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Uma família de mentirinha

Uma família de mentirinha

Autor:: AutoraAngelinna
Gênero: Romance
SI N O P S E KATHLEEN Palavras que descrevem Nash Ryan: Solitário. Imprevisível. Perversamente gostoso. Imperdoável. Provavelmente não o tipo de homem que alguém deveria confiar um bebê. Definitivamente não o tipo de homem que alguma mulher deveria confiar seu coração. Quando Nash voltou para a cidade para cuidar de seu irmãozinho, eu pensei que eu soubesse exatamente quem ele era. Não seria a primeira vez que eu estava errada. Eu também achei que tivesse acabado de dar meu coração até que ele demonstrou outra coisa. Mas nós não temos chance, porque tudo está pronto para ser desvendado. E os segredos que eu mantive serão nossa ruína. NASH Esta não era a primeira vez que eu conhecia a tragédia. Talvez fosse porque eu sempre escolhi estar sozinho. Mas minha vida de solidão termina agora porque uma terrível mudança de acontecimentos me transformou no guardião legal do meu irmão de 4 meses. De repente eu tenho uma criança para criar e um negócio de família para salvar. Não há tempo para mais nada. Foi por isso que Kathleen Doyle e eu fizemos esse acordo. Antes uma garota nerd magra que costumava me seguir por aí, ela agora é uma mãe solteira com o cabelo em chamas, um corpo de matar e muitas responsabilidades. Nós dissemos um ao outro que seria só sexo. Nós dissemos um ao outro que não existiriam laços e nem expectativas. Nós mentimos. E as consequências vão custar caro. Mas eu não vou renunciar a essa família sem lutar. Porque nesta vida nós podemos ter apenas uma chance de ter tudo.

Capítulo 1 1

SI N O P S E

KATHLEEN

Palavras que descrevem Nash Ryan:

Solitário.

Imprevisível.

Perversamente gostoso.

Imperdoável.

Provavelmente não o tipo de homem que alguém deveria confiar um bebê.

Definitivamente não o tipo de homem que alguma mulher deveria confiar seu coração.

Quando Nash voltou para a cidade para cuidar de seu irmãozinho, eu pensei que eu soubesse exatamente quem ele era.

Não seria a primeira vez que eu estava errada.

Eu também achei que tivesse acabado de dar meu coração até que ele demonstrou outra coisa.

Mas nós não temos chance, porque tudo está pronto para ser desvendado.

E os segredos que eu mantive serão nossa ruína.

NASH

Esta não era a primeira vez que eu conhecia a tragédia.

Talvez fosse porque eu sempre escolhi estar sozinho.

Mas minha vida de solidão termina agora porque uma terrível mudança de acontecimentos me transformou no guardião legal do meu irmão de 4 meses.

De repente eu tenho uma criança para criar e um negócio de família para salvar.

Não há tempo para mais nada.

Foi por isso que Kathleen Doyle e eu fizemos esse acordo.

Antes uma garota nerd magra que costumava me seguir por aí, ela agora é uma mãe solteira com o cabelo em chamas, um corpo de matar e muitas responsabilidades.

Nós dissemos um ao outro que seria só sexo.

Nós dissemos um ao outro que não existiriam laços e nem expectativas.

Nós mentimos.

E as consequências vão custar caro.

Mas eu não vou renunciar a essa família sem lutar.

Porque nesta vida nós podemos ter apenas uma chance de ter tudo.

Capítulo 2 2

C A P Í T U L O U M

NASH

O

celular começou a tocar no meu bolso de trás no exato momento que eu empurrei a chave na fechadura. Eu o ignorei e abri a porta do meu apartamento.

A volta para casa de Portland tinha sido longa e minha adrenalina finalmente tinha passado. Agora o sangue seco tinha endurecido por cima da pele quebrada dos nós dos meus dedos. O corte ardeu quando minha animada cachorra pastor alemão lambeu a ferida com um gemido simpático. Enquanto isso, meu celular emitia mais um pedido de atenção e, depois, ficou silencioso.

― Calma, garota. ― Eu disse, me defendendo dela e indo em direção à pia da cozinha.

Eu estremeci e flexionei minha mão debaixo da corrente de água fria. Peguei o antisséptico no armário à minha esquerda. Torci a garrafa com meus dentes e despejei-o sobre o ferimento nos dedos, sibilando um palavrão como um desgraçado quando a ferida latejou. O inchaço provavelmente continuaria por alguns dias e seria um saco quando cicatrizasse.

E, ainda assim, não lamentei nada.

Alguns arranhões rasos eram um preço aceitável a ser pago para ensinar uma lição a um babaca abusivo. Eu me lembrava, sorrindo, do gemido de dor do cara quando meu punho se conectou ao maxilar dele.

Não, eu não me arrependi nada essa noite.

Eu ainda estava no processo de lidar com minha mão ferida quando ouvi meu celular vibrar com um alerta de mensagem de voz. Meu olhar parou no relógio digital do microondas. Era duas e meia. Não há razão para uma ligação a essa hora. Eu vivia sozinho, não tinha namorada, e mal dizia duas palavras a qualquer um dos meus vizinhos. O único motivo que me fez dirigir a Portland essa noite foi porque um velho colega de faculdade tinha uma escala de seis horas na cidade e decidi então que até um filho da puta antissocial como eu poderia pôr os pés num bar vez ou outra.

Depois que eu levei meu amigo ao aeroporto, eu voltei para o bar onde estávamos. Eu tinha um motivo, que a maioria das pessoas não aprovaria. Eu queria ver se o filho-da-puta que fez a garota chorar estava por perto. E ele estava. Ele era um idiota desleixado que continuou bebendo licor mesmo quando não estava aguentando mais. Quando ele saiu cambaleando, eu o segui. Ele parou para mijar numa esquina escura do estacionamento e não teve tempo de guardar o pau antes que eu batesse nele. Ele provavelmente atribuiu isso a um assalto do dia a dia até quando eu cheguei perto o suficiente para sentir o fôlego e o fedor do medo dele e sibilei:

― Nunca mais machuque uma mulher, porra!

Ele entenderia o que essas palavras significam. Ele lembraria o jeito que torceu o braço da garota por trás dela e sussurrou alguma coisa enquanto a cara dela se torcia de dor, antes que ela se virasse para sacudir o punho dele. Pelo menos ela teve reação de acabar com ele e o filho-da-puta deve ter pensado que era o fim. Nem imaginou o tipo de cara que estava assistindo, do outro lado do bar.

Depois que eu bati o babaca covarde contra a parede pela última vez com força, eu desapareci, despreocupado com os policiais. Não tinha testemunha em vista. Além disso, eu tinha estacionado a duas quadras de distância e puxei o boné de beisebol bem baixo para nenhuma câmera de rua pegar meu rosto.

Eu não tinha planejado isso, não tinha saído essa noite com a intenção de pegar um imbecil se valendo da testosterona para cima de uma mulher só porque ele poderia. Eu nunca planejei essas merdas.

Mas quando eu os encontrava, eu reagia. Eu tinha que reagir. Porque eu conhecia a terrível verdade. Muitas vezes nessa vida a justiça não acontecia a tempo de salvar quem mais precisava. Era o pensamento que me mantinha acordado à noite: se eu não interferisse, ninguém mais o faria.

Roxie empurrou seu prato de comida e reclamou de novo, então eu dei água e um punhado de biscoito para ela, que mastigou feliz enquanto eu abria a porta do pátio feita de vidro deslizante e olhava a praia. Eu poderia ouvir as ondas do norte do Pacifico se lançando contra as pedras na escuridão. Mais cedo, o tempo estava calmo, mas agora o vento estava intenso, o ar de maio mais frio que o

normal. Tudo sobre o meio ambiente me agradava: o frio, a falta de pôr do sol, as tempestades que saem do oceano friorento e golpeiam o litoral. Eu tenho morado neste apartamento há dois anos e eu tinha tudo de que precisava. Meu trabalho poderia ser feito de casa e minha renda era razoável. Isso pode parecer uma vida medíocre para algumas pessoas, mas honestamente eu não me sentia nem um pouco solitário. Eu não sentia falta de pessoas, na verdade.

Inferno! Eu sempre poderia falar com minha cachorra se eu ficasse desesperado.

Essa noite meu amigo balançou a cabeça tomando seu coquetel de uísque e Coca Cola e implorou para saber se eu estava tendo alguma diversão nesses dias. Eu sabia o que ele queria dizer e mudei de assunto porque não gosto de me explicar e porque ele não era aquele tipo amigo, de qualquer maneira.

Se eu quisesse encontrar alguém bonita para me fazer companhia, eu sabia onde encontrar. Tinha uma faculdade movimentada a menos de 30 quilômetros de distância. Eu não fazia isso, não procurava uma cena no bar à procura de garotas animadas da faculdade porque eu não era mais o babaca fodedor casual que já fui um dia. Minha solitude tinha se enraizado muito. Nada e ninguém poderia tão cedo mudar minha mente sobre esse exílio autoimposto.

Como se opondo aos meus pensamentos sobre solidão e exílio, o celular no meu bolso de trás tocou novamente. Eu fechei a porta do pátio de vidro deslizante e o peguei. O número na tela era desconhecido. Um número do Arizona.

― Alô? ― Eu disse, num primeiro instinto de bolhas desconfortáveis no intestino.

― Nash? ― engasgou uma voz. Era um choro. ― Nash, é a Jane.

Jane. Tecnicamente a tia Jane. A irmã mais nova do meu pai deslizou pela vida numa névoa artística calma enquanto se envolvia no guarda-roupa do Steve Nicks. Nós mantivemos contato por email, mas eu não me lembraria da última vez que falei com ela. Pode ter sido na última vez em que estive lá em Hawk Valley. Há quatro anos. Não, cinco anos.

E agora, por alguma razão, Jane caçou o número do meu celular para me ligar no meio da noite. E ela estava chorando...

― O que aconteceu? ― eu perguntei e uma sensação de medo surgiu assim que eu lembrei de uma coisa que me esforcei para esquecer esses dias, que há pessoas no mundo com quem eu me importava.

Entre soluços e palavras travadas, ela me contou tudo.

Eu ouvi, mas não compreendi, não completamente.

Eu deveria ter percebido que as piores coisas do mundo acontecem quando você não as vê chegando. O destino era o filhoda-puta mais cruel e eu deveria ter permanecido pronto para qualquer soco. Eu não estava pronto para essa angústia no primeiro momento que o merda chamado 'destino' dizimou a minha vida.

Eu também não estava pronto agora.

Puta que pariu! Eu nunca estaria pronto.

Capítulo 3 3

KATHLEEN

A

ameaça sempre estava nas estações secas. Algum campista burro pode jogar um cigarro no mato espesso ou ignorar os avisos de fogueira para fazer uns cachorrosquentes porque sempre tem algum idiota que acha que as regras não se aplicam a ele. E, simples assim, dez mil hectares de pinheiros ponderosa virariam fumaça. As montanhas são pontilhadas com cidades pitorescas e cabanas por todos os lados e tinha muito em jogo quando o alarme tocou. As equipes de fogo entrariam em ação rapidamente para evacuar as áreas ameaçadas e elas trabalhariam incansavelmente até conter o perigo.

Algumas vezes não era suficiente.

Algumas vezes a combinação de vento e chamas frustrariam os melhores esforços que os homens poderiam fazer.

― Kat?

A voz na porta da cozinha era estridente. Três batidas na madeira se seguiram.

― Kat, sou eu!

Minhas juntas endurecidas reclamaram quando eu me desvencilhei da cadeira de madeira que eu me afundei quando o céu ainda estava escuro. Eu tentei atravessar o quarto antes que a minha mãe batesse na porta de novo e acordasse todo mundo. Ela não era famosa pela sua paciência.

― Por favor, silêncio. ― Eu sibilei quando eu rachei a porta.

Minha mãe piscou para mim no meio da luz do amanhecer.

― Você está horrível. ― Ela me informou. A lista de qualidades dela nunca tinha incluído tato.

― Desculpa, eu não priorizei minha rotina de beleza essa manhã. ― Eu abri mais a porta para que ela pudesse passar. Ela trouxe o cheiro azedo de fumaça com ela, mas isso não poderia ajudar. Quando teve um incêndio nas montanhas próximas, a névoa e o fedor inevitavelmente flutuaram para Hawk Valley.

Minha mãe foi direto para a garrafa de café, suspirou quando a encontrou vazia e com muito barulho começou a encher a garrafa na torneira.

― Há novos caminhões e equipes de incêndio em toda parte. ― Ela disse num tom que implicava que a presença deles estava arruinando o dia dela. ― Eu nem poderia pegar meu café nesta manhã. A linha estava a dez minutos do Ed.

― Que droga. ― Eu resmunguei, pensando em todas as pessoas que amariam que uns dez minutos de espera por um café fossem o maior de seus problemas essa manhã.

― Sim, foi mesmo. ― Ela disse, sem entender meu sarcasmo.

A máquina de café apitou quando aquecido. Eu esfreguei meus olhos, começando a sentir os efeitos físicos dos horrores da última noite. Mentalmente eu não poderia ainda, não poderia absorver direito os tormentos emocionais que viriam. Não há fim no horizonte. Seriam muitas lágrimas e funerais e, no momento certo, a pura desesperança se acalmaria, mas não haveria fim. Só uma nova e triste realidade. E uma criança órfã.

― Kathleen, você está bem? ― Minha mãe parecia preocupada agora. Ela realmente não era uma sem coração. É que às vezes o medidor de sensibilidade dela emperrava.

Peguei uma lágrima na minha bochecha. ― Não acredito que isso tudo é real. ― Eu disse.

Ela assentiu e, pela primeira vez, uma expressão de dor passou pelo seu rosto. Heather era sua sobrinha, de qualquer forma. E ela era minha prima.

― Eu sei. ― Eu disse. ― Eu nunca pensei que eu veria o dia em que eu seria um pouco grata pelo câncer ter levado minha irmã tão nova. Mas eu tenho que dizer que eu estou feliz que ela não viveu para ver a morte de sua única filha.

Eu estiquei a mão para pegar a caneca de cerâmica do armário acima da pia. Meus dedos passaram pela excêntrica coleção de xícaras em tons pastéis e se fecharam ao redor de uma caneca de lembrança que anunciavam uma fileira de extravagantes pinheiros verdes abaixo das palavras "Felicidade de Hawk Valley" numa caligrafia vermelha. Existiam dúzias como essa, vendidas na loja da Avenida Garner que pertence a minha prima Heather e administrada com o marido dela, Chris. Ela mesma as desenhou.

Depois que eu servi uma xícara de café para minha mãe, eu enchi uma para mim mesma. Nós duas bebemos nosso café preto, uma das poucas coisas que tínhamos em comum. Nós bebemos nossas xícaras num silêncio triste enquanto eu pensava sobre como o mundo parecia diferente de doze horas atrás.

Os ventos tinham ficado muito fortes na última noite, despertaram por alguma colisão meteorológica que provavelmente teria feito sentido para mim nos meus dias acadêmicos. Minha única preocupação era que o barulho manteria Emma e o bebê acordados. Felizmente minha filha de três anos e meio não tinha herdado meus péssimos hábitos de sono, mas o bebê era outra história. Ele tinha quatro meses de idade e era a primeira noite longe dos seus pais. Ele fez um rebuliço como o vento que batia nas paredes de fora e assobiava através das pequenas rachaduras que encontrou. Eu o balancei por uma hora inteira até que ele se acalmasse, mas eu não me importei. Era bom sentir o peso quente de uma criança de novo. Agora que a Emma passou pela primeira infância, ela frequentemente se recusava a ser abraçada.

Quando a Heather me perguntou se eu cuidaria do bebê Colin por uma noite para que ela e Chris pudessem aproveitar um aniversário romântico na cabana deles no alto das montanhas, eu nem hesitei em aceitar. Ela quase mudou de ideia e o levou, mas Chris riu, chamou-a de mamãe coruja e os dois saíram para a viagem de aniversário sozinhos.

Colin tinha finalmente dormido quando eu o ajeitei no berço portável no quarto da Emma e foi quando eu ouvi a primeira sirene. Poderia ser qualquer coisa. Um acidente de carro. Um cabo de força cortado. Eu não me debrucei sobre eles. Como eu estava de saída do quarto, Colin soltou o choro afiado e eu permaneci na entrada por um momento para ver se ele estava acordando, mas ele simplesmente caiu no sono mais uma vez.

Horas depois, eu fui acordada por uma ligação histérica da irmã do Chris, Jane. Ela era a namorada de muito tempo do chefe do corpo de bombeiros local, então ela ouviu as notícias antes. O incêndio tinha se movido rápida e impiedosamente, engolindo hectares inteiros meros momentos antes de de repente irromper uma chuva com fúria, não extinguindo completamente, mas dando às equipes a chance de lutar de volta. Os primeiros socorristas na cena tinham a péssima tarefa de checar meia dúzia de cabines que foram engolidas pelo fogo. Somente uma estava ocupada. Ainda seria necessária uma identificação formal dos corpos, mas todo mundo sabia que aquela cabine pertencia à família Ryan por gerações. E Jane confirmou às autoridades que o irmão dela e sua esposa tinham dirigido até lá ontem à noite.

Agora eu não poderia parar de pensar sobre o solitário e agudo choro de Colin. Eu me questionava se aquele foi o momento que seus pais se viram cercados pelo fogo. E me perguntava se um dos mistérios trágicos do universo tinham acontecido, se aquela criança de alguma força saberia o que tinha acontecido há quilômetros lá nas montanhas.

― Mamãe? ― Emma entrou na cozinha como um anjo sonolento na camisola azul pálido.

― Oi, amorzinho. ― Eu disse, estendendo a mão para ela.

Ela permaneceu onde estava, olhando para mim solenemente. Ela era grande o bastante para guardar memórias da última noite, de ser acordada pelo som dos adultos soluçando.

― Você está chorando. ― Ela disse.

― Venha aqui, minha garotinha linda. ― Minha mãe disse e se agachou com os braços abertos. Emma me olhou de relance e foi para a avó.

Emma se permitiu ser levantada no colo da minha mãe. Bocejou e disse:

― Colin está fazendo barulho.

― Ele acordou? ― Perguntei. Ela assentiu.

― É, ele está fazendo barulhos.

Eu tinha pensado que ouviria se ele chorasse. Abaixei minha xícara de café.

― Vou ver.

Tinha sons ininterruptos vindo do berço do Colin, mas no segundo em que ele me viu, irrompeu em um lamento profundo. Eu o segurei enquanto dizia palavras calmantes e controlava a vontade de chorar para o meu coração não se quebrar em um milhão de pedaços por conta do quanto esse bebê tinha perdido.

― Alguém tem uma fralda fedorenta. ― Eu disse com um falso entusiasmo e eu fiz cócegas nele depois de colocá-lo no tapete de trocar. Ele sorriu para mim.

Quando eu voltei à cozinha, encontrei minha mãe alimentando a Emma com um prato de biscoitos de chocolate, mas descobri que essa manhã eu poderia me abster de discutir sobre as vantagens de um café da manhã saudável.

Peguei uma mamadeira da geladeira, uma que tinha sido preparada pela Heather e coloquei na cadeira com o bebê. Ele se agarrou ansiosamente a ela e me olhou com aqueles olhos azuis arregalados que me lembravam de outra pessoa. Heather tinha olhos castanhos. Seus olhos azuis vieram da família de Chris e parecia que Colin continuaria com eles.

― Você vai conseguir fazer isso por quanto tempo? ― Minha mãe perguntou.

― Fazer o que?

― Tomar conta desse bebê. Você já se exige demais entre seu trabalho, escola e cuidar da sua filha.

Cerrei meus dentes.

― Está se oferecendo para ajudar?

Ela evitou a questão. ― Os pais do Chris estão mortos, assim como a mãe da Heather. O pai dele está vivo, mas, confie em mim, ele certamente não vai contribuir. E não pense na confusão que é a irmã do Chris. Jane não consegue nem cuidar de si mesma.

Emma estava nos observando com os olhos arregalados assim que mastigou todos seus biscoitos, por isso eu não retruquei que essa não era hora de difamar pessoas que estavam devastadas.

― Eu só estou pensando em você. ― Minha mãe fungou porque não respondi.

― Então me ajude passando meu celular. ― Eu disse. ― Está bem ali no balcão.

Em algum momento enquanto eu cochilava na cadeira da cozinha, Jane me mandou uma mensagem. Eu levantei minhas sobrancelhas com a mensagem embora as novidades não fossem surpreendentes. Claro que ele viria. Chris tinha sido seu pai e, embora eu soubesse que eles não tinham uma boa relação, imaginei que as notícias tivessem sido um choque terrível.

― Nash está a caminho. ― Eu disse.

― Quem? ― Minha mãe perguntou.

Suspirei.

― Nash Ryan. Filho do Chris. Lembra dele, certo? ― Ela franziu o rosto.

― Sim, vagamente.

― Ele está vindo de Oregon. Jane acha que ele estará aqui essa noite.

Ela deu de ombros.

― Eu também não contaria com a ajude dele se é o que você está pensando.

Na verdade, eu estava pensando em Colin. Eu estava pensando em como ele tinha um irmão que nunca conheceu e como esse irmão era agora o parente vivo mais próximo.

Colin acenou seu pequeno punho no ar assim que terminou sua mamadeira e eu o apoiei no meu ombro para arrotar.

Eu não tinha ideia do que esperar da volta do Nash Ryan. Já tinha um pouco desde quando o nome dele provocava todo tipo de sentimentos imprevisíveis dentro de mim. Por alguns confusos anos na adolescência, eu pensava que estava apaixonada por ele, antes de entender que amor não significa seguir cada passo de um cara enquanto consumida por uma cobiça obsessiva. Isso não era nada, apenas uma paixão patética que eu mal pensava. Eu só esperava que, pelo bem do menininho em meus braços, Nash tivesse interesse nele. Colin precisaria de todo amor que ele pudesse dar.

Mais do que tudo, eu esperava que Nash tivesse se tornado um homem melhor do que os rumores diziam.

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