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Um lobo em minha vida

Um lobo em minha vida

Autor:: Mel Pimentel
Gênero: Lobisomem
Marcado pela dor, cego pela vingança. Uma princesa inocente, um homem cruel, um rapto, um encontro predestinado, um amor que ligará duas almas por toda a vida. Anos atrás, Peter, sofreu a maior dor que alguém poderia sentir. Viu sua mãe ser assassinada diante de seus olhos. Ao decorrer dos anos, se viu sedento pela vingança e resolveu punir o homem que lhe fez sofrer. Seu plano estava formado, pegaria a filha do rei Marcus e faria com que ele sofresse a dor que o fez sentir. Não destruiria ele de uma vez, seria um processo lento e doloroso, começando por tirar seu bem mais precioso. A vida de uma princesa não parecia ser tão atrativa para Mellany. Enquanto as outras iam a bailes, tinham namorados escondidos e se enchiam de mimos desnecessários, ela só queria aproveitar o máximo possível que a natureza poderia lhe proporcionar. Nunca entendeu essa conexão, mas se sentia cada vez mais próxima desse tipo de ambiente. Mellany, jamais imaginou que o homem que mais ama no mundo, seu pai, poderia ter sido cruel a ponto de matar pessoas inocentes. Sua vida vira de cabeça para baixo quando o lobo que costumava frequentar seus sonhos, finalmente, atravessa a barreira do sono e a assusta no mundo real. Ele, um lobo sem controle e vivendo somente para a vingança. Ela, uma mestiça, sem conhecimento algum do mundo mágico, que está prestes a descobrir que o mundo não é o mar de rosas que está acostumada. No meio de tanto ódio, pode alguma fagulha do amor se instalar?

Capítulo 1 Uma sensação esquisita °

Desperto, mas não sinto vontade de acordar. Estou tão cansada, queria dormir mais, porém quem me balança impede isso.

- Acorda, minha querida. - Nana diz, ela é minha babá, cuida de mim desde o meu nascimento.

- Não, deixe-me dormir só mais um pouquinho. Ontem fiquei até tarde acordada, olhando as estrelas. - Digo, puxando o cobertor até tapar a cabeça.

- Ninguém mandou ser tão sonhadora. - Nana disse puxando o cobertor e dobrando. - Seu pai vai viajar hoje, você deveria se despedir, não? - Dou um pulo da cama assim que ela termina de falar. - Venha, seu banho já está pronto.

- Claro, claro. Como pude esquecer que meu pai viajaria hoje? Queria tanto ir com ele, mas, por algum motivo ele não quer deixar. - Falo tirando o pijama e indo me banhar.

Terminei de tomar banho, coloquei a roupa que Nana havia escolhido para mim e ela penteou meu cabelo. Hoje ele está especialmente vermelho, por isso falei para ela deixar solto, após muita insistência de que o correto é preso. O que não ligo muito. Felizmente, consegui ganhar a disputa.

Não quis passar nenhuma maquiagem. Tenho a pele bem clara, cabelos lisos e com as pontas cacheadas que vão até além da minha bunda, eles são vermelhos e meus olhos são verdes, mas, às vezes, ficam azuis. Ninguém entendeu muito bem a cor dos meus cabelos, pois meu pai, o rei, tinha o cabelo loiro, agora eles são brancos devido a idade e como muitos retratos de minha mãe revelam, ela se parecia comigo, só que com os cabelos lisos e pretos como a noite.

- Menina, para de correr ou vai acabar caindo. - Nana diz, me olhando feio do alto da escada.

- Tá bom, Nana. Desculpe. - Falo parando no meio da escada.

Olho para a frente novamente e reviro os olhos. Não sou mais criança, mas eles insistem em me tratar como uma. Assim que vejo meu pai parado, corro novamente e pulo em seus braços. Ignorando os gritos atrás de mim.

- Bom dia, minha bela flor. - Fala me dando um beijo no rosto. - Estou de saída, mas voltarei antes do seu aniversário de dezoito anos, trarei um belo presente para você. - Ele fala sorrindo.

- Pai, meu aniversário é daqui um mês, você vai ficar tanto tempo assim fora? - Falo, saindo do abraço e parando em sua frente.

- Provavelmente, eu volte antes, mas o que vou fazer é muito importante e precisa ser feito com calma. Agora, tenho que ir, se cuida, minha pequena. - Dá um leve beijo em minha testa e olha para Nana. - Cuide bem dela, os guardas estão todos com ordens de proteger e vigiá-la. Não deixe que saía do castelo.

Antes mesmo de poder protestar, perguntando mais uma vez se eu poderia ir, papai sai e entra na carruagem, me deixando sozinha onde estávamos. Por que tanta pressa?

Corro até o lado de fora e fico parada olhando a carruagem, até que ela some no meio do verde da floresta. Não gosto dessas viagens longas, em uma delas ele chegou a ficar quatro meses fora e meu tio que ficou no comando nesse período. Ele é bom e gentil, todos gostam dele também, mas meu pai é o melhor de todos.

Após ficar mais uns minutos parada olhando para onde a carruagem foi, decido que já é hora de tomar meu café. Subo as escadas novamente e sigo em direção a farta mesa que aguarda por mim e ao meu estômago roncador.

Mesmo que Nana esteja comigo, me sinto muito sozinha nesse castelo enorme. Eu tento, mas os empregados não conversam comigo, os guardas menos ainda e as outras princesas não me aceitam muito por não ser como elas. Tenho apenas uma amiga, mas ela está presa com os preparativos de seu aniversário.

Terei de inventar meios para não cair na tristeza durante esse tempo que meu pai vai ficar fora. Mesmo que tenha seus afazeres, ele costuma separar muito tempo para mim e gosto quando sentamos perto do rio, e ele lê para mim. É meu passatempo preferido.

(...)

Termino de tomar café e sigo para o meu quarto. Está um dia bem tedioso agora e não sei o que fazer. Não posso nem ir respirar sozinha no jardim, pois milhares de guardas estão ao meu encalço, prontos para me vigiar e proteger.

Sento na cama e fico pensando em um jeito de sair sem ser vista. Me deito, encaro o teto e tento montar planos para isso em minha mente.

- Já sei. - Levanto correndo indo em direção ao corredor. - Não tem nenhum guarda a vista, vou aproveitar essa chance. - Falo enquanto olho para todos os lados. Desço a escada devagar, tentando não ser encontrada.

Vou andando na pontinha dos pés até a sala de recepção e logo depois para o jardim. Aparecem três guardas, me escondo atrás de uma moita. Eles ficam conversando. Finalmente, eles entram no castelo, corro em direção a floresta. Foi mais fácil do que imaginei. Estranho.

Estou indo para um lugar lindo que, por acaso, encontrei enquanto andava pela floresta, mas ninguém sabe desse lugar. Bom, eu acho. Nunca tive nenhum contratempo em relação a intrusos.

É o meu refúgio, para quando preciso ficar sozinha ou não tenho o que fazer. Eu meio que me perdi na floresta e achei este lugar aqui, por incrível que pareça, foi fácil achar o caminho de volta. Foi como se esse lugar fosse feito para mim, me atraindo e sendo o conforto que às vezes necessito. A conexão que sinto com a natureza quando estou aqui é incrível.

Aproveito que o vestido largo que estou me permite fazer bastante movimento e decido subir em uma árvore, para apreciar a paisagem e descansar o longo caminho que fiz. O céu hoje está bonito, tem nuvens brancas por todos os lados, tentando sobrepor o azul límpido.

Me sento quando sinto um arrepio percorrer cada parte do meu corpo, fazendo meus pelos se arrepiarem. Olho para todos os lados, para ver se vejo alguém, pois parece que estou sendo observada, porém não encontro ninguém.

Tento ficar mais um pouco, porém a sensação de estar sendo observada parece piorar. O que me incomoda bastante, dando um nervoso que não sei explicar e me fazendo decidir ir embora. Sempre que venho aqui, tomo banho no rio, mas, hoje não vai ser possível.

Hoje o dia não está sendo nada comum como os outros. Meu pai parece mais tenso, os guardas mais empenhados e atentos, Nana mais nervosa e eu, bom, me sinto diferente. Como se meu corpo estivesse mudando, mas minhas regras já vieram, meu corpo já tomou suas curvas. É uma sensação agoniante.

Decido voltar para o castelo, pois mesmo lá sendo um tédio, me sinto segura com aqueles guardas em excesso. Acho que ninguém vai me atacar caso eu esteja dentro de casa.

Volto correndo para o castelo. Os guardas me olham sem entender, mas continuam seu trabalho. Devem pensar que eu estava próxima ao labirinto de flores. O lugar que uso para sair, é um pequeno espaço no grande muro, coberto por plantas trepadeiras. Não tem como eles acharem.

Entro no castelo, mas paro quando quase bato de frente com alguém. Nana fica me encarando com os braços cruzados, ouso dizer que está bem irritada.

- Onde a senhorita estava? - Penso em responder, mas ela volta a falar. - Procuramos você em toda parte, achamos que algo ruim tinha acontecido. - Percebo a tristeza em sua voz, me deixando mal por ter saído sem ao menos deixar uma carta.

- Nana, desculpa, e-e-eu estava no labirinto de flores, acabei pegando no sono e quando acordei, vim direto para cá. Sinto muito! - Falo abaixando minha cabeça, pois se ela me olhar e descobrir que eu saí dos arredores do castelo, vai querer saber para onde fui e também aumentará a segurança. Isso vai ser horrível para mim. Não poderei sair quando for preciso.

Ela continua falando e falando. Apenas cruzo os braços e espero que termine com seu discurso de que, futuramente, serei uma rainha e preciso me portar como tal. Faço uma leve reverência quando acaba, só para mostrar que escutei.

- Até mais. - Corro para a escada e me abrigo em meu quarto.

Depois de amanhã será um dia ótimo, vai ter um baile no Castelo vizinho, em comemoração ao aniversário da princesa Natalie, filha da Rainha Margareth e do Rei Philippe.

Natalie é minha amiga desde pequena, será seu aniversário de dezoito anos, ela é tão bonita e confiante. Sua pele é escura, seus cabelos são, completamente, cacheados, seus olhos são verdes cristalinos. Ela é totalmente diferente de mim, enquanto amo a natureza, ela fica o mais longe possível. Apesar disso, nos damos bem, compartilhamos o interesse pela leitura.

- Amanhã, finalmente, verei minha amiga. - Abro um sorriso enorme.

Papai não está aqui, mas tentarei aproveitar o baile.

Tomara que nenhum homem chegue em mim, eles costumam ficar fascinados com a cor vermelha dos meus cabelos. Dizem que eu sou exótica. Enquanto eu puder evitar um casamento arranjado, estarei bem.

Capítulo 2 Um pesadelo muito real °

"Desperto, mas a umidade que toca meu corpo, me deixa confusa. Abro os olhos e me sento, estou no meio da floresta. O que está acontecendo? Alguém me tirou do castelo? Será que foi a pessoa que estava me observando? Pensei que era coisa da minha cabeça.

A sensação volta, fico de pé e o nervosismo toma conta de mim. Olho ao redor, está escuro demais, somente a lua ilumina o pouco que consigo ver. Vejo a silhueta de um homem vindo em minha direção, não vejo suas feições ou corpo, apenas um contorno preto que se aproxima cada vez mais. Meu peito sobe e desce pelo nervoso. Reprimo um grito quando a silhueta humana vira a de um animal, um lobo. Ele é enorme, maior do que o humano era. Seus pelos são pretos como a noite, quase se perde em meio a escuridão, mas ainda vejo que está vindo por conta dos olhos azuis cintilantes.

Quando seus olhos ficam vermelhos, tento me virar e correr, mas meu corpo fica preso ao chão. O que parecem raízes de árvores começa a me prender, olho para baixo e tento arrancar. O lobo a frente se aproxima mais, tudo que posso fazer é me proteger com os braços antes que pule sobre mim para me atacar..."

Acordo assustada, em um pulo fico sentada, ainda está de noite. Olho ao redor, foi apenas um pesadelo. Um dos muitos que tenho tido ultimamente.

- Nossa, estou toda suada. - Me levanto e ando em direção ao lado de fora. - Que pesadelo horrível. - Falo abrindo a porta da varanda do meu quarto e saindo, preciso tomar um ar.

Me debruço na parede pequena de proteção, puxo o ar com força e solto lentamente. Odeio ter pesadelos, parecem tão reais. Olho para baixo e vejo uma árvore balançando. Fico de pé normalmente, tentando decifrar o contorno ao lado dela.

Arregalo os olhos quando vejo a silhueta que vi antes, o homem todo de preto e como no sonho, não consigo ver seu rosto. Mas ele está aqui, ele é real. Não, não pode ser. É apenas minha mente me pregando uma peça. Só pode. Volto a olhar, ele sumiu, mas o incomodo ainda deixa meu coração acelerado.

- Estou ficando doida. - Sussurro. - Como? Não, não... não pode ser real. - Falo andando para trás, tentando me convencer que é coisa da minha cabeça, até bater na porta de entrada do meu quarto.

Desisto de ficar sozinha com esse sentimento esquisito. Saio do meu quarto e corro para o de Nana. Chego na porta dela e começo a bater, não demora até que abra a porta e me encare assustada.

- Princesa, aconteceu alguma coisa? Você está pálida, seus olhos estão cinzas. - Nana diz me puxando para dentro do quarto. - O que houve?

- Eu tive um pesadelo. - Nesse momento começo a chorar, Nana me leva até a cama. - Foi horrível.

- Pode ficar aqui, minha querida. - Me deito em sua cama. - Agora durma, precisa descansar. Foi apenas um pesadelo, nada vai te acontecer. - Ela deposita um beijo em minha testa, me cobre e assinto.

Não durmo de imediato, fico assustada com todas as sombras que vejo, mas sou vencida pelo cansaço.

(...)

Sou acordada pelos raios de sol que entram pela janela. Me sento e me espreguiço, fico olhando uns minutos para a parede. Sem pensar em nada, somente observando.

Saio desse transe matinal, assim que Nana entra no quarto com uma bandeja em mãos. Tomo meu café da manhã e logo sou mandada para meu quarto, para me ajeitar, pois ainda preciso escolher o vestido que irei ao aniversário. Sento em minha cama, e me jogo para trás.

Acordei com uma vontade de não ir a esse baile, porém como a Natalie é minha melhor amiga, não poderei faltar. Ela vai ficar bem triste comigo e não quero isso. Tento evitar o máximo que as pessoas fiquem chateadas comigo, pois não gosto de ser motivo de suas tristezas. Como eu tive aquele pesadelo ontem e achei ter visto um homem no jardim, creio que isso seja coisa de minha cabeça. O medo esta falando.

Iria hoje para o castelo dela, ficaria até amanhã que é o aniversário, mas, falei com Nana que adiaria. Ainda sinto uma sensação estranha dentro de mim. Algo está chegando, algo vai acontecer, mas não consegui entender o que é. Essa é uma sensação totalmente nova. Estou assustada.

Infelizmente, não posso ficar deitada o dia todo. Sei disso quando Nana entra com uma expressão irritada.

- Certo. Irei me aprontar. - Levanto totalmente indisposta. - Espero que seja rápido.

Desço a escada, preciso ir até a sala principal, a costureira está me esperando. Tomei um banho rápido, me vesti o mais confortável possível e decidi que após experimentar os vestidos, irei ficar na biblioteca procurando algo interessante para ler.

- Bom dia, senhora. - Falo fazendo uma leve reverência assim que chego.

A senhora parada me olha, se levantando apressadamente para me fazer uma reverência. Seus cabelos estão em transição pro branco, ela deve ter uma certa idade já. Tem tantos baús no ambiente que fico até assustada.

- Bom dia, princesa. Não precisava ter me feito reverência, eu sim que deveria fazer. - Diz, fazendo outra reverência.

- Não se preocupe, não acho certo só nós podermos receber a reverência, tenho ela como um ato de respeito. Então, não se preocupe. Tem mais idade e experiência que eu, deve ser respeitada isso. - Sou sincera, isso faz com que sua bochecha fique avermelhada. - Tem muitos vestidos? - Mudo de assunto.

Vestidos são minha paixão, desde pequena sou encantada pelos mais diversos modelos. Gosto dos largos, dos apertados em cima e cheio embaixo. Gosto dos curtos também, mas Nana diz que não posso usar, é coisa de mulher de vida fácil.

Não acho certo, mas, não posso opinar. Mesmo sabendo que eles me deixam mais livre para nadar ou subir em árvores, assim como gosto. Se minha babá soubesse que costumo retirar toda essa roupa pesada para nadar, às vezes até tiro tudo, certamente, enlouqueceria.

- Tenho todos os modelos e cores que possa imaginar, princesa. - Abro um sorriso enorme, isso me faz esquecer o pressentimento que estou.

Nana se aproxima de onde estamos e fala para irmos para meu quarto, pois lá teríamos privacidade. Concordo, já que os guardas estão até aqui dentro do castelo. Tenho certeza que o que vi ontem foi devido ao pesadelo, como alguém entrou aqui e não foi visto pelos guardas? É impossível. Isso é algo que minha imaginação aflorada criaria.

Capítulo 3 Capturada °

A hora do baile se aproxima, termino de me arrumar, dessa vez meu cabelo está preso em um coque muito bonito com uma tiara ornamentada. Não quero esse cabelo todo me atrapalhando na hora da festa. Dispensei a maquiagem, só o vestido e meu cabelo bem vermelho chamam a atenção. O vestido é marfim, tem o corpete bem apertado com pontos brilhantes e a parte debaixo aberta em camadas. Foi amor à primeira vista.

Sigo em direção a carruagem que me levará, Nana vai comigo como acompanhante. Ela também está linda em seu vestido de baile. Assim que entramos, o cocheiro já se põe a conduzir nosso transporte.

O reino vizinho não é tão longe, mas demora um pouco até chegar. Escuto o galopar de mais cavalos que o normal, abro uma fresta na janela e vejo o tanto de guardas em cavalos ao nosso redor.

- Por que tantos guardas? - Volto a me sentar direito, para olhar Nana.

- Precaução. O caminho entre os reinos tende a ser muito perigoso ao entardecer. - Responde, mas sinto que não é só isso. Não irei insistir.

- Ah, entendi. Proteção nunca é demais.

- Sim, e precisamos de toda ela nos próximos dias. - Diz, encostando e fechando os olhos. O que eles sabem, mas não querem me contar?

A viagem foi tranquila, nenhum contratempo pelo caminho. Assim que saio da carruagem, sigo em direção a porta de entrada. Quando entro, percebo que a decoração aqui dentro é mais bonita ainda, digno do aniversário de uma princesa.

Olho ao redor, por ser mais cedo que o normal, ainda não tem tantos convidados presentes. Avisto minha amiga e corro em direção a ela, abraçando assim que chego mais perto.

- Uau, você está tão linda! - Diz, retribuindo o abraço.

- Aah, você que está. - Me separo e a avalio. - Esse vestido vermelho ficou tão lindo em você. - Sou sincera. - Aliás, tudo aqui está magnífico. - Comento olhando a ornamentação ao redor. - Já ia me esquecendo, feliz aniversário, princesa. - Abraço seu corpo com força. - Trouxe algo para você. Espero que goste. - Tiro o pequeno pedaço de pano que cobria o presente e estendo para ela.

- Nossa, é tão lindo. - Diz, observando de perto a pequena escultura de madeira que fiz para ela. - Eu amo dragões. - Seu sorriso é enorme.

Mesmo que eu não acredite muito no mundo mágico, minha amiga é fascinada. Dragões são a sua paixão, por isso decidi esculpir um para ela. De acordo com seu livro favorito.

- Eu amei. - Se joga em mim novamente, para me abraçar. - É o melhor presente que já recebi em toda minha vida. - Me solta e volta a olhar pro objeto.

- Não exagere. - Desvio o olhar pro lado envergonhada. - É tão simples.

- É minimalista e tão real. Preciso mostrar a minha mãe. - Diz animada. - Vamos? - Me olha com expectativa.

- Irei tomar um ar, estou me sentindo sufocada.

- Conte-me uma novidade. - Revira os olhos. - Não some, tenho de mostrar o filho de um amigo do meu pai, ele é lindo.

- Pode deixar. - Ela hesita por um momento, mas, a empolgação faz com que corra em direção aos seus pais.

Nana está de longe me olhando, faço careta por isso. Minha fuga para o jardim vai ser adiada. O que disse a Natalie é verdade, mas ela está acostumada a isso. Às vezes, preciso sair e respirar um pouco perto da natureza, sinto falta quando fico meio a um local tão coberto e fechado assim. Ultimamente isso tem piorado, mas não sei o motivo.

- Aceita uma dança, senhorita? - Olho para trás e vejo um menino que desconheço, mas, ele vai me ajudar a conseguir o que quero, que é fugir.

- Claro. - Seguro em sua mão, e seguimos em direção ao centro do salão. Olho para Nana, ela abre um sorriso bem satisfeito.

Irei me distrair por algum tempo, assim que ela pensar que estou apreciando o baile, irei me esgueirar pelos cantos até o lado de fora. Não é algo incomum, sempre faço isso, não vai ter tanto problema assim.

(...)

Acabei me distraindo tanto com as músicas alegres, e com as pessoas dançando ao meu redor, que acabei esquecendo que queria ir para fora. No momento, estou perto da mesa com as bebidas, olhando para os que ficaram dançando.

Natalie está se divertindo bastante, vê-la assim me deixa feliz. Levo a taça até a boca, mas não bebo, pois sinto um aperto bem forte no peito. Levo a mão ao local e aperto, mas a sensação não passa. Sinto que estou prestes a sufocar, devo estar assim por não ter saído antes.

Deixo o copo na mesa, olho para os lados e ando em direção à saída. A animação está tanta que, nenhum dos convidados alegres pelas bebidas reparam em mim. Nana está conversando com a mãe de Natalie, isso me deixa passar despercebida.

O jardim está, estranhamente, deserto quando me aproximo dele. Nenhum guarda a vista, isso é um pouco estranho. Acabo me distraindo com o brilho da lua, ela está tão linda e exuberante, que ilumina bem onde estou.

Fecho os olhos, puxo o ar com força e solto lentamente. A noite está cheirosa, um cheiro doce e agradável, isso faz meu corpo se sentir confortável. Nem o vestido apertado em excesso ao redor de meu busto e cintura está me incomodando.

Me deixo ser guiada pelo cheiro, torcendo para não tropeçar e cair. Paro quando sinto que estou prestes a bater em algo. Vejo que estou próxima a entrada do labirinto que tem no grande jardim. São cinco quadrados, que tem o maior e depois vai diminuindo, porém, tem uma saída em cada um deles. Olhar para ele de uma das janelas do andar de cima, nos faz ver o quão bonito e bem pensado eles são.

Meu corpo fica tenso no mesmo instante em que me arrepio toda, viro para olhar para trás, mas fico em choque quando vejo. A mesma silhueta que me deixou com medo durante esses dias, está um pouco distante de mim. Não tenho escapatória, apenas o labirinto atrás de mim.

O homem vem em minha direção, tudo que faço é correr para dentro do que pode me salvar. Penso em gritar, mas posso ficar em silêncio e me esconder. Conheço esse labirinto muito melhor que quem me persegue. Pelo menos eu acho. Meu desespero é tanto, que minha corrida para fugir fez meu cabelo soltar e atrapalhar um pouco minha visão.

- Não. - Grito quando sinto a tiara escorregar pela minha cabeça e ir de encontro ao chão. Paro de correr, me viro e olho para o chão disposta a encontrar. Meus olhos se manifestam, estou chorando e não é pelo medo, é por ser uma das únicas coisas que tenho, era de minha mãe.

- Por favor, por favor. - Me ajoelho no chão e começo a tocar, procurando em meio a pouca luz que as paredes estreitas proporcionam.

Minha mão congela quando sinto a bota de couro de alguém. Não ouso me mexer, estou paralisada pelo medo. Continuo com os joelhos e mãos no chão, e com a cabeça baixa. Fecho os olhos com força, sabendo que não escaparei.

- Olá, princesa. - Seu tom me causa calafrios. - Não tem noção do quanto esperei por esse momento.

Por que não consigo me mexer? Preciso fugir, me salvar, mas não estou conseguindo reagir. Esse deve ter sido o motivo de meu pressentimento, mesmo tentando adiar meu sofrimento, lá no fundo sabia que não era apenas minha imaginação.

- Nós iremos nos divertir muito agora que te peguei. - Sussurra perto do meu ouvido.

Consigo me jogar para trás, e virar para me levantar. Em um ato de coragem, ou loucura. Pelo barulho, o homem parece ter se assustado e recuado. Me atrapalho, mas consigo ficar de pé e correr, mas não dura muito, pois logo sinto uma mão forte me segurar. Um pano úmido é colocado em meu nariz e sem demoras, meu corpo fica mole nas mãos do homem.

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