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Um presente de Las Vegas

Um presente de Las Vegas

Autor:: Nikka Fuza
Gênero: Romance
Samantha Hurst, uma showgirl de Las Vegas, não esperava que aos vinte e cinco anos teria sua vida transformada ao conhecer Theon Adamos em uma despedida de solteiro. Theon, de uma grande e barulhenta família grega, não poderia imaginar que uma ligação pudesse alterar completamente o rumo de sua vida. Um único fim de semana divertido e espontâneo pode trazer consequências definitivas. O que acontece em Vegas, será que permanece mesmo em Vegas? Às vezes a vida é mesmo uma vadia!

Capítulo 1 Nem sempre um positivo é uma boa notícia

Samantha

- Sam, você está aí? - Charlie bateu na porta do banheiro do apartamento que dividíamos.

Meu único desejo, era fingir que não existia até que aquilo se tornasse real. Eu me afundei um pouco mais na banheira vazia, buscando alguma proteção contra a realidade.

- Sam, Você sabe que se a gente se atrasar teremos que aguentar a Elle pegando no nosso pé! - sua batida se tornou insistente - vamos, serão apenas dois shows hoje.

- A porta está aberta - Eu murmurei, abrindo a terceira barra de chocolate que provavelmente me transformaria em uma porca.

Bem, eu ficaria do tamanho de uma mais cedo ou mais tarde de qualquer maneira.

Charlie abriu a porta, arregalando os olhos ao me encontrar deitada na banheira vazia, cercada de embalagens das mais diversas guloseimas que meu pagamento pelo show da noite anterior havia sido capaz de comprar.

- Mas que porra é essa?

Ela se aproximou com cuidado da banheira, enquanto eu mordiscava sem vontade a barra de chocolate. Minha amiga se abaixou, pegando do chão o motivo do meu desespero nas últimas horas.

Quatro testes de gravidez, todos com resultado positivo.

- Minha vida acabou - Eu funguei.

- Sam, eu... Isso é sério? - ela balbuciou, parecendo abobada.

Eu confirmei com a cabeça sem me preocupar em olhá-la.

- Mas...

- Eu fiz o exame de sangue, o resultado sai ainda hoje, mas eu não aguentei esperar - Expliquei, me ajeitando no pouco espaço que eu tinha.

- Quem é o pai? Já faz algum tempo que você terminou com o Jack.

Suspirei ao pensar em meu ex namorado. Seria bem mais fácil se fosse ele, eu o conhecia, nós tivemos um relacionamento que durou mais de um ano. Mas não, eu tinha que dificultar um pouco as coisas.

- Não é do Jack. Você não o conhece.

Ela pareceu confusa com a resposta. Eu sempre fiz questão de apresentar todos os meus envolvimentos românticos para Charlie, com exceção de Theon.

Ela sabia que eu tinha me envolvido com alguém algumas semanas atrás e que era algo passageiro, já que ele estava apenas na cidade a passeio. A única que realmente o conheceu foi Elle, e foi incrível aproveitar sua companhia.

Eu só não esperava que um descuido tão bobo como o que tivemos, resultaria em algo assim.

- Sam, de quem estamos falando? - ela se sentou ao meu lado, pegando um pacote de jujubas que estava em cima da minha barriga.

- Aquele cara que conheci no bar no dia que saímos juntas - eu expliquei.

- Acho que entendo o motivo de tantos doces.

- Se dependesse de mim, eu estaria rodeada de tequila, mas aparentemente eu não posso mais.

Passamos alguns segundos ali em silêncio, apenas absorvendo a novidade, mas, cedo demais, Charlie o quebrou.

- Sei que você está surtando, mas precisamos ir.

Apesar de me sentir relutante, eu me forcei a tomar um banho e me vestir para o trabalho. Eu precisava trabalhar, pelo menos enquanto ainda consigo dançar sem ter uma barriga enorme me atrapalhando.

Charlie e eu pegamos um táxi até o hotel onde seria nossa primeira apresentação. Depois nós iríamos a um restaurante árabe, onde aparentemente não se importavam com a etnia de suas dançarinas contando que soubessem dança do ventre e se vestissem em trajes apropriados.

Eu estava no camarim separando as roupas que usaria na apresentação quando Charlie entrou, se sentando em um sofá já vestida para a apresentação, aproveitando que havíamos sido as primeiras a chegar.

- Você está de quanto tempo? - ela perguntou.

- Eu não sei - suspirei me sentando ao seu lado - faz algumas semanas que o Theo foi embora, então não pode ser mais que isso. Mas acho que preciso ir a um médico ou algo assim. Eu sabia que tinha algo errado, mas não queria ceder.

- Eu percebi que você estava estranha, mas pensei que você tinha pego a gripe da Milly - ela me observou.

- Eu não fico doente - funguei - mas considerei a gripe também, apesar de estar com a menstruação atrasada há alguns dias.

- Negação?

- Pode ser - admiti - eu senti cólica, então pensava que era apenas isso, um atraso.

- Mas não era.

Balancei a cabeça, me deitando em seu colo. Eu me sentia solitária, era no mínimo irônico pensar nisso, já que tecnicamente, eu estaria sempre acompanhada de agora em diante.

- O que você pretende fazer? - ela perguntou.

- Bem, eu vou tentar dançar a noite toda sem vomitar em ninguém, e depois comer o resto dos meus doces.

- Sam... - ela suspirou.

- E quem sabe ligar para o Theon e falar "Oi, se lembra de mim? Então... espero que você goste de crianças, porque vamos ter um filho" - Eu me encolhi em seu colo - Terei sorte se ele não desaparecer.

- Ele não vai desaparecer - ela garantiu mexendo em meu cabelo - e se ele fizer isso, nós daremos um jeito, você sempre pode pedir pro seu pai caçar ele e fazer ele pagar a pensão.

- Se eu pedir para meu pai caçá-lo, ele vai levar a sério, sabe que caçar é seu passatempo favorito. A última coisa que eu vou receber será a pensão - eu ironizei, sentindo um novo terror crescer em mim.

Como eu contaria aquilo para os meus pais? Eu teria que contar para eles em algum momento!

- Sam, você está chorando!? Por quê? - Charlie arregalou os olhos enquanto eu me levantava de seu colo, tentando enxugar as lágrimas teimosas que insistiam em aparecer.

- Eu não sei, posso culpar os hormônios? - eu forcei um sorriso, tentando mudar de assunto ao ouvir vozes se aproximando da porta - não conte a elas, por favor.

Eu não queria mais falar sobre o quão aterrorizada eu estava com aquela situação. Queria apenas tentar manter uma rotina normal. Ela me envolveu em um abraço desajeitado tentando me confortar, mas aquilo parecia impossível para mim naquele momento.

Um bebê!

- Vamos, você precisa de maquiagem - Charlie declarou, me levando até o espelho - vamos te deixar apresentável.

Ela trabalhou em mim enquanto as garotas estavam animadas ao meu redor, sem se dar conta do caos que invadiu meu interior.

A primeira parte da noite ocorreu sem incidentes. As rotinas eram simples e a atração principal era um cover de Elvis que estava se apresentando. Devido ao cronograma apertado, não tive tempo para checar o resultado do exame, apesar de já saber qual seria. Quando chegamos ao restaurante, não existia nenhum lugar apropriado para que nos arrumássemos para a apresentação, então nos revezamos no escritório do gerente.

Eu fui a última a me arrumar, me sentando na cadeira, apanhando o celular para confirmar o resultado do exame.

É isso... Eu vou ter um bebê, filho de um cara que eu nem conheço direito!

O que eu sei sobre ele? Ele é grego, mora no Colorado, e o primo dele vai se casar. Na verdade, já deve ter se casado. Já faz um mês desde que Theon partiu.

- Aquela droga de despedida - eu praguejei, jogando o celular em cima da mesa e escondendo o rosto em ambas as mãos.

Uma batida na porta fez com que eu erguesse o rosto a tempo de ver Elle entrando com um olhar preocupado no rosto.

- Desculpe a demora Elle, eu já vou...

- Sam, você está bem? - ela se aproximou.

Eu estava bem? Eu acabei de ter certeza de que me meti na maior enrascada da minha vida.

- Claro - eu menti, forçando um sorriso - algum problema?

- O dono do restaurante te viu mais cedo e bem, ele tem alguns planos especiais pra você - ela comentou me avaliando - você não tem que aceitar.

- Quais planos? - eu franzi o cenho.

- Qual é a sua experiência com cobras? - ela fez uma careta.

Eu pisquei atordoada diante daquela frase.

Cobras? Por que eu teria experiência com cobras?

- Você está falando de que tipo de cobra?

- Que é nojenta e rasteja por aí.

Aquela informação fez meu estômago revirar, me obrigando a correr para o banheiro. Elle me acompanhou de perto, segurando meus cabelos na tentativa de me confortar.

- Eu sinto muito, você não tem que chegar perto de nenhuma cobra - ela garantiu ao ouvir um pequeno soluço incontido meu.

- Não é esse o problema - eu garanti, secando as lágrimas que tinham escapado.

Eu vou conseguir parar de chorar em algum momento?

- Então você vai dançar com a cobra no pescoço? - ela franziu o cenho.

- De jeito nenhum! - ergui a voz me levantando e indo até à pia.

- Sam, você está estranha desde que nos encontramos - ela suspirou, parando ao meu lado e me olhando de maneira desconfiada.

Eu desviei o olhar, sem saber ao certo o que dizer a seguir.

- Sam...

- Eu estou grávida - soltei de uma vez.

- Como é? - ela devolveu quase imediatamente, me encarando boquiaberta.

Um silêncio desconfortável recaiu sobre nós duas, eu não queria que essa história se espalhasse tão rápido, mas acho que não seria tão fácil esconder.

- Quem é o pai? - ela se aproximou gentilmente.

- Theon - desviei o olhar sem ter coragem de encará-la - sabe, o cara grego.

- Mas que merda, Sam! - ela praguejou.

Parece que ela também acha que eu consegui piorar uma situação que já era péssima.

- O que eu faço? - eu implorei por uma solução mágica.

- O quê? Não sei, Sam. Você vai levar a gravidez adiante? - ela foi direto ao ponto.

- Sim, eu não poderia fazer outra coisa - eu funguei.

Apesar do pavor que a situação criava em mim, em momento nenhum eu pensei em abortar aquele bebê.

- Então você precisa falar com ele. Vocês têm algum contato?

- Tenho o número dele, mas o que eu vou dizer? Eu não posso ligar para alguém de uma hora para outra e contar que vamos ter um filho!

- E você tem outra opção, Samantha? - ela revirou os olhos.

- Não, mas...

- Olha, é melhor você tirar o resto da noite de folga. Eu acho que a May vai aceitar a questão da cobra, e não será bom se você vomitar em algum cliente - ela suspirou - depois nós podemos ver juntas o que você precisa.

- Eu ainda vou poder dançar? - eu sequei os olhos.

- Eu não sei, eu nunca estive nessa situação - ela admitiu - acho que até você passar com um médico é melhor dar um tempo.

- É tanta coisa.

- Eu sei, mas você vai ter que resolver - ela me cortou - vá pra casa e tente dormir um pouco, nós podemos conversar depois.

Eu pensei no que ela falou e fazia sentido. Eu poderia cair, vomitar, desmaiar, qualquer coisa. Fora que em breve eu não ficaria nem um pouco atraente para usar qualquer roupa que me dessem, mas o que eu poderia fazer? Um bebê precisa de dinheiro!

E ainda tinha a questão do Theon, eu precisava avisar ele. Mas como?

Eu estou muito ferrada!

Capítulo 2 A primeira consulta

Samantha Hurst

- Você está ansiosa? - Elle perguntou sentada ao meu lado na sala de espera da clínica.

- É claro que ela está ansiosa, não sei como conseguiu esperar uma semana por essa consulta - Charlie revirou os olhos - eu já teria batido na porta de todos os médicos disponíveis de Vegas até que alguém me atendesse!

Não pude evitar rir diante de seu entusiasmo. Eu me sentia nervosa pelo que me aguardava atrás da porta fechada do consultório, mas não queria demonstrar isso. Eu podia lidar com um pouco de ansiedade.

- Na verdade, eu passei a última semana me acostumando com a ideia - dei de ombros - acho que eu precisava desse tempo.

- E como está sendo? - Elle se interessou.

Eu me movi desconfortável na poltrona, pensando em minha resposta.

- Bem, eu tenho que me adaptar. No começo eu estava perdida e sem saber o que fazer - eu admiti - mas agora, sei que tenho que continuar, apenas não sei como contar para Theon.

- Ainda não ligou pra ele? - Charlie me observou.

- Achei melhor esperar pela consulta - dei de ombros.

- Srtª Hurst, a Drª está pronta para você - a recepcionista me avisou.

Nós três nos levantamos e entramos no consultório, para surpresa da médica, ela nos cumprimentou sem saber ao certo como reagir.

- Srtª Hurst? - ela alternou o olhar entre nós três.

- Sou eu - estendi a mão - eu sei que isso deve ser incomum, mas é que nós estamos em uma situação especial, e...

Uma expressão de compreensão passou por seu rosto, e ela assumiu o tom mais natural possível, estendendo a mão para minhas amigas, sorrindo de maneira cordial.

- Ohh sim, entendo. Vocês são companheiras da Srtª Hurst? Eu sou a Drª Miller.

Eu arregalei os olhos diante de sua conclusão, fazendo Elle gargalhar.

- Ohh não, não é esse tipo de situação especial - ela garantiu - nós não estamos envolvidas romanticamente.

- Não, não - eu garanti - elas são minhas amigas, estão aqui para me apoiar, isso tudo é novidade pra mim e o pai do bebe foi embora há algumas semanas.

- Ahh sim - seu sorriso se tornou compreensivo - sentem-se, por favor. Srtª Hurst, eu compreendo que esse pode ser um momento delicado e assustador, mas te garanto que você será capaz de lidar com isso, e eu estou aqui para tirar qualquer dúvida que você possa ter.

- Obrigada - retribui seu sorriso sem muito entusiasmo.

Por mais que ela afirme que me compreende, eu duvido que ela saiba o que está se passando dentro de mim nesse momento. Na parte emocional, quero dizer, suponho que ela deve saber das outras partes.

Eu entreguei meus exames para a médica e aguardei enquanto ela avaliava tudo com atenção.

- Bom, eu vou te examinar, pedir mais alguns exames e nós podemos conversar depois, tudo bem? - ela sorriu me encorajando.

Eu tentei manter a naturalidade enquanto era examinada, apesar de odiar cada segundo daqueles exames, a médica por si só tentou amenizar o desconforto de todas as formas.

- Então, você está tendo muito enjoo matinal, Sam? - ela perguntou com um sorriso.

- Ela enjoa à noite, isso é normal? - Charlie respondeu por mim, enquanto a médica preparava o aparelho de ultrassom.

Ela riu enquanto me colocava na posição adequada para fazer o exame.

O que isso quer dizer? É normal ou não é?

- Os enjoos são resultado do aumento de hormônios, a grande maioria das mulheres os sente pela manhã, mas não existe nenhum problema em sentir a noite - ela garantiu - estão prontas para conhecer o bebê?

- Por favor! - Elle sorriu se colocando ao meu lado, as duas olhavam com ansiedade para o aparelho enquanto eu não sabia ao certo o que esperar.

Algumas manchas surgiram na tela, até que tudo entrou em foco e uma pequena figura surgiu em meio a um espaço vazio. O pequeno ser se movia freneticamente, me fascinando.

Sim, essa era a palavra. Eu não me sentia emocionada nem nada do tipo, eu me sentia fascinada por ele, não conseguia desviar o olhar um segundo sequer.

- Esse aqui é o feto. Olha como ele se move. Ele mede um centímetro e meio.

Quando pensei que não poderia melhorar, um som abafado encheu o ambiente, fazendo com que eu olhasse assustada para a doutora.

- O que é isso?

- É o coração dele - ela explicou sorrindo.

As garotas ao meu lado vibravam enquanto eu piscava atordoada, voltando a encarar a tela.

- Mas ele não tem nem dois centímetros, como pode ter coração!? - eu soltei, fazendo a doutora rir.

- O coração é a primeira coisa que se desenvolve - ela explicou.

- Sam, isso é incrível - Charlie segurou minha mão.

Elle dizia alguma coisa, também me apoiando, mas no fim, eu conseguia apenas me concentrar na imagem. Aquilo era aterrorizante e incrível. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, mas de certa forma, eu me sentia bem.

E eu sabia que nós ficaríamos bem.

Capítulo 3 Uma ligação pode mudar sua vida

Theon

Eu saí do restaurante de minha irmã observando o sol que se punha atrás dos picos que em breve estariam cobertos de neve que cercavam Aspen. Minha família e eu nos estabelecemos na cidade há doze anos quando viemos da Grécia a convite da tia de meu pai Nia Evangelous, que era dona de um Resort e estação de Esqui nos arredores de Aspen. Desde então, meus pais vinham abrindo uma rede de comércios ali.

Eu gerenciava as lojas de esporte na neve, enquanto Callie gerenciava o restaurante com minha mãe. Lara voltara de Portland há alguns meses quando se formou na universidade, e para nossa surpresa, ela estava com uma filha em seus braços.

Aquilo fora um grande choque para todos, principalmente por não sabermos nada a respeito do pai da criança. De qualquer maneira, nós fizemos o possível para apoiá-la na criação daquela criança, nunca a deixaríamos sozinha. Eu nem imagino o que faria se estivesse na mesma situação que ela.

E Evangeline, que estava prestes a se formar, retornava regularmente para nos visitar, e quase sempre, trazia alguns amigos para aproveitar tudo o que Aspen tinha para oferecer aos turistas.

Apertei um pouco ao meu redor o sobretudo que usava. Estávamos na segunda semana de setembro e a temperatura começava a cair, principalmente no fim da tarde, quando o vento baixava ainda mais a sensação térmica. Eu adorava a vida que eu levava ali, e há algumas semanas melhorara ainda mais.

- Querido, me espera - Harper me chamou, saindo do restaurante em seguida, segurando meu braço, me fazendo sorrir.

- Você estava tão animada conversando com minha irmã que pensei que você preferiria ficar - expliquei, passando o braço ao seu redor.

Harper e eu tínhamos começado um relacionamento após o casamento de meu primo Gregor na metade de agosto. Nós dois éramos velhos amigos e eu sempre soube dos sentimentos dela por mim, mas me sentia um pouco relutante em começar algo que poderia estragar a amizade que cultivamos todos esses anos. Contudo, eu estava errado, estávamos juntos há quase um mês e eu não poderia estar mais feliz.

É de se esperar que o começo seja assim, pelo menos.

- Eu estava combinando algo com ela para o fim de semana. Estamos pensando em descer pra Denver para fazer algumas compras - ela sorriu, se aconchegando a mim.

- Vão amanhã ou no domingo? - questionei, a guiando pela rua, indo na direção da minha casa.

- Amanhã, e vamos sair bem cedo - ela se desvencilhou de mim ao chegar na esquina que levaria ao seu apartamento - então dormirei em minha cama hoje, meu bem.

Eu franzi o cenho com aquela resposta, eu tinha alguns planos para a noite e minha irmã estragou tudo, mas eu já tinha sido avisado para não me intrometer na amizade das duas, então decidi não protestar.

Harper foi a primeira amiga da minha irmã mais velha quando chegamos à cidade. As duas tinham a mesma idade e logo se identificaram. O fato de minha irmã namorar o primo de Harper, Adam Goodwill, as aproximou ainda mais.

Quando contei para Callie sobre Harper e eu, a primeira coisa que ela fez, foi me avisar que se eu magoasse a amiga dela, ela cuidaria pessoalmente de me deixar estéril. Não que ela precisasse se preocupar com isso, eu nunca pensaria em desrespeitar ou enganar minha namorada tendo crescido em meio a tantas mulheres. De fato, eu não era dado a loucuras nessa área, sendo minha aventura em Vegas com Samantha minha maior e única exceção.

- Vamos, eu vou te deixar em casa - eu a puxei de volta para meus braços acenando para a velha Senhora Peterson que estava saindo da mercearia.

Nós caminhamos até a portaria de seu apartamento, quando meu celular começou a tocar. Eu me desvencilhei dela, alcançando o aparelho no bolso da calça. Franzi o cenho ao ver a foto de Samantha estampada na tela. Não tivemos nenhum contato desde que voltei para o Colorado, e apesar de ter garantido que entraria em contato caso retornasse à Vegas, eu não entendia o motivo daquela chamada.

- Quem é? - Harper perguntou despreocupada, procurando a chave dentro da bolsa.

- Ninguém - eu rejeitei a chamada, antes de colocar o celular no modo silencioso.

De qualquer forma, eu não poderia atender na presença de Harper. Se Samantha voltasse a me ligar, eu explicaria a minha nova situação e pediria que ela não voltasse a telefonar.

- O que foi? O Gasparzinho está te ligando? - ela zombou antes de se esticar e beijar meu rosto.

- Mais ou menos isso - ofereci um sorriso sem graça - mas não é nada importante.

- Eu te vejo amanhã à noite? - ela aceitou aquela resposta sem questionar, para meu alívio.

- Claro - meu sorriso se alargou um pouco, apesar de notar que ela não me convidou para entrar.

Nós nos despedimos e eu caminhei sozinho, observando o céu alaranjado pelo pôr do sol. O vento bagunçou meus cabelos enquanto eu observava o céu.

Peguei meu celular para conferir o horário, mas encontrei três chamadas perdidas de Samantha ali.

Eu notei Adam e Gregor vindo ao meu encontro pela rua quase deserta e decidi terminar de vez com aquilo. Estava prestes a retornar a ligação de Samantha quando meu celular voltou a tocar.

Será que ela está no Colorado? Por qual razão ela me ligaria após tanto tempo?

- Adamos.

- Theon, Oi! - Sua voz soou ansiosa - Sou eu, Samantha. Não sei se você se lembra de mim, nós nos conhecemos...

- Em Las Vegas, sim, é claro que eu me lembro de você, Samantha. Como você está? - eu a interrompi, cumprimentando com um aceno de cabeça os dois rapazes que pararam ao meu lado.

- Eu estou... bem... - ela falou depressa - não... não estou, estou... eu não sei!

Ela soltou uma gargalhada nervosa, aumentando minha confusão.

O que está acontecendo com essa mulher!?

- Você está ou não está bem?

- E você, como você está, Apolo? - ela ignorou minha pergunta.

- Eu estou bem - eu respondi, sem saber como continuar aquela conversa.

Samantha e eu nos demos muito bem durante os dias que ficamos juntos. Ela era bonita, sexy, divertida e muito quente. Tão quente que quase não tivemos tempo para conversar durante aquela semana. A coisa mais pessoal que eu sabia sobre ela era seu sobrenome!

O silêncio prevaleceu do outro lado da linha, fazendo eu me perguntar se ela teria desligado na minha cara.

- Desculpe, eu não deveria ter ligado - ela gemeu, antes de encerrar a chamada sem me dar a chance de me despedir.

- Quem era? - Adam perguntou enquanto eu encarava o aparelho confuso.

Ligação esquisita!

- Samantha.

- A dançarina que te roubou dos amigos? - Adam zombou.

- Ela não me roubou de ninguém - eu murmurei, retomando meu caminho, sendo prontamente acompanhado pelos dois.

- Eu discordo. Era minha despedida de solteiro, você deveria estar conosco o tempo todo, e nós mal te vimos depois da primeira noite - Gregor gracejou - eu só te perdoei porque ela era muito gostosa!

- Você não deveria ligar para ela. Callie te mataria se soubesse - Adam zombou.

- Não fui eu quem ligou, foi ela. E Callie não tem que saber de nada, porque eu não tenho interesse em ninguém além de Harper.

Foi quando meu telefone voltou a tocar.

- Alguém está com saudades - Gregor cantarolou ao meu lado - Você deixou uma boa impressão, primo.

Eu revirei os olhos, o ignorando ao atender a chamada.

- Desculpa eu ter desligado, eu preciso falar com você - Samantha soltou antes mesmo que eu falasse qualquer coisa.

- Você pode falar - comecei, pensando em lhe avisar de uma vez que eu estava em um novo relacionamento, mas acabei reconsiderando.

Talvez ela só estivesse com algum problema.

- Theon, eu estou evitando essa ligação nos últimos quinze dias e isso tem sido um inferno pra mim - tive a impressão de ouvi-la fungar.

- Você está chorando?

- Me desculpa, eu só não sei como começar e... eu sinto muito - todas minhas dúvidas se foram, ela estava mesmo chorando.

Eu parei de caminhar, me preocupando com ela. Samantha tinha algum problema sério e se pensa que posso ajudá-la de alguma forma, eu devo ouvir seu pedido.

- Samantha, o que aconteceu? - eu tentei transmitir alguma tranquilidade para a garota.

- Você pode vir para Vegas neste fim de semana? - ela implorou.

- Samantha... - eu suspirei.

- Por favor.

- Eu não posso.

Não importa o problema que ela pensa que tem. Eu não posso me envolver dessa forma.

- Theon, eu realmente preciso te contar algo, e seria melhor se você viesse - ela insistiu.

- Se você quer me contar algo, é melhor falar por aqui mesmo - respirei fundo - Eu não pretendo voltar a Vegas tão cedo.

- Estou grávida - ela soltou de uma vez, me deixando sem fala.

Eu pisquei atordoado enquanto minha mente processava o que ela tinha acabado de dizer, sem conseguir encontrar voz para formular uma resposta coerente.

- O quê? - foi o máximo que saiu enquanto meu ritmo cardíaco acelerava.

- Sei que isso é repentino e você mal me conhece - ela continuou - mas eu te garanto que você foi a única pessoa com quem eu estive nos últimos meses.

- Você está brincando comigo. Essa é a sua ideia de pegadinha? - eu forcei um sorriso.

Era isso, tinha que ser uma brincadeira!

Uma brincadeira de péssimo gosto!

- Não estou - sua voz falhou um pouco - olha eu te mando as fotos dos exames e... Se você tiver qualquer dúvida que é seu, eu não me importo de fazer um exame de DNA, eu só não quero ter que lidar com isso sozinha!

Eu senti uma tontura me acometer enquanto eu ouvia suas palavras, desabei em um banco que tinha na beira da calçada, fazendo com que Adam e Gregor, de quem eu tinha até esquecido a presença, me olhassem preocupados.

Minha mente vagou para nosso último encontro, naquele clube. Eu nem sequer tinha me lembrado do preservativo naquele momento.

- Eu sei que você deve estar pirando, porque eu estou. E não sei o que fazer - o desespero voltou a tomar conta de sua voz.

- Ok, olha... Fica calma - eu consegui formular - eu vou... eu vou digerir isso e volto a te ligar, tudo bem?

- Você está bem? - ela perguntou apreensiva.

- Eu apenas preciso de um tempo, eu falo com você em breve - eu insisti, torcendo para ela aceitar aquela resposta, enquanto fazia mentalmente as contas de quanto tempo havia passado desde a despedida de solteiro.

- Está bem, só não suma, por favor - sua voz soou desolada.

Sumir? O que ela pensa? Que eu fingiria que isso não aconteceu, e viveria minha vida tranquilamente ignorando um provável filho meu?

Eu jamais faria algo assim!

- Eu não vou sumir, apenas me dê um tempo - eu garanti antes de desligar.

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