Em um vilarejo pacato no interior de Minas Gerais, Uma garotinha de 10 anos de idade foi criada por seus pais e dois irmãos mais velhos.
Em uma casinha humilde na roça com três quarto, sala com janelas grandes com uma vista ampla para a estrada principal, cozinha grande e no canto um amontoado de lenhas secas, ao lado um fogão a lenha de cimento e coberto de barro branco sempre de brasas acesas.
Na mesa de madeira uma lamparina para clarear a noite de prosas com um café e broa de milho quentinho para as crianças e água ardente para os adultos. Ali ouviam histórias encantadoras sãs famosas "na minha época"...
No quintal um enorme pé de ameixas Lucy se divertia todo fim de tarde em seu balanço de corda. Ali olhando o verde pasto ela se imaginava morando em uma grande cidade e sendo dona do seu nariz fino e empinado como dizia sua mãe Maria.
A vida no campo não era nada fácil até pra pequena Lucy. Levantar cedo, molhar as plantas , espalhar o feijão pra secar no terreiro de chão batido. E a melhor hora da manhã para ela ela soltar os animais no pasto. Ansiosa para montar em sua égua para cumprir a tarefa, saia de pés descalços e cabelos ao vento, e saia imponente sob a charmosa Fífi.
Ao cumprir suas tarefas voltava correndo para não perder a hora da escola, pois tinha ainda que ir andando até o colégio a pouco mais de 2km dali.
Empenhada em seus estudos ela sempre se destacou como melhor aluna. Sabia como conduzir uma boa apresentação de sua sabedoria. Sempre pedia tarefas extra para a sua professora Lourdes.
Sua vida era muito simples e humilde. Não tinha nenhum luxo. Luz elétrica ainda não tinha chegado em seu vilarejo, as diversões eram em dias de aniversário que tinha baile na casa dos vizinhos, onde a mistura de crianças e os mais velhos dançando no terreiro ao som de uma moda de viola acompanhada do som da sanfona e tinindo do triângulo contagiava até o sol se aproximar. Tinha também os dias de rezas nas casas onde as beatas acompanhavam com o folhetim da igreja do Marciel que ficava a 4km de casa onde tinha bingo de frango e refrigerantes e salgadinhos da quitanda após a missa de domingo. Lucy e sua família quase sempre frequentava, exceto quando o seu pai Lourenço bebia além da conta e ficava muito agressivo.
Era nessas horas que Lucy se escondia em seus pensamentos e criava um plano de ter uma vida diferente daquela ali quando crescesse, era assim q ela cultivava seus sonhos.
Lucy tinha uma vida invejada por suas amigas. Seu pai procurava manter a aparência e os bons costumes, isso encantava a todos do vilarejo, Sr. Zeca era respeitado e admirado por todos.
Mas dentro de casa não era a mesma coisa...
Com os filhos ele era extremamente abusivo. Os filhos eram escravos do trabalho a missão imposta pelo patriarca era apenas uma "trabalhe e traga o dinheiro pra mim".
Bili e Lúcio tiveram que interromper os estudos para não atrapalhar na lida, Lucy ainda inocente do que poderia ser privado diandria planos de futuro não entendia muito o que se passava em casa.
Nas noites de bebedeira do pai, sua mãe a colocava para dormir logo cedo antes q seu pai chegasse em casa. Um garotinho neto da Dona Ziza tia do Benício do bar, corria para avisar que naquela noite mãe e filhos não teriam paz.
Alguns anos se passaram e Lucy começou a entender o quão cruel seu pai poderia ser. Era uma alegria profunda quando ela estava livre pelo pasto cavalgando e criando sonhos de um dia conhecer outro tipo de vida.
Ela tentava não acreditar que seu pai era tão ruim até que um dia após chegar da tarefa de recolher os animais, ela pôde ver a crueldade em pessoa. Sr. Zeca chegou bebado da cidade e aos gritos porque todos estavam trabalhando pouco e poderiam ter colhido mais hortaliças para a feira, os preços tinham subido e ele julgava ter levado pouco, embora todos da casa estavam trabalhando duro para produzir e colher o máximo possível.
Aquele momento jamais sumiria da mente de Lucy, seu pai erguei a mão e bateu, seus irmãos tentaram ajudar e foram impedidos pois ele estava armado.
Naquele momento Lucy prometeu a si mesmo que isso nunca aconteceria com ela. Uma vida de fachada, uma família feliz para a sociedade como em um comercial de TV.
Lucy sempre gostou de ser o centro das atenções. Se destacava sempre entre as amigas, se fazia popular por onde passava, sempre humilde querendo ter as amigas por perto para desfrutar de momentos de diversão e alegria.
Como todas as manhãs terminava suas tarefas e se arrumava para ir à escola companheiros. Por 2km de caminhada até a escola municipal em um vilarejo vizinho, canções alegres, brincadeiras como verdades ou consequência era rotina.
Um dia como todos os outros a pequena Lucy foi surpreendida ao ver seu nome no quadro de avisos com um desenho de uma coroa de rainha na frente.
Impressionada ela foi procurar saber o que poderia ser aquilo. Então sua professor contou
que os seus amigos havia votado nela para ser a Rainha da pipoca na festa da fogueira de São João.
E toda alegre ela chegou em casa contando para sua mãe. Aflita contando rápido sem ao menos respirar direito planejando o seu vestido lindo cor de rosa e suas sandalinhas de cristal.
Mas Lucy travou a língua quando percebeu o olhar triste de sua mãe...
- "Mamãe o que foi? Não posso ser rainha de mentirinha?" Perguntou Lucy.
- Não minha pequena rainha... é que o seu pai não vai me deixar comprar um vestido à sua altura e nem uma sandalinhas de cristal.
Lucy saiu brava batendo os pés. E sempre repetia em pensamentos "eu vou ser grande e não vou ter q pedir nada pra ninguém"!
Ela dormiu chorando, e no dia seguinte ela estava febril e sua mãe não deixou ela seguir sua rotina. Então dormiu um pouco além, era quinta feira do de ceasa e seu pai só chegaria tarde em casa.
Sua mãe passou a manhã inteira costurando em uma máquina de costura com mecanismo de pedal. Sem muitos recursos a mãe de Lucy transformou uma cortina de cetim em um lindo vestido com mangas bufantes e rodado como de uma rainha.
Quando Lucy acordou chegou até a sala e ao ver aquele vestido no colo de sua mãe não bordando o laço da cintura.
Assustou sua mãe que furou o dedo na agulha, e mais ainda quando viu a pequena Lucy chorando.
Ela sabia que sua mãe adorava aquela cortina, mas não conseguia esconder que tinha adorado o vestido.
Chegou o grande dia da festa e todos os moradores dos vilarejos vizinhos estavam lá. Pescaria, doces, bolos e várias guloseimas típicas, danças e muitas brincadeiras, e ainda tinha o conjunto de o sanfoneiro, o violeiro e o gaiteiro. A fogueira aquecia o frio da serra e clareava a noite escura.
Ansiosa para sua apresentação, afinal de contas ela não fazia ideia de como seria, tudo seria surpresa.
E quando sua professora se aproximou com uma coroa feita de cartolina com gliter que suas amigas tinha feito é uma capa vermelha e uma faixa dourada consagrando a apresentação de rainha.
Mas algo a surpreendeu mais que aquela apresentação... Seu pai estava lá e pediu pra colocar a faixa nela. E quando colocou ele disse poucas palavras mais marcantes "a princesinha virou rainha".
Aquilo ficou gravado criando conflito nos pensamentos daquela menina.
Foi um dia tão feliz que ela nem lembrava das coisas tristes que vivia em casa, então ela queria aproveitar o máximo aquela emoção.
Pois no dia seguinte tudo voltaria ao normal, a coroa, a faixa, a capa e o vestido seria guardado no baú, e a sala estaria mais clara com o sol entrando sem o bloqueio da cortina de cetim, e tudo no seu devido lugar e Lucy voltaria a sonhar!