Eu me sentia uma idiota, tola. Às vésperas de fazer trinta anos, comportava-me como uma adolescente. "Marian, Crush é coisa de menina", pensei várias vezes. Nunca fui magra e com corpo de manequim. Sempre fui a mulher curvilínea e nada no padrão de beleza, e não conseguia parar de pensar naquele crush, ou amor platônico, ou talvez, fosse só uma paixonite, que, por não se realizar, perdurava mais. Não sabia ao certo.
No entanto, eu sabia que era muita obsessão para quem apenas aspirava o perfume dele ou o observava caminhar, sempre vestido em ternos e com um finíssimo cachecol caído displicentemente pelos ombros.
Sempre no mesmo horário em que eu esperava o ônibus para casa, ele surgia caminhando lentamente, distraído com alguma coisa ou somente conversando ao telefone. Era sempre assim. E todas às vezes me perdia nos cabelos castanhos bem cortados, nos lábios carnudos, no rosto masculino, na barba que às vezes estava por fazer e nos olhos, castanhos e profundos, quase esverdeados, que nunca me olhavam, mas que eu observava sempre que ele passava.
E lá estava ele, uma vez mais. Me encostei no muro da casa que tinha o ponto de ônibus na frente. Era comum que naquele horário o local estivesse bem cheio. Apoiava-me na construção, deixando a calçada livre para quem quisesse ou, talvez, para ele passar. Admirava-o disfarçadamente, de soslaio enquanto ele mexia no smartphone ou conversava no aparelho. Nem sempre consegui ver as cores de seus olhos ou dar
aquela reparada no bumbum firme e gostoso que existia debaixo do tecido da calça. Isso, claro, quando ele usava algum blazer mais curto ou se mexia, de forma a revelar aquela anatomia dos deuses. Ah, aquele volume na frente me fazia comprimir as coxas ao imaginar as mais insanas fantasias.
Alguns minutos depois de ele passar, eu entrei no ônibus, seguindo minha viagem diária para casa. Enquanto via as ruas passarem, tomei a decisão mais louca da minha vida. Depois de ficar um ano só observando, faria mais. Realizaria minha fantasia. Mesmo que fosse apenas por uma noite...
Outro dia terminava, a cena era sempre a mesma. Ele passava, eu o observava, admirando-o.
O ônibus chegava, e eu perdia a visão mais bela que tinha no dia. Todo dia, ou melhor, toda noite. Sempre me enchia de coragem, de vontade e desistia. Ou a fala sumia, ou minha coragem sumia, mas algo sempre me impedia.
Entretanto, não naquele dia. Tinha tomado aquele banho de loja, arrumado os meus cabelos e me maquiado. Estava impecável e, mesmo que não fosse a versão de beleza que a sociedade gritava ser a mais bonita, eu era a melhor versão de mim naquele momento e, sim, sentia-me linda, poderosa e... louca. Quando pensava em minha ideia insana, sentia que poderia desmoronar a qualquer instante. Contudo, que fosse sandice. O não eu já tinha, e o sim, ah, o sim, esse, se viesse, seria muito, mas muito bom mesmo.
Senti minha intimidade se molhar quando apertei uma coxa contra a outra. A adrenalina corria sem controle em minhas artérias. Um frio percorreu
meu ventre, acalorou meu rosto, me deixando ansiosa.
E então ele surgiu, vestindo um terno cinza-chumbo, camisa azul-clara e sem gravata, o cachecol em tons de azul e marrom caindo pelos ombros. O perfume lembrava folhas e madeira. Seu andar sempre ereto deixava seu porte ainda mais elegante. Era o olhar de uma admiradora secreta, mas não deixava de ser verdade.
Passou por mim e, uma vez mais, parecia pensar em algo distante. Deixei o rapaz tomar uma boa distância, e o segui para descobrir finalmente aonde ele ia todas as noites em que cruzava comigo. O mistério seria solucionado finalmente.
A não mais que dois quarteirões do ponto de ônibus, lá estava. Um barzinho aconchegante. Com certeza de alto padrão, onde se servia uísque das melhores marcas e das mais caras doses.
Ao entrar no local, percebi que havia mais
homens ali. Parecia um pequeno clube para executivos. O garçom me atendeu, e me sentei em frente ao balcão. Havia perdido o rapaz de vista. Pedi uma água com gás e observei as mesas mais ocultas. De repente, senti aquele perfume marcante...
Ele sentou-se ao meu lado. Munida de toda a coragem, eu o olhei e, pela primeira vez, vi os seus olhos direcionados a mim. Seu olhar só se desviou quando recebeu o copo com alguma bebida que eu não soube identificar.
Estávamos os dois naquele lado do balcão. Ele, calado, pensando em algo. E eu quase tremendo, mas me sustentando em minha decisão.
- Olha, moço - eu falei, fitando-o. - Eu não sei seu nome, nem o que faz, nada da sua vida. Também sei que não sou o padrão de beleza, nem sou uma jovenzinha toda durinha. Tem um ano que te observo passar por mim naquele ponto de
ônibus aqui perto. Eu só sei de uma coisa - ele ouvia atentamente a minha voz baixa -, que só quero uma, apenas uma noite com você. Sem cobranças, sem ligações, sem choro, nem lamento. Apenas peço, me foda nesta noite! - A minha face devia estar vermelha, pois senti que queimava.
O rapaz arregalou os olhos, para, no instante posterior, dar um rápido sorriso de lado, que me causou um arrepio. Olhou o relógio rapidamente e se levantou. Jogou várias notas no balcão e saiu me segurando pela mão. Acenou para um táxi, que parou rapidamente. Abriu a porta para mim. Não hesitei um minuto e entrei no carro.
- Vá para o Palace Lux - sua voz soou como uma música para mim. Ele então se virou e me olhou. - A propósito, meu nome é Rafael. E vou atender ao seu pedido com uma condição. Nós dois; eu mando, você obedece.
- Certo - respondi sem discutir.
Quieta, observei a rua passando pela janela do carro. Eu sabia que aquele hotel para onde íamos pertencia ao grupo da empresa em que trabalhava e que também era um lugar luxuoso.
Sem mais demora, o táxi parou em frente ao local, as portas foram abertas e nós saímos do automóvel.
Andei lentamente para a recepção enquanto Rafael se dirigia ao recepcionista. Ele trocou algumas palavras com o funcionário e recebeu o cartão do quarto. Enquanto isso, admirei o hall, o design que mesclava moderno e antigo. Que nada, eu estava tentando acalmar meu coração. Ouvi ele me chamar.
Caminhei até o rapaz, que me conduziu ao elevador que aguardava aberto. Não houve troca de palavras ou olhares. Quando a porta se abriu novamente, me vi entrando numa elegante e espaçosa suíte.
Ouvi a porta ser trancada, mas não me atentei ao que ocorria ao meu redor. Analisava a suíte em cada detalhe.
Ao me virar para Rafael, percebi que o rapaz já havia tirado o blazer e o cachecol e tinha desabotoado alguns botões da camisa.
- Venha... qual é o seu nome mesmo? - Ele esperava com a mão estendida.
- Marian.
- Venha, Marian.
Rafael me conduziu para a cama da suíte, que era separada do restante do cômodo por portas francesas. Virou-me de costas para ele e de frente para a cama.
O vestido que usava foi levantado e as suas mãos passearam por minhas pernas. Os dedos masculinos se enroscaram na calcinha de renda que usava, arrancando-a sem muito cuidado.
Gemido alto com a expectativa. Ouvi o
barulho de zíper, e imaginei Rafael abrindo a braguilha, segurando o membro duro. Ouvi o barulho de algo sendo rasgado, e pensei que fosse uma camisinha. O barulho da borracha sendo desenrolada em seu pau confirmou minha suspeita.
Sem ver o que acontecia, me excitava com os sons que o rapaz produzia.
- Quer que eu te foda? Pois bem. Fique de quatro em cima da cama.
Não questionei, apenas obedeci e me ajoelhei na cama, usando o vestido e os sapatos negros. Estava muito excitada, e só de pensar nele me fodendo era quase como ser fodida.
Com as mãos deslizando pelo meu quadril, ele levantou o vestido. Agora só as meias 7/8 cobriam algo ali.
Com apenas parte do meu corpo despido, senti meu corpo em ebulição. Tudo eram sensações, até que ele se encaixou entre minhas pernas, afagou
minha bunda e abriu minha carne, para se enfiar nela sem mais avisos.
- Ahhh! - gritei, não porque sentisse dor ou porque houvesse me assustado. Era pelo puro tesão de ser invadida por ele, que não media a força, socando cada vez mais rápida e mais profundamente. Eu sentia o desejo que ele possuía, a rigidez com que me invadia. Senti-me a mulher mais gostosa do mundo. Estava recebendo mais daquele homem do que já recebi de muitos outros que haviam passado na minha vida.
E os barulhos seguiam. A pélvis masculina contra a minha carne; o ranger da cama; nossos ofegos e gemidos. O movimento era intenso e ininterrupto, forte, duro, uma dança de tesão e prazer. A qualquer momento gozaria, já estava no limite do prazer. Eu podia ouvir o rapaz quase rosnar enquanto se afundava em minha carne. Um pouco mais. Gemi, ele grunhiu, e algo explodiu em
meu corpo e mente.
Ele se afundou algumas vezes mais, e não reclamei. Estava em êxtase, sentindo todo o prazer que era possível. Meu corpo estava sensível, minha respiração, ofegante, minhas mãos e joelhos, trêmulos.
Rafael se retirou do meu corpo emitindo um som baixo pelo movimento e o vi ir para o banheiro se livrar da camisinha que carregava a prova do seu gozo.
Relaxei na cama. Pensei que o rapaz desistiria de continuar, já que havia feito o que eu pedi. Olhei para o teto e me recordei de cada movimento, cada sensação, cada estocada.
Ouvi alguns passos no quarto e abri os olhos, para arregalá-los em seguida. Rafael havia se
livrado de todas as roupas, exibindo seu lindíssimo corpo. Era um verdadeiro Davi de Michelangelo, com a diferença de ter um membro muito bem- dotado. E o rapaz sabia disso, afagava a carne rígida sem o menor pudor.
- Marian, sabe chupar um pau? - Ele me olhava sacana. - Quero provar essa boca safada e atrevida.
Quase engasguei ao ouvi-lo. Ele subiu sobre a cama, me deixando a centímetros de distância do membro duro e avermelhado. Continuava afagando a carne sem a menor vergonha.
- Está vendo o que estou fazendo? Sabe punhetar um homem? - Ele segurou a minha mão e a colocou no seu pau. - Assim. - E movimentou ambas as mãos ao mesmo tempo.
Eu não sabia explicar, mas senti o corpo inteiro formigar com o toque e o movimento. Ele
me olhava com tanto desejo que senti prazer em fazê-lo. Sem muita perícia, desci os lábios sobre o pau dele e comecei a chupá-lo, como se fosse um sorvete.
- Continue com a mão também - a voz rouca deu a ordem, que obedeci em seguida. - Isso, Marian... gostosa!
Ele perdia o fôlego quando eu sugava mais forte. Sem mais aguentar, o rapaz se afastou, me deixando confusa.
- Calma, gostosa, ainda vou te fazer beber toda a minha porra... mas antes quero te comer muito... Você me pediu, lembra?
Ele me empurrou levemente na cama enquanto ele se posicionava entre minhas pernas e avançava beijando minhas coxas até atingir a minha boceta quente e molhada no centro delas. Ele a chupava sem dó, alternando entre a língua e os dedos, que me invadiam impiedosamente.
- Que boceta gostosa, Marian!
Aquela tortura durou um pouco mais, até que gozei sem o menor pudor. Só percebi ele colocando a camisinha e se afundando em mim, prolongando o prazer com aquela invasão. Entretanto, dessa vez, ele alternava entre movimentos fortes, brutos e mais calmos e suaves. Por um momento, retirou o meu vestido, revelando que nada me cobria mais. Avançou nos meus seios enrijecidos.
Não era possível separar os gemidos. Parecia um único som, misturando-se perfeitamente. E, mais uma vez, gozei, já sem forças para gemer. Estava exausta. Nunca pensei que poderia ficar tão esgotada tendo prazer.
RAFAEL
Fui ao banheiro me livrar de mais um preservativo. A mulher atrevida era tesão puro. Eu teria que me recompor para continuar. Quando entrei no quarto, vi a jovem ressonando na mesma posição em que a deixei, descoberta, exibindo a pele cheirosa e as curvas avantajadas.
Me aproximei e a cobri com o lençol. Abaixei-me e dei um beijo nos seus lábios. Ela balbuciou algo incompreensível. Sentei numa das poltronas da suíte, e comecei a me lembrar da primeira vez em que havia visto Marian parada próxima ao ponto de ônibus. Era na quadra ao lado de minha empresa.
Todos os dias passava em frente a ela, mas não a olhava diretamente. Observava-a bem antes e depois seguia como se nada estivesse à minha
frente. Surpreendi-me ao ver a moça no barzinho que frequentava sempre após o trabalho. Talvez eu pudesse descobrir mais sobre a moça tímida e de olhar profundo, por isso me sentei ao seu lado no balcão.
No entanto, julguei errado quando a classifiquei como tímida. A mulher falou tudo o que desejava sem receio. E, para minha surpresa, ela me queria em sua cama. Quieta, tímida e safada. Mistura perfeita.
Senti que era o homem mais cobiçado do mundo, e aquele pedido era mais do que esperei ouvir. Com certeza era o convite mais excitante que já recebi.
E então ali estava eu, vendo a jovem dormir. Também estava cansado e resolvi ter companhia para dormir pela primeira vez na vida.
- Acho que vou descobrir como é dormir ao seu lado, Marian.
Só de boxer, deitei-me ao lado da jovem nua e me aconcheguei ao corpo quente. O sono veio rápido, arrebatador.
MARIAN
Despertei com uma sensação estranha. Olhei para todos os lados do quarto, a luz do sol invadindo as janelas e me lembrei. Eu havia apagado com um homem delicioso esperando para me fazer ir ao céu. Ou ao inferno. Vai saber... E eu simplesmente dormi. Soltei um muxoxo de insatisfação. Apesar de termos transado duas maravilhosas vezes, queria ter aproveitado cada segundo. Vi meu celular caído no chão e o alcancei.
Era seis e meia da manhã. Levantei-me e vi que ainda estava nua. Catei minhas roupas e, ao me virar, dei de cara com Rafael, que me observava em silêncio.
- Uau, mas que visão logo de manhã... - Ele segurava uma caneca de café e vestia só a boxer.
Colocou a caneca no criado-mudo e se aproximou de mim, enlaçando a minha cintura. Esfregou seu pau duro em mim, e pude perceber que a brincadeira ainda não havia acabado.
- Acho que despertei querendo mais. - Ele apenas retirou o membro e me segurou no colo, encaixando-me em sua cintura. Me invadiu sem aviso, e dei um grito, quase um gemido.
Rafael apoiou-me na parede, começando a entrar e sair lentamente de meu corpo. Os sons inundavam o quarto quando sussurrei que estava quase gozando. Ele também parecia estar quase no
limite, mas se conteve um pouco. E naquele momento percebi que ele não estava usando preservativo. Mas o meu corpo traidor não se deteve e gozei sentindo a invasão do rapaz que gemia. Senti que ele rapidamente se retirou de dentro de mim e deixou seu sêmen cair pelo chão.
- Marian, você me deixou doido! - Ele ofegava, tentando se recuperar. - Esqueci completamente da camisinha.
Ainda no colo dele, entendi a seriedade da informação.
- Não se preocupe, eu não gozei em
você.
Respirei mais aliviada. Não que isso
diminuísse outros perigos.
Rafael me colocou na cama e o vi se limpar com uma toalha.
- Acho que um banho cairia bem. - Estendeu a mão para mim. - Você ainda está me
devendo mais, já que dormiu logo depois da nossa segunda foda.
Segurei a sua mão e o segui para o banheiro.
- Hoje você vai sair daqui sem conseguir sentar, Marian - ele sussurrou no meu ouvido, e me arrepiei.
Realmente é necessário saber o que se pede. Eu estava numa deliciosa enrascada.
O banho mal havia começado, e num movimento rápido, Rafael estava me fodendo de novo. Já havia me acostumado ao vai e vem. Cada investida era mais relaxante e tensa ao mesmo tempo. A água morninha e o corpo masculino me invadindo por trás só me deixavam mais ciente da loucura que cometi. E pensei que faria mais vezes.
O rapaz passou a acariciar meu clitóris e tive certeza de que me faltaria forças se... Oh, sim, estava gozando loucamente enquanto Rafael
trabalhava incansavelmente em meu corpo.
Segurou-me pela cintura ao perceber o tremor nas minhas pernas. Gozamos quase juntos. Aquilo era delicioso, insano, maravilhoso.
Após o banho, nos vestimos e tomamos o café da manhã que Rafael havia pedido. Seguimos até a recepção sem mais conversas.
No saguão, ele chamou dois táxis. Cada um ainda teria de se trocar para trabalhar naquele dia.
- Chamei um táxi para você. - Ele se aproximou de mim. - Foi um prazer atender ao seu pedido, Marian! - sussurrou perto de meu ouvido e senti um beijo no meu pescoço.
Meu corpo inteiro se arrepiou. Todavia,
não houve tempo para responder àquela provocação. Os táxis haviam chegado, Rafael sumiu do saguão.
A loucura tinha acabado.
Segunda-feira, três dias depois.
Acabava de entrar na recepção do prédio central da empresa em que trabalhava. Havia sido
convocada para ocupar o cargo de assistente do
CEO Enrico Rafaelo.
Fui recomendada por meu chefe direto
para ocupar esse cargo, há muito tempo vago. Tinha conhecimento e competência para isso, mas pensei que ele talvez fosse indicar alguma das belas mulheres que trabalhavam na empresa ou que
talvez fosse feito um processo seletivo para contratar alguém.
- Bom dia, senhorita Marian Alves! - uma jovem vestida elegantemente num terninho preto me cumprimentou. - O senhor Rafaelo a aguarda na sua sala.
Caminhamos por onde a jovem indicava. Ela deu uma leve batidinha e abriu a porta. Fez um sinal para entrar, e nervosa como eu estava, entrei imediatamente.
Na sala, observei o local, cujas paredes de cores claras contrastavam com móveis escuros. Na cadeira atrás da imponente mesa, virado de costas para mim, alguém estava sentado.
- Bom dia, senhorita Marian...
Minha espinha esfriou e a pele se arrepiou.
Conhecia aquela voz, conhecia aquele tom.
A cadeira foi virada, revelando a figura de Enrico Rafaelo. Ou Rafael, como eu o havia
conhecido. O desconhecido mais conhecido. O homem que me levou aos orgasmos mais intensos de minha vida.
- Vejo que nos encontramos de novo, Marian...
Seu sorriso sacana me deixou pegando fogo e com a calcinha molhada.
- A partir de hoje, você será minha assistente pessoal. Espero que goste do seu trabalho!
Sim, eu estava numa deliciosa encrenca, mas não iria me arrepender do meu desejo.
Capítulo 2 RAFAEL
Fazia uma semana que Marian estava trabalhando como minha secretária. Ou como assistente, não importa. Era uma feliz coincidência tudo ter chegado a esse resultado.
Sim, a contratação dela não havia sido planejada desde o início. A última secretária era duas caras, vivia levando informações para a minha família. E acabou sendo demitida e desmascarada. Decidi por buscar uma nova secretária entre aquelas que pertenciam à empresa. Com uma ficha bem completa, cada uma foi avaliada, até que a foto de Marian me fez vibrar com a perspectiva.
A mulher que me fez o pedido mais inusitado e que realizei com o maior prazer, se é que me entendem, era funcionária do grupo que eu
comandava. Como ela não sabia disso? Simples, não sou de fazer social em lugar algum. Acho que ela nunca sonharia com a possibilidade de cruzar com seu chefe praticamente todos os dias, de uma forma tão comum.
A escolha era certa. Alguém tão transparente e honesta como Marian havia sido comigo era o tipo certo de braço direito que eu precisava. E quem sabe... fosse se tornar uma relação mais do que profissional.
Enfim, lá estava ela, sentada à mesa, que ficava à frente de uma parede de vidro estrategicamente voltada para mim. O acesso de elevador à minha sala só era feito se ela liberasse, portanto ficava no mesmo local, ao meu dispor, apenas separada pelas paredes de vidro que citei.
Naquele momento eu observava a moça. Realmente, a mulher em nada lembrava o padrão de
beleza visto por aí. Era cheia de curvas, com seios grandes e que bunda... Eu havia tido uma visão surpreendente daquela carne. E que boceta gostosa, só de lembrar tô com o pau duro. Dizem que quando alguém te olha por muito tempo você sente. Ela sentiu e me olhou, vermelha como da primeira vez em que nos falamos.
Ah, mulher, esse olhar envergonhado só complica meu estado.
]Sorri de volta com um puta pensamento pervertido. Ah, deve ter percebido, pois desviou o olhar em seguida. "Pense em números", minha mente sussurrou. Pensei em números, tragédias e violência, mas nada fez meu pau amolecer. Já sei, família. Isso! Agora nem Marian sobe meu pau.
E voltei a ler o relatório que estava em minha mesa.
Algumas horas mais tarde e finalmente era o fim do expediente. Era sexta-feira e eu estava uma pilha de nervos. Sim, happy hour ou qualquer coisa assim. Vi Marian arrumando sua mesa e a chamei pelo telefone.
- Sim, senhor?! ― Ela não me fitava.
- A senhorita tem algum compromisso
agora?
Eita mulher desconfiada, olhou-me como
se eu tivesse três cabeças. Duas sim, pensei comigo. Eu não presto mesmo.
- Não, senhor!
- Então vamos beber alguma coisa. Essa semana foi uma merda de desgastante.
- Não acho boa ideia, senhor. ― Ela falou firme.
sério.
Olhei-a, esperando que continuasse.
- Não é profissional.
Ah não! Marian não podia estar falando
- Senhorita Marian, o horário do
expediente acabou, ― mostrei o relógio ― vamos beber como amigos.
- Não somos amigos, senhor.
Levantei a sobrancelha, confrontando-a.
- Somos amigos, ou melhor, sou seu PA.
- Não entendi.
- Amigos coloridos, pau amigo, o que você quiser...
Como ela fica vermelha, mesmo depois daquela noite?
- Senhor...
Segurei-a pela cintura e a apertei contra
mim.
- Pare com esse senhor. Olha como essa
sua boca teimosa tá me deixando duro, mulher.
Peguei minha pasta e segurei a mão da
mulher.
- Eu não farei nada que você não queira,
é só uma bebida.
- Tudo bem, senh... Pigarreei rapidamente.
- Rafael.
Ela pegou sua bolsa na sala e descemos o elevador sem falar mais nada.
Como de costume, saí pela lateral do prédio e caminhamos até o bar que eu costumava ir. Dessa vez, no entanto, não me sentei no balcão e
sim numa mesa bem aconchegante e privativa do bar.
Chamei o garçom.
- O que você quer beber? ― Perguntei para Marian, que ainda estava desconfortável.
- Uma água com gás.
Sem me dar tempo para questionar, o garçom chegou à nossa mesa.
- O que os senhores vão beber?
- Macallan Rare e a senhorita quer uma água com gás.
Bufei ao terminar de pedir.
- Traga também queijos variados e outros aperitivos.
Comer ainda é importante, pensei comigo. O rapaz saiu e fitei Marian, que parecia observar o ambiente em volta.
- Deveria pedir algo com álcool, você está muito tensa.
Seu olhar se inflamou.
- É muito normal toda essa situação, tsc,
tsc...
- O que está errado?
- Não é óbvio? Eu não deveria estar aqui
com você, fazendo de conta que isso é normal. Não somos amigos, nem arco-íris, nem coloridos nem furta-cores. Era para ser apenas uma loucura, uma noite. E agora tenho que trabalhar lutando para não lembrar que o "meu chefe" me fodeu de formas incríveis...
Honestidade. Era disso que eu estava
falando.
Relaxei um pouco, largando-me na cadeira
confortável.
- Se o problema é lembrar, nós podemos dar um jeito e refazer tudo de novo, para você não ter que ficar relembrando.
Ela me olhou com descrença.
- Isso é assédio, Rafael!
Porra, assédio não. Respirei fundo.
- Não, Marian. Eu não estou te forçando, muito menos te coagindo. Como disse, você só fará aquilo que quiser. ― Dei uma bela olhada nas pernas cruzadas à minha frente, agitando-me ainda mais.
Não houve tempo para resposta. As bebidas e os aperitivos haviam chegado.
Tomei um pouco da bebida, sentindo o relaxamento em mim. Sim, era disso que eu estava falando.
Ficamos conversando um pouco e vi
Marian suavizar a tensão em seu rosto. Algum tempo depois, pedi que chamassem um taxi para ela enquanto pagava a conta.
Caminhamos para a rua e aguardei o taxi chegar junto a ela.
- Boa noite, Marian! ― falei, enquanto segurava a porta do carro aberta para ela entrar.
Sem se despedir, a moça entrou no carro, e eu já ia fechar a porta quando sua voz soou.
- Me acompanha até em casa, amigo? ― Ela me fitou um pouco hesitante.
Não precisava pedir duas vezes. Abri a porta e me sentei ao seu lado.
- Qual o destino? ― o taxista perguntou.
Marian falou o endereço do que acreditei ser a sua casa. Ela estava nervosa, como da vez anterior. Mesmo usando roupas sérias e
comportadas, aquelas saias revelavam as coxas cobertas por uma meia. Lembrei-me das meias que ela usava da última vez. Será que está usando modelos iguais às daquelas?
Essa mulher é incrível. Consegue ser tímida e bem séria, mas guarda uma sensualidade que tem me dominado. Vou liberar essa safada guardada dentro dela!
Descemos em frente a um prédio simples, num bairro afastado do centro financeiro onde ficava a empresa. Com uma fachada antiga com sancas brancas contornando janelas e sacadas. As paredes num amarelo claro lembravam a arquitetura da década de 50.
O gradeado em volta do prédio era branco e dava visão para um jardim bem cuidado e várias
garagens ocupadas no térreo.
Marian tirou uma chave e abriu o portão de pedestre. Passamos pela porta principal, que mais uma vez foi desativada pela moça.
- Quanta segurança! ― brinquei.
- Não temos guardas armados aqui, então tem que ser assim. ― Ela se explicou.