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Um Novo Amanhecer Após a Tempestade

Um Novo Amanhecer Após a Tempestade

Autor:: Winded
Gênero: Romance
Naquela noite chuvosa, a vida que eu carregava se esvaiu em meio aos destroços do carro. Eu estava presa, sangrando, lutando por meu filho, mas Pedro, meu marido, não atendeu nenhuma das minhas dezenas de chamadas. Quando ele finalmente chegou ao hospital, sem um pingo de preocupação, sua única pergunta foi: "Por que não me ligaste do hospital?". Ele tinha passado as horas cruciais com sua ex-namorada, Sofia, que supostamente havia caído das escadas – uma mentira para encobrir a traição. Meu filho estava morto, e ele estava com outra mulher, ignorando meu desespero. A dor da perda foi eclipsada pela crueldade da traição, pela raiva de ser trocada por um encontro secreto num hotel. Mas a Clara que ele tinha deixado naquele carro não era mais a mesma. Com a ajuda de uma advogada afiada, jurei que ele pagaria por cada mentira e por cada lágrima.

Introdução

Naquela noite chuvosa, a vida que eu carregava se esvaiu em meio aos destroços do carro.

Eu estava presa, sangrando, lutando por meu filho, mas Pedro, meu marido, não atendeu nenhuma das minhas dezenas de chamadas.

Quando ele finalmente chegou ao hospital, sem um pingo de preocupação, sua única pergunta foi: "Por que não me ligaste do hospital?".

Ele tinha passado as horas cruciais com sua ex-namorada, Sofia, que supostamente havia caído das escadas – uma mentira para encobrir a traição.

Meu filho estava morto, e ele estava com outra mulher, ignorando meu desespero.

A dor da perda foi eclipsada pela crueldade da traição, pela raiva de ser trocada por um encontro secreto num hotel.

Mas a Clara que ele tinha deixado naquele carro não era mais a mesma.

Com a ajuda de uma advogada afiada, jurei que ele pagaria por cada mentira e por cada lágrima.

Capítulo 1

Naquela noite, a chuva caía sem parar, batendo forte na janela do hospital. O som era abafado, quase um murmúrio distante.

O meu corpo estava dormente. Não sentia dor, apenas um vazio imenso.

Eu tinha acabado de perder o meu bebé. Um menino.

A enfermeira entrou no quarto, o seu rosto era uma máscara de profissionalismo.

"Senhora, o seu marido, Pedro, está aqui fora. Ele quer vê-la."

Pedro.

O nome dele soou estranho, como se pertencesse a outra pessoa, a outra vida.

Apenas algumas horas antes, eu estava presa nos destroços do nosso carro, depois de um acidente horrível na estrada escorregadia.

Liguei para o Pedro dezenas de vezes. O telefone dele chamou, chamou, mas ele nunca atendeu.

Fiquei presa por duas horas, o sangue escorria pelas minhas pernas. Os socorristas tiveram que me cortar para fora do metal retorcido.

Eles salvaram a minha vida, mas não conseguiram salvar o meu filho.

"Deixe-o entrar," eu disse, a minha voz era um sussurro rouco.

Pedro entrou. O seu cabelo estava molhado da chuva, colado à testa. Ele não parecia preocupado, apenas irritado.

"O que aconteceu? Porque é que não me ligaste do hospital?"

Olhei para ele, para o homem com quem me casei há três anos. O homem que prometeu amar-me e proteger-me.

"Eu liguei, Pedro. Liguei vinte e três vezes enquanto estava presa no carro."

Ele franziu o sobrolho, tirando o telemóvel do bolso.

"Não recebi nada. Deves ter ligado para o número errado."

"Não liguei para o número errado," afirmei, a minha voz a ganhar um pouco de força. "Tu não atendeste."

Ele encolheu os ombros, a sua irritação a transformar-se em impaciência.

"Eu estava ocupado. A Sofia precisava de mim."

Sofia. A sua ex-namorada. A mulher que ele jurou que era apenas uma amiga.

"O que aconteceu com a Sofia?" perguntei, embora já soubesse a resposta. O meu coração estava frio, uma pedra de gelo no meu peito.

"Ela caiu das escadas. Estava com dores, assustada. Levei-a para o hospital. Estive com ela o tempo todo."

Ele disse aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se a dor dela fosse mais importante do que a minha.

"O nosso filho morreu, Pedro."

As palavras saíram da minha boca, secas e sem emoção.

Ele olhou para a minha barriga, agora coberta por um lençol fino. Pela primeira vez, vi um vislumbre de choque no seu rosto.

"O quê? Como assim?"

"O acidente. Perdi o bebé."

Ele ficou em silêncio. Não havia lágrimas, nem tristeza. Apenas um silêncio vazio e desconfortável.

"Eu... eu não sabia," ele gaguejou. "A Sofia estava com tantas dores."

"Vamos divorciar-nos," eu disse, cortando-o.

A palavra pairou no ar entre nós, pesada e final.

Capítulo 2

A raiva explodiu no rosto do Pedro.

"Divórcio? Estás a falar a sério? Por causa disto?"

Ele gesticulou para o quarto, para mim, para o vazio onde o nosso filho deveria estar.

"Isto? Tu chamas a isto 'isto'?" A minha voz tremeu, mas não de tristeza. Era raiva. Pura e fria.

"Eu estava a ajudar uma amiga, Clara! Uma amiga que estava magoada! Não podes ser tão egoísta!"

Egoísta. A palavra atingiu-me. Eu, que carreguei o filho dele durante nove meses. Eu, que quase morri sozinha num carro destruído. Eu era a egoísta.

"Ela caiu das escadas, Pedro. Eu estava presa em metal retorcido, a sangrar até à morte. E o nosso filho... o nosso filho morreu porque tu não estavas lá."

"Isso não é justo!" ele gritou. "Como é que eu podia saber? Tu nem sequer me avisaste que ias sair com aquela chuva!"

A culpa. Ele estava a tentar virar a culpa para mim.

"Eu estava a ir para a casa da minha mãe. A mesma casa para onde vou todas as semanas. E tu não atendeste o telemóvel."

"Eu já te disse, estava ocupado!"

"Com a Sofia."

O nome dela ficou entre nós de novo. Ele não conseguiu encontrar os meus olhos.

"Ela precisava de mim," ele repetiu, mais baixo desta vez.

"E eu não precisava? O teu filho não precisava?"

Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, quentes e amargas. Eu tinha-as segurado por tanto tempo.

"Clara, para com o drama. Foi um acidente terrível. Vamos superar isto. Juntos."

Ele estendeu a mão para tocar na minha, mas eu afastei-a.

"Não há 'nós'. Não há 'juntos'. Acabou, Pedro."

O telemóvel dele vibrou no bolso. Ele tirou-o. O nome "Sofia" brilhava no ecrã.

Ele hesitou por um segundo, olhando para mim e depois para o telefone.

Ele atendeu.

"Sofia? O que se passa? Estás bem?" A sua voz estava cheia de uma preocupação que ele nunca me mostrou.

Eu fechei os olhos. Não precisava de ouvir mais nada.

Quando ele desligou, o seu rosto estava tenso.

"Ela está sozinha. Precisa que eu lhe leve umas coisas."

Ele não estava a pedir permissão. Estava a informar-me.

"Vai," eu disse, a minha voz vazia. "Vai ter com ela."

Ele olhou para mim, talvez esperando mais uma luta, mais gritos. Mas eu não tinha mais nada para dar.

"Clara, nós vamos falar sobre isto mais tarde."

"Não, não vamos," eu disse, abrindo os olhos e olhando diretamente para ele. "Pega nas tuas coisas e sai da nossa casa. Vou contactar um advogado amanhã."

Ele ficou ali parado por um momento, chocado com a minha finalidade. Depois, virou-se e saiu do quarto sem dizer mais uma palavra.

A porta fechou-se atrás dele, e o silêncio que se seguiu foi o som mais alto que eu já tinha ouvido.

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