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Uma Nova Melodia para Sofia

Uma Nova Melodia para Sofia

Autor:: Michael Tretter
Gênero: Romance
Durante seis anos, a história da minha vida parecia um conto de amor perfeito. Eu, Sofia Oliveira, vivia em um relacionamento que acreditava ser sólido e verdadeiro com Léo. Até que uma frase sussurrada por um amigo bêbado dele me atingiu como um raio: "Tu és só uma substituta." Seis anos da minha vida foram baseados numa mentira, eu era apenas a cópia barata do seu grande amor, Isabella. Enquanto eu via meu mundo ruir, Léo continuava indiferente, alheio à dor que me causava. Pior ainda, Isabella, a mulher por quem ele era obcecado, orquestrou um ataque cruel contra mim, deixando-me com a mão esmagada. E Léo? Ele, cego de amor, exigiu que eu pedisse desculpas à minha agressora. Como ele podia ser tão facilmente manipulado? Como eu pude ser tão enganada? A dor da traição e da humilhação perfurou a minha alma. Sua indiferença era mais dolorosa do que qualquer ferida física. Decidi que já não suportaria mais esse disfarce de amor. Cortei todos os laços, eliminando cada vestígio dele da minha vida. Aceitei um casamento arranjado, um novo começo, acreditando que a paz finalmente chegaria. Mas no dia mais importante da minha nova vida, ele apareceu, sem saber que sua única chance já havia partido. Pena dele. Minha resposta foi clara e inegável.

Introdução

Durante seis anos, a história da minha vida parecia um conto de amor perfeito.

Eu, Sofia Oliveira, vivia em um relacionamento que acreditava ser sólido e verdadeiro com Léo.

Até que uma frase sussurrada por um amigo bêbado dele me atingiu como um raio: "Tu és só uma substituta."

Seis anos da minha vida foram baseados numa mentira, eu era apenas a cópia barata do seu grande amor, Isabella.

Enquanto eu via meu mundo ruir, Léo continuava indiferente, alheio à dor que me causava.

Pior ainda, Isabella, a mulher por quem ele era obcecado, orquestrou um ataque cruel contra mim, deixando-me com a mão esmagada.

E Léo? Ele, cego de amor, exigiu que eu pedisse desculpas à minha agressora.

Como ele podia ser tão facilmente manipulado?

Como eu pude ser tão enganada?

A dor da traição e da humilhação perfurou a minha alma.

Sua indiferença era mais dolorosa do que qualquer ferida física.

Decidi que já não suportaria mais esse disfarce de amor.

Cortei todos os laços, eliminando cada vestígio dele da minha vida.

Aceitei um casamento arranjado, um novo começo, acreditando que a paz finalmente chegaria.

Mas no dia mais importante da minha nova vida, ele apareceu, sem saber que sua única chance já havia partido.

Pena dele.

Minha resposta foi clara e inegável.

Capítulo 1

Sofia Oliveira olhou para o ecrã do telemóvel, para a conversa que acabara de ter com um amigo de Léo. As palavras dele, ditas numa bebedeira na noite anterior, ainda ecoavam na sua cabeça. "Tu és só uma substituta."

Seis anos. Um relacionamento de seis anos construído sobre uma mentira.

Ela respirou fundo, sentindo um vazio gelado no peito onde antes havia amor. Discou o número do seu irmão, Marcos.

A chamada foi atendida quase imediatamente.

"Sofia? Aconteceu alguma coisa?"

A voz preocupada de Marcos do outro lado da linha fez os seus olhos arderem, mas ela segurou as lágrimas.

"Marcos, eu aceito."

"Aceitas o quê?"

"O casamento arranjado. Eu caso-me com ele."

Houve um silêncio do outro lado, seguido por um suspiro de alívio.

"Finalmente tomaste a decisão certa. Aquele Leonardo Rossi nunca foi bom para ti. Um jogador de póquer, que futuro terias com ele?"

A crítica de Marcos era dura, mas Sofia não tinha forças para defender Léo. Não mais.

"Pai já falou com a família Monteiro," continuou Marcos. "Eles estão muito satisfeitos. O noivo, Gabriel, é um homem decente, um arquiteto de renome. Ele é a melhor escolha para ti."

Sofia concordou com os termos do casamento, mas pediu um prazo.

"Preciso de um mês. Tenho de resolver as minhas coisas aqui em São Paulo."

"Claro," disse Marcos. "Um mês é razoável. Vamos organizar um jantar de noivado quando voltares. Devíamos convidar o Léo? Afinal, ele é meu amigo."

O nome dele causou uma pontada de dor no seu peito.

"Não," respondeu ela, a voz mais firme do que esperava. "Não o convides. Ele não precisa de saber."

Antes que Marcos pudesse questionar, a porta do quarto abriu-se. Léo entrou, o cabelo ainda húmido do banho, vestindo apenas uma toalha na cintura.

"Com quem estás a falar tão cedo?"

Ele ouviu parte da conversa e aproximou-se, o seu cheiro familiar envolvendo-a. Sofia desligou rapidamente.

"Era o Marcos."

Léo sorriu, um sorriso que antes a fazia derreter. Ele passou os braços à volta da sua cintura, puxando-a para perto. O seu corpo era quente contra o dela.

"O que é que o teu irmão superprotetor queria? A verificar se eu estou a cuidar bem de ti?"

A sua mão começou a deslizar para baixo, um toque íntimo e possessivo. Sofia sentiu um arrepio, mas não era de desejo. Era de repulsa.

Ela afastou-se ligeiramente.

"Léo, o que somos nós?"

A pergunta pairou no ar, carregada de um peso que ele não pareceu notar.

Léo riu, como se a pergunta fosse uma piada.

"O que somos? Moramos juntos há seis anos, dormimos na mesma cama. O que achas que somos?"

Ele desconsiderou a sua dúvida, usando a coabitação e a intimidade como prova do relacionamento. Tentou beijá-la, mas Sofia virou o rosto.

"Não me sinto bem hoje."

Ele interpretou a sua recusa como timidez, dando-lhe um beijo na testa.

"Tudo bem, minha menina tímida. Vou preparar o pequeno-almoço."

Enquanto ele saía do quarto, o monólogo interno de Sofia gritava. Ela era realmente a parceira dele, ou apenas uma sombra, uma substituta conveniente para o seu verdadeiro amor?

Um flashback invadiu a sua mente. Ela conheceu Léo há oito anos, quando visitou Marcos na faculdade. Léo era o melhor amigo do seu irmão, carismático e popular. Ela apaixonou-se instantaneamente. Quando se mudou para São Paulo para a universidade, Marcos pediu a Léo que cuidasse dela, e ela acabou por ir morar no apartamento dele.

No início, a interação entre eles era mínima. Léo tinha muitas namoradas, e ela era apenas a "irmãzinha" do seu melhor amigo. Mas uma noite, ele voltou para casa bêbado, tropeçando e caindo. Sofia cuidou dele, limpou-o e colocou-o na cama. Ele acordou no meio da noite, olhou para ela com olhos turvos e perguntou: "Tu gostas de mim, não gostas?" Antes que ela pudesse responder, ele a beijou.

Depois daquela noite, tudo mudou. Léo pareceu comprometer-se com ela. Ele terminou com as outras mulheres e passou a dedicar-lhe toda a sua atenção. Por ele, Sofia recusou todas as propostas de casamento arranjado que a sua família lhe fazia. Ela acreditava ter encontrado o amor da sua vida.

Mas ele sempre a impediu de contar à família sobre o relacionamento deles. Dizia que queria esperar o momento certo, que não queria que Marcos pensasse que ele se aproveitou da irmã do seu melhor amigo.

Recentemente, a verdade veio à tona. Numa festa, um amigo de Léo, completamente bêbado, apontou para ela e disse: "Vejam só, a substituta perfeita. Quase igual à Isabella."

Sofia investigou. Descobriu que Isabella Furtado foi o primeiro amor de Léo, a mulher que o deixou anos atrás por um homem mais rico. Desde então, Léo procurava parceiras que se parecessem com Isabella. O cabelo, os olhos, o sorriso. Até a carreira de musicista de Sofia, ele a incentivou a seguir porque Isabella também sonhava em ser cantora.

Seis anos da sua vida. Uma ilusão.

Percebendo que o seu relacionamento de anos foi uma mentira, Sofia tomou a sua decisão. Ela aceitaria o casamento arranjado e abandonaria os seus sentimentos por Léo. O amor que ela sentia por ele tinha morrido na noite anterior.

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Capítulo 2

Sofia acordou e observou Léo a arrumar-se. Ele estava a vestir um dos seus melhores fatos, algo que raramente fazia, e penteava o cabelo com um cuidado meticuloso. Ele estava notavelmente mais cedo e bem-vestido do que o habitual.

"Como estou?" ele perguntou, virando-se para ela com um sorriso radiante.

"Estás bonito," respondeu ela, a voz neutra.

"Tenho um evento importante hoje. Uma festa de boas-vindas para uma velha amiga. Prometo trazer-te um doce da tua pastelaria favorita quando voltar."

Ele deu-lhe um beijo rápido na testa e saiu.

Momentos depois, o som do seu telemóvel a vibrar na mesa de cabeceira chamou a sua atenção. Ela pegou nele para o silenciar, mas o ecrã acendeu-se com uma nova mensagem. O nome "Isabella" brilhava no topo.

"Léo, mal posso esperar para te ver depois de tantos anos. Estou tão entusiasmada!"

O coração de Sofia afundou. A "velha amiga" era Isabella. A festa de "boas-vindas" era para ela.

A porta abriu-se de repente. Léo voltou a entrar, parecendo agitado.

"Esqueci-me do meu telemóvel."

Ele viu o aparelho na mão dela, o ecrã ainda aceso com a mensagem de Isabella. Os seus olhos arregalaram-se por um segundo, e ele olhou para Sofia.

"Viste alguma coisa?"

"Não," mentiu ela, entregando-lhe o telemóvel.

Ele pareceu visivelmente aliviado.

"Ótimo. Vemo-nos mais tarde."

E saiu novamente, desta vez para valer.

Sofia ficou confusa com a reação dele. Porque é que ele se importaria se ela soubesse a verdade? Se ela era apenas uma substituta, a sua opinião não deveria importar. Ela abanou a cabeça, descartando a ideia. Não valia a pena pensar nisso.

Ela sentou-se à sua secretária e abriu o computador. Tinha um álbum de composições para terminar. Queria concluir todos os seus projetos antes do casamento arranjado, antes de deixar São Paulo para sempre.

Horas mais tarde, ela começou a arrumar as suas coisas. Pegou num pequeno urso de peluche que Léo lhe tinha dado no primeiro aniversário de namoro. "É um pouco infantil, não achas?", ele tinha comentado na altura. Ela deitou o urso no saco do lixo. Depois, pegou numa moldura com uma foto dos dois. "Saíste com os olhos fechados nesta", ele dissera. A moldura juntou-se ao urso. Um a um, os objetos que simbolizavam o seu relacionamento foram sendo descartados. Com cada item, sentia um peso a ser retirado dos seus ombros.

Quando estava a levar o saco do lixo para fora, a porta do elevador abriu-se e Léo saiu, inesperadamente cedo.

"O que estás a fazer?" ele perguntou, olhando para o saco na sua mão.

"A deitar fora lixo inútil," respondeu ela calmamente.

Ele aceitou a resposta sem suspeitar de nada, demasiado feliz para notar qualquer coisa estranha.

Enquanto subiam no elevador, ela viu pela porta de vidro os funcionários da limpeza a levarem o saco. Ele não notou a falta dos objetos porque nunca se importou com eles. A sua felicidade genuína, ela sabia, não tinha nada a ver com ela. Era por causa do regresso de Isabella.

De volta ao apartamento, Léo finalmente notou os espaços vazios nas prateleiras.

"Onde estão as nossas fotos?"

Antes que Sofia pudesse responder, o telemóvel dele tocou. Uma mensagem de Isabella. Ele rapidamente guardou o telemóvel no bolso, ignorando as prateleiras vazias.

"Tenho de sair outra vez. Não esperes por mim para jantar."

Sofia ficou sozinha no apartamento silencioso. À meia-noite, o seu telemóvel vibrou. Mensagens de feliz aniversário do seu irmão, dos seus pais, dos seus amigos. Nenhuma de Léo. Ele tinha-se esquecido.

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