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Um Novo Começo, Longe de Ti

Um Novo Começo, Longe de Ti

Autor:: Fifine Schwan
Gênero: Moderno
Eu estava no chão frio da casa de banho, com o teste de gravidez positivo na minha mão trémula, quando o Pedro, o meu noivo, me ligou. A sua voz estava cheia de uma alegria que eu não conseguia partilhar: a sua mãe, a temível Dona Helena, finalmente concordara em encontrar-se comigo. Aquela noite era a minha única oportunidade de ser aceite pela elite família Andrade. Mas, bem no meio do jantar crucial, o meu telemóvel vibrou com uma notícia devastadora: o meu avô, a minha única família, sofrera um acidente. O Pedro, no seu fato caro, hesitou quando pedi para ir. A Dona Helena, impassível, disparou palavras cruéis: "Depois de três anos... vai fugir por causa de um velho que provavelmente só tropeçou num tapete?" Ela forçou-me a uma escolha impossível: o Pedro ou o meu avô. E o Pedro? Ele não me defendeu, pediu-me para "verificar se era mesmo grave". Naquele instante, o meu estômago embrulhou-se. Como pude amar um homem capaz de hesitar quando a minha família precisava de mim? Como podia eu e o meu bebé viver num mundo onde o amor era condicional e humilhante? Não olhei para trás. Deixei o anel de noivado na sua mão. Aquela noite, na solidão do hospital, prometi ao meu filho que ele nunca conheceria uma família que me pedisse para abandonar a minha. Isto não era um fim; era um novo começo.

Introdução

Eu estava no chão frio da casa de banho, com o teste de gravidez positivo na minha mão trémula, quando o Pedro, o meu noivo, me ligou.

A sua voz estava cheia de uma alegria que eu não conseguia partilhar: a sua mãe, a temível Dona Helena, finalmente concordara em encontrar-se comigo.

Aquela noite era a minha única oportunidade de ser aceite pela elite família Andrade.

Mas, bem no meio do jantar crucial, o meu telemóvel vibrou com uma notícia devastadora: o meu avô, a minha única família, sofrera um acidente.

O Pedro, no seu fato caro, hesitou quando pedi para ir.

A Dona Helena, impassível, disparou palavras cruéis: "Depois de três anos... vai fugir por causa de um velho que provavelmente só tropeçou num tapete?"

Ela forçou-me a uma escolha impossível: o Pedro ou o meu avô.

E o Pedro? Ele não me defendeu, pediu-me para "verificar se era mesmo grave".

Naquele instante, o meu estômago embrulhou-se.

Como pude amar um homem capaz de hesitar quando a minha família precisava de mim?

Como podia eu e o meu bebé viver num mundo onde o amor era condicional e humilhante?

Não olhei para trás.

Deixei o anel de noivado na sua mão.

Aquela noite, na solidão do hospital, prometi ao meu filho que ele nunca conheceria uma família que me pedisse para abandonar a minha.

Isto não era um fim; era um novo começo.

Capítulo 1

O meu nome é Sofia.

Quando o meu noivo, Pedro, me ligou, eu estava sentada no chão frio da casa de banho, com o teste de gravidez positivo na minha mão trémula.

Ele estava eufórico.

"Sofia, a minha mãe finalmente concordou em encontrar-se contigo! É hoje à noite! Veste o teu melhor vestido, ela é muito exigente com a aparência."

A sua voz estava cheia de uma alegria que não consegui partilhar.

Olhei para o teste de gravidez. O nosso bebé.

"Pedro, tenho algo importante para te dizer..."

"Diz-me mais tarde, amor. Tenho de ir buscar a minha mãe ao aeroporto. Não te atrases!"

Ele desligou antes que eu pudesse dizer a palavra "grávida".

A mãe dele, a Dona Helena, a matriarca da rica família Andrade, nunca me tinha aprovado. Para ela, eu era apenas uma órfã sem nome nem fortuna.

Durante três anos, o Pedro lutou por nós. Agora, ela finalmente tinha cedido. Este jantar era a minha única oportunidade.

Engoli as minhas notícias, guardei o teste e escolhi o vestido mais conservador que tinha.

O jantar foi no restaurante mais caro da cidade. Sentei-me direita, com as mãos nos joelhos, sentindo o olhar frio da Dona Helena a avaliar-me.

"Então, tu és a Sofia," disse ela, sem qualquer emoção.

"Sim, Dona Helena. É um prazer conhecê-la."

"O prazer é todo meu," respondeu ela, com um tom que dizia o contrário.

O Pedro tentou aliviar a tensão, falando sobre o nosso futuro, os nossos planos. Eu sorria quando era suposto, mas o meu estômago estava a dar nós.

No meio do prato principal, o meu telemóvel vibrou. Era um número desconhecido. Ignorei.

Vibrou outra vez. E outra.

Dona Helena franziu a testa. "Não vais atender? Deve ser importante."

A sua voz era cortante. Pedi desculpa e levantei-me para ir à casa de banho.

Assim que atendi, a voz de uma mulher soou, frenética.

"É a Sofia? Sou a vizinha do seu avô, do Lar de Idosos Sol Dourado. Ele caiu. Bateu com a cabeça. A ambulância está a caminho do Hospital da Luz."

O meu mundo parou.

O meu avô. A única família que eu tinha.

Capítulo 2

Corri de volta para a mesa, com o pânico a subir-me pela garganta.

"Pedro, o meu avô... ele caiu. Tenho de ir para o hospital."

O Pedro levantou-se imediatamente, a preocupação no seu rosto. "Claro, vamos."

Mas a Dona Helena pousou o garfo com um ruído seco.

"Pedro, senta-te."

A sua voz era baixa, mas carregada de autoridade. O Pedro hesitou, olhando de mim para a mãe.

"Mãe, o avô da Sofia está no hospital. É uma emergência."

"E o nosso jantar não é?" ela retorquiu, com os olhos fixos em mim. "Depois de três anos, finalmente concordo em conhecer esta rapariga, e ela vai fugir por causa de um velho que provavelmente só tropeçou num tapete? Que falta de respeito."

Fiquei chocada. As palavras dela eram cruéis.

"Dona Helena, ele é a minha única família. Ele criou-me."

"E o meu filho está a tentar fazer de ti família," disse ela, apontando para o Pedro. "Tens de escolher as tuas prioridades, menina. Queres um futuro com o meu filho ou queres passar a vida a cuidar de um idoso?"

Olhei para o Pedro, implorando com os olhos.

"Mãe, isso não é justo."

"A vida não é justa, Pedro. Ela tem de provar que merece estar nesta família. Ficar é a prova."

O Pedro olhou para mim, o seu rosto uma máscara de agonia. "Sofia... talvez... talvez possas ligar ao hospital? Só para ver se é mesmo grave?"

A sugestão dele partiu-me o coração.

Ele estava a pedir-me para escolher.

Senti um arrepio. A náusea da manhã voltou com força.

"Eu tenho de ir," disse eu, com a voz firme. "Ele precisa de mim."

Virei-me e saí do restaurante, sem olhar para trás. Não ouvi o Pedro a seguir-me.

Chamei um táxi, as lágrimas a escorrerem-me pela cara.

No hospital, encontrei o meu avô numa maca num corredor. Estava pálido, com um grande penso na testa.

"Sofia, minha querida," sussurrou ele, a sua mão a tremer na minha. "Desculpa estragar a tua noite."

"Não digas isso, avô. Eu estou aqui."

O médico disse que ele tinha uma concussão e precisava de ficar em observação. Sentei-me ao lado dele, segurando a sua mão, ignorando as dezenas de chamadas perdidas do Pedro.

Naquela noite, no silêncio do hospital, tomei uma decisão.

Este bebé, o meu bebé, nunca conheceria uma família que me pedisse para abandonar a minha.

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