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Um arrependimento tardio

Um arrependimento tardio

Autor: Alissa Nexus
Gênero: Moderno
Raina esperava que o parto fosse o momento mais feliz de sua vida, mas o que veio foi um pesadelo que a destruiu por dentro. Mal os gêmeos nasceram, Alexander a golpeou com a frieza de um estranho: pediu o divórcio e a obrigou a abrir mão da guarda do pequeno Liam. Em lágrimas, Raina sumiu no mundo com a filha, Ava, a única bagagem que carregava sendo uma dor sem fim. No entanto, a paz não durou muito tempo. Anos depois, Liam adoeceu gravemente, e o pai, desesperado, foi forçado a bater na porta da mulher que havia descartado como lixo. Então, diante de Raina, o homem que um dia a havia subestimado implorou - não apenas por si mesmo, mas também pelo filho que ela mal pudera tocar. Porém, Raina já não era a mulher de alma partida que um dia o amou, nem a sombra apagada que ele abandonou sem piedade. Ela havia erguido um novo mundo para si, um império construído com unhas, dentes e um sobrenome adormecido que ela jurou desenterrar. Será que ela arriscaria reabrir feridas antigas para salvar o filho que nunca pôde criar? Ou Alexander perdeu para sempre a mulher que deveria ter protegido?
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Capítulo 1

RAINA

Após horas em trabalho de parto, meu corpo doía de uma forma indescritível, em lugares que eu nem sabia que existiam. Minha pele estava pegajosa de suor, e meus músculos tremiam.

A sensação de ser mãe era tão surreal que mal conseguia acreditar. Na verdade, mesmo tendo tido nove longos meses para me preparar psicologicamente, nada poderia ter me preparado para essa sensação.

"Agora sou mãe", pensei, mas meu coração ainda doía enquanto eu estava deitada na cama do hospital, olhando para o que talvez fosse minha maior realização como mulher:

meus gêmeos recém-nascidos.

Ao observar meu lindo menino e menina enrolados ao meu lado, fui tomada por uma alegria e orgulho, mas essa sensação foi quase completamente eclipsada por um sentimento de inquietação que me corroía, algo com o qual eu já estava bastante familiarizada ao longo dos anos.

Mesmo com o ar-condicionado ligado, o quarto estéril parecia... abafado.

A presença mais gélida pairava sobre mim com seus ombros largos e seu rosto bonito e cruel, sem qualquer emoção.

Meu marido.

Ele ficou ali, me olhando como se eu fosse algo descartável.

Talvez eu fosse mesmo. Afinal, eu acabara de dar à luz nossos bebês, nosso futuro, e ele não foi capaz nem de esboçar um sorriso.

Nenhuma palavra de conforto.

Nem mesmo um "estou orgulhoso de você".

Como eu queria ouvir pelo menos isso...

Prendi a respiração, esperando que algo pudesse quebrar o silêncio, mas o que veio a seguir foi a última coisa que poderia esperar.

Quando ele se moveu, não foi para pegar nossos filhos no colo ou acariciar meu cabelo. Em vez disso, atirou uma pilha de papéis no meu colo.

"Assine", ordenou, num tom frio e distante.

Levei um momento para assimilar essa palavra.

Pisquei, meus olhos ainda embaçados pela exaustão de ter colocado dois pequenos seres no mundo. Assinar o quê? Confusa, olhei para os papéis, depois para ele. "Desculpe, o que..."

"Os papéis do divórcio", ele interrompeu bruscamente, como se isso fosse óbvio.

Meu coração se apertou e meu estômago se revirou dolorosamente.

O quê?

"Aqui", ele disse num tom ríspido enquanto me atirou uma caneta. Seus movimentos eram tão impacientes que dava a impressão de que tudo isso era um incômodo para ele, alguém que acabara de ter a esposa em trabalho de parto.

"O que..." Minha respiração falhou enquanto eu olhava para os papéis, incrédula.

O que estava acontecendo? Eu acabara de dar à luz aos filhos dele! Ele não podia estar falando sério!

Um divórcio?

"Eu... não estou entendendo. Acabei de dar à luz..." Minha voz se quebrou.

"E sorte sua que esses filhos são meus!", ele exclamou num tom carregado de veneno. "Pedi aos médicos para fazerem um teste de DNA assim que eles nasceram. Se os resultados tivessem mostrado o contrário... acredite, eu teria tornado a vida sua e do seu amante um inferno."

Minha boca se abriu em choque, com uma sensação tão intensa que me deixou tonta. Ele fez o quê? Meu o quê? A acusação me atingiu como um golpe. Minha mente lutava para processar suas palavras, meu coração batendo forte nos meus ouvidos.

"Alex, o que...", comecei, com a voz embargada. "Que amante?"

Ele achava que eu o havia traído? Depois de ter passado cada segundo da minha vida lhe mostrando o quanto ele era importante para mim? "Do que está falando?"

"Você não está enganando ninguém, Raina", ele cuspiu, se aproximando. "Agora, assine."

Lágrimas marejaram meus olhos.

"Isso é algum tipo de piada? Só pode ser! Não sei o que..."

"Ah, poupe-nos do seu teatrinho, Raina! Todos nós sabemos o que está acontecendo. Então nos faça um favor e pare de... porra... fingir!", rosnou Vanessa, irmã dele, de um canto do quarto, dando um passo à frente.

Eu nem tinha notado que ela estava lá.

Minha mente estava a mil. Isso não estava acontecendo! Não, não podia estar acontecendo! Será que estava em coma e vivendo meu pior pesadelo?

"Não estou...", comecei, mas ela atirou uma pilha de fotos em mim, algumas caindo na cama e outras no chão.

Com as mãos trêmulas, me sentei e peguei uma das fotos, me encolhendo de dor. Era difícil enxergar algo em meio às lágrimas. Minha respiração estava ofegante, rápida e superficial. "A-Alexander, me ouça..."

"Já chega!", ele gritou furiosamente, antes mesmo que eu tivesse a chance de ver as fotos. "Pare de perder meu tempo e assine os malditos papéis, sua vadia!"

Vadia? Eu, a esposa dele?

De onde veio isso? O que estava acontecendo?

Suas palavras me perfuraram como uma agulha se cravando dolorosamente no meu peito.

Meu Deus, ele estava falando sério sobre... acabar com isso? Acabar com a gente?

Tomada pelo pânico, comecei a hiperventilar, meu corpo tremendo incontrolavelmente enquanto o quarto começava a girar.

Em meio às minhas lágrimas, procurei no rosto de Alexander por algum vislumbre de emoção, por menor que fosse.

Compaixão, preocupação, amor.

Não havia nada.

Tudo o que encontrei foi a frieza estampada nos seus traços rígidos.

Será que amei o homem errado? Esse pensamento me destruiu.

Por anos, ignorei os sinais.

A família de Alexander me odiava desde o início, achando que eu não era boa o suficiente para ele e que não merecia o prestígio deles.

Suportei os insultos e as humilhações constantes deles. Várias vezes, a mãe dele me ofereceu dinheiro para eu desaparecer antes do casamento, mas recusei, pois meu amor por ele era simplesmente isso: amor, puro e verdadeiro.

Eu não queria dinheiro.

Sempre que eles falavam mal de mim e eu contava a Alexander, ele apenas dava de ombros e dizia: "Eles são assim mesmo, Raina. Eles vão mudar."

Mas eles nunca mudaram, e ele nunca me defendeu.

Nem quando sua irmã me chamou de interesseira durante nosso noivado. Nem quando seu pai sugeriu que ele anulasse o casamento após nosso primeiro ano.

Apesar do desprezo da sua família, dos subornos e das agressões verbais, permaneci ao seu lado, o amando cada vez mais e arranjando desculpas para o silêncio dele.

Mas agora, enquanto o olhava, entendi o que nunca quis admitir.

Talvez ele nunca tivesse sido meu.

Talvez eu apenas tivesse me imposto a ele o tempo todo, acreditando em um amor que só existia de um lado.

Nesse momento, ficou terrivelmente claro que ele nunca me amou, pelo menos não da forma como eu o amava.

Que tola eu fui...

"Agora, pare de enrolar e assine os papéis. Tenho compromissos."

"Alex", sussurrei, me virando para ele. "Por favor, podemos conversar a sós? Tenho... certeza de que tudo isso é um mal-entendido." O desespero sufocava minhas palavras. "Só me ouça."

"Não", ele respondeu, olhando para o relógio com desdém. "Não há necessidade. Já sei tudo o que preciso saber. Conversaremos quando nossos advogados estiverem envolvidos, então guarde suas mentiras para depois."

"Alex... você me conhece. Sabe que eu não faria nada disso. Sempre te amei, só você. Nunca fui infiel."

No entanto, ele não se importava. Sem sequer olhar para mim, ele disse: "Assine os papéis. Acabou."

"Alex...", eu disse, a voz embargada e os lábios trêmulos, implorando com os olhos para que ele me ouvisse.

Porém, ele apenas me encarava fixamente, frio e impassível.

"Por favor, não me faça repetir", ele disse entre dentes, parecendo estar se contendo para não cuspir em mim.

Lágrimas embaçaram minha visão enquanto eu pegava a caneta com as mãos tão trêmulas que mal conseguia rabiscar meu nome, mas eu o fiz. Que opção tinha? Ao terminar, olhei para meus gêmeos recém-nascidos, encontrando consolo no fato de que ainda os teria, pelo menos.

Mas então, numa cruel reviravolta do destino, a mãe de Alexander, que eu não havia visto porque estava ao meu lado, atrás das máquinas, se aproximou e apontou para meus bebês: "Pegue ele e vamos embora."

Minha cabeça se ergueu em alerta. "O quê?"

"Leia os papéis", Alexander disse friamente. "Você abriu mão dos seus direitos parentais sobre meu filho."

Meu sangue gelou.

"Alex, não..." Não consegui respirar. "E-ele é só um bebê. Você não pode tirá-lo de mim! Você não pode–!"

"Ele é meu herdeiro!" Ele cerrou o maxilar e se inclinou para frente, continuando com um tom letal: "A menina... Você pode ficar com ela. É um favor. Eu poderia ficar com os dois, mas não queria ter que me preocupar com ela se tornando uma vadia como a mãe."

Ofeguei. "Alex! Como pode dizer isso da nossa filha, de mim?!"

"Sua filha. Só sua, a partir de agora", ele disse categoricamente. "O médico disse que ela não está saudável e pode não sobreviver por muito tempo. Não preciso de um fardo, especialmente um que pode se tornar igual a você."

Com isso, me deu as costas, assim como a tudo o que tínhamos juntos, e saiu com nosso filho nos braços.

Gritei atrás dele, chorando incontrolavelmente, fraca demais para sequer conseguir sair da cama. "Alex! Alex, por favor! Alex, não o leve!... Por favor!"

No entanto, ele não olhou para trás.

Desabei, abraçando minha filha contra o peito enquanto os soluços sacudiam meu corpo, o peso da traição me esmagando.

Rejeitada e abandonada, eu estava sozinha.

Completamente sozinha.

Capítulo 2

ALEXANDER

Cinco anos depois...

A exaustão estava me consumindo, me corroendo a cada dia.

Já estava aguentando isso há cinco anos, cinco malditos anos de miséria, e essa exaustão não diminuía e continuava lá, não importava o que eu fizesse, ou o quanto tentasse me afogar no trabalho ou em distrações.

Os papéis do divórcio foram assinados e arquivados como um pesadelo, e aquela foi a última vez que a vi, mas sua ausência era como uma ferida aberta que se recusava a cicatrizar.

Não me entenda mal - eu não sentia falta dela, não como um homem sente falta da sua mulher. Porra, eu nem a amava mais!

Eu só queria - não, precisava - saber que ela estava por aí, sofrendo, criando sua criança sozinha e sem um tostão. Essa seria minha única satisfação em meio a essa bagunça. Mas, em vez disso, eu não tinha nada além de um silêncio de merda!

Meu celular começou a tocar, e o som me tirou dos meus pensamentos amargos.

Era Silas, meu detetive particular.

Nos últimos três anos, eu havia gastado uma fortuna com ele para encontrá-la, mas toda vez que ele ligava, os resultados eram os mesmos.

Atendi a ligação, já sabendo o que ele diria, mas me preparando de qualquer forma. "Me diga que você tem alguma coisa."

Havia uma pausa, e sua hesitação já dizia tudo. Droga...

"Nada. Sinto muito. É estranho... é como se ela tivesse desaparecido da face da Terra."

Contendo minha frustração, respondi: "Então você não se importaria de se juntar a ela, não é?"

Eu sabia que estava passando dos limites, mas estava desesperado.

Silas soltou um suspiro, já acostumado com meus surtos. "Sinto muito, Alex. Já verifiquei todas as pistas. Ela se foi. Não há vestígios dela ou da criança. É como se eles tivessem desaparecido da..."

"Da face da Terra?", interrompi, batendo com o punho na mesa, e a dor aguda me distraiu momentaneamente da minha raiva. "Se você disser essa besteira para mim mais uma vez, Silas, juro que..."

"Estou te dizendo, cara, já verifiquei todos os registros - os rastros dela estão muito bem escondidos. Talvez ela tenha tido ajuda. Olha, vou continuar investigando, mas talvez seja melhor começar a considerar outras opções... engravidar outra mulher para..."

"Não...", avisei, meu maxilar se contraindo, e fechei os olhos, segurando o celular com tanta força que quase o quebrei, enquanto respirava em meio à tempestade no meu peito. "Não sabia que você era tão incompetente. Quão difícil pode ser encontrar uma mulher órfã uma criança? Vá e encontre! Não estou te pagando para me dizer o que fazer. Faça seu trabalho! Não me importo com o que seja necessário. Só a encontre!"

Sem esperar por uma resposta, desliguei. A raiva aumentava, preenchendo o vazio onde meu coração costumava estar.

Como era possível que em cinco anos eu não tivesse encontrado um único vestígio dela? Era como se ela tivesse se apagado do mapa, e eu odiava o fato de ela ter tido a última palavra. Já eu, fiquei com nada além de uma dor vazia no peito e um filho numa cama de hospital, se esvaindo a cada segundo.

Não era para ser assim. Ela deveria estar por aí, lutando - Deus sabia que ela merecia isso! E eu? Eu merecia a satisfação de ver tudo isso, de saber que ela estava pagando por ter destruído nossa família. Porém, ao invés disso, eu estava preso num limbo, com meu filho morrendo e sem nenhum sinal da única pessoa que poderia ajudá-lo. Odiava que esse poder estivesse nas mãos dela mais uma vez!

Liam precisava de um irmão ou irmã - um doador. E só ela poderia proporcionar isso. Minhas mãos se cerraram em punhos, pois não queria ter outro filho só para salvar um. Como eu olharia para essa criança? Como eu lhe diria que nasceu só porque...

Que merda!

Fui direto para o hospital, o cheiro familiar de antisséptico me invadindo assim que entrei, um cheiro que me deixava enjoado. Eu já havia passado tanto tempo aqui - três anos.

Ao me aproximar do corredor que levava ao quarto de Liam, já pude ouvir vozes alteradas - minha mãe e minha noiva, Eliza, estavam discutindo novamente.

"Não vou passar meus dias produtivos cuidando de uma criança em coma, Vivian! Não sou a mãe dele! Já disse isso cem vezes, se você quer que eu assuma essa posição, sabe o que dizer ao seu filho para fazer..." A voz estridente de Eliza irritava meus nervos. Deus, eu estava farto de ouvi-la falar.

Minha mãe, sempre um pilar de retidão, retrucou: "Você sabia no que estava se metendo quando ficou noiva de Alexander! A forma como você age com Liam agora é uma prova de como agirá quando..."

Meu maxilar se enrijeceu enquanto eu passava por elas, sem me preocupar em disfarçar minha irritação, mas definitivamente sem vontade de me meter na briga delas.

"Você não pode continuar ignorando isso, Alex!", Eliza gritou atrás de mim, se afastando da minha mãe ao me ver passar. "Estamos noivos há três anos! Acha mesmo que esperar que Liam melhore vai mudar alguma coisa?"

Parei por um momento e me virei para encará-la, meu maxilar se contraindo e meus olhos a perfurando.

Ela pareceu entender a mensagem, e sua postura passou de desafiadora para suplicante. "Alex, por favor..."

"Alexander, para você", rebati. Eu não me importava com o que ela achava que era para mim, mas apenas pessoas importantes para mim podiam abreviar meu nome assim. Quando ela me chamava assim, me lembrava muito da única outra mulher que ousara fazer isso e do quanto essa mulher se revelou uma falsa no final.

"Liam, você sabe que está usando ele como desculpa para evitar o casamento", falou Eliza com franqueza, parecendo ter se acalmado um pouco.

"Cuidado com suas palavras", eu disse friamente. "Como eu disse, se é assim que se sente, talvez seja hora de ir embora. Você não é obrigada a ficar."

Eu não a amava. Porra, nunca amei!

Eliza era bonita, rica por si só e disposta a fazer o papel de noiva dedicada, mas o amor não fazia parte dessa equação.

Ela zombou, se virando e cruzando os braços em busca de conforto. "Não vou a lugar nenhum, Alexander. Mas você não pode continuar evitando isso."

Não respondi - não havia sentido. Eu não estava evitando nada. Na verdade, não dava a mínima para o casamento, porque Liam era tudo o que importava.

Passei por elas sem dizer uma palavra e entrei no quarto de Liam, onde o médico estava ao lado da sua cama.

Meu filho parecia tão pequeno, tão frágil, conectado a máquinas, mal se agarrando à vida... Vê-lo assim me matava.

"Como ele está?", perguntei, embora já soubesse a resposta.

O médico suspirou, folheando o prontuário. "O estado dele está piorando, senhor Sullivan. Precisamos pensar no próximo passo. Sem um doador compatível... bem, o prognóstico não é bom."

Cerrei os punhos, tentando manter a compostura. "E a opção de doador fetal?"

"Ainda é a melhor chance que temos sem a presença da mãe dele. Ela poderia ter sido a salvação dele. Se você decidir seguir esse caminho, podemos iniciar os preparativos."

Olhei para o rosto pálido de Liam, as máquinas apitando ritmicamente, e meu peito se apertou. Eu não sabia ao certo o que sentia em trazer outra criança ao mundo nessas circunstâncias, mas se isso significasse salvar Liam, considerando que eu não conseguia encontrar a mãe dele...

Com minha decisão tomada, acenei com a cabeça. "Vamos seguir em frente."

Ao sair do quarto, minha determinação se intensificou.

"Mãe, Eliza", as chamei, com uma expressão neutra no rosto. "Vocês podem prosseguir com os preparativos do casamento. Estou pronto."

Eliza conseguiria o que queria - um casamento e um filho.

Mas e eu? Tudo isso era por Liam. Eu faria o que fosse preciso para salvar meu filho, mesmo que isso significasse me casar com uma mulher que eu não amava.

Capítulo 3

ALEXANDER

Ao ver Eliza explodindo de alegria, só senti nojo. Eu já esperava que ela fosse ficar nas nuvens, como se esse casamento fosse um sonho se realizando, mas isso não tornava a cena menos irritante. Eu não queria esse casamento, nem agora, nem nunca, mas claro que ela era cega demais para perceber isso.

Para ela, esse era o início de um grande conto de fadas, mas para mim, era um fardo e uma farsa.

Não estava me casando por amor, mas porque era o que se esperava.

Meu celular vibrou, então murmurei um "com licença" e, sem sequer olhar para as mulheres, as deixei na conversa animada que estavam tendo.

Embora quase tivessem se atacado há alguns minutos, as duas agora fingiam harmonia com uma hipocrisia que me enojava.

Era minha assistente do outro lado da linha, me lembrando da Gala Benéfica da Bola Ourada que eu tinha que ir nessa noite. Merda! Havia me esquecido completamente.

"Certo, obrigado. Estarei lá."

Voltei para as mulheres e anunciei secamente: "Espero que não tenham se esquecido de que temos a Gala Benéfica da Bola Ourada esta noite. Acho que já está na hora de irmos nos arrumar."

Sem esperar por suas reações, fui até a porta e saí para o meu carro.

Claro que Eliza gritou de empolgação, provavelmente já se imaginando anunciando para todos lá que havíamos marcado a data do casamento, e seu som estridente me acompanhou até lá fora.

A viagem para casa foi tranquila, em grande parte.

Eliza ficou grudada no celular, provavelmente encomendando outro vestido caro que não precisava.

Já minha irmã mais nova, Vanessa, continuava se maquiando no carro, parecendo sempre achar que não estava perfeita o suficiente.

Perguntei: "Animada para o baile?"

"Ah, muito! Posso até encontrar meu futuro marido esta noite. Você sabe, Alexander, esse evento é para a elite, para os privilegiados. O tipo de lugar que os pobres e ambiciosos, como Raina, nunca sonhariam em frequentar." Ela cuspiu o nome da minha ex-esposa com tanto veneno que até me assustei.

Raina...

Cerrei o maxilar, mas não disse nada, uma irritação familiar rastejando em meu peito. Por mais que eu tentasse tirá-la da minha mente, ela sempre encontrava uma maneira de voltar.

Minha família a odiava e a desprezava. Ela havia se tornado a vilã da novela da minha família, e eles adoravam me lembrar disso a cada oportunidade.

O que havia acontecido com ela? Para onde ela foi depois do divórcio? Ela estava viva? Estava sofrendo, lutando como merecia?

E aquela criança... Qual era o nome dela? Ela ainda estava doente? Ela... se parecia com a mãe?

Soltei um suspiro.

Como eu nunca havia defendido Raina na época, não havia motivo para fazer isso agora.

---

Quando chegamos em casa, Eliza me seguiu até o quarto, tagarelando sobre o quanto estava animada para esta noite. Ela não usava seu anel de noivado há semanas, um protesto silencioso contra minha frieza, mas hoje, o exibiria como um troféu, como se o diamante reluzente pudesse consertar tudo o que havia de errado entre nós.

Suspirei e a ignorei, ouvindo distraidamente. Eu só queria um pouco de paz, mas Eliza não tinha a menor noção de quando calar a boca.

Balançando a cabeça, forcei-me a afastar os pensamentos sobre meu casamento. Eu não podia deixar que isso me assombrasse esta noite, não quando eu tinha coisas mais importantes para pensar - mais precisamente, garantir a parceria com a família Graham, a elite mais influente de Nova York, e esta noite eles finalmente estariam presentes.

Durante anos, tentei entrar no círculo íntimo deles ou ganhar seu apoio para fechar um acordo que elevaria minha posição, mas toda vez que eu achava que estava perto de conseguir a atenção deles, algo sempre atrapalhava. Reuniões canceladas, desculpas esfarrapadas... mas esta noite, eu estava me sentindo diferente, quase certo de que eles me notariam.

O Projeto Vince... era meu bilhete de ouro. Não o havia sacrificado à toa, e esta noite seria o momento em que tudo valeria a pena.

Eu podia sentir isso.

~~~~~

A Gala Benéfica da Bola Ourada era tudo o que eu sabia que seria, e tudo o que as mulheres da minha vida sonhavam que seria: luxuosa, deslumbrante e repleta de personalidades da alta sociedade.

Para meu desgosto, Eliza se agarrou a mim como se eu fosse um troféu, suas unhas bem feitas cravadas no meu braço enquanto posava para fotos como se já estivéssemos na capa de uma revista de luxo.

Sua risada era alta demais, ensaiada demais, e a mídia se aglomerou, tirando fotos do casal mais glamouroso de Nova York. Cada foto que a mídia tirava a fazia sorrir ainda mais, o que me irritava.

Tudo nessa farsa me irritava, mas eu mantinha as aparências, acenando com a cabeça e sorrindo nos momentos certos.

Logo, os murmúrios começaram baixinho, mas se tornavam cada vez mais altos à medida que a expectativa da entrada da poderosa família se espalhava pela multidão.

Pude sentir meu coração disparar quando o anúncio ecoou pelo salão de que os Graham estariam presentes em questão de minutos.

Vanessa e minha mãe imediatamente ficaram ao meu lado, sussurrando com uma alegria mal contida.

"Você ouviu?", Vanessa exclamou, os olhos brilhando de entusiasmo. "A filha perdida dos Graham foi encontrada, Alexander! Ela pode até estar aqui esta noite!"

Era óbvio que era isso que a deixava animada, e não a possibilidade de conquistar um dos solteiros mais cobiçados de Nova York. Ela provavelmente percebeu que ficar de olho em Dominic era uma causa perdida.

Eu não queria ser o único a dizer que ela estava se iludindo, então fiquei feliz por ela ter caído na real e acenei com a cabeça distraidamente enquanto elas conversavam, mas mal ouvia o que diziam.

Vanessa já estava fantasiando sobre fazer amizade com ela, e eu tinha que admitir que qualquer ligação com os Graham consolidaria o status da nossa família permanentemente.

Nesse momento, os murmúrios ao nosso redor ficaram mais altos, e me virei para ver Dominic Graham, herdeiro do império, entrando no salão, a personificação do poder e controle.

No entanto, não foi ele quem fez meu coração parar, , e sim a mulher no seu braço.

A mulher com quem Dominic Graham entrou de mãos dadas...

Raina...

Não era possível...

Ela estava... diferente, mais bonita do que jamais esteve comigo, e a visão disso quase me deixou sem fôlego.

Minha ex-esposa...

A mulher que eu estava procurando, ou melhor, tentando encontrar desesperadamente há anos...

Ela não havia simplesmente desaparecido, mas reaparecido aqui, com os Graham. E não com qualquer um da família, mas com Dominic, o príncipe da alta sociedade.

Há quanto tempo ela estava com ele? O que ela estava fazendo com os Graham depois de desaparecer como um fantasma?

Ao lado de Dominic como se pertencesse a esse lugar?

As perguntas giravam na minha mente, mas nenhuma delas fazia sentido. Raina estava num lugar que não pertencia, com pessoas com quem eu só sonhava em me associar.

A raiva fervilhava, queimando lenta e constantemente no meu peito. Não era assim que as coisas deveriam acontecer!

Passei anos imaginando ela sofrendo, destruída, criando aquela criança sozinha e lutando como merecia, mas ao invés disso, lá estava ela, usando um vestido de luxo e de braços dados com o homem mais poderoso do país.

Ela estava tão linda que doía só de olhar.

E eu a odiava por isso.

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