Madison
Desviei o olhar da tela do computador quando ouvi o som do elevador chegando. Uma mulher com um vestido vermelho se aproximou de mim, e seus saltos batiam no chão de mármore como um relógio em contagem regressiva para o caos.
"Vim para ver Alexander", ela disse, colocando suas mãos impecáveis sobre minha mesa e se inclinando com um sorriso amarelo.
"A senhora tem um horário marcado?"
"Não preciso. Temos... um caso. Basta dizer a ele que Vanessa está aqui."
"Infelizmente, o senhor Knight só atende com horário marcado. Posso agendar para a senhora na próxima semana..."
"Escute aqui, secretáriazinha", ela me interrompeu," sou Vanessa Caldwell. Passei a noite com Alexander na casa dele no fim de semana passado e não vou embora até vê-lo."
"Como eu já disse, sem um horário marcado ou uma autorização do senhor Knight..."
"Quem você pensa que é? Só porque fica ao lado dele o dia todo, pegando café para ele e fazendo anotações, acha que é alguém especial?"
"Senhora, vou ter que pedir que se retire..."
"Você é patética. Se fazendo de durona, fingindo que é importante. Aposto que você sonha que ele te note, não é? Querida, mesmo que você abrisse essas pernas na mesa dele, ele nem olharia para você. Ele precisa de uma mulher de verdade, não de uma assistente desesperada vestindo seu blazer da Target."
"Se for preciso, a segurança vai te levar até a saída", respondi, mantendo uma expressão impassível no rosto.
"Não se atreva. Sabe quem é meu pai? Posso te fazer perder o emprego com uma única ligação."
"E eu posso te expulsar daqui com um único botão", respondi, colocando minha mão sobre o botão de segurança sob minha mesa. "A decisão é sua, senhorita Caldwell."
O rosto de Vanessa se contorceu de raiva. Num movimento rápido e brusco, ela pegou a jarra de água da minha mesa e a despejou sobre minha cabeça. A água gelada encharcou meu cabelo, maquiagem e blusa novinha - que, diga-se de passagem, não era da Target.
"Ops", ela disse com um sorriso sarcástico, colocando a jarra vazia sobre meu teclado com um baque. "Parece que alguém precisa de uma toalha."
Mas antes que eu pudesse reagir, o elevador apitou novamente.
Alexander Knight saiu, invadindo o saguão como uma tempestade. Seu passo firme hesitou por um momento ao se deparar com a cena: eu, parecendo um rato afogado, Vanessa, se exibindo como se tivesse acabado de ganhar um troféu, e a água se acumulando na minha mesa e nos equipamentos caros.
"Bom, esse não é o cumprimento que eu esperava", disse ele, e sua voz grave cortou a tensão no ar.
Ao vê-lo, o rosto de Vanessa se iluminou. "Alexander, querido! Eu só estava..."
"Agredindo minha assistente e destruindo os equipamentos da empresa?", ele perguntou, se aproximando de nós em três passos. "Que estratégia ousada essa sua."
"Eu só estava conversando com sua assistente", ela disse com uma voz doce, enquanto seus olhos fuzilavam os meus. "Ela se recusou a me deixar te ver."
"Porque esse é o trabalho dela", Alexander disse, enquanto me entregava seu lenço bordado. O toque da sua mão fez um arrepio percorrer meu braço, me fazendo estremecer. "A senhorita Harper segue minhas instruções à risca. É por isso que ela é tão valiosa."
Enxuguei meu rosto, agradecendo mentalmente por ter usado rímel à prova d'água hoje. O lenço cheirava à colônia dele - um detalhe que preferi não me concentrar.
"Mas querido", Vanessa se aproximou de Alexander, rebolando o quadril, "depois da nossa noite mágica juntos..."
"Está falando do evento de caridade onde você bebeu champanhe demais e eu chamei um táxi para você? Isso não foi nada mágico, embora eu tenha ouvido dizer que você anda espalhando uma versão diferente por aí."
Mordi o lábio para esconder meu sorriso.
"Eu...", Vanessa gaguejou, sem saber o que dizer.
"Agora", disse Alexander, colocando a mão no meu ombro, e eu rezei para que ele não sentisse meu coração disparado, "você acabou de agredir minha funcionária favorita e provavelmente destruiu uns dez mil dólares em equipamentos. Quer que eu chame a segurança ou a polícia?"
Minhas bochechas esquentaram com o termo "funcionária favorita". Ele sempre era assim - charmoso, paquerador e fazendo com que todos se sentissem especiais, mas isso não significava nada.
"Você não se atreveria", disse Vanessa, com a confiança abalada.
"Então me teste. Protejo minha equipe, principalmente aqueles que fazem minha vida ser mais fácil. Na verdade, vou te proibir de entrar neste prédio. O que você acha, senhorita Harper?"
"Acho justo, senhor Knight", respondi, mantendo a compostura apesar do toque dele ainda estar me aquecendo.
O rosto de Vanessa ficou em cinquenta tons de vermelho. "Isso é ridículo. Vocês vão se arrepender disso. Os dois."
"A única coisa que lamento é não ter meu celular para gravar esse showzinho. A segurança já está subindo. É melhor você sair antes que eles cheguem."
"Meu pai vai saber disso!"
"Tenho certeza de que ele saberá. Mande um abraço para Charles. Diga a ele que as ações da empresa dele estão instáveis nos últimos tempos."
Assim que as portas do elevador se fecharam no rosto carrancudo dela, Alexander tirou a mão do meu ombro, e eu imediatamente senti falta do seu calor - um pensamento que logo tratei de ignorar.
Me levantei da cadeira, e a água começou a pingar no chão.
"Você está bem? Ela não te machucou, né?", Alexander perguntou, com a testa franzida enquanto olhava para os danos.
"Só meu ego foi ferido. E talvez meus equipamentos." Toquei no meu teclado encharcado, que soltou uma faísca alarmante.
"Deixe isso aí. Vou pedir para o pessoal da TI trazer um novo." Enquanto pegava seu celular, ele continuou: "John pode te levar ao shopping em quinze minutos. Use o cartão da empresa para comprar o que precisar - roupas, maquiagem, produtos para cabelo."
"Obrigada, senhor Knight, mas não precisa se preocupar. Meu turno termina em uma hora e tenho um compromisso depois do trabalho."
"Você vai ficar com as roupas molhadas por mais uma hora?"
"Vou dar um jeito", insisti, abrindo um sorriso. "Mas agradeço a oferta."
Ele me lançou um olhar de descrença, mas acabou assentindo.
Abri a porta do restaurante, pronta para um jantar relaxante com Hazel depois do meu dia desastroso. A recepcionista me levou até nosso canto habitual, mas parei abruptamente. Ao invés de apenas minha melhor amiga, um homem estava sentado ao lado dela.
"Mads!" Hazel se levantou, acenando como se eu pudesse não vê-la no restaurante meio vazio. "Você veio! Venha conhecer Derek!"
Forçando um sorriso, me sentei em frente a eles. Era óbvio que Hazel me preparou um encontro às cegas depois do dia que tive.
"Mads, este é Derek. Ele é analista financeiro e o conheci naquele retiro de ioga no mês passado." Os olhos de Hazel brilhavam com a alegria de uma casamenteira. "Derek, esta é minha melhor amiga, Madison."
"Prazer", disse Derek, exibindo seus dentes perfeitamente brancos. "Hazel me contou muito sobre você."
Resisti à vontade de chutar Hazel por baixo da mesa. "Espero que só coisas boas, né?"
Conversamos sobre o clima e os pratos especiais do restaurante até Derek se desculpou e foi ao banheiro.
No momento em que ele estava fora do alcance da voz, Hazel atacou: "Ele não é um gato? E esses ombros! Ele é tão bem-sucedido - você deveria ver o apartamento dele no centro."
"Haze..."
"Qual é, quando foi a última vez que você teve um encontro de verdade? Você trabalha demais, querida. Todo mundo precisa de alguém para se apoiar."
"Estou bem sozinha por enquanto. Com os tratamentos da minha mãe e tudo mais..."
"Como ela está?", Hazel perguntou, sua expressão se suavizando.
"Na mesma. O novo medicamento é caro, mas..." Dei de ombros.
"E seu irmão, ainda está desaparecido?", perguntou Hazel, seu rosto se obscurecendo. "Que idiota egoísta, te deixando lidar com tudo sozinha."
"Não quero falar sobre ele. Minha mãe trabalhou em três empregos para nos criar. O mínimo que posso fazer é ajudá-la agora."
Nesse momento, Derek voltou para a mesa, ajeitando sua gravata de grife. "Desculpem por isso. Onde estávamos?"
"Madison estava nos contando sobre seu dia no trabalho", disse Hazel.
"Ah, sim. Você trabalha como secretária ou algo do tipo?", Derek perguntou.
"Assistente pessoal de Alexander Knight na a Knight Industries."
"Alexander Knight? O CEO?" Ele se inclinou, colocando os cotovelos sobre a mesa. "Deve ser um cargo bastante... exigente."
"Como assim?"
"Qual é, todos sabemos como essas coisas funcionam", ele piscou. "Uma jovem bonita e um executivo poderoso - tenho certeza de que você encontrou maneiras de se tornar indispensável para a empresa."
O queixo de Hazel caiu. "Derek!"
"O quê? Só estou dizendo o que todos pensam quando veem essas situações", ele gesticulou vagamente para mim. "Não estou julgando. Uma garota tem que usar seus recursos."
"Seu porco imundo! Saia daqui", Hazel disse, seu rosto vermelho de raiva.
"Ei, só estou sendo honesto. Não precisa ficar na defensiva..."
"Saia!", Hazel se levantou, apontando para a porta. "Agora."
"Tudo bem, tudo bem. Acho que algumas pessoas não conseguem lidar com a verdade." Ele saiu da mesa, ajeitando o paletó. "Me ligue quando estiver pronta para ser sincera sobre as coisas."
O observamos passar entre as mesas em direção à saída. Hazel se sentou novamente, mortificada.
"Meu Deus, Mads. Sinto muito, de verdade. Não acredito que pensei que ele fosse decente. Ele parecia tão legal no retiro de ioga!"
"Ei, pelo menos descobrimos que ele não prestava antes de os aperitivos chegarem." Peguei o cardápio, determinada a salvar nossa noite. "Agora, sobre aqueles nachos que sempre pedimos..."
"Mas mesmo assim! As coisas que ele disse sobre você e o senhor Knight!" Ela balançou a cabeça. "Estou me sentindo péssima."
"Esqueça ele. Sério." Acenei para um garçom. "Os nachos e duas margaritas, por favor. A minha pode ser dupla."
Hazel se animou com a travessura. "Embora, talvez Derek tivesse razão. Não sobre você ser - você sabe -, mas sobre o senhor Knight gostar de você. Já vi o jeito que ele te olha."
Me engasguei com a água e comecei a tossir. "O quê? Não! Isso é... impossível. Ele é meu chefe!"
"Por que não? Você é inteligente, linda e ele está claramente interessado."
"Pare com isso!", exclamei, pegando um guardanapo para limpar meu queixo. "Não é nada disso."
Hazel caiu na gargalhada. "Relaxe, estou brincando! Todo mundo sabe que Alexander Knight é o playboy mais famoso de Manhattan. Supermodelos diferentes a cada semana, festas em iates em Mônaco." Se inclinando, ela continuou: "Só tome cuidado, tá? Não deixe que esse rosto bonito e charme te enganem. Homens como ele não se envolvem, eles colecionam troféus."
"Confie em mim, sei exatamente quem ele é." Nesse momento, meu celular vibrou.
Quando o peguei para verificar a mensagem, o nome de Alexander apareceu na tela.
"325 Park Avenue, cobertura. Venha agora."
Sem explicação, sem contexto. Típico do Alexander.
"Tudo bem?", Hazel perguntou, olhando para mim do outro lado da mesa.
"Trabalho." Peguei minha bolsa, já saindo da mesa. "Podemos deixar os nachos para outro dia, né?"
"De novo? Isso está ficando ridículo. Já são quase oito da noite!"
"Eu sei, eu sei. Mas..."
"Mas nada! Você não é empregada dele. Você também tem uma vida. O que poderia ser tão urgente?"
"Provavelmente é outro evento de networking de última hora. Ele faz isso às vezes - convida investidores em potencial para tomar uns drinques. Alguém tem que coordenar o bufê e cuidar da lista de convidados."
"E esse alguém sempre tem que ser você?"
"É meu trabalho."
"Seu trabalho terminou há três horas." A voz de Hazel se suavizou ao continuar: "Fico preocupada com você, sabia?"
"Sei que você se preocupa, mas esse emprego - os benefícios, o salário - está ajudando minha mãe a lutar. Não posso arriscar perdê-lo."
"Só tome cuidado, tá bem?"
Assenti, já a caminho da porta. O ar frio da noite atingiu meu rosto quando chamei um táxi.
O táxi percorria as ruas iluminadas de Manhattan. As contas médicas da minha mãe me assombravam, aumentando a cada mês. Eu não podia estragar tudo, não quando ela precisava de mim.
O 325 Park Avenue se erguia à frente, todo de vidro e aço reluzente se estendendo pelo céu noturno. O porteiro assentiu com a cabeça enquanto eu atravessava o saguão de mármore até o elevador privativo. Meu dedo hesitou sobre o botão da cobertura, e senti algo... estranho.
Normalmente, quando Alexander organizava reuniões de última hora, o saguão ficava agitado - os funcionários do bufê carregando suprimentos, os convidados chegando com seus ternos de grife e vestidos de coquetel. Mas esta noite, havia apenas silêncio.
Meus saltos batiam no chão de mármore enquanto eu saía, ecoando pelo espaço vazio. A iluminação aconchegante se espalhava pelos móveis modernos e pelas janelas do chão ao teto, mostrando o brilho da cidade abaixo.
"Senhor Knight?"
Sem resposta, apenas o zumbido suave do ar-condicionado.
Nesse momento, os pelos da minha nuca se arrepiaram, certa de que algo não estava certo.
De repente, um rangido veio atrás de mim.
Me virei, com o coração batendo forte. Alexander estava parado ali, recostado casualmente no batente da porta.
Ele deu um passo à frente e diminuiu a distância entre nós em três passos largos. Antes que eu pudesse reagir, ele me encurralou contra a parede, uma mão apoiada ao lado da minha cabeça.
Madison
A presença dele era avassaladora, a colônia de Alexander me envolvia, com um toque de especiarias picantes e algo terroso. Quando ele se inclinou, meu pulso acelerou, nossos rostos a poucos centímetros de distância.
"Então você veio", ele murmurou.
"senhor Knight, o que está acontecendo?", perguntei com a voz trêmula. Coloquei a mão no peito dele, na intenção de afastá-lo, mas tudo o que senti foram os músculos definidos sob sua camisa.
De repente, ele segurou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus e os pressionando contra a parede. O calor do seu toque era eletrizante, se espalhando por todo o meu corpo. Minha respiração ficou ofegante e meu coração começou a bater forte nos meus ouvidos. Seus olhos se escureceram, com as pupilas dilatadas.
"Então você veio mesmo", sussurrou ele com a voz rouca. Seu olhar percorreu meu rosto, parando nos meus lábios enquanto senti sua respiração quente na minha bochecha.
"Você... está bem?", gaguejei. Suas pupilas estavam mais dilatadas do que o normal, quase consumindo o azul das suas íris. Havia algo de errado com ele. Será que ele estava drogado?
"Estou mais do que bem." Ele se aninhou no meu pescoço, com seus lábios roçando na minha pele. "Você é perfeita."
"Acho que você precisa de ajuda médica..."
Ele não me deixou terminar, antes de sua boca tomar a minha e me fazer perder o rumo. O beijo foi feroz, desesperado e cheio de uma fome que me deixou sem fôlego. Sua mão livre encontrou minha cintura, me puxando para perto dele.
Minha razão gritava para que eu o afastasse e pedisse ajuda, mas então sua língua invadiu minha boca e meus joelhos fraquejaram. Me segurei nos seus ombros para não cair, meus dedos cravados no tecido fino do seu terno.
Seu beijo se intensificou, me deixando incapaz de pensar ou respirar, até que um gemido escapou dos meus lábios.
Minhas mãos deslizaram por seus ombros e costas, sentindo os músculos tensos se contraírem sob o meu toque. Seu aperto na minha cintura se intensificou, me levantando do chão sem esforço algum.
Quando me dei conta, ele me puxou para trás, em direção ao quarto. Tropeçamos pelo caminho, mas nossos lábios não se separaram em momento algum, até que a parte de trás dos meus joelhos bateu na cama king-size. Ele me empurrou suavemente para o colchão, se posicionando sobre mim com seus olhos ferozes.
"Tire", ele ordenou, começando a puxar minha blusa para cima.
Com os dedos trêmulos, comecei a desabotoá-la. Até que finalmente, consegui tirá-la.
Com um olhar sombrio, ele puxou as alças do meu sutiã.
Quando ele se inclinou para mim, arqueei minhas costas, ofegante.
Sua mão livre desceu, deslizando para dentro da minha calça. Nesse momento, um choque intenso percorreu meu corpo.
"Porra", gemi, enquanto meus dedos se entrelaçavam nos seus cabelos e eu o puxava para mais perto.
Com um movimento rápido, ele puxou minha calça e calcinha para baixo, depois afastou minhas coxas. Gritei.
"Você está tão molhada", ele murmurou, quase para si.
Antes que eu pudesse responder, ele tirou o cinto e abriu o zíper da calça rapidamente, sem se dar ao trabalho de tirar a roupa, me deixando completamente sem fôlego.
Quando ele se posicionou entre minhas pernas, me contorci.
Enquanto ele se movia contra mim, minhas unhas se cravavam nas suas costas.
Sua boca encontrou a minha novamente num beijo desesperado. Suas mãos seguravam meus quadris enquanto nossos corpos se moviam juntos, em meio aos nossos gemidos e respirações ofegantes.
"Deus, você é incrível", ele rosnou com a respiração quente e irregular.
Continuamos nesse ritmo, e senti a tensão aumentar dentro de mim. Quando ele impulsionou os quadris, gritei, meu corpo inteiro se contraindo.
"Estou quase lá, Alexander", ofeguei, minhas unhas arranhando suas costas.
Minha voz o estimulou ainda mais, o fazendo se mover com mais frenesi. Me segurei nos lençóis, tentando me agarrar a algo.
"Sim", ele gemeu, enquanto seu ritmo se tornava cada vez mais intenso. "Goze para mim."
Seu incentivo me levou ao limite. Com um grito final, me desmanchei, enquanto ondas de prazer me invadiam enquanto ele continuava a se mover comigo.
Foi então, quando a intensidade começou a diminuir, que o ouvi murmurar: "Porra, Katherine."
Ao ouvir isso, congelei, e minha mente entrou em um turbilhão. "Katherine?!", pensei, incrédula. Quem diabos era Katherine?
Mas não pude pensar nisso por muito tempo, pois ele ainda estava se movendo dentro de mim. Apesar da minha confusão, meu corpo excitado reagiu, e outra onda já estava se formando.
"Katherine, você é tão gostosa." Ele penetrou em mim pela última vez, soltando um gemido gutural. Seu corpo tremia, provocando outra onda que me deixou sem fôlego e trêmula.
À medida que a névoa do prazer se dissipava, a realidade me atingiu em cheio. Alexander havia chamado o nome de outra mulher enquanto estávamos juntos. Ele nem sequer sabia quem eu era.
Enquanto ele desabava ao meu lado na cama, com sua respiração pesada, olhei para o teto, com a mente acelerada. Quem era Katherine? Ela também trabalhava para ele ou era apenas uma das suas muitas amantes? Esse pensamento me atormentava como uma coceira irritante que eu não conseguia aliviar.
Com as pernas ainda trêmulas, me livrei do seu braço. Os roncos suaves de Alexander enchiam o quarto enquanto eu pegava minhas roupas espalhadas. Era óbvio que ele iria desmaiar, típico dos homens. Pelo menos ele não me chamou de "amor" ou de algum outro apelido genérico. Não, ele preferiu me chamar de "Katherine", como se eu fosse ela.
Cambaleando, fui até o banheiro e fiz uma careta ao me olhar no espelho. Meu cabelo, que estava cuidadosamente alisado, agora parecia um ninho de pássaros, e meu batom... bom, estava completamente borrado.
Enquanto me limpava, comecei a pensar na pilha de Acordo de Confidencialidades na gaveta da minha mesa, todos das mulheres que haviam passado pela vida de Alexander Knight.
"Pelo menos não precisei elaborar meu próprio Acordo de Confidencialidade", murmurei para mim mesma. Ser assistente de Alexander significava limpar suas bagunças e providenciar flores e presentes de "desculpas" para o desfile de modelos e socialites que ele deixava para trás. Mas e Katherine? Esse nome não estava em nenhum dos meus arquivos.
Após arrumar minha roupa, verifiquei meu celular e vi que eram 22h27. Provavelmente o médico ainda estaria acordado. Procurei nos meus contatos e encontrei o número do doutor(a) Peterson. Meu polegar pairou sobre o botão de chamada enquanto os roncos de Alexander ecoavam do quarto.
"doutor(a) Peterson? Desculpe incomodar tão tarde", disse, mantendo a voz firme e profissional. "É Madison Harper, assistente do senhor Knight."
"O que ele fez agora?", doutor(a) Peterson suspirou.
"Ele parece alterado. Pupilas dilatadas, comportamento incomum. O encontrei assim quando vim entregar alguns documentos urgentes." A mentira saiu com uma facilidade assustadora.
"Drogas?"
"É possível. Ele está dormindo agora, mas..."
"Estarei aí em vinte minutos."
"Obrigada, doutor." Desliguei a ligação e coloquei o celular no bolso.
No quarto, Alexander estava deitado na cama desarrumada como uma estátua grega caída, com seu terno amassado e a calça ainda aberta.
"Tá bom. Hora de te deixar apresentável", murmurei, observando a cena. A mesa de cabeceira havia se deslocado um metro para a esquerda. Um vaso decorativo estava na beirada. Como foi que não o quebramos?
Me aproximei do corpo adormecido de Alexander. "Não se atreva a acordar", murmurei, estendendo a mão para o zíper da sua calça. Meus dedos tremiam enquanto eu tentava colocar sua camisa para dentro rapidamente e fechar a calça. Colocar o cinto foi mais complicado, já que passá-lo pelos passadores enquanto ele estava como um peso morto exigiu algumas manobras criativas.
De repente, sua cabeça caiu para o lado. "Mmm... Katherine..."
Irritada, puxei o cinto com mais força do que o necessário. "Sim, sim. Katherine. Seja lá quem for ela."
Nesse momento, a campainha tocou. Merda. doutor(a) Peterson chegou mais cedo.
Corri para arrumar a mesa de cabeceira e a coloquei no lugar. Após uma rápida olhada no quarto, vi que nada mais parecia estar fora do lugar. Peguei um travesseiro e o coloquei sob a cabeça de Alexander, tentando dar a impressão de que ele havia apenas cochilado.
doutor(a) Peterson entrou, com sua maleta médica na mão. "Boa noite, senhorita Harper."
"Doutor. Obrigada por ter vindo tão rápido." Apontando para Alexander, continuei: "O encontrei assim quando vim entregar alguns documentos urgentes."
O médico se ajoelhou ao lado da cama e verificou o pulso de Alexander. "Alguma ideia do que ele possa ter tomado?"
"Nenhuma. Ele parecia... fora de si." Essa foi a subestimação do século. "Pupilas dilatadas, comportamento estranho."
doutor(a) Peterson ergueu as pálpebras de Alexander e acendeu uma pequena lanterna. "Provavelmente alguma droga de festa. Embora seja improvável que ele tenha usado isso sozinho."
"Devo chamar a segurança? Ou o motorista dele?"
"Não precisa. Ficarei até que ele se recupere." Após dizer isso, ele pegou um medidor de pressão arterial. "É melhor você ir para casa, senhorita Harper. Eu cuido dele a partir de agora."
Assenti, pegando minha bolsa. "Claro. Obrigada novamente."
Corri para o elevador, e meu reflexo nas portas de metal parecia quase normal, exceto pelos meus lábios inchados e bochechas coradas.
O ar frio da noite atingiu meu rosto quando chamei um táxi, pois precisava ir para casa e pensar.
"Para onde?", perguntou o motorista.
"Para qualquer lugar, menos aqui." Ao dizer isso, percebi seu olhar preocupado pelo retrovisor. "Desculpe. Para a 42nd e 8th, por favor."
Enquanto as luzes da cidade passavam embaçadas, me perguntei como enfrentaria Alexander no dia seguinte. Será que ele se lembraria? E, mais importante, quem diabos era Katherine?
Madison
Acordei como se tivesse sido atropelada por um caminhão - um caminhão bem sexy chamado Alexander Knight. Meu corpo doía em lugares que eu nem lembrava que existiam, e minhas coxas estavam cheias de hematomas da noite passada.
"Se recomponha, Madison", murmurei para mim mesma no espelho enquanto passava corretivo sob os olhos. Apesar dos meus esforços, a mulher que me encarava parecia completamente acabada.
O trajeto de metrô para o trabalho foi uma tortura. Cada solavanco e balanço me lembrava de como Alexander havia se movido dentro de mim, com suas mãos segurando meus quadris, antes de me chamar de Katherine.
Katherine... O nome ecoava na minha cabeça como um disco arranhado.
Passei a noite inteira pesquisando "Katherine Alexander Knight" no Google, mas não encontrei nada. Não que eu estivesse com ciúmes nem nada, mas por que eu teria ciúmes de alguém cujo nome meu chefe gemeu enquanto estava sob o efeito de sabe-se lá o quê?
A subida de elevador até o escritório pareceu mais longa do que o normal. Verifiquei meu celular várias vezes, rezando para que não houvesse uma mensagem de Alexander. Mas não havia nada, graças a Deus.
Quando dei uma olhada no escritório de Alexander, o encontrei vazio. O alívio que me invadiu foi constrangedor.
Me jogando na minha cadeira, enterrei o rosto nas mãos. "Está tudo bem, está tudo bem... Ele provavelmente nem se lembra. E se ele se lembrar, então... vou me mudar para a Antártida. Ouvi dizer que eles precisam de secretárias lá."
De repente, meu celular vibrou, o que me fez dar um pulo tão forte que meu joelho bateu na gaveta da mesa.
Esfreguei meu joelho enquanto verificava a mensagem. Era só um e-mail de spam sobre o aumento de alguma parte do corpo que eu não possuía.
A manhã se arrastou numa névoa de paranoia. Cada passo no corredor me deixava apreensiva como uma adolescente culpada. Às dez da manhã, os músculos do meu pescoço estavam rígidos como cabos de aço de tanto virar para olhar para a porta.
Minha caneca de café estava vazia, zombando de mim. Eu precisava de cafeína.
Peguei minha caneca e fui às pressas para a sala de descanso, indo direto para a cafeteira, já sentindo o gosto dessa doce salvação.
"Madison! A pessoa que eu queria ver!"
Quase deixei minha caneca cair. Stella, do departamento de contabilidade, apareceu ao meu lado, sorrindo como se tivesse acabado de descobrir uma sonegação de impostos nos livros da empresa.
"Oi, Stella." Me concentrei em servir o café, tentando ao máximo para que minhas mãos não tremessem.
"Então...", ela começou, se apoiando no balcão com os olhos brilhantes. "Teve um encontro quente ontem à noite?"
Com a pergunta, o café transbordou da caneca. "O quê? Não. Por que você..."
"Esse chupão que você está exibindo é bem interessante." Apontando para o meu pescoço, ela continuou com um sorriso malicioso: "A menos que você tenha começado a lutar boxe nas suas horas vagas?"
Ao ouvi-la, minha mão livre foi para o pescoço. O horror surgiu quando senti o ponto sensível logo abaixo da minha orelha, o local onde Alexander havia me marcado como um vampiro entusiasmado.
Minha mente estava mais acelerada do que minha viagem de metrô pela manhã. "Ah, isso? Foi meu modelador de cachos. Fui desastrada esta manhã." Forcei uma risada que saiu como um gato engasgado.
"Deve ser um modelador de cachos e tanto. Parece mais que alguém estava tentando te marcar..."
"Olhe a hora!" Olhei para o meu pulso nu, onde não havia relógio. "Esses relatórios de despesas não vão ser arquivados sozinhos!"
"Mas você nem terminou seu café..."
Deixei minha caneca pela metade no balcão e saí apressada em direção à saída com toda a graciosidade de uma girafa recém-nascida. Meus saltos batiam no chão de azulejo como um código morse para "Me ajude!"
Me jogando na cadeira da minha mesa, meu coração batia como se eu tivesse acabado de correr uma maratona de salto alto. Minhas mãos tremiam enquanto eu tentava me recompor. O que eu estava pensando? Modelador de cachos? Sério isso? Eu poderia ter dito que foi uma noite de sexo casual. Isso teria sido um pouco mais convincente. Meu Deus, uma noite de sexo casual seria ainda mais desastroso.
Boatos sobre Alexander e eu circulavam desde que me tornei sua assistente. Já era ruim o fato de eu ter conseguido esse cargo depois de pouco tempo na empresa.
Todos achavam que eu havia dormido para chegar ao topo, que eu havia aberto as pernas para ele para progredir. Apesar de todo o meu trabalho árduo, os boatos nunca pararam.
Colegas que antes eram amigos agora mal olhavam para mim. Suas conversas sussurradas paravam sempre que eu entrava na sala, sendo substituídas por sorrisos forçados e um silêncio constrangedor.
Embora eu não quisesse esse emprego inicialmente, o aceitei por causa do salário alto, necessário para cobrir as despesas médicas da minha mãe.
Mas agora? A situação estava um caos total. Se alguém descobrisse o que aconteceu na noite passada, pensaria que os boatos eram verdadeiros, acreditando que usei meu corpo para subir na carreira, algo que eu jamais faria.
Ninguém poderia descobrir que Alexander e eu havíamos dormido juntos. Só de pensar nisso, meu estômago se revirava. Rezei para que Alexander esquecesse tudo, apagando a memória como se nada tivesse acontecido.
Claro, eu sabia que não poderia me esconder dele para sempre. Mais cedo ou mais tarde, eu teria que encontrá-lo para trabalhar. Mas eu esperava que o médico lhe diria que nada havia acontecido. E mesmo que ele se lembrasse de algo, iria procurar Katherine.
Toda mulher com quem Alexander dormia queria ser sua esposa. Então, se ele perguntasse a Katherine se ela estava com ele na outra noite, ela definitivamente diria que sim para se aproximar dele.
A sala de reuniões parecia menor do que o normal enquanto eu organizava os materiais da reunião, completamente ciente de que Alexander estava lá na ponta da mesa. Minhas mãos tremiam enquanto eu distribuía os relatórios financeiros, tomando cuidado para manter os olhos fixos nos papéis.
A voz de Alexander perguntando "Todos estão aqui?" me causou arrepios. A mesma voz que havia sussurrado coisas no meu ouvido dois dias atrás.
Quando arrisquei olhar para cima, cometi um erro fatal.
Seus olhos encontraram os meus e, de repente, eu estava de volta à sua cobertura, sentindo suas mãos na minha pele e sua respiração quente no meu pescoço. Meu rosto queimava como fogo.
"Senhorita Harper?"
Dei um pulo, quase deixando cair os relatórios restantes. "Sim, senhor Knight?"
"As projeções trimestrais?"
Certo. Trabalho. Profissionalismo. Eu conseguiria fazer isso. Folheei meus papéis, fazendo um esforço para que meu coração acelerado se acalmasse.
"Aqui estão." Minha voz saiu mais aguda do que a de um rato numa fábrica de queijos.
As sobrancelhas de Alexander se franziram. "Está se sentindo bem? Você está corada."
Claro que eu estava corada, né?
"Só está quente aqui." Puxei a gola da minha blusa, expondo acidentalmente a marca que estava desaparecendo no meu pescoço.
Seus olhos se desviaram para o local, depois voltaram para os relatórios sem qualquer reconhecimento. Nada. Nem um lampejo de lembrança da nossa noite apaixonada.
A reunião se arrastou. Fiz anotações mecanicamente, lançando olhares para Alexander entre os tópicos. Ele estava completamente à vontade, discutindo as margens de lucro como se não tivesse abalado meu mundo dois dias atrás.
A reunião finalmente terminou, mas meu alívio durou pouco. Alexander me chamou para seu escritório com um aceno de dedo. Minhas pernas se transformaram em gelatina enquanto eu o seguia.
Ele se sentou na sua cadeira de couro como um rei no seu trono, enquanto eu ficava perto da porta como uma adolescente culpada. O sol da manhã que entrava pelas janelas altas o banhava com um brilho angelical. Era injusto. O homem parecia ter acabado de sair de uma sessão de fotos de revista, enquanto eu lutava contra a vontade de fugir.
"Feche a porta, senhorita Harper."
Obedeci, com a mão trêmula na maçaneta. Era isso. Ele se lembrava de tudo e estava prestes a me demitir. Ou pior, me propor algo. Eu não sabia qual dos cenários me aterrorizava mais.
"Sente-se", ele disse, apontando para a cadeira em frente à sua mesa.
Me sentei na beirada, pronta para sair correndo a qualquer momento. O couro rangia sob mim, revelando meu nervosismo.
Alexander mexia em alguns papéis sobre a mesa, com uma expressão indecifrável. Enquanto isso, meu coração fazia uma rotina de ginástica digna de uma olimpíada.
"Notei algo preocupante." Ele ergueu os olhos, e seus olhos azuis me penetraram.
Ele se lembrava de tudo. Eu seria demitida, humilhada e provavelmente acabaria em algum programa de TV chamado "Dormi com meu chefe".
"Você não fez o check-in ontem quando eu estava ausente."
Peraí, o quê? De todas as coisas que ele poderia ter dito, ele escolheu isso?
"Como minha assistente, espero que você mantenha contato, principalmente durante ausências inesperadas." Seu tom carregava a autoridade característica de Alexander Knight, fazendo os membros do conselho se encolherem e os concorrentes suarem.
Minha boca se abriu e fechou como a de um peixe fora d'água. Como eu deveria responder? "Desculpe por não ter feito o check-in, mas eu estava ocupada tendo uma crise existencial depois do nosso encontro intenso, onde você me chamou pelo nome de outra mulher?"
"Peço desculpas, senhor Knight. Achei que..." Achei que você estivesse dormindo depois do que aconteceu entre nós. Achei que você precisasse de espaço. Pensei em muitas coisas, mas nenhuma delas eu poderia dizer em voz alta.
"Você achou o quê?" O olhar penetrante de Alexander fez meus neurônios cometerem suicídio em massa.
"Achei que... bom..." Minha boca estava mais seca do que o Saara. O que eu poderia dizer?
Nesse momento, o toque estridente de um celular cortou a tensão, ecoando pelo escritório como um coro de anjos. Obrigada, universo misericordioso!