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Um Duque Em Minha Vida

Um Duque Em Minha Vida

Autor:: Nalva Martins
Gênero: Romance
Após perder os seus pais de forma repentina e trágica, Thomas Elliot tornou-se o mais jovem e poderoso Duque de Birmigham. Cobiçado pelas moças da alta sociedade inglesa, Thomas escolheu a mais linda e delicada filha de um conde para se casar e não demorou para ele se apaixonar por sua jovial esposa. Contudo, um acidente a levará para longe do jovem Duque, e ele fará a promessa de jamais entregar o seu coração para outra mulher. Judith Evans é jovem, bonita, forte e sorridente. Mas ela nem sempre foi assim. Judy como o seu único amigo a chama, cresceu dentro de um orfanato e desde muito cedo teve que aprender que a vida não seria fácil para ela. Até ela conhecer o Collin Hill, o Barão de Luxemburgo. Um homem extremamente poderoso que lhe estendeu a mão no momento que ela mais precisa. Uma proposta inesperada poderá mudar radicalmente a sua vida. E Judy não pensa duas vezes em dizer sim para ir morar na Inglaterra com seus novos amigos. Uma troca de olhares e dois mundos opostos se colidem. Thomas tem uma proposta. Judith hesita em aceitá-la. Mas o amor já havia brotado uma raiz em seus corações, e o amor será inevitável.

Capítulo 1 1

Thomas

- Soube que o Barão Collin Hill vai se casar. - Flora, minha jovem e animada governanta comenta de repente, enquanto ela abre as cortinas do meu quarto para deixar a luz do dia entrar.

- Bom para ele! - resmungo um tanto seco, ajeitando a minha gravata e suplicando aos céus que ela não continue com essa conversa.

- Sabe o que eu penso?

Não e não quero saber!

- Que o Senho deveria ir, sua graça. A final, o Senhor é um grande amigo do Barão, certo? - Reviro os olhos para essa sugestão.

A verdade, é que desde que perdi a Rebecca, minha esposa e o meu filho tudo ao meu redor perdeu o seu significado para mim. A morte é mesmo uma víbora traiçoeira, que roubou a dona do meu coração e pior, ela o levou consigo. Portanto, amar outra vez nunca será uma possibilidade para mim. Embora eu saiba muito bem que preciso de uma mulher aqui dentro para me ajudar a pôr a ordem nessa casa e cuidar de minhas cinco irmãs.

Não é catastrófico que a morte insista em me rondar? Primeiro os meus pais e a agora a minha pequena família.

- O convite é a coisa mais graciosa que já vi na minha vida. - Flora me desperta dos meus pensamentos. - E dizem que a rainha estará presente durante a cerimônia. Que chique!

- Não me admira - resmungo com certo desdém. - A rainha sempre o viu como um dos seus filhos - retruco, me afastando do espelho. - Preciso ir ver algumas questões com alguns fornecedores. - Mudo de assunto. - Flora, por favor avise para as minhas irmãs que podem começar sem mim.

- Oh, espere um pouco, sua graça! - A jovem governanta pede, parando bem na minha frente, impedindo a minha passagem. E com um sorriso, a garota começa a ajeitar alguns detalhes do meu terno. Depois, atenciosamente ela mexe na gravata que eu julguei estar impecável. - Pronto! - Ela sibila, arrastando a palma da sua mão pelo meu peitoral.

Contudo, percebo o vislumbre de um brilho sonhador em suas retinas quando ela ergue os meus olhos para os meus.

- Não faça mais isso! - rosno um tanto frio, arrancando imediatamente o sorriso do jovem rosto e consequentemente apago o seu brilho também.

- Me desculpe, sua graça! - Flora parece sem graça. - Eu não tive a intenção. - Ela se afasta de mim. No entanto, não seguro um olhar repreensivo.

- Saia, Flora! - ordeno lhe dando as costas, porque não quero ter que ouvir as suas explicações.

- É claro, sua graça! - Através do reflexo do espelho a observo curvar-se ligeiramente e logo ela sai do meu quarto, fechando a porta em seguida.

Respiro fundo algumas vezes.

Ainda não sei por que aceito esses seus acessos de abusos!

A verdade, é que Flora é a filha da antiga governanta dos meus pais. E que ela foi criada praticamente junto as minhas irmãs, já que ela tem a mesma idade da minha irmã mais velha. E logo de Bridget, sua mãe se afastou dos seus afazeres, a filha assumiu o seu lugar. Devo dizer que ela é um desastre com as minhas irmãs, mas com a casa, a garota até que dá conta.

- Sua graça! - Josephine, a mais velhas de minhas irmãs me cumprimenta assim que me vir descer as escadas.

- Bom dia, querida irmã! - sibilo carinhosamente, beijando a sua testa e recebo um lindo sorriso seu em troca.

- Recebi um convite para ir a uma peça com algumas amigas...

- Não! - A corto bruscamente, porém, não rude e mesmo assim desmancho o vestígio de um sorriso que nem chegou a se abrir direito nos seus lábios.

- Mas, Thomas...

- Você não tem aula essa manhã, Josephine? - inquiro a interrompendo outra vez. Ela solta uma respiração consternada.

- Eu posso faltar hoje? Só hoje, querido irmão, hã? - insiste com voz carinhosa, lançando-me um par de olhos pidões.

- Não! - respondo taxativo dessa vez. Ela resmunga algo que eu não consigo ouvir e se retira.

Que droga, preciso de alguém que as ponha nos seus devidos lugares, ou tudo irá ladeira abaixo!

- Sua graça!

- Bom dia, Alfred! Já podemos ir - falo com meu habitual tom sério, saindo de casa no mesmo instante.

Capítulo 2 2

Thomas

Devo dizer que ando cansado de tudo isso. Quer dizer, eu gostaria de ter uma vida normal. Ou pelo menos um dia comum como uma pessoa normal. Sem excesso de empregados o tempo todo me rodeando. Sem tamanhas responsabilidades e sem tantas cobranças. Respirar ar puro sem pressa para começar. Era assim que eu me sentia com a Rebecca. Ela sabia me fazer sorrir, me dava a liberdade de me livrar das minhas armaduras e de mostrar quem realmente sou por dentro e por fora. Dentro de quatro paredes era mais fácil sorrir e sentir a leveza de não ter que carregar o mundo em minhas costas.

- Chegamos, Senhor! - Alfred avisa, interrompendo os meus pensamentos e mostrando-me que estou longe de viver o meu grande sonho.

Vossa graça isso!

Vossa graça aquilo!

Como Collin Hill consegue conviver com isso?

- Olha você, aí! - E falando no Barão... - Como vai, sua graça?

Reviro os olhos para esse seu cumprimento.

- Ah vamos, pare com isso, Collin! Não estamos dentro do castelo e não tem ninguém aqui que nos obrigue a usar os nossos títulos! - retruco com nítido mal humor para o meu amigo de infância, que rir da minha rabugice.

O fato é que tanto o Barão de Luxemburgo quanto o Duque de Birmingham nunca almejaram carregar tais títulos. Entretanto, o fim dos nossos pais nos obrigou a aceitá-los com todas as suas pompas, regras e responsabilidades.

- Soube que você vai se casar - comento à medida que entramos no palácio para uma conferência com alguns ministros. - E com uma brasileira? - Não escondo a minha surpresa.

- Você quer dizer com a mulher da minha vida? - Ele retruca. - Sim!

- Cale-se! - ordeno baixo e cauteloso. - Temo que a morte não goste de casais estupidamente apaixonados e felizes. - Collin me lança um olhar torto.

- Do que você está falando, homem?

- Não consegue ver? - retruco. - Primeiro foram os nossos pais. Depois, a minha mulher e filho.

- Não está realmente acreditando nisso, não é? - Ele retruca de volta.

- E por que não? - Faço um gesto de desdém com os ombros. Em resposta, Collin Hill respira fundo, parando de andar no mesmo instante e isso me faz parar também.

- Como você está, meu amigo? - O Barão procura saber, dessa vez demonstrando a sua preocupação e no ato, ele segura nos meus ombros. Em resposta, apenas puxo uma respiração alta e cansada.

- O meu mundo se acabou, Collin - confesso com um lamento. - Como você acha que eu estou? - sussurro com amargor. - Não existe mais a sua alegria dentro daquela casa e nem o seu brilho...

- Você precisa superar isso, Thomas - aconselha-me.

Como se eu não tivesse tentado fazer isso! Resmungo mentalmente rolo os olhos em frustração.

- Superar? - Arqueio as sobrancelhas de forma irônica. - É o que todos me dizem para fazer todos os dias e o tempo todo. Você precisa superar, Thomas. Precisa se casar outra vez e constituir uma nova família. Mas que droga, acha que não estou tentando?!

- Ok, eu sei que é difícil. Eu sofri muito quando perdi os meus pais e quando tive que encarar a minha realidade logo em seguida. E eu sofri ainda mais quando por um instante pensei que havia perdida a Ellen de vez. E todas as minhas esperanças se esvaíram, escaparam por entre os meus dedos sem que eu pudesse evitar.

Engulo em seco.

- Então, me diga, como conseguiu? Como saiu desse maldito inferno? - ranjo os dentes, lançando lhe um olhar cheio de esperança. Contudo, meu amigo apenas me olha nos olhos por alguns segundos.

- Eu lutei. Lutei com todas as minhas forças. E você precisa fazer o mesmo, Thomas.

Solto uma respiração alta.

- Estou cansado de tanto lutar, Collin - confesso com um lamento.

- Venha para o meu casamento, Thomas. - Penso em protestar, mas ele continua. - E leve as suas irmãs.

- A Violet, Lydia e Sophie ainda são muito crianças para participar desses eventos. Mas acredito de que a Josephine e a Abigail vão gostar de ir. - Ele abre mais um sorriso.

- Perfeito! Leve-as então.

- Mas eu não prometo ficar muito tempo, Collin. - Deixo bem claro.

- Tudo bem. Só apareça lá e venha usufruir um pouco da minha felicidade. Quem sabe isso te dê forças para lutar?

- Quem sabe?

Capítulo 3 3

Judith

- Boa noite, linda dama! - Uma voz firme e forte, porém, galanteadora diz atraindo a minha atenção para o homem extremamente alto e... eu devo dizer que ele é muito, muito bonito, embora a sua face séria demais e rígida demais me deixe um tanto curiosa. - Será que a Senhorita aceita dançar comigo?

Céus, ele é um duque. Eu sei por que as pessoas ao meu redor não param de murmurar sobre ele desde que entrou nesse salão de festas. E ele está me convidando para dançar em plena festa de casamento dos meus melhores amigos. Penso em dizer que não, porém, me vejo segurando a sua mão estendida e logo sou guiada por para o centro da pista de dança, onde alguns casais já se aventuravam. Eu não faço ideia, mas sinto que de alguma forma esse pedido em algum momento mudará completamente o meu destino. E o fato de dizer sim para esse lindo e elegante estranho cavalheiro me deixou incomodada. Contudo, ao sentir a sua pegada forte na base da minha coluna, unindo o meu corpo ao seu me fez sentir estranha também.

- A propósito, eu me chamo Thomas Elliot de Birmingham Terceiro. - Ele diz quando começa a nos embalar.

Tive que segurar o riso. Devo dizer que os ingleses são mesmo pessoas muito formais e que eles levam muito a sério esse negócio de títulos e tudo mais. Thomas Elliot de Birmingham Terceiro?

Eu tenho uma pergunta. Devo chamá-lo pelo primeiro, pelo segundo ou pelo seu terceiro nome? Um apelido ajudaria também.

- E você é?

Oh, com tantos pensamentos preenchendo a minha mente me esqueci de me apresentar.

- O meu nome é Judith Evans. Apenas Judith Evans. Mas pode me chamar de Judy.

- Soube que você é brasileira, Senhorita Evans. - Thomas ignora completamente o meu pedido e o seu tom seco me diz que ele não procura intimidades. Mesmo que elas estejam apenas no nome de uma mulher.

Rolo os olhos internamente.

É ridículo, mas é aceitável. A final, contra uma tradição milenar não existe dobras, certo?

- Eu sou - respondo-lhe no mesmo tom.

- E deixou a sua família para seguir o Barão de Luxemburgo em uma terra tão distante do seu lar? Você, não sente falta deles? - Pressiono os lábios porque não quero falar sobre o meu passado com esse estranho. Com certeza isso não está nos meus planos. Contudo, ainda assim, me pego falando um pouco sobre ele.

- Eu não tenho uma família, Senhor Birmingham. - Thomas arqueia as sobrancelhas, parece não gostar da forma como usei o seu sobrenome.

Bufo mentalmente.

- Todos temos uma família, Senhorita Evans. - Ele grunhe ainda com essa sua maldita secura. Irritada, paro de dançar.

- Não eu. Agora, se me der licença... - Penso em me afastar e deixá-lo sozinho no meio da pista. Contudo, ele segura na minha mão e me puxa de volta para os seus braços.

- Não ouse me deixar sozinho aqui, Senhorita Evans. Isso não é educado, não quando a dança ainda não terminou.

Rude, frio e autoritário.

- Essa dança já terminou para mim, Senhor Birmingham! - rebato grosseiramente, assim como ele foi rude comigo. Entretanto, tento me afastar outra vez, porém, Thomas pressiona ainda mais os seus dedos na minha coluna, colando-me ainda mais ao seu corpo e irritada, olho dentro dos seus olhos.

- Ok, já compreendi que não gosta de falar sobre o seu passado. E eu respeito isso.

- Respeita? - rebato irônica.

- Eu também tenho um passado, Senhorita Evans. E não gosto que mexam nele.

- Ótimo, Senhor Birmingham! - rosno, me afastando outra vez no exato momento que a música se acaba. - Passar bem, Senhor Birmingham!

- É, vossa graça! - Ele exige, mas não lhe dou atenção e saio imediatamente do salão.

Idiota! Retruco mentalmente, afastando-me do barulho da festa e saio à procura do silêncio do jardim. Em segundos encostando-me em uma mureta de arbustos para apreciar a quietude do mar que rodeia essa ilha, banhando pela luz do luar.

Rio mesmo sem vontade. Juro que pensei que respirar novos ares me ajudaria e que eu teria a chance de me tornar outra pessoa longe do meu passado.

- Você é tão tola, Judy! - ralho baixinho, incomodada com os meus pensamentos e decido encerrar essa noite.

***

Algumas semanas...

- Darly, preciso dos contratos dos novos editores. E preciso da lista de escritores para uma visita formal - peço, colocando a cabeça rapidamente para fora da brecha da porta do meu escritório e a fito com a cara enfiada dentro de um arquivo volumoso demais. Um possível lançamento para a filial da editora aqui em Londres.

Um dos primeiros da Publishing Hill LTDA.

- Está tudo pronto, Senhorita Evans. De que horas o Senhor Hill chega? - Ela pergunta, me entregando algumas pastas pesadas que tem a logo da empresa e mesmo com as mãos cheias, dou um jeito de olhar o meu relógio no meu pulso.

- Em duas horas.

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