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Uma Borboleta Azul, Paz Eterna

Uma Borboleta Azul, Paz Eterna

Autor:: Weeble
Gênero: Moderno
O médico soltou a bomba: doença terminal. O mundo parou para mim, mas a dor maior foi descobrir que a salvação do meu marido, em coma após um acidente, havia sido roubada. O dinheiro, todo ele, sumiu. E quem o pegou não foi um estranho, mas Sofia, a irmã dele, para uma cirurgia plástica na filha por causa de um arranhão. Com minha própria sentença de morte e sem grana para o Pedro, senti um silêncio assustador. Como pude ser tão cega? Como minha própria cunhada pôde me trair assim? Perguntei aos meus pais sobre o sumiço do dinheiro, mas eles apenas sorriram aliviados, dizendo que Sofia era mais responsável. Até meu filho, João, de sete anos, parecia mais próximo dela do que de mim. A dor rasgava meu peito, a traição me cegava. Eu ia morrer, mas não deixaria Sofia vencer. Com uma calma fria, o jogo começou: transferi minha casa de praia para o nome dela. Quando meu marido e meus pais, manipulados por Sofia, sugeriram que ela se casasse com Pedro para "trazer sorte", meu coração se despedaçou. Daquele dia em diante, não haveria choros. A vingança seria meu último ato, minha última herança.

Introdução

O médico soltou a bomba: doença terminal.

O mundo parou para mim, mas a dor maior foi descobrir que a salvação do meu marido, em coma após um acidente, havia sido roubada.

O dinheiro, todo ele, sumiu. E quem o pegou não foi um estranho, mas Sofia, a irmã dele, para uma cirurgia plástica na filha por causa de um arranhão.

Com minha própria sentença de morte e sem grana para o Pedro, senti um silêncio assustador.

Como pude ser tão cega?

Como minha própria cunhada pôde me trair assim?

Perguntei aos meus pais sobre o sumiço do dinheiro, mas eles apenas sorriram aliviados, dizendo que Sofia era mais responsável.

Até meu filho, João, de sete anos, parecia mais próximo dela do que de mim.

A dor rasgava meu peito, a traição me cegava.

Eu ia morrer, mas não deixaria Sofia vencer.

Com uma calma fria, o jogo começou: transferi minha casa de praia para o nome dela.

Quando meu marido e meus pais, manipulados por Sofia, sugeriram que ela se casasse com Pedro para "trazer sorte", meu coração se despedaçou.

Daquele dia em diante, não haveria choros.

A vingança seria meu último ato, minha última herança.

Capítulo 1

A notícia do médico foi direta, sem rodeios. Doença terminal. Restava pouco tempo.

No momento em que ouvi o veredito, senti um silêncio profundo tomar conta de tudo. O mundo continuava girando, mas para mim, ele havia parado. A única coisa que me mantinha de pé era a esperança de salvar meu marido, Pedro. Ele, um jogador de futebol famoso, o orgulho da família, estava em uma cama de hospital depois de um acidente terrível. A salvação dele era um tratamento experimental caríssimo no exterior. Era para isso que todo o nosso dinheiro servia.

Mas a salvação dele foi roubada. E não por um estranho, mas pela minha cunhada, Sofia, irmã de Pedro.

Ela pegou o dinheiro. Todo ele. Não para uma emergência de vida ou morte, mas para pagar uma cirurgia plástica para a filha dela, que tinha sofrido um arranhão no rosto. Um arranhão.

Com a minha própria sentença de morte declarada e o dinheiro para a vida do meu marido desaparecido, a única coisa que me restou foi um plano. Um último ato. Eu não ia morrer deixando Sofia vencer.

Comecei naquele mesmo dia. Fui ao banco e iniciei a transferência da minha casa de praia para o nome dela. O gerente me olhou com estranheza, mas eu insisti.

Quando contei aos meus pais, esperando choque ou preocupação, vi alívio.

"Que bom que você está finalmente pensando direito, Luana," disse minha mãe, com um suspiro. "Sofia sempre foi mais responsável. Ela saberá cuidar bem das coisas."

Meu pai concordou com a cabeça. "Sua cunhada é uma mulher de ouro. Sempre cuidando de tudo, do Pedro, do seu filho. É bom que você reconheça isso."

Eles não sabiam do dinheiro roubado. Para eles, eu estava apenas sendo generosa, talvez um pouco errática por causa do estresse. A verdade era conveniente demais para que eles a questionassem.

Voltei para a casa que um dia foi meu lar. A casa que eu e Pedro construímos juntos. Sofia estava lá, é claro. Ela praticamente morava ali desde o acidente de Pedro. Meu filho, João, de apenas sete anos, estava no colo dela, rindo de algo que ela cochichava em seu ouvido.

"Mamãe!" ele disse ao me ver, mas não se moveu.

Sofia me lançou um sorriso vitorioso. "Luana, que bom que chegou. Estava justamente dizendo ao João como a mamãe dele está cansada e precisa que a gente cuide dela."

Eu não disse nada. Apenas fui para o meu quarto. Mais tarde, no jantar, a conversa era toda sobre Sofia. Como ela era forte, como ela estava segurando as pontas pela família. Meus pais, meu marido debilitado na sua cadeira de rodas, todos a olhavam com admiração. Eu era uma espectadora na minha própria vida.

Então, eu joguei a próxima isca.

"Sofia," eu disse, com a voz calma. "Eu estive pensando. A casa de campo também é muito grande para eu cuidar sozinha. Acho que vou passá-la para o seu nome também."

O garfo de meu pai caiu no prato. Minha mãe engasgou. Pedro, que mal falava, virou a cabeça lentamente na minha direção, os olhos nublados pela medicação, mas com um brilho de surpresa.

Sofia se fez de modesta. "Luana, não precisa. É demais."

"Eu insisto," respondi, olhando para meus pais. "Você merece. Você cuida de todos nós."

A surpresa na mesa rapidamente se transformou em sorrisos de aprovação. Minha mãe secou uma lágrima falsa. "Nossa filha finalmente está amadurecendo. Vendo o que realmente importa."

A náusea subiu pela minha garganta, mas eu a engoli.

Mais tarde naquela noite, Pedro me chamou no quarto dele. Sua voz estava fraca, arrastada.

"Luana," ele começou, sem me olhar nos olhos. "Eu sei que as coisas estão difíceis."

Eu esperei.

"Sua mãe... e a Sofia... elas acham que... para a minha recuperação... talvez fosse bom ter uma energia nova em casa. Alguém forte."

Meu coração, que eu achava que não podia mais se partir, se estilhaçou. Eu sabia o que estava vindo.

"Elas acham que a Sofia deveria se casar comigo," ele disse, finalmente. "Para trazer sorte. Para me ajudar a melhorar. Um casamento para afastar o azar."

Ele disse isso. Meu marido, o homem por quem eu daria a vida, estava me pedindo para sair de cena para que sua irmã pudesse tomar o meu lugar. Para "trazer sorte" .

Eu olhei para ele, para o rosto que um dia amei tanto, e pela primeira vez, não senti nada. Absolutamente nada. O amor tinha morrido. E no lugar dele, nasceu uma calma fria e cortante.

"É uma boa ideia, Pedro," eu respondi, e a minha própria voz me soou estranha. "Uma ideia excelente."

Ele pareceu chocado com a minha aceitação rápida, mas também aliviado. A culpa em seu rosto foi rapidamente substituída por uma espécie de gratidão doentia.

O jogo tinha começado. E eu ia jogá-lo até o fim.

Capítulo 2

Diante do pedido absurdo de Pedro, um pedido que significava apagar minha existência, eu deveria ter gritado. Deveria ter chorado, quebrado coisas, exposto a crueldade de todos eles ali mesmo. Mas eu não fiz nada disso. Uma paz gélida havia se instalado em mim. A luta tinha acabado. Todas as minhas expectativas em relação a ele, à minha família, se dissolveram no ar.

"Se é isso que vai te fazer melhorar, Pedro, eu concordo," eu disse, com a voz firme. "Vamos fazer o que for preciso pela sua saúde."

Pedro me olhou, uma mistura de surpresa e alívio em seus olhos. Ele esperava uma briga, lágrimas. Minha aceitação o desarmou.

"Luana, eu... eu sabia que você entenderia," ele gaguejou, tentando forçar uma expressão de gratidão. "Você sempre foi tão compreensiva. E não se preocupe, eu nunca vou te esquecer. Mesmo casado com a Sofia, você sempre terá um lugar aqui. Cuidaremos de você."

A ironia era tão espessa que eu quase podia tocá-la. Ele estava me expulsando da minha própria vida e me oferecendo um quartinho de hóspedes como prêmio de consolação.

João, que tinha ouvido a parte final da conversa da porta, entrou correndo e abraçou a perna de Pedro. "Papai, então a tia Sofia vai ser minha nova mamãe? E ela vai cuidar de você e de mim para sempre?"

"Isso mesmo, campeão," disse Pedro, bagunçando o cabelo do nosso filho. "A tia Sofia vai cuidar de todos nós."

Naquele momento, uma tontura avassaladora me atingiu. A visão escureceu, as pernas fraquejaram. O chão veio de encontro a mim rapidamente. A última coisa que ouvi antes de apagar foi a voz irritada de Pedro.

"Ah, qual é, Luana? Agora não. Não precisa desse drama todo."

Quando acordei, eu estava no sofá da sala. Sofia colocava um pano úmido na minha testa, com uma expressão de falsa preocupação. Meus pais e Pedro me olhavam com desaprovação.

"Você nos deu um susto," disse minha mãe, o tom de voz dela era de pura repreensão. "Fingir um desmaio não vai mudar nada. Só torna as coisas mais difíceis para todos."

"Sua mãe tem razão," acrescentou Pedro, da sua cadeira de rodas. "Pensamos que você finalmente tinha aceitado a situação com maturidade."

Eu me sentei lentamente, a cabeça ainda girando. E então eu entendi. A medicação. O remédio que o médico me deu para aliviar a dor e os sintomas mais agressivos da doença estava funcionando bem demais. Ele mascarava a devastação que acontecia dentro de mim, me fazendo parecer... normal. Saudável. Eles não viam uma mulher morrendo. Viam uma mulher sã e cheia de artimanhas.

Essa percepção não me trouxe mais dor, apenas clareza. Era a peça que faltava no meu quebra-cabeça. Eles não eram apenas cruéis, eram cegos. E a minha doença, escondida por trás de uma aparência de normalidade, era a minha maior aliada no plano que se formava.

Eu me levantei, cambaleando um pouco, e me dirigi a Sofia. Todos ficaram em silêncio, esperando outra cena de "drama" .

"Sofia," eu comecei, e todos os olhos se fixaram em mim. "O que eu disse antes sobre as casas não é suficiente."

Ela franziu a testa, confusa.

"Eu quero que você fique com tudo," eu continuei, a voz ressoando na sala silenciosa. "O resto das propriedades, as ações, o dinheiro que ainda tenho em meu nome. Tudo. Vou assinar os papéis amanhã."

Um silêncio chocado pairou no ar. Meus pais se entreolharam, boquiabertos. Pedro me encarava como se eu fosse louca. E Sofia... no rosto de Sofia, por um breve segundo, antes que ela pudesse esconder, eu vi a mais pura e triunfante ganância.

"Luana, eu não posso aceitar..." ela começou a protestar, encenando a humildade de sempre.

"Você pode e vai," eu a interrompi, com uma autoridade que surpreendeu a todos, inclusive a mim mesma. "Considere um presente de casamento."

Com isso, virei as costas e subi para o meu quarto, deixando-os para trás, atordoados e confusos. No espelho, a mulher que me encarava de volta tinha os olhos fundos, mas eles brilhavam com uma nova e terrível determinação. Se eles queriam que eu desaparecesse, eu desapareceria. Mas primeiro, eu construiria para Sofia um trono tão alto que a queda seria espetacular.

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