Jeniffer MeclinDeclin
Meu marido sempre foi um homem frio, cheio de segredos que não tinha confiança para dizer quais eram, isso me dói saber que ele não confia em mim para nada.
Sempre tento agradá-lo, mas nunca é suficiente para ele.
A noite, enquanto ele dorme, choro feito uma criança que só que o abraço de uma mãe ou um pai, coloco minha mão sobre minha barriga em uma forma protetora com lágrimas em meus olhos penso em tudo o que houve para chegar aonde cheguei, meu corpo vive cheios de hematomas, por conta de toda violência sofrida, por aquele que eu confiei e entreguei meu amor.
Meu semblante já não reluz mais brilho no olhar, minha voz já está fraca de tanto soltar gritos vazios.
Me sinto sufocada presa a um casamento que não tem mais amor, acho que nunca teve, mas como a boba que fui não dei a devida importância.
Você se precipitou, isso sim
Diz meu subconsciente com sarcasmo, me deixando mais devastada ainda, me achando alguém indigna do amor,a única coisa que tenho que pensar e em como vou fazer para dá o devido amor a esta criança que está em meu ventre.
Deixe esta criança em um lugar que irá dar amor a ela, algo que falta neste lar!
Diz meu subconsciente mais algo dentro de mim diz para não ouvi-lo desta vez.
Fecho lentamente meus olhos tentando segurar as lágrimas que estão querendo vir com a força de um vulcão em erupção.
Sinto seu corpo se mexer e ficou dura feito pedra para não acorda-ló, olho para o relógio na mesinha ao lado da cabeceira da cama e já são 4:30 da manhã, novamente não consigo dormir, me levanto e quando estou de pé sinto uma tontura, me seguro na parede ao lado, respiro fundo por alguns minutos quando estou totalmente estabilizada vou para cozinha preparar o café da manhã, ao lado da geladeira tem um espelho quando vejo minha imagem, meu coração se parte, não sou mais quem era. Me perdi no tempo, desde que me casei não sei mais o que é um sorriso verdadeiro.
Não me lembro quando sai de casa para aproveitar uma tarde que fosse com meus amigos, meu tempo se resume a trabalhar e cuidar dos afazeres da casa e das necessidades do meu marido, quando me olho no espelho, só consigo ver uma mulher cansada e com uma aparência de pelo menos vinte anos mais do que realmente tem, com o cabelo em formato de um coque todo bagunçado, os olhos grandes que ressaltam ainda mais as olheiras, o restante da maquiagem do dia anterior, maquiagem essa que uso pra esconder as agressões que sofro, a roupa toda folgada uma camisa grande que chega ao meus joelhos e um mini short folgado também.
Um verdadeiro farrapo, digna do Oscar da mais desarrumada das mulheres, olha oque esse casamento trouxe para você, nada mais que uma mulher destruída e não faz nem dois anos que você se casou e já está neste estado lastimável.
Mais uma vez a enxerida da minha subconsciência entra em ação, me deixando desanimada com as palavras que refere-se a mim, balanço ligeiramente minha cabeça e vou preparar o café.
Faço tudo que ele gosta, bacon, torrada com manteiga, café forte para ficar bem acordado e mini tortilhas para acompanhar ouço a porta sendo aberta e meu corpo começa a entrar em estado de alerta para todos os movimentos possíveis.
Ele entra e me olha com cautela como se estivesse estudando meu estado de espírito.
Lentamente ele se senta e começa a comer cento do outro lado da mesa e comemos a refeição em silêncio, uma memória do nosso casamento passa pela minha cabeça fazendo uma lagrima sair de meus olhos, lembro do homem apaixonado que ele se dizia ser, das promessas feitas dizendo que iria me proteger de tudo e todos, mas o que eu não sabia que ele não iria me proteger dele mesmo.
- Porque você mudou tanto? - falo baixinho só para eu mesma ouvi, mas ele olha para mim como se tivesse ouvido.
- Depois de dois anos você me faz essa maldita pergunta? - diz ele rosnado. - você é uma mulher sem sal, achava que era uma mulher com todas qualidades que um homem deseja mais estava errado, passei dois anos da minha maldita vida casado como você, e aqui estou até hoje. - ele faz uma pausa e respira fundo. - você é a mulher mais frustrante que conheci na minha vida e tive a infelicidade de te fazer minha esposa.
- Se não gosta de estamos casados porque não me dá logo o divórcio? Porque faz da minha vida um inferno. - pergunto entre prantos.
Ele bate as mãos na mesa, se levanta de sua cadeira e vem em minha direção, puxa meu cabelo para trás fazendo com que meu rosto vire para cima e de um jeito em meu pescoço, me faz olhar em seus olhos que está queimando em brasa com a fúria de seu ódio.
- Ouça bem porra! O'Que vou lhe dizer, pois, não irei falar duas vezes. - diz em um tom sombrio. - não vou te dar a merda do divórcio, a menos que eu morra,não se verá livre de mim. Enquanto eu viver serei seu marido e farei da sua vida um inferno. - da a palavra final e saí porta a fora. Me deixando devastada. Me envolvo e começo a chorar, não sei mais o que fazer da minha vida.
Você sabe sim!
Diz esse maldito subconsciente, dou um tapa em sua cara mentalmente para que ele se cale-se, esse maldito tem vida própria.
Jeniffer MeclinDeclin
Aqui estou eu servindo mesa segurando o bolo de lágrimas que está instalado em minha garganta, a única coisa que eu queria fazer agora era me encolher e chorar, desde de pequena tive que batalhar por tudo, mas em compensação sempre tive o amor de meus pais.
Hoje, o único motivo de estar viva é esta criança em meu ventre que não tem culpa de nada que acontece ao nosso redor.
Estou apenas com cinco meses, e já me imagino com esta linda criança em meus braços, em questão de segundo o bolo de lágrimas que estava me sufocando se transforma em alegria só de pensar que em breve estarei com meu maior tesouro em meu colo.
Por esta criança, nós daremos nossa vida, este será nosso bem mais precioso, nosso mundo irá girar em torno deste pequeno ser em seu ventre.
Diz uma parte que até pouco tempo não ouvia dentro de minha mente, e isto me faz sorrir feito uma boba.
Colo minha mão esquerda em minha barriga e acaricio com cuidado, volto a realidade e começo a servir às mesas
que estão à espera.
[...]
Chego em casa acabada depois de mais um longo dia de trabalho, vou em direção a janela e fico olhando a vista do Brooklyn, um lugar nada passivo de se morar, sempre tem tiros a noite e isso me deixa assustada.
Paro de olhar a vista e vou à cozinha preparar um lanche. Nunca achei que minha vida seria assim, de casa para o trabalho e do trabalho para casa, nem minha família vejo mais.
Ouço o bater da porta e estranho olho para o relógio e são apenas sete e meia da noite ele normalmente volta das nove às dez horas quando já estou deitada me preparando para dormir.
Abaixo minha cabeça em sua presença ele para por alguns segundos mas logo volta a andar indo em direção ao quarto, nesses poucos minutos de sua presença,meu coração foi ao chão e voltou para o lugar.
Respira, você tem que aguentar mais um pouco só mais um pouco.
Diz a minha nova subconsciência me fazendo ficar mais calma a que me deixava pra baixo não se manifestou mais, fico triste por ela, mas feliz por não ser mais humilhada pela minha própria consciência, mas de que adianta se continuarei sendo humilhada pelo meu próprio marido.
Termino de preparar tudo e me sento à mesa de cabeça baixa para não deixá-lo irritado mais do que ele já é.
Ouço seus passos vindo em direção a cozinha e sinto minhas pernas tremerem, solto um pequeno soluço mas tento segurar as lágrimas que querem desabar sem pudor algum.
Novamente comemos em silêncio, não faço qualquer objeção, para tentar chamar sua atenção vejo que ele está me olhando mas continuo com a cabeça baixa assim é melhor.
- Porquê está tão calada hoje? - pergunta com um pouco de irritação na voz.
- Estou apenas cansada, mas logo passa. - não falo nem vinte palavras e continuo olhando para o prato.
- O que fez para estar cansada?
Olho para ele incrédula, ele está perguntando o que eu fiz hoje. - Apenas trabalhei, nada mais! - afirmo e ouço o som de sua respiração pesada e sei que estou encrencada.
- Não acho que foi só isso que te deixou cansada. - rosna. - vou te perguntar mais uma vez! O que fez para estar cansada? - nada respondo e ele se irrita. - ESTÁ ME TRAÍNDO PORRA? TOMARA QUE ESSE HOMEM NÃO TENHA TE DEIXADO MUITO CANSADA, POIS VAI PRECISAR DE FORÇAS PARA GRITAR. - diz gritando feito um lunático e sei que hoje será mais uma noite de agressão e abusos em antecipação começo a chorar de desespero.
Sou puxada para o quarto e jogada na cama de qualquer jeito, tento correr mas ela é mais forte que eu.
Eu lhe avisei!
Diz a porra da subconsciência que estava desaparecida me fazendo chorar mais ainda.
Jeniffer MeclinDeclin
Quebra do tempo
Devastada estou, não só por ter sido abusada mas também porque não pude fazer nada, lágrimas escorrem por minha face.
Tudo ao meu redor não tem mais cor, nada tem mais vida, só há trevas no meio de tanto sufoco, olho para o teto e tento achar alguma luz mais a única coisa que vejo é a luz apagada e telhas de aranha.
Não temas estou contigo.
Ouço uma voz bem baixinha me dizendo estas palavras, isso no momento presente me dá medo mas em seguida me faz sorrir.
Como se tivesse a certeza que tudo que estou passado não é nada comparado ao que irei receber lá na frente.
Enxugo as lágrimas e lentamente me levanto com o corpo todo dolorido, a garganta doendo de tanto gritos que dei, gritos que para muitos são vazios.
Minha alma desaba em prantos, meu coração chora sangue, por tudo que venho passando desde o dia em que me casei com o pior homem do mundo.
Minha dor não se compara a nada do que penso, coloco todas as minhas forças no presente que carrego em meu ventre, mesmo que ele tenha vindo por conta de um abuso a cinco meses atrás, não irei nunca me arrepender de ter colocado meu maior presente no mundo.
Ponho as minhas duas mãos sobre minha barriga e lentamente acaricio em um gesto de amor e proteção materna.
Lágrimas caem sobre minha face, de alegria e ao mesmo tempo tudo misturado, os sentimentos mais intensos que pode existir em um ser humano comum, é algo tão extraordinário que não sei nem definir em palavras ou pensamentos.
Lentamente me levanto, fazendo um esforço para não causar nenhuma dor ou sequela no meu corpo, vou em direção ao espelho e vejo novamente a sombra da mulher que fui um dia.
Não paro de chorar com tamanho sofrimento que estou passando, vou ao banheiro faço minha higiene matinal, depois volto ao espelho e coloco uma maquiagem para disfarçar as marcas das agressões, ele me bateu mais não ao ponto de me causa um aborto.
Olho mas uma vez no espelho respiro fundo e vou trabalhar.
Nova York: Urbanspace Vanderbilt
Hoje o dia está agitado em meu trabalho não consigo nem por a bunda em uma cadeira para descansar, quando sai de minha terra Natal nunca achei que iria viver uma vida como essa, ter um marido violento, um emprego de quinta categoria, é ainda por cima grávida.
- Volte ao trabalho! Você não é paga para ficar parada. - diz Janete à gerente do restaurante. O dono nunca pisava o pé no estabelecimento.
Sem dizer nada volto a pegar o pique e sigo adiante.
Três horas trabalhado sem para, sem da sequer uma pequena pausa, em uma de minhas mãos seguro um mini coffee, em uma mão e um croissant em outro, sem olhar para onde vou, pois, estou olhando as bandejas para não cair esbarro em alguém que faz com que todo meus esforço.
Olho para o mesmo com a raiva acesa em meus olhos, ele é alto e por sinal bem vestido mas mesmo assim não vou me intimidar tão fácil, já me basta meu marido, sei que posso chamar aquilo de marido.
- Você não sabe olhar para onde anda? - diz ele entre dentes.
Respiro fundo para não perder a pouca paciência que venho tendo nesses meses.
- Por acaso, o senhor não viu que eu não estava olhando para frente? - rosno. - O senhor, é seco? Para não ver que eu estava com o campo de visão nos alimentos que estavam na bandejas, é o senhor. - Colo meu dedo indicador em seu palito. - E sego? Para não me ver? Para esbarrar em mim e vim tirar satisfação!
Ele passa as duas mãos em seu cabelo que noto de longe que é bem macio e sedoso.
- Você sabe quem eu sou? - pergunta em um tom monótono mais repressivo.
- Não! É não quero nem saber, o senhor não presta atenção por onde anda, e ainda bem querendo me dizer quem és, faça-me o favor né. - murmuro ironicamente.
Olho para ele novamente e vejo a ira em seu olhar, lentamente ele fecha os olhos quando os abre a aquela chama já não existe mais.
Ele me olha por um momento e logo se retira da minha presença me deixando sem reação alguma.
Vou em direção ao banheiro para me limpar, pois, estou melada de café. Sinto que estou sendo observada antes de entrar porta adentro, olho em direção a mesa perto do grande vidro do restaurante.
Vejo um pequeno sorriso nascer em sua boca, mas acho que logo desaparece, balanço de leve minha cabeça acho que só foi uma alucinação minha e entro no banheiro.
Vou em direção a pia e molho meu rosto, tentando manter a calma para não surtar, olho para minha barriga e ponho a mão sobre a mesma e lentamente faço gestos de carinho como se estivesse alisando meu bebê em meus braços.