Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > LGBT+ > Uma Década Desfeita pela Decepção
Uma Década Desfeita pela Decepção

Uma Década Desfeita pela Decepção

Autor:: Poppy
Gênero: LGBT+
Eu desabei de exaustão depois de dedicar dez anos da minha vida à minha namorada e CEO, Isabela. Abri mão da minha música, dos meus sonhos, de tudo, para construir o império dela. No hospital, o médico me deu a notícia. Tumor maligno. Eu precisava de uma cirurgia de emergência para salvar minha vida. Isabela nunca me visitou. Nenhuma vez. Mais tarde, descobri que ela estava ao telefone com outro homem, dizendo docemente que sentia falta dele enquanto eu estava deitado em uma cama de hospital. Duas semanas depois de arrancarem o câncer de mim, no aniversário dela, fui para casa e preparei sua refeição favorita. Era para ser nossa última ceia, um adeus final. Ela chegou tarde da noite, bêbada, carregada nas costas daquele mesmo homem. Eles usavam camisetas pretas combinando. A dele dizia: "Estou com ela". A dela: "Estou com ele". Ela me viu e congelou. O riso morreu em sua garganta. Desesperada, ela desceu das costas dele, o rosto uma máscara de pânico e culpa. Mas eu não senti nada. Nem raiva, nem ciúme. A parte de mim que podia sentir dor por ela havia sido arrancada na mesa de operação, junto com o tumor. Eu a encarei nos olhos. "Acabou." Então, saí da cobertura que um dia chamamos de lar, deixando-a sozinha no monumento ao nosso relacionamento fracassado. Desta vez, eu não voltaria.

Capítulo 1

Eu desabei de exaustão depois de dedicar dez anos da minha vida à minha namorada e CEO, Isabela. Abri mão da minha música, dos meus sonhos, de tudo, para construir o império dela. No hospital, o médico me deu a notícia.

Tumor maligno. Eu precisava de uma cirurgia de emergência para salvar minha vida.

Isabela nunca me visitou. Nenhuma vez. Mais tarde, descobri que ela estava ao telefone com outro homem, dizendo docemente que sentia falta dele enquanto eu estava deitado em uma cama de hospital.

Duas semanas depois de arrancarem o câncer de mim, no aniversário dela, fui para casa e preparei sua refeição favorita. Era para ser nossa última ceia, um adeus final.

Ela chegou tarde da noite, bêbada, carregada nas costas daquele mesmo homem.

Eles usavam camisetas pretas combinando. A dele dizia: "Estou com ela". A dela: "Estou com ele".

Ela me viu e congelou. O riso morreu em sua garganta. Desesperada, ela desceu das costas dele, o rosto uma máscara de pânico e culpa.

Mas eu não senti nada. Nem raiva, nem ciúme. A parte de mim que podia sentir dor por ela havia sido arrancada na mesa de operação, junto com o tumor.

Eu a encarei nos olhos. "Acabou."

Então, saí da cobertura que um dia chamamos de lar, deixando-a sozinha no monumento ao nosso relacionamento fracassado. Desta vez, eu não voltaria.

Capítulo 1

Coloquei a carta de demissão sobre a mesa da gerente de RH. O papel era nítido e branco, um contraste gritante com a tempestade que se formava dentro de mim.

"Bruno? O que é isso?", Sara perguntou, com os olhos arregalados de surpresa. Ela pegou a carta como se pudesse queimar seus dedos.

Ela leu, sua expressão mudando de confusão para incredulidade. "Você está indo embora? Depois de todo esse tempo?"

Eu apenas assenti, com a garganta apertada demais para falar.

"Mas... Bruno, é o seu aniversário de dez anos com a Isabela na semana que vem. A empresa inteira sabe. Estávamos planejando uma surpresa."

Dez anos. As palavras pairavam no ar, pesadas e sem sentido. Uma década da minha vida, derramada nela, na empresa dela. Para nada.

Fiquei em silêncio, meu rosto uma máscara em branco. Eu não podia me dar ao luxo de demonstrar qualquer emoção. Se eu começasse, talvez não conseguisse parar.

Sara suspirou, vendo a determinação em meus olhos. Ela se levantou. "Preciso que a Isabela assine isso."

"Ela é a CEO", eu disse, com a voz vazia. "É o procedimento."

Ela saiu da sala e eu olhei pela janela para o horizonte de São Paulo. Esta era a vista do nosso novo escritório na cobertura, um símbolo do sucesso que eu ajudei a construir. O sucesso que me custou tudo.

Sara voltou alguns minutos depois, a carta agora com a assinatura floreada e arrogante de Isabela. Ela nem sequer se deu ao trabalho de olhar o que estava assinando.

"Ela nem perguntou o que era", disse Sara, em um sussurro. "Estava em uma ligação."

Claro que estava. Sempre ocupada, sempre importante.

"Bruno, você tem certeza disso? A InovaTech precisa de você. A Isabela... ela precisa de você. Você cuida de tudo. Sem você, este lugar vai desmoronar."

Uma dor surda começou no meu peito. Sara estava certa. Era eu quem lembrava do aniversário da mãe dela, quem lidava com as exigências intermináveis de sua família, quem garantia que o café dela estivesse exatamente como ela gostava. Eu era seu assistente executivo, seu namorado, sua sombra. O homem que fazia o mundo dela girar suavemente para que ela pudesse brilhar.

A dor se intensificou quando me lembrei do que encontrei na noite anterior. Tínhamos acabado de nos mudar para a cobertura, aquela que ela prometeu que seria nosso lar para sempre. Voltei de uma reunião tarde da noite e encontrei um relógio masculino na mesa de cabeceira. Não era meu. Era um Rolex, chamativo e caro, exatamente como os homens que ela sempre parecia encontrar.

Eu o peguei. Ainda estava quente. A traição foi algo físico, um soco no estômago que me deixou sem ar. Não era a primeira vez. Nem a décima. Mas desta vez, em nosso novo lar, aquele que deveria representar nosso futuro... desta vez foi diferente.

Eu não a confrontei. Não gritei. Simplesmente guardei o relógio no bolso, saí e passei a noite em um hotel, o silêncio do quarto gritando mais alto do que qualquer discussão jamais poderia. Dez anos. Eu havia lhe dado minha juventude, minha música, meus sonhos. Troquei meu violão por uma agenda, minhas canções por planilhas.

Na manhã seguinte, eu a vi. Disse a ela que estava deixando-a e a empresa.

Ela apenas riu, um som desdenhoso e tilintante que irritou meus nervos. "Bruno, não seja dramático. Você só está cansado."

Ela tocou meu braço, seu toque parecendo gelo. "Você nunca me deixaria. Você me ama demais."

Ela se afastou, confiante e segura de si, sem nunca olhar para trás. Ela não acreditou em mim. Achava que eu era um item permanente em sua vida, um móvel com o qual ela sempre poderia contar.

Foi quando eu soube que realmente tinha acabado.

Fui direto daquela conversa para o escritório e digitei minha demissão.

"Bruno?", a voz de Sara me trouxe de volta ao presente. "Você está bem?"

"Estou bem", eu disse, com a voz firme. "Por favor, encontre um substituto o mais rápido possível. Ajudarei na transição."

Virei-me e saí de sua sala, sem olhar para trás.

Mais tarde naquela noite, havia uma gala de tecnologia. Isabela, é claro, era a estrela do show. Ela me mandou uma mensagem.

Lavanderia. Meu vestido azul. Preciso dele até as 19h.

Sem "por favor". Sem "obrigado". Apenas uma ordem. Ela nem sabia que eu já tinha me demitido.

Eu não respondi. Liguei para sua nova assistente júnior e disse para ela cuidar disso. Então, dirigi até a lavanderia eu mesmo. Era um hábito, um reflexo gravado ao longo de cinco anos sendo seu cuidador pessoal.

Por cinco anos, eu fiz de tudo. Marquei seus compromissos, gerenciei sua agenda, até lidei com sua mãe esnobe, Diana, que nunca perdia a chance de me lembrar que eu não era bom o suficiente para sua filha. Fiz tudo isso porque pensei que estava facilitando a vida dela, ajudando-a a construir seu sonho.

Agora eu sabia que era apenas uma conveniência. Uma ferramenta que ela usava e descartava à vontade.

Deixei o vestido no escritório para a assistente júnior levar para ela. Eu não queria vê-la.

Mas fui à gala mesmo assim. Uma parte de mim precisava ver aquilo uma última vez.

Ela me disse para esperá-la do lado de fora, que era um evento de alto nível. Ela não queria que seu namorado-assistente atrapalhasse seu brilho.

Encontrei um canto tranquilo nos fundos, observando-a. Ela se movia pela multidão como uma rainha, charmosa e linda, uma taça de champanhe na mão. Estava conversando com um homem bonito, rindo, com a mão no braço dele. Era uma cena familiar, à qual eu já havia me tornado insensível.

Ela estava em seu elemento, o centro das atenções de todos.

Verifiquei meu relógio. Era hora.

Dei uma última olhada nela, a mulher que amei por uma década. A mulher que estilhaçou meu coração em um milhão de pedaços.

Então me levantei e saí da gala, o som de sua risada desaparecendo atrás de mim.

Eu já tinha esperado o suficiente. Era hora de partir para sempre.

Capítulo 2

Dirigi de volta para a cobertura que um dia chamamos de nosso lar. O silêncio era ensurdecedor. Passei o resto da noite empacotando minhas coisas. Cada objeto guardava uma memória, um fantasma de uma promessa. Metodicamente, coloquei minha vida em caixas de papelão, selando uma década do meu passado.

Isabela não voltou para casa. Não ligou. Não mandou mensagem.

No passado, eu estaria doente de preocupação, ligando para seus amigos, checando os hospitais. Naquela noite, não senti nada. Uma calma vasta e vazia se instalou sobre mim. O paradeiro dela não era mais da minha conta.

Encontrei o presente de aniversário que comprei para ela – uma palheta de guitarra personalizada, gravada com a data em que nos conhecemos. Segurei-a por um momento, depois a joguei na lata de lixo sem pensar duas vezes.

Exausto, caí no sofá e dormi.

Na manhã seguinte, fui acordado por batidas furiosas na porta. Cambaleei para abri-la, minha cabeça enevoada de sono.

Diana Soares, a mãe de Isabela, estava lá, com o rosto uma máscara de fúria.

"Onde está a Isabela?", ela gritou, passando por mim e entrando no apartamento. "Você não sabe que dia é hoje? Você deveria estar com ela! Que tipo de namorado você é."

Ela arrancou o cobertor de mim, seus olhos percorrendo minha camiseta simples e calça de moletom com desdém. "Olhe para você. Você é um desastre. Minha filha merece coisa melhor."

"Onde ela está?", Diana exigiu novamente, sua voz afiada.

"Eu não sei", eu disse, minha voz rouca de raiva. "E você não tem o direito de estar na minha casa. Saia."

"Eu saio quando eu quiser", ela zombou. "Vá se vestir. Você parece patético."

Eu conhecia o jogo dela. Ela adorava me humilhar. Fui para o banheiro e fechei a porta, o som ecoando no apartamento vazio.

Quando saí, vestido com jeans e uma camisa limpa, Isabela estava lá. Ela estava ao lado da mãe, parecendo cansada, mas linda, um leve traço do perfume de outro homem grudado em suas roupas.

"Mãe, para com isso", disse Isabela, com a voz cansada.

Diana mudou de tom imediatamente, sua voz se tornando chorosa. "Isabela, querida, você tem que falar com o Bruno. Meu sobrinho precisa entrar naquela escola particular, e o pai do Bruno é o único que pode fazer isso acontecer."

Ela se virou para mim, seus olhos gananciosos. "Bruno, você tem que nos ajudar. Somos família."

Olhei para ela, para suas roupas caras e unhas perfeitamente feitas. Por anos, ela me tratou como lixo, mas nunca hesitou em usar minhas conexões familiares quando lhe convinha.

Meu pai, o Coronel Matos, era um homem de imenso poder e influência. Ele também era um homem com quem eu não falava há anos.

Isabela estava prestes a falar, a me pedir para fazer a ligação. Eu já tinha feito isso por ela uma dúzia de vezes.

Mas desta vez, eu falei primeiro. "Não."

Minha voz era baixa, mas firme. "Eu sou apenas um músico pobre, lembra? Não sou bom o suficiente para sua família. Não posso te ajudar."

O rosto de Diana ficou vermelho. "Como você ousa! Depois de tudo que fizemos por você!"

Eu apenas a encarei, meu silêncio mais poderoso do que qualquer argumento.

Isabela interveio, puxando a mãe em direção à porta. "Mãe, já chega. Eu resolvo."

Depois que Diana saiu, batendo a porta atrás de si, Isabela se virou para mim. Ela tentou pegar minha mão, sua expressão suave e apologética.

"Desculpe por ela, Bruno. Você sabe como ela é."

Puxei minha mão, meus olhos captando uma leve marca vermelha em seu pescoço, logo abaixo da orelha. Um chupão. Meu estômago revirou.

"Onde você estava ontem à noite?", ela perguntou, sua voz um pouco casual demais.

"Isso importa?", eu disse, virando-me para longe dela.

"As pessoas mudam, Isabela."

Ela riu, um som confiante e conhecedor. "Você não, Bruno. Você nunca vai mudar."

Afastei a mão dela novamente, com mais força desta vez. "Eu tirei uma licença. Encontre outro assistente para fazer seus recados."

Passei por ela, pegando minhas chaves do balcão.

"Onde você vai?", ela gritou atrás de mim, um toque de irritação em sua voz.

Eu não respondi. Apenas saí pela porta, deixando-a sozinha no monumento ao nosso relacionamento fracassado. Ela provavelmente pensou que eu estava apenas fazendo birra, que voltaria para o jantar. Ela estava errada.

Uma hora depois, eu estava sentado em um escritório elegante e moderno do outro lado da cidade, apertando a mão do CEO de uma empresa de capital de risco rival.

"A oferta é generosa", eu disse, olhando para o contrato.

"Nós conhecemos o seu valor, Sr. Johnson", respondeu o CEO, um homem perspicaz chamado Mendes. "Isabela Soares pode ter construído a marca, mas você construiu o império. Queremos isso para nós."

Assinei o acordo sem hesitar. Um novo emprego. Uma nova vida.

Quando eu estava saindo, a assistente de Mendes, uma jovem simpática, caminhou comigo até o elevador.

"A Isabela vai enlouquecer quando descobrir", ela disse com um sorriso.

"Eu não me importo", eu disse, e pela primeira vez, percebi que era verdade.

Meu celular vibrou no bolso. Uma mensagem de Isabela.

Onde você está? A assistente do Mendes acabou de postar uma foto com você. Você está me traindo, Bruno?

Outra vibração.

Depois de tudo que eu fiz por você? Como você pôde?

As acusações eram tão previsíveis, tão perfeitamente Isabela. Não me dei ao trabalho de responder.

Capítulo 3

Meu primeiro instinto foi olhar ao redor, um reflexo paranoico que ela havia treinado em mim ao longo dos anos. Ela estava me seguindo?

Meu celular vibrou novamente. Minha mãe te viu entrando no prédio deles.

Claro. Diana. Eu deveria saber.

Eu esperava que ela perguntasse onde eu estava, o que estava fazendo. O salto imediato para a traição era revelador.

Digitei uma resposta rápida, sem me dar ao trabalho de pensar muito. Encontrando um amigo.

A resposta dela foi instantânea. Ah. Ok.

Ela acreditou em mim. Simples assim. A arrogância era de tirar o fôlego. Ela não conseguia conceber um mundo onde eu realmente a deixaria.

Só tome cuidado, Bruno. Você ainda é meu namorado. Não faça nada para me envergonhar.

Soltei uma risada curta e amarga. Meu namorado. Um título que ela só parecia lembrar quando lhe convinha. Sua possessividade, seu descaso casual pela verdade – tudo era tão familiar. Ela estava tão acostumada à minha devoção que pensava que uma simples mentira poderia resolver qualquer coisa.

Uma semana depois, a InovaTech organizou um evento de lançamento para uma nova linha de produtos. Como parte da minha transição, eu ainda estava participando de grandes eventos. Perto da entrada, meus olhos foram atraídos por um carro-conceito em exibição, uma fera prateada e elegante com linhas agressivas.

Eu o reconheci instantaneamente. Na lateral, quase escondido, havia um pequeno logotipo estilizado de uma onda quebrando. Meu design. Eu o havia esboçado para ela anos atrás, em um guardanapo em uma lanchonete barata. Era um símbolo do nosso sonho compartilhado – poderoso, imparável, quebrando contra a costa.

Parei, meus pés grudados no chão. O carro era um fantasma de um passado do qual eu estava tentando escapar.

"Você gostou?", a voz de Isabela estava de repente ao meu lado. Ela havia surgido da multidão, seus olhos brilhando.

"Eu compro para você", ela disse, sua voz cheia de uma generosidade grandiosa. "Um presente de aniversário atrasado."

Ela mencionou nosso aniversário, aquele que deveríamos ter tido, como se nada tivesse acontecido. Como se ela não tivesse passado aquela noite com outra pessoa.

"Podemos personalizá-lo", ela continuou, alheia à turbulência dentro de mim. "Talvez mudar a cor. Não tenho certeza se gosto do prata."

Ela havia esquecido. Ela não se lembrava do guardanapo, da lanchonete, do significado por trás da onda. Era apenas mais um brinquedo caro para ela agora.

"Não, obrigado", eu disse, minha voz oca.

Ela acenou para o designer-chefe, um homem bonito com um sorriso encantador. Observei seus olhos se iluminarem quando ele se aproximou. Ele era exatamente o tipo dela – confiante, bem-sucedido, com um toque de perigo.

Eu conhecia aquele olhar. Era o mesmo olhar que ela dera a uma dúzia de outros homens ao longo dos anos.

Ela imediatamente se envolveu em uma conversa com ele, perguntando sobre as especificações do motor, o design aerodinâmico. Ela estava fingindo interesse nos detalhes, mas eu sabia no que ela estava realmente interessada.

Baixei os olhos, a dor uma pulsação familiar e surda no meu peito. Lembrei-me de quando eu tinha dezoito anos, e ela me olhava com aquela mesma adoração. O amor dela parecia tão real então, tão abrangente. Agora, aos vinte e oito, era apenas uma performance, um eco oco do que já fomos.

Lembrei-me da primeira vez que encontrei uma mensagem no celular dela de outro homem. Ela jurou que era um mal-entendido, que eu era o único para ela. Eu acreditei nela. Fui a um bar, fiquei bêbado e me convenci de que o que tínhamos valia a pena lutar. Meus amigos a chamavam de "aproveitadora", "narcisista". Eu a defendi, dizendo que eles não entendiam nosso amor. Eu tinha sido um tolo.

"Bruno?", a voz de Isabela era afiada, impaciente. Ela havia se virado para mim, seu momento com o designer aparentemente terminado. "Você está me ouvindo?"

Olhei para ela e, pela primeira vez, não vi a garota por quem me apaixonei. Vi uma estranha, seus olhos cheios de uma irritação que ela não se preocupava em esconder. Meus anos de devoção, minha lealdade inabalável – tudo parecia tão ridículo agora.

"Sim, Sra. Soares", eu disse, minha voz fria e profissional. A mudança no tratamento a fez recuar.

"Vou para casa agora", ela disse, seu tom seco. Ela jogou o casaco e a bolsa para mim. "Não me espere."

Eu os peguei, um reflexo nascido de anos de serviço. Observei-a se afastar, sua atenção já se voltando para o designer. Eles começaram a andar juntos, rindo, e se afastaram.

Eu não fui para casa. Fui ao escritório para empacotar o resto dos meus arquivos pessoais. Depois, dirigi para meu novo e vazio apartamento.

Na manhã seguinte, havia uma reunião crítica do conselho. Isabela não estava lá.

Liguei para o celular dela. Tocou várias vezes antes que ela atendesse.

"Alô?", sua voz estava grossa de sono, rouca.

"Isabela, a reunião começa em trinta minutos."

Antes que ela pudesse responder, ouvi outra voz ao fundo. A voz de um homem.

"Amor, quem é?", era Caio Rocha, o designer da noite anterior. Sua voz era íntima, possessiva.

O mundo ficou em silêncio.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022