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Uma noite com o Rei Híbrido

Uma noite com o Rei Híbrido

Autor:: Anya Curves
Gênero: Lobisomem
A vida de Aria vira de cabeça para baixo após um término inesperado e uma noite de bebedeira que mudará seu destino para sempre. Quando Alexander a abandona sem qualquer explicação, Aria, devastada, busca conforto em um bar, tentando afogar sua mágoa em copos de bebida. É nessa noite que ela encontra Caelum, um homem enigmático e sedutor que capta sua atenção e faz seu coração ferido bater mais rápido. O que Aria não sabe é que Caelum é um lycan híbrido, destinado a se tornar o futuro rei do reino de Veridiana. Ele está ali para aproveitar sua última noite de liberdade antes de ser forçado a casar com Seraphina, uma feiticeira fria e calculista com planos sombrios para o reino de Veridiana e sua terra natal, o reino moribundo de Syltirion. Após uma noite de paixão avassaladora, Aria e Caelum seguem caminhos opostos, mas o vínculo que criaram jamais será esquecido. Para Aria, essa noite resulta em gêmeos, o que ela descobre apenas depois que ele desaparece de sua vida. Cinco anos mais tarde, Seraphina, desesperada para garantir um herdeiro para Caelum, descobre a existência dos filhos de Aria e sente sua posição ameaçada. Agora, o destino de Aria e Caelum está prestes a se cruzar novamente. Será que o amor e a lealdade serão suficientes para enfrentar os perigos que se aproximam, ou Seraphina conseguirá manipular o futuro a seu favor?

Capítulo 1 Aria

Minha respiração está ofegante, sinto os braços firmes e fortes de Alexander abaixo de mim, me abraçando pelos ombros.

Deito minha cabeça em seu peitoral, me sentindo segura e feliz com esse momento após o sexo. Nada poderia ficar mais perfeito do que isso. O quarto exala a nossa paixão, eu observo a luz da tarde invadindo pela cortina, dançando pela cama bagunçada.

"Aria, eu preciso conversar com você" Alexander diz de repente, sua voz grossa e rouca, soa com pesar.

Levanto o meu corpo e giro minha cabeça para olhá-lo, percebo em seus olhos azuis-escuros iguais o oceano de madrugada, profundo e misterioso, carregar algo que o está correndo.

"Sim, meu amor, o que foi?" incentivo, passo a mão por uma mecha do cabelo castanho ondulado dele, algo que sempre me trouxe paz de fazer.

Porém, Alexander segura a minha mão e afasta do seu rosto, ele senta na cama e respira fundo, eu olho para ele com preocupação, sem entender o que está acontecendo.

"Não está dando certo, Aria" Alexander anuncia com a voz fria e séria. Arqueio minhas sobrancelhas na sua direção, sem compreender o que ele quer dizer com aquilo.

" O que não está dando certo, Alex?" pergunto confusa. Alexander gesticula para nós, o espaço que há entre mim e ele.

"Isso, a gente. Eu achei que poderia melhorar, mas não tem acontecido..." Alexander responde com a voz cheia de calma e frieza.

Fico sentada na cama e puxo o lençol para cima, tentando cobrir não só o meu corpo, mas também o meu coração que está se quebrando agora.

"Você está terminando comigo? Por quê? O que está de errado? O que eu fiz?" pergunto com um nó na garganta, sentindo meus olhos queimarem com as lagrimas se formando.

Alexander levanta da cama, me deixando ainda mais ferida com o seu afastamento. Ele começa a vestir a cueca e eu apenas observo, tentando processar o que está acontecendo.

"Alexander, por quê? Vamos conversar, tentar resolver o que está te incomodando," insisto, me levantando também e enrolando o lençol no meu corpo.

"É tarde demais, Aria. A gente não combina mais, sei lá, apenas preciso que você vá embora, okay?" Alexander responde, ele anda pelo quarto pegando as peças de roupas que jogamos com tanta paixão.

"Você não me ama mais? Existe outra pessoa?" Questiono com ansiedade na voz, meu coração acelera com o medo de que exista outra pessoa que Alexander goste.

Alexander me entrega as minhas peças de roupas de forma rápida, me deixando ainda catatônica com a forma que ele está lidando com a situação.

"Aria, não precisa complicar mais as coisas, apenas não está dando certo, okay?" Alexander responde por fim, já totalmente vestido.

Fico parada no meio do quarto, segurando o lençol e a minha muda de roupa, sem saber o que pensar ou dizer. Alexander olha para mim com seus olhos profundos de oceano que sinto que poderia me afogar, sua expressão é de pena e compaixão, mas há algo a mais que eu não consigo decifrar.

"Por que você está fazendo isso?" pergunto outra vez, sem conseguir entender. A gente acabou de fazer amor, algo que sempre foi incrível para nós dois.

"Porque não está mais dando certo, isso acontece, Aria. Pessoas terminam e seguem em frente," Alexander responde, desviando o olhar e dando de ombros. "Vou deixar você sozinha para se trocar, quando eu voltar, por favor... não esteja mais aqui, por favor."

Abro a boca para argumentar, para insistir, até avanço um passo na direção do Alexander, porém, ele se esquiva e sai do quarto, fechando a porta atrás de si. Fico sozinha no quarto sem saber o que fazer. Lagrimas começam a cair pelo meu rosto e sinto tudo ao meu redor ficar pequeno e sem foco. Coloco as minhas roupas em meio a soluços e tremedeira no corpo inteiro.

Meu mundo parece desabar e eu não sei o que fazer. Olho para o quarto pequeno do apartamento do Alexander, há fotografia nossas espalhadas que fico tentada em jogar no chão. Por fim, sem saber quanto tempo passou, eu resolvo sair do quarto.

O pequeno loft de Alexander está vazio, ele saiu e nem disse para onde ia. As minhas chaves estão em cima da bancada da cozinha, com a minha bolsa. Olho uma última vez para o local, tentando memorizar tudo antes de ir embora. O sofá azul que eu e Alexander ficávamos várias noites apenas aconchegados vendo algum filme, a cozinha onde eu preparava a maioria das nossas refeições. Tudo começa a se transformar em memórias doloridas, uma saudade e despedida que se misturam e machucam.

Eu pego somente a minha bolsa e deixo a minha cópia da chave a onde está. Fecho a porta atrás de mim e sinto uma onda de confusão me invadir. O que eu faço agora?

A noite já começa a cair do lado de fora do prédio de Alexander e eu não quero voltar para a minha casa, minha mãe fará perguntas e eu não quero respondê-las, porque na realidade eu não sei como respondê-las. Ando pela calçada de forma automática, sem ter rumo para onde ir, esbarro nas pessoas com pressa e percebo que as lagrimas já pararam de cair e no lugar dela o meu corpo declara que preciso comer algo.

Sem prestar atenção, eu entro no primeiro bar que encontro aberto e peço uma porção de fritas e duas canecas cheias de cerveja.

"Dia difícil?" o barman pergunta e eu apenas confirmo com a cabeça.

Apoio meus braços no balcão e sinto a onde de choro querer voltar, mas eu me controlo. Não farei o papel da namorada carente que tomou pé na bunda e chora em lugares públicos. Manterei o mínimo de dignidade que me resta.

O bar começa a ficar cheio, a música começa a ficar mais alta e eu começo a ficar mais bêbada a cada caneca que eu finalizo. O álcool começa a deixar dormente o meu coração e gradualmente vou esquecendo o motivo que me fez começar a beber.

"Está sozinha?" uma voz masculina grave pergunta de repente.

Levanto meu olhar na direção da voz e encontro um homem alto, com mais de um metro e noventa e cinco, os cabelos são loiros escuros penteados para trás que se alinham com a barba cheia com dois tons mais claros que o cabelo. Os olhos verdes parecem duas pedras preciosas que me olham com desejo e curiosidade.

"Para sua sorte, sim," respondo um pouco alegre demais.

"Duas doses de tequila," o homem ordena para o barman que logo o atende. Ele oferece uma dose para mim e eu aceito de bom grato. "O que você está fazendo aqui sozinha?"

"Estou esperando por você, gostosão. Você demorou um bocado, sabia?" respondo com humor, que faz o homem soltar uma risada.

"Desculpa, o trânsito. Vim o mais rápido que consegui," ele entra na brincadeira e eu me sinto feliz por isso.

"Eu só te perdoo se você me fizer companhia até amanhecer," sugiro com malícia na voz.

Quero esquecer de Alexander, do seu tanquinho definido, do seu sorriso bobo, dos seus olhos oceanos e a forma como ele me beijava. Quero esquecer tudo sobre ele e esse homem a minha frente, com certeza pode fazer isso por mim.

"Desafio aceito," o rapaz responde com um sorriso malicioso nos lábios. A presença dele me causa desejo e tesão, misturado com o alto teor de álcool que já percorre as minhas veias.

A conversa fluiu com malícia e com muita bebida. As horas percorrem até que o barman declara que precisa fechar o local.

"Ainda falta algumas horas para o dia chegar, quer ir para a minha casa?" eu o convido.

"Com certeza, linda! Faço até questão de pagar a sua conta!"

"Que cavalheiro!" respondo com uma risada enquanto me levanto. Sinto o mundo girar por alguns segundos até sinto a mão grande e firma do rapaz me segurar pela cintura.

"Tudo certo, princesa?" ele pergunta com a voz baixa perto do meu ouvido, me fazendo sentir um arrepio por todo o meu corpo.

"Tudo perfeito!" respondo com um sorriso safado para ele.

Minha casa está silenciosa, minha mãe já deve ter ido para a cama dela. Assim que chegamos em meu quarto, o homem que parece um deus grego avança para me beijar. Seus lábios são finos e macios, sinto a aspereza da sua barba contra a minha pele, mas isso não me incomoda. Minhas mãos são ágeis e eu logo começo retirando a camisa dele, sinto todos os gominhos do seu peitoral com as minhas unhas. O deus grego beija o meu pescoço e suas mãos grandes e macias são ágeis e ele logo me pega no colo. Cruzo minhas pernas em sua cintura e minhas mãos em volta do seu pescoço, sentindo os fios dos seus cabelos sedosos se enroscarem em meus dedos.

Assim que ele me deita na minha cabeça, eu tenho uma noite confusa e, ao mesmo tempo, incrível. Os pensamentos do meu coração partido desaparecem quando os lábios do deus grego me beijam por todo meu corpo. A forma como ele me causa orgasmo é sublime. Durante as horas que o sol ainda não se levanta, eu e o deus grego exploramos o corpo um do outro que me faz sentir nas nuvens.

Mas o dia finalmente chega e quando acordo, o deus grego já partiu, deixando apenas um bilhete que dizia: desafio cumprido, princesa.

A ressaca junto com a saudade e a dor do Alexander chegam para perto de mim como uma nova inquilina. Uma noite com um desconhecido apenas serviu para adiar a minha dor pós termino. A lembrança da noite anterior começa a ficar nebulosa e o rosto do homem com quem me deitei já vai ficando distorcida em minha mente.

Capítulo 2 Caelum

Minha última noite como um homem livre e solteiro. O pensamento de que amanhã a essa hora estarei casado, me causa enjoo. Ando pelas ruas do meu país sem saber exatamente o que fazer com o meu último dia de liberdade. Sei que o casamento será a salvação para o reino, pelo menos, é o que eu torço que seja.

Meus pensamentos são avulsos quando entro no bar, sei que as roupas simplórias que estou usando me ajudara a mesclar com os plebeus. Afinal, está sendo anunciado em todos os lugares o meu casamento, mesmo eu sendo um rei recluso que tenta sempre fugir dos holofotes. Com as roupas simplórias e um feitiço de camuflagem, tenho uma noite tranquila pela frente.

Até que eu a avisto e sinto o seu cheiro. Meu lado lycan fica eufórico com o cheiro da humana, algo que nunca aconteceu antes. O cheiro dela é impregnante, avassalador e, ao mesmo tempo, exótico. Me aproximo dela como se ela fosse o sol e eu tivesse que orbitar em sua direção.

Assim que me sento ao seu lado, a jovem não esboça nenhuma reação, nem percebe a minha presença. Sei que usei um feitiço, mas não forte o suficiente para a minha presença ser apagada.

Pigarro e mesmo assim a jovem não demonstra nenhuma reação. Percebo então o seu olhar abatido e as canecas vazias ao seu redor. Será que ela tomou o bolo de alguém? Quem teria ousadia de fazer isso com ela? Os cabelos castanhos claros estão presos em um coque bagunçado, a sua pele parda carrega um bronzeado e o cheiro do sol que me deixa fascinado. Ela possuiu uma marca de nascença peculiar em seu pescoço. Uma mancha em formato de lua crescente.

"Está sozinha?" questiono curioso e é quando ela finalmente presta atenção em mim.

Mesmo com o hálito carregado com o cheiro de álcool, a jovem mantém a delicadeza e o humor ao me responder, me causando maior curiosidade.

Percebo que ela quer uma distração, talvez vingança por ter tomado bolo de alguém e eu quero uma despedida da minha solteirice. Acho que foi o destino que nos uniu essa noite. Eu pago pelas bebidas e ouvir a risada dela, me causa ainda mais vontade de a ter para mim.

Torço para que a minha futura esposa tenha o mesmo senso de humor que essa humana e seja gostosa tanto quanto.

"Ainda falta algumas horas para o dia chegar, quer ir para a minha casa?" a jovem pergunta com um sorriso malicioso. Consigo sentir o cheiro dos seus feromônios aumentando.

Eu não nego o pedido e acompanho os passos tropeços dela até sua casa. Um local simplório de uma plebeia humana, não me surpreende. Quem me dera ela fosse da realeza, assim eu poderia talvez tentar casar com ela.

Assim que chegamos ao seu quarto, eu não aguardo nenhum segundo sequer. A vontade de possuí-la, de me deliciar com o seu corpo me domina. Ela é corpulenta, com ótimos lugares para apertar e beijar, os seios são fardos e o quadril largo que eu seguro com força e a levanto. Beijo seu pescoço, onde está a marca de nascença e sinto o corpo dela se arrepiar por completo. Mesmo com o teor de álcool elevado em seu sangue, a jovem mantém a consciência de tudo o que fazemos. Deito ela na cama e arranco suas roupas com rapidez, eu contemplo cada curva que ela possuiu e até gravo em minha memória o conjunto da sua lingerie. Azul-marinho.

Os olhos castanhos claros dela carregam tantas emoções e desejos que eu poderia me perder neles. Os lábios carnudos dela são macios e eu os mordo com tesão, sentindo o meu membro ficar cada vez mais rígido em minha calça. Eu me banqueteio com ela, faço ela gozar em minha boca e também em meu membro. Até que por fim, eu gozo dentro dela, sentindo todo o prazer chegar no ápice.

"Deus grego, você consegue fazer eu esquecê-lo?" a jovem pergunta sonolenta e bêbada após finalizarmos. Eu solto uma risada e alinho em meus braços.

"Apenas aceito desafios possíveis, princesa," respondo ao pé do seu ouvido antes dela dormir.

Eu não pego no sono de imediato. Minha mente vagueia pelo quarto dela, absorvendo as características e história dessa jovem misteriosa. Eu não sei o seu nome e prefiro que continue assim, uma noite prazerosa é o suficiente para mim.

Permito que ela durma abraçada a mim, e passeio os meus dedos pela sua pele despida, principalmente na marca de nascença que me atraiu tanto. Ela dorme profundamente que até mesmo solta um ronco suave. Assim que as primeiras luzes do sol começam a surgir, eu me levanto e visto minhas roupas.

Não quero ir embora como um bandido, então apenas escrevo um bilhete e deixo em cima da cômoda ao lado da cama. Observo uma última vez o corpo sonolento dela e me sinto satisfeito com a forma que gastei minha última noite de liberdade.

"Achei que você teria fugido! A onde você estava, Caelum?" minha mãe, Isolde, indaga com impaciência na voz. "Mas que roupas são essas?"

Eu solto uma risada humorada e beijo a testa da minha mãe. A preocupação dela para que esse casamento vá para frente me causa uma vontade incontrolável de rir.

"Eu nunca desperdiçaria toda a comida que contratamos para esse casamento fugindo, mamãe," respondo enquanto ando pelos corredores do palácio.

Todos os funcionários estão agitados, preparando as decorações para o casamento. Isolde anda ao meu lado com seu corpo miúdo e rosto preocupado, para uma senhora de cinquenta anos, minha mãe possuiu muita disposição para controlar tudo e a todos, inclusive eu.

"Não faça gracinhas, Caelum! Hoje é um dia muito importante! Você já tem trinta anos, precisamos assegura o seu poder e gerar herdeiros quanto antes," Isolde responde com uma bronca. Entro em meu quarto e minha mãe me segue logo atrás.

"Não me diga! Sei disso, eu sou o noivo. Além de que, você não me deixa esquecer sobre isso nos últimos meses" rebato já com impaciência. "Estou aqui, não estou? Pronto! Estarei no altar, não se preocupe. Vai ver se a minha noiva, a Sabrina..."

"Seraphina!" mamãe me corrige e eu dou uma piscadela.

"Até o fim da vida decoro o nome dela. Enfim, veja se ela precisa de alguma coisa, okay? Vou me arrumar para minhas outras funções como rei!"

Antes que a minha mãe pudesse debater, eu a expulso do meu quarto de forma rápida e gentil. Repito o nome Seraphina algumas vezes enquanto retiro a minha roupa de plebeu. Eu nunca sequer conheci Seraphina, uma jovem princesa feiticeira de vinte e três anos do reino Syltirion. Um reino que possuiu grande fonte de magia e minérios preciosos, algo que meu reino Veridiana necessita.

A cerimônia ocorre ao fim da tarde no jardim do palácio, com o por do sol atrás de nós. Fico surpreso com a beleza de Seraphina quando ela chega ao corredor até o altar, usando um vestido azul-claro cheio de camadas e justo ao seu corpo magro. Os cabelos cor de fogo estão soltos e carregam uma linda coroa fina prateada com correntes com pérolas brancas, o rosto pálido dela contrasta com os olhos dourados que parecem ouro e com a maquiagem e seu cabelo de cor viva e marcante. Sua beleza é impressionante ou eu que estava pensando o pior.

Sinto os hormônios dela, há uma ansiedade e um coração acelerado. Não a culpo, se casar com alguém que você nunca viu também não estava em meus planos. Mas era o meu dever e faria dar certo o máximo que eu conseguisse.

"E agora, a primeira dança dos recém-casados!" o cerimonialista declara e uma salva de palmas surge logo em seguida.

Eu me levanto e estendo a minha mão para a minha mais nova esposa. Seraphina fica com as bochechas coradas e eu acho isso ligeiramente encantador, ela aceita e nós dois vamos em direção à pista de dança.

"Desculpa se eu tiver dois pés esquerdos," Seraphina sussurra nervosa em minha direção e eu abro um sorriso acolhedor.

"Não se preocupe, eu tenho dois pés direitos!" replico com divertimento na voz.

Enquanto danço com minha esposa, minha mente resolve trazer de volta o rosto da jovem que dormi na noite anterior. Como forma instintiva, meus olhos buscam na multidão de convidados a humana, mesmo sabendo que ela provavelmente nunca poderia estar na lista de convidados.

Meus olhos pousam no pescoço de Seraphina, como se quisesse ter certeza que não era a mesma mulher com quem eu dormi horas atrás. Balanço a cabeça, tentando afastar desse desejo carnal que quer me dominar.

"Espero que você consiga se sentir em casa aqui no reino de Veridiana, Seraphina," comento com modesta e Seraphina lança um olhar lívido, seus olhos dourados que parecem ouro derretido faíscam na minha direção com expectativas.

"E eu espero que a minha companhia te agrade, Majestade. Que eu possa carregar os seus belos e fortes filhos!" ela responde cordialmente, como se tivesse ensaiado aquilo várias e várias vezes.

Capítulo 3 Aria

Cinco Anos Depois...

O salão está abarrotado de meses redondas espalhadas pelo cômodo amplo e bem iluminado. A decoração me enche os olhos e eu me pergunto se algum dia terei dinheiro para fazer algum evento desse nível de magnitude.

Eu equilíbrio a bandeja com as taças de champanhe enquanto passo por entre as mesas oferecendo as bebidas. As pessoas sentadas, toda bem vestidas e elegantes, me ignoram como sempre fazem quando não querem nada sendo oferecido. Tão soberbas e esnobes que me faz ficar irritada. Respiro fundo e continuo passando por cada mesa, alguns aceitam e outros simplesmente continuam me ignorando.

O som da festa preenche o ambiente com o falatório dos convidados. A pista de dança comporta apenas adultos dançando e alguns adolescentes com coragem para dançar de forma engraçada. Mantenho minha atenção em cada detalhe que há no salão, notando também minhas colegas garçonetes servindo os canapés e outros pratos.

Volto para a cozinha que destoa com a elegância do salão. O local está um pequeno caos, pratos sendo montados, cozinheiros gritando um com o outro, louças sendo lavadas e bandejas sendo levadas e deixadas.

A cacofonia me causa arrepios e até uma dor de cabeça. Sinto minha lombar começar a fisgar de dor e isso me deixa mais lenta para continuar levando as bandejas pelo salão. Quando resolvo parar por alguns minutos apenas para descansar meus braços e pés, meu chefe logo surge.

"Aria, eu estou te pagando para ficar parada, por acaso?" ele indaga com impaciência, cruzando os braços na frente do físico corpulento dele.

"Não, senhor. Apenas precisava de um pouco de folego antes de voltar lá, perdão." Respondo constrangida.

Meu chefe, um homem beirando aos cinquenta e cinco anos, de rosto sempre vermelho e calvo, me encara com desaprovação e eu logo volto a pegar a bandeja cheia de taças novas de champanhe e parto de volta para dentro do salão.

Cinco horas depois, ao fim da festa, ainda preciso recolher todos os pratos e talheres deixados pelos convidados. Minha colega, Nicole, aparece ao meu lado com a bacia cheia de pratos sujos para lavar.

"Menina, você vai estar de folga no próximo final de semana, não vai?" Nicole pergunta animada e eu confirmo com a cabeça. "Você quer fazer bico? Eu consigo uma vaga para trabalhar como garçonete em um evento, o pagamento é o triplo do daqui."

Meus olhos se arregalam com a proposta milagrosa. Eu precisava de mais dinheiro, sempre precisaria de mais dinheiro. Não por ganância ou para gastar com coisas desnecessárias, mas sim devido a Elowen e Thorne. Meus lindos anjinhos.

"A resposta é mil vezes sim, Nicole! Isso será uma benção, graças a Deus! Muito obrigada!" respondo com alívio no peito.

Nos últimos dias eu estava preocupada em como ia conseguir pagar as contas mais importante. Com o imprevisto surgindo a todo momento, eu estava com um valor baixo na minha reserva de emergência.

"Perfeito garota, durante a semana eu te envio o endereço!" Nicole explica com rapidez. Logo a gente volta a limpeza do salão e eu sinto uma alegria percorre todo o meu corpo, sentindo que essa nova oportunidade de trabalho, vai trazer muito mais do que dinheiro para mim.

Chego em casa no início da madrugada, percebo que a luz da cozinha está acesa. Tento entrar sem fazer muito barulho para não acordar os gêmeos, meus filhos.

Vou em direção à cozinha e encontro a minha mãe sentada na mesa de jantar com uma taça de vinho preenchido na metade.

"Oi, mãe..." eu a cumprimento com a voz baixa. Lyra, minha mãe, levanta os olhos da tela do celular e sinto a frieza e o desdém em seu rosto.

"Isso são horas de chegar, Aria? Eu não sou babá dos seus filhos, perdi a noite do cassino com as minhas amigas por sua culpa," minha mãe pragueja com irritação.

"Desculpa, hoje tive que ficar com o time que faz a limpeza. Isso me dá horas extras e assim, mais dinheiro," explico com cansaço na voz.

"Você não iria precisar trabalhar tanto e me fazer de babá dos seus filhos, se tivesse ficado com o pai deles," Lyra responde contrariada e eu suspiro cansada.

Minha vontade é dizer que eu não faço ideia de quem é o pai de Elowen e de Thorne. Que bebi demais horas após ter me deitado com Alexander e fui parar na cama de outro homem. O deus grego que agora, nem minhas lembranças conseguem trazer a minha mente os seus traços.

"Mãe, Alexander não quer saber de mim... na realidade, eu não falo com ele faz anos, okay? Ele sumiu do mapa antes mesmo de eu saber sobre a gravidez," respondo, repetindo sempre o mesmo.

Lyra me olha com a expressão de desapontada e balança a cabeça em lamento pela minha situação.

"Você tinha um futuro tão promissor com ele, Aria. Ia ser uma esposa tão maravilhosa. Agora olha para você, vinte cinco anos, sem estudos. Sendo capacho dos outros. Não foi para isso que eu te criei, Aria, com certeza não foi," mamãe declara com a voz carregada de lamento.

"Eu sei, mãe, eu sei. Vou para cama, tá bom? Boa noite."

Antes de ir para o meu próprio quarto, eu passo no quarto dos gêmeos. Abro a porta devagar e observo pela luz do abajur infantil o rosto dos meus dois anjinhos pacifico enquanto dormem. As palavras acusatórias de minha mãe rodopiam em minha mente enquanto me aproximo da cama do meu filho Thorne e dou um beijo em sua testa.

Eu não sei como a minha vida poderia ser se eu não tivesse engravidado aos vinte anos, sem saber exatamente quem é o pai. Mas sei que tenho dois filhos maravilhosos, que alegram todos os meus dias quando acordam. Vou até a cama da minha filha Elowen e também dou um beijo na testa dela.

Com passos ligeiros e silenciosos, eu me arrasto para o meu quarto, sentindo o cansaço dominar todo o meu corpo. Assim que me ajeito para dormir, meu coração se aperta com a lembrança de Alexander, mesmo após cinco anos, a presença do meu ex-namorado ainda me assombra como um fantasma.

"Você não me disse que o evento era no castelo do rei, Nicole!" comento chocada, minha visão do imponente castelo é surpreendente.

Os vidrais pintados ganham vida com os últimos raios de sol antes da chegada da noite. Eu nunca cheguei perto do bairro dos nobres, sempre imaginei como poderia ser lá dentro. Cheio de beleza e magia, algo surpreendente.

"Mesmo com os frequentes ataques dos Wolfspawn Renegades contra a capital, alegando a ilegitimidade do rei e a falta de herdeiros, a família real resolveu comemorar o aniversário de casamento deles. Caelum e Seraphina estão fazendo cinco anos de casados!" Nicole responde animada, ela está no volante, dirigindo com cuidado pela rua privativa até o portão de entrada.

Observo o cenário da entrada, um amplo jardim decorado com rosas-brancas e vermelhas, com arbustos moldados com figuras de lobos enormes e outras criaturas magnificas. Sinto o meu coração acelerar a cada quilômetro que vamos nos aproximando do castelo.

"Imagina a bolada de grana que vamos receber essa noite, Aria. Eu já consigo sentir o dinheiro caindo na minha conta. E quem sabe eu não encontre o meu futuro marido aqui essa noite?" Nicole comente, sua voz carregada de expectativas. Abro um sorriso para ela e balanço a cabeça com incredulidade.

Nobres e plebeus não se misturam, principalmente humanas com lycan's ou feiticeiros. Para eles, somos incompletos, a escória e apenas a mão de obra que continua fazendo esse país girar.

"Não sei se é uma boa ideia se envolver com algum nobre lycan, Nicole. Com os ataques que tem ocorrido ultimamente, ser humana agora não é tão ruim," comento risonha e Nicole ri.

"Mas ser pobre é péssimo, eu não quero mais servir aos outros. Quero ser servida para variar," Nicole se queixa e eu solto somente uma risada curta.

"Sou o coordenador desse evento, me chamo Malik. Por favor, não me envergonhem. Porque se vocês me envergonharem, eu precisarei descontar do salário de vocês como punição, entenderam?" Malik declara com a voz firme e grossa, seus olhos castanhos são frios e assustadores.

Toda a equipe de garçonetes e garçons concordam de forma automática. A cozinha do palácio possuía o triplo do tamanho da cozinha do meu trabalho oficial, a organização e a harmonia dos funcionários me deixam impressionada com tanta eficiente.

"Você!" Malik aponta na minha direção e eu fico paralisada no lugar. "Você vai ficar encarregada de sempre servir o rei e a rainha. Leve essa bandeja de bebidas. Seja cordial e sempre olhe para o chão, nunca olhe diretamente para eles. Entendido?"

"Sim, senhor" respondo com a voz tremula. Eu pego a bandeja e equilíbrio acima da minha cabeça, como de costume.

Assim que saio da cozinha e entro no salão, sou invadida com a beleza surreal do local. A decoração é refinada, elegante e magnifica. Noto pelo são pontos de magia sendo utilizada, como projeções de animais coloridos andando no ar. Caminho com calma em direção à mesa comprida onde se encontra o rei Caelum e a rainha Seraphina.

O casal está radiante. O rei, um homem já com trinta e cinco anos, possui uma barba bem cheia loira, que possui tons mais claros que o cabelo loiro escuro penteado para trás e bem volumoso. Em sua cabeça uma coroa dourada se mescla com os seus cabelos. A beleza do rei é como a de um deus grego esculpido em mármore, mesmo de longe é possível notar os ombros largos e imponência dele.

A rainha Seraphina não fica para trás com a beleza divina de uma feiticeira. Os cabelos são curtos, um pouco abaixo das orelhas que carregam lindos brincos de rubis, que combinam com a cor do cabelo ruivo acobreado dela. Os olhos dourados faíscam com ternura e graça. A palidez do seu rosto faz um enorme contraste com o vestido escuro que ela usa.

Assim que eu me aproximo, mantenho meus olhos abaixados como fui instruída. Falo de forma polida sobre o que há na bandeja e ofereço para os dois. O rei aceita a bebida e eu logo serviço a taça em cima da mesa, assim que termino de colocar a bandeja de volta na posição correta, meu corpo gela ao ouvir a voz da rainha.

"Traga outra funcionária. Essa é uma desengonçada, péssima. Retira ela da minha vista e de meu marido, imediatamente!" Seraphina declara com a voz carregada de desprezo.

Balbucio um pedido de desculpa sem entender o que fiz de errado e sumo da vista dos dois.

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