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Uma Escrava para os Reis

Uma Escrava para os Reis

Autor:: LadyArawn
Gênero: Lobisomem
*************AVISO: Este livro contém cenas pesadas que podem gerar gatilhos ************* Ela não tem nome, não mais, depois de tanto tempo ela simplesmente esqueceu o que é um nome, o que é poder decidir, o que é poder desejar, simplesmente esqueceu o que é ser uma pessoa. Ela é apenas uma escrava em meio a uma matilha que faz questão de sempre lembrar que ela não passa de um objeto a ser usado, não importa se for para fazer os afazeres domésticos ou satisfazer os desejos sexuais de seus donos. ----------- Ele é um Rei, não apenas isso, mas o Rei dos Lobisomens, seu domínio se estende por todas as terras lupinas e ele nunca se importou com muita coisa, seu coração já está fechado, destruído por um passado que ele pretende esquecer. Com apenas uma palavra ele poderia mudar toda a sociedade, mas para que? Não vale a pena, o prazer da guerra e das lutas é uma das coisas que o mantém seguindo... Além é claro, de se satisfazer com quem ele quiser, quando ele quiser e sem nunca escutar um não. -------- Ele é não é apenas um Rei, ele é um imperador... Os domínios Vampirescos se expandem por quase toda a Europa, muitos o chamam de ditador, outros o chamam de libertador... Ele reina sobre suas terras com mãos de ferro, sua palavra é Lei. Cansado de uma longa guerra, apenas quer descansar um pouco e achar aquele ou aquela que lhe completará... Afinal de contas, depois de tanto tempo vivo, já provou de tudo, mas ainda não encontrou a pessoa que o Destino lhe entregara. ------- Três pessoas completamente diferentes... Três Destinos entrelaçados... Quem vai curar quem e quem vai sobreviver no final?

Capítulo 1 Mais um dia

A coisa POV

Senti mais um corte em minha pele e a dor simplesmente se somou a todas as outras, a todos os cortes que já recebi hoje por causa dessas chicotadas... Teve uma época que eu me importava, que implorar para pararem ia me ajudar em alguma coisa, mas a única coisa que recebia eram humilhações ainda piores.

Em algum momento achei que tudo isso era injusto, mas aprendi rapidamente que isso não importa, não para mim... Se fosse uma outra pessoa, então outros tentariam defender, mas eu? Eu não tenho suporte nenhum.

Quantas vezes eu pensei que ia morrer e desejei que isso fosse verdade, mas no final eu apenas desmaiava e depois de um tempo acordava... Nem mesmo a Morte me deseja. Instintivamente meus lábios se curvaram um sorriso breve, antes que mais uma chicotada atingisse minhas costas.

Não sei quantas chicotadas mais aconteceram até que soltaram meus punhos que estavam presos em correntes envolta e presas em um gancho. Cai ajoelhada, mas apenas para escutar o riso daqueles que estavam ao meu redor e não demorou para que sentisse minhas costas arderem, um líquido frio e muito dolorido derramado em minhas costas, um líquido misturado com várias ervas de cicatrização, mas também partículas de prata, acrescentadas apenas para doer mais...

"Pronto, parou de sangrar! Agora levanta e vai terminar de limpar os banheiros dos guerreiros!" A voz de Alpha Julian ecoou.

Quando parei de gritar eles haviam ficado com raiva e suas torturas só aumentaram, mas eu me adaptei e agora não importa o que eles façam, eu simplesmente não grito mais... Eu até parei de falar.

Confirmei com a cabeça, indo até o canto, pegando a blusa velha e colocando e caminhei em direção ao lugar indicado. Ao galpão onde a maioria dos guerreiros sem companheiras ficava. Era um lugar nojento, eles sequer tinham ideia do que era higiene, mas queriam sempre tudo limpo e geralmente eu quem limpava, ou então alguma Omega que estava sendo punida também era mandada para esse lugar.

Fui até o lugar onde ficavam os baldes, água limpa e outros produtos de limpeza, arrastei meu corpo até chegar na área dos banheiros e como sempre eles estavam imundos, havia sujeira em todas as paredes, inclusive no teto.

Vai demorar algumas horas para eu terminar de limpar tudo e nesse meio tempo a dor é constante, mas pelo menos as dores nas costas se sobressaem a dor da fome, meu estômago se acostumou a receber pouca comida e eu geralmente bebo mais água. Escutei em algum lugar falando que sem comida o corpo pode viver mais tempo, mas não sem água... Claro que ninguém sabe disso, muito menos sabem que eu costumo comer os restos de comida que eles jogam, quando estou varrendo e vejo que tem algo que possa ser aproveitado eu consigo esconder para comer depois.

Nem eu sei porque faço isso, afinal de contas sem fazer essas coisas eu morreria, bom... Não é bem assim, eu falei antes, mesmo quando fiquei sem comer e sem beber nada, ainda assim acordei depois de alguns dias... O Alpha tinha ordenado que me alimenta o suficiente para que eu não morresse.

Acho que uma parte minha ainda quer um pouco de alívio da dor, porque esperanças eu não tenho mais. Eu sou apenas uma escrava, uma sem voz, eu nem lembro meu nome...

Patético, não é? Mas eles conseguiram tirar tudo de mim, a única coisa que ainda não conseguiram foi a minha vida, mas é apenas para que eles continuem me torturando.

Escutei o som da porta do banheiro ser aberta, eu já sabia quem era, Bryan, o futuro Gamma, uma das pessoas que mais adorava atormentar a minha vida, eu já estava terminando o serviço...

"Olha só... A coisa..." A voz dele fazia os cabelos da minha nuca se arrepiarem, eu nunca gostei dele, desde criança, sempre achei que tinha alguma coisa errada...

Mas quer dizer, deve ter algo errado com todo mundo, para gostarem de torturarem alguém... Ou provavelmente eu estou errada mesmo e é normal fazerem esse tipo de coisa.

Continuei passando o pano no chão, um pouco mais perto das pias, o som dos passos dele vai até um dos lugares e escuto o som de líquido batendo contra o mármore... Mas eu sei que ele não está fazendo no vaso e sim no chão.

Levei o pano a pia que ia deixar por último, liguei a água e comecei a lavar o pano, já sabendo que ia usar ele para limpar o chão sujo onde Bryan estava. Escutei o som do zíper sendo fechado e logo os passos pesados dele em minha direção, senti ele segurar meus cabelos pelas pontas, com força e no segundo seguinte estou caída no chão, com a cara no mijo dele. Meu corpo reagia automaticamente já, por isso não me dei ao trabalho de reclamar, eu já esperava por algo assim, ainda bem que estou com o pano em mãos.

"Anda logo, limpa ai! Só para isso mesmo que você serve, coisa."

Ajustei minha posição ajoelhada, comecei a limpar o chão, passando o pano primeiro no chão, deixando apenas uma ponta sem sujar e logo escutei a risada dele e ele foi embora. Respirei fundo assim que voltei a ficar sozinha, levantei e fui até a pia, limpando o rosto e também as pontas dos cabelos que haviam sujado.

Eu não deveria me importar muito com minha aparência ou com o meu cheiro, bom a primeira eu realmente não me importo, quanto mais feia eu ficar melhor é... Mas pelo menos tento me manter limpa, da melhor forma que consigo.

Olhei no espelho e vi meu reflexo, meus cabelos pretos sem pentear, meu rosto agora um pouco mais limpo, meus olhos verdes refletem o brilho da luz e é algo que não consigo esconder, eles são lindos, mesmo por trás da minha expressão sem expressão, neutra.

Quando eu fiz 16 anos foi basicamente minha ruina, porque meus olhos ficaram ainda mais límpidos, mais belos e brilham como duas pedras... O que significa que eles me limparam, colocaram boas roupas e depois fizeram um leilão.

Minha primeira vez foi exatamente como o resto de minha vida, com muita dor e depois muita risada... Mais uma coisa para eu me acostumar, toda vez que vinham me arrumar eu já sabia que era para uma situação assim.

Toquei meu reflexo e pela primeira vez imaginei se seria melhor eu ser cega... Assim eles não poderiam mais se aproveitar disso e não teria mais nada para que eles achassem bonito em mim.

Fechei meus dedos com força e me afastei do espelho, tentando controlar essa vontade de arranhar meu rosto e desfigurar essa expressão. Terminei de limpar o banheiro, deixei brilhando e saí.

Usando as sombras eu simplesmente passei por todos sem ser notada, até chegar a cozinha, já posso sentir o cheiro da comida sendo preparada, mas fui para a parte de tras, deixei os produtos de limpeza lá, limpei meu rosto e também minhas mãos e fui em direção a parte de trás da cozinha, vendo a pilha de louça para lavar.

Essa parte ficava separada do resto do lugar e eles apenas jogavam as coisas pelos buracos e eu tinha que lavar tudo e colocar no lugar certo. Desta forma não havia muitos restos que eu pudesse salvar.

Escuto minha barriga roncar, mas ignoro e começo o meu trabalho... Afinal de contas não quero mais uma surra antes da noite terminar, afinal eu tenho que acordar muito cedo no dia seguinte.

Geralmente nesses casos eu simplesmente tento não prestar atenção à conversa na cozinha, mas o pessoal está falando alto demais.

"Será que vou encontrar meu companheiro?" Jasmine perguntou, com sua voz aguda.

"Vai sim! Você é uma das nossas Omegas mais bonitas! Mesmo um Beta ia ficar feliz em ter você como companheira!" Rebeca logo respondeu.

"Eu nem acredito que a matilha foi escolhida para sediar o Grande Baile." Jasmine estava realmente bem alegre com essa notícia.

Eu já escutei alguma coisa sobre esse tal baile, parece que é uma festa que acontece a cada ano... Varias pessoas que não tem companheiros vão para eles para tentarem encontrarem seus destinados...

É só mais uma coisa que eu não vou participar e ainda bem, eu só quero desaparecer... Respirei fundo, um tanto cansada... Espero só que o Alpha não resolva fazer seus leilões em uma festa assim.

Estremeci, isso é uma das poucas coisas que eu ainda me importo... Odeio quando me tocam assim, odeio sentir esse tipo de sensação, é uma das piores que existem.

"Várias matilhas vão vir! Ahhhh!" Jasmine deu um gritinho bem agudo. "Fiquei sabendo que até mesmo os Lycans e alguns vampiros vão aparecer!"

Alguns outros gritinhos foram escutados, toda a cozinha ficou em alvoroço. Eles realmente estavam felizes...

Bom, eu também estou aliviada, com toda essa bagunça a quantidade de louça para lavar deu uma diminuída, mas continuei fazendo barulho como se ainda tivesse bastante coisa, afinal de contas eu não sou burra, só não me importo com muitas coisas.

Capítulo 2 Novidades

A coisa POV

"Vai ser o melhor evento de todos!" Jasmine falou. "Nem acredito que nossa matilha vai sediar um evento desses!"

"A gente merece! Com certeza! Olha o tanto que os guerreiros fizeram e também nossa Alpha é maravilhoso!" Rebeca também estava animada.

"Sim, nossa! Você tem toda razão!" Jasmine concordou.

"Meninas!" A voz da senhora Smith ecoou mais severa. "Sei que essa notícia é muito boa, mas precisamos terminar de entregar o jantar para os guerreiros e o resto da casa!"

A conversa então diminuiu e só tinha alguns cochichos, a quantidade de louça voltou a aumentar.

Simplesmente comecei a vagar dentro de minha própria mente, afinal de contas meu trabalho é bem manual e repetitivo, então não preciso realmente prestar atenção, não quando estou sozinha deste lado e até agora não brigaram comigo, pedindo para que eu fosse mais rápida.

As pessoas ficam animadas em relação a destinados, companheiros... Isso é algo que não é para mim, eu sei disso deste que me entendo por gente, porque sempre me falaram isso... É simples, um escravo não tem direitos... Se por ventura eu tiver algum companheiro destinado, então é pura sorte e 99% dos casos a outra pessoa rejeita o escravo...

A vida do escravo não muda... Ela só muda se o companheiro destinado quiser ficar com ele e ainda assim precisa pagar por isso.

Não é como se existissem muitos escravos, esta "honraria" era apenas para aqueles considerados traidores ou pessoas que cometeram atos horrendos, no meu caso eu simplesmente não sei... Talvez minha familia tenha sido de traidores, talvez minha família seja de torturadores, de pessoas que cometeram erros contra o Rei... Vai saber e é por isso que eu não tenho nome.

Um escravo não precisa de nome, um escravo só precisa fazer o próprio trabalho e continuar assim... Fiquei sabendo de lugares e matilhas que escravos podem comprar a própria liberdade, mas é muito raro...

Eu sequer posso dizer que esses boatos são verdadeiros ou não, porque eu só escuto pequenas conversas, nunca tive um treinamento correto... Sei ler apenas o básico, para identificar os produtos de limpeza e também não trocar as coisas enquanto estou guardando os objetos.

Eu nem sei dizer se ainda lembro como falar, já que parei de fazer isso há alguns anos, minha forma de me defender, alguns dizem que eu ainda sou orgulhosa, por não gritar... Mas acho que agora eles acham que eu sou muda...

Eu deveria rezar para tentar entender o que se passa comigo, como a minha pode ser assim quando existem Deuses? Ouvi falar de Selene, a Deusa da Lua e quem governa os lobisomens... Mas para mim é só uma decoração que vejo por ai, não representa nada para mim.

Se eu tenho raiva? Já deixei isso para trás, esse sentimento... Ter raiva do que? Para que? Vai mudar alguma coisa? Não, então para que sentir isso? Só para eu mesma me torturar... Não é só porque eu me acostumei com dor que eu goste dela... Quem é que gosta de apanhar todo dia? Quem é que gosta de ter que trabalhar com o corpo sangrando? Quem é que gosta de sentir o estômago revirar e não poder comer nada?

"Coisa! Presta atenção!" Escutei o grito da senhora Smith e logo depois o impacto de uma cintada em meu braço esquerdo.

Ergui o olhar e vi a sombra da mulher e seu cheiro agora estava mais forte.

"Agora que terminou aqui, vai lá varrer e deixar brilhando a dozinha!" A senhorita Smith falou.

Apenas concordei com a cabeça e fui em direção a porta que dava acesso a cozinha, o cheiro da comida ainda era bem intenso, mas sequer pensei em pegar algo para mim, não quando ainda tinha gente por ali.

Como sempre, vários ômegas que estavam ali logo saíram rapidamente quando me viram, como se eu fosse algum tipo de praga... Comecei da parte da mesa, retirando ainda as coisas que faltava lavar e colocando na pia que tinha mais do lado, eram itens mais delicados e por isso não ia no buraco em que eu lavava normalmente.

Quando terminei de limpar a cozinha já é de madrugada, como eu sei? Ao olhar pela janela posso ver a lua brilhante já fazendo o arco final, desta vez não consegui separar nenhum pedaço para comer...

Por isso me arrastei até o lugar em durmo, fica embaixo, no subsolo, debaixo da cozinha, desço dois lances de degraus e abri a porta do lugar que durmo, é um retângulo sem nada, com um colchão sujo, um cobertor fino e algumas peças de roupas dobradas.

Deitei no colchão, que era melhor que deitar no chão de pedra gelado, fechei os olhos e comecei a sentir o desespero começar a tomar conta. Não tenho lágrimas nos olhos, mas esse sentimento de ser esquecida é pior de noite, ela aumenta muito quando eu tenho que dormir, porque simplesmente minha mente me força a ter "sonhos" que nunca vão se realizar... De uma vida que nunca será minha.

Muitos agradeceram de ter algum lugar para escapar, mas eu só me desespero mais, porque nesses sonhos eu sou livre e não preciso me preocupar com as coisas, inclusive tenho outros que me defendem...

O que é pior para um escravo do que sonhar com uma liberdade que nunca vai ter? Meu coração se aperta e esse desespero aumenta mais, eu não quero dormir, não quero ir para aquele maldito lugar... Porque acordar doi mais.

Dói saber que eu sequer consigo morrer... Se eu morresse teria uma segunda chance? Teria uma vida diferente? Ahh... Isso, isso é o pior...

Fechei com força meus olhos, querendo esquecer isso, desejando poder não sonhar, coloquei o cobertor sobre meu corpo e respirei fundo, tentando apagar minha mente.

....

"Acorda!" Escutei a voz de alguém gritando e em seguida o impacto de um pé contra minha barriga, o gosto de sangue invadiu minha boca.

Abri os olhos para dar de cara com Alpha Julius, seu filho Bernard e o Beta Patrick... Rapidamente me sentei ajoelhada no chão, com a cabeça baixa. O que esses três querem, eu não tenho a minima ideia, mas devem ter tido alguma ideia macabra para estarem aqui.

"Demorou para acordar!" O Beta me deu mais um chute, sequer tentei esquivar e apenas escutei o som de ossos quebrando.

Foi um chute lateral e consigo sentir a dor de meu pulmão sendo perfurado, ao mesmo tempo em que o gosto de sangue aumenta mais.

"Cuidado!" Alpha Julius falou. "Tsi..."

Mantive a cabeça baixa e engoli o sangue da melhor forma que eu conseguia.

"Ele pediu que ela fosse entregue o mais saudável possível." Alpha falou, posso perceber o tom de satisfação em sua voz. "Sabe, as pessoas podem achar que a forma que eu te trato é desumano, mas em compensação ao lugar que você vai... Isso aqui será o paraiso."

Então os três riram, como os seres desprezíveis que são, afinal de contas eles gostam de maltratar as pessoas, mas de certa fiquei curioso, como eu posso ir para um lugar que é pior do que esse?

"Lord Hoff adora pegar coisas como você e testá-las... Quando comentei que eu tinha um brinquedo que não grita ele ficou interessado... Afinal de contas, pelo médico suas cordas vocais estão intactas..."

Alpha Julius se abaixou e então pegou meu queixo e só assim ergui o olhar para encontrar a expressão de satisfação dele.

"Lord Hoff é bem famoso por suas câmaras de torturas... Para aqueles que se negam a falar, ele os quebra em alguns dias..." Alpha Julius sorriu um pouco mais, provavelmente imaginando o que aconteceria comigo. "Eu só queria estar lá quando você gritasse... Seus gritos eram deliciosos."

Ele acariciou brevemente minha bochecha e então soltou meu rosto, voltei a abaixar a cabeça.

"Vá se preparar!! A quero pronta o mais rápido possivel!" Alpha Julius ordenou e rapidamente me levantei e sai do quarto.

Corri em direção ao primeiro subsolo, onde tem algumas celas e também um banheiro, assim que entrei vi que já tinha um belo vestido ali, assim como água quente, sabão, sabonete e até mesmo algumas ervas.

Eu já conheço o procedimento, é a mesma coisa que acontece quando vou ser leiloada, demorei o tempo necessário para tirar toda a sujeira de meu corpo e dos meus cabelos, para desembaraçar eles, além é claro de eliminar os pelos indesejados.

Nas primeiras vezes eu me sentia tão humilhada por fazer isso, mas agora, tanto faz... Essa é a minha vida e pelo visto ela vai piorar.

Demorei algum tempo até finalmente estar limpa e vestida, tomei todo o cuidado para não sujar o vestido verde e coloquei o sapato preto. Assim que sai do banheiro vi a senhorita Smith ali.

"Vamos." Ela falou e a segui.

Fomos até a cozinha, ela apontou para uma das cadeiras e tinha um prato feito ali, arroz, feijão, carne, salada e até mesmo alguns pedaços de fruta do lado, além disso tem um copo de suco ali.

Comecei a comer com cuidado, afinal de contas meu estômago não está acostumado a tanta comida, mas é bom poder me alimentar assim, raras as ocasiões, mas acontecem. Assim que terminei de beber o suco me senti mais revigorada, não era apenas suco de laranja, estava misturado com alguma outra coisa.

"Ótimo, você está até mais corada." A voz da senhora Smith ecoou. "Essa poção realmente é bem potente."

Eu realmente me sinto bem melhor, minhas costas não estão doendo, na verdade não sinto dor, o que é algo que jamais pensei existir. O que pela primeira vez, em muitos anos, comecei a sentir medo.

Eles tinham de dado uma poção de cura, eu tinha me limpado, comido uma refeição...

"Olha só, finalmente parece que você está entendendo o que vai te acontecer! AHahahA!" A voz da senhora Smith ecoou.

Logo depois várias outras risadas se seguiram.

Capítulo 3 Poção de Cura

Aviso: Este capítulo contém cena de est** com detalhes.

A coisa POV

"Vamos logo, coisa!" A senhorita Smith falou me puxando pelo braço, me fazendo levantar.

Minha reação é um pouco lenta do que o normal, afinal de contas agora eu sei que as palavras de Alpha Julius são verdade.

Rapidamente fui puxada até um dos quartos mais afastados e ela abriu a porta me empurrando para dentro e vi Bernard ali, ele está com pouca roupa, apenas uma camisa branca e uma bermuda, seu cheiro é mais forte e estremeço ao ver ele se aproximar.

"Meu pai bem que falou que você é linda... Essa poção de cura realmente fez milagre..." A voz dele é cheia de animação. "E o melhor é que ela dura um tempo no corpo... O que significa que vou poder brincar por um bom tempo."

Estremeci e dei um passo para trás quando Bernand se aproximou, a risada dela penetrou pelos meus ouvidos e fechei os olhos com força.

"Ahaha! Essa expressão! É tão bom ver alguma coisa no seu rosto." Bernard então segurou meus braços e me jogou na cama.

Ela é bem macia o que fez meu corpo quicar, mas logo ele já estava a minha frente, o som de tecido sendo rasgado foi alto. O toque dele me arrepia e não é de uma forma boa, eu quero me encolher, mas não consigo, sinto ele logo pegar meus seios e apertar com força.

A dor é intensa, é maior do que geralmente, porque normalmente eu já estou com dor, mas desta vez é completamente nova, mas ainda assim segurei para não soltar nenhum grito de dor, mas não consegui ficar completamente parada.

"Macia, seus seios são bem macios quando estão assim." Ele começou a falar enquanto apertava a girava meus seios.

Virei o rosto assim que senti a boca dele se aproximando, ainda mantendo meus olhos fechados, mas senti meu queixo ser mordido com força e balancei meu rosto, colocando as mãos no peito dele para empurrá-lo.

"Isso! Sabia que você não estava morta!" Bernard falou em tom de vitória.

Logo senti ele colocando uma das pernas no meio da minha, enquanto as mãos dele saiam de meus seios e segurava meus pulsos, tentei me esquivar, mas ele é muito mais forte que eu,

Minhas mãos foram colocadas para cima e segurava com uma mão só, enquanto a outra foi até as minhas pernas e me forçou a me abrir, para em seguida os dedos dele me penetrarem. Tive que usar minha força de vontade para não gemer e gritar e implorar para que ele parasse.

"Apertada... Ainda não sei como você continua assim... Acho que é o efeito da poção." Bernard então começou a girar os dedos dentro de mim e me encolhi, tentando fechar as pernas.

Sò que ele as mantinha aberta, apenas tirou os dedos de dentro e escutei o som do tecido dele rasgando e abri os olhos, sem querer... Bernard tinha começado uma transformação, não completa, mas ainda assim seu corpo estava ainda maior e posso ver os pelos mais grossos e de um tom mais escuro.

Acho que ele estava esperando por isso, porque então senti ele me penetrar de uma vez e arqueei as costas sentindo uma dor bem parecida com a primeira vez que eles tinham feito isso.

Não sei como eu consigo aguentar, minha mente quer apagar, estou implorando para que eu desmaie, mas a poção não me deixa, porque o cheiro de sangue invade o quarto por completo, o meu sangue, eu sinto meus músculos internos sendo rasgados e depois se regenerando.

Pelo sorriso maléfico de Bernard era isso que ele quer, então o corpo masculino começa a se mexer e eu consigo sentir tudo. O desespero começa a aumentar e sinto um nó na garganta se forma.

Eu quero chorar, eu quero implorar, quero falar, quero gritar... Volto a fechar os olhos.

"Abra os olhos!" Escutei a ordem dita no tom de Comando e meu corpo reagiu sem que eu quisesse.

Voltei a olhar para o rosto daquele homem e a única coisa que consigo sentir é nojo e desespero. O prazer dele vai aumentando e se espalhando em seu rosto e conforme isso acontece o meu enjoo aumenta.

Se não fosse pela minha força de vontade, com certeza já teria gritado, mas sei que se eu fizer isso só vou dar mais prazer para esse monstro... Respirei fundo várias vezes, para tentar acalmar meu coração, tentar me desligar.

Não sei quanto tempo ele continuou fazendo isso, mas depois de alguns minutos meu corpo foi virado, meu rosto colocado contra o colchão e novamente ele me penetrou, segurando minha bunda e até mesmo dando vários tapas.

Apertei com força os lençóis e até mesmo mordi um pouco, para evitar que eu fizesse barulho, mas desta forma a dor foi maior e algumas lágrimas chegaram a escorrer, mas pelo menos ele não ia vê-las.

Finalmente a dor começou a fazer sentido e simplesmente a abracei e me deixei levar por ela, porque isso eu conhecia, isso eu podia lidar. Bernard me trocou de posição mais algumas vezes antes de finalmente sentir aquele liquido quente me invadir e neste momento eu quase vomitei.

Ele saiu de cima de mim e só fiquei deitada, sentindo o cheiro do suor dele misturado ao meu sangue e ao de seu gozo. Minha vontade é sair correndo e me lavar novamente, mas sei que é isso que ele vai ordenar, então só fiquei esperando.

"Até que deu pro gasto..." Bernard então cuspiu na minha cara. "É uma coisa mesmo, só um objeto para ser usado."

Ele se afastou e deve ter pego alguma roupa ali.

"Vai tomar outro banho! Mas faça isso rápido, meu pai quer você o mais rápido possível lá na sala dele."

Rapidamente me levantei e ele saiu do quarto, coloquei um lençol ao redor do meu corpo e fui em direção ao banheiro. Desta vez não vou ter tanto tempo quanto eu gostaria para me lavar, mas fiz o meu melhor para tirar o cheiro e tudo o mais de Bernard de dentro de mim e de minha pele.

Quando sai do banheiro tinha um outro vestido ali, ele é verdade também, mas não fica tão justo em mim, a saia é mais rodada, com mangas que descem até meu cotovelo, além disso também tem algumas fitas verdes de um tecido bem delicado.

Respirei fundo, sabendo que é para eu me arrumar e ficar bem bonita. O verde foi escolhido justamente pela cor dos meus olhos. Olhei bem para o espelho e novamente a ideia de quebrar ele e cortar minha garganta me passou pela mente...

Acho que teria funcionado, se eu não tivesse bebido a poção de cura, porque eu posso sentir que todos os machucados que Bernard me fez foram curados. O rosto que me olha é um rosto que eu não reconheço...

"Anda logo!" Escuto a voz da senhora Smith gritar do lado de fora do banheiro.

Começo a me vestir e arrumar meu cabelo, fazendo algumas tranças junto com as fitas verdes, assim que sai a mulher me olhou de cima a baixo.

"Desta forma até parece que é alguém." A senhora Smith debochou. "Vamos."

Ela deu as costas e comecei a seguir.

Escutei alguns comentários sobre minha aparência e tentei não dar atenção, mas é dificil, ainda mais porque os homens que passam perto me dão tapa na bunda ou chegam até mesmo a apertar meus seios, mas eu tento não reagir.

A senhora Smith não se importa com nada disso, não até a gente chegar na casa principal, onde posso sentir as energias bem mais pesadas e abaixei a cabeça ainda mais, com certeza tem pessoas muito poderosas aqui.

Os comentários a respeito de minha aparência desapareceram enquanto entro na casa principal, mas consigo sentir o peso do olhar das pessoas e tem tanta gente, são cheiros bem diferentes do que estou acostumada. Provavelmente pessoas de outras matilhas estão ali.

Conforme andamos mais para dentro da casa principal, mais meu coração começa a bater mais rápido, não sei dizer se é por saber que meu futuro já não vai ser mais aqui ou se é por alguma outra coisa.

Posso sentir minhas mãos começarem a ficar suadas, enquanto fico abrindo e fechando elas. O peso das auras das pessoas aumenta mais e mordo meu lábio inferior para não soltar um gemido, estou indo encontrar seres muito poderosos, muito mais do que o meu Alpha, ou não, talvez seja porque não estou acostumada com essas energias ao meu redor.

A senhorita Smith para em frente a uma porta pesada e meu coração se acelera ainda mais e dou um passo para trás, estou com muito medo do que vai estar atrás desta porta.

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