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Uma Dose de Amor

Uma Dose de Amor

Autor:: Mel Cooper
Gênero: Romance
Aimée, é uma jovem mulher que acabou de completar seus vinte e cinco anos. Recém formada em gastronomia e com dificuldades para ter sua independência, tem sua rotina mudada drasticamente da noite pro dia quando sua melhor amiga acaba se acidentando. Com tamanha mudança, em uma noite tirada para si a mesma acaba conhecendo um gringo que vai mudar não só sua vida, como fará com que seu coração fique dilacerado. Henrico, um homem arrogante, que nunca esteve em um relacionamento sério, mandão, sarcástico e bipolar. Em um mundo completamente novo, seria possível ele se apaixonar? Quando vai para a Bahia após abrir sua primeira filial brasileira, acaba encontrando uma pessoa que o fará duvidar de suas próprias palavras, mas não antes de machuca-lá. Estão preparados para saberem se ambos estarão dispostos a deixar a dose de amor os embebedar?

Capítulo 1 — Início de tudo

Droga.

Mais um dia se passou e ninguém arrumou o elevador. Tá barril continuar dessa maneira. Moro no décimo andar de um prédio quase caído em Camaçari e fazem quase dois anos que o elevador quebrou e ninguém fez questão de correr atrás para poder ajeitar, e mesmo que eu tivesse pegado no pé do porteiro, ele não mexeria seu dedinho para nada. Espero um dia ter dinheiro suficiente para poder me mudar.

Desde que me mudei da casa da minha mãe, dois anos atrás, anda difícil ter uma boa vida. Eu trabalho como garçonete em uma conveniência de lanches em Salvador. O salário não é bom, mas pra quem quer ter sua independência já é um belo início. Moro sozinha, pago aluguel, água e energia, e com o restante do dinheiro tento sobreviver até o fim do mês, gastando com alimentação.

Olho para as escadas que me chamam e dou um sorriso fraco. Não tenho do que reclamar, eu tenho um teto para morar e é isso que importa. Tantas pessoas que nem isso tem. O que me faz lembrar que minhas últimas moedas eu entreguei para uma mulher que queria comprar seu jantar alguns minutos atrás, antes de entrar no meu prédio. Mas essa é a vida, temos que ajudar aqueles que não tem, com o pouco que temos.

Meus pés estão esmagados na minha sapatilha, a mesma já estava quase abrindo um buraco no meu dedão do pé de tão desgastada que. Começo a subir os degraus rapidamente, pois ansiava por um banho. Sentia o suor grudento em minha nuca, o que me deixava agoniada.

Depois de alguns minutos correndo nos degraus, dobro meu corpo para a esquerda para então ir em direção a porta do meu pequeno apartamento. Ergo uma sobrancelha confusa por Bella estar ali, parada e com uma expressão facial assustada e de quem chorou.

Conheci Bella assim que entrei na faculdade, formei-me em gastronomia com a ajuda dos meus pais e desde então temos uma amizade firme e forte de oito anos. Ela é americana e veio tentar a sorte no Brasil. Confome suas próprias palavras, se apaixonou por Bahia.

- Bella, não sabia que viria. Por que não me ligou? - pergunto, abrindo minha bolsa para pegar a chave da porta. - Tá tudo bem?

Fecho o zíper da bolsa marrom e ergo as chaves, enquanto noto seus olhos lacrimejados. Merda.

- Eu te liguei, mas pelo visto seu celular estava sem bateria, como sempre - fala, enquanto eu encaixava a chave na fechadura da porta e logo abro a mesma. Deixo Bella passar na frente e logo fecho a porta atrás de mim.

Não respondo ela de volta, apenas deixo minha bolsa sobre a mesinha, tiro minha sapatilha, abro o zíper da calça que me incomodava, assim como faço com os três botões da camisa que visto. Está muito calor.

Jogo-me no sofá e manejo com a cabeça para que ela faça o mesmo. Não demora para que ela se joga em meu colo, chorando a ponto de se engasgar. Sabia que algo havia acontecido.

- O Felipe terminou comigo. - Abro minha boca para responder alguma coisa, mas naquele momento não consegui. Eu sou péssima com conselhos.

Abraço seu corpo com a maior força habitada em mim e deixo que ela se acalme, para que pudesse explicar-me melhor o que havia acontecido.

Felipe era seu namorado há três anos, ambos gostavam-se bastante e mesmo que eu no inicio tivesse um pé atrás com ele, ele mostrou ser totalmente o oposto do que eu imaginava ser, mas ainda sim não confiava de olhos fechados. Entretanto, ele fazia Bella feliz e era isso que importava.

Passa quinze minutos e ela começa a recompor em meu colo, ergueu-se e foi até a cozinha, creio que para buscar água, então aproveito para fazer o mesmo. Meu apartamento era composto por três cômodos, um se dividia por um balcão, tornando-se a sala e a cozinha, um quarto e um banheiro. Como eu moro sozinha, é o suficiente para mim.

Sento-me no banquinho após pegar um copo d'água e vou bebendo aos poucos, enquanto observo Bella que tinha seus lábios inchados de tanto morder. Acho que poderia ser o momento certo para perguntar o que havia acontecido.

- Quer me contar o que aconteceu? - Coloco o copo sobre o balcão e espero ela terminar com a água que bebia.

Torço para que não fosse algo tão grave e que pudesse ser resolvido. De toda forma, Bel e ele faziam um belo casal e eu já imaginava ambos casados e com filhos.

Preciso parar de ler histórias da internet. Pareço uma adolescente sonhando com finais felizes.

- Eu tô grávida e ele não é o pai.

Enquanto estou perdida em pensamentos minha melhor amiga solta isso. Abro minha boca para responder, mas fico sem palavras. Meus olhos provavelmente estão arregalados. Mas sabia que não era só isso, pois em seguida ela volta a chorar e pedir ajuda.

Capítulo 2 — Aflição e medo

Atravesso a bancada e adentro a pequena cozinha rapidamente, volto a abraçar o corpo de Bel que tremia enquanto ela chora desesperadamente. Afago seus cabelos caramelos e me afasto após alguns segundos, toco em sua mão e trago-a para a sala, exatamente para o sofá. Sento-me e peço que ela faça o mesmo ao meu lado. Aperto sua mão fortemente com minha mão esquerda e ergo a direita para limpar seus olhos.

- Shiii, vai ficar tudo bem, Bel - sussurro, enquanto toco abaixo dos seus olhos, limpando as lágrimas que escorrem.

Seu corpo aos poucos foi ficando menos trêmulo. Ofereço meu melhor sorriso aconchegante para minha melhor amiga e vou deslizando minha mão sobre seu rosto até retirar as poucas madeixas que haviam caído sobre sua pele.

- E-Eu não sei como dizer isso, eu não consigo nem acreditar ainda que isso aconteceu. Por quê comigo, Aimée? - Ela funga e eu volto a abraçá-la. Não sei exatamente o que havia acontecido, mas pela sua reação é algo realmente grave.

Afasto-me de seu corpo aos poucos e levanto do sofá para pegar um copo d'água com açúcar. Abro a geladeira e pego um litro com água gelada e um copo limpo do armário. Coloco sobre a bancada enquanto observo-a de longe abraçar uma almofada, a única que fazia companhia ao sofá. Despejo o líquido e logo fecho a garrafa, devolvendo-a para a geladeira. Coloco duas colheres de açúcar sobre a água transparente e volto para a sala, abaixo-me sobre ela e estendo-lhe o copo, que a mesma pega de bom grado.

Após bebericar um pouco do líquido, ouço ela respirar profundamente diversas vezes como se estivesse preparando-se para contar tudo que havia acontecido. Somos bastante apegadas uma a outra, mas desde sua última briga com Felipe, há quatro semanas, ela veio ficando distante e talvez essa fosse a explicação.

- Lembra da minha briga com Felipe algumas semanas atrás? Eu não te contei, mas fui pra balada com uma colega de trabalho. Eu estava muito raivosa, queria apenas me divertir e esquecer por um momento do ciúme idiota que ele sentia por mim. Eu não lembro de muitas coisas, são apenas flashes de lembranças. - Soluça e eu aperto sua mão. Não irei cobrar nada dela, se ela quisesse continuar, faria isso por si própria. - Eu não bebi muito, te juro, Aimée. Eu lembro que tomei três copos de caipirinha e logo em seguida essa colega de trabalho veio com uma batida de morango pra mim, eu juro que foi somente isso que eu tomei. Juro.

Retiro o copo da sua mão que estava tremendo e coloco sobre o chão, enquanto seguro em suas duas mãos, apertando-as com força e trazendo-lhe toda confiança e apoio possível. Então logo ela continua a falar:

- Depois que eu tomei essa bebida, lembro somente desses flashes. Eu dançando com alguém e logo um vazio negro aparece em minha mente. Eu acordei no dia seguinte em um quarto de hotel, sem saber onde estava e com quem estava, e agora eu... eu estou grávida. Grávida e sem saber quem é o pai. Como eu pude ser tão otária?

Volto a abraçá-la e tento engolir tudo que ela havia me dito. Algo bastante pesado para uma pessoa frágil e sensível como ela aguentar. Enquanto Bel estava me contando o que havia acontecido me veio à mente o quão nós mulheres somos frágeis e somos as que mais sofrem no mundo. Quando nesse mundo, nós mulheres, poderemos ir para uma festa sem medo algum? Usar a roupa que quisermos sem ser assediada?

Hoje em dia é bastante difícil ser mulher, pois o medo sempre nos assola quando saímos tarde do trabalho, ou da faculdade, ou quando tiramos um tempo para descansar e amenizar a mente e o receio de uma bebida batizada nos aflige.

Após fazer com que Bella acalmasse-se, volto a me sentar do seu lado e faço com que ela deita sobre o sofá e encostasse sua cabeça em meu colo.

- A culpa não é sua, Bel. Você foi drogada por alguém e essa sua colega de trabalho ajudou, você é apenas a vítima dessa história, amiga. Jamais pense que se você não tivesse ido à festa nada teria acontecido, os únicos responsáveis que deveriam se sentir culpado é o imbecil que batizou sua bebida e a sua colega de trabalho, do qual vamos correr atrás pra tirar tudo a limpo e denunciar.

Falo calmamente para deixá-la mais leve e ela levanta do meu colo de súbito, enquanto me encara amendrontada com seus olhos azuis que estavam bem destacados por conta do choro.

- Por favor, Aimée, não. Mexer com essa história só vai acabar comigo. Eu não consigo nem me olhar no espelho direito sem pensar que eu fui pra cama com um completo desconhecido e que agora eu estou grávida. - Seu choque era visível e o medo também. Eu a entendia completamente.

- Ei, calma. Foi sem seu consentimento, Bella. Você não autorizou que te tocassem, você estava sem poder de falar nada, estava impossibilitada, a culpa é somente do idiota que vendo seu estado aproveitou da situação.

Conforto-a e ela levanta do sofá, limpa seu rosto e logo abaixa para pegar o copo d'água no chão, terminando de beber tudo em um único gole.

- Eu não quero esse bebê - avisa, enquanto as lágrimas voltam para seus olhos.

Capítulo 3 — Ligação Inesperada

Os dias que se sucederam foram um tanto quanto complicados depois de tudo que Bella havia vivido. No dia seguinte após ela ter me contado tudo, e na base da sua escolha, eu pesquisei na internet diversas formas possíveis dela tirar o feto que habitava em seu ventre. Uma forma segura, claro. Era uma escolha dela e eu a apoiava totalmente. Entendia seu ponto de vista e seria completamente difícil ela seguir com a gravidez que fora concebida em um estupro.

Após diversas pesquisas e consultas para saber se era possível fazer sem quaisquer perigo, conversei com uma ginecologista de Salvador que confirmou que seria mais perigoso caso os meses já estivessem avançados, e mesmo que tudo tenha acontecido em um mês e meio, seria mais propício Bella ir a uma consulta antes de qualquer coisa. Eu concordei e marquei a mesma para o dia seguinte, e nesse momento estou terminando de me ajeitar enquanto Bel me encara pelo pequeno espelho do quarto.

- Ei, tá tudo bem? - pergunto mesmo que seja notável sua aflição no rosto. Uma fase complicada e eu iria passar tudo com ela. Lhe dando total força.

Bel sorri forçado e levanta-se da cama, me ajudando a subir o zíper do vestido que eu iria usar aquela manhã.

- Vai ficar! Obrigada por estar ao meu lado, Aimée.

Eu sorri, acolhendo-a e mostrando que a mesma não estaria sozinha nunca. Não se dependesse de mim.

[...]

A consulta foi bastante demorada, a obstetra não fez tantas perguntas e as difíceis a serem respondidas por minha amiga, eu respondia no lugar dela com sua aprovação. Depois que chegamos em casa ela quis ficar sozinha em seu canto, eu respeitei e fui me arrumar para o serviço. Não poderia me dar o luxo de faltar aquele dia.

Eu entro às oito da manhã e saio seis da tarde. Nos feriados festivos fico até mais tarde, pois a comissão é muito boa. Nessa manhã, pedi pra entrar um pouco mais tarde pra Elle, e ela deixou com a condição de que no dia seguinte eu chegasse mais cedo para repôr o horário, eu concordei, mesmo sabendo que me mataria no trabalho e não ganharia muita coisa. Com Bella morando comigo, eu precisava trabalhar mais que o necessário, já que o meu salário mal me sustentava.

Bel decidiu ficar comigo no meu pequeno apartamento enquanto seu trauma era tratado. Ela não aguentava ficar sozinha por muito tempo, pois seus pensamentos lhe traziam memórias que ela não se sentia bem em lembrar, e disse que me ajudaria nas contas de casa. Eu não pude negar, já que eu sozinha provavelmente não conseguiria, mas mesmo que ela não pudesse me ajudar eu lhe acolheria em casa. Minha amiga é a minha família que eu tenho aqui em Camaçari. Minha mãe, meu padrasto e meus irmãos moram em Porto Seguro, visito-os nos feriados em que eu tenho folga, ou seja, duas ou três vezes no ano. Sinto muitas saudades e espero encontrar um emprego melhor para poder vê-los mais vezes.

Tomo um banho rápido por já estar atrasada demais e visto minha roupa casual de sempre. Calça jeans surrada; uma camiseta larga e minha velha sapatilha.

E põe velha nisso.

Passo um gloos labial e pego minha mochila que continha uma jaqueta, o celular que eu tenho a mais de cinco anos - que inclusive mudar não está nos meus planos nem tão cedo - e a cópia da chave de casa, já imaginava que o dia seria corrido e barril por demais.

Antes de sair, vou até a cozinha e pego três torradas, passo na manteiga e deposito no prato, assim como pego uma garrafa de suco de laranja que havia na geladeira. Uma das únicas coisas também. Pelo menos o mês já estava findando. Levo o prato com as torradas e o suco para Bella e antes dela reclamar por estar lhe incomodando, cato uma das três torradas e saio do quarto lhe desejando um bom dia e em seguida vou em direção a porta da saída.

Só espero que Elle me perdoe pelo atraso de mais de cinco minutos.

O trânsito está horrível e os ônibus cheios. Tive que me espremer muito entre as pessoas para pelo menos poder respirar um ar que não seja de perfume forte em plena manhã.

Chego na lanchonete da praia uns dez minutos atrasada e observo o olhar fechado da minha chefe. Forço um sorriso e vou logo colocando o avental; touca e iniciar o atendimento.

- Dona Elle faltou pular em cima de você, hoje ela tá virada no cão.

Ouço Calliope falar, uma colega de trabalho e olho rapidamente pra ela enquanto faço um rabo de cavalo em meus cabelos.

- Quando ela não tá?

Ergo minha sobrancelha e juntas gargalhamos, atraindo a atenção da nossa chefe para ambas. Calli segue para dentro e eu, vou iniciar meu expediente.

O dia foi corrido como previsto, estávamos iniciando a época de carnaval e com bastantes turistas por aqui. Não consegui almoçar e apenas comi um lanche enquanto descansava por cinco minutos. Minha mente estava entre meu trabalho e Bella. E isso estava me matando.

Ela havia iniciado a terapia há um dia. Mesmo que ainda não estivesse se sentindo cem por cento para se abrir, noto que minha amiga se sente leve depois das conversas que tem com sua terapeuta.

Tentl focar no serviço após o fim do meu pequeno intervalo e vou atender uma mesa.

- Boa tarde, já sabem o que vão pedir? - Abro meu melhor sorriso enquanto encarava o grupo de amigos que aos poucos foram falando seus pedidos.

[...]

- Maju, você sabe que eu não posso ir agora. É início de carnaval. A lanchonete fica lotada e Dona Elle não vai me deixar tirar folga, nem que eu me ajoelhe perante ela. - Ajeito o celular sobre meu ouvido, enquanto retiro o avental já que o expediente havia chegado ao fim.

Minha irmã mais nova me ligou no exato momento em que a lanchonete se fechou, e começou a me encher para poder ir visitá-la, mesmo sabendo que não seria possível. Não agora.

- Talvez, se o dono da lanchonete fosse um homem, você provavelmente conseguiria algo se por acaso se ajoelhasse. - brinca, me fazendo rir. - Eu sinto sua falta, todos sentimos. Mainha não demonstra, mas sente. Eu preciso da minha irmã mais velha, Aimée. - Ela choraminga na última frase, o que me faz rir pelo seu drama momentâneo.

Retiro o celular da orelha e coloco no viva-voz enquanto desfaço o rabo de cavalo de meu cabelo. Guardo o avental na bolsa pra lavar em casa, pego minha jaqueta e jogo uma água sobre meu rosto.

- Bom, você sabe que é impossível eu ir e trate de se contentar. Quando eu chegar em casa te mandarei uma mensagem para conversarmos melhor, mas enquanto isso, vai me dizendo para o quê a mocinha precisa da irmã, uh?

Pego a pequena toalha e arrasto ela sobre meu rosto enquanto uma risada nervosa da minha irmã escapa pelo alto-falante.

- Seria mais fácil se estivesse aqui. Mas, ok sua chata. Eu....bem, eu... Eu recebi uma proposta pra ser modelo, mas mainha é muito chata sobre isso e painho sempre vai na onda dela, Aimée. Eu preciso que você me ajude a convencer ela, por favorzinho.

Minha irmã estuda moda em uma universidade de Porto Seguro, e sempre foi seu sonho ingressar cedo e está tendo uma grande oportunidade em suas mãos nesse momento. Mainha nunca curtiu muito a escolha dela, por dizer que não seria uma profissão que lhe traria dinheiro ou futuro. Ela sempre quis que Maju fosse médica, como o pai dela, meu padrasto.

Mal de pais. Querer que seguíssemos o sonho deles. Paul seguiu, e é um famoso médico de Porto Seguro, mas minha irmã quis seguir sua própria paixão, e eu não a julgo.

Eu sou filha do primeiro "casamento" da minha mãe, um carinha por qual ela se encantou e com dois meses de namoro fugiu de casa com o mesmo para morar no Rio de Janeiro. Sim, eu nasci lá, mas me considero baiana já que com um mês de vida, o meu pai sumiu e deixou minha mãe sozinha, com isso ela teve que voltar pra Bahia. Foi quando conheceu Eduardo, meu padrasto e pai dos meus outros dois irmãos. Um médico famoso aqui do estado, e estão casados há mais de 20 anos.

Vocês podem estar se perguntando. "Ah, mas se Aimée passa tanta dificuldade, porque não pede dinheiro pra família, já que a mesma parece ter uma ótima condição?"

Desde quando me mudei pra cá, minha mãe não curtiu muito, e disse que eu iria me arrepender de ter saído de casa tão nova, - eu já tinha 22 anos e estava quase completando 23 -. Então, eu prometi a mim mesma que jamais iria recorrer a ela pra pedir dinheiro. E permaneço viva até hoje, e sem arrependimentos.

Me despedi de Maju prometendo que ligaria pra mainha no dia seguinte para conversar sobre, e segui meu caminho pra casa.

Nesse momento eu só quero duas coisas: banho e cama.

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