Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > Um Grito de Socorro, Uma Decisão de Vida
Um Grito de Socorro, Uma Decisão de Vida

Um Grito de Socorro, Uma Decisão de Vida

Autor:: Bo Xiaoye
Gênero: Moderno
A febre consumia-me, deixando-me caída e sozinha no chão da sala. O telemóvel, inatingível. Quando Mateus finalmente atendeu, a sua voz era de impaciência. Perguntei por socorro, mas ele estava ocupado com risos e a voz da Sofia, preocupada com o seu gato. "É só uma febre, não sejas dramática", disse ele antes de desligar, forçando-me a chamar o 112. No hospital, Mateus e a minha sogra surgiram com fúria, não preocupação. Acusaram-me de "cena", defendendo a Sofia. A sua frieza, a prioridade absurda a uma amante e um gato em detrimento de uma esposa moribunda, foi um choque devastador. Como puderam ser tão desumanos? Ali, no leito de hospital, face à sua indiferença, tomei a decisão: "Eu quero o divórcio." O telemóvel na minha mão trémula, o advogado na linha... Aquilo era só o começo.

Introdução

A febre consumia-me, deixando-me caída e sozinha no chão da sala.

O telemóvel, inatingível.

Quando Mateus finalmente atendeu, a sua voz era de impaciência.

Perguntei por socorro, mas ele estava ocupado com risos e a voz da Sofia, preocupada com o seu gato.

"É só uma febre, não sejas dramática", disse ele antes de desligar, forçando-me a chamar o 112.

No hospital, Mateus e a minha sogra surgiram com fúria, não preocupação.

Acusaram-me de "cena", defendendo a Sofia.

A sua frieza, a prioridade absurda a uma amante e um gato em detrimento de uma esposa moribunda, foi um choque devastador.

Como puderam ser tão desumanos?

Ali, no leito de hospital, face à sua indiferença, tomei a decisão: "Eu quero o divórcio."

O telemóvel na minha mão trémula, o advogado na linha...

Aquilo era só o começo.

Capítulo 1

A minha temperatura corporal estava a queimar-me por dentro, mas a minha pele estava fria e húmida.

Tentei levantar-me do sofá para ir buscar um copo de água, mas as minhas pernas cederam.

Caí no chão da sala.

O meu telemóvel estava na mesa de café, mesmo fora do meu alcance.

Com toda a minha força, arrastei-me pelo chão de madeira fria. Cada centímetro era uma luta.

Finalmente, os meus dedos tocaram no ecrã.

Liguei ao meu marido, Mateus.

A chamada foi para o correio de voz.

Tentei outra vez.

Correio de voz.

Na décima tentativa, ele atendeu. O som de fundo era de risos e música suave.

"Clara? O que foi? Estou ocupado."

A sua voz era impaciente, distante.

"Mateus, eu não me sinto bem. Acho que é grave. A febre está muito alta."

A minha própria voz soava fraca, como se viesse de outra pessoa.

Houve uma pausa. Ouvi uma voz de mulher ao fundo, a voz de Sofia.

"Mateus, querido, o Miau não quer comer a ração nova. Podes vir ver?"

O Miau era o gato persa dela.

Mateus suspirou ao telefone, um suspiro dirigido a mim.

"Clara, tomaste um comprimido? Deves ter apanhado uma gripe. Descansa um pouco, eu vou para casa mais tarde."

"Mais tarde quando?" consegui perguntar.

"Não sei! A Sofia está com um problema, o gato dela não come há horas, e ela está muito preocupada. A mãe também está aqui a ajudar."

A mãe dele, Helena, a minha sogra. Claro que ela estava lá.

"Um gato é mais importante do que eu?" A pergunta saiu-me da boca antes que eu pudesse detê-la.

"Não sejas dramática, Clara. É só uma febre. Não és uma criança. Tenho de ir."

Ele desligou.

Fiquei a olhar para o ecrã escuro do telemóvel. O silêncio da casa era absoluto.

Lá fora, o mundo continuava, com música e gatos que não comiam.

Aqui dentro, eu estava sozinha.

Com o resto das minhas forças, marquei o 112.

Enquanto esperava pela ambulância, olhei para a nossa fotografia de casamento na parede. Nós parecíamos felizes.

Perguntei-me quando é que aquele homem da fotografia tinha desaparecido.

Ou se alguma vez tinha realmente existido.

Naquele momento, no chão frio da nossa casa, tomei uma decisão.

Queria o divórcio.

Capítulo 2

Acordei num quarto de hospital branco e estéril. O cheiro a desinfetante enchia o ar.

Uma enfermeira estava a ajustar o meu soro.

"Olá. A senhora deu-nos um bom susto," disse ela com um sorriso simpático. "Teve uma infeção bacteriana grave. A febre estava quase nos 41 graus. Mais umas horas e podia ter sido muito perigoso."

Assenti com a cabeça, a garganta demasiado seca para falar.

Ela deu-me um copo de água.

"O seu marido e a sua sogra estão lá fora. Parecem muito preocupados."

Preocupados. A palavra soou estranha.

"Pode mandá-los entrar," disse eu, com a voz rouca.

Mateus e Helena entraram no quarto. Nenhum deles parecia preocupado. Pareciam zangados.

Helena foi a primeira a falar, a sua voz era um sussurro agudo.

"Que vergonha, Clara! Chamar uma ambulância por causa de uma febrezinha? Sabes o escândalo que isto causou na vizinhança?"

Mateus ficou de braços cruzados perto da porta, o seu rosto era uma máscara de irritação.

"Eu disse-te para tomares um comprimido. Em vez disso, fazes esta cena toda. Tive de deixar a Sofia sozinha, ela estava a ter um ataque de pânico por causa do gato."

Olhei de um para o outro. Não havia um pingo de preocupação nos olhos deles. Apenas acusação.

"Uma infeção bacteriana grave," disse eu, a minha voz a ganhar um pouco de força. "Foi o que a enfermeira disse. Podia ter morrido."

Helena riu-se, um som desagradável.

"Oh, por favor. Os médicos exageram sempre. Estás a tentar chamar a atenção, é o que é. Sempre foste assim, carente."

Virei o meu rosto para Mateus.

"Eu liguei-te. Pedi ajuda. Preferiste ficar a cuidar de um gato."

"Não era só o gato!" ele defendeu-se, levantando a voz. "A Sofia precisava de apoio emocional! Tu não entendes nada de empatia?"

Empatia.

Lentamente, com a mão a tremer, peguei no meu telemóvel da mesa de cabeceira.

Abri o contacto do meu advogado. Tinha-o guardado há meses, para o caso de precisar.

"Mateus," disse eu, com a voz calma e fria. "Eu quero o divórcio."

O silêncio no quarto foi pesado.

Helena arfou.

Mateus olhou para mim como se eu tivesse acabado de lhe cuspir na cara.

"Divórcio? Ficaste louca? Por causa disto? Porque eu não corri para casa por causa de uma dor de cabeça?"

"Não foi uma dor de cabeça," corrigi-o. "E não é só por causa disto. É por causa de tudo."

"Estás a ser ridícula," disse ele, aproximando-se da cama. "Nós vamos para casa, vais descansar, e vais esquecer esta estupidez."

"Não," disse eu, olhando-o diretamente nos olhos. "Eu não vou para casa contigo. Nunca mais."

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022