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Uma Mentira por Amor

Uma Mentira por Amor

Autor:: Alex Davis
Gênero: Romance
Damián Ferreira é um CEO brilhante, mas solitário, que finge ser inválido para investigar quem está tentando traí-lo em sua empresa. Para manter as aparências, ele contrata Valeria, uma jornalista infiltrada que também tem seus próprios motivos para aceitar o acordo. O que ambos não esperavam era se apaixonar em meio a um turbilhão de segredos.

Capítulo 1 Um Encontro Inesperado

O aroma de café recém-passado preenchia o ar do pequeno café onde Valeria Armenta costumava se refugiar quando precisava pensar. Era um lugar discreto, com mesas de madeira desgastadas e paredes decoradas com estantes cheias de livros antigos. A chuva tamborilava nas janelas, mas naquele cantinho do East Village, tudo parecia mais tranquilo. Valeria estava absorta revisando anotações em seu caderno, com o cabelo castanho preso em um coque desalinhado e uma caneta girando entre os dedos.

A semana havia sido particularmente frustrante. Sua última investigação, uma denúncia sobre práticas corruptas em uma empresa farmacêutica, tinha sido arquivada pelo editor-chefe do jornal em que trabalhava. "Risco legal demais," ele havia dito, embora ela soubesse que o verdadeiro motivo era a pressão dos anunciantes. A impotência a corroía. Sentia que sua paixão pelo jornalismo estava se chocando contra as barreiras do poder e do dinheiro.

Estava tão imersa em seus pensamentos que quase não percebeu o homem que entrou no café. Apesar de se mover em uma cadeira de rodas com a destreza de quem domina cada movimento, sua postura elegante e o cabelo perfeitamente arrumado o destacavam entre os frequentadores habituais. Vestia um casaco escuro, e sua presença emanava autoridade, mesmo em um ambiente tão informal. Quando seu olhar encontrou o de Valeria, algo em seus olhos escuros e penetrantes fez com que ela parasse por um instante. Era Damián Ferreira.

- Valeria Armenta? - perguntou ele com voz firme, aproximando-se de sua mesa. Sua cadeira de rodas mal fez ruído ao deslizar pelo chão.

Valeria piscou, surpresa. Já tinha visto o rosto dele em revistas e artigos, mas nunca esperou encontrá-lo pessoalmente. Endireitou-se ligeiramente no assento, tentando disfarçar a confusão.

- Sim, sou eu. Posso ajudá-lo em algo? - respondeu com cautela. Seu instinto de jornalista se ativou imediatamente. O que um magnata como Damián Ferreira estaria fazendo em seu café habitual? E por que a estava procurando?

- Sou Damián Ferreira. Acho que nossa conversa pode ser mutuamente benéfica, - disse ele, com um leve sorriso que não suavizava sua expressão séria.

Valeria franziu a testa. O nome de Damián não era famoso apenas nos negócios; também era cercado de rumores e segredos. Ele era conhecido por sua habilidade em manipular situações a seu favor. Algo dentro dela dizia que aceitar aquela conversa podia ser perigoso, mas sua curiosidade natural era mais forte.

- Certo, - respondeu finalmente, indicando a cadeira à sua frente com um gesto, embora logo tenha se corrigido, lembrando da situação. - Ou... bem, sente-se aqui, por favor.

Damián manobrou sua cadeira de rodas com fluidez, posicionando-se diante dela. Por um momento, o silêncio entre os dois esteve carregado de tensão. Foi ele quem quebrou o gelo.

- Tenho acompanhado seu trabalho há algum tempo, - começou ele, seu tom medido, mas direto. - Você tem a reputação de não desistir, mesmo quando os poderosos tentam silenciá-la.

Valeria o encarou. Sabia que aquilo era um elogio disfarçado de alerta.

- Não costumo desistir, é verdade. Isso o incomoda?

Um sorriso quase imperceptível surgiu no rosto de Damián.

- Pelo contrário. É exatamente por isso que quero lhe fazer uma proposta.

Valeria inclinou a cabeça, intrigada. Damián Ferreira não era alguém que desperdiçava tempo com trivialidades. O que quer que ele estivesse prestes a oferecer, certamente seria significativo. Ou perigoso.

- Estou ouvindo, - disse, cruzando os braços sobre a mesa.

- Preciso de uma esposa, - soltou ele, tão direto que Valeria quase derrubou sua xícara de café.

O silêncio que se seguiu foi carregado de incredulidade. Valeria o olhou como se ele tivesse acabado de dizer a coisa mais absurda do mundo.

- Desculpe, o quê?

Damián apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos.

- O que você ouviu. Preciso de uma esposa, mas não no sentido tradicional. É um acordo estritamente profissional. Um contrato de um ano.

Valeria o observou atentamente, tentando encontrar algum indício de que ele estivesse brincando, mas não encontrou. Sua expressão era séria, calculada.

- E por que eu? Há milhares de mulheres que aceitariam essa proposta sem hesitar.

- Porque não quero uma mulher que busque benefícios pessoais ou que se deixe manipular pelo dinheiro. Quero alguém que tenha algo a ganhar por si mesma, alguém com princípios. E você, Valeria, precisa de algo que eu posso lhe oferecer.

A mente de Valeria trabalhava a mil por hora. A proposta era inusitada, para dizer o mínimo, mas também tentadora de certa forma. Havia muitas coisas que ela precisava: recursos, acesso a informações, até mesmo uma plataforma maior para expor as injustiças que combatia. Mas aceitar um acordo com alguém como Damián Ferreira significava entrar em um mundo cheio de intrigas e riscos.

- Digamos que eu aceite ouvir mais detalhes. O que há para mim nisso?

- Liberdade, - disse Damián, inclinando-se ligeiramente em sua direção. - Acesso a recursos que podem transformar suas investigações em armas reais contra as injustiças que você tanto odeia. E, além disso, proteção. Os inimigos que você e eu compartilhamos não ousariam tocar em alguém sob minha proteção.

- E o que você ganha?

Damián sorriu, mas desta vez havia algo sombrio em sua expressão.

- Estabilidade. Imagem. E tempo. Tempo para descobrir quem está tentando destruir meu império por dentro.

Valeria o estudou, tentando ler nas entrelinhas. Era evidente que havia muito mais em jogo do que ele estava revelando.

- Teremos que discutir os termos com muito cuidado, - disse finalmente. - Não sou alguém que aceita acordos no escuro.

Damián assentiu, como se esperasse essa resposta.

- Claro. Vou lhe enviar os detalhes esta noite. Tome o tempo que precisar para decidir, mas não demore.

Capítulo 2 Termos e Condições

Naquela noite, Valeria estava sentada no sofá de seu pequeno apartamento, com o laptop à sua frente e uma xícara de chá esfriando sobre a mesa. A chuva continuava a cair forte, tamborilando contra as janelas e acompanhando o turbilhão de pensamentos que preenchiam sua mente. Exatamente como Damián Ferreira prometera, um e-mail chegou à sua caixa de entrada algumas horas após o encontro. O assunto dizia simplesmente: "Proposta Contratual".

Ela abriu a mensagem com cautela, o coração batendo um pouco mais rápido do que gostaria de admitir. O corpo do e-mail era breve, mas havia um anexo intitulado "Contrato de Casamento". Seus dedos hesitaram sobre o mouse antes de clicar para abri-lo.

O documento era extenso, como ela já esperava. As primeiras páginas estavam repletas de linguagem jurídica explicando os termos gerais do acordo: duração de um ano, obrigações mútuas e estrita confidencialidade. Mas, à medida que avançava, os detalhes começavam a chamar sua atenção.

Resumidamente, ela teria que agir como esposa de Damián em todos os aspectos públicos. Participaria de eventos sociais, acompanharia reuniões importantes e viveria na residência principal dele durante o período do contrato. Em troca, ele lhe proporcionaria uma quantia generosa em dinheiro, acesso ilimitado a recursos para suas investigações e, o mais importante, proteção total.

O que mais chamou sua atenção foi a cláusula que especificava que, ao término do contrato, ambos poderiam dissolver o acordo sem consequências legais ou vínculos adicionais. Havia também uma lista de condições incomuns que ela deveria cumprir: não revelar o verdadeiro propósito do casamento, manter uma imagem de casal ideal perante a mídia e não interferir nos negócios internos de Damián.

Enquanto lia, Valeria não conseguia evitar se perguntar que tipo de homem precisava recorrer a esses extremos. As palavras dele durante o encontro ressoavam em sua cabeça: "Estabilidade. Imagem. E tempo." Algo grande estava em jogo, algo que ele não havia contado completamente.

- Isso é uma loucura, - murmurou para si mesma, fechando o laptop com um suspiro. Mas, mesmo enquanto dizia isso, sabia que parte de si considerava seriamente aceitar.

Na manhã seguinte, Valeria acordou com uma mensagem de texto de um número desconhecido: "Nos vemos hoje às 20h no restaurante Le Ciel. É hora de discutir os termos. D.F."

Era conciso, direto e deixava claro que ele não aceitaria uma negativa tão facilmente. Valeria apertou os lábios, sentindo-se presa entre a curiosidade e a cautela. Sabia que situações como aquela nunca eram simples.

Quando chegou ao Le Ciel naquela noite, o ambiente contrastava completamente com o modesto café onde haviam se encontrado pela primeira vez. As luzes suaves iluminavam um espaço de luxo refinado, com lustres de cristal e mesas impecavelmente decoradas. Damián já estava lá, esperando-a em uma mesa próxima a uma janela que oferecia uma vista espetacular da cidade. Sua cadeira de rodas era discreta, quase uma extensão de sua presença, mas impossível de ignorar para Valeria agora que estava ciente de seu uso.

- Pontual. Gosto disso, - disse ele enquanto ela se sentava à sua frente. Seu tom era cortês, mas havia um leve toque de impaciência em seus olhos.

- E eu prefiro saber exatamente no que estou me metendo antes de me comprometer, - respondeu ela, colocando a bolsa no encosto da cadeira. Damián sorriu, como se apreciasse sua atitude direta.

Um garçom apareceu com uma garrafa de vinho que Damián havia escolhido previamente. Enquanto servia as taças, o magnata não perdeu tempo.

- Você leu o contrato. Presumo que tenha perguntas.

Valeria inclinou-se ligeiramente para frente, entrelaçando as mãos sobre a mesa.

- Tenho muitas, mas vou começar pelo óbvio. Por que eu? Você poderia ter escolhido alguém com experiência nesse tipo de acordo.

- Justamente por isso não quis fazer isso. Não preciso de alguém que veja isso como uma transação fria. Preciso de alguém genuíno, alguém que não apenas siga as regras do contrato, mas que também projete uma imagem real. E você, Valeria, tem algo que a maioria das pessoas no meu mundo não tem: credibilidade.

Ela ficou em silêncio por um momento, processando as palavras dele. Era um elogio, mas também uma manipulação evidente. Ele estava jogando suas cartas com habilidade, e Valeria sabia que precisaria estar alerta.

- E o que acontece se eu descobrir algo durante esse ano que não me agrade? Algo que possa comprometer minha integridade.

Damián a encarou, seus olhos escuros penetrantes.

- Dou minha palavra de que nunca pedirei que faça algo que comprometa seus princípios. Mas você também precisa entender que meu mundo é complexo. Haverá coisas que não gostará, e outras que não poderei explicar completamente. Se isso é algo com que não pode conviver, este não é o acordo para você.

O silêncio que se seguiu foi interrompido apenas pelo som da chuva batendo nas janelas. Valeria segurou sua taça de vinho, olhando-o com atenção. Ele era um homem cheio de contradições: direto, mas reservado; poderoso, mas vulnerável.

- Aceito discutir os termos finais, - disse finalmente, embora sua voz fosse cautelosa.

O sorriso de Damián foi quase imperceptível, mas havia um brilho em seus olhos que sugeria satisfação. Ele havia conseguido levá-la um passo mais perto de seu objetivo.

Horas depois, Valeria caminhava pelas ruas desertas da cidade, sua mente inundada de pensamentos conflitantes. Havia muito a ganhar, mas também muito a perder. Enquanto atravessava um parque quase vazio, sentiu uma estranha sensação de estar sendo observada. Olhou por cima do ombro, mas não viu ninguém. Mesmo assim, apressou o passo, sentindo-se inexplicavelmente inquieta.

Quando finalmente chegou a seu apartamento, certificou-se de que a porta estava bem trancada antes de soltar um suspiro profundo. A sensação de estar sendo observada ainda a acompanhava, mas ela tentou atribuí-la aos nervos. Ao deixar a bolsa sobre o sofá e acender uma lâmpada, não conseguiu evitar olhar pela janela, procurando algo que nem sabia definir.

Capítulo 3 Limites e Condições

Valeria acordou cedo na manhã seguinte, determinada a abordar o assunto com clareza e sem dúvidas. Passou a maior parte do dia revisando repetidamente o contrato que Damián havia enviado, anotando perguntas e comentários nas margens. Cada cláusula estava redigida com uma precisão quase cirúrgica, deixando pouco espaço para mal-entendidos. No entanto, uma em particular chamou sua atenção: a estipulação de "contato físico limitado".

Quando chegou a hora da reunião com Damián, Valeria se encontrou novamente diante das portas de vidro da Ferreira Corp. Um assistente a conduziu até uma sala de reuniões no último andar, onde Damián já a esperava. Sua presença, como sempre, dominava o ambiente. A cadeira de rodas estava posicionada em um canto da mesa, com documentos organizados meticulosamente sobre ela.

- Pontual novamente. Estou impressionado, - disse Damián, com um tom que roçava a cordialidade.

- Gosto de saber exatamente no que estou me envolvendo antes de me comprometer, - respondeu ela, sentando-se à sua frente.

Damián assentiu e, deslizando uma caneta em sua direção, indicou o contrato que estava sobre a mesa.

- Vamos falar sobre suas preocupações.

Valeria abriu sua pasta e retirou a lista de anotações. Passou os primeiros minutos discutindo detalhes menores: horários, logística e alguns aspectos técnicos legais. Mas, finalmente, chegou ao ponto que estava esperando.

- Quero discutir a cláusula sobre contato físico, - disse ela, sustentando seu olhar.

Damián arqueou uma sobrancelha, mas não pareceu surpreso. Em vez de responder imediatamente, cruzou as mãos sobre a mesa e a observou, como se avaliasse a melhor forma de proceder.

- Especifique.

Valeria respirou fundo antes de continuar.

- A cláusula estabelece que haverá "limites rigorosos quanto ao contato físico". Quero entender exatamente o que isso significa. Não é apenas uma questão de conforto; quero garantir que estamos na mesma página.

- Significa, - começou Damián, com um tom pausado, mas firme, - que este casamento é puramente funcional. Não haverá contato físico desnecessário e, muito menos, intimidade. Se, em algum momento, a situação social exigir uma demonstração de afeto, como segurar as mãos ou um beijo na bochecha, será feito exclusivamente para manter as aparências. Fora isso, nossas vidas privadas permanecerão separadas.

Valeria assentiu lentamente, deixando as palavras dele se assentarem. Ela já esperava aquela resposta, mas ouvi-la diretamente dele dava uma tranquilidade que não havia previsto.

- E se uma das partes violar essa cláusula, quais serão as consequências? - perguntou, levantando levemente uma sobrancelha.

Damián esboçou um leve sorriso, como se apreciasse sua determinação.

- Falar de consequências em um acordo como este é desnecessário se ambas as partes respeitarem os termos. Mas, para sua tranquilidade, qualquer violação dessa natureza invalidará o contrato e encerrará o acordo imediatamente.

Valeria percebeu a firmeza em sua voz, deixando claro que ele não estava brincando. Ele havia pensado em tudo e não tinha a menor intenção de deixar espaço para mal-entendidos. Com isso esclarecido, passaram para o restante das cláusulas, abordando temas como convivência e expectativas públicas.

- Teremos quartos separados na minha residência. Passaremos tempo juntos em eventos sociais, mas, fora isso, você pode manter sua rotina habitual, desde que informe meu assistente com antecedência, - explicou Damián.

A formalidade de todo o acordo ainda a deixava perplexa. Não havia nenhum traço de romantismo, nenhuma insinuação de algo que pudesse ser mal-interpretado. Para ele, aquilo era um negócio, e Valeria percebeu que precisaria encarar dessa forma também.

Quando finalmente terminaram de revisar o contrato, Damián a olhou com intensidade.

- Há mais alguma coisa que a preocupe?

Valeria balançou a cabeça, embora ainda tivesse muitas perguntas que preferia guardar para outro momento. Por ora, precisava de tempo para processar tudo.

- Acho que cobrimos tudo. Quando esperam que eu assine? - perguntou.

Damián deslizou uma caneta na direção dela, mas não a pressionou.

- Tome o tempo que precisar. Mas quanto antes assinarmos, mais cedo poderemos começar a trabalhar nos detalhes públicos.

Valeria guardou o contrato em sua pasta e se levantou, pronta para sair. No entanto, antes que pudesse alcançar a porta, Damián falou novamente.

- Valeria, uma última coisa. Isto não é apenas um acordo para mim. É uma maneira de proteger o que construí. Se decidir aceitar, quero que saiba que não gosto de falhar. Nem comigo mesmo, nem com aqueles que trabalham comigo.

Havia algo no tom dele que a fez parar. Não era uma ameaça, mas também não era apenas uma declaração. Era um lembrete de que aquele homem estava acostumado a ter o controle e esperava o mesmo de todos ao seu redor.

Valeria assentiu, sem dizer nada, e saiu da sala de reuniões. Enquanto caminhava em direção ao elevador, não pôde evitar sentir-se presa em uma teia de expectativas e segredos que mal começava a compreender.

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