Belle
Acordei com o som da campainha tocando lá fora, sinalizando que é hora de eu começar meu dia. Eu rapidamente saio da cama, me visto e faço minha rotina matinal de higiene. Paro um instante diante do pequeno espelho pendurado na parede e respiro fundo. Lembro a mim mesma que hoje será como qualquer outro dia, faço o que preciso fazer e tento não chamar a atenção.
Dirijo-me ao Hararium para a missa. Padre Jorell foi muito gentil e sempre apresentou seus sermões com entusiasmo e graça. No entanto, Mãe Dalila era muito severa, muitas vezes usando palavras duras e punições - se necessário - para fazer valer sua vontade. Quando a missa terminou, senti uma pressão imensa, pois sabia que ela estava me observando atentamente.
Saí do Hararium com uma sensação de alívio ao pensar em quanto tempo mais eu poderia suportar esse estilo de vida.
Eu amo as crianças aqui com todo o meu coração e sinto que ser freira é realmente minha vocação.
Elas são tão inocentes e vulneráveis, e eu sinto que é minha responsabilidade cuidar delas da melhor maneira possível.
Eu passo a maior parte do meu tempo brincando, ensinando e cuidando das crianças. Adoro ver seus sorrisos e ouvir suas risadas, e sinto uma enorme satisfação ao ajudá-las a crescer e se desenvolver.
Às vezes, as crianças podem ser difíceis ou desafiadoras, mas eu nunca desisto delas. Eu acredito que cada uma delas tem um potencial incrível e quero ajudá-las a realizá-lo.
Além disso, sinto que ser freira é minha verdadeira vocação. Desde que me juntei à ordem religiosa, senti uma profunda paz e alegria interior. Sinto que estou cumprindo o propósito para o qual fui criada e que estou fazendo a diferença na vida dessas crianças.
Embora haja dias em que as tarefas podem ser cansativas ou difíceis, eu nunca perco a motivação ou a paixão pelo que faço. Ser freira e cuidar dessas crianças é o que me faz sentir realizada e feliz.
Ser órfão é uma das coisas mais difíceis que já passei na vida. Não saber nada sobre meus pais é uma dor constante que me acompanha todos os dias. Sinto falta de ter alguém que me guie e me ajude a tomar decisões importantes na vida. Acho que nunca vou superar o fato de não ter uma família para chamar de minha.
O anel que tenho é a única lembrança que tenho dos meus pais e é muito especial para mim. Eu o guardo com muito cuidado e sempre o uso como uma forma de me sentir conectada a eles. Às vezes me pego olhando para ele por horas, imaginando como eram meus pais, o que eles gostavam de fazer, como me olhavam quando eu era bebê.
Ser órfão é uma experiência solitária e dolorosa, mas tento encontrar conforto nas coisas que me cercam. Tento me concentrar nos amigos que fiz e na minha própria força interior para seguir em frente. Mesmo assim, a saudade dos meus pais e a sensação de não pertencer a nenhum lugar é algo que nunca vai embora completamente.
Embora eu goste e viva desde sempre aqui, é muito difícil lidar com o tratamento cruel e desumano que recebo da Madre todos os dias. Ela é implacável em suas críticas e punições, sempre encontrando algum motivo para me repreender ou me humilhar. É como se eu nunca pudesse fazer nada certo aos seus olhos, e isso me faz sentir pequena e sem valor.
No entanto, ter a Irmã Lurdez por perto faz uma grande diferença em minha vida. Ela é gentil, atenciosa e sempre está disposta a me ouvir e me confortar. Quando estou me sentindo muito mal com as palavras duras da Madre, posso contar com a Irmã Lurdez para me acolher e me lembrar que eu não sou uma pessoa má, mesmo que a Madre tente me convencer do contrário.
A Irmã Lurdez é um verdadeiro anjo na minha vida, e sua presença me dá a força para continuar enfrentando os desafios do dia a dia. Eu sou muito grata por tê-la como minha amiga e confidente, e espero poder retribuir sua bondade de alguma forma no futuro.
Quando bate o meu horário, vejo que Lucinha, uma das meninas do orfanato, está cabisbaixa na hora do intervalo.
- Oi, querida! Como você está se sentindo hoje?
- Oi, Belle! Estou me sentindo um pouco triste hoje.
- Ah, sinto muito em ouvir isso. O que está te deixando triste?
- Eu sinto falta da minha mãe. Ela foi embora há muito tempo e nunca mais voltou.
- Eu entendo como você se sente. É difícil quando as pessoas que amamos se vão. Mas lembre-se de que você tem muitas pessoas aqui no orfanato que te amam e cuidam de você. E, mesmo que sua mãe não esteja aqui fisicamente, ela ainda te ama muito.
- Eu sei, Belle, mas eu queria tanto poder vê-la de novo.
- Eu entendo, mas você sabe o que podemos fazer? Podemos escrever uma carta para a sua mãe, dizendo o quanto você a ama e sente falta dela. E talvez ela possa ler a carta em algum momento e saber o quanto você ainda pensa nela.
- Isso é uma boa ideia, Belle! Eu gostaria de fazer isso.
- Ótimo! Vamos pegar papel e caneta e escrever juntas. E não se preocupe, estou aqui para te apoiar em tudo o que precisar.
Há dias em que parece que tudo o que faço não é suficiente para tornar suas vidas melhores. Como alguém que passou muitos anos nessa instituição, sei o que é crescer sem ter uma família para chamar de sua. É difícil ser forte por elas, mas tento de todas as formas possíveis.
Durante muito tempo, desejei ser adotada. Esperava ansiosamente por uma família que me amasse e me aceitasse como sou. Infelizmente, nada aconteceu e acabei desistindo. Aos poucos, fui me conformando com a ideia de que talvez nunca tivesse uma família para chamar de minha.
Por causa disso, desenvolvi uma empatia muito grande pelas crianças que estão aqui há muito tempo e que, assim como eu, ainda não foram adotadas. É difícil ver o brilho nos olhos delas diminuírem a cada dia, mas tento dar o meu melhor para que se sintam amadas e valorizadas. É importante para mim que elas saibam que há pessoas que se importam com elas e que estão dispostas a ajudá-las a superar qualquer obstáculo.
Por fim, quero dizer que, apesar de todas as dificuldades, não me arrependo de ter escolhido ficar aqui, após minha maior idade. Ver o sorriso das crianças e saber que posso fazer a diferença na vida delas é uma das maiores recompensas que posso receber. Sei que não é fácil, mas vou continuar lutando por essas crianças e dando a elas o melhor que posso oferecer.
Depois de dar aulas para as crianças do orfanato, voltei para o meu dormitório exausta, mas ao mesmo tempo satisfeita por ter conseguido ensinar algo novo para aqueles anjos. Como de costume, fui direto para o banheiro tomar um banho quente e relaxante, que me ajudaria a aliviar o cansaço do dia.
O quarto não era muito luxuoso, mas eu não me importava com isso, pois sabia que estava ali para fazer uma boa causa. Havia apenas um espelho pequeno na parede, que mal dava para ver o meu rosto por completo, mas era o suficiente para eu me arrumar.
Depois de me arrumar, fui para a área da janta coletiva, onde todos os residentes do orfanato se reuniam para comer juntos. O cheiro de comida caseira invadiu minhas narinas, o que me deixou com ainda mais fome do que eu já estava.
Enquanto eu esperava na fila para pegar minha porção de comida, observei as crianças se divertindo e conversando umas com as outras. Era incrível ver como elas conseguiam ser felizes mesmo em meio a tantas dificuldades.
Finalmente, chegou a minha vez de pegar a minha comida, que consistia em arroz, feijão, frango e salada. Sentei em uma das mesas com outras voluntárias, e futuras freiras do orfanato e começamos a conversar sobre como tinha sido o nosso dia e o que poderíamos fazer para melhorar a vida daquelas crianças.
Foi uma noite agradável e reconfortante, e eu me sentia muito feliz por fazer parte daquela comunidade.
Eu estava caminhando em direção ao meu quarto, quando ouvi vozes alteradas vindas do pátio do convento. Decidi me aproximar para ver o que estava acontecendo e vi a Madre tentando argumentar com um homem de costas para mim. Fiquei curiosa e me aproximei um pouco mais, até que o homem virou para mim.
Nesse momento, senti meu coração disparar e meu chão sumir sob meus pés. Seus olhos escuros eram hipnotizantes e eu me senti enfeitiçada por eles. Ele usava roupas pretas que acentuavam ainda mais sua beleza, e seu rosto era perfeito, como esculpido por um artista habilidoso.
Eu não conseguia desviar meus olhos dos dele, e por um momento esqueci onde estava e o que estava acontecendo ao meu redor. Foi como se estivéssemos em um mundo só nosso, como se nada mais importasse além daqueles olhos negros, como a noite, que me olhavam de volta.
Fiquei sem fala por alguns instantes, até que finalmente consegui balbuciar algumas palavras. Mas mesmo assim, sentia-me enfeitiçada por sua presença e seus olhos que me penetravam a alma.
Eu me sentia extremamente desconfortável naquela situação, nunca tinha estado tão perto de um homem tão forte e viril como aquele. Meus olhos não conseguiam evitar o contato visual com ele, mesmo que a sua presença me intimidasse profundamente. Eu estava acostumada com a segurança do convento e com a companhia das irmãs, e aquele homem parecia estar em um mundo completamente diferente do meu.
Por mais que eu tentasse resistir ao seu olhar, eu sentia que ele conseguia ver através de mim, como se pudesse ler todos os meus pensamentos. Era como se ele soubesse de todas as minhas inseguranças e medos, e isso me deixava ainda mais vulnerável.
Apesar de tudo, eu sabia que aquele homem não era como os outros que eu havia visto na vida. Ele tinha uma aura diferente, algo que me atraía e me assustava ao mesmo tempo. Era como se eu pudesse sentir o poder e a masculinidade emanando dele, e isso me deixava confusa e nervosa.
Eu nunca tinha experimentado algo assim antes, e aquela sensação me fazia questionar tudo o que eu achava que sabia sobre a vida fora do convento. Eu sabia que não poderia ficar ali por muito tempo, mas ao mesmo tempo, não queria deixar de olhar para ele, sentindo-me hipnotizada pelo seu olhar penetrante e misterioso.
Damon
Eu sou o herdeiro da máfia italiana. Eu cresci neste mundo, cercado por homens brutais e ambiciosos, aprendendo desde cedo o código de honra da minha família. Eu sempre soube que um dia eu iria assumir o comando da organização, mas eu nunca imaginei que seria tão cedo.
Meu pai, o antigo chefe da máfia, se aposentou inesperadamente e passou a responsabilidade para mim. Com apenas 34 anos, eu estava agora no topo da cadeia alimentar, comandando uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo.
No começo, eu senti o peso da responsabilidade e a pressão de manter o legado da minha família. Mas, com o tempo, eu comecei a prosperar no meu novo papel. Sob a minha liderança, a família cresceu em números, expandindo nossos negócios e aumentando nossos lucros em milhares.
Claro, houve desafios ao longo do caminho. Rivalidades e traições são comuns neste mundo. Mas, eu aprendi a ser implacável e a manter minha família unida e forte. E, no final do dia, é isso que realmente importa. A minha família é a minha prioridade e eu farei qualquer coisa para protegê-la.
A vida de um mafioso não é fácil, mas eu sou um homem de honra e orgulho. E, como o sucessor do meu pai, estou determinado a garantir que o nome da minha família seja lembrado para sempre
Minha noiva, aquela que eu amei com todo o meu ser, traiu-me. Ela me fez de bobo, me iludiu, mentiu para mim. E agora, todo o amor que eu sentia por ela, virou raiva. Um ódio mortal que queima dentro de mim.
Eu nunca pensei que um dia eu pudesse ser enganado. Sempre fui muito cuidadoso em minhas escolhas. Sempre soube identificar quem era confiável e quem não era. Mas com ela, eu fui cego. Me deixei levar pela paixão e me entreguei de corpo e alma. E agora, estou aqui, me sentindo um tolo.
Eu não sei o que fazer com todo esse ódio que sinto por ela. Eu não sei como vou superar essa traição. Eu nunca fui de perdoar facilmente, e agora, com ela, não vai ser diferente. Ela mexeu com a pessoa errada. Eu sou um mafioso perigoso, e agora Guilda vai pagar caro por ter me feito de bobo.
Eu vou fazer ela se arrepender amargamente pelo que fez. Vou fazer ela sentir todo o ódio e a dor que eu estou sentindo agora. E só depois disso, talvez, eu consiga seguir em frente.
Eu me lembro como se fosse ontem do nosso amor de adolescente, eu e Guilda. Éramos jovens e apaixonados, e nada mais importava além de estarmos juntos. Eu era um homem rico e poderoso, comandando uma parte da máfia italiana, mas nada disso importava quando eu estava com ela.
A amava mais do que tudo, e acreditava que ela sentia o mesmo. Eu não era fiel a ela, mas eram alguns ofícios do trabalho. Não era diferente de todos os outros homens da minha posição.
Mas então, tudo mudou. Eu descobri que ela me traiu, que ela estava me traindo com um dos meus próprios homens. Eu nunca imaginei que ela pudesse me fazer algo assim. Eu estava cego pelo amor que sentia por ela, e agora, me sinto tolo por ter confiado tanto nela.
Ouço uma batida na porta, saio dos meus pensamentos vendo o meu homem de confiança entrando.
- Damon, tenho notícias sobre o carregamento de milhões que deve chegar esta semana – ele disse, colocando uma pasta sobre minha mesa.
Eu abri a pasta e examinei os papéis cuidadosamente. Os números eram bons, mas eu sabia que tínhamos que ser cautelosos, especialmente com a quantidade de dinheiro envolvida.
- Precisamos garantir que tudo corra bem. Qual é o plano? – perguntei.
- Já garantimos o transporte seguro do carregamento, mas temos que ser cautelosos com os nossos movimentos. Não podemos chamar atenção para nós mesmos, especialmente com o governo em alerta máximo – respondeu Josef.
Eu sabia que ele tinha razão. Nosso negócio ilegal era perigoso e qualquer movimento em falso poderia nos levar a uma situação desastrosa. Mas eu estava confiante de que nossa equipe estava bem treinada e seria capaz de lidar com isso.
- Vamos manter uma comunicação constante com nossos homens no terreno e garantir que tudo esteja sob controle. Não podemos deixar que nada dê errado – afirmei.
Josef assentiu, concordando comigo.
- E quanto ao pagamento? Precisamos ter certeza de que o dinheiro chegará em nossas mãos – perguntou ele.
Eu já havia pensado nisso. Tinha um plano bem elaborado para lidar com o pagamento e garantir que não houvesse nenhum problema.
- Vamos usar nossas conexões na Suíça para garantir que o dinheiro seja transferido para nossas contas offshore. É a maneira mais segura de garantir que o pagamento seja feito sem chamar atenção desnecessária – respondi.
Josef pareceu satisfeito com a minha resposta e se levantou para sair.
- Vamos manter tudo sob controle e garantir que o carregamento chegue a seu destino sem nenhum problema – disse ele, antes de sair pela porta.
Eu sabia que tinha um grande desafio pela frente, mas estava confiante de que com a ajuda de Josef e minha equipe, seríamos capazes de lidar com isso. Estava pronto para tudo que estava por vir e não permitiria que nada atrapalhasse nossos negócios.
Eu me sinto como uma fera, um monstro sem alma. Não consigo parar de pensar em todas as vidas que eu tirei. A máfia é a minha família, é tudo o que eu conheço, tudo o que eu respirei desde que era jovem. Mas agora, eu me pergunto se valeu a pena. Será que todo esse poder e dinheiro valem a dor que causei a tantas pessoas inocentes, ou não tão inocentes?
Toda a máfia contribuiu para isso. E agora, eu me sinto preso em um ciclo vicioso de violência e morte. Não sei se consigo sair disso, se consigo mudar quem eu sou.
Eu gostaria de poder voltar atrás e fazer as coisas de forma diferente. Talvez pudesse ter evitado algumas das mortes que causei. Mas agora, é tarde demais. Sinto como se a minha alma estivesse enegrecida pelo sangue que derramei.
Eu sei que sou responsável pelas minhas ações. Mas às vezes, me pergunto se eu tive escolha. Será que poderia ter feito algo diferente? Ou fui moldado pela máfia desde que nasci?
Eu me sinto perdido, sem saber para onde ir a partir daqui. Não sei como lidar com tudo o que fiz. Mas sei que preciso encontrar uma maneira de redimir-me, de fazer algo bom antes que seja tarde demais.
um assassino perigoso e sem remorso. Muitos podem pensar que não tenho coração, mas não é verdade. Todos nós temos crises de consciência em algum momento, e eu não sou exceção. Mas, mesmo que eu tenha Antonieta, minha sobrinha, como um pequeno raio de luz em meio a toda a minha escuridão, ainda sinto que estou muito longe da superfície.
Eu sou um demônio que precisa de almas para sugar vidas, e é assim que eu sobrevivo. No entanto, essa sobrevivência sanguínea não me traz alegria ou paz de espírito. Eu sou um ser humano, afinal, mesmo que tenha escolhido um caminho sombrio na vida.
Quando a bala sai da minha arma, o alvo cai no chão. Eu sinto um misto de alívio e tristeza. Eu não sou um monstro sem coração. Eu sou apenas um homem que fez escolhas erradas na vida. E agora, eu vivo com as consequências dessas escolhas todos os dias.
Desde jovem, eu sabia que esse era o meu destino. A minha família, a minha vida, tudo estava interligado com a máfia. E mesmo quando tive a oportunidade de sair, não o fiz. Eu sei que muitos podem achar que essa foi uma escolha errada, mas eu não me arrependo.
Lembro-me do meu irmão mais velho, Dimitri. Ele sempre foi um homem forte e corajoso, dois anos mais velho do que eu. Ele sempre soube que a vida na máfia não era fácil, mas assim como eu, ele escolheu seguir esse caminho.
Infelizmente, Dimitri foi morto em uma emboscada. Ele deixou para trás sua esposa Cassandra e sua filha Toni. Eu assumi a responsabilidade de cuidar delas, assim como ele teria feito se ainda estivesse vivo, e tomei frente na família.
Eu nunca vou me esquecer da dor que senti quando recebi a notícia da morte do meu irmão. Eu me lembro de ter olhado para o céu e perguntado a Deus por que ele tinha que nos deixar. Mas a vida continua e eu precisava cuidar das pessoas que ele deixou para trás.
Eu comecei a investigar onde Guilda estava, seguindo pistas e fazendo perguntas discretamente em diferentes lugares da cidade. Foi então que um informante me deu uma dica sobre um suposto orfanato que poderia estar escondendo Guilda. Eu segui essa pista e fui até o local.
Ao chegar no orfanato, eu me apresentei para a madre responsável pelo local. Ela ficou irritada com a minha presença e começou a discutir comigo. Certamente ela não sabia quem eu era, mas eu era um homem acostumado a lidar com situações como essa.
Eu sabia que o padre responsável pelo orfanato era corrupto, e com toda certeza ele sabia sobre os assuntos que a nossa organização resolvia. Ele estava escondido e não saiu para lidar comigo, deixando a madre sozinha para lidar com a situação.
Eu deixei claro para a madre que eu não estava ali para causar problemas ou fazer mal a ninguém. Eu apenas queria encontrar Guilda, os meus homens fariam uma breve varredura, com ou sem permissão.
Ser mafioso trás os seus beneficios, apesar de tudo, eu ainda não me arrependo da minha escolha. A máfia é uma parte de mim, é quem eu sou. E eu continuarei a honrar o meu irmão e a cuidar de Cassandra e Toni.
Eu sei que Cassandra tem feito investidas em mim, mas eu a respeito demais para ceder a isso. Eu não quero trair o meu irmão ou prejudicar sua filha. Então, eu continuo a cuidar delas da melhor maneira possível e a honrar a memória de Dimitri.
Fazem duas semanas que estou procurando esta v@dia, se ela pensa que está fugindo, engana-se, estou apenas ganhando tempo, não demorarei á encontra-lá, e então acabarei de forma lenta com ela, e o bastardo traidor.
Eu notei a madre olhando para alguma coisa com um olhar preocupado. Eu segui o seu olhar e vi uma mulher pequena, vestida com roupas largas e cabelos cobertos por um tecido marrom.
Ela parecia perdida, talvez assustada, e seus olhos azuis estavam arregalados de inocência. Eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento, mas algo naqueles olhos azuis me enfeitiçou. Eu não conseguia tirar os olhos dela, e por um momento, esqueci que estava em meio à minha vida perigosa de mafioso.
Eu senti uma urgência em beijar a boca daquela jovem pequena. Eu sabia que não deveria, mas não conseguia evitar o impulso. Eu me aproximei dela devagar, observando cada detalhe daquele rosto angelical. Seus lábios pareciam convidativos, e eu me inclinei para frente para beijá-la.
Eu me aproximei da freirinha com passos firmes e determinados, sabendo que minha presença poderia assustá-la. E foi exatamente o que aconteceu. Ela deu um pulo para trás e suas mãos tremiam quando eu me aproximei o suficiente para segurar seus punhos.
Ela parecia tão frágil em minhas mãos, tão inocente e indefesa. Mas eu não podia deixar que esse sentimento me desviasse do meu objetivo. Segurei seus punhos com mais força, sentindo a pele macia e delicada sob meus dedos. Ela tentou se soltar, mas eu a mantive firme em meu aperto. Eu podia sentir seu medo e incerteza, mas não me importei. Eu não era um homem que se importava com as emoções alheias.
Belle
Ainda naquele momento, vendo aquele homem que tinha uma aura perigosa ao seu redor e parecia estar procurando por alguém.
- Olá, senhorita, qual o seu nome? - disse ele em uma voz grave e rouca, que me vi na necessidade de responder.
- Meu nome é Belle. - respondi com uma voz trêmula.
Ele olhou-me de cima a baixo, como se estivesse me avaliando. Eu senti-me nua sob o seu olhar penetrante.
- Belle... é um belo nome - ele disse com um sorriso malicioso. - Você é uma freira, certo?
- Sim... quer dizer, irei fazer os meus votos em alguns meses. - respondi rapidamente, tentando parecer corajosa. - Posso ajudá-lo em alguma coisa?
Ele se aproximou de mim e falou em um sussurro baixo, mas ameaçador:
- Eu quero fazer um acordo com você, Belle. Eu tenho uma sobrinha muito solitária, você seria uma ótima companhia.
Eu me afastei um pouco, sentindo o meu coração acelerar. Eu não sabia o que ele estava falando e não queria me envolver com o mundo dele.
- Eu não sei do que você está falando, senhor. Eu sou apenas uma freira dedicada à minha fé - disse, tentando soar firme.
Ele riu baixinho e olhou-me com um olhar de desdém.
- Não me subestime. Eu sinto algo especial em você, algo que me atrai. E eu sempre consigo o que eu quero.
Eu engoli em seco, sentindo-me mais assustada do que nunca. Eu não sabia o que ele queria de mim, mas sabia que não podia ceder aos seus jogos perigosos.
- Eu não estou interessada em fazer negócios com você, senhor - falei, tentando manter a calma. - Por favor, vá embora.
Ele sorriu novamente, mas dessa vez o seu sorriso era mais sombrio e sinistro.
- Eu vou embora agora, Belle. Mas lembre-se de que eu sempre volto quando quero algo. E eu quero você, minha querida freira.
Ele se afastou, me deixando sozinha e tremendo de medo. Eu sabia que aquele homem era perigoso e que eu deveria tomar cuidado com ele.
Acabo correndo até o meu quarto, o meu coração está batendo tão forte que sinto como se fosse sair pela boca. Eu sinto-me atraída por aquele homem que acabei de encontrar no corredor, mas ao mesmo tempo, tenho medo dele. Eu não entendo que energia é essa que ele tinha, que deixou-me abalada com tão pouco da sua presença, será que todos os homens são assim?
Eu nunca saí do convento, então não sei muito sobre o mundo exterior. Mas agora, sinto que há muito mais coisas para se conhecer e descobrir. Corri o mais rápido que pude, tentando escapar daquela sensação estranha que estava tomando conta de mim.
Chegando ao meu quarto, fechei a porta e me encostei nela, tentando controlar a minha respiração. Fiquei ali por um tempo, pensando no que acabara de acontecer. Eu não conseguia entender o que havia acontecido, por que me sentia assim por aquele homem?
Eu me sinto tão bem em fazer os meus votos para me tornar uma freira. Sempre soube que essa era minha vocação, desde que era criança. Nunca senti qualquer tipo de atração por homens, apenas pela vida religiosa.
Mas agora, aquele homem misterioso mexeu com os meus hormônios de uma forma que eu nunca experimentei antes. Não consigo parar de pensar nele, a noite toda. Sinto o meu coração acelerado e as minhas mãos suando só de lembrar do seu rosto e das suas palavras.
Não posso deixar isso acontecer. Os meus votos são sagrados e eu os fiz com convicção. Mas a tentação é forte e eu sinto como se estivesse lutando contra mim mesma.
Até que, no meio da madrugada, houve um estrondo. Fui imediatamente para a janela e vi que uma tempestade estava se aproximando. Talvez a tempestade fosse um sinal de que eu precisava deixar os meus pensamentos e desejos para trás e seguir em frente com o meu chamado divino.
Eu me ajoelhei em oração, pedindo forças para resistir às tentações mundanas. E com o tempo, consegui encontrar paz na minha alma. A tempestade dissipou-se e eu soube que havia feito a escolha certa.
Acordei com o sol já entrando pela janela do meu quarto no orfanato. Logo me levantei e fiz minhas orações matinais, agradecendo a Deus por mais um dia de vida e pedindo a sua bênção para que eu pudesse enfrentar os desafios que viessem pela frente.
Depois das orações, fui para a cozinha ajudar as outras meninas que também viviam no orfanato a preparar o café da manhã. Enquanto picava legumes e frutas para a salada de frutas, conversávamos animadamente sobre os nossos sonhos e planos para o futuro, algumas não planejavam seguir o mesmo destino que escolhi.
Eu estava a caminho do colégio do orfanato, onde eu ajudava as crianças todos os dias. Era um trabalho que eu adorava, e me sentia grata por poder fazer algo para melhorar a vida delas. No entanto, meu caminho foi interrompido quando a Madre me chamou, pedindo para que eu a acompanhasse até o escritório.
Eu fiquei temerosa, pois a Madre sempre me chamava quando havia algo de errado. Eu não conseguia pensar no que poderia ser, mas sabia que não era algo bom. Mesmo assim, eu segui a Madre até o escritório, tentando me manter calma e controlar a minha ansiedade.
Quando chegamos lá, a Madre pediu-me para sentar e então começou a falar comigo.
- Belle, preciso conversar com você. - disse a Madre, sentando-se em uma cadeira á minha frente.
- Claro, Madre. O que foi? - pergunto, virando-me para a Madre.
- Aconteceu algo inesperado. Ontem à noite, o Senhor da cidade entrou em contato comigo. Ele precisa de uma babá para sua sobrinha, pois a mãe da menina foi viajar sem previsão para voltar. Ele está disposto a pagar uma boa quantia de dinheiro ao orfanato se você puder ajudá-lo. - explicou a Madre.
Olhei para a Madre, vendo mais do que um simples pedido nos olhos da mulher. Havia uma súplica silenciosa por trás de suas palavras. Quem era esse senhor da cidade ?
- Eu entendo, Madre. Mas, por que eu? Há outras pessoas que poderiam fazer esse trabalho - pergunto preocupada, pois tenho certeza que é o homem da noite anterior, depois que uma enxurrada de lembranças alcançou-me.
- O Senhor da cidade pediu especificamente por você, Belle. Ele disse que ouviu falar de você e do seu trabalho aqui no orfanato. Ele sabe que pode confiar em você. - respondeu a Madre. Mas aquilo de nada acamou-me.
Senti um frio na espinha. Nunca havia conhecido o Senhor da cidade pessoalmente, mas ouvira histórias sobre ele. Ele era um homem rico e poderoso, mas também conhecido por ser implacável com os seus inimigos.
- Eu não sei, Madre. Eu não sei se sou a pessoa certa para esse trabalho- digo, hesitante.
- Por favor, Belle. Pense nas crianças aqui no orfanato. Eles precisam desse dinheiro. E você sabe que não temos muitas opções. - implorou a Madre. Sabia que ela também estava com medo daquele homem, que ia além da beleza, havia maldade transbordando no seu olhar.
Eu sabia que a Madre estava certa. O orfanato precisava desesperadamente desse dinheiro. E eu não poderia deixar as crianças sem ajuda. Seria apenas por um período.
- Está bem, Madre. Eu vou fazer isso- digo, finalmente para o alívio da mulher, que pela primeira vez, não usou palavras brandas para se dirigir á mim.
- Obrigada, Belle. Eu sabia que podia contar com você.
Despedi-me da madre, pois ela não tinha uma data da minha partida, e sai da sala. Eu sabia que estava se metendo em algo perigoso, mas também sabia que não poderia recuar agora. Eu tinha um trabalho a fazer, e faria o que fosse preciso para ajudar as crianças do orfanato.
Eu sentia-me confusa e conturbada depois de aceitar ser babá na casa daquele homem poderoso. Sabia que havia algo de errado naquela situação, mas ainda assim, decidi aceitar o trabalho pelo dinheiro que traria para o orfanato.
Perguntava-me se estava fazendo a coisa certa ao se colocar em uma posição tão vulnerável. Afinal, o homem poderia estar apenas brincando comigo e usando a sua posição de poder para tirar vantagem da situação.
Eu não sabia se deveria ser mais reservada e distante ou se deveria se abrir mais e ser mais amigável. Perguntava-me se ele tinha alguma intenção maliciosa e se estava em perigo. Estava em conflito interno e não conseguia encontrar uma resposta para tantas perguntas.
Sabia que teria que lidar com o homem por um período indefinido e que teria que tomar cuidado para não se envolver demais naquela situação. Sentia-me presa e impotente diante de toda essa confusão. Só esperava conseguir sair dessa situação ilesa e sem sofrer nenhum dano.
Eu estava sentada no banco do jardim, sentindo o vento fresco balançar as folhas das árvores, quando a Madre chegou e se sentou ao meu lado. Ela parecia preocupada e eu sabia que algo estava errado.
- Belle - disse a Madre - tenho uma notícia para lhe dar.
Eu olhei para ela, esperando o pior.
- Você partirá para a Casa do Senhor Greco na manhã seguinte. - continuou a Madre.
Fiquei chocada com a notícia. Eu sabia que minha vocação era ser freira, mas não estava preparada para deixar tudo para trás tão cedo, pelo bem do próximo.
- Mas Madre, não posso ter mais tempo? Ainda há muito a fazer aqui. Tenho tarefas para completar, e preciso me despedir dos meus alunos.
A Madre olhou para mim com um olhar severo.
- Belle, a sua vocação exige sacrifícios. Você deve estar pronta para deixar tudo para trás e seguir a vontade de Deus. É hora de partir para a Casa do Senhor Greco e começar a sua jornada como freira, mas fora daqui, voltará para cumprir os votos no tempo certo.
Eu sabia que a Madre tinha razão, mas não pude evitar sentir uma pontada de tristeza e medo. Eu sabia que essa era a minha missão, mas ainda não estava preparada para deixar tudo para trás.
- Sim, Madre. - respondi finalmente. - Eu irei para a Casa do Senhor Greco amanhã pela manhã. Seguirei a vontade de Deus.
A Madre sorriu para mim, satisfeita.
- Você está fazendo a escolha certa, Belle, Deus a guiará e a protegerá na sua jornada.
Eu sabia que ela estava certa. Eu precisava confiar em Deus, e que tudo daria certo.
Hoje, ele me enviou um carro preto luxuoso para me buscar no orfanato. Eu estava tão desanimada que mal conseguia conter a minha ansiedade. Chegando lá, pude ver que a mansão de Greco era realmente impressionante. Era uma construção maravilhosa, cercada por uma grande muralha de pedra e com homens armados em seus muros. Eu nunca tinha visto nada parecido antes.
Quando o carro parou na entrada, eu desci com a minha pequena bolsa nas costas e fui recebida por uma fileira de homens sérios e intimidantes. Eles me escoltaram até a presença de Greco, que estava sentado em uma poltrona imponente, cercado por livros e artefatos valiosos. Eu mal conseguia respirar diante daquele homem tão misterioso e másculo.
Foi difícil não se sentir frágil e exposta naquela situação. Eu me senti muito pequena diante da sua presença, como se ele pudesse esmagar-me com apenas um olhar. Ele parecia avaliar cada detalhe do meu corpo, e eu senti que estava sob um escrutínio intenso.
No entanto, eu tive que me lembrar de que essa era uma oportunidade única na vida. Eu respirei fundo e tentei me acalmar. Eu sabia que estava em uma posição de vulnerabilidade, mas eu também sabia que isso poderia ser uma grande oportunidade para mim. Eu me preparei para ouvir o que Sr. Greco tinha a dizer e estar pronta para qualquer coisa que pudesse acontecer.
Eu estou apavorada. Não posso negar que estou com muito medo de estar aqui, nesta casa com este homem que mal conheço. A madre me enviou para cá, e eu confio nela, mas eu não sei se confio neste homem. Eu tento me lembrar que a madre nunca me colocaria em perigo, mas o olhar que ele me lançou quando eu entrei aqui... era malicioso, cheio de raiva, e eu não pude deixar de sentir dúvidas.
Eu olho em volta, tentando encontrar algo para me distrair, mas a casa é escura e silenciosa. Sinto um arrepio na espinha e me abraço, tentando me manter aquecida e protegida. O homem está na minha frente, os seus olhos cravados em mim, azuis, brilham como uma safira. Eu tento me lembrar do que a madre me disse: que eu deveria ser educada e respeitosa, mas firme. Mas é difícil ser firme quando estou tão assustada.
Eu me pergunto o que acontecerá comigo nesta casa. Eu não sei nada sobre este homem, além do fato de que ele é bonito. Mas a beleza não significa nada se ele não é confiável. Eu tento me lembrar de que a madre nunca me enviaria para um lugar onde eu não fosse bem cuidada, mas eu ainda me sinto insegura.
Eu fecho os olhos e respiro fundo, tentando me acalmar. Eu não posso deixar que o medo me controle. Eu tenho que ser forte e corajosa. Eu abro os olhos e olho em volta novamente, determinada a enfrentar o que vier pela frente.