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Uma Relação Proibida

Uma Relação Proibida

Autor:: Ronald_P
Gênero: Romance
Thiago Bellucci é herdeiro da família mais poderosa da Itália e desde garoto aprendeu a derramar sangue. Ele se tornou assassino da máfia, cruel, impiedoso e temido pelos inimigos. Não havia motivos para que um homem como ele se envolvesse com mulher alguma. Sem a obrigação de ter herdeiros, todas eram apenas passatempos. Juliana Kouris era uma garota simples, que nasceu em uma ilha de pescadores. Com uma vida pacata, nunca imaginou que seus caminhos se cruzariam com o de um mafioso. Ela não conhecia esse mundo perigoso, mas uma decisão errada do seu pai culminou no seu sequestro e fez com que descobrisse o lado mais cruel dos seres humanos. Thiago tinha uma missão: entrar, matar aqueles que haviam desafiado a sua família e sair sem ser notado, mas ele se viu num antro de pecado onde mulheres eram vendidas para quem pudesse pagar mais. Ele não é uma alma boa e não estava ali para fazer qualquer ato de caridade. Quando o seu caminho se cruzou com o da jovem inocente, ela era só uma ferramenta para os seus planos, mas seria o início do seu caos pessoal.

Capítulo 1 Capitulo 1

Desci do avião e tirei os óculos de sol do bolso, colocando-o no rosto. Roma costumava ser quente, mas eu tinha a sensação de que a Sicília era ainda mais. Talvez o clima só estivesse me irritando porque queria saber logo o assunto que o meu primo queria tratar comigo.

Ainda que eu tivesse sido batizado com o nome do pai dele, irmão da minha mãe, a nossa relação familiar costumava ser complicada. Considerando todas as mortes e tramas por vingança que envolveram a nossa família não era simples dizer que havíamos encontrado paz eterna, por mais que a nossa relação fosse boa.

De modo geral, nos dávamos bem, mas aquele convite ficou evidente que não era para um encontro familiar. Para ter me chamado ali, havia uma missão para mim e eu estava ansioso para saber qual.

Um soldado abriu a porta de um utilitário e eu me acomodei nele, enquanto seguíamos para mansão à beira-mar onde o meu primo vivia com a esposa.

Eu não costumava andar com muitos soldados, apenas alguns e quando era extremamente necessário. Por mais que parecesse perigoso, eles chamavam muita atenção e podiam facilmente estragar meus objetivos. Era mais fácil entrar, matar e sair sem chamar atenção estando sozinho.

O carro estacionou na garagem da mansão dos Mancini e eu saí sem esperar que abrissem a porta para mim. Por causa da minha mãe eu conhecia bem aquele lugar, pois ela trazia a mim e aos meus irmãos com frequência quando éramos crianças.

Assim que adentrei a sala eu vi o Luca sentado em um sofá ao lado da Perla e na mesa de centro estavam as crianças. Felipo parecia distraído com um conjunto de blocos de montar enquanto a irmã se sujava de tinta. Ela ainda era muito pequena, mas provavelmente herdaria os talentos da mãe.

- Thiago! - Ela se levantou e veio até mim, cumprimentando-me com um abraço apertado e eu dei um beijo na sua testa.

- Como está, prima?

- Muito bem e você?

- Igualmente.

- Perla, pode nos dar um momento? - Luca se virou para ela que assentiu com um movimento de cabeça.

Ele subiu escada acima e eu o acompanhei sem dizer nada. Entramos em seu escritório e fechei a porta atrás de nós. Luca foi até um pequeno balcão e serviu uma pequena taça de licor para mim e outra para ele.

- Obrigado por ter vindo o mais rápido possível. - Entregou-a na minha mão.

- Tudo pela família. - Tomei um gole.

Ele foi para trás da mesa e se acomodou na cadeira de couro antes de se virar para mim.

- Há um tempo venho recebendo notificações dos meus homens sobre o desaparecimento de garotas nas ilhas. A maioria vem de família pobre, muitas sem qualquer recurso. Você sabe que quando a polícia não faz nada o povo recorre a nós. Tem sido assim há séculos, eles respeitam as nossas regras e nós mantemos o lugar seguro. Não sei quem possa estar por trás disso, mas um ataque ao nosso povo é um ataque a nós.

- Quer que eu encontre o desgraçado e o mate.

- Pode ser só um assassino em série caçando no lugar errado, ou pode haver algo muito maior do que isso, já que nenhuma foi encontrada, viva ou morta.

- Darei um jeito nisso.

- Estou contando com você. A atenção de federais ou mesmo da polícia pode prejudicar muito os nossos negócios.

Imaginava que Luca pudesse ter me chamado ali para lidar com alguém que estivesse causando problemas, mas não esperava algo assim. Seja lá quem fosse o responsável era muito louco ou ingênuo ao pensar que sairia ileso por atacar a população comum na nossa Itália.

Protegíamos as pessoas e em troca elas nos davam sua lealdade e participação nos negócios lícitos. Não era bom para nós que alguém ousasse desafiar essa cadeia, ainda que fossem garotas pobres e desguarnecidas.

- Fez certo ao me informar. Darei um jeito nisso.

- Ótimo! Mais licor?

Balancei a cabeça, fazendo que não. Minha mente já estava fervilhando com os possíveis responsáveis. Ou havia alguém pegando aquelas garotas para se divertir com elas ou tinha uma rede de tráfico de pessoas se aventurando em terras italianas, o que poderia me dar muito mais trabalho. Fosse quem fosse ou quais suas motivações. Iria mostrar para eles que não deveriam cruzar o território dos Bellucci sem lidar com as consequências.

Capítulo dois

Peguei a bacia com os peixes que havia limpado no mar e voltei para o interior da nossa casa. O pouco que tínhamos estava acabando e se meu pai não voltasse com mais logo, teríamos que sobreviver com as batatas e cenouras da horta. Ao menos eu e a minha mãe nos dedicávamos a manter o lugar mesmo com o terreno arenoso da ilha. Caso contrário, poderíamos enfrentar uma situação muito mais complicada.

- Juliana?!

- Aqui estão os peixes, mãe. Vamos salgar um pouco e guardar em latões para que possam durar por mais tempo.

Nossa geladeira havia estragado e com a dificuldade de manter a energia elétrica funcionando na ilha, não era uma das nossas prioridades. Não tínhamos dinheiro para mandar consertar e eu e minha mãe não fazíamos ideia de como começar a tentar.

- Algum sinal do seu pai? - Ela veio com um pote de sal para perto de mim.

Balancei a cabeça fazendo que não.

Já deveria ter me acostumado. Era assim desde que eu me recordava, meu pai saía com outros pescadores, passava dias no mar e às vezes voltava com um pouco de esperança, mas em outras só compartilhava da miséria conosco.

No fundo, uma parte de mim nem tinha expectativas de que aquela situação fosse mudar um dia. Estávamos presas naquele lugar e não restava muito a se fazer a não ser esperar que um milagre acontecesse, o que era improvável.

Eu já tinha vinte anos e alguns dos caras da ilha me rondavam, flertavam e cortejavam, esperando que eu escolhesse um deles para me casar, mas eu não queria deixar a minha mãe sozinha, ao mesmo tempo que não desejava ter uma vida como a dela. Presa na terra enquanto esperava um homem voltar do mar, se é que ele iria voltar.

- Mãe?

Ela levantou as sobrancelhas e parou de mexer com os peixes para olhar para mim.

- O que foi?

- Sabe onde está aquele velho facão?

- Por Deus, para que quer isso?

- Só estava pensando em pegar alguns cocos na praia e trazer para cá. Nossa água potável está acabando e pode ajudar até subirmos na montanha para coletar da nascente.

- Vai acabar se machucando.

- Eu consigo, mãe.

- Por que não pede ajuda ao...

- Mãe. - Interrompi-a.

Ela realmente esperava que eu me aproximasse de um dos homens e o escolhesse como marido, mas eu não estava disposta.

- Tem mais mulheres do que homens na ilha...

- É claro, eles morrem no mar - resmunguei e engoli em seco logo em seguida, pensando que o mesmo poderia ter acontecido com o meu pai.

- As outras moças vão ficar com os melhores e você...

- Estou bem, mãe. - Bufei.

- Você e a Rhea colocaram isso na cabeça?

Só fiz que não. Minha melhor amiga só tinha o pai e queria cuidar dele, não estava preocupada em encontrar um homem dentre os disponíveis na ilha. Ainda tinha o homem da praia, que por mais que ela houvesse parado de falar, eu sabia que ainda mantinha uma paixonite. Um cara que o pai dela havia salvado, um bilionário que provavelmente nunca mais apareceria naquele fim de mundo.

Ao menos teríamos uma à outra e isso era bom.

- Saulo! - Minha mãe deu um grito e eu olhei para a porta vendo o meu pai aparecer quase como se fosse uma miragem.

Ele estava mais bronzeado do que eu me recordava, mas a expressão era cansada e abatida, quase como se houvesse se arrastado até ali.

Minha mãe foi em sua direção e o abraçou.

- Como foi a pesca?

- Eu trouxe dinheiro e comida. Vocês poderão comprar roupas novas e até mesmo carne vermelha...

- Já conseguiu vender todos os peixes, pai? - perguntei com um ar surpreso. Costumava levar um tempo para que ele conseguisse fazer isso e a falta de empolgação nos seus olhos também me deixava desconfiada.

Eu nunca tinha saído daquela pequena ilha de pescadores, possuía apenas educação básica, mas a minha mãe dizia que eu era inteligente e conseguia pegar as coisas no ar. Se havia algo que os meus instintos estavam me indicando era que tinha alguma coisa muito errada com o meu pai.

- Não fui pescar.

- Então como conseguiu o dinheiro? - Foi a vez da minha mãe ficar desconfiada.

- Eu... - Ele engoliu em seco. - Consegui um trabalho transportando um material para uma empresa. Vão me pagar um valor fixo e teremos uma vida bem melhor, eu prometo.

Capítulo 2 Capitulo 2

- Saulo... - minha mãe balbuciou.

- Só confia em mim. - Ele se esforçou para sorrir.

Eu queria acreditar e me esforcei para isso. Meu pai entregou o dinheiro para a minha mãe e ela ficou feliz. Parecia uma boa notícia e eu deveria me contentar com isso ao invés de ficar pensando no que poderia dar errado.

Depois de comermos um ensopado de peixe, saí para pegar os cocos na praia e encontrei minha amiga indo fazer o mesmo.

- Seu pai também voltou do mar? - Arrisquei-me a perguntar enquanto olhava para cima, pensando em como subiria para conseguir cortar. Os mais baixos já haviam sido retirados, restando apenas os mais difíceis.

- Ontem à noite. - Soltou um suspiro de alívio. - A pesca não foi muito boa, mas vai ajudar a nos manter por alguns dias. - E o seu?

- Também vamos nos virar por um tempo.

Eu não compartilhei com ela a minha estranha desconfiança. Não queria parecer estraga-prazeres já que a minha mãe havia ficado tão feliz.

Tudo iria ficar bem, eu só precisava de um pouco de fé.

Capítulo três

Alguns dias depois...

- Essas foram as garotas que os pais notificaram o desaparecimento para máfia...

Levantei a cabeça no momento em que o Ettore começou a falar e vi o painel atrás dele. Eram seis fotos de moças jovens e bonitas, mas elas não tinham um padrão específico, havia brancas e negras e até mesmo uma com traços asiáticos.

- Cruzei com o banco de dados da polícia e encontrei essas outras quatro.

- Qual o padrão?

- Ainda estou tentando identificar.

- Achei que fosse melhor nisso - provoquei.

O meu primo revirou os olhos. Ele era bom no que fazia, mas não gostava de ser desafiado.

- A mais nova tem dezesseis anos e a mais velha vinte e quatro. O principal conjunto de informações é que são jovens, bonitas e vêm de famílias pobres que não têm qualquer recurso para tentar encontrá-las. Como não foi achado nenhum corpo, acredito que elas não tenham sido apenas sequestradas e assassinadas.

- E o que mais você tem?

O painel atrás dele se modificou, transformando-se em um mapa com vários pontos vermelhos.

- Desaparecimentos por todo mediterrâneo.

- Estão traficando as garotas.

- Sim.

Tráfico de pessoas era algo mais comum do que eu gostaria. Por mais que eu houvesse nascido em uma família com a sua cota de crimes, aquele era um tipo que não praticávamos. Sequestrar mulheres e vendê-las para quem estivesse disposto a pagar por uma noite ou por várias delas era algo que abominávamos.

Geralmente não deveríamos nos meter, não era assunto nosso e cada máfia levava seus negócios como bem desejava. Guerras nãos eram boas para nós, entretanto, fosse lá quem fosse, ousou caçar nas nossas terras e seria punido por isso.

- Vamos descobrir quem são e acabar com eles.

- Temos que informar ao Marco primeiro. Uma coisa é ir atrás de meia dúzia de idiotas que roubaram um dos nossos caminhões, outra...

- Acha que não devemos fazer nada? - Cruzei os braços e levantei a cabeça em uma postura mais firme.

- Não foi o que eu disse.

- Eu vou falar com o chefe enquanto você dá um jeito de encontrar esses caras antes que mais uma garota italiana desapareça.

- Okay.

Levantei-me da cadeira e saí da pequena caverna que o meu primo mantinha em seu apartamento, com alta tecnologia capaz de quebrar qualquer sistema do mundo e encontrar qualquer um.

Eu não fora o único que tivera influência do pai. Ettore e os irmãos haviam crescido cercados de computadores e tecnologia e atualmente ajudavam o pai nesses assuntos.

Enquanto Lorenzo, meu irmão, acompanhava o Dante e o tio Marco, se preparando para ser o próximo consigliere, Ettore e eu colocávamos a mão na massa e resolvíamos os problemas.

Dirigi de volta para a mansão Bellucci e cheguei lá no meio da tarde. Deixei o blazer no banco do carona do carro e caminhei até a sala de estar. Minha avó estava entretida com um dos seus livros, mas levantou a cabeça assim que me viu.

- Thiago!

- Oi, vovó.

- Andou sumido.

- Só trabalhando. - Dei de ombros.

Por mais que a nona soubesse o que eu fazia a serviço da máfia preferia não entrar em detalhes.

- Quer biscoitinhos? - Ela se curvou em direção da mesa de centro e estendeu uma cesta na minha direção.

Aproximei-me e peguei dois, jogando-os na boca. Mastiguei antes de dar um beijo na bochecha dela e me afastar.

Sempre em alerta, conseguia ouvir a voz do meu tio vindo do andar de cima e deduzi que ele estava no escritório. Bati na porta e esperei que me deixassem entrar.

Dentro do cômodo estava meu tio, o chefe, Dante, meu irmão Lorenzo e o meu pai.

- Soube que estava na Sicília. - Os olhos do Marco viraram diretamente na minha direção.

- Luca me informou sobre o desaparecimento de algumas garotas e eu fui investigar. O Ettore descobriu que não foi só por lá. Tem relatos de desaparecimentos de mulheres por todo Mar Egeu. Pode não parecer assunto nosso, mas procuraram o Luca e será só uma questão de tempo para que a população acione outros capi. Logo teremos a polícia europeia investigando além do medo do nosso povo de que a filha possa ser a próxima vítima.

- Já sabem quem está por trás disso? - Meu pai me questionou.

- Ainda não, mas estamos trabalhando nisso. Acredito que estejam sendo levadas para prostituição.

- É bem provável - ponderou o Marco. - Resolva isso, Thiago, de maneira limpa e rápida, sem atrair a atenção para nós.

- Será feito. - Assenti com um movimento de cabeça.

Eles sabiam que poderiam confiar em mim ao mesmo tempo em que eu não falava em nenhuma das minhas missões. Só não esperava que aquela pudesse ter tantos desafios.

Capítulo quatro

Acordei pela manhã e notei que o meu pai não estava em casa, provavelmente ele tinha saído bem cedo e desaparecido no mar antes do sol raiar como era de costume.

Fiquei parada na porta de casa, observando o oceano bem ao longe, depois de algumas casas do vilarejo e a praia. Perdida em minha própria mente, levou um tempo para que eu notasse a presença da minha mãe.

- Quer uma banana?

- Obrigada.

- No que está pensando?

- Em nada. - Desconversei com um sorriso amarelo.

- Com esse novo trabalho o seu pai voltará mais vezes para casa.

- Eu espero que sim.

- Juliana...

- Ah, mãe! Não acha estranho esse novo trabalho do meu pai?

- Por que seria?

- Que empresa é essa? O que ele está transportando, por que mais ninguém da ilha está trabalhando com ele?

- Seu pai está tentando fazer o melhor por nós.

Poderia até ser, mas não conseguia evitar me sentir estranhamente desconfortável. Meus sentidos em alerta me diziam que algo bem terrível poderia acontecer.

Capítulo cinco

Ettore encontrou um padrão no comportamento dos sequestros que estava avançando em direção ao Atlântico e esperávamos encontrá-los na Sardenha naquela noite. Havia um pequeno vilarejo na ilha que vivia quase que exclusivamente de pesca. Sem o holofote das praias turísticas ou dos resorts. Parecia um bom local para que pessoas como as que estávamos procurando se arriscassem a agir.

Geralmente eu não tinha prazer em matar, era o meu trabalho e o fazia bem, apenas isso, mas aquela vez teria um gosto especial.

Aqueles desgraçados eram mesmo muito burros por ousarem agir na Itália achando que não haveria punição.

- Tem um barco de pesca se aproximando da praia. - Ouvi a voz do Ettore do ponto que eu usava no ouvido.

Daquela vez eu não estava sozinho. Havia outros cinco soldados comigo. Como não sabia exatamente com quem iria lidar, era melhor que tivesse alguém para me cobrir. Além disso, meu primo estava de uma das casas com toda a sua parafernália eletrônica e pelo menos dez drones cobrindo a área. Seria impossível que alguém se aproximasse antes de ser visto.

- Parece daqui?

- Tem inscrições em grego na lateral.

- Fique de olho nele.

- Não precisa me ensinar o óbvio.

- Apenas faça.

Fiquei em silêncio e me movimentei atrás da pedra onde estava escondido. Fiz um gesto para que os homens comigo continuassem nas sombras. Não queria que nenhum deles fosse visto antes da hora.

Por enquanto era só um barco suspeito, não poderia agir antes que tivesse certeza.

Dois homens saíram da embarcação e levou aproximadamente uma hora para que retornassem carregando algumas bolsas e uma garota desmaiada sobre o ombro.

Saquei a minha arma e verifiquei o posicionamento do silenciador antes de gesticular para que os homens me seguissem.

Aproximei-me de um dos homens com um golpe furtivo, atingindo-o na base do pescoço e fazendo com que tombasse para o chão. Segurei a garota desmaiada com o meu peito para evitar que ela caísse no chão e um dos drones do meu primo abateu o segundo cara antes que esse atirasse em mim.

Capítulo 3 Capitulo 3

- Por nada - gabou-se através da escuta.

- Veja se tem mais alguém.

- Um cara no barco.

- Okay.

Entreguei a garota para um dos meus soldados e fui para o barco. Afundei com os pés na água até a altura dos joelhos antes de conseguir me aproximar da embarcação. Subi na parte de trás e mantive a arma em punho até dar a volta. A única luz e barulho vinham da cabine.

Fui até lá e abri a porta com um pontapé fazendo com que o homem no interior arregalasse os olhos com o susto e desse um salto.

- Tem mais alguém com você? - perguntei com uma voz grossa e impositiva.

- Só os dois que saíram. Quem é você... - gaguejou ficando ainda mais pálido.

Duvidava que aquele velho amedrontado fosse o responsável por toda aquela organização.

- Quem é o seu chefe?

- Eu... é...

- Fala!

- Fui abordado por um homem no mercado de peixe há duas semanas. Ele me disse que se eu ajudasse a transportar uma mercadoria ele me pagaria uma boa grana.

- Que mercadoria?

- Ele disse que era melhor eu não fazer perguntas. - Engoliu em seco. - Mas imagino que seja droga. Essa é só a segunda vez que venho.

- Esse homem é um dos que estavam com você agora?

- Não. Parece que são caras diferentes toda vez.

- Você não está me ajudando...

- Por favor.

- O que sabe sobre as garotas? - Atirei na perna dele e o homem urrou de dor, caindo de joelhos.

- Nada.

Rosnei e o sujeito se encolheu.

- Disseram que são prostitutas.

- Para onde as leva?

- Um lugar chamado ilha vermelha.

- São só garotas inocentes. - Olhei bem nos olhos dele antes de atirar.

Cada um de nós tinha a sua parcela de crimes, eu particularmente já carregava uma bem extensa apesar de ter apenas um quarto de século. Entretanto, se havia algo a me consolar, era o fato de que assassinava aqueles que tinham uma ficha suja o bastante para merecerem o seu espaço no inferno.

- Ettore, ilha vermelha.

- Já estou procurando...

Capítulo seis

Havia me acostumado com os longos períodos em que o meu pai ficava longe de casa, mas daquela vez havia uma sensação ainda mais estranha. Eu não compartilhava com minha mãe a minha desconfiança, porque ela diria que eu só estava atraindo coisas ruins.

Deveria acreditar um pouco mais no meu pai, afinal o que ele estava fazendo realmente melhorou a vida que tínhamos.

Ouvi uma batida na porta que chamou a minha atenção e fez com que eu saísse dos meus pensamentos. Eu só deveria estar procurando coisa onde não tinha. Precisava torcer um pouco mais pelo sucesso do meu pai, pois eu e a minha mãe dependíamos disso.

- Rhea! - Abri a porta e um largo sorriso se formou no meu rosto quando vi a minha melhor amiga. Ninguém melhor do que ela para me fazer esquecer aquelas teorias que estavam me corroendo.

Apesar de ter crescido naquela ilha como eu e ter enfrentado ainda mais dificuldades, como perder a mãe enquanto ainda era muito nova. Ela tinha seu próprio jeito de animar tudo e todos.

- Ei!

- Que bom ver você. Não sabia que viria hoje.

- Meu pai está para chegar e eu queria saber se você pode me dar uma batata e uma cenoura da sua horta. Queria fazer uma sopa.

- Ah, claro! - Dei um passo para trás. - Entra que eu vou lá buscar.

- Obrigada.

- Seu pai está no mar?

- Sim - respondeu num tom breve.

- O meu saiu tem uma semana. Minha mãe está preocupada, mas eu sei que ele vai voltar, ele sempre volta. - Sorri amarelo.

Ele tinha dito que com esse novo emprego voltaria mais rápido para casa, mas não voltou. Talvez houvesse mudado de ideia e só estivesse pescando junto com o pai da Rhea e os outros homens da ilha.

No fundo, apesar da desconfiança, queria acreditar que ele ficaria bem, assim como eu e a minha mãe.

- Às vezes foi para mais longe. Eles fazem isso, em busca de peixes melhores.

Só balancei a cabeça em afirmativa. Talvez fosse bom compartilhar com ela as minhas desconfianças, mas não consegui.

- Vamos até a horta, minha mãe está na cozinha. - Segurei no braço da Rhea e a puxei comigo, mas antes que saíssemos da sala fomos surpreendidas com um estrondo.

O susto me deixou um pouco desorientada e levou um tempo para que eu notasse que alguém havia invadido a casa.

- Onde está o Saulo?!

O cara era amedrontador e a cada passo que ele dava eu sentia como se fosse capaz de destruir a minha casa toda só com o impacto dos seus pés. O pior era que havia outros com ele, pelo menos três homens. Cada pelo do meu corpo se arrepiou e a visão foi ainda mais assustadora do que qualquer filme de terror.

- Meu pai está no mar. - Estufei o peito e tentei não demonstrar o quanto estava apavorada.

- Mentira! Ele desapareceu com o nosso carregamento.

- Que carregamento? - questionei, mas logo todos os meus instintos gritaram um sonoro eu sabia!

Para conseguir todo aquele dinheiro o meu pai havia se metido em algo muito errado e agora aqueles caras estavam ali para cobrar o preço.

- Onde está a droga, garota? - O primeiro me agarrou pelos ombros e sacudiu-me no ar.

- Droga? Que droga?

- Que o seu pai estava transportando para nós.

- Meu pai não mexe com essas coisas não - gaguejei sem acreditar nas minhas próprias palavras.

- Parece que ela não sabe de nada. - Riu um que estava junto.

- Eu não quero nem saber. Só preciso do meu produto.

- Devem ter se enganado - Rhea disse tentando defender o meu pai.

- Se eu fosse você ficava na sua - rosnou para ela e fez com que recuasse alguns passos, completamente assustada. - Procurem pela casa - ordenou aos outros que começaram a vasculhar tudo.

- Cuidado! - gritei quando empurraram a minha televisão e a jogaram no chão. Era um dos bens mais preciosos daquela casa, a minha única passagem para outros lugares e vê-la quebrada partiu o meu coração.

Comecei a chorar sem conseguir me deter e tomei um tapa no rosto que deixou a minha bochecha ardendo e me surpreendeu ainda mais.

- Fica calada, garota!

- Achamos mais essa. - Um dos homens voltou da cozinha e jogou a minha mãe no chão ao nosso lado.

Trocamos olhares e o meu medo do que poderia acontecer conosco aumentou a minha vontade de chorar, mas eu me contive o máximo que consegui para que não apanhasse novamente ou sofresse algo pior.

- E a droga? - O que pareceu ser o líder, insistiu, porém, não conseguiu a resposta que esperava.

- Não achamos.

- Porra, e agora? O que vamos fazer? Quando o chefe chegar vai nos matar.

Havia alguém acima deles que poderia ser ainda mais perigoso do que aqueles caras e a possibilidade me assustou mais.

- Vamos levar as mais novas - sugeriu um deles, alternando os olhares entre mim e a Rhea.

- Levar? - Minha mãe arregalou os olhos. - Por favor, deixe-as em

paz.

- Cala a boca, sua velha! - gritaram com ela.

- Não sei o que o meu marido fez, mas elas são apenas crianças... -

Parou de falar quando bateram nela.

- Mãe... - murmurei baixinho tentando ser inaudível.

Não queria que eles machucassem nenhuma de nós, ao mesmo tempo em que não sabia como poderia agir para nos proteger.

- O que faremos com elas?

- São bonitas, podem servir para acalmar o chefe ou fazer com que o Saulo apareça com a nossa droga.

Um deles caminhou na direção da Rhea, que se afastou ainda mais.

Quando ele a tocou, minha melhor amiga rosnou.

- Não se encoste em mim. - Empurrei a mão do homem.

- Cala a boca, sua vadia! – Agarrou o cabelo dela com tanta força que me fez engolir alguns soluços de pavor.

Na minha mente se passavam as piores coisas que poderiam tentar fazer conosco.

Rhea tentou empurrá-lo, mas não conseguiu, então outro deles me agarrou e percebi que também não tinha escapatória.

- Me solta! - Debatia-me inutilmente, tentando usar toda força que havia em mim para me livrar daquele terrível agarre.

- Larga ela! - Minha mãe tentou me ajudar, mas praticamente foi arremessada contra o chão com a força com que a empurraram.

Eu me debati, eu gritei, chorei e tentei de tudo para não ser levada. Sabia que o meu pai poderia estar envolvido com algo ruim, mas não tinha a

menor ideia das consequências que isso traria para a minha vida.

Tinha levado uma vida humilde, sem muitos recursos, mas éramos felizes ao nosso modo.

Sabia que a culpa daquilo que estava acontecendo conosco era das escolhas erradas do meu pai, no fundo, desde o primeiro dia sentia que algo terrível poderia acontecer. Porém, a minha melhor amiga não tinha nada a ver com isso e estava sendo arrastada para o mesmo caos.

Queria poder ajudá-la, mas não conseguiria salvar nem a mim mesma.

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