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Um amor em construção

Um amor em construção

Autor:: Flor de liz 1408
Gênero: Romance
Laura e Marcelo amigos desde de sempre, dividindo um apartamento a cinco anos, alunos em uma universidade da capital, descobrem no meio do percusso um sentimento, muitas sensações ou somente carência da solidão e das decepções vividas durante esse tempo... Só saberemos ao desfrutar da leitura desse drama, romance ou apenas linhas escritas para o mero entretenimento de vocês, você só saberá aventurando-se nessa história em que o final assim como a vida é uma incógnita.

Capítulo 1 A noite em que tudo começou...

Passava das 3h da manhã, eu estava dormindo em meu quarto, exaustão me definia, o dia de ontem tinha sido puxado na universidade com o TCC, estágio em uma grande empresa e ninguém me disse que seria fácil o último ano de Engenharia civil. Quando de repente Marcelo entra e com tudo se atira ao meu lado na cama... Juro que meu coração literalmente quis sair pela minha boca naquele momento... E num sobre salto dei um grito:

- Marcelo !!?

E sem nenhuma reação muito evidente ele me olhou fixamente e me puxou em sua direção... Eu tinha que ter notado que o cheiro de álcool que já naquela altura dos acontecimentos já tinha exalado em todo cômodo e seus olhos marejados provavelmente tinha muito a haver com tal atitude,mas que nunca antes tinha acontecido estava tão perto dele a ponto de eu sentir o calor da sua respiração e o pulsar de seu coração que naquele momento parecia agitado, mostrando em seu pescoço uma leve veia sobre saltada em sua pele morena, não nego me deixei levar pelo impulso... o calor dos seus lábios sobre os meus, o sabor da tequila que ainda permanecia em sua boca ainda guardando o amargo do limão,o cheiro gostoso da sua colônia amadeirada que sobre sua pele levemente úmida davam um toque de masculinidade a mais eram claramente um convite ....de que não faça isso Laura.

Mas pela primeira vez, desafiando eu mesma deixei as emoções daquele momento tomarem conta de mim e a cada toque de suas mãos em meu corpo, cada movimento sutil sobre mim, me faziam sentir nas nuvens.

Na manhã seguinte, antes mesmo de abrir os olhos fiquei relembrando cada gesto, cada carinho e de como foi gostoso tudo o que aconteceu e que mesmo as coisas fiquem diferentes... Sério? As coisa com certeza vão ficar estranhas. Como vai ser a partir de hoje? São tantas dúvidas que passam sobre meus pensamentos nesse momento...eu perdida em meus pensamentos só notei sua falta quando abri os olhos e vi seu lugar vazio ao meu lado e que estava sozinha em meu quarto... Peguei seu travesseiro e pude sentir o cheiro do seu condicionador ainda impregnado nele. suspirei pois sim sou uma completa idiota.

Levantei mas com muita vontade de ficar deitada,a preguiça tomava conta de meu ser naquela manhã e a vergonha de como encarar o Marcelo depois de tudo o que aconteceu mais cedo. Fui pela pontas dos pés até a porta, sim estava me sentindo ridícula por agir assim, mas não me julguem, a situação era digamos muito estranha pelo menos para mim...ouvi o barulho do chuveiro do quarto dele..ah sim esqueci de relatar que moramos juntos a quase cinco anos quando por questões meramente financeira e apego mesmo resolvemos dividir esse apê, pois somos do interior aonde cursar engenharia Civil seria impossível. Marcelo também começou a cursar engenharia Cívil, mas felizmente no segundo semestre do primeiro ano, decidiu que não era apto a construção e mudou totalmente o foco para Arquitetura. Enquanto eu era fascinada em como as obras era construídas na sua essência, Marcelo era obcecado na cobertura do bolo se é que me entende. Então voltando a porta.

Ao ouvir o som do chuveiro vindo do quarto a frente do meu, senti um certo alívio pois teria tempo de me recompor e por as idéias ou tudo isso que estava em minha cabeça em ordem, segui até meu banheiro, liguei o chuveiro pois gosto de deixar o box com aquela neblina quentinha que o vapor faz... Só daí me dei conta que estava vestida com a camisa dele e só com a camisa dele.

-Jesus o que faço agora da minha vida!!! Falei olhando minha expressão no espelho já embaçado pelo vapor.

Entrei no chuveiro e deixei por alguns segundos a água quente me abraçar e me dar o consolo que precisava naquele momento.

Fui tirada do meu momentâneo transe quando ouvi a batida na porta seguido de um:

- Te apressa, vai te atrasar... Tô passando o café!

Não deveria ser estranho, pois quase todos os dias ele fazia isso, mesmo eu não estando nem perto de estar atrasada, mas hoje tudo parecia estranho. Apressei para lavar meus cabelos, logo sai do banho, nunca fui vaidosa a ponto de me atrasar para um compromisso, calça jeans, camisa básica, um tênis pra lá de confortável, pois acredite na primeira aula de campo, você aprende que saltos e sapatos da moda não são nada úteis em canteiros de obras.Quase finalizado o look, fazendo um coque pois definitivamente meus cabelos crespos não me dão muitas opções, corretivo, rímel e um gloss que já coloco na bolsa pois não vivo sem. Quando escuto da cozinha:

- Você não vem?Vai tomar café sozinha e vai ficar sem carona?!

Seguido de uma gargalhada também costumeira dele,que certos dias até me irrita , como alguém acorda sempre de bom humor. Dei uma última olhada no espelho, me enchi de coragem e decidi que só tocaria no assunto caso ele começasse, nunca fui muito boa em iniciar conversas e muito menos do tipo "e aí como foi pra você?".

Abri a porta e o cheiro do café estava por toda a cozinha, ele tinha arrumado cuidadosamente a bancada que ficava na copa pois como nosso apartamento não era muito grande a sala e a cozinha era dividido por uma bancada, a cozinha em estilo americano que já veio com o apartamento, compramos apenas duas banquetas e ali costumávamos fazer nossas refeições quando estávamos a sós, pois quando reuníamos a galera tínhamos uma mesa que também estava lá quando alugamos,montamos uma sala pequena porém muito charmosa com móveis que trouxemos na mudança. O apartamento é bem claro pois tem duas grandes janelas bem de frente que claream a sala e a cozinha e em frente a mesa tem uma porta de vidro que leva a uma sacada que posso dizer meu refúgio para dias de caos, aquele lugar pra mim era um pedacinho do céu, e ao lado oposto da mesa, um corredor com duas suítes uma de frente para a outra e no fundo do corredor um banheiro social. Podemos dizer que somos privilegiados pois mesmo ganhando bolsa integral em uma universidade federal o custo de se viver em uma cidade grande como Porto Alegre são altos, mas tanto eu quanto o Marcelo somos ajudados por nossas famílias e também fazemos Jobby quando temos tempo, tudo para mantermos nosso orçamento fora do vermelho. Coloquei meus livros e plantas na mesa e segui até a copa aonde Marcelo já estava sentado.

- Bom dia!

- Bom dia, princesa, já coloquei teu pão na torradeira.

- Ah!! Obrigado.

Peguei o pão que estava pronto, sentei ao seu lado, comecei imediatamente me servir, quebrando aquele silêncio aterrorizante que só acontecia quando brigávamos feio e que também não durava por muitos dias.

- Que horas você sai da faculdade hoje?

Eu por um minuto, meio perdida em meus pensamentos sou chamada a atenção.

- Laura, tá bem?

E voltando desse leve devaneio.- sim estou, o que você estava dizendo mesmo?

- Queria saber que horas você sai do campus hoje?

- Não sei bem, pois hoje tem aula com a Professora Priscila e você sabe o quanto ela consegue ser mórbida e longa nas suas aulas.

- Sei bem, ela foi uma das minhas inspirações pra largar a engenharia, mas que cadeira que ela ainda dá pra você?

- Hidráulica, nem me fala... Tenho uma maquete pra entregar pra ela daqui a duas semanas e nem sei por onde começar.

- Pelo começo...

- Haha... Não pensou em ser humorista, é maquete virtual em 3D. E vc sabe o quão habilidosa sou com qualquer coisa tecnológica.

- Bom, te ajudo!

Nesse momento senti suas mãos na minha coxa o que imediatamente me fez ficar vermelha. Pra disfarçar levantei tirando as xícaras o que ele também fez pois dividimos por igual nossas tarefas em casa, o que facilita para os dois, colocamos tudo na pia, Marcelo se apressou em escovar os dentes e eu fiz o mesmo e logo saímos de casa em direção ao estacionamento, como nosso apê, dava ao locatário, apenas uma vaga de estacionamento dentro do valor do aluguel, nem tive chance em trazer meu carro que ganhei de dezoito anos, minha princesa tá na garagem da casa dos meus avós um New Beeats só esperando uma vaga na minha vida. Então no momento o carro em evidência na minha rotina é HB20 branco que pertence ao Marcelo dado a ele pelos avós. E como não sou obcecada em dirigir deixo isso para meu amigo, que de jeito nenhum me dá o carro pra levar. Entrando no carro, coloco as coisas no banco de trás e vocês nem imaginam quanta coisa dois universitários podem carregar em um só dia de aula, colocamos o cinto e assim da partida no carro ele já liga o som, o que hoje vai até ser um alívio pois sabe aquele silêncio de hoje mais cedo não vai existir... ótimo!!! Mas o que será que teremos pra hoje sertanejo, sertanejo mais sertanejo.

Mas fui surpreendida por, eita!! Iza, amo essa música. Observando a paisagem e pensando, pensando, quase que literalmente fritando meus neurônios, escuto ele cantarolando a música, fazendo uma dancinha engraçada enquanto dirigia, claramente desengonçado por não ser íntimo da melodia.

Mas que naquele momento parecia perfeito.

- Ei, você ainda não percebeu

Depois do que aconteceu....

Foi aí que me toquei, meu Deus será uma indireta, ou algo do subconsciente dele, vai saber?!

Novamente fui desperta dos meus pensamentos quando senti a mão dele em meu ombro me chamando achando que eu estava dormindo.

- chegamos.

Sem graça abri os olhos e dei um sorriso amarelo, peguei minhas coisas e saímos em direção ao prédio que naquela hora parecia mais um Formigueiro de tantas pessoas que ali estavam circulando. Nos despedimos pois nossas salas ficam em direções opostas uma da outra.

Primeiro e segundo período foram tranquilos apenas revisão de trabalhos entregues com o mestre professor Álvaro, um fofo, atencioso, engraçado. Já os últimos três seriam chamados se virasse um filme com certeza o massacre da Hidráulica Avançada... Estrelando nada mais nada menos que a querida professora Priscila, que tinha fama de durona, sem piedade.

Bom, se era para me tornar uma excelente profissional todo esforço estava valendo. Fui despertada novamente pelo som da sineta avisando o final do segundo período.

Me dirigia ao refeitório, lá que a galera costuma se reunir no intervalo, quando sou parada por alguém que gritava estérica atrás de mim.

- Laura, Laura espera!

- Aonde vai com tanta pressa?!

- Oi Luiza, ah é bom ver você também.

- Ata, Laura desculpa esqueci que você é toda certinha e gosta de formalidades.

- Falando em formalidades,minha cara amiga, porque matou aula de novo, Lu?

- Tinha aula hoje? brincadeira...sabe conheci um gatinho que faz Educação Física.

- Daí, você vai pôr em risco cinco anos da tua vida, por um...ah, deixa pra lá.

Dei as costas e deixei a Luiza falando sozinha, sério amo ela de paixão, uma pessoa maravilhosa, mas essa mania de não dar valor a nada e se auto sabotar já deu pra mim, pelo menos por hoje.

De repente sinto duas mãos me agarrando pela cintura me fazendo girar, pega pelo susto dei um grito quando vi que era o Marcelo muito eufórico gritando e sorrindo.

Terminado o giro que me deixou tonta ouvi ele dizer:

- Passei, Laura eu passei!

-Passou no que? Pode me explicar?

- Lembra que eu te falei de um estágio em um escritório de arquitetura, aqui na capital remunerado em que as vagas eram mínimas e você me incentivou? pois é me inscrevi e passei.

Eu passei Laura!

- Com a tese de arquitetura e sustentabilidade que vc tá fazendo seu TCC ?

- Sim, eles amaram a proposta de sustentabilidade e renovação de recursos naturais, Tô muito feliz, parece que hoje tá sendo um dia daqueles sabe... mágicos!

- Mágicos, acredito sim... meus parabéns!

Nesse momento nos abraçamos e foi diferente, tinha uma energia nova, algo novo acontecendo e abraçados fomos até o refeitório comemorar o estágio do nosso futuro arquiteto.

Bom, finalmente a abençoada sineta avisava que o quinto período tinha encerrado, estava saindo quando ouvi a voz da professora Priscila me chamando.

- Laura, sabe que é a aluna mais dedicada na minha disciplina, não sabe?

- Eu, imagina.

- Estou ansiosa pela sua maquete, mesmo que virtualmente, sei que seu projeto há de ser o melhor deste semestre.

- Pode deixar, vou me esforçar ao máximo!!

Falei isso saindo com um sorriso sem graça, imaginando que prazer tem uma pessoa em torturar outra assim gratuitamente.

Falando comigo mesma, me deparo no final da tarde com Marcelo me esperando, sentado na portaria do campus.

- Pensei que eu iria de ônibus, hoje.

- Porque?

- sei, lá pensei que fosse sair com o Marco e contar a ele a novidade do estágio.

Olhei para o rosto dele e senti um certo desconforto, sentei ao seu lado em silêncio,essa hora o campus parece uma cidade quase fantasma, poucas pessoas transitam e somente em algumas horas começam os horários noturnos... Sabe o que dizem sobre instituições de ensino nunca dormirem, aqui é fato.

- Ei, o quê tá acontecendo?Celo sabe que pode contar comigo pra tudo né?! Nisso ele levanta e me puxa pra perto me dando de novo aquele abraço, não falando nada mas ao mesmo tempo expressando tudo.

O caminho pra casa foi em um silêncio avassalador, que doía na alma, mas não me atrevi a falar nada mais profundo mesmo sabendo que precisava falar algo.

- Olha, sério...preciso da tua ajuda - daí banquei a metralhadora, falando sobre minha conversa hoje mais cedo com a professora Priscila e sobre esse maldito projeto de hidráulica e fui surpreendida com uma gargalhada dele, minha alma estava lavada, tinha conseguido tirar ele daquele vácuo negro que ele se encontrava desde que saiu do campus.

- Sério Marcelo, rindo da desgraça dos outros.

- Não nunca, mas a maneira que você relatou tudo foi cômica.

O restante do percurso foi tranquilo. Finalmente abri a porta de casa e ao abrir a geladeira vi que esquecemos ambos de ir ao supermercado.

Gritei alto pois Marcelo já estava no quarto com o famoso sertanejo dele.

- Ei esquecemos de fazer o super, vamos lá agora? tá cedo ainda!

E nada.

Foi quando abri a porta do quarto dele e vi ele recolhendo, as coisas do Marco e colocando em uma caixa, fotos , roupas. Ele parou olhou e perguntou:

- O que vc quer chatinha?

- Tipo não tem nada na geladeira e eu esqueci, você esqueceu, vamos no super ?

- Hoje não... Tô cansado, chateado, mas feliz também, amanhã, pode ser? Falou dando as costas voltando para o que estava fazendo. Quando fechei a porta ouvi.

- Rachamos uma pizza... Sem brócolis!

- Tá bom!

Quando a pizza chegou, já estava com meu banho tomado, mesa posta era um momento estranho mas de comemoração, afinal um estágio remunerado em um grande escritório de arquitetura não é pra qualquer um.

Marcelo entrou no apê com a Pizza na mão colocou na mesa e foi até a cozinha trazendo duas taças e uma garrafa de vinho.

- vinho, que chique?!

- Sei que você gosta e estava guardando pra esse dia, comprei quando me inscrevi no estágio.

- Então vamos brindar ao teu sucesso!

Enquanto ele servia, pude sentir o aroma do vinho.

Ele me alcançou a taça e brindamos a nossa parceria e a seu estágio.

Sentamos, comemos quase a pizza toda, rimos muito pois o vinho me deixa leve o suficiente pra deixar fluir quem eu sou de verdade, sem filtros e medos, foi quando olhei bem nos olhos cor de mel que ele tem e perguntei:

- O que houve com você e o Marco?

Ele olhou pra varanda e quando ia começar a falar o interfone tocou, pois como já era tarde a portaria do prédio provavelmente estava fechada.

Foi quando fui até a copa e atendi o interfone.

- É o Marco.

- sério?

- sim, quer falar contigo.

- Não tenho nada mais pra falar com ele, acabou.

- Marco espera um pouco aí, o Marcelo já vai.

- Não vou não, não devia ter respondido por mim.

- Celo, não sei o que houve entre vocês, mas não se acaba assim uma relação de anos, percebe, esse não é você.

No que terminei de falar só ouvi o som da porta batendo atrás de mim.

Capítulo 2 O outro dia.

POV. Marcelo

Quando a claridade começou a incomodar percebi imediatamente que não estava em meu quarto, pois quando nos mudamos Laura só fez uma exigência, o quarto mais claro do apê, algo que não fiz a mínima questão de questionar pois pra mim ter uma cama era o suficiente. Meio zonzo, ainda sobre o efeito do grande porre de tequila que havia tomado na noite anterior, olho para o lado e vejo Laura vestida com minha camisa e na mesma hora veio em minha mente tudo o que tinha acontecido naquele dia mais cedo. Eram 6 horas da manhã, sai da cama cuidando pra não fazer barulho pois não queria acordar ela, ainda era cedo e sinceramente não saberia como agir, precisava de um tempo pra por minha cabeça no lugar. Ao fechar a porta a última imagem que vejo é de Laura deitada em sua cama com os raios do sol que teimam em transpor as cortinas batendo em suas pernas desnudas sobre o fino lençol branco. Já em minha cama deitado com os olhos fechados, começou a passar em minha mente cenas dos momentos vividos com Laura e por incrível que pareça, não consigo me arrepender pelo que senti naquele momento, por me deixar levar pelo impulso e também pela coragem que a Tequila te dá depois de algumas doses. Sei que a frustração causada na tarde de ontem pela decepção de ser traído me levaram a tomar tudo que vi pela frente e não é de hoje que busco consolo nos braços dela. Mas nunca tinha acontecido nada nem parecido, quando percebi estava em sua cama, deitado sobre seu travesseiro que imediatamente exalou seu perfume adocicado, mas muito suave. Quando ouvi ela gritando meu nome pelo susto que tinha causado, não me assustei, nem ao menos pensei em me justificar e no impulso seja primitivo ou não quis tê-la perto de mim e ao sentir o mesmo aroma doce misturado em sua pele ainda úmida pela hidratação de seus cremes de costume, despertou em mim algo selvagem e que exigia com urgência seus lábios nos meus. E a cada toque seu, a cada movimento das suas mãos pequenas sobre meu corpo faziam percorrer sobre ele descargas elétricas nunca antes sentidas por mim. Que conexão, que sintonia, estava confuso e com tais pensamentos não nego estava começando a ficar excitado mas nada que um banho gelado não resolvesse.

Liguei o chuveiro no máximo, precisava acalmar os ânimos, pois o dia hoje seria difícil, encarar ela depois de tudo, dizer o que? pedir desculpas nem pensar... Até porque não me arrependo. Mas também criar falsas expectativas se nem mesmo eu saber o que aconteceu e o porque aconteceu. Laura era muito importante pra mim e brincar com os sentimentos dela estava fora de questão.

Desliguei o chuveiro peguei a primeira toalha que enxerguei e estava decidido, não iria puxar o assunto, se caso ela viesse falar sobre o que aconteceu tentaria agir com naturalidade.

Terminei minha higiene pessoal, coloquei um calça jeans, camiseta branca, minha jaqueta de couro e meus tênis... Ajeitei o cabelo e a barba estava recém feita então por uns dias sem preocupações com ela. Fui até a cozinha, hoje o café era por minha conta pois decidimos em comum acordo dividir igualmente as tarefas o que pra mim sempre pareceu justo. Liguei a cafeteira, coloquei o leite pra aquecer no micro e com maestria coloquei a toalha sobre a bancada aonde iriamos tomar café, fui até a geladeira e peguei o que ainda tínhamos para o café, ir ao mercado era algo que precisávamos fazer o quanto antes. Se minha mãe me visse assim com certeza teria orgulho de mim, pois fui criado com toda regalia de um filho único o que inclui ter tudo nas mãos, sem muito esforço, isso só mudou quando me mudei pra Porto Alegre, aqui mesmo tendo grande ajuda deles financeiramente falando, o dia a dia eu a Laura que administramos, desde as contas até a lavagem das roupas e ela não facilita em nada minha vida, o que me ajudou muito a ser quem sou hoje.

O café já estava terminando de passar, quando gritei por ela. Adoro provocar ela pela manhã e hoje pra manter as coisas o mais parecidas possível, não podia ser diferente.

Chamei pela segunda vez, mas colocando um pouco mais de provocação, eis que surge a princesa da casa, noto que desviou ligeiramente seu olhar de mim, largou suas coisas na mesa central da sala como de costume, pensa em um ser humano organizado, queria muito ser assim mas sinceramente a preguiça não deixa, senti que um silêncio se fez presente mas não por muito tempo pois puxei uma conversa aleatória, senti que ela também não iria puxar o assunto, o que não nego fiquei muito aliviado. Após o café escovei os dentes e saímos até a garagem aonde fica meu carro que no momento é nosso, mas que somente eu dirijo, já vi Laura dirigindo e não recomendo. Mas isso também é algo que ela não faz questão. No caminho pra alegrar um pouco nosso dia resolvi colocar uma música um pouco diferente, senti ela distante e sabia que música sertaneja não era seu forte, mesmo ela gostando de muitas delas . Tinha ouvido outro dia meu Talismã, gostei da batida, da voz da cantora. Quando coloquei percebi seu olhar, tipo como assim... Quando se convive muito com uma pessoa pequenos sinais revelam muita coisa.

E tipo tava curtindo a batida do som, quando meio que dançando, meio que tentando dublar a música pois tinha ouvido uma ou duas vezes, foi quando prestei atenção na letra da música e coincidência ou não dizia muito sobre nós e para que ela não percebesse continuei a me balançar parecendo um completo idiota. Chegando ao campus chamei por ela que parecia ter dormido no caminho. Entramos nos despedimos, estudamos em salas com direções opostas.

Posso dizer que os dois primeiros períodos até foram interessantes, amo história da Arquitetura e a professora Antônia arrasa dando essa matéria. Ouvi o som da liberdade tocar avisando o final do segundo período, estava indo até o refeitório encontrar a galera quando meu celular tocou.

- Alô sr. Marcelo Drummond.

- sim, é ele.

- Gostaríamos de comunicar que o senhor foi qualificado para o estágio na KW arquitetura, gostaríamos de confirmar sua disposição ao cargo.

- Sim, lógico.Quando devo me apresentar?

- Deixamos reservados uma entrevista para próxima quarta-feira às 10:30 na sede central. Sala nove, sexto andar. Posso confirmar Sr. Marcelo?

- Com certeza

-Tenha um bom dia e meus parabéns!!!

- Obrigado, com certeza vou ter.

Desliguei o celular e mal pude conter um misto de emoção e orgulho, saí correndo quando avistei Laura com a amiga dela e tomado pelo impulso, peguei ela pela cintura e giramos feito duas crianças no corredor do campus. Quando soltei ela no chão estávamos corados pelo esforço que fizemos expliquei a ela o que tinha acabado de acontecer e quando percebi estava abraçado nela de tal forma que podíamos sentir o coração um do outro, novamente pude sentir a eletricidade percorrer meu corpo por inteiro, constrangidos pela entrega do abraço mas também muito feliz pelo ocorrido, fomos até o refeitório comemorar o meu primeiro feito como futuro arquiteto.

Já dentro da sala... Amava arquitetura, mas com certeza gestão de projetos não era a cadeira dos meus sonhos, de fato esse era o meu algoz em todos os semestres.

E hoje pra ajudar meus pensamentos, estavam direcionados a outros fatores da minha vida, basicamente Laura tomava conta de mim nesse dia, desde os meus pensamentos até as sensações mínimas, que um ser humano pode sentir a flor da pele. Já passava das 16h quando finalmente o último sinal tocou despertando meus pensamentos e me chamando a realidade.

Meio perdido, notei que a turma de Laura não tinha saído ainda, nesses momentos senti um certo alívio de ter trocado de curso a tempo, por não ser escravo de tantos cálculos. Resolvi esperar por ela, pois já estava ficando tarde, sentei na portaria, coloquei meu fone de ouvido e abri minha playlist daquele sertanejo que gosto, perdido em meus pensamentos, refletindo tudo o que tinha acontecido desde a tarde de ontem, vi Laura se aproximando com uma cara interrogativa, conversamos até que ao tocar no nome do Marco imediatamente veio a mente tudo que tinha acontecido, algo que me deixou visivelmente chateado.

No caminho para casa, não tive ânimo algum, uma auto piedade tomou conta de mim, quando de repente fui atingido por uma enxurrada de informações dada por Laura, que do nada começa a falar e a gesticular feito uma doída, o que na hora me pareceu hilário, não me contive soltei uma gargalhada, posso dizer que ajudou muito a me soltar. O restante do trajeto foi tranquilo, conversamos como se nada tivesse acontecido. Chegando em casa fui direto para meu quarto, estava decidido que o quanto antes eu tirasse as coisas do Marco da minha vida, seria melhor, estava decidido a virar a página e parar com essa auto piedade, então liguei minha playlist no último volume e comecei a tão dolorosa tarefa, mas necessária.

Estava ali perdido em minhas lembranças quando Laura bate na porta, abrindo sem constrangimentos falando sobre ir ao super, sei que ela percebeu o que estava acontecendo mas como uma lady que é, desconversou ignorando o que tinha visto.

Não estava com cabeça para sair e resolvemos em comum acordo deixar pra outro dia, foi quando lembrei tenho que comemorar minha promoção, contudo tinha até esquecido que tinha ocorrido coisas boas no dia de hoje.

Gritei a ela pra encomendar uma pizza, sem brócolis, só ela gosta dessa desgraça.

Quando terminei de colocar tudo na caixa, ouvi o barulho do chuveiro vindo do quarto dela e por um momento imaginei quão sexy seria ela tomando banho...foi aí que percebi que algo com certeza estava acontecendo, pois nunca em anos imaginei nenhuma mulher em tal situação, muito menos ela que por anos ocupou em minha vida o lugar de irmã. Suspirei fundo aliviado por ela não ser. Fui até meu carro, abri o bagageiro e coloquei a tal caixa lá, amanhã daria um jeito de entregar ela quem ela pertencia.

Abri a porta de casa, pedindo a Deus para que ela estivesse usando um daqueles pijama ridículos de bichinhos, que em nada iria mexer com minha imaginação, pois sinceramente estava me desconhecendo e o medo de perder o controle novamente me deixava em pânico e ao mesmo tempo excitado, foi quando vi ela abrir a porta do quarto e sair com o cabelo preso por um coque que caia um pouco sobre seus ombros e sim com um dos seus pijamas engraçadinhos que somente coloca quando estamos sozinhos em casa.Tudo certo, Marcelo hoje Laura quer aparentar ter 10 anos, beleza!

A pizza chegou desci fui até a portaria pois como já era tarde seu Manoel já tinha se recolhido, paguei o motoboy e avistei o carro do Marco no outro lado da rua, ignorei e subi.

Chegando no apê, a mesa estava colocada, sinal de que ela sim achava que minha promoção era algo a se comemorar e por um momento me senti imensamente feliz, pois Laura sempre esteve ao meu lado, incentivando, acreditando em mim. Coloquei a pizza na mesa e lembrei que tinha comprado um vinho importado que ela amava na volta da inscrição do estágio, peguei duas taças e fui em direção a sala, quando me peguei olhando para Laura, Puta que p... Até de pantufa de bichinho e pijama de pelúcia ela consegue ser linda! Mas fui chamado a realidade quando ela fez um comentário sobre o vinho, servi ela, brindamos e imediatamente vi ela sorver com tanta maestria aquele vinho, que mesmo eu não sendo um grande apreciador fiquei com vontade de também saborear. A noite transcorreu de maneira agradável, rimos muito lembrando de coisas da nossa infância e pude perceber que ela sempre esteve comigo, muito minha e também como ela se soltava quando bebia algo.

De repente notei seu olhar fixo aos meus como se quisesse desnudar minha alma, senti um frio na espinha, me senti encurralado, pronto ela iria questionar o que tinha acontecido entre nós. Foi quando não menos doloroso ela pergunta sobre o Marco, virei ligeiramente para a varanda um pouco aliviado pois mais cedo ou mais tarde ela teria que saber o que houve, respirei fundo e olhando bem em seus olhos verdes, que naquela noite pareciam ainda mais claros, quando finalmente ia começar a falar, o interfone toca, quem poderia ser a essa hora, pois já passava da meia noite, quando vejo Laura atender e me dizer que Marco estava na portaria querendo falar comigo... Na hora fui acometido de uma raiva, que me paralisou, foi quando ouvi Laura dizer que eu não era assim...e realmente essa história merecia um ponto final e eu teria que ser homem o suficiente para dá-lo .

Reuni todas minhas forças, levantei sem nada falar, abri a porta e saí.

Capítulo 3 Acerto de contas

POV. Marcelo

Ao fechar a porta, respirei fundo e fui em direção ao elevador, apreensivo mas determinado, pois o que descobri ontem, mudou radicalmente o rumo da minha vida.

Cheguei na portaria e Marco estava na frente da porta, olhos vermelhos de quem havia chorado, nunca tinha visto ele em tal estado.

Abri a porta e fui pego de surpresa por seus braços envolvendo meu pescoço, sendo bruscamente puxado pra perto dele, senti fortemente o cheiro de álcool, que da sua boca exalava e em um reflexo repentino me desenvencilhei dos seus braços, antes mesmo que ele pudesse ter um contato mais íntimo. Fui tomado por uma repulsa nunca antes sentida por mim em relação a ele.

- Precisamos conversar, Marcelo!

- Sim precisamos, mas não aqui, te encontro no lugar de sempre daqui a alguns minutos.

- Estarei te esperando!

Entrei no prédio, subi até o apartamento pra colocar uma roupa mais descente e avisar Laura, tudo que não quero é deixa- lá preocupada comigo.

Abri a porta do apê e Laura estava na sacada.

- Imaginei que estaria aqui.

- sim, sabe o quanto esse cantinho me acalma.

- só vim te avisar, vou trocar de roupa e dar uma saída, mas volto logo e sim vou conversar com Marco, mas se precisar de qualquer coisa me liga vou estar com o celular ligado o tempo todo.

- Tudo bem.

Fui em direção a meu quarto, troquei de roupa, peguei as chaves do carro que estavam sobre a mesinha de centro da sala, foi quando ao me virar senti os braços pequenos de Laura me envolvendo, fui surpreendido por um abraço gostoso e aconchegante, ela nem imagina o quanto estava precisando, pois o que eu tinha pra enfrentar seria no mínimo desgastante. Me despedi dela e fui até o local marcado, que ficava a poucos minutos de minha casa.

Chegando lá estacionei o carro na vaga que já me era de costume, abri o porta mala e peguei a caixa que pertencia a ele e subi no elevador para oitavo andar.

A porta do apartamento estava entreaberta, entrei coloquei a caixa em cima da mesa, encontrei Marco sentado no sofá cabisbaixo, tomando um copo de whisky.

Marco era um homem bem sucedido, arquiteto formado, um grande nome em ascensão na arquitetura moderna, trabalha em uma grande empresa, viaja muito o que explicava muito sua ausência, mas de pé em sua frente não consegui me compadecer com tal cena.

- Pode me dizer, o quê tá acontecendo?

Diz ele levantando em minha direção, colocando suas mãos em meus ombros e olhando fixamente em meus olhos, querendo de alguma forma me intimidar.

- Me diz você?

Falei isso, novamente escapando de seu contato físico.

- Você simplesmente resolveu que eu não sirvo mais, me dá um pé na bunda, sem nenhuma explicação, pôr um chamada de celular, depois de quase 4 anos e eu que tenho que me explicar, sério?

Nesse momento, minha vontade era de quebrar a cara desse sujeito, como ele pode ser tão dissimulado, mas não vim aqui pra isso.

Então olhei fixamente em seus olhos e perguntei ironicamente:

- Como me explica, então senhor Marco Ferraz, o senhor ser casado a 3 anos e com um filho a caminho?

Ao terminar de falar, a sensação era que uma granada havia acabado de explodir e tudo que vivemos, em quase quatro anos, foi destruído e pude perceber, Marco por um instante cambalear devido a tudo que tinha lhe dito, como se perdesse o chão naquele segundo.

Esfregando as mãos no rosto em um gesto de desespero olhou em minha direção.

- Como soube disso? Quem te contou?

Parecendo, querer achar algum culpado pela verdade ter vindo a tona.

Mas sem piedade ou compaixão lancei a ele um olhar de desprezo.

- Ah! ao menos tem caráter! Bati palmas nesse momento . De não tentar se defender ou inventar mais mentiras, sabe Marco, a mentira tem pernas curtas e o sucesso, a vaidade quase sempre se tornam inimigas de quem as usam sem pudores. Recebi de um amigo uma revista conceituada de arte moderna, de poucas edições e muito limitada ao grande público, sabemos que somente grandes escritórios e arquitetos renomados recebem essa revista, mas por ironia ou não do destino, fui presenteado por uma dessas edições e ao folhear, já nas primeiras páginas e para minha surpresa o entrevistado era uma pessoa que eu conhecia muito bem, ou pensava que conhecia. Imagina como me senti? Alguma vez você parou pra pensar que tanto eu, quanto sua esposa estamos sendo usados e feitos de idiotas, por você? É sem dúvidas tenho que dar os parabéns a esse repórter uma matéria muito esclarecedora ao menos para mim, com muitas fotos revelando sua vida por inteiro.

E ao terminar de falar observo o quão nervoso ele estava, andando em círculos pela sala e parando em minha frente, respeitando o espaço que no começo da conversa deixei claro com minhas atitudes que queria.

- Eu posso explicar... Eu não a amo.

Nosso casamento não passa de pura formalidade, ela era minha namorada, quando vim pra capital estudar Arquitetura, ela ficou em Santa Maria pois cursava veterinária, meus planos eram me formar e casar com ela, pois seu pai era grande empreiteiro da cidade e minha carreira estava garantida, nunca menti sobre minha ambição em crescer na vida, foi quando te conheci e me deixei envolver por você, mas não nego que nunca deixei de lado meus planos, mas também não tive coragem de abrir mão de você e do que tínhamos. Marcelo, te conheço bem você jamais aceitaria. Fiz o que achei o melhor para todos, eu te amo!

Olhei para ele sentindo meu estômago revirar a cada palavra dita e fico pensando que aquele papo de que assumir algo publicamente, era difícil pois temia ser prejudicado e eu aqui idiota entendendo tudo, querendo parecer maduro.

E num ato de total compaixão, querendo o quanto antes dar o golpe final acabando de vez com essa agonia e já sabendo o desfecho, lancei a ele.

- Se não a ama como diz, me prove... então larga tudo e assume o que sente por mim!

- Sabe que não posso, tenho muito a perder, você não entende?!

- Eu sei, só quis dar a essa história toda um final digno de Shakespeare, já que pelo que ouvi você sempre soube seu papel nela, mas sabe eu tenho pena de você, pela pessoa materialista e mercenária que você se tornou, ou sempre foi, e que em nada me lembra a pessoa por quem me senti envolvido todos esses anos, mas o que mais me dá asco é o fato de você manter essa mentira, não me dando a chance de querer ou não estar em um relacionamento nessas condições, bom a caixa com suas coisa estão em cima da mesa e aqui esta a chave deste apartamento, acabou, tô saindo de cena.

Falei isso virando as costas sem nem sequer olhar pra ele, bati a porta ao sair, sabia que ali nunca mais voltaria e nem sequer uma lágrima consegui deixar escapar, mesmo tomado por tanta emoção, acredito que não tenha mais o que chorar, nem lamentar dessa história. Pois como alguém pode agir assim manipulando, mentindo, armando situações tudo a seu favor, me senti usado, sujo, precisava chegar em casa, tomar um banho e tentar apagar de minha mente todos os anos que vivi sendo enganado por ele.

Entrei no carro e logo a lembrança de como eu conheci ele me veio a mente...e eu era calouro ainda no campus, primeiro ano de arquitetura, Marcos veterano estava no último ano do curso. No auge dos seus 23 anos era dono de um corpo bem definido, cabelos loiros crespos e olhos azuis, ficamos amigos logo na primeira semana, ele era muito bom, aprendi muito com ele, pois as cadeiras eram bem puxadas em relação ao conteúdo, como eu era bolsista minhas notas tinham que ser impecáveis.

Um dia em uma festa da universidade, bebemos muito foi quando pela primeira vez ele deu em cima de mim, achei que fosse da bebedeira, ignorei pois eu não estava certo da minha sexualidade, mesmo eu já tendo 18 anos, ainda era virgem, tinha ficado com algumas meninas mas nada sério, apenas alguns amassos. Sempre fui muito dedicado ao estudos e mesmo sendo desorganizado na minha vida, sempre soube o que queria pra mim. E sobre não ter perdido a virgindade, falta de segurança, desejo, não sei definir o que me levou a não perde mais cedo, com uma menina qualquer.

Mas as investidas foram ficando intensas e não sei bem se pela carência, pela curiosidade ou simplesmente por admiração aquela pessoa me deixei levar pelo impulso e começamos a nós encontrar escondido, o que parando para pensar sempre foi escondido, na surdina, sem amigos, sem grandes gestos em público. No outro ano começamos a nos encontrar no apartamento dele, com a desculpa de que ele viaja muito, nos víamos quando dava, nunca poderia imaginar que nesse ano em questão ele estaria casando, constituindo família, me sinto um completo otário... Chegando perto de casa, o alívio começou a tomar conta de mim, gosto do cheiro do meu apê, de saber que Laura está lá, isso me acalma.

Estacionei na vaga de sempre, segui até o elevador, cheguei em casa e puxei o ar com toda força de minha alma, como é bom estar em casa. Me aproximei do quarto de Laura, vi a luz do abajur ligado, ela estava dormindo, encostei a porta com cuidado. Fui ligeiro para meu quarto, já tirando minha roupa, pois precisava ficar livre da sensação de sujeira que preguinava meu corpo naquele momento, liguei o chuveiro de maneira que rapidamente uma neblina densa de vapor pudesse cobrir todo box.

Já despido entrei no chuveiro e posso afirmar que era tudo que eu precisava naquele momento.

Foi quando ouvi a voz da Laura, me chamando baixinho, meio rouca pelo fato de ter dormido.

- Celo é você?

- Tô no banho!!

- Desculpa...

- Quê?!

- Precisando tô no quarto.

Terminei meu banho, posso dizer que estava revigorado. Coloquei uma calça de moleton larga, daquelas que com certeza minha mãe já teria colocado fora, por estar tão desgastada e uma camisa manga comprida, estava friozinho naquela madrugada, fui até o quarto de Laura e não pude deixar de lembrar do que aconteceu no dia de ontem, mas tentei não transparecer, abri a porta ela estava acordada, tapada até o pescoço, pensa em uma menina friolenta é ela.

- Acordada ainda, menina? Falei isso me aconchegando ao seu lado embaixo do cobertor aveludado que ela estava usando.

Quando ela grita:

- Marcelo, você tá gelado!!! Te esquenta primeiro só depois encosta em mim.

- sim, senhorita...mas, vou me esquentar mais rápido se eu ficar bem pertinho de você.

Falei isso envolvendo meus braços grandes em seu corpo que estava quentinho, nem dando chances para ela conseguir reagir.Conformada, que não iria solta-la facilmente senti seu corpo ficando molinho, foi quando ela se ajeitou colocando sua cabeça sobre meu peito, uma de suas pernas sobre as minhas, ficamos em silêncio, mas não era por falta de palavras, nem sequer querendo fugir delas, não tinha o que ser dito, sabe aquele silêncio que não constrange, que não sufoca ou intimida, magicamente se instaurou naquele cômodo. Passavam das 4h da manhã, sorte que nem eu, nem Laura temos aula amanhã, pois tem o bendito conselho de mestres do semestre.

Quando percebi Laura tinha dormindo sobre meu peito, podia sentir sua respiração calma e a batida lenta do seu coração, foi quando parei para pensar, o que meu Deus tá acontecendo comigo?!Ali naquele momento, mesmo magoado pela traição, me sentindo um grande idiota, estava feliz, o que mudou? Porque mudou? Novamente eu que achava a dois dias atrás estar com minha vida toda resolvida e aceita por mim mesmo, hoje não consigo definir mais nada ... O que sentia pela Laura de fato?!Pensei em levantar e ir dormir em meu quarto para evitar mais mal entendidos entre nós, mas estava tão gostoso sentir ela e sua respiração que novamente deixei me levar pelo momento e adormeci ali mesmo, nos braços dela.

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