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Uma caipira ou uma lenda?

Uma caipira ou uma lenda?

Autor:: Blue Star
Gênero: Moderno
Diziam que Fernanda, que tinha acabado de retornar para sua família, não passava de uma caipira ignorante com tendências violentas. Mas Fernanda apenas apenas sorriu com desdém ao saber disso. Também diziam que Cristian, normalmente racional, havia perdido o juízo, perdidamente apaixonado por Fernanda. Isso a irritou, pois ela conseguia tolerar fofocas sobre si mesma, mas não sobre seu amado! Pouco a pouco, foram reveladas as múltiplas identidades de Fernanda, como designer, jogadora, pintora... Finalmente, todos perceberam que eram eles que estavam sendo ignorantes.

Capítulo 1 Foi seu primeiro beijo

"Senhorita Morgan, estamos aqui pra escoltá-la de volta pra casa." A voz firme, mas educada, veio de um dos homens altos em ternos impecavelmente ajustados, que olhavam para Fernanda Morgan com um ar de reverência. "Seus pais não mediram esforços para localizá-la todos esses anos. Assim que souberam onde você está, eles nos enviaram para garantir seu retorno imediato. A família Harper também está ansiosa por sua volta. O senhor Harper está aguardando você para o casamento, como combinado."

"Tudo bem, então. Vamos", Fernanda concordou com um leve aceno de cabeça.

Ela pegou a pequena mala e entrou no veículo.

A jornada de Zhota a Esaham era longa, mais de dois dias pelas estradas serpenteantes que cortavam o interior.

Quando o céu começou a se tingir de laranja e roxo, anunciando o crepúsculo, eles chegaram a outra pequena cidade. O mordomo encontrou um hotel simples, mas acolhedor, e propôs que passassem a noite ali.

Fernanda ficaria no final do corredor do segundo andar, quarto 201 - provavelmente o melhor quarto disponível. Já o mordomo e o restante do grupo optaram por ficar no andar inferior.

O ar seco da noite tornava o antigo ar-condicionado do quarto nada mais que um ornamento barulhento e inútil. Ainda com os cabelos úmidos do banho, Fernanda abriu a janela para convidar uma brisa fresca, fazendo as cortinas dançarem suavemente no ar da noite.

Ela então diminuiu as luzes e se deitou.

O cansaço do dia logo a levou a um sono leve, mas foi interrompido abruptamente por um ruído vindo do lado de fora.

Em seguida, outro ruído se fez ouvir na janela, e ela entrou em estado de alerta. Quando ela se levantou de imediato, uma figura sombria irrompeu, se lançando sobre sua cama.

O toque frio de uma lâmina contra seu pescoço enviou um arrepio por sua espinha enquanto uma voz baixa e ameaçadora murmurava: "Não se atreva a se mexer."

O medo a imobilizou por completo, e o cheiro metálico e inconfundível de sangue invadiu suas narinas.

O cheiro veio da manga do intruso, e esse detalhe macabro apenas reforçou a gravidade da situação: ele não era alguém com quem se devesse brincar.

Lá fora, o som de passos e vozes agitadas cortou o silêncio da noite. A comoção parecia se aproximar e, de repente, uma batida firme ecoou na porta do quarto.

Uma voz áspera perguntou: "Tem alguém aí? Abra agora!"

O coração de Fernanda acelerou, mas antes que ela pudesse reagir, a faca pressionou mais fundo contra sua pele, lhe arrancando um suspiro contido.

A voz do homem transbordava malícia ao avisar: "Se livre deles, ou você estará morta."

O braço direito do homem envolveu a cintura dela, enquanto a mão esquerda mantinha a faca firmemente contra a garganta dela.

Ele era forte, seus movimentos calculados, e não havia dúvidas de que estava preparado para cumprir sua ameaça.

Encurralada, Fernanda sabia que, por enquanto, não tinha escolha a não ser obedecer.

Com uma voz suave e estável, ela o tranquilizou: "Certo. Tudo vai ficar bem."

Quando não houve resposta do lado de dentro, os homens lá fora usaram uma chave mestra para destrancar a porta.

Ao som, o homem puxou a camiseta larga de Fernanda, a trazendo para seu colo com um gesto rápido e a envolvendo com o braço firme, enquanto mudava de posição.

O ambiente, antes carregado de tensão velada, foi abruptamente invadido quando a porta se escancarou, e um feixe intenso de luz de lanterna cortou a penumbra do quarto.

Fernanda soltou um grito de pânico e instintivamente se inclinou sobre o homem, tentando cobri-lo com seu próprio corpo.

"Querido, que lugar é este? Como alguém tem coragem de invadir assim?" Agindo como se estivesse aterrorizada, Fernanda segurou o homem, seu aperto firme e desesperado.

Sua voz, que costumava ser doce e sedutora, agora exibia um tom de irritação misturado com um charme ofegante que era completamente atraente.

O homem sob ela se tensionou de repente e, em um movimento ágil, a puxou ainda mais para perto, girando o corpo com habilidade para envolvê-los com o cobertor.

Enquanto o cobertor deslizava, seus sussurros suaves se misturavam ao ritmo constante de suas respirações, pintando uma cena de sensualidade sutil.

Na entrada do quarto, o grupo que havia invadido congelou de vergonha, despreparado para a exibição privada diante deles.

No entanto, o casal dentro do quarto não mostrava sinais de interromper sua troca íntima.

O segurança, tentando aliviar o clima, soltou uma risada nervosa. "Acho que eles estão... ocupados. Talvez seja melhor a gente dar meia-volta, não é?"

Mas um dos homens passou pelo segurança com passos decididos, ignorando o desconforto geral.

O som de suas botas ecoou pelo quarto, cada passo fazendo o coração de Fernanda disparar. Será que eles realmente estavam pensando em desvendá-los?

De repente, uma lâmina fria roçou a lateral de seu corpo, enviando um arrepio por seu corpo já tenso.

Os passos pararam ao lado da cama e, com uma onda de coragem, Fernanda se inclinou mais para o homem sob ela.

O cobertor, puxado em um gesto calculado, deslizou levemente, revelando a curva de suas costas nuas sob a luz invasiva.

Apesar da tensão no quarto, os movimentos deles permaneciam constantes, inabaláveis. Os lábios de Fernanda encontraram os dele em um beijo cheio de paixão, enquanto seus cabelos caíam, obscurecendo parcialmente o rosto do homem.

Um ar de intimidade genuína permeava o quarto conforme a mão grande do homem deslizava pela lateral do corpo dela, lhe arrancando gemidos suaves.

De repente, a tranquilidade foi brutalmente rompida por uma voz do lado de fora: "Chefe! Algo está acontecendo na rua!"

Instantaneamente, o homem ao lado da cama se virou e saiu pela porta.

Com a porta batendo, Fernanda se afastou do homem e saiu da cama.

A luz da lua, se filtrando por uma fresta das cortinas, lançava sombras suaves que pareciam dançar nas paredes. O homem observava a figura esguia de Fernanda, que se destacava contra a luz pálida.

A visão dela ali trouxe uma enxurrada de memórias. Ele se lembrou do toque delicado de seus dedos contra a pele dela, do calor dos braços envolvendo os seus, da textura macia dos fios de cabelo que haviam roçado seu rosto, trazendo consigo uma fragrância suave que agora parecia impregnar o ambiente.

A voz dela era uma melodia suave, reconfortante para seus ouvidos.

Essa mulher tinha algo enigmático, um misto de serenidade e astúcia que o intrigava. Em meio à intrusão, em vez de sucumbir ao pânico, ela tinha o beijado, um beijo tão convincente que tinha enganado os intrusos.

O beijo era hesitante, mas genuíno, carregando algo de inexperiência que o fez perceber que ela nunca havia feito isso antes.

Quebrando o silêncio, a voz do homem se suavizou de sua habitual severidade para um tom rouco tingido de atração: "Foi seu primeiro beijo?"

Capítulo 2 Isso é nojento

Com movimentos rápidos, Fernanda puxou uma peça de roupa da mala, sua voz afiada e fria. "Isso não é da sua conta. Acho que já está na hora de você ir embora."

Tudo o que ela desejava agora era apressar a partida do homem.

Pouco antes, quando ele a abraçou, seus dedos roçaram as costas dela, demorando-se um pouco mais do que o necessário. Os calos ásperos em suas pontas denunciavam anos de trabalho árduo, um desgaste que não passava despercebido. Além disso, sua habilidade com faca e seus reflexos rápidos sugeriam um passado longe de ser comum.

Deixando o pensamento de lado, Fernanda afastou qualquer curiosidade sobre o passado dele.

De repente, o silêncio foi rompido pelo som estridente de uma buzina vindo lá de fora.

O homem se levantou suavemente. Durante a intimidade anterior, ele havia despido a camisa, mas as calças permaneciam impecavelmente ajustadas.

Sem pressa, ele abotoou a camisa enquanto se dirigia à janela, e jogou algo para Fernanda. "Desculpe se causei algum desconforto. Considere isso um agrado."

Com a destreza de um felino, ele subiu no parapeito e saltou pela janela.

Fernanda se aproximou da janela e, sob a luz fraca dos postes, viu a silhueta dele se movendo com uma agilidade impressionante, escalando a parede sem esforço. Ele percorreu os parapeitos com naturalidade, até se fundir com as sombras.

Fernanda se abaixou e pegou o cartão preto que ele havia deixado.

Era óbvio que isso não era apenas um gesto de desculpas, mas um pagamento - uma compensação pelas perturbações da noite. Sem mais delongas, ela guardou o cartão no bolso e puxou as cortinas.

Na manhã seguinte, o mordomo se aproximou de Fernanda com uma expressão carregada de preocupação. "Senhorita Morgan, espero que tenha descansado bem. Houve uma inspeção inesperada ontem à noite, que causou bastante alvoroço."

Ela deu de ombros casualmente e murmurou: "Foi tranquilo."

Durante o caminho, o mordomo lançava olhares para Fernanda pelo retrovisor. Reclinada no assento de couro, a jovem parecia alheia ao mundo ao seu redor, mas sua postura elegante e o ar distante não passavam despercebidos.

Ele não conseguia evitar uma reflexão silenciosa: Fernanda não era como as jovens criadas no campo. Havia algo de refinado nela, um tipo de sofisticação natural que combinava com sua beleza serena.

Após dois dias de viagem, eles finalmente chegaram a Esaham.

Ao pisar nas ruas movimentadas da cidade, Fernanda foi imediatamente envolvida pelo caos vibrante da metrópole.

Pouco depois das 8h, a limusine Lincoln, imponente e reluzente, atravessou os portões de uma propriedade exuberante conhecida como Vilas Fajar, parando em frente a uma vila branca de três andares que exalava poder e riqueza.

Fernanda saiu do carro com graça, erguendo o olhar para a construção que parecia desafiá-la com sua grandiosidade.

O estilo arquitetônico era imponente e opulento, mas, para ela, um tanto pretensioso. Seus lábios se curvaram em um sorriso leve, quase irônico.

A vila pertencia a Robert Morgan, seu pai, um homem que, apesar das origens humildes, havia conquistado uma fortuna impressionante com o apoio de sua falecida mãe.

Contudo, assim que alcançou o topo, Robert descartou a mãe de Fernanda sem cerimônia, optando por se deleitar em um relacionamento com sua amante.

Aquela mulher, Michelle Morgan, não havia contribuído em nada para o sucesso da família Morgan, mas agora ocupava um lugar que a mãe de Fernanda havia conquistado com muito esforço. Ela desfrutava dos luxos e do respeito que nunca deveriam ser seus por direito. Pior ainda, ela ousara exibir sua vitória, desfilando sua vida roubada diante da mãe enlutada de Fernanda, uma crueldade que acabara levando à morte prematura da mãe de Fernanda.

Para o mundo, Michelle era vista como a segunda esposa de Robert, um ícone de elegância e charme inabaláveis. Ela teve até a audácia de declarar, sem pestanejar, que era a verdadeira mãe de Fernanda.

Mas Fernanda sabia a verdade. Por trás da fachada polida de Michelle havia outra realidade, fria e implacável.

Os olhos de Fernanda endureceram por um instante, refletindo uma determinação quase palpável.

Sua mãe não estava mais ali para buscar justiça, mas Fernanda prometeu que faria isso no nome da mãe.

Foi nesse momento que as portas imponentes da vila se abriram, revelando o casal responsável por transformar sua vida em um emaranhado de incertezas.

Robert surgiu primeiro, impecável como sempre. A linha perfeita do terno sob medida destacava sua postura altiva, e os óculos de aro dourado refletiam a luz amarelada do entardecer, lhe conferindo um ar de sofisticação cuidadosamente calculado.

Ao seu lado, Michelle era o retrato da elegância. O vestido ajustado abraçava sua figura esguia, exalando refinamento e compostura.

"Fernanda, você voltou. Entre", Robert a cumprimentou com um sorriso, sua voz transbordando hospitalidade.

Fernanda mantinha os olhos baixos, tentando esconder a tempestade de emoções que fervilhava dentro dela. Com passos calculados, ela atravessou a soleira da porta.

Envolvendo a cintura de Michelle com um braço, Robert apresentou: "Fernanda, esta é sua mãe."

Com outro gesto descontraído, ele apontou para a sala de estar, completando: "E aquela ali é Erika, sua irmã."

No sofá, Erika Morgan estava entretida com a televisão, apenas levantando o olhar quando Fernanda se aproximou. A expressão crítica veio quase de imediato quando seus olhos analisaram o vestido simples que Fernanda usava, e um sorriso de desprezo curvou seus lábios.

Com um revirar de olhos cheio de desdém, Erika resmungou: "Essa caipira? Pai, ela não pode ser minha irmã."

Antes que Fernanda pudesse reagir, Michelle entrou na sala com um sorriso acolhedor, entrelaçando seu braço com o de Fernanda. "Ah, Fernanda, não dê atenção a Erika. Ela está apenas brincando. Preparei o café da manhã pra você. Você deve estar com fome. Vamos comer algo."

Com um movimento calmo, Fernanda se soltou do toque de Michelle e seguiu em direção à sala de jantar.

Michelle ficou parada por um instante, o sorriso oscilando antes de desaparecer. Ela se virou para Robert, que estava por perto, e perguntou em um tom que misturava preocupação e perplexidade: "O que deu nela?"

Ele suspirou, sua voz uma mistura de empatia e resignação: "Fernanda cresceu no campo, Michelle. Ela ainda é um pouco grosseira. Não é nada pessoal, mas só tem o jeito dela."

Michelle franziu a testa levemente, mas logo balançou a cabeça, deixando escapar um sorriso tranquilo. "Tudo bem, eu entendo. Vou ajudá-la a se ajustar e ensinar o que for preciso para que ela se sinta à vontade e se torne uma jovem elegante."

Robert lhe lançou um olhar solidário, carregado de apreciação e uma calma tranquilizadora.

Na sala de jantar, Michelle se acomodou ao lado de Fernanda e, colocando uma fatia generosa no prato dela, disse com um sorriso encorajador: "Fernanda, você precisa experimentar essa carne. É a favorita de Erika."

Com um movimento lento e deliberado, Fernanda pegou o pedaço de carne com o garfo e o jogou em um prato vazio ao lado, afirmando friamente: "Isso é nojento."

Capítulo 3 Como você pode mentir

No instante em que essas palavras escaparam dos lábios de Fernanda, um silêncio denso pairou sobre a mesa e todos olharam para ela, congelados em uma mistura de choque e incredulidade.

Perdendo a paciência, Erika bateu com força na mesa e exigiu: "Sua caipira, o que você está dizendo? Minha mãe foi gentil o suficiente pra oferecer esse prato, e você tem a coragem de ser tão grosseira?"

Fernanda ergueu o rosto, encontrando os olhares perplexos ao seu redor com um sorriso que oscilava entre inocência e provocação. "Eu estava claramente falando sobre a carne. Está crua e, honestamente, parece pouco apetitosa. O que mais eu poderia querer dizer?"

"Você..." Erika abriu a boca para responder, mas sua voz falhou. Uma confissão de que achava que Fernanda estava insultando Michelle parecia inaceitável.

Com um piscar de olhos calculado, Fernanda continuou: "A menos que você ache que há algo ainda mais nojento nesta mesa do que a carne crua..."

A insinuação fez o rosto de Erika se transformar em puro espanto. Por um breve momento, sua voz parecia tê-la abandonado completamente e ela não conseguia articular uma única palavra.

A voz de Michelle, baixa e controlada, cortou o ambiente com uma calma quase ensaiada: "Fernanda, o prato ao qual você se refere é chamado steak tartare. É uma iguaria famosa em restaurantes sofisticados, feita de carne de primeira qualidade e um ovo pasteurizado. Talvez seja algo com o qual você ainda não esteja familiarizada."

Seu tom educado trazia uma leve, mas evidente, sugestão de superioridade, como se sua explicação fosse também uma aula sobre um mundo ao qual Fernanda não pertencia.

No entanto, Fernanda permitiu que um sorriso travesso surgisse nos cantos de seus lábios e respondeu: "Ah, entendi. Então, basicamente, nossos ancestrais passaram séculos refinando técnicas culinárias para que pudéssemos... regredir e comer carne crua como se ainda estivéssemos na Idade da Pedra?"

A expressão de Michelle vacilou por um instante, um leve traço de desconforto cruzando seu rosto, mas ela rapidamente recobrou a compostura, forçando um sorriso educado e acenando com a cabeça. "Você tem razão, vou admitir isso."

"Concordo. Nunca sou muito fã de steak tartare, e sempre prefiro os sabores mais clássicos. Acho que Fernanda herdou isso de mim", Robert comentou, lançando um olhar orgulhoso para Fernanda.

Com um sorriso quase imperceptível, Fernanda limpou delicadamente seu garfo em um guardanapo, então retomou a refeição com uma postura composta, aparentemente indiferente ao ressentimento fulminante de Erika.

Foi nesse momento que Michelle, com uma suavidade calculada, fez uma pergunta que parecia pesar no ar: "Fernanda, em qual universidade você está estudando atualmente? Erika está na Universidade de Luminary, uma das melhores do país. E você?"

O rosto de Erika se iluminou imediatamente, um sorriso de satisfação própria se formando em seus lábios.

Robert não demorou a intervir, seu tom agora mais frio: "Conversei com alguns contatos na cidade natal de Fernanda. Atualmente, ela não está matriculada em nenhuma universidade."

Os olhos de Michelle se arregalaram, sua voz aumentando levemente ao exclamar: "O quê? Fernanda não está na universidade? Isso não pode ser possível! O que vai acontecer quando a família Harper souber disso? A senhora Harper comentou há poucos dias que eles estavam planejando uma grande festa de boas-vindas pra ela, quando ela voltasse... Se eles souberem que ela não está matriculada em lugar nenhum, pode ser desastroso."

Robert interrompeu, sua voz carregada de impaciência, cortando o pânico crescente de Michelle. "Chega. Eu mesmo cuidarei da educação de Fernanda."

Do canto da sala, Erika não conseguiu segurar uma risada, achando a ideia de Fernanda, uma garota do interior, conseguir ingressar em uma escola de baixo nível por meio de contatos, hilária.

Ela mal conseguia imaginar a família Harper, com todo o seu status, celebrando a chegada de uma "ninguém" como Fernanda. Era impossível que alguém com o comportamento rude e desajeitado dela fosse aceita pela sofisticada família Harper.

Erika achava Bobby Harper bastante charmoso, mas não conseguia entender por que sua família insistia em honrar a promessa de noivá-lo com Fernanda e pressionar Robert a reintegrar Fernanda em seus círculos.

Ela tinha certeza de que a família Harper nunca desenvolveria qualquer tipo de afeição por alguém tão carente de educação quanto Fernanda.

O clima ao redor da mesa se tornou tenso enquanto eles discutiam as perspectivas acadêmicas de Fernanda.

Em meio ao silêncio constrangedor, Fernanda, com um movimento tranquilo, pegou um guardanapo, limpou os lábios com elegância e anunciou, sua voz firme e clara: "Já me inscrevi para o exame de admissão na Universidade de Esaham. Se tudo correr bem, planejo estudar lá em breve."

Erika ficou paralisada por um segundo antes de explodir em risadas desenfreadas.

Aos seus olhos, a Universidade de Esaham, a mais prestigiada do país, onde as vagas eram mais disputadas do que ouro, jamais aceitaria alguém como Fernanda. E isso era uma mentira descarada, que ninguém em sã consciência poderia acreditar.

A postura de Robert se endureceu instantaneamente, seus olhos se estreitando com um brilho gélido. Ele franziu a testa em desaprovação e disse severamente: "Fernanda, como você pode mentir sobre ter a oportunidade de fazer o exame de admissão para a Universidade de Esaham? Mentir foi a única lição que você aprendeu em sua pequena cidade natal?"

Michelle interveio, tentando aliviar a tensão: "Querido, se acalme. Fernanda estava apenas tentando te impressionar."

Ela se virou para Fernanda com um sorriso suave e acolhedor, tentando transmitir uma sensação de conforto. "Não há vergonha nenhuma em não ir para a faculdade, Fernanda. Não precisa se sentir pressionada a seguir um caminho que não é o seu. Aqui, somos uma família, e te aceitamos do jeitinho que você é."

Mas, por trás dessas palavras tranquilizadoras, uma sombra de desconfiança pairava no ar, como se Fernanda estivesse realmente inventando uma história.

Sem dizer nenhuma palavra, Fernanda pegou seu celular. Após alguns toques, ela empurrou o aparelho para o centro da mesa.

Todos se inclinaram, curiosos. A expressão de Erika mudou imediatamente quando ela olhou para a tela.

Na tela, o bilhete de admissão de Fernanda para o exame de entrada da Universidade de Esaham brilhava, com sua foto e nome estampados em letras grandes e destacadas.

Erika pegou o celular com pressa, seus olhos arregalados enquanto examinava a imagem repetidamente, como se quisesse encontrar um erro. Com um gesto brusco, ela jogou o celular para o lado e disparou: "Isso não pode ser verdade! Você editou isso, certo?"

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