha sogra então chegou, cuspindo veneno.

"A culpa é tua! A tua mãe já viveu o suficiente! O sangue é para a Laura!"

Ninguém me defendeu. Pedro permaneceu em silêncio, o seu silêncio uma concordância gélida.

De repente, uma dor lancinante tomou conta de mim.

O stresse, a humilhação, a traição do homem que amava...

"O bebé... acho que algo está errado", sussurrei.

Pedro, em vez de me ajudar, acusou-me de drama e voltou-se para a irmã, deixando-me ali, sozinha, a gritar por uma maca.

Naquele dia, perdi tudo. Meu filho, Tiago, nasceu prematuro e não resistiu.

Minha mãe morreu por não ter recebido o sangue de que precisava.

Meu marido escolheu. E não fui eu. Nem o nosso filho.

Eu não era família. Eu era uma estranha.

A dor, a fúria e o vazio eram avassaladores.

Como puderam fazer isso? Como pude ter sido tão cega?

Eu sabia que não merecia aquilo. O divórcio era a única saída.

Mas esta história estava longe de acabar.

Eu iria desenterrar a terrível verdade por trás daquele acidente e da manipulação que destruiu a minha vida.

E depois, eu construiria a minha própria vingança.

Capítulo 1

"Assine aqui."

A voz do médico era fria, sem qualquer emoção.

O papel que ele me entregou era um termo de consentimento para transfusão de sangue.

O nome do paciente era a minha mãe, Sofia.

Ao lado, o nome do responsável pela assinatura era o meu, Clara.

O meu marido, Pedro, estava ao meu lado, mas olhava para o outro lado, para a sua irmã mais nova, Laura, que estava deitada na cama ao lado, pálida.

"Eu não posso assinar," disse Pedro, com a voz firme. "A Laura também precisa de mim. Ela está com medo."

"Mas a minha mãe está em estado crítico," eu disse, a minha voz a tremer ligeiramente. "Ela perdeu muito sangue no acidente de carro. O médico disse que ela precisa de uma transfusão imediata."

"A Laura também estava no carro! Ela também está ferida!" Pedro retorquiu, a sua irritação a aumentar. "Porque é que a tua mãe é mais importante que a minha irmã?"

Olhei para a Laura. Ela tinha alguns arranhões no braço e parecia assustada, mas estava consciente e a falar.

A minha mãe, por outro lado, estava inconsciente, com a vida por um fio.

O médico olhou para nós com impaciência. "Quem vai assinar? O banco de sangue está com pouco stock do tipo O negativo. A decisão tem de ser tomada agora."

"Eu assino," disse eu, pegando na caneta com os dedos a tremer.

Mas antes que pudesse escrever o meu nome, Pedro agarrou-me no pulso. A sua força era surpreendente.

"Não," disse ele, com os dentes cerrados. "Se houver apenas uma bolsa de sangue, ela vai para a Laura."

Fiquei sem palavras. O homem que eu amava, o pai do meu filho por nascer, estava a escolher a sua irmã em detrimento da minha mãe moribunda.

"Pedro, por favor," supliquei. "A minha mãe..."

"A tua mãe tem-te a ti," ele interrompeu. "A Laura só me tem a mim. Os nossos pais já morreram, lembras-te? Eu sou a única família que ela tem."

Ele olhou para mim, os seus olhos frios e sem qualquer traço da ternura que um dia tiveram.

"Além disso, estás grávida. Não podes passar por este stress. Pensa no nosso bebé."

O bebé. Ele usou o nosso filho como uma arma contra mim.

As lágrimas que eu tinha estado a segurar finalmente caíram, a escorrer pela minha cara.

Senti a minha barriga de oito meses, um lembrete constante da vida que eu carregava e da família que pensei que estávamos a construir.

Naquele momento, essa família pareceu uma ilusão.

"Então é isso," murmurei, mais para mim mesma do que para ele. "Está a escolher."

Pedro não respondeu. A sua atenção já tinha voltado para a Laura, murmurando palavras de conforto para ela.

Com o coração partido, olhei para o médico. "Eu... eu não sei o que fazer."

O médico suspirou, um som de resignação. "Senhora, eu preciso de uma decisão."

A porta da sala de espera abriu-se e a minha sogra, a mãe do Pedro, entrou a correr, com o rosto cheio de pânico.

"Laura! Meu amor! O que aconteceu?"

Ela correu para a cama da Laura, ignorando-me completamente, como se eu fosse invisível.

"Mãe, a Laura está bem," disse Pedro. "Só precisa de uma transfusão de sangue, mas o hospital está com pouco stock."

A minha sogra virou-se para mim, os seus olhos a fuzilarem-me.

"Clara! A culpa é tua! Se não tivesses insistido em ir visitar a tua mãe, nada disto teria acontecido! A minha filha está a sofrer por tua causa!"

As suas palavras foram como bofetadas.

"Eu não obriguei ninguém a ir," respondi, a minha voz fraca. "A Laura ofereceu-se para me levar."

"Cala-te!" ela gritou. "Tu és a esposa! Devias cuidar da família do teu marido, não arrastá-los para os teus problemas familiares!"

Olhei para o Pedro, à espera que ele me defendesse.

Ele permaneceu em silêncio, o seu silêncio uma concordância tácita com as acusações da sua mãe.

Naquele momento, no corredor frio do hospital, com o cheiro a desinfetante no ar, eu percebi.

Eu não era família. Eu era uma estranha.

E a minha mãe ia morrer porque, para o meu marido, a vida dela não valia tanto como a da irmã dele.

Capítulo 2

O médico pigarreou, interrompendo a explosão da minha sogra.

"A decisão precisa de ser tomada. A paciente Sofia está a perder tempo vital."

A minha sogra olhou para o médico como se ele fosse louco.

"É óbvio, não é? O sangue vai para a minha filha! A Laura é jovem, tem toda a vida pela frente."

Ela olhou para a cama da minha mãe com desprezo. "A outra já viveu o suficiente."

Fiquei gelada.

A crueldade na sua voz era inacreditável.

"Não pode dizer isso," gaguejei, chocada.

"Eu digo o que eu quiser!" ela cuspiu. "Pedro, diz ao médico. A Laura primeiro."

Pedro assentiu, sem sequer olhar para mim. "A minha mãe tem razão. A Laura precisa do sangue."

Eu senti a minha barriga a contrair-se. Uma dor aguda atravessou-me.

Agarrei-me à parede para me apoiar, a minha respiração a ficar ofegante.

"O bebé..." sussurrei. "Acho que algo está errado."

Pedro olhou para mim pela primeira vez em minutos, uma centelha de preocupação nos seus olhos. Mas desapareceu tão rapidamente como apareceu.

"Não sejas dramática, Clara. Estás apenas a tentar chamar a atenção."

A sua mãe riu-se. "Exatamente. Típico da parte dela. Sempre a fazer uma cena."

A dor intensificou-se. Dobrei-me, a suar frio.

Uma enfermeira que passava viu o meu estado e correu para o meu lado.

"Senhora, está bem? Está a entrar em trabalho de parto?"

"Eu não sei," consegui dizer. "Dói muito."

A enfermeira olhou para o Pedro. "Ela precisa de ser examinada. Agora."

Pedro hesitou, olhando da minha cara contorcida de dor para a sua irmã, que agora choramingava na cama.

"Eu não posso deixar a Laura sozinha," disse ele.

A enfermeira olhou para ele incrédula. "A sua esposa está grávida e com dores! Ela pode estar a ter complicações!"

A minha sogra interveio. "A Laura está assustada! Ela precisa do irmão dela! A Clara pode esperar. Ela é forte."

Eu não era forte. Eu estava a desmoronar.

A dor era avassaladora, uma onda negra que ameaçava engolir-me.

A última coisa que vi antes de a minha visão escurecer foi o Pedro a segurar a mão da Laura, a dar-lhe as costas enquanto a enfermeira gritava por uma maca.

O meu marido escolheu.

E não fui eu.

Nem o nosso filho.

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