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Uma Babá para o Meu Filho - Milionário Insensível

Uma Babá para o Meu Filho - Milionário Insensível

Autor:: Dakota D.
Gênero: Romance
Depois de viver a pior traição, Felix decide viver intensamente, torna-se insensível e passa a pagar garotas caras e sexos escandalosos .Porém, no meio do caminho ele conhece uma acompanhante de luxo, que tomada pelo desejo de ficar com ele acaba por armar um plano estranho. O golpe da barriga, que deu errado. Sete meses depois ele recebe a notícia de quê Luciana sofrera agressões de um desconhecido e estava dando a luz ao seu filho. Luca nasce no mesmo dia que a mãe morre. Prematuro e bem fraco. Dois meses depois Felix vai em busca de uma babá para o seu filho, e conhece Cecília. Enfermeira fria, e muito apegada com seu filho desde o primeiro momento. Para Cecília o luto a acompanharia para sempre, desde que seu bebê Miguel faleceu. E seu marido a traiu com a sua única irmã. Cecília precisa vencer os traumas do passado para abrir o coração ao Senhor Smith, e acaba por viver momentos únicos ao lado dele. Porque algumas feridas, precisam ser cicatrizadas....

Capítulo 1 Prólogo

A chuva castigava a cidade de São Paulo. Era janeiro, deveria ser calor, sol forte e chuva pela tarde, não aquela madrugada fria e chuvosa. Tudo parecia cooperar para aquele momento.

Felix sentou-se em sua poltrona, a casa estava no completo escuro, nem mesmo a luz do celular podia ser acionada ali.

Ele analisou o copo, levou-o até o nariz e inspirou, com os olhos fechados virou o copo na boca, o liquido queimou a garganta, assim como os outros cinco ou seis antes daquele.

Felix esticou o braço e pousou o copo na mesinha ao lado do retrato dos sobrinhos, Maria Helena e Fernando Júnior. A cabeça latejava, e não adiantava se entupir de remédios, a tensão dos últimos meses desde que conhecera Luciana, o envolvimento e a notícia que mudara sua vida, eram o motivo das dores.

Luciana fora sua acompanhante de luxo, a mais cara, e mais bela. Ruiva de olhos verdes e um corpo perfeito. Ela sabia como cansar o Senhor Smith. Mas Luciana tinha um defeito. Era carente e o envolvimento com Felix a fez imaginar que talvez eles podiam ficar juntos.

Luciana parou de tomar os remédios, em uma viagem a negócios como acompanhante de Felix, ela esperou que ele estivesse tão bêbado a ponto de não se importar em se proteger. No mês seguinte, Luciana mandou a seguinte mensagem:

"Estou Grávida."

Felix não fez o que ela planejava,mas arcou com a responsabilidade do filho e da mãe, que não poderia trabalhar.

Luciana se mostrou mesquinha, mentirosa, levou a gravidez á público, gerando um escândalo nacional. Não fosse o irmão, Felix teria se afundado ainda mais na depressão. Agora, sete meses depois Luciana ainda era o foco dos programas de fofoca.

Felix respirou fundo, queria que tudo aquilo não tivesse acontecido, talvez desejou com certo afinco que Luciana fosse apagada da história do mundo.

Ele recostou na cadeira, fechou os olhos por um minuto quando ouviu o celular tocar. Era próximo das duas horas da manhã, quem quer que fosse, não queria jogar conversa fora. Ou queria? Afinal, o nome que aparecia ali, era justamente o de Luciana.

- Não me diz que está com desejo de comer algo louco. - Felix se adiantou em dizer.

- Senhor Smith?

A voz era diferente, os sons ao fundo também. Felix se ajeitou na poltrona.

- Onde está a dona do celular?

- Senhor Smith, Luciana Miranda deu entrada no hospital da sua família. Pode vir até aqui

Felix encerrou a ligação as pressas, escolheu uma roupa fácil e correu até o carro. Não havia transito áquela hora, mas a chuva ainda caía forte, como um mal agouro.

Ao chegar no hospital ele parou o carro de qualquer jeito e correu porta adentro. A balconista, provavelmente a mesma que lhe informou sobre Luciana, se levantou.

- Ela está do terceiro andar. Quer que eu...

- Sei chegar até lá.

O elevador parecia demorar uma eternidade para descer, e mais ainda para o deixar no terceiro andar.

- Felix.

- Júnior. – Felix caminhou até o amigo. - Pensei que estivesse em Orlando.

- Estava. – Ele disse. - Vim participar de um procedimento pelo projeto. A paciente apresentou sangramento pela madrugada, era coisa simples, um ponto que rompeu. Assim que saí do quarto da paciente, me informaram que uma Luciana havia caído na entrada do hospital

- Onde ela está?

- Cara, ela chegou aqui sangrando muito, pedia para salvar o bebê, estava bem machucada.

Felix mal conseguia engolir a saliva, sentia todos os músculos do corpo rígidos.

- Está tentando me enrolar? – Ele fechou as mãos em punhos.

- Estou tentando te explicar que a Luciana estava muito mal, e que foi deixada na porta do hospital por um carro que fugiu. E que ela está agora mesmo na sala de partos.

- Mas ainda não é a hora.. – Felix deu alguns passos perdidos.

- Vem comigo.

Só agora Felix notava que José Carlos estava com o jaleco sujo de sangue, e que ele também tinha uma expressão de medo nos olhos. Felix o seguiu para uma sala de espera vazia, José Carlos parou na frente dele.

- Eu vou voltar lá para dentro, a coisa está bem complicada, me espere aqui.

José Carlos manteve toda a calma até passar pelo centro cirúrgico, se preparar e entrar na sala onde mais parecia um cenário pós-guerra. Luciana estava cada vez mais fraca, a obstetrícia pedia cada vez mais agilidade dos outros, ela precisava manter Luciana viva, pelo menos até a criança nascer.

O Doutor José Carlos entrou no meio da bagunça, queria manter Luciana viva. Achou até que estava conseguindo. Os olhos dela estavam cada vez mais fracos, quase cerrados quando ele escutou a colega de profissão dar um grito.

- Consegui. – Ela estendeu os braços. - Precisamos aquecer o bebê.

- É... um menino? – Luciana conseguiu dizer, baixinho.

- Sim. É um menino. – José Carlos afagou a cabeça dela. - Agora vamos cuidar de você.

- Eu... não quero morrer Doutor... – Os olhos verdes dela estavam assustados. - Por favor...

José Carlos despertou quando a médica rapidamente encostou o bebê pequeno além da conta no rosto da mãe, para logo o tirar.

- Preciso cuidar dele. – A Doutora passou praticamente correndo. - Preciso, – Luciana engoliu com dificuldade. - cuidar do Luca.

Luciana estava em estado crítico, machucada, tinha costelas quebras, um sangramento interno considerável, estava muito fraca. Quem quer que tenha feito, queria matá-la.

Os olhos foram ficando brancos, assim como os lábios. Luciana ainda olhava para o Doutor José Carlos quando os batimentos pararam.

***

Felix olhava fixo para a porta dupla. Ninguém entrava, e ninguém saía de lá. Nem mesmo um único som que denunciasse o estado de Luciana, ou do bebê.

Ele andava de um lado para o outro naquela sala, o coração acelerava cada vez que ele olhava no relógio e via os minutos se arrastando. Pela janela era quase impossível ver os outros prédios, as árvores pareciam que iam ser levadas dali pelo vento forte.

Felix se aproximou da janela e quando tocou no vidro frio um raio cortou o céu, aluminando tudo por um segundo. Pelo reflexo um pouco afastada estava Luciana, os olhos verdes e assustados o encarava.

Alarmado ele virou-se, estava só. Cético ainda caminhou até o balcão, a não ser a chuva, nada mais se ouvia ali.

- Acho que dormi em pé. – Ele pensou alto.

Encabulado com aquela visão estranha Felix sentou no sofá pequeno, mais um trovão cortou o céu, quando tudo voltou ao silêncio a porta dupla abriu.

Doutor José Carlos passou por ela, estava sério, caminhou lentamente com as mãos nos bolsos e se pôs na frente de Felix.

- Júnior, me diz que eles estão bem....

Capítulo 2 Acabou!

Um Anos Antes....

- Ele não está bem. – Cecília tentava enxergar alguma coisa a sua frente. - Como eu sei?

Cecília olhou para o marido, Diego estava tenso, dirigia com as duas mãos no volante, os olhos crispados e a boca comprimida em uma linha reta. Miguel tinha nascido á duas semanas, era um bebê prematuro, não conseguia respirar sozinho e era muito abaixo do peso ideal.

Diego havia dado seta para entrar no subsolo do hospital quando um trovão rasgou o céu, só tiveram tempo de olhar um para o outro, um caminhão acertou o lado de Diego em cheio, o carro rodou e tudo perdeu o foco para Cecília.

***

Duas semanas depois Cecília abriu os olhos, sentia a garganta seca e não conseguia respirar direito, afoita logo foi contida por um grupo de enfermeiras, o que lhe tirava o ar foi retirado da garganta com muito custo, os médicos falavam sem parar com ela, queriam que Cecília acompanhasse alguma luz, que contasse quantos dedos estavam dispostos na sua frente, que respirasse com calma.

Foram minutos torturantes da vida dela. Quando por fim acabaram, ela adormeceu outra vez, para acordar minutos depois, assustada.

- Cecília. – Um médico se aproximou. - Como se sente?

- O que aconteceu? – A garganta parecia duas lixas.

- Você sofreu um acidente. Um caminhão se chocou com a lateral do seu carro, você e seu marido sofreram ferimentos graves.

- Diego.. – Ela sabia que se fosse formular uma frase doeria de mais, então optou por dizer poucas palavras.

- Seu esposo só não ficou pior porque o caminhão arrastou o carro, mas foi o seu lado que bateu no poste.

- Diego...

- Ele está ficando melhor. – O doutor se aproximou. - Nessas duas semanas voltou para casa, está sendo tratado por algum familiar seu. Ele ficará com sequelas. Você foi um milagre.

- Miguel... – Ela sentiu algumas lágrimas saltarem e escorrer pelas laterais do rosto. - Meu... Filho..

- Sei que está em uma situação crítica. Pela profissional que é iria querer ser sincera com seus pacientes, então... – Ele engoliu em seco. - O Miguel descansou Cecília. Viveu até você dar entrada no hospital, enquanto eu cuidava de você ele teve outra parada respiratória, tentaram de tudo, mas ele era muito pequeno, estava debilitado... Eu lamento querida...

- Não.. – Ela sussurrou. - Eu... Eu não o vi partir, não...

Cecília havia se preparado mentalmente. Iria tirar o filho da incubadora e segurá-lo nos braços até que ele fizesse a passagem. Ela o viu nascer, deveria ser ela a vê-lo voltar para o paraíso. Não um bando de rostos desconhecidos.

Imaginou o corpinho dele perdendo a força, assustado...

Diante do médico ela chorou muito, se desesperou, arranhou os próprios braços, até bateu no próprio rosto, até que o Doutor Victor a segurou com força, e então ela urrou pela dor que estava sentindo.

- Diego e a sua irmã cuidaram de tudo Celina, o colocou no mausoléu da família, pode ir lá quando estiver bem. Você precisa ficar bem Ceci.

Cecília chorou durante dias, na manhã que foi liberada para ir embora esperou pelo marido, convencida de que ele estava tão debilitado quanto ela conseguiu uma carona com os amigos da ambulância. O apartamento em que morava não era longe. E ela não havia perdido os movimentos das pernas por pura sorte. embora tivesse várias cicatrizes profundas na lateral do corpo.

- Obrigada Otávio. – Cecília acionou o elevador. - Vou fazer uma surpresa para o Diego.

O elevador parou na cobertura, o andar era somente deles, já que Diego havia planejado aquele prédio, e dado o sobrenome dele. Arezzo.

Cecília abriu a porta, sentia dores pelo corpo e mal podia se dobrar, estava tudo no lugar, viu que Celina havia esquecido os sapatos altos. E o casaco. Caminhou mais um pouco e viu a bolsa da irmã.

Cecília não conseguia respirar mais, se arrastou para o quarto deles, a cama estava bagunçada, talvez ela tenha vestido alguma roupa confortável, já que usavam o mesmo tamanho.

Enquanto adentrava o quarto, Cecília viu a porta do banheiro aberta, o som da água do chuveiro e o cheiro de Diego a fez relaxar um pouco.

Então ela se livrou da camiseta, das calças e do tênis. Iria surpreender o marido depois de tantos dias, talvez chorar juntos, fazer amor e depois se despedir do filho da forma certa.

Porém, ao entrar no banheiro ela viu o marido se movendo de forma estranha, agora ouvia os gemidos dele. Quando Diego se afastou Celina respirava ofegante.

Humilhada, Cecília voltou, colocou as mesmas roupas, calçou o tênis e voltou para a sala, sentou-se no sofá e esperou paciente enquanto lágrimas pingavam na calça larga.

Não demorou muito Diego apareceu, usava uma cueca box, o cabelo estava molhado, via-se machucados no corpo dele. Assim como Cecília, ele mancava.

- Ceci? – Ela levantou os olhos para ele. - Ia agora mesmo te buscar...

- Cecilia? – Celina parou no corredor, com os olhos arregalados. - Como....

- Cheguei agora. – Ela mentiu. - Dormiu aqui Celina?

- Sim. Eu... Achei que você iria sair cedinho então... – Celina desviava os olhos. - Como se sente?

- Despedaçada. – Cecília engoliu em seco. - Perdi meu filho, voltei de um coma sozinha, e passei as últimas semanas sozinha.

- Eu não podia ir lá...

- Tinha um telefone ao lado da minha cama Diego. – Ela o respondeu seca. - O banho estava bom?

Diego engoliu com dificuldade, era o seu namorado de escola, fora seu companheiro durante a faculdade, e depois de doze anos de relacionamento, ele transou com a cunhada no banheiro deles.

- Ceci. – Celina passou Diego. - Aquilo que você viu, eu posso jurar que aconteceu só agora. Nós... Eu e Diego nos respeitamos muito. Acho que foi culpa da bebida...

- Conta outra Celina. Eu sempre via os olhos de vocês, se comiam na frente de todo mundo. A mãe morreu dizendo que você e o Diego eram dois safados. Que eu ainda viria o que a minha cega confiança ia me dar. E olha só. Meu marido estava te fodendo no meu banheiro. Provavelmente te fodeu esse tempo todo na minha cama. Não foi?

Nenhum dos dois sabia o que responder. Cecília era sincera no que dizia.

- Ceci. – Diego disse enquanto mancava até ela. - Estamos todos sensibilizados pelo quê aconteceu...

- Pega as suas coisas Celina.

- Ceci, meu noivo vai morrer se souber...

- Seu noivo não vai saber. – Ela levantou os olhos magoados. - Quero que volte para a sua casa e esqueça que um dia teve uma irmã.

Cecília se levantou lentamente, todo o corpo doía, se arrastou pelo corredor e abriu a porta azul com detalhes de nuvens.

Tudo estava como antes do acidente. O berço, as roupinhas, as primeiras fotos de Miguel antes de ser entubado. Cecília se aproximou do berço, a roupinha que ele sairia, serviu para enterrá-lo.

Só então ela respirou fundo, agarrou a mantinha azul e levou até o nariz e chorou. Perderia mil maridos, mas não sabia como viver com a perda do único e verdadeiro amor.

Abraçou apertado a mantinha.

- Me desculpa Miguelito. – Ela sussurrou. - Eu deveria estar lá. Deveria ser o meu rosto sua última visão.

- Ceci. – Diego totalmente vestido parou no umbral da porta. - Celina já foi. Vamos conversar...

- Não. – Ela o olhou por cima dos ombros. - Vou ficar aqui até me recuperar. Vou dormir no quarto do meu filho, já que não me despedi dele como deveria. Por favor, me deixe em paz.

- Mas Ceci...

- Se eu não estivesse vindo por conta própria você foderia minha irmã, e depois me buscaria no hospital, e continuaria tendo um caso com ela. Porque a Celina é boa de cama. Não se preocupa com nada, já que o velho noivo compra tudo para ela. Com a Celina tudo era mais fácil. Ela não lidaria com o luto, como a sua mulher. Então não. Não quero mais ouvir nada.

Diego fechou a porta, havia acabado com um relacionamento de doze anos, não tinha mais o que dizer. Perdera o filho, e destruiu para sempre o coração da esposa.

Capítulo 3 Por Luciana!

Tempos Atuais....

- O que eu vou fazer Júnior? – Felix levou as mãos a cabeça. - Não sei como fazer com ele.

- Felix. – José Carlos sentou-se ao lado dele. - Você perdeu seus pais, depois a Mel, e mesmo que tenha se afastado de tudo, cuidou do seu irmão á distância. Cuidou da faculdade dele, da formatura, das finanças e até das encrencas que ele arrumava. Cuidou da sua família quando o Nando quase morreu. Agora você tem um filho, eu sei que vai dar conta dele.

- Eu... Não sei como vou dizer para ele, que eu e a mãe. – Felix fechou os olhos. - Eu não pensei em ter um filho assim.

- Ninguém pensa cara. – José Carlos mantinha a mão nas costas dele. - Você é um Olivar Smith, sei que vai fazer a coisa certa. Vai aos poucos. O Luca nasceu bem fraquinho, não conseguia respirar direito, se conseguir passar essa noite vai ficar muitos dias aqui, até ele sair você terá tempo de aceitar as coisas. Tomei a liberdade de chamar o Nando. A Lu não pode vir, parece que a Maria Helena acordou com febre.

- Quando ele chega? – Felix indagou.

- Liguei para ele antes de você chegar aqui, se ele usou o avião, já deve estar por aqui.

- Obrigado Júnior. – Felix levantou o rosto.

- Vou ficar por aqui até seu irmão chegar. Depois devo ir para Londres.

Felix sabia o real motivo de José Carlos estar sempre longe. Ele nutriu um sentimento pela esposa de Fernando. Na época o irmão estava lutando contra um câncer agressivo, e Júnior esteve tanto do lado de Luiza que se apaixonou por ela. José Carlos era o melhor amigo de Nando, e acabou por contar para Felix quando estava bêbado de mais. Considerando-se um traidor do pior tipo, José Carlos resolveu que se afastar seria a melhor coisa.

Felix permaneceu ali até sentir um par de mãos em seu ombro, sabia que era seu irmão, então desabou completamente.

***

Horas se passaram, Fernando entrava e saía de salas, seguido por José Carlos. O corpo de Luciana já não estava mais na sala de parto. Era hora de ir até ela. Felix caminhou atrás do irmão pelo corredor frio, iria reconhecer o corpo de Luciana, já que ela não tinha parentes vivos. Parado frente aquela porta simples ele imaginou todas as circunstâncias que o levariam para longe daquele lugar. Por fim pensou em Luca. Felix devia isso á ela. Uma despedida.

- Eu entro com você. – Nando se adiantou.

- Não cara, eu entro. Devo isso á ela.

- Felix, você não aguentou ver a mãe naquela situação..

- Eu entro. – Felix manteve o tom firme. - Devo isso á ela.

Felix respirou fundo empurrou a porta e entrou.

Era uma única mesa disposta ali, Luciana ainda usava a touca do parto, a camisola hospitalar e o lençol sujo de sangue. A pele dela, normalmente rosada estava pálida, e os olhos que os inebriava estavam cerrados para a vida.

Ele parou a poucos centímetros dela, observou uma última vez as sardas que lhe cobriam o rosto e os ombros, as unhas curtas e bem feitas. Luciana era jovem.

- Lu... – Ele engoliu com dificuldade. - Me desculpa. Eu... Deveria ter colocado você dentro da minha casa. Mesmo com seu jeito estranho eu deveria ter protegido você. – Felix se aproximou mais um pouco. - Não entendo como alguém pôde ferir uma mulher grávida...

Felix se aproximou mais ainda, já podia sentir o cheiro doce dela misturado ao sangue. Luciana estava fria quando ele a tocou, os dedos já enrijeciam.

- Me perdoa Luciana, pelas vezes que brigamos, você deixou o Luca para mim e eu vou cuidar dele. Quanto á quem te fez mal, vou fazê-lo sofrer.

Se Luiza estivesse com ele, teria rezado pela alma de Luciana. Mas ele não sabia como fazer, então ergueu a cabeça para o alto e desejou que Luciana apesar de tudo o que havia feito, estivesse em um bom lugar. E que pudesse ver o crescimento do filho, se é que Luca cresceria.

Quando Felix voltou para junto do irmão tinha um semblante mais calmo.

- Irei cuidar do enterro dela. Luciana não tinha amigos ou parentes. Mas deixou meu filho e eu vou dar uma cerimônia á ela.

- Certo cara. – Nando deu alguns tapas no ombro dele. - Agora vamos descansar. Amanhã voltaremos para cuidar do Luca e de toda a papelada. A policia colheu os depoimentos das meninas do balcão, vão voltar para pegar as imagens da câmera e conversar com você. Por hoje, acabou.

***

Nem Felix, muito menos Nando conseguiram dormir naquela noite. O dia amanheceu chuvoso, a tempestade havia deixado muita gente desabrigada, houve vários acidentes e até mesmo alguns fatais.

Felix entrou no carro seguido pelo irmão e foram até o hospital,

Ao entrar ele notou os olhares estranhos, sussurros e condolências. Rumaram para o terceiro andar onde a médica, Doutora Ana os aguardava.

- Doutor Smith. Senhor Smith. Bom dia. Serei responsável pelo Luca. Podemos conversar na minha sala?

- Claro. – Nando respondeu. - Vamos.

Felix não sabia o que fazer, ouvia a médica falando em termos técnicos com Fernando, mostrando exames e sendo cobrada por mais.

- Ele não estava saturando muito bem. – Ela se explicou. - Então o ligamos no oxigênio. O Luca estava abaixo do peso para a idade gestacional, olha. - Ela olhou diretamente para Felix. - Ele sobreviver essa noite já foi um milagre. Agora torcemos para ele desenvolver.

- Quanto a parte neurológica. – Fernando pousou os exames na mesa.

- Sendo sincera ele passou por muita coisa, e também é muito prematuro. As sequelas serão aparentes com o tempo.

- Eu quero que deixe essa parte comigo. Serei o neurologista do Luca. Quero deixar bem claro que o tratarei como um paciente, farei por ele tudo o que faço pelos meus pacientes. Então, se eu solicitar exames não é porque é meu sobrinho. Entendeu?

- Sim, Doutor Fernando.

Felix nunca tinha visto essa agressividade no irmão. Talvez fosse porque ele havia pego alguns descasos com pacientes custeados pelos projetos.

A conversa durou bastante. Luca ainda não podia receber visitas por ser arriscado para a saúde dele, e era até melhor para Felix.

Fernando ainda ficou por lá uma semana. Como prometido cumpriu com a promessa, cuidou dos primeiros exames de Luca, acompanhou os primeiros dias dele, contratou uma empregada para Felix e pediu que um amigo, decorador fosse até a casa, mostrou onde seria o quarto do pequeno. Com a policia foi bem mais lento, já que Luciana era somente uma prostituta cara. Felix tinha um álibi, todas as câmeras de segurança em volta da casa e na portaria, o telefone que fora rastreado e todas as redes sociais.

- Eu não posso ficar muito mais tempo Felix. – Nando empurrou a mala para a porta. - Luiza está se virando como pode com os pequenos furacões. Vou me manter informado sobre o estado de saúde de Luca. E você trate de ajeitar uma babá com experiência para cuidar dele.

- Não tenho sorte com essas coisas. – Felix disse.

- Vou conversar com a Lu. Ou pedirei para algum médico daqui me passar o contato de alguma babá competente.

- Obrigado Nando. Por tudo o que fez por mim. – Felix o abraçou meio sem jeito.

- Somos uma família. Você cuidou da minha quando eu precisei. E eu estou cuidando da sua. Voltarei mais vezes com a Lu. Vamos passar por isso juntos cara. Nossa família vai crescer, e logo vamos nos lembrar dessa fase ruim como um aprendizado.

Felix levou o irmão até o carro, se despediu e voltou para a casa enorme e solitária. O pensamento estava em Luca. Ele tinha de viver. Por Luciana.

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