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Um Peão, Um Filho, Um Casamento Forçado

Um Peão, Um Filho, Um Casamento Forçado

Autor:: Lu Meng
Gênero: Moderno
Dois anos atrás, meu noivo, Heitor, jogou o único colete salva-vidas para sua amante, Isabela, e me viu afogar. Eu estava grávida do filho dele. Ele me encontrou vivendo uma vida tranquila como esposa de um pescador em uma ilha remota, me arrastou de volta para o seu mundo e revelou uma verdade chocante: nosso filho, aquele que eu pensei ter perdido, estava vivo. Ele havia sido criado por eles o tempo todo. Heitor se divorciou de Isabela e tentou me forçar a casar, usando nosso filho como um peão em seu jogo. Mas o menino que ele criou era um estranho, corrompido pela crueldade do pai, me chamando de "mulher má". Foi quando eu soube que precisava destruí-los. Eu voltei para a ilha, não como uma vítima, mas como Ayla Garcia, a filha há muito perdida do chefe da ilha. "Heitor Montenegro", meu pai rugiu, sua voz ecoando pelo salão, "você ousou tocar na minha filha? Saia da minha frente, agora!" Ele pensou que poderia arruinar minha vida, mas nunca percebeu que estava invadindo o meu reino.

Capítulo 1

Dois anos atrás, meu noivo, Heitor, jogou o único colete salva-vidas para sua amante, Isabela, e me viu afogar. Eu estava grávida do filho dele.

Ele me encontrou vivendo uma vida tranquila como esposa de um pescador em uma ilha remota, me arrastou de volta para o seu mundo e revelou uma verdade chocante: nosso filho, aquele que eu pensei ter perdido, estava vivo. Ele havia sido criado por eles o tempo todo.

Heitor se divorciou de Isabela e tentou me forçar a casar, usando nosso filho como um peão em seu jogo. Mas o menino que ele criou era um estranho, corrompido pela crueldade do pai, me chamando de "mulher má".

Foi quando eu soube que precisava destruí-los.

Eu voltei para a ilha, não como uma vítima, mas como Ayla Garcia, a filha há muito perdida do chefe da ilha.

"Heitor Montenegro", meu pai rugiu, sua voz ecoando pelo salão, "você ousou tocar na minha filha? Saia da minha frente, agora!"

Ele pensou que poderia arruinar minha vida, mas nunca percebeu que estava invadindo o meu reino.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Ayla Medeiros:

Eu pensei que tinha enterrado o passado há dois anos, junto com a garota que eu costumava ser. Mas o passado, ao que parecia, tinha um jeito de me encontrar, mesmo nos cantos mais tranquilos da costa do Rio de Janeiro.

Ele estava ali, parado ao lado da minha barraca de peixe, um contraste gritante com os pescadores rudes e o ar salgado. Seu terno parecia deslocado, elegante demais, caro demais para esta cidade esquecida. Seus olhos, antes familiares, eram como cacos de gelo quando pousaram em mim.

"Ayla Medeiros", ele disse, sua voz fria, desprovida de qualquer calor. "Eu quase pensei que você estivesse morta."

Era uma afirmação, não uma pergunta.

"Já se passaram dois anos desde o acidente no iate", ele continuou, como se estivesse discutindo o tempo. "Muito tempo para ficar sumida."

Meu estômago se revirou. As ondas, a água escura, o frio que se infiltrou nos meus ossos. A memória era uma dor surda, sempre presente, logo abaixo da superfície. Ele tinha olhado para mim, depois para Isabela, e o colete salva-vidas esteve em suas mãos por apenas um segundo antes que ele o jogasse para ela. Lembrei-me de seu rosto, uma máscara de indiferença calculada, enquanto eu afundava. Ele não era apenas frio; ele era um vazio. Um buraco negro que sugava todo o calor de um ambiente. Da minha vida.

Eu me virei, pegando um balde de gelo. "O que você quer, Heitor?", perguntei, minha voz tão fria quanto a dele. "Estou ocupada."

Uma mão, macia mas firme, agarrou meu braço. Isabela. Ela sempre esteve lá, uma sombra na minha vida. Agora, ela era uma presença brilhante e terrível, com uma leve redondeza na barriga que eu não pude deixar de notar.

"Ayla", Isabela disse com uma voz melosa, pingando falsa preocupação. "É você mesma? Você... mudou. Tanto sol. E essas mãos. Ásperas." Ela olhou para minhas mãos marcadas e calejadas pelo trabalho como se fossem algo sujo.

"Você tem certeza que é ela, Heitor?", Isabela perguntou, seus olhos se estreitando. "Ela não se parece em nada com a Ayla que conhecíamos."

Eles se lembravam da Ayla preparada para a alta sociedade, perfeitamente polida, um troféu no braço de Heitor. Esta Ayla, cheirando a peixe e maresia, com mãos calejadas e cabelos clareados pelo sol, era uma estranha para eles. Ótimo.

O olhar de Heitor demorou-se em meu rosto por um momento, um brilho de algo indecifrável em seus olhos. Mas desapareceu tão rápido quanto veio.

Eu puxei meu braço do aperto de Isabela, meu coração martelando. Eu só precisava fugir.

O aperto de Heitor foi instantâneo, duro como ferro em meu pulso. "Nem pense nisso."

O pânico subiu pela minha garganta, um gosto amargo. Ele ainda era o mesmo. Ainda controlador.

Ele me puxou para mais perto, seus olhos examinando meu rosto, depois meu pescoço. Seus dedos, frios e invasivos, tocaram a gola da minha camisa gasta. Ele a puxou para baixo.

O tecido rasgou um pouco, expondo meu ombro, minha clavícula, a curva do meu peito para os olhares curiosos dos poucos clientes na barraca. A humilhação queimou dentro de mim.

Sussurros começaram, um zumbido baixo que soava como moscas. "Quem é aquele?" "O que ele está fazendo?" Eu ouvi, cada palavra uma nova ferroada.

Minha mão voou instintivamente para me cobrir, mas o aperto de Heitor era forte demais.

"A marca de nascença em forma de estrela", ele afirmou, sua voz desprovida de emoção, como se estivesse identificando uma propriedade. "Logo acima do seu seio esquerdo."

Seus olhos, frios e avaliadores, cravaram-se nos meus. Não havia desculpa, nem remorso. Apenas uma confirmação.

Ele estava fazendo isso de propósito. Para arrancar minha recém-descoberta dignidade, para me lembrar de onde eu vim, de quem lhe devia. Era como um pesadelo recorrente. Oito anos atrás, quase no mesmo dia, ele havia feito algo semelhante. Provando sua posse. Ele me forçou a tirar a roupa na frente de seus amigos - um "teste de fidelidade", ele chamou. Para provar que eu era "dele". A vergonha tinha sido um peso físico, me esmagando.

A última centelha de esperança, de qualquer calor remanescente que eu pudesse ter guardado pelo garoto que ele um dia fingiu ser, morreu uma morte rápida e brutal.

Eu baixei minha mão. Qual era o sentido? Ele já sabia. Ele queria que o mundo soubesse também. Deixei que ele olhasse. Deixei que todos olhassem.

A pequena marca em forma de estrela, uma mancha inocente de pigmento, destacava-se contra minha pele. Era inegável. Eu era Ayla. A Ayla deles.

"Satisfeito, Heitor?", perguntei, minha voz mal um sussurro, mas carregada de veneno suficiente para cortar. "Ou você precisa de mais provas de que eu ainda sou seu pequeno projeto de caridade?"

Capítulo 2

Ponto de Vista de Ayla Medeiros:

Minha pergunta sarcástica pairou no ar salgado, um desafio que ele ignorou. Em vez de responder, Heitor se virou para Isabela, um sorriso doentiamente doce estampado em seu rosto. "Este lugar será perfeito para nossa lua de mel. Um lugar pitoresco, longe dos olhos curiosos da cidade."

Eu observei, entorpecida, enquanto eles discutiam seus planos como se eu não estivesse ali, como se minha vida não estivesse prestes a ser arrancada de novo. Eles tinham vindo para nossa ilha tranquila para uma "lua de mel", mas eu sabia o verdadeiro motivo: me arrastar de volta para sua gaiola dourada. Ele precisava de mim para abafar os rumores, para limpar sua bagunça.

"Vamos ficar aqui", declarou Heitor, seu olhar varrendo meu pequeno barraco de pescador - o único lar que eu conheci por dois anos. "É... rústico."

Isabela parecia horrorizada, seu nariz se enrugando com o cheiro de peixe e maresia que impregnava tudo. "Aqui? Heitor, querido, cheira a... como se um mercado de peixe tivesse explodido aqui dentro. Meu enjoo matinal não aguenta isso." Ela agarrou sua barriga arredondada dramaticamente, depois se curvou, vomitando ruidosamente nos arbustos do lado de fora da minha porta.

Eu a encarei, um nó frio se formando no meu estômago. Grávida. Claro. Outro lembrete do que eu havia perdido.

"Se você não gosta, tem uma balsa de volta para o continente em uma hora", eu disse, minha voz mais afiada do que eu pretendia. "Ninguém está te forçando a ficar."

A cabeça de Heitor se ergueu bruscamente, seus olhos faiscando de irritação. "Ayla, cuidado com o seu tom! Isabela é sensível. Você sempre teve essa veia cruel, implicando com ela quando ela estava vulnerável."

Sua acusação era tão absurda, tão completamente invertida, que eu quase ri. Não era Isabela que era vulnerável naquela época. Era eu. Sempre eu. Mas ele havia reescrito a história em sua mente, me pintando como a vilã e Isabela como a vítima perpétua. Uma parte de mim esperava que Isabela aceitasse meu conselho e fosse embora, que este pesadelo terminasse tão rápido quanto começou. Mas isso era ingenuidade. Este era Heitor. Ele nunca desistia até conseguir o que queria.

"Nós vamos ficar", disse Heitor, cortando os protestos fracos de Isabela. Ele entrou na minha pequena sala de estar, já tomando posse. Ele arrancou uma tapeçaria desbotada da parede, jogando-a no chão. "Isso vai servir." Ele chutou uma pilha dos meus livros gastos para um canto. Ele estava me apagando, pedaço por pedaço.

Uma onda amarga de resignação me invadiu. Eu me movi para arrumar os itens espalhados, minhas mãos tremendo um pouco. Meu olhar caiu sobre um frasco velho e fechado de perfume de lavanda em uma prateleira, um presente do meu salvador, Mateus. Ele me disse que era para me ajudar a dormir, para acalmar os pesadelos. Eu nunca o usei, com medo de alterar o cheiro simples do mar que agora me definia. Mas agora, com o vômito teatral de Isabela e a presença sufocante de Heitor, eu precisava de algo. Abri o frasco, o cheiro forte enchendo o pequeno espaço.

Isabela vomitou de novo, um som seco e doloroso. Heitor correu para o lado dela, sua expressão tingida de medo genuíno. "Isabela? O que há de errado? Você está bem?" Ele acariciou seus cabelos, sua voz cheia de uma ternura que eu nunca tinha ouvido dirigida a mim.

Meu coração parou no peito. Algo estava realmente errado.

"É o bebê, Heitor!", Isabela ofegou entre os espasmos, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Eu acho... eu acho que algo está errado!"

O rosto de Heitor ficou pálido. "O bebê?", ele sussurrou, sua voz falhando. "Você... você está grávida?"

Isabela assentiu, soluçando. "Sim! Íamos te contar na nossa lua de mel de verdade, mas eu tenho estado tão enjoada..."

O mundo girou. Grávida. A palavra ecoou em minha mente, um sussurro cruel e zombeteiro. Instintivamente, agarrei a mesa de madeira resistente para me firmar, meus joelhos fracos. O tempo, ao que parecia, tinha mudado tudo para eles. E nada para mim.

Minhas próprias memórias, nítidas e dolorosas, voltaram com tudo. Dois anos atrás, naquele iate amaldiçoado, eu também estava grávida. Uma vida minúscula e frágil crescendo dentro de mim. "Heitor", eu sussurrei, minha voz tremendo com uma esperança que eu não sabia que possuía. "Estou grávida."

Sua reação na época foi um aceno displicente, seus olhos focados em seu celular. "Sério, Ayla? Agora? Você sabe como a Isabela está estressada. A família dela está passando por um momento difícil. Isso não é justo com ela."

Não era justo com Isabela. Meu bebê. Minha esperança. Ele exigiu que eu interrompesse a gravidez. "Isabela precisa de mim", ele disse, sua voz fria e inabalável. "O bem-estar dela é primordial. Você pode ter outro filho mais tarde. Este não é o momento certo."

Então, o acidente. A luta frenética. Sua mão me empurrando, sua voz gritando: "Pegue o colete salva-vidas, Isabela! Você carrega o meu futuro!" Um chute forte na minha barriga, uma tentativa desesperada de afastar uma Isabela em pânico. A dor lancinante. O sangue. A água fria e escura. Meu bebê, perdido. Tudo por Isabela. Tudo pelo futuro que ele imaginava.

Agora, Isabela estava diante de mim, sua barriga uma curva proeminente, um símbolo do futuro deles, de tudo que me foi negado. O contraste foi um golpe físico. Eu não conseguia respirar. Saí correndo do barraco, rasgando a grama alta, para longe da presença sufocante da felicidade deles.

"Ayla! Espere!", a voz de Heitor cortou o ar da noite, surpreendentemente urgente. Ele me alcançou facilmente, sua mão no meu braço novamente. "Ayla, volte para casa. Por favor."

Casa. Ele ousava usar essa palavra.

Capítulo 3

Ponto de Vista de Ayla Medeiros:

Casa. A palavra soava como um eco oco, desprovida de qualquer significado vindo dos lábios dele. Esta ilha era minha casa agora, em sua beleza crua e indomada. Não a mansão estéril em São Paulo, onde cada canto guardava uma memória de sua crueldade casual.

"Casa?", zombei, puxando meu braço. "Que casa, Heitor? Aquela onde eu fazia papel de empregada para você e sua amante? Ou aquela onde eu era sua conveniente peça de relações públicas?" Minha voz estava áspera, afiada pelos dois anos de silêncio que me forcei a manter. "O que você realmente quer que eu faça? Voltar e polir sua prataria? Ou talvez cuidar do seu novo bebê?"

As memórias brilharam, nítidas e claras. Como noiva de Heitor, eu era pouco mais que uma serviçal glorificada. Eu buscava seu café, organizava seus intermináveis compromissos sociais e, o mais humilhante, limpava a bagunça de seus encontros noturnos com Isabela. Eu era a parceira perfeita e equilibrada, sempre sorrindo, sempre agradável, enquanto meu coração sangrava lentamente. Eu os via rir, os via se tocar, e depois continuava com minhas tarefas, mantendo a fachada perfeita que ele exigia.

Eu o encarei, meus olhos ardendo. Ele não tinha o direito de me pedir para voltar àquele pesadelo.

Heitor, surpreendentemente, parecia genuinamente exasperado. "Você nunca pensa em ninguém além de si mesma, Ayla? Você sabe pelo que eu passei? O tempo, o dinheiro que gastamos procurando por você!" Ele passou a mão por seus cabelos perfeitamente penteados, sua frustração palpável, mas totalmente egoísta. "A reputação da minha família ficou em frangalhos. A imprensa nos perseguiu. Me chamaram de monstro, me acusaram de te abandonar no mar! Você sabe o que isso fez com o preço das nossas ações? Com a minha posição na empresa?" Ele fez uma pausa, respirando fundo. "E você? Você está aqui, brincando de pescadora, fugindo de suas responsabilidades!"

Suas palavras eram tão ridiculamente egocêntricas, tão completamente desprovidas de compreensão, que eu quase ri. Responsabilidade? Ele estava falando de salvar a própria pele.

"Eu não 'fugi'", corrigi, minha voz perigosamente baixa. "Eu fui jogada na praia pela maré. Você me deixou para morrer."

Virei as costas para ele, afastando-me de sua narrativa egoísta, em direção à borda escura da ilha, ao rugido familiar e reconfortante do oceano. Ele não me queria de volta porque se importava. Ele me queria de volta porque eu era uma ponta solta, uma mancha em sua imagem perfeita.

Lembrei-me do dia em que a família Montenegro me encontrou, uma criança perdida e aterrorizada, com apenas cinco anos, órfã e traumatizada após ser vítima de tráfico humano e abandonada. Eles me acolheram, financiaram minha educação, me moldaram na esposa perfeita da alta sociedade para seu herdeiro, Heitor. Nunca foi por bondade, não de verdade. Minha história trágica, a "criança perdida salva pelos filantropos Montenegro", foi uma mina de ouro para a imagem deles, impulsionando sua imagem corporativa, silenciando sussurros sobre suas práticas de negócios impiedosas. Eu era seu ativo oculto, seu endosso silencioso.

Desde cedo, eu sabia que Isabela era quem Heitor realmente desejava. Sua amiga de infância, sua confidente. Mas quando ela foi para a faculdade no exterior, ele voltou sua atenção para mim. Uma distração conveniente, um tapa-buraco. Ele segurava minha mão, oferecia palavras gentis e me dizia que eu era linda. Eu, ingênua e desesperada por amor, acreditei nele. Pensei que ele havia se apaixonado por mim, que eu tinha um lugar em seu coração. O sonho durou até Isabela voltar, radiante e sofisticada. Foi quando meu mundo se despedaçou, novamente.

"Esta ilha, Heitor", declarei, virando-me para encará-lo, minha voz firme, "esta é a minha casa agora. Minha verdadeira casa."

Seu rosto se contorceu de raiva. "Não seja ridícula, Ayla! Você está sendo ingrata! Você pertence a nós!"

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