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Uma Princesa Para o Mafioso

Uma Princesa Para o Mafioso

Autor:: Laura Ricci
Gênero: Romance
Criada como a princesa perfeita, Elena Santoro sempre soube que sua vida não lhe pertencia. Desde criança, ela carregava o peso de uma promessa: um casamento arranjado para selar a paz entre sua família e a Cosa Nostra, uma das dinastias mafiosas mais temidas do mundo. Agora, aos vinte e dois anos, Elena está prestes a ser entregue a Luca Grecco, um Don cruel e implacável, cuja reputação é regada a sangue e terror. Ele não é o príncipe encantado que ela sonhava em encontrar, mas uma fera que governa com punhos de ferro, exigindo lealdade absoluta e instilando medo onde quer que vá. Enquanto Elena luta para se ajustar à sua nova vida e sobreviver às intrigas de um mundo perigoso, descobre que há muito mais por trás dos olhos sombrios de Enzo do que ela imaginava. Entre jogos de poder, segredos de família e uma atração avassaladora, Elena será forçada a decidir se o homem que todos temem é também aquele capaz de destruir ou salvar o que resta de seu coração e entregar a ela seus segredos mais sombrios. Em um mundo onde o amor pode ser mais letal que a vingança, ela arriscará tudo... ou se perderá para sempre.

Capítulo 1 Prólogo: Luca Grecco

Seis anos antes...

A catedral estava mergulhada na penumbra, iluminada apenas pelas velas que tremulavam em um ritmo irregular. O som dos meus passos ecoava pelo chão de mármore, cada batida lembrando que, a partir desta noite, minha vida não era mais minha. Era da Cosa Nostra.

Olhei ao redor, permitindo que meus olhos percorressem cada banco. Todos os rostos estavam voltados para mim - aliados, cúmplices, homens e mulheres que deviam suas vidas e fortunas à minha família. Cada um deles estava aqui para testemunhar minha ascensão, para ver o filho de Salvatore De Luca tomar o lugar de seu pai.

Meu olhar parou nos últimos bancos, onde estavam os Santoros. Sempre tão distintos, sempre escondidos sob a fachada impecável de uma família nobre, mas nós dois sabíamos o que eles realmente eram. O patriarca deles me lançou um breve aceno de cabeça, mas meu interesse não estava nele. Estava na garota ao seu lado.

Ela estava parcialmente escondida pela escuridão, o rosto iluminado apenas pela luz fraca das velas, ainda era apenas uma adolescente. Elena Santoro. A prometida. Minha noiva. A moeda de troca que garantiu a paz entre nossas famílias.

Paz. Uma palavra que me soava tão irônica quanto inalcançável.

Ela manteve os olhos baixos, as mãos cruzadas sobre o colo. Não sei se era medo, resignação ou apenas treinamento. As princesas da máfia eram criadas para isso, afinal: submissas, intocáveis, obedientes. Mas havia algo nela que me intrigava. Talvez fosse o contraste entre sua postura delicada e o peso que ela carregava nos ombros. Ou talvez fosse o fato de que, mesmo sem olhar diretamente para mim, eu sabia que ela me sentia ali.

Respirei fundo e continuei até o altar, parando diante do padre. A cruz pendurada atrás dele parecia me observar, um lembrete incômodo de que, neste mundo, não existia redenção.

A catedral parecia viva, mas não com fé - com poder. As paredes de pedra carregavam o peso de décadas de segredos, conspirações e sangue derramado em nome da Cosa Nostra. Cada vela tremulava como se lutasse contra a escuridão que dominava o ambiente, lançando sombras que se moviam como espectros.

Meus passos ecoavam no chão de mármore frio enquanto eu atravessava o corredor central. Todos os olhares estavam sobre mim, mas o silêncio era tão profundo que quase podia ouvir a respiração contida de cada pessoa presente. As famílias mais poderosas estavam ali, os reis e rainhas do submundo, esperando o momento em que eu me tornaria oficialmente Don.

O altar estava à minha frente, um monumento de pedra cinzenta adornado com símbolos de fé que pareciam incongruentes neste cenário. O padre me esperava ali, de pé, com uma expressão séria. Ele não era apenas um homem de Deus. Ele era um servo da nossa causa, tão leal à Cosa Nostra quanto qualquer outro.

Sobre o altar, repousava o punhal de omertà. A lâmina era longa, antiga, marcada com gravuras que remontavam às origens de nossas tradições. Não era apenas uma arma - era um símbolo. Com aquele punhal, eu faria meu juramento de sangue.

O padre começou, sua voz ressoando pela catedral.

- Você jura lealdade eterna à Cosa Nostra, à sua família e às tradições que sustentam este império?

- Juro. - Minha voz soou firme, mas carregada com o peso da responsabilidade que eu estava assumindo.

O padre assentiu e me indicou que me aproximasse. Estendi a mão, sem hesitar, enquanto ele segurava o punhal e a virava para mim. A lâmina brilhou fracamente sob a luz das velas.

- Com este juramento, você se torna mais do que um homem. Você se torna o guardião das nossas leis, o protetor do sangue que une esta família.

Acertei o punhal contra a palma da minha mão, a lâmina cortando minha pele sem piedade. O sangue escorreu, quente, pingando sobre o altar enquanto o padre pronunciava palavras que eu conhecia desde a infância. Ele estendeu uma pequena vela e aproximou a chama do meu ferimento, cauterizando o corte. Um sinal de força. Um sinal de compromisso.

- A partir deste momento, você é o Don. A Cosa Nostra vive em você.

Levantei a mão marcada, deixando que todos vissem o sangue em minha pele. Aquele gesto era um juramento visível, um aviso silencioso de que, a partir de agora, eu era a lei.

Os aliados nos bancos inclinaram a cabeça em respeito. Mas o ar parecia mais denso, quase sufocante. Sabia que, em algum lugar no fundo daqueles olhos, havia medo. Eu me tornei o monstro que eles precisavam temer e obedecer.

Meu olhar se desviou por um instante para o banco dos Santoros. Lá estava ela. Elena. A prometida. Suas mãos estavam cruzadas no colo, mas seu rosto parecia uma máscara de serenidade que quase escondia o pavor. Nossos olhos se encontraram, e por um momento tudo ao redor desapareceu. Ela era minha. Por obrigação, sim, mas ainda assim minha.

Ao fundo, o sino da catedral soou uma única vez. O som ecoou como um lembrete. Uma era havia terminado.

Outra, muito mais perigosa, estava começando.

Capítulo 2 Elena Santoro

O silêncio dentro do carro é opressor.

Os bancos de couro creme refletem a luz suave que entra pelas janelas, mas nada ali consegue aquecer a sensação de vazio que me toma. Meu pai está ao volante, os olhos fixos na estrada, sua expressão intransigente como sempre. Minha mãe, ao meu lado, olha pela janela, como se estivesse distante, em outro lugar. Em algum lugar onde a dor do momento não fosse tão real.

Eu, por outro lado, não consigo desviar o olhar da barra do meu vestido azul. A delicadeza do tecido contra a minha pele parece quase zombar da minha incapacidade de escolher o próprio futuro. Cada fibra, cada detalhe cuidadosamente escolhido para ser a perfeita apresentação do que sou - uma obra de arte, mas apenas para ser admirada, não tocada.

Hoje, meu futuro marido finalmente me verá. A imagem que sempre me foi vendida, o homem que todas as lendas falam. Mas para mim, ele não é mais do que uma sombra. Uma promessa de um destino que não escolhi.

Os cabelos loiros, cuidadosamente ondulados, caem suavemente sobre os ombros. Meus olhos azuis são um reflexo do que me ensinaram a ser: fria, controlada, impecável. A postura ereta, a expressão sem emoção. Uma esposa bem treinada, pronta para fazer o que lhe é ordenado.

Minha mãe me olha brevemente, o olhar vazio de qualquer sentimento real. Ela nunca soube o que era ser livre, então jamais poderia me entender. Meu pai, imperturbável, está ao seu lado com a mesma frieza que sempre usou para me criar. Eles nunca me viram como uma pessoa. Sempre fui a herdeira que precisava ser moldada, e agora, aos 21 anos, o único caminho para mim é o de uma moeda de troca.

Eu fui feita para ser a esposa de um mafioso. Para ser útil a uma família, a uma causa maior do que eu mesma.

Nunca poderei conhecer outro homem. Nunca poderei me apaixonar, ser livre, viver. Meu corpo, minha mente, meu coração... tudo isso foi comprometido desde o momento em que nasci.

A dor, ao pensar nisso, quase me arranca um suspiro. Mas não. Eu não sou feita para demonstrar fraqueza. Não sou feita para sentir.

- Está tudo bem, querida? - A voz suave de minha mãe chega até mim, mas é uma pergunta vazia. Não é um interesse real. Não há empatia ali, apenas uma tentativa de preencher o espaço entre nós.

- Sim. - respondo, minha voz mais firme do que eu realmente me sinto. - Estou só... pensando.

Ela não insiste. Há tanto tempo que somos estranhas uma para a outra que qualquer tentativa de conversar soa como um eco distante. Eu sou apenas o reflexo do que ela quis, do que meu pai exigiu.

O carro desacelera ao se aproximar do aeroporto. O que está por vir não é uma surpresa, mas sinto uma leve pressão no peito. Não posso deixar transparecer. Não posso.

Atravessamos o portão do aeroporto, e uma pequena parte de mim se permite sonhar por um segundo. Sonhar com algo diferente. Com liberdade. Com a chance de escolher. Mas o sonho logo se desfaz, dissipado pelo medo do que virá.

Meus olhos se fixam à frente, no que está por vir: a Itália, minha nova prisão. O lugar onde finalmente serei entregue ao homem que escolhi, mas que nunca amei.

E o que me resta? Apenas a aceitação.

O voo é longo e silencioso. O zumbido constante das turbinas preenche o ambiente, mas não consegue silenciar os pensamentos que ecoam na minha mente. Estou sentada ao lado de minha mãe, que continua tentando fazer da viagem algo leve, mas suas palavras são como meras distrações.

- Você vai adorar a Sicília. - ela diz, a voz suave, como se tentasse convencer a si mesma. - É uma região linda, cheia de história. O clima, a comida... você vai ver, vai se sentir em casa rapidamente.

Ela sorri para mim, com um sorriso que não chega aos olhos. Eu sei o que ela quer: que eu me sinta animada. Que eu aceite o que está por vir com o mesmo fervor com que ela aceitou o destino dela. Mas não consigo.

Eu olho pela janela, observando as nuvens passarem, imaginando o que me espera na terra que agora será minha. Luca... A figura que até então era apenas uma lenda, uma sombra que pairava sobre minha vida. Agora ele é o homem a quem pertencerei, o homem a quem meu destino foi selado.

- Sim, mãe - respondo, tentando imitar um tom de entusiasmo, mas minha voz sai mais baixa, sem vida. - Estou ansiosa para conhecer.

Ela não percebe a falsidade nas minhas palavras, ou talvez prefira não perceber. Ela sorri novamente, mais uma tentativa de criar uma atmosfera confortável, como se o fato de estarmos dentro de um jato privado já tornasse tudo um conto de fadas.

Mas dentro de mim, tudo o que existe é um vazio sombrio. O medo, que aperta meu peito e me faz respirar mais devagar, não me deixa mentir para mim mesma. Não me deixa acreditar nas palavras confortantes de minha mãe.

- A Sicília é como um pedaço de céu, querida. Um lugar que poucos têm o privilégio de chamar de lar. - Ela continua, com a voz impregnada de nostalgia. - O que você vai viver lá será especial. Será para sempre.

Eu olho para ela, tentando entender como ela pode falar com tanta convicção. Como pode acreditar que ser esposa de um mafioso, pertencente a uma família como a Cosa Nostra, é algo "especial". Mas, ao mesmo tempo, sei que minha mãe jamais entenderá o que se passa dentro de mim. Para ela, não há espaço para questionamentos.

- Espero que sim - respondo, mantendo o mesmo tom vago. - Eu realmente espero.

Ela olha para mim, aparentemente satisfeita com a resposta, e volta a olhar pela janela. Eu continuo olhando para ela, me perguntando, por um breve instante, se ela já sentiu medo como eu sinto agora.

O medo de ser engolida por algo maior, algo que não podemos controlar. O medo de um destino que não escolhemos, mas que temos de aceitar. E, com isso, o medo de nunca mais ter controle sobre a minha própria vida.

Mas não posso dizer nada disso. Não posso quebrar a aparência de conformidade. Apenas me recosto na poltrona do jato e deixo que o mundo ao meu redor se torne uma névoa distante, à medida que me preparo para o inevitável.

O destino está traçado, e a Sicília será apenas o começo do meu novo lar.

Capítulo 3 Elena Santoro

O avião toca o solo de Palermo com uma suavidade que quase passa despercebida pela minha mente, atolada em pensamentos sombrios. Quando as portas do jato se abrem, uma brisa fresca da Sicília invade o ambiente, mas não é o suficiente para afastar o peso em meu peito. O cheiro do mar, misturado com a terra quente, faz minha cabeça girar por um instante, como se o futuro me puxasse para uma realidade que eu nunca quis.

Matia, o subchefe da Cosa Nostra, espera por nós na pista, um homem de presença imponente e olhos calculistas. Ao seu lado, estão os soldados, homens com rostos duros, tatuagens visíveis, sempre em alerta. Eles nos recebem com um cumprimento formal, mas nenhum deles oferece um sorriso. Somos guiados até uma grande limusine preta, a qual nos leva em silêncio por ruas estreitas e sinuosas até a base da montanha.

A mansão do Don, erguida sobre a rocha, parece surgir do próprio coração da terra. Uma construção maciça, imponente, com paredes de pedra que parecem ser parte da própria montanha. Lá de cima, posso ver o mar brilhando ao longe, como um espelho quebrado. Cada curva do caminho me leva mais fundo em um lugar onde nada parece ser real, apenas uma prisão disfarçada de opulência.

Ao chegarmos, Matia nos conduz até a entrada. A mansão é silenciosa, exceto pelo som das nossas passadas ecoando pelas pedras frias.

- O Don estará com vocês no jantar - ele diz, a voz grave e direta. - Está ocupado com assuntos... internos. - Sua resposta é vaga, mas não preciso perguntar mais nada. Sei que o que quer que ele esteja fazendo, é algo que não podemos entender.

- Claro - responde minha mãe, com um sorriso cortês, tentando esconder sua ansiedade. Ela se vira para mim com um olhar que diz "tudo ficará bem", mas não encontro conforto nas palavras dela. Não sei mais o que esperar. Não há mais espaço para promessas ou para ilusões de um futuro diferente.

Matia nos conduz até um grande salão, onde a vista da cidade é de tirar o fôlego. A luz suave da tarde reflete na água, criando uma paisagem que, por um momento, me faz esquecer onde estou. A mansão é decorada com mobília de luxo, mas cada detalhe parece exibir a mão fria e calculista de um homem que controla tudo, até os detalhes mais insignificantes.

A primeira coisa que faço, assim que me vejo sozinha no quarto, é abrir a janela.

O vento fresco me acerta o rosto, carregado de sal e de promessas de liberdade que me parecem distantes demais. O mar se estende diante de mim como um vasto campo de possibilidades, e por um instante, me sinto pequena diante de sua grandeza. O som das gaivotas e o farfalhar das ondas batendo contra a areia me hipnotizam. Sinto uma vontade irresistível de sair correndo até a praia, sentir a areia fria nos meus pés, deixar o vento bagunçar meus cabelos e esquecer, ao menos por alguns segundos, tudo o que está prestes a acontecer.

Mas sei que não posso. Não sou mais dona do meu próprio corpo. E cada passo em direção à liberdade parece um sonho inalcançável, distante demais para ser tocado.

- Você está bem?

A voz da minha mãe me tira do transe. Ela entrou no quarto sem que eu percebesse, provavelmente para ver se estava acomodada. Sua presença é suave, mas carrega o peso de expectativas que ela jamais deixaria de colocar sobre meus ombros.

- Sim, mãe - respondo, tentando esconder o turbilhão de emoções dentro de mim. - Só... observando a vista.

Ela se aproxima de mim, suas mãos delicadas ajeitando os fios de cabelo que escapam do meu penteado.

- A Sicília é maravilhosa - ela diz com um suspiro. -Você vai ver. Vai ser o lugar perfeito para começar sua nova vida.

Ela não entende. Ela nunca entenderá. Eu fui feita para isso, e no entanto, uma parte de mim ainda se recusa a aceitar. Tento sorrir para ela, mas sei que não convenço nem a mim mesma.

- É, acho que sim - respondo, sem muita convicção. - Mas... mãe, você acha que... eu realmente... posso ser feliz aqui?

Ela para, por um momento, como se a pergunta tivesse a pegado de surpresa. Mas logo seu rosto se suaviza em um sorriso compreensivo, como se estivesse dando a resposta certa.

- Você não precisa ser feliz, querida. Você precisa ser forte. E isso, você já aprendeu.

Essas palavras me cortam mais do que eu gostaria de admitir. Ser forte. Sempre fui ensinada a ser forte, mas nunca me ensinaram a ser feliz. Não há espaço para isso, não quando a felicidade é um luxo que não me foi concedido.

Ela começa a se afastar, mas antes de sair do quarto, ela se vira para mim com um olhar de preocupação.

- Precisa descansar um pouco. Mais tarde, virão me ajudar com os preparativos para o jantar. E você... deve estar perfeita, Elena. Será a primeira vez que você e o Don Grecco serão apresentados formalmente.

Perfeito. Eu tinha que ser perfeita. Não havia espaço para falhas. Não havia espaço para ser quem eu sou. Tudo o que me restava agora era o papel que me foi dado. A esposa do Don. A moeda de troca.

Assento com a cabeça, mas por dentro, uma tempestade se forma. O jantar. O encontro. A primeira vez que olharei nos olhos de Luca De Luca, o homem com quem minha vida será compartilhada por... quem sabe quanto tempo. O homem que eu fui obrigada a aceitar. O homem que será meu futuro, minha prisão.

E, enquanto o vento sopra através da janela aberta, a ideia de correr, de ser livre, de sentir a areia entre os dedos, nunca pareceu tão distante. Mas, por um breve momento, eu a imagino, a liberdade, como se fosse algo possível.

Quem sabe, em algum lugar distante, ela ainda me espera.

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