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Um Herdeiro Para o Chefe

Um Herdeiro Para o Chefe

Autor:: Lili Marques
Gênero: Bilionários
Uma viúva amargurada e que não se dobra facilmente. Um italiano que não tem medo de se apaixonar. Ela não o suporta, mas vai ter que fingir ser uma noiva apaixonada. Depois de um longo período de luto, Isabella Evans, está finalmente se reerguendo. Aos vinte e cinco anos ela já é uma viúva que evita qualquer tipo de dor de cabeça. Mas quando seu amigo lhe pede ajuda, para guiar o filho, Isabella não tem outra saída a não ser aceitar ajudar o novo CEO. Lorenzo Bianchi passou anos trabalhando para as concorrentes do pai, esperando pelo dia que assumiria a cadeira de CEO. Agora com seus trinta e cinco anos finalmente tem a chance, mas circunstâncias não são favoráveis, seu pai está doente e todo o conselho da empresa o odeia, assim como sua secretária sexy. Até que após uma confusão Lorenzo se vê obrigado a mentir, declarando a todos que Isabella é sua noiva. Agora os dois tem um mês para se casar e fingir ser o casal mais apaixonado. O que poderia dar errado?

Capítulo 1 Isabella

Já sentiu como se nada na sua vida fizesse sentido algum, ainda assim você acorda todos os dias, se arruma e vai viver como se não tivesse uma dor te corroendo por dentro? Felicidade é agora uma coisa que só existe em minhas lembranças, lembranças essas que ficam mais distantes a cada dia que passa.

Esse era o resumo de como eu me sentia nos últimos dois anos. Eu me arrastava todos os dias da cama, encarava aquelas paredes cheias de lembranças, tomava um banho lembrando de todas as vezes que estivemos juntos, colocava uma roupa e ia para o trabalho.

Luke tinha sido meu namorado desde a faculdade, nos casamos três anos atrás, esse foi o tempo que eu tive para ser chamada de Senhora Evans, antes que um acidente de moto o tirasse de mim.

- Bom dia, meninas. - Mandei o áudio no grupo "esquadrão".

Era assim que intitulamos o grupo das mais fofoqueiras da empresa. Eu tinha ido parar ali apenas por pena.

Depois de um longo período afundada em sofrimentos eu tinha conseguido de volta meu primeiro trabalho, como secretária, mas dessa vez veio com um bônus, eu era secretária e assistente pessoal do CEO do grupo Wish Engineering Bianchi a maior companhia de engenharia de Chicago.

Eu poderia me envergonhar e dizer que tinha ganhado esse cargo por pena, mas a verdade é que eu fiz por merecer a chance que o Giovanni Bianchi tinha me dado.

- Bom dia nada, desembucha que você é a única que sabe quem vai ser o novo CEO! - Deb gritou no áudio.

- Quem me dera que eu soubesse. O senhor Bianchi não me deu nem uma pista.

Infelizmente meu salvador estava se aposentando e outro assumiria a cadeira da presidência. Meu medo era que qualquer um dos tubarões conseguissem o lugar.

- Isabella, por favor! - ela gritou novamente. - Eu estou participando do bolão do prédio, quer que sua amiga perca dinheiro?

- Eu aposto que é Travis que vai assumir, ele foi o mais cotado em chupar as bolas do chefe! - Alice exclamou me arrancando uma gargalhada.

Elas eram minha fonte de alegria e sorrisos.

Travis Wayne era um dos grandões que faziam parte do conselho e um dos piores vermes que eu conhecia, tratava todos os funcionários como o chão que pisa, agindo como se todos nós fossemos objetos sem valor.

Esse era o grande problema em corporações como aquela, onde papais podiam colocar os seus filhinhos a frente dos negócios sem precisar que eles provem nada, os riquinhos não tinham conhecimento nenhum sobre o mundo real e acreditavam piamente que a vida das outras pessoas girava em torno de seu umbigo.

Atravessei a cidade com o pouco trânsito que havia naquela hora da manhã. Ainda estava frio quando deixei o apartamento, mas isso não me incomodava tanto nos últimos tempos.

- Não acredito que o senhor Bianchi vai embora e eu não dei pra aquele coroa gostoso. - Quase me engasguei com a água que tomava. - Precisava ao menos engravidar daquele homem, é pedir demais, Deus?

Bati em minha testa e entrei no carro. Deb era a pessoa mais maluca que eu conheci, mas era inofensiva, por mais que dissesse que estava na missão "sugar daddy" não tinha agarrado nenhum milionário.

Cheguei antes que todos na empresa, como sempre, eu gostava de tirar um tempo e organizar toda a papelada, rever a agenda de Giovanni, antes que ele chegasse.

- Bom dia, Jones - cumprimentei o segurança habitual na portaria e usei meu crachá para liberar o acesso.

- Bom dia, Evans, sempre adiantada.

Acenei com a cabeça e dei um sorriso pequeno para o homem já indo em direção aos elevadores.

Eu adorava trabalhar ali, mesmo que a maioria das pessoas na diretoria fossem mesquinhas e soberbas de uma forma que me deixava enjoada. Mas ter minhas amigas por perto era o ponto alto do meu dia, assim como manter a cabeça ocupada o suficiente para pensar menos em Luke.

Tinha feito todo meu ritual quando o elevador parou no nosso andar e o senhor Bianchi desceu. Os passos do sapato lustroso e italiano ecoaram até que ele estivesse à minha frente.

Deb falava a verdade quando dizia que ele era lindo, o italiano de cinquenta e nove anos tinha o cabelo grisalho, uma barba rala no mesmo tom, os olhos castanhos estavam sempre com um brilho iluminando-os. Giovanni era forte e alto, eu sabia bem que ele gastava um tempinho malhando para manter a boa forma.

Sofia Bianchi, sua esposa, era uma mulher de sorte, pois nesses dois anos eu tinha presenciado os gestos românticos dele.

Ele me lembrava Luke nesse quesito, sempre atencioso e amoroso, mostrando todos os dias o quanto me amava de inúmeras formas.

- Bom dia, Senhor.

- Bom dia, Evans, pode vir à minha sala por um momento? - Sua voz me fez apagar imediatamente as imagens de Luke.

- Claro! - respondi já o seguindo.

Bianchi se sentou atrás da mesa imponente de mogno. Tudo ali tinha sido desenhado e programado por ele mesmo, era o jeito dele de colocar sua marca, o cuidado em manter a classe sem ser extravagante.

As prateleiras repletas de livros e pequenas esculturas, combinavam com todo o resto da mobília, a mesa de centro da mesma madeira que a principal e o sofá assim como a poltrona feitas do mesmo couro da cadeira da presidência.

O escritório tinha uma vista panorâmica da cidade, atrás dele em especial podia se ver o Navy Pier e o lago Michigan, eu não me cansava daquela vista nunca.

Quando meus olhos pousaram novamente no homem à minha frente eu finalmente reparei em seu semblante, por um minuto ele estava mais sério do que eu jamais o tinha visto.

- Querida, tenho uma coisa muito importante para te pedir. - A voz estava definitivamente mais séria, quando ele me apontou a cadeira à sua frente. Não havia mais o resquício do sorriso de minutos atrás.

- O que o senhor precisar!

Se ele queria que eu me sentasse era porque seria um assunto difícil e não costumávamos ter assuntos tão sérios que exigisse uma cara tão fechada da parte dele.

Eu já vinha imaginando há alguns dias que provavelmente seria mandada embora, não seria de estranhar que o novo presidente da empresa não me quisesse como secretária, já estava tentando me preparar para isso.

- Você foi a melhor secretária que tive aqui dentro. Sabe o apreço que tenho por você e todo o orgulho que sinto por todo o seu esforço e evolução nesses anos. Você se tornou mais que uma boa secretária e amiga, é como uma filha para nós - Ok, esse era o momento que ele dizia "mas infelizmente" e emendava na minha demissão. - E por isso eu vou te fazer esse pedido, porque preciso de alguém da minha confiança e com sua competência e dedicação para fazer o que é necessário.

- Pode pedir qualquer coisa que vou dar meu melhor, Giovanni! - afirmei aliviada que não estivesse sendo demitida da empresa ainda, não sei se aguentaria o baque de ficar longe daqui.

Tinha sido leal a Bianchi desde que ele e a esposa me ajudaram alguns anos atrás, me acolhendo e me deu esse trabalho, quando eu era apenas a jovem viúva do seu advogado, que não tinha experiência em ser secretária de um CEO.

Eu tinha escutado muitas besteiras pelos corredores por conta disso, as pessoas gostavam de insinuar que eu tinha conseguido o cargo abrindo as pernas. Mas eu estava vacinada contra esse tipo de maldade e ele me garantiu que enquanto eu estivesse fazendo um bom trabalho sempre haveria pessoas querendo me diminuir e que eu não precisava me preocupar, pois não tinha nada a provar a ninguém.

E esse foi um dos motivos que me incentivou ainda mais a me esforçar no trabalho. Bianchi era um homem excepcional como meu Luke tinha dito.

- Fico feliz que pense assim porque preciso que você supervisione o Lorenzo! - Suas palavras fizeram minha confiança murchar um pouquinho. - Meu filho vai assumir o lugar de direito nessa empresa hoje e vai ter grandes dificuldades pela frente como você bem deve saber.

- E o Senhor quer que eu vigie o seu filho por quê? - Tentei ser o mais amável possível, mas tinha certeza que minha careta inconformada me entregou. - Não confia que ele vá se sair bem?

Não queria ser grosseira, mas o filho dele devia ter uns bons trinta e quatro anos, não tinha porque precisar de vigilância. Eu sabia que Lorenzo não tinha uma boa fama, muitas vezes ouvi Luke reclamando sobre como ele era um irresponsável, que gostava de viajar e costumava sair em tabloides por escândalos sempre ligados a mulheres.

A última coisa que eu esperava era que Giovanni Bianchi fosse colocar um filho mimado no poder, mesmo que eu nunca tivesse o conhecido, saber de sua má reputação era o bastante para não gostar daquela mudança.

- Não, não - ele se apressou em dizer. - Me entenda, Lorenzo passou anos fora do país e muitos dos outros acionistas não concordam com minha decisão de colocá-lo na presidência, mas eu sei que estou fazendo o melhor para a empresa. - Já eu, tinha minhas dúvidas. - Eu temo é que tentem usar as dificuldades que ele vai encontrar aqui dentro para tirá-lo dessa cadeira.

- O Senhor tem certeza de que ele é uma pessoa qualificada? - Talvez eu estivesse ultrapassando alguns limites da nossa amizade, mas ainda sim precisava perguntar.

- Não o colocaria aqui se soubesse que ele não é capaz! É justamente por saber que nenhum dos outros é qualificado que estou nomeando meu filho. - Suspirei e forcei um sorriso. - Sei que é muito para se pedir, especialmente com tudo o que você vem enfrentando nos últimos tempos, mas se puder ajudá-lo nessa adaptação eu ficaria muito grato.

A fisionomia dele estava terrível, os ombros caíram, as rugas em volta de seus olhos se acentuaram e ele realmente pareceu cansado.

Como eu poderia negar um pedido daqueles para alguém que tinha feito tanto por mim? Não tinha como dizer não quando eu sabia que devia muito a ele. Sem falar que manter qualquer um dos outros riquinhos fora daquela cadeira, era a melhor coisa que eu podia fazer por toda a empresa.

- Vai ser um prazer trabalhar com o seu filho, e pode deixar que eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para ele se sair muito bem aqui!

Capítulo 2 Lorenzo

Eu estava ganhando a oportunidade de mostrar ao meu pai que todos os anos trabalhando para seus concorrentes me ensinaram, sim, alguma coisa, e que não foram apenas anos curtindo a vida ao extremo, mesmo que talvez essa fosse parte da verdade.

Nunca achei que quando assumisse a companhia seria naquelas circunstâncias. Para começar, quase não acreditei quando ele anunciou que ia se aposentar e que queria que eu assumisse no seu lugar, até que ele contou que estava mal do coração e por isso estava se aposentando.

Ninguém sabia disso, tínhamos deixado o assunto entre as paredes de casa, só a família tinha conhecimento.

E agora eu não conseguia ficar plenamente feliz com a ideia de me tornar CEO da empresa de engenharia da família, além de não me sentir totalmente preparado, eu também estava preocupado com o estado de saúde do meu velho.

Ser filho único tinha me mantido muito perto dos meus pais, sempre fazíamos tudo juntos, unidos. E a simples ideia de perdê-lo apertava meu peito.

Como fundador daquela empresa e acionista majoritário, ele decidiu que eu seria seu sucessor, porém tinha um grupo forte ali dentro que queriam tirá-lo do poder há um tempo e que naquele momento se recusavam a aceitar que outro Bianchi continuasse à frente da companhia.

Meu pai fundou aquele lugar com trabalho duro, muita economia e fazendo clientes satisfeitos ao redor do país. Seu trabalho sempre foi impecável e quando o sobrenome do engenheiro estrangeiro, que veio de baixo, começou a ficar reconhecido não faltaram convites para que ele se filiasse a alguma companhia.

Foi quando ele decretou que iria abrir a sua própria empresa, isso incomodou ainda mais gente. Com o passar dos anos pessoas importantes do meio começaram a se sentir ameaçadas pelo sucesso da Wish Engineering Bianchi no mercado, mas isso nunca o impediu de crescer cada vez mais, pelo contrário, o Senhor Bianchi usou isso como combustível.

Estava no sangue quente dos italianos, não levamos desaforo pra casa, e não desistimos do que queremos. Eu tinha o maior orgulho dele por tudo isso e agora era minha vez de provar a todos que eu também conseguiria!

Entrei na sala de conferência onde o conselho aguardava, assim como algumas outras pessoas que eu nunca tinha visto na vida. Meu pai já tinha me avisado sobre o clima de ansiedade rodeando todos os setores, afinal era a primeira vez que a companhia mudaria de presidente desde que foi fundada.

- Por anos a Wish foi conduzida por um único condutor e foram bons anos, mas está na hora de passar o volante a outra pessoa, alguém com a mente mais fresca e aberta, com novas ideias e que nos leve a novas conquistas. - Meu pai interrompeu as palavras e me deu um tapinha nas costas me puxando para o seu lado. - Senhoras e Senhores, eu tenho o prazer de apresentar Lorenzo Bianchi, o novo presidente da Whish Engineering!

- Bom dia, Senhoras e Senhores. - Olhei para todos em volta, tentando gravar um pouco os rostos que veria dali em diante, então meus olhos focaram na ruiva no fundo da sala. - Estou animado para trabalhar com vocês! Vai ser um prazer!

Mesmo que tivesse começado a falar para todos no recinto, a parte do prazer foi direcionada totalmente a ela, a dos olhos castanhos mais expressivos que eu já tinha visto.

Eu não era um santo e as ruivas eram meu ponto fraco, por isso não me importei em ser discreto olhando-a. Nossos olhares se prenderam por um milésimo de segundo e ela pareceu um tanto desconcertada, um tom rosado cobriu as bochechas pintadas de sardas fazendo um sorriso sacana crescer em meus lábios.

Mas algumas pessoas se intrometeram em meu caminho, me parando e estendendo as mãos, me felicitando pela conquista, me obrigando a dar atenção a cada um ali, ainda que soubesse que aquelas mesmas pessoas eram contra a escolha do meu pai.

Procurei os cabelos vermelhos entre as pessoas que se amontoavam na minha frente, mas não tinha mais nem sinal dela. A ruiva não tinha esperado como os outros para me cumprimentar, apenas desapareceu, e aquilo só atiçou ainda mais minha curiosidade, adorava uma boa caçada.

- Fico muito feliz de finalmente conhecer o famoso Lorenzo Bianchi! - um homem falou dando tapinhas no meu ombro atraindo minha atenção. - Travis, Travis Wayne.

Encarei a mão estendida, eu tinha escutado meu pai falar aquele nome, rico e mesquinho foram os adjetivos usados para descrevê-lo. Mas o que eu podia dizer, já havia sido chamado de coisas bem piores apenas por ter um pai rico.

- Ouvi muito a seu respeito, é bom finalmente dar um rosto ao nome. - Apertei a mão dele e o sorriso em seu rosto cresceu de maneira estranha.

Travis não era velho como o resto das pessoas da diretoria, assim como eu, ele tinha um pai influente que o colocou ali. Eu havia feito o dever de casa aprendendo um pouco sobre cada pessoa que iria trabalhar diretamente comigo.

Mas no momento eu só queria saber quem era a linda ruiva que tinha desaparecido.

- Vejam só, esperei muito para ver essa imagem! - meu pai exclamou me trazendo de volta. - Meu filho e o filho do meu maior sócio e braço direito, juntos. Bem aqui na nossa frente está a nova geração da Wish o futuro da empresa!

O que eu podia dizer, o velho adorava fazer discursos e usar frases de efeito.

Passamos ao menos mais meia hora ali, conversando e trocando amenidades com alguns funcionários. Os chefes de cada departamento fizeram questão de apertar minha mão e me felicitar. Eu sabia bem que a maioria deles estava apenas puxando meu saco, conhecer todo o tipo de gente nesse mundo me ensinou ao menos isso.

Depois disso meu pai me acompanhou até sua sala, no último andar do prédio onde ele tinha uma vista perfeita da cidade.

Eu não me orgulhava em dizer que fazia anos que eu não entrava naquele lugar. Desde que me formei na faculdade eu fiz questão de trabalhar nas melhores empresas de engenharia ao redor do mundo, enquanto aproveitava minha vida ao máximo, certo que um dia estaria ali.

Meu pai nunca escondeu a aversão que tinha por eu ter seguido esse caminho e talvez essa seja uma das maiores razões para tantas opiniões negativas ao meu respeito.

Saímos do elevador e eu dei de cara com a mesa que costumava ser da secretária do meu pai, mas ao invés da senhora Smith, era a ruiva que estava ali, a mulher dos cabelos de fogo e os olhos cor de avelã que me hipnotizaram.

Ela parecia concentrada até ouvir nossos passos se aproximando, foi quando nossos olhos voltaram a se encontrar e eu assisti um rubor tomar conta de suas bochechas. O que será que se passava na mente dela?

- Filho, quero te apresentar a uma pessoa, essa é Isabella Evans, minha secretária e uma grande amiga!

A mulher se levantou, contornando a mesa e estendendo a mão para mim, um sorriso amigável brotou atraindo meu olhar diretamente para os lábios rosados.

- Isabella Evans - falei seu nome testando as palavras em minha boca e apertei sua mão, sentindo a maciez de sua pele. - É um prazer conhecê-la.

- O prazer é todo meu - murmurou com as bochechas voltando a ficarem coradas e como eu gostaria que aquelas palavras fossem ditas em uma outra situação, com ela ainda mais vermelha. - Seu pai me falou muito sobre você.

- Infelizmente eu não posso dizer o mesmo, meu pai nunca disse que tinha outra pessoa no lugar da senhora Smith.

Nossas mãos ainda estavam unidas, eu já deveria tê-la deixado ir, mas eu não estava com pressa de perder a mão delicada e quente contra a minha.

- Agora vocês vão ter bastante tempo para se conhecer, já que ela vai ser sua secretária - meu pai falou se enfiando entre nós dois e passando o braço sobre os ombros de Isabella com intimidade. - E como você é novo aqui, filho, ela concordou em te ajudar a se adaptar, conhecer melhor as pessoas e etc.

Eu gostei disso, significava que íamos passar ainda mais tempo juntos.

Deslizei meu polegar sobre o dela, sentindo uma corrente elétrica subir por minha espinha com aquele simples toque. Seus olhos brilharam de forma diferente, mas Isabella rapidamente se afastou e ergueu a mão esquerda deixando o solitário e a aliança dourada brilharem em uma declaração: casada!

Como se uma bandeira vermelha fosse hasteada bem na minha frente, eu dei um passo para trás, abrindo mais espaço entre nossos corpos.

- Vai ser ótimo trabalhar com a senhora - falei dando ênfase no título que meu pai tinha deixado de lado. - Agora que tal conhecermos minha sala? Se me lembro bem tinha uma garrafa de Whisky escondida que é perfeita para brindarmos a essa ocasião.

Puxei meu pai de lá enquanto tratava de tirar qualquer ideia sobre aquela mulher da cabeça. Eu podia ser um safado de carteirinha, mas não me metia no casamento dos outros.

Capítulo 3 Isabella

Eu já estava arrependida, estava terrivelmente arrependida e só tinha falado com o homem uma vez.

Porque Lorenzo Bianchi tinha que parecer tanto com meu Luke? Alto, forte, cabelos pretos e aquela barba sexy. Só havia duas coisas diferentes entre eles, Luke tinha olhos azuis enquanto Lorenzo exibia olhos castanhos enormes, a segunda é que meu marido era branco como os ingleses já Lorenzo era bronzeado de uma forma sedutora.

Engoli em seco com aquele pensamento. O que eu estava fazendo comparando os dois? Aquilo era errado, mas só de fechar os olhos eu conseguia sentir seu toque em minha mão, o frio se instalando na boca do estômago quando nossas mãos se encontraram e o calor subindo por meu corpo e se espalhando quando ele passeou o polegar sobre o meu.

Não! Eu não podia pensar naquilo.

Meu celular vibrou sobre a mesa atraindo minha atenção, é claro que só podia ser ela, o nome Deb brilhava na tela, mostrando que ela não tinha mandado apenas uma mensagem, mas sim, um zilhão delas.

Deb: ele já chegou ai?

Deb: falou com o novo chefe?

Deb: com certeza ele já chegou ai. Dá pra responder, querida?

O desespero da maluca continuava. Revirei os olhos e comecei a digitar, mas não cheguei a enviar, o ding do elevador parando no andar atraiu meu olhar e James saiu de lá marchando em minha direção.

- Por que não respondeu a descontrolada? - ele sussurrou encarando a porta, como se nossos chefes pudessem sair de lá a qualquer momento. - Todos estão querendo uma foto dele.

- Bom dia pra você também, querido. - Ele também fazia parte do esquadrão assim como outras quinze pessoas daquele prédio. - Todos quem?

- Bem, todos, todos, não tem uma viva alma na empresa que não queira saber quem é o mais novo manda chuva.

- Sabe que se eu mandar uma foto dele naquele grupo não vai demorar nem cinco minutos até que todo o país saiba - falei o óbvio, ele tinha noção que as quinze pessoas ali fariam a foto do novo presidente vazar até em tabloides.

- Sei, sim. Mesmo assim, precisamos da foto Isa! - James exigiu me fazendo semicerrar os olhos, desejando que ele desaparecesse. - Ahh, antes que me esqueça, que história é essa de você ser a nova babá do garotão?

Não precisava nem tentar adivinhar para saber quem jogou aquilo na rodinha. Alice tinha sido a única a quem eu contei isso porque ela estava na sala de conferências.

- Que tal você me dizer o que quer aqui e dar o fora? - Usei o meu melhor tom de brava, ou o mais brava que conseguia ser com ele.

James e as meninas eram a única parte alegre e colorida dos meus dias, por isso eu era agradecida de estar rodeada por eles todos os dias. Mas eles conseguiam me tirar do sério às vezes.

Ele abriu a boca para responder e ficou parado com a boca escancarada enquanto Giovanni e Lorenzo deixavam a sala. Pai e filho riam de algo que conversavam, distraídos e tão acomodados um com o outro que demoraram a nos notar ali.

- Minha, filha, se você vai ser babá dele, espero que esteja pronta para dar de mamar! - James falou baixo, se assegurando que apenas eu ouviria.

Mas meu engasgo não foi silencioso assim. Tossi tentando voltar a respirar enquanto o cínico fingia dar tapinhas em minhas costas.

- Tudo bem por aqui? - A voz de Giovanni soou mais próxima me fazendo erguer o rosto depressa.

Os olhos de Lorenzo brilharam com divertimento e eu podia apostar que estava vermelha como um tomate.

- Sim, ela só se engasgou com a água - James respondeu quando viu que eu não ia longe ainda tossindo. - Senhor Louis me pediu para trazer esses papéis, precisam da sua assinatura.

Franzi o cenho sabendo que ele podia ter me entregado e sumido voltando ao seu andar, mas fez questão de enrolar, com certeza só para dar uma olhada no novo chefe.

- Pode deixar com a Evans. A propósito, já conheceu meu filho? Lorenzo Bianchi, o novo presidente! - Giovanni quase estufou o peito de tanto orgulho enquanto falava.

Não resisti e me perguntei por que Lorenzo não tinha estado ao lado do pai todos esses anos como era de se esperar? Por que só agora ele decidiu assumir seu lugar na empresa?

James se empolgou começando a conversar quando o novato puxou papo, e por incrível que pareça ele não parecia um chefe sendo forçado a interagir com um funcionário, Lorenzo demonstrava verdadeiro interesse no assunto.

- Todos na empresa estão curiosos sobre seu filho - murmurei quando o Senhor Bianchi se aproximou de mim dando uma olhadela no papel que James tinha me entregado. - Parece que fez mesmo uma boa escolha.

Giovanni sorriu para mim de forma cúmplice e o brilho nos olhos não escondia a felicidade de ter o seu único herdeiro ali com ele.

Analisei pai e filho ali tão próximos, se notava todas as semelhanças que gritavam o parentesco. Os dois tinham os mesmos olhos castanhos, a barba cheia e o formato quase oval do rosto, Lorenzo era uma versão mais nova do pai. Dois italianos lindos.

Aquela constatação me fez engolir em seco e desviar rapidamente o olhar de Lorenzo, com medo de ser pega encarando-o daquela forma.

- Antes que eu me esqueça, você vem almoçar conosco - Senhor Bianchi falou chamando minha atenção.

Isso era a última coisa que eu precisava agora.

James se despediu como se soubesse que era sua deixa, não antes de me dar uma piscadela e um sorriso cínico que gritava: eu ouvi isso!

Céus antes mesmo que entrássemos no elevador o esquadrão já estaria sabendo.

- Mas eu já usei meu horário de almoço...

- Nem tente, mocinha, suas desculpas esfarrapadas não vão funcionar hoje - ele me censurou e como uma boa menina eu calei minha boca. - Quero que vocês dois se conheçam melhor, já que vão passar mais tempo juntos a partir de segunda-feira.

As palavras dele causaram um reboliço dentro de mim, caso Giovanni estivesse se referindo a outra pessoa eu duvidava que meu corpo reagiria assim, mas falar logo do filho que tinha me feito sentir um calor desconhecido e que me olhou daquele jeito sem nenhum pudor, não foi uma boa jogada.

- Ela não parece muito feliz em ter um novo chefe - Lorenzo disse quando as portas de metal se fecharam.

Eu estava entre os dois ali e mesmo olhando para frente conseguia sentir o olhar dele queimando em mim.

- Não é isso, só estou pensando em como seu pai foi um ótimo chefe - disfarcei. - E em como ele vai fazer falta por aqui.

- Não vou morrer, Isabella. Vai ver que sempre vou aparecer por aqui. - Giovanni bateu o ombro no meu, me fazendo relaxar um pouco. - E quanto a Lorenzo, aposto que ele vai ser um chefe bem mais legal e interessante.

Disso eu duvidava, acho que o termo certo seria: folgado, relapso, sem pulso. Talvez sedutor, e se todas as mulheres daquela empresa decidissem olhar para ele com desejo, poderia adicionar um cafajeste. Mas não disse nada, apenas concordei sorrindo.

O elevador parou e duas pessoas entraram nos obrigando a recuar para o fundo, eu só queria descer rápido e ficar mais longe dele, mas hoje o elevador parecia especialmente lento.

Dois andares depois paramos e um grupo de quatro mulheres entrou tagarelando, não consegui deixar de notar os olhares delas direto para o moreno alto ao meu lado, como eu tinha imaginado. Nem ao menos podia julgá-las, já que era impossível não notá-lo.

O lugar ficou terrivelmente apertado e eu fiz de tudo para me manter longe de Lorenzo, mas Giovanni não ajudou quando me empurrou com o ombro, me forçando a ficar ainda mais perto do seu filho.

Respirei fundo com a proximidade repentina e me arrependi quando o perfume amadeirado invadiu minhas narinas. Fechei levemente os olhos inspirando a fragrância deliciosa e sentindo minha pulsação acelerar, me esquecendo por alguns segundos de onde estávamos.

- Está passando mal, Evans? - A voz grossa soou na altura da minha cabeça.

Antes que eu pudesse responder as mãos grandes dele seguraram meus ombros, puxando meu corpo ainda mais para perto do seu, me dando apoio, como se temesse que eu fosse despencar no chão.

Meu coração disparou quando ergui o rosto e nossos olhares se encontraram. Eu suspirei sem conseguir falar nada, aquela proximidade e o calor que emanava de seu corpo, me fizeram perder a fala.

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