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Uma Atração Perigosa

Uma Atração Perigosa

Autor:: Beatriz Borges
Gênero: Romance
De um lado, temos Cecília Gomes, uma talentosa e premiada atriz, uma estrela em ascensão. Do outro, está Janaína Messias, uma estudante de medicina vinda de uma família poderosa no país, criada por Richard Messias, seu pai extremista religioso e influente bilionário na cidade. Desde cedo, Janaína aprendeu que a palavra de Richard era lei, e que qualquer desobediência acarretaria graves consequências. Ela se esforçava ao máximo para agradar seu pai, chegando até a aceitar um noivado com um homem desconhecido, 27 anos mais velho. A volta de Cecília à cidade, após anos, abalará as estruturas da família Messias, expondo segredos obscuros.

Capítulo 1 Despedida Ardente

- Agradeço a todos vocês por esse tempo maravilhoso como equipe. – Minha voz sai embargada enquanto olho para os rostos à minha frente. – Este foi um dos meus melhores projetos e, sem dúvida, foi uma experiência que mudou minha vida para sempre. Vou guardar cada memória em meu coração; vocês são os melhores.

Os aplausos preenchem a sala, a equipe do set de filmagens me olhava com emoção. Não menti em meu discurso; para mim, eles eram muito mais do que uma equipe de produção cinematográfica, eram uma família.

- Ótimo discurso, fiquei emocionada.

Ashley disse se aproximando com uma taça de champanhe em sua mão. Seus passos eram sedutores, como se desfilasse em uma passarela.

- Apenas disse como me sentia.

Seus olhos verdes me estudavam enquanto ela degustava sua bebida. Um sorriso cresce em seu rosto, e sua mão toca meu ombro.

- Você sempre teve um jeito com as palavras, minha cara. Não esperava menos da mulher eleita como a melhor atriz da atualidade pela Acting Academy British.

Suas palavras me paralisam, causando um arrepio pelo meu corpo. Então, eu havia ganhado? Não podia acreditar nessa revelação; pela primeira vez, havia sido indicada, sendo a primeira mulher latina a receber a indicação, e agora eu recebo essa notícia?

- Pela sua reação, vejo que você não sabia dessa premiação. – Seu sorriso cresce, e uma expressão sensual toma conta do seu rosto. – Não esperava menos da lenda: Cecília Gomes.

O clima entre nós é eletricamente carregado, como se a atmosfera estivesse impregnada de tensão sexual. Não posso negar, Ashley sempre consegue me deixar extasiada apenas com o olhar. Seu corpo é verdadeiramente deslumbrante, com seios fartos pressionados contra o generoso decote, suas curvas são um convite à loucura. Cada detalhe dela é uma promessa sutil de desejo, e é difícil resistir à tentação que emana de cada movimento e olhar.

As pernas esguias de Ashley se estendem, elegantes, no vestido preto com uma fenda ousada, expondo provocativamente suas coxas sedutoras. O contraste entre o escuro do tecido e a palidez de sua pele destaca ainda mais a beleza única de seus membros, enquanto a fenda revela um vislumbre tentador.

O vestido abraça seus quadris largos e acentua sua cintura fina, criando uma silhueta irresistível. Cada curva é delineada com maestria, transformando cada passo em uma dança de sensualidade. Seus olhos verdes, intensificados pela escuridão do vestido, parecem capturar a própria essência da sedução.

Atrás, o vestido destaca o tamanho generoso de sua bunda, moldando-se com perfeição às suas formas. Cada movimento é uma obra de arte, e a presença imponente de Ashley é simplesmente avassaladora.

- Em vez de me foder com esses olhos pretos, por que não vamos à minha casa fazer isso de verdade?

Seu sussurro sexy me provoca um sorriso diabólico. Ela já havia esquecido nossa última vez, será que realmente se lembrava de quem estava provocando? Ashley estava brincando com o fogo, e parece que ela estava disposta a se queimar.

- Você realmente está disposta a arriscar? Lembre-se da última vez... – Sorri observando seu rosto corar. – Pelo que me lembre, você passou uma semana sem conseguir colocar seu belo traseiro em uma cadeira.

A postura inabalável de Ashley vai embora dando lugar a um semblante envergonhado. Estava adorando vê-la toda vermelha lembrando de nossa noite em seu quarto de hotel na nossa última visita a Paris para as gravações do filme.

- Você sempre pega pesado, não é mesmo? – Sua voz era provocativa apesar de seu rosto corado.

Me aproximo mais ainda colando nossos corpos, Ashley arfa sentindo minhas mãos em sua cintura, um sorriso sedutor surge em meu ao vê-la corar violentamente.

- Sempre, minha querida. – Sussurro próximo ao seu ouvido.

- Cecília... – Ela geme baixo.

Era tão bom vê-la em minhas mãos, ver o poder que eu possuia, apenas com um olhar ou poucas palavras já a deixava molhada, mesmo depois de meses, eu ainda a tinha em minhas mãos; essa era mais uma daa vantagens de saber foder bem.

- Vamos pra minha casa. – Sua voz é quase uma súplica.

- Se eu não estivesse tão atarefada com os preparativos para a viagem, eu a levaria agora mesmo. – Sorri me afastando alguns centímetros.

- Então... eu não a terei novamente até a próxima vez que nos encontramos? – Sua voz era desapontada. – Sabe que estou embarcando para Paris essa semana e não poderei acompanhá-la ao Brasil.

Sorri tocando em sua bochecha de forma carinhosa. Ashley ficava extremamente adorável quando estava furiosa, suas feições a deixavam como uma criança mimada que havia tido seu pedido negado.

- Quem disse que precisamos ir para os seu apartamento? – Digo um tom baixo para que apenas ela escutasse.

Uma expressão de confusão surge brevemente em seu rosto, mas logo é substituída por sua determinação. Sua pequena mão segura a minha e em um movimento apressado, Ashley me puxa para longe da multidão me causando risadas sinceras por sua pressa. Nossos passos ecoam pelos corredores do estúdio, cada vez mais deixando as pessoas para trás, até chegarmos ao seu camarim. Quando Ashley abre a porta, seu rosto fica aliviado percebendo que estávamos sozinhas.

Como uma loba feroz, Ashley entrelaça seus braços finos em meus ombros iniciando um beijo cheio de desejo. Suas mãos tocam minhas costas em uma tentativa falha de abrir meu vestido. Em passos desajeitados, andamos até o sofá onde caio sentada. Ashley coloca uma perda em cada lado do meu corpo me prendendo em uma posição onde conseguia ver perfeitamente seus seios fartos.

Nossos lábios se encontram novamente e minhas mãos percorrem pelo seu corpo o arrepiando por onde passavam. Em um gesto rápido, abro o zíper de seu vestido sem desgrudar nossos lábios.

Surpresa, Ashley separa nossos lábios e sorri ofegante com um brilho em seus olhos.

- Vamos, mostre-me do que você é capaz, Cecília. – Ashley me desafia com um sorriso diabólico

As alças de seu vestido deslizam pelos seus ombros deixando seus seios completamente expostos.

Capítulo 2 Bem-vinda ao Brasil

Pego minha mala e escuto Otto reclamar.

- Sabe que é o meu trabalho te ajudar.

Rio sem graça. Otto é meu motorista e segurança. Ele é muito mais que um funcionário; é um amigo querido.

O homem é alto, cerca de 1,98. Sua altura intimida as pessoas. Por ter um corpo forte, uma barba cheia e nenhum cabelo na cabeça, Otto tem uma aparência ameaçadora... mas é um homem doce e gentil.

A gente se conheceu no meu primeiro trabalho como atriz em Los Angeles. O diretor o recomendou para trabalhar como meu motorista. Desde então, ele tem sido meu amigo e confidente. Até pesquisou diversos seguranças para essa viagem. Selecionei dois para me acompanharem.

Voltar à minha cidade natal me trazia lembranças bem dolorosas e constrangedoras.

"Faça isso pelo filme, faça isso por sua carreira."

Minha cabeça repetia isso como um mantra. Fazer esse filme seria um ponto crucial em minha carreira. Lutei durante anos para chegar onde estou, mas esse papel poderia mudar tudo.

Por ser um filme com um tema polêmico em uma cidade conservadora, meu estômago doía devido ao nervosismo.

- Preocupada com seu novo papel?

Sorrio desconfortável. Otto me conhece mais que todos em minha vida, e isso me acalma, pois confio inteiramente nele.

- Não exatamente... Apenas não consigo afastar as lembranças daquela cidade. – Deslizo o batom sobre meus lábios - Já te contei como foi minha saída daquele lugar...

- Saiba que dessa vez tudo será diferente. – Diz, pegando minhas malas com um olhar reconfortante – Apesar de muitas pessoas terem sido cruéis com você, hoje você é uma mulher crescida. Ninguém dirá como deve agir e pensar.

Sorrio em agradecimento, me sentindo mais relaxada. Essa conversa foi o tapa na minha confiança que eu precisava para encarar meu passado.

(...)

Odiava voar, mas parte de ser uma atriz famosa é ter que voar para os destinos. Meu medo de altura atrapalhava bastante. Agradecia mentalmente por já estar em terra firme. Muitos fãs estavam gritando enlouquecidos. Sorria o melhor que podia; estava cansada. Há anos não pisava no Brasil, e toda essa hospitalidade me deixava recarregada após uma viagem cansativa.

Tirei diversas fotos com meus amados fãs; estar perto deles me dava uma força incrível!

Meu celular toca, e vejo que é Thiago, meu agente e melhor amigo.

- Você já pousou no Brasil? – Ele diz assim que atendo.

Consigo ouvir a voz de outras pessoas na ligação. O moreno já deve estar na casa, conversando com os funcionários. Thiago sempre chega antes nos lugares que me hospedo para organizar meus compromissos; ele realmente é ótimo em seu trabalho, e me orgulho de tê-lo como agente.

- Oi pra você também. – Ele resmunga, me fazendo rir baixo – Já estou chegando. Tive que parar para um lanche.... Estava morrendo de fome!

Ele gargalha, mas logo para, falando em um tom sério.

- Venha logo, pois aqui está um pandemônio... Vou contratar mais seguranças para você. Acho que aqui realmente é barra pesada.

Fico em silêncio, sem saber como responder. Não sei exatamente sobre o que ele estava falando. Já sofria muitos ataques de haters, mas não vejo necessidade de ter mais que dois seguranças. Otto já me protege; agora, com o Yuri e o Gustavo, me sinto muito mais segura.

- Não vejo necessidade disso... Já tem o Otto e os dois seguranças.

- Quando chegar, você vai saber exatamente do que estou falando... Tenho que desligar, não se atrase!

Suspiro, relaxando no banco do carro; estava curiosa para saber sobre essa ansiedade do Thiago. Será que aconteceu alguma coisa?

Otto dirigia tão rápido que mal podia ver a paisagem pela janela. Pouco importava agora; só queria descansar e comer uma comida caseira. Nenhuma comida me alegra mais que a comida feita pelos brasileiros; afinal, sou uma carioca esfomeada!

Ainda ia ter uma coletiva com o prefeito da cidade, que gravaria a maior parte do filme. Era tudo muito grandioso; nunca teve um filme dessas proporções em uma cidade tão pacata. Toda a mídia internacional estava focada em cobrir qualquer novidade do filme. Muitos conservadores odiaram a ideia; cheguei a sofrer ataques de extremistas.

Organizaram protestos em prol da família e bons costumes... Diziam que eu queimaria no inferno por fazer o papel de uma "devassa".

Inclusive ainda tem alguns protestos, porém menos radicais. Por meses, recebi ameaças e xingamentos nojentos pelas minhas redes sociais.... Isso afetou bastante minha autoestima; minha saúde mental estava em declínio.

Me isolei de todos, me afastando das mídias sociais e eventos com grande público; isso chegou a afetar minha carreira de certa forma.

Saio de meus pensamentos ao perceber que já tínhamos chegado ao destino.

Um arrepio invade meu corpo ao ver que em frente à minha casa tinham pichações e um pequeno grupo de pessoas.

"Vadia"

"Está nas escrituras! Levítico 20:13"

A cada pichação que eu lia, sentia uma parte de mim enfraquecer. Era como uma viagem para minha adolescência. Otto me lança um olhar pelo retrovisor, e não consigo disfarçar minha dor com o ódio gratuito.

- Podemos dar a volta e entrar pelo portão da lateral.

Sequei minhas lágrimas e respirei fundo, negando com a cabeça.

- Não precisa. Vamos por esse caminho.

Sorri o mais confiante que consigo, e Otto suspira, segurando o volante com força. Ele me conhecia muito bem para saber que por baixo de toda essa confiança, tem uma pessoa com medo.

Uma menina falava no megafone.

Minha cabeça girava com os sons alt

os e flashes de câmeras.

- A imprensa deve estar adorando esse circo.

Digo irritada. A mídia adora um escândalo sobre minha vida; esses protestos e assédios têm sido um prato cheio para a mídia.

- Saia da nossa cidade! Não queremos essa aberração aqui!

Ela grita ao me ver sair do carro. Sinto meus sentimentos se ampliarem com toda a agitação. Meu coração estava a mil. Otto e outros seguranças contratados empurravam as pessoas para que eu pudesse entrar. Passo pela menina que segurava o megafone, e nossos olhares se encontram; ela parecia presa em meus olhos. O portão começa a fechar; sorri maliciosa antes dos nossos olhares se perderem.

Thiago me vê entrar e me envolve em um abraço caloroso. Sorrio cansada mentalmente e fisicamente.

- Minha amiga, sinto muito pela sua chegada ter sido dessa forma. – diz enquanto nos afastamos. Ele força um sorriso, e vejo o quanto ele estava cansado – Já contratei alguém para limpar o vandalismo do seu muro. Hoje mesmo isso vai ser resolvido.

Suspiro grata por ter finalmente uma boa notícia. Me sirvo de um bom copo de uísque e me sento no sofá, sentindo todo o cansaço do dia bater sobre meu corpo. Me sentia dolorida.

Massageio minhas têmporas em busca de algum alívio para minha dor de cabeça. Balanço meu copo, me concentrando no som das pedras de gelo contra o vidro.

Essa chegada ao Brasil foi muito mais turbulenta do que pensei. Sabia que não ia ser recebida com uma festa ou comemorações, mas isso? Já é demais para qualquer um aguentar.

Como as pessoas podem ser tão idiotas quando se trata de diferenças? Acho que nem o mais sábio dos homens teria essa resposta.

Capítulo 3 Ela não pertence a cidade

Janaína Messias

Horas antes...

Acordo com a voz suave de Maria, que cantava uma antiga música gospel enquanto passava o aspirador pelo meu quarto. Me reviro na cama e dou um sorriso tímido para minha madrasta, que o retribui.

- Bom dia, meu anjo. O café está pronto, e tem bolo.

Levanto contente ao ouvir suas palavras. Amo seus bolos. Maria ama cozinhar, e eu amo comer tudo que suas mãos mágicas preparam.

- Obrigada, Maria. Vou me arrumar e já desço para o café da manhã.

Beijo sua bochecha, e ela resmunga algo sobre meu hálito matinal. Não posso evitar rir enquanto corro em direção ao banheiro.

Tiro meu pijama, ficando completamente nua. Meus olhos se perdem no reflexo do espelho. Nunca me achei um exemplo de beleza; meu pai sempre me ensinou que a vaidade é um pecado gravíssimo. Tenho um corpo magro, seios pequenos, coxas um pouco grossas e a pele levemente morena. Sempre me senti estranha por ter apenas 1,55 de altura. Meu pai diz que puxei minha mãe, que era pequena e tinha cabelo loiro escuro e olhos verdes, assim como eu. Nunca conheci minha mãe; meu pai diz que ela morreu quando eu nasci, era filha do caseiro do sítio da minha avó. Ter alguma semelhança com ela me acalma às vezes, embora Maria seja uma ótima madrasta e eu seja grata por toda sua dedicação, nada na vida substitui o amor materno. É estranho pensar que o dia que comemoro meu aniversário é o dia em que a mulher que me deu a vida morreu. Por isso, nunca comemoramos essa data. Maria faz questão de fazer nesse dia um de seus maravilhosos bolos e um jantar com minhas comidas favoritas, mas nunca tocamos no assunto, agimos como se fosse um dia comum sem grandes comoções.

Fico imaginando como eu seria se minha vida fosse diferente. Com uma mãe, com uma família mais liberal. Não que eu deteste minha vida, pelo contrário; mas às vezes sinto falta de algumas coisas, como ter amigas verdadeiras, daquelas que você dorme na casa para uma festa do pijama, conversam sobre coisas bobas da vida, contam suas experiências com os meninos.

O único homem que já tive contato foi o meu noivo; nunca tivemos algo mais íntimo que conversas em jantares familiares, mas não tem tanta importância, o noivado já está confirmado por nossos pais.

Me afundo na banheira tentando afastar os pensamentos confusos. Sempre fico pensativa pelas manhãs, sempre penso em minha mãe e no meu futuro casamento.

Minha irmã Melissa é como uma mãe para mim. Mel é minha melhor amiga, com ela compartilho todos meus segredos e medos. Meu pai e a Melissa se odeiam por algum motivo, e isso impede bastante suas visitas, mas ela sempre me encontra aos sábados para um passeio pela cidade.

A Mel sempre tenta me ajudar a fazer amizade com outras meninas da minha idade; ela é totalmente contra meu casamento. Às vezes nem sei se eu mesma absorvi essa ideia toda. Nunca fui boa em fazer amigos; meu pai não aprova quase nenhuma pessoa da cidade. Segundo ele, todos são pecadores ou más influências.

Resolvo mudar meus pensamentos para meus afazeres diários. Faço mentalmente uma agenda das minhas tarefas e suspiro cansada.

Hoje teria um dia muito atarefado e exaustivo, os jovens da igreja programaram um dia bem produtivo. Iríamos protestar em frente à casa daquela aberração. Como o prefeito permitiu essa pouca vergonha? Um filme tão pecaminoso em nossa cidade... Isso só pode ser uma piada de péssimo gosto! Tenho até pena do castigo divino que ela receberá. Rio ao imaginar a cena de todas essas aberrações homossexuais no fogo eterno do inferno.

- Está rindo de que?

Maria pergunta me assustando. Sorrio sem graça por não ter notado sua presença. Em suas mãos estavam toalhas secas e um roupão. Olho para meus dedos enrugados e percebo que estou a um bom tempo na banheira.

- Nada de importante... - ela faz um gesto para que eu me levante. Assim faço, e ela me envolve com uma toalha - eu apenas pensei em como Deus punirá os pecadores dessa cidade... - Saio da banheira e enrolo uma toalha no cabelo. - Ainda não acredito que esse prefeito vendeu sua alma por publicidade e dinheiro.

Ela suspira me entregando meu roupão, removo a toalha do meu corpo e visto o roupão. Embora Maria fosse religiosa, suas opiniões eram opostas às minhas. Ela não se envolvia em protestos ou nos projetos organizados. Apesar disso, ela era uma pessoa muito boa e caridosa.

- Minha garotinha... Não se envolva em algo dessas proporções... Deixe as pessoas serem elas mesmas.

Ignoro seu comentário ligando o secador de cabelo. Maria me observava com preocupação enquanto secava meu cabelo.

- Sabe que essas coisas não podem passar impunes. O mundo não pode se tornar uma Babilônia!

Digo pegando meu vestido no armário.

Coloco minha lingerie e, em seguida, o vestido. Penteio meu cabelo enquanto a vejo se aproximar.

- Não podemos obrigar ninguém a seguir nossas vontades.

Me viro rapidamente olhando para minha madrasta com total irritação. A mais velha me encara sem expressão.

- Essa não é a minha vontade e sim a de Deus!

Digo em um tom firme enquanto a encaro nos olhos. Ela nega com a cabeça e murmura algo que não consigo entender. Volto a me arrumar tentando manter a calma.

- Você às vezes me assusta com tanto ódio gratuito... Parece seu pai falando aquelas coisas terríveis sobre as pessoas.

Rio debochada, e ela me lança um olhar de reprovação.

Apesar dela estar errada, sempre tive muito respeito por ela, e isso faz com que guarde meus comentários ácidos. O clima no quarto era de tensão; tento amenizar as coisas com um meio sorriso. Murmuro um "desculpa" a contragosto, e ela se aproxima.

- João ligou, disse que está animado para o jantar.

Suspiro sem ânimo. Apesar de ter mudado de assunto, falar sobre João ainda era algo que me deixava extremamente tensa.

João é o meu noivo. Nossos pais fizeram um acordo sobre nosso casamento há muitos anos. Meu pai diz que assim não serei enganada ou me contaminarei com os pecadores. A verdade é que fui obrigada a aceitar essa união. Ele é 26 anos mais velho, e isso é bem assustador. Seu pai é sócio da empresa do meu. Ele vem de uma família muito religiosa. As garotas da cidade elogiam sua beleza; para mim, isso é constrangedor, pois me sinto um patinho feio.

Nunca beijei alguém, e o fato de pensar em intimidades com ele me faz corar. Agradeço mentalmente por Maria não perceber meu rosto envergonhado. Dou leves batidinhas nas bochechas para explicar a vermelhidão.

- O jantar vai oficializar o noivado. O pai dele fez questão de avisar que quer todos da família presentes. - Ela me lança um olhar de dúvida, e seu tom é preocupado - mas caso não queira comparecer, posso inventar alguma desculpa... Ainda acho que não é certo essa união. Você é jovem demais!

- Em falar nisso - falo mudando o assunto rapidamente. - Hoje vou protestar com os jovens da igreja.

A ruiva suspira profundamente e me lança um olhar acolhedor.

- Minha querida, sei que ama seu pai, mas não precisa fazer todas as suas vontades... Esses protestos contra o prefeito não mudarão em nada os planos do filme.

Me levanto irritada. Apesar de tudo, Maria tem razão de certa forma. O prefeito não mudaria de ideia. Mas... Caso afastássemos os atores, não haveria filme.

Sorrio perversa. Hoje iríamos fazer a mudança! Chamamos pessoas de outras igrejas, tudo vai acontecer de acordo com o combinado. Usaremos a mídia dela contra ela. Vamos aproveitar que toda a imprensa está cobrindo as notícias desse filme para mandarmos nosso recado.

Vamos obrigar essa devassa a sair de nossa cidade junto com todos os pecadores!

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