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Um Gangster em meu Destino

Um Gangster em meu Destino

Autor:: Lili Marques
Gênero: Romance
Gabriela não esperava nada da vida, passava os dias sem se importar com mais nada, ela só queria chegar ao final de cada dia sem confusão ou mais um trauma. Oliver é um gangster ambicioso, decidido a tudo para aumentar seu império e colocar a baixo seus inimigos, a única pessoa que o importava nessa vida era a irmã mais nova. Eles só não sabiam que o destino tinha outra coisa preparada para eles, o caminho dos dois se cruzam fazendo suas vidas se virar de cabeça para baixo. Vingança, dor, segredos e sofrimento. Poderia o amor nascer em um lugar assim?

Capítulo 1 Prólogo

Minha vida estava mudando de uma forma que não conseguia controlar, eu teria entrado em desespero há muito tempo atrás, mas precisava me manter firme. O nosso futuro dependia dos passos que eu daria daqui para frente. Não tinha a mínima ideia se Oliver me perdoaria algum dia, mas eu tinha que fazer tudo o que fiz.

- Está pronta querida? - Blake questionou me estendendo a mão para sairmos do carro.

- Mais do que nunca!

- Você está linda. Ele vai ficar sem fala por tempo suficiente para que você o chame para os fundos, onde esperarei com a cavalaria. - Sorri para ele com sua tentativa de me tranquilizar, não funcionou, mas me deixou feliz por saber que Ane tinha um homem como ele ao seu lado.

Desci do carro e atravessei a rua me mostrando mais confiante do que me sentia nesse momento, antes mesmo que chegasse à porta um dos seguranças já havia me reconhecido.

- Boa noite. - Murmurei firme. - Vai me deixar passar ou não? - perguntei incisiva para o homem que não se moveu bloqueando minha passagem.

- Estamos esperando a confirmação.

- Ora essa, para o inferno vocês! - dei um passo para frente e uma arma se ergueu ao meu lado, no mesmo momento ouvi os homens de Blake se aproximando e o som de várias armas sendo engatilhadas. - Está tudo bem, não precisa disso. - Tentei acalmá-los. - Eu vou entrar e se Oliver me quiser morta ele mesmo pode fazer isso. - Quando avancei não houve mais nenhum protesto, respirei aliviada sabendo que os tiros não começariam ali.

Capítulo 2 I - Beco sem saída

Arrasto-me da cama ainda sem vontade de enfrentar outro dia, me troco rapidamente e saio ainda tomando um café. A cada dia que passava menos vontade eu tinha de trabalhar, de comer, até mesmo de levantar da cama. Tudo o que eu queria era acordar desse pesadelo que era não ter mais minha mãe por perto, o pesadelo que minha vida tinha se tornado desde o dia que me abri para um homem.

- Bom dia, flor do dia. - Brinco com Ane, que já estava me esperando na frente do Monty's.

- Bom dia, vadia. - Ela diz enquanto joga o resto do seu cigarro no chão e apaga com a ponta da sapatilha rosa.

- A noite foi boa? - pergunto olhando sua cara de ressaca e cansaço. - Isso ainda vai te matar. - Murmuro apontando para o cigarro agora amassado no chão, não que fizesse muita diferença repreendê-la quanto ao hábito de fumar, Ane dificilmente dava ouvidos a qualquer coisa, ela parecia estar em uma maratona para se afundar.

- Foi uma merda, chutei o cara de ontem depois que transamos no sofá. E pra sua informação ficar sem comer também vai te matar mocinha, mas que se dane, no fim todos nós vamos morrer mesmo. - Acenei concordando com a cabeça. Era a única certeza que tínhamos nessa vida, não importava o quão bom, mal, honesto ou um total babaca você fosse, a morte viria. - Amiga desculpa, eu sou uma estúpida. - Ela correu com as palavras quando notou meu olhar cabisbaixo.

Ane não tinha muito papas na língua, falava o que vinha a cabeça, sem filtro, mas era sensível as pessoas a sua volta e quando notou que tinha me feito lembrar da minha mãe se arrependeu. Minha mãe tinha partido há seis meses depois de sofrer lutando contra um câncer de mama, agora era apenas eu.

- Você está certa, todos morrem e sim você é uma estúpida, mas uma das poucas que me aturam.

- Infelizmente, não consigo evitar. - Ela respondeu mais aliviada voltando a sorrir.

Nós não éramos melhores amigas que se abraçam e beijam, trocam confidencias, apenas falávamos do nosso dia a dia, ela escondia tantos segredos quanto eu, mas no meio da nossa bagunça cuidávamos uma da outra, mesmo que de uma maneira estranha e fria.

Eu já havia desistido de entender como Maryane veio parar aqui, na verdade não sabia nem ao menos de onde ela tinha vindo. Mas ela era assim, com seus olhos verdes expressivos e seus cabelos loiros chamativos, fugia de todos que tentavam procurar saber algo de seu passado.

E mesmo sabendo que seu porte não combinava com essa cidadezinha no meio do nada, eu nunca a pressionei para falar de sua vida, tinha meus próprios demônios para esconder.

- Que tal as mocinhas entrarem para trabalhar? Ou vão querer que eu desconte do salário?

Nós duas nos encaramos com verdadeira repulsa, trabalhar para pagar as contas às vezes significa trabalhar para esse tipo de merda como Monty, dono da lanchonete, infelizmente esse buraco era um dos únicos que pagavam um salário decente naquela cidade.

Os clientes que passavam por aqui, tirando os bêbados de plantão claro, sempre voltavam graças a Ane, Nana e a mim, que preparávamos uma comida maravilhosa.

Nossa rotina era limpar primeiro, cozinhar enquanto servíamos as mesas e limpar tudo antes de sair. Se tivéssemos sorte estaria tão lotado de clientes viajando pela estrada que os bêbados procurariam o bar do outro lado da rua.

- Por que a Nana ainda não chegou? - já passava dá uma da tarde, ela sempre chegava por volta das onze, às vezes atrasava, mas nunca o fez tanto assim.

Nana era nosso anjo da guarda. A senhorinha que esteve ao meu lado enquanto enfrentamos a doença da minha mãe, quando comecei a trabalhar aqui, depois que minha mãe morreu e nos protegia todos os dias quando homens nojentos tentavam algo a força com nós duas.

- Vou ligar para ela. - Ane disse já sacando o celular do bolso, mas antes mesmo que desbloqueasse o celular Monty entrou na cozinha nos assustando.

- A Nana queridinha de vocês não vem hoje, disse que está doente, parece que está gripada. Deus sabe que aquela velha já poderia ter partido dessa. - O nojento terminou a frase falando mais para si mesmo do que com uma de nós. - E guarde a porra desse celular, você não é paga pra isso. - Ele cuspiu as palavras antes de sair.

Ele era um escroto! Deus sabe que se eu não precisasse desse emprego eu já teria quebrado a cara desse infeliz, o que não nos impedia de xingá-lo vez ou outra.

- Você sabe de alguma coisa? Quando ela saiu daqui ontem estava bem.

- Vamos ficar de olho e cuidando uma da outra, quando sairmos daqui passamos na casa dela para checar. - Digo tentando parecer forte diante de Ane.

A verdade é que eu nunca tinha estado aqui sem Nana, Monty era um dos homens que tentavam a todo custo encostar as mãos sujas em uma de nós e desde que eu entrei aqui não houve um dia que Nana não nos fizesse companhia.

Aquele desgraçado não merecia nem ser comparado a um ser humano, ele e toda sua trupe poderiam ser qualquer coisa, menos pessoas de caráter e isso me deixava aterrorizada, pois não tinha muito que eles não fossem capazes de fazer para conseguir o que quisessem, temia que ele tivesse sido capaz de fazer algo com Nana.

Mas graças a qualquer força do universo nossa tarde passou tão agitada que mal o vimos e foi mais rápida do que pensei. O problema era que durante a noite o fluxo era maior, principalmente de bêbados, então tínhamos que redobrar a atenção uma à outra. Mais um pouco e estaríamos fora daqui.

O bar estava lotado como sempre e Monty não parava de nos rondar, parecia até que não tinha nada de ilegal para fazer fora dali, pois passou o maldito dia inteiro nos observando de perto.

Minha desconfiança estava grande, ele não prestava e meu medo era que ele atacasse Ane, por isso mesmo dentro da cozinha eu tentava manter um olho no salão sempre vendo onde ela estava.

Tinha acabado de entregar um pedido a ela quando a porta atrás de mim se abriu me fazendo pular e me virar, a porta dos fundos dava direto para a rua, um beco na verdade que tinha entre o bar e a casa do infeliz.

- O que quer aqui? - questionei tentando não parecer assustada e manter a pose irritadiça, mesmo que meu corpo todo tremesse.

- Eu sou o dono disso aqui, posso ir onde quiser sem ter que te dar explicações. - o homem magricelo falou, ele cheirava a cigarro barato e álcool, mesmo quando não bebia, o fedor não saía de seu corpo.

Me virei andando pelo balcão, fingindo voltar a trabalhar, mas na verdade estava buscando a faca que uso para cortar carne. Monty passou por de trás de mim, me causando um calafrio e alcançou a janela por onde passava os pedidos, quando a madeira bateu uma contra a outra meu corpo pulou saltando, eu não esperei ouvir o trinco se fechar, corri para a porta dos fundos, mas meus cabelos foram puxados, com tanta força que lágrimas encheram meus olhos.

Com a faca na mão eu girei meu corpo, focando em enfiar o aço em qualquer parte do seu corpo e fugir dali. Mas Monty foi mais rápido e segurou meu pulso gargalhando de mim.

- Você é corajosa vadia, mas não tanto quanto eu.

Empurrei meu corpo contra o seu, usando meu peso para desequilibrá-lo e fazê-lo bater contra o fogão, lágrimas escorriam em meu rosto quando ele puxou minha blusa, rasgando o tecido e me acertou com um tapa, mas consegui me desvencilhar jogando seu corpo para trás e fazendo ele acertar uma panela quente, derrubando todo o molho no chão. Eu corri abrindo a porta, mas as mãos asquerosas me seguraram e ele me jogou no chão.

Minhas costas bateram no piso frio com tanta força que o ar escapou dos meus pulmões. Senti o corpo dele sobre o meu e abri meus olhos a tempo de ver o punho fechado acertando meu rosto com força.

Capítulo 3 II - O destino agindo

Eu faço tudo por minha irmã, graças a isso estou metido dentro de um carro em uma viagem de seis horas. Quando eu a encontrasse iria matá-la. O que diabos ela tinha que vir fazer com as amigas em uma festa nesse fim de mundo?

Cheguei ao hotel de onde ela havia me ligado e a encontrei no saguão sentada em um sofá pequeno, encolhida no vestido minúsculo. Esquadrinhei o lugar que parecia mais uma casa de pulgas do que um hotel de verdade e me xinguei mentalmente por não ter colocado uma coleira nessa garota impulsiva. Como ela podia ser tão estúpida!

- Mas que diabos você pensou que estava fazendo vindo para cá? - ela se levantou assim que escutou minha voz e correu em minha direção jogando seus braços ao redor do meu pescoço, me abraçando forte e isso me desarma.

- Desculpa, desculpa. - Repetia ainda presa a mim.

A afastei apenas para olhá-la melhor, seus olhos estavam vermelhos, mas com certeza era por não ter dormido a noite toda e não porque estava emocionada ao me ver. Ela adorava aprontar dessas sempre que tinha a chance.

- Você está bem? Alguém fez alguma coisa com você? - perguntei examinando seu corpo.

Que inferno essas garotas que não se vestiam direito, seu vestido não deixava muito para imaginação, o que me deixou ainda mais nervoso por saber o tipo de coisa que poderia ter acontecido com ela estando aqui sozinha.

Peguei meu paletó e o coloquei sobre seus ombros enquanto a puxava para fora daquela espelunca.

- Eu estou bem, quando chegamos a casa do cara eu percebi que o clima não estava legal e decidi vir procurar um hotel e parei aqui.

- Que cara Magie? - rosnei com raiva por ter corrido riscos por causa de algum idiota.

- Ashley veio atrás de um amigo dela, ela queria ficar com ele e...

- Essa garota é louca, juro que eu ainda vou fazê-la ficar longe de você. - Essa maluca vivia metendo Magie no meio das suas loucuras. Se não tivessem praticamente crescido juntas eu já teria lhe dado um susto que a faria correr para o outro lado do planeta. - Vamos. - Murmurei calando meus pensamentos e a empurrando para dentro do carro, acreditando que aquela merda tinha acabado. Até que passamos em frente a uma lanchonete e ela implorou para parar. - Olha só pra esse lugar, não vamos parar aqui!

- Eu não como nada há séculos, maninho. Por favor. - Ela insistiu com seu melhor modo dramático, aqueles olhos pidões e eu acabei cedendo, dizendo pra mim mesmo que era só por não querer que essa diaba passasse mal durante a viagem de volta.

Pedi para Jack dar a volta e olhei bem para o lugar quando paramos em frente, esperava que ao menos tivesse algo descente para comer ali. Mag não esperou nenhum segundo entrou correndo, às vezes eu me perguntava como essa menina ainda não havia morrido, mas me lembrava rapidamente que ela tinha a mim, uma linha fina que a segurava de cair no abismo do mundo e continuaria assim.

Quando entrei no bar não era tão terrível quanto parecia por fora, se você tirasse os móveis desgastados, a fumaça de cigarro barato, a luz baixa e os bêbados, ou seja, tudo. Nem mesmo para fechar negócios eu me enfiava em algum buraco assim.

Peguei um guardanapo na mesa e passei na cadeira a frente de Mag antes de me sentar, enquanto ela observava tudo em volta com curiosidade notei que Jack tinha se sentado em uma banqueta de frente ao balcão do bar e conversava com uma mulher, que percebi ser a única garçonete do lugar.

- O que vão querer? - como imaginava a mulher veio nos atender, bem pouco simpática.

- Eu quero um hambúrguer com fritas, e um milk-shake. - Mag pediu com expectativa, quase salivando no lugar.

- E você?

- Uma garrafa de água. - A moça saiu ainda rabiscando em seu bloquinho.

- Credo, você tem que comer alguma coisa. - Mag resmungou a minha frente, me fazendo bufar.

- Eu vou comer, quando eu estiver na minha casa, que é limpa e posso confiar na procedência da comida.

- Você parece uma madame fresquinha falando desse jeito, sabia? - provocou enquanto fuçava em seu celular começando a me ignorar.

- Respeito Mag, respeito! - a avisei sério de mais, não estava feliz de estarmos longe do nosso território, podendo ser atacados a qualquer momento.

Ela tinha saído da adolescência há pouco tempo, já tinha dezenove, mas o comportamento irritante de adolescente ainda continuava lá, seu comportamento só piorava se somado a inconsequência e ao fato de ter sido mimada. Com a idade dela eu já estava dirigindo os negócios da nossa família há um ano.

Não demorou para que o cheiro vindo da cozinha me acertasse e fizesse minha barriga roncar, se ao menos eu tivesse comido em casa antes de sair em busca dessa maluca, mas não, tinha vindo direto do escritório quando soube que ela estava enfiada naquele buraco quase por um dia inteiro.

Após alguns minutos ouvi uma voz feminina vindo da cozinha avisando a garçonete que o pedido estava pronto.

- Um hambúrguer com fritas e milk-shake para a moça. - A garçonete disse entregando o pedido e se virou para mim. - E uma água para o garotão. - falou com deboche escorrendo de cada palavra quando colocou a garrafa na mesa.

Ignorei a moça e foquei em Mag, a comida estava com uma cara ótima e o cheiro estava me matando. Peguei uma batata distraído ainda encarando o prato a minha frente, quando percebi Mag estava me olhando e sorrindo. Bufei para ela decidido a chamar de volta a moça e pedir algo.

Estava terminando de explicar meu pedido quando ouvimos um barulho alto de algo caindo na cozinha, desviando toda a atenção da garçonete para à porta que dava dentro da cozinha, a janela que até um minuto estava aberta, agora se encontrava fechada e a mulher ao meu lado batia o pé impaciente me esperando terminar, então saiu correndo até a porta com uma expressão de desespero.

Depois de algumas tentativas falhas em abrir ela se virou até a janelinha de madeira, que havia atrás do balcão, batendo desesperadamente.

Encarei tudo intrigado enquanto ela batia. O que diabos podia estar acontecendo? A mulher se voltou para as pessoas do salão com um olhar aflito enquanto pedia por ajuda, mas nenhum dos bêbados do lugar lhe deram atenção.

Até que ela conseguiu a atenção de Jack, quando implorou diretamente a ele. Inferno, por que ele tinha que se meter nisso?

- Senhor, a moça disse que têm uma mulher trancada lá dentro com o chefe delas. - Ele comunicou quando se aproximou o suficiente da nossa mesa com a garçonete em seu encalço.

- E o que eu tenho a ver com isso? - perguntei olhando para os dois, ora se um casal queria transar lá dentro eu não tinha nada a ver com isso, aliás, não ia nem querer mais a comida em que estavam transando em cima.

- Mais que merda, você não entendeu, ela pode estar sendo estuprada agora! - a garçonete esbravejou irritada.

- Porra. - Resmunguei irritado por ser incomodado esfreguei o rosto me levantando e já caminhando até a porta. Tentei abri-la e depois arrombá-la, mas nada funcionava, então me virei para a janela a fim de ter algum sucesso, mas só escutei barulhos de luta. Naquele momento eu vi vermelho. - Atire nessa porta Jackson! - rugi, ele atirou na maçaneta sem hesitar e eu entrei de uma vez.

A cozinha era pequena e estava uma bagunça, havia uma panela no chão e um molho vermelho derramado por todo o lugar. Então nos fundos contra a parede avistei um homem magro abaixado sobre um corpo me olhando assustado.

Não pensei duas vezes quando andei determinado a acabar com o rato. O arranquei de cima da mulher que estava encolhida no chão e acertei dois socos sem poupar a força que depositava nos golpes, só queria fazê-lo sangrar. Ele até tentou revidar, mas eu estava no modo endiabrado, apenas puxei seu braço para trás com toda força fazendo o gritar enquanto escutava algo se deslocar.

- Pode gritar, seu desgraçado nojento!

Acertei meu joelho uma vez no seu estômago e ele caiu de joelhos, então soltei seu braço e chutei seu rosto o fazendo cair estirado no chão com sangue fluindo de seu rosto que agora começava a ficar irreconhecível. Ele não se moveu, apenas continuou estático como um verme assustado diante de sua morte.

- Chega! - ouvi uma voz fraca quando o puxei pelo colarinho.

Não tinha terminado com ele, mas ergui minha cabeça em busca da voz que tinha me feito parar e avistei minha irmã, Jack e a garçonete assistindo a tudo, mas não havia sido nenhum deles.

Virei para o outro lado e vi a mulher, que ainda há pouco estava encolhida no chão, agora de pé com os cabelos castanhos bagunçados, quase cobrindo todo o rosto, com um pedaço de sua blusa rasgada, ela parecia selvagem. Mas seu rosto estava assustado, exibia um tom avermelhado em sua bochecha e um filete de sangue no canto da boca.

Larguei o homem no chão diante de seu pedido e ouvi o verme gemer de dor, me fazendo respirar fundo e me controlar para não começar tudo de novo. Queria saber o motivo de ter me pedido aquilo, quando claramente ela tinha sido machucada pelo desgraçado, o único indicio que ele não tinha estuprado ela era que suas calças continuavam no lugar, mas estava explicito que essa era a sua intenção e que teria conseguido se eu não tivesse chegado a tempo.

No instante seguinte ela passou por mim tentando ser forte e andar reta, sem ao menos me olhar ou dizer mais nada.

- É melhor levar sua vadia com você ou vou matar essa vaca! - o velho desgraçado gritou do seu lugar no chão e eu dei uma boa olhada no homem raquítico que era.

O sangue que escorria por seu rosto nem de longe me deixava satisfeito. Eu queria esfolar os meus punhos de tanto socá-lo e quando o estrago estivesse grande poderia abrir seu corpo nojento ao meio.

- Quebre tudo. - Sussurrei para Jack me afastando.

Ele começou pelo bar jogando às cadeiras contra a parede de garrafas, depois jogando uma mesa contra a janela da entrada e quando vimos todos os bêbados estavam quebrando alguma coisa também.

Procurei por Mag, no meio da confusão ela tinha conseguido se distanciar e tudo o que eu queria era dar o fora daquele lugar logo. A avistei perto da garçonete e da outra mulher já fora da lanchonete.

Algo naquela mulher chamava minha atenção de uma forma estranha, eu podia ser um fodido gangster, mas não compactuava com estupro, era a coisa que eu mais detestava homens acreditando que poderiam forçar mulheres indefesas aquilo. Nada que uma boa tortura não resolvesse. Mas ela claramente não queria ajuda.

- Magie! - gritei chamando sua atenção. - Vamos embora.

- Ela está machucada, nós deveríamos levá-la pelo menos até sua casa. - Mag pediu chegando perto de mim.

Não sabia o que ela estava pensando, mas aquilo não era uma brincadeira ou uma festa que tinha dado errado, não conhecíamos aquelas pessoas, estávamos fora de nossa área e sem nossos homens. Aquilo poderia ficar bem feio a qualquer momento.

- Nós já fizemos de mais, se ela quisesse alguma ajuda teria pedido. - falei duro para que Mag entendesse e encerrasse o assunto.

Mas só tive tempo de empurrá-la para dentro do carro antes que escutasse pneus queimando no asfalto graças a manobra rápida para fechar a rua, a caminhonete preta parado de frente as mulheres, às impedindo de seguir seu caminho. Ela se viraram para correr de volta para onde estávamos, mas dois homens armados saltaram para fora do carro, já apontando duas pistolas para elas, as fazendo paralisar no lugar.

- Mais que porra! - rosnei, bastou um olhar para Jack e já estávamos os dois com as armas em punho prontos para estourar os desgraçados. - Para o chão! - foi tudo o que gritei antes de afundar o dedo no gatilho.

As duas tiveram a noção de sair do nosso caminho rastejando para longe quando os tiros começaram a soar dos dois lados.

Os homens nos encaravam com espanto, obviamente não esperavam concorrentes a altura. Um dos disparos atingiu um deles no abdômen fazendo o homem cair no chão, enquanto Jack atirava em cheio no peito do outro sem parar até que o pente estivesse vazio, quando me virei para o carro o motorista cantou pneu indo para longe dali, deixando um de seus comparsas ainda com vida agonizando no chão.

- Estão bem? - Jack perguntou quando chegamos até elas.

- Agora você pergunta? Depois de ter atirado em nossa direção? - gritou furiosa a morena que tinha acabado de salvar a vida duas vezes. Agora sim ela parecia selvagem, com o medo aparecendo apenas no fundo de seus olhos.

- Escuta aqui garota, nós salvamos sua vida, um obrigado seria o mínimo!

- Ah claro. Muito obrigado por ferrarem minha vida, me deixarem sem emprego e na mira de criminosos. - Ela rosnou altiva.

- Se você não trabalhasse para este tipo de gente não teria esse tipo de problema. - Rebati sendo direto.

- A culpa é minha agora? - ela questionou chegando mais perto sem deixar de me encarar. - Eu nunca tive esse tipo de problema até hoje. Meus problemas eu poderia lidar, mas isso... - disse apontando para os corpos sem vida atrás dela.

A morena estava tão próxima que seu hálito quente batia contra o meu e eu podia ver de perto os olhos castanhos malditamente expressivos e lindos.

- Você está bem? - a garçonete perguntou interrompendo a amiga e apontando para meu abdômen.

Até o momento eu não havia reparado, mas assim que puxei o paletó já manchado de sangue avistei a camisa branca banhada no líquido quente e avistei o buraco onde a bala tinha atravessado.

- Que porra chefe. Precisamos ir logo, com urgência! - Jack gritou já puxando o telefone do bolso, provavelmente para chamar o médico que atendia nossos chamados.

Eu ainda estava atordoado olhando o buraco em minha pele e me perguntando em como não havia sentido o disparo, quando as mãos da pantera selvagem seguraram o buraco da camisa e a rasgaram analisando melhor o ferimento.

- A bala atravessou direto, por sorte não perfurou nada, mas você vai precisar de pontos. - Ela disse tirando a própria blusa e pressionando contra minha ferida me fazendo guinchar com a dor repentina, não se importando em ficar apenas de regata contra o vento frio da noite. - Ane me dê sua jaqueta. - Ordenou e a outra o fez sem hesitar enquanto eu acompanhava a tudo de cenho franzido desconfiado com sua atitude.

- Ele está bem? - Mag questionou atrás de mim já se chocando com a cena a sua frente.

- O que está fazendo fora da porra do carro? - eu rosnei com a raiva transbordando. Estávamos todos em campo aberto, podendo ser atingidos como patinhos.

- Precisamos ir chefe! - Jack gritou impaciente.

Eu encarei a mulher a minha frente que agilmente pressionou a blusa, enquanto amarrava a jaqueta da amiga para segurar sua blusa, que agora estava posicionada sobre a ferida.

Duas desconhecidas, eu teria que estar louco se as levasse comigo. Especialmente sabendo que minha vida era bem mais perigosa do que apenas isso que elas acabaram de presenciar hoje. Aquilo estava fora de cogitação, ajudar de qualquer outra forma menos colocá-las para dentro de casa como se fossem dois cachorrinhos perdidos precisando de abrigo.

Eu estava tentando racionalizar toda a situação, mas então por que quanto mais a encarava, enquanto ela tratava de parar o sangramento que eu tinha como se sua vida dependesse disso, eu sentia uma vontade de cuidar dela crescer? Por que a droga da ideia de deixá-la ali me parecia pior do que colocá-la em minha vida? Que porra é essa Oliver?

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